Mês: maio 2017

Aleitamento Materno: Um Bem para as Vossas Saúdes.

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Aleitamento Materno: Um Bem para as Vossas Saúdes.

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Dr. Egas Sanfins Moura – Pediatria

Introdução

 

O leite materno é considerado pela Organização Mundial de Saúde – OMS, o alimento ideal nos primeiros meses de vida – “O leite de cada espécie é também fornecedor de hormonas, enzimas e oligossacáridos, razões pela qual a sua importância fisiológica recomenda a sua utilização preferencial”.

A prática do aleitamento materno – AM faz parte da história da humanidade e das sociedades actuais, resultando numa construção macrossocial que a identifica como uma medida prioritária de promoção da saúde pública em todas as políticas ocidentais (OMS, UNICEF, Academia Americana de Pediatria).

A industrialização, a II Grande Guerra Mundial, a massificação do trabalho feminino, os movimentos feministas, a perda da família alargada, a indiferença ou ignorância dos profissionais de saúde e a publicidade agressiva das indústrias produtoras de substitutos do leite materno tiveram como consequência uma baixa da incidência e da prevalência do AM. Foram as mulheres com maior escolaridade que mais precocemente deixaram de amamentar os seus filhos, sendo rapidamente imitadas pelas mulheres com menor escolaridade.

Este fenómeno alastrou aos países em desenvolvimento, com consequências gravíssimas em termos de aumento da mortalidade infantil. A partir dos anos 70, verificou-se um retorno gradual à prática do AM, sobretudo nas mulheres mais informadas.

A antropologia, a sociologia e a história têm procurado apreender o significado de acontecimentos tão importantes como o parto, para diferentes povos de diferentes culturas. Em todos os povos é possível encontrar crenças e práticas ligadas à procriação, à gestação e ao parto, constituindo este uma “entrada na vida” ou um ritual de passagem. Vários estudos mostram também que todos os povos se preocupam com os cuidados a fornecer ao recém-nascido, como sejam o primeiro banho, a amamentação, as aprendizagens, os berços e as embaladeiras.

Poucas experiências humanas alcançam os níveis de stress, ansiedade, dor e tumulto emocional ocorridos durante um parto e no pós-parto imediato. Sendo o parto uma ocasião de especial sensibilidade ao ambiente, não admira que acontecimentos, interacções e intervenções ocorridos durante este período possam ter consequências duradouras em termos emocionais e comportamentais.

Acontecimentos ligados às práticas hospitalares durante o parto, no período do pós-parto imediato e durante a estada da mãe e do bebé no hospital podem influenciar positiva ou negativamente o estabelecimento da lactação e a duração do aleitamento materno.

Um comunicado conjunto da OMS/UNICEF (Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés) contempla 10 medidas importantes para o sucesso do AM que deveriam ser implementadas nos serviços de saúde vocacionados para a assistência a grávidas e recém-nascidos, definindo objectivos e estratégias que, a serem cumpridos, confeririam a esses mesmos serviços de saúde a categoria de “Hospital Amigo dos Bebés”.

 

Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés (OMS/UNICEF)

  1. Ter uma política de promoção do aleitamento materno, afixada, a transmitir regularmente a toda a equipa de cuidados de saúde.
  2. Dar formação à equipa de cuidados de saúde para que implemente esta política.
  3. Informar todas as grávidas sobre as vantagens e a prática do aleitamento materno.
  4. Ajudar as mães a iniciarem o aleitamento materno na primeira meia hora após o nascimento.
  5. Mostrar às mães como amamentar e manter a lactação, mesmo que tenham de ser separadas dos seus filhos temporariamente.
  6. Não dar ao recém-nascido nenhum outro alimento ou líquido além do leite materno, a não ser que seja segundo indicação médica.
  7. Praticar o alojamento conjunto: permitir que as mães e os bebés permaneçam juntos 24 horas por dia.
  8. Dar de mamar sempre que o bebé queira.
  9. Não dar tetinas ou chupetas às crianças amamentadas ao peito.
  10. Encorajar a criação de grupos de apoio ao aleitamento materno, encaminhando as mães para estes, após a alta do hospital ou da maternidade.

Apesar das recomendações, elevadas taxas de abandono precoce têm sido identificadas em Portugal. Actualmente, a noção de hipogalactia é o principal factor para a cessação precoce, a que se associam as dificuldades técnicas na pega.

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Aspectos nutricionais

O leite materno é um alimento vivo, completo e natural, adequado para quase todos os recém-nascidos, salvo raras excepções. O leite materno tem a composição nutricional ideal para a alimentação do bebé e para suprir as necessidades para se desenvolver e crescer.

Varia, na composição e na quantidade, ao longo da vida do bebé, ao longo do dia e ao longo da mesma mamada.

No primeiro dia a quantidade de colostro (leite que é produzido nos primeiros dias) que o recém-nascido mama é reduzida, mas contém todos os constituintes que o bebé precisa. A mãe deve amamentar o seu bebé sem restrição, de dia e de noite, pois deste ritmo depende o sucesso do aleitamento materno e da adaptação do bebé ao mesmo. Nos primeiros dias de vida, é normal o bebé perder peso, cerca de 10 a 15% do peso ao nascer. Este facto não significa que haja algum problema com o leite materno.

O leite materno tem a quantidade certa de proteínas, gorduras, hidratos de carbono, vitaminas, minerais e água, suficiente até aos 6 meses de idade, em exclusividade. Após essa idade deve ser complementado com maior quantidade de nutrientes provenientes dos outros alimentos.

Para a OMS, o AM exclusivo significa que o lactente recebe unicamente leite materno e nenhum outro líquido ou sólido à excepção de gotas ou xaropes de vitaminas, suplementos minerais ou fármacos.

O aleitamento considera se predominante, se além do leite materno o lactente beber outros líquidos não lácteos, tais como água e chás sem conteúdo energético. Um e outro representam o aleitamento materno total (full breast-feeding). O aleitamento será misto, se além do leite materno o lactente receber uma fórmula infantil e será parcial se o aleitamento materno for acompanhado de alimentação complementar.

 

Composição leite materno (100ml)

 

Niacina 147 mcg
Piridoxina 10 mcg
Folato 5,2 mcg
Vitamina B12 0,03 mg
Cálcio 34 mg
Fósforo 14 mg
Ferro 0,05 mg
Zinco 0,3 mg
Água 87,1 ml
Sódio 0,7 mEq
Potássio 1,3 mEq
Energia 70 kcal
Proteína 1,1 g
Lípidos 4,2 g
Glícidos 7,0 g
Vitamina A 190 mcg
Vitamina D 2,2 mcg
Vitamina E 0,18 mg
Vitamina K 1,5 mcg
Vitamina C 4,3 mg
Tiamina 16 mcg
Riboflavina 36 mcg

 

A evidência científica tem demonstrado benefícios para a saúde com o AM  exclusivo durante os primeiros 6 meses de vida. A partir desta idade o volume de leite ingerido é insuficiente, não sendo possível suprir adequadamente as necessidades energético-proteicas e em micronutrientes.

As vantagens do AM são múltiplas e já bastante reconhecidas, quer a curto, quer a longo prazo, existindo um consenso mundial de que a sua prática exclusiva é a melhor maneira de alimentar as crianças até aos 6 meses de vida. O aleitamento materno tem vantagens para a mãe e para o bebé.

O aleitamento materno está claramente associado a benefícios para o lactente, incluindo efeito protector significativo:

  • para infecções gastrointestinais (64%), ouvido médio (23-50%) e infecções respiratórias severas (73%)
  • leucemia linfocítica aguda (19%)
  • síndrome da morte súbita do lactente (36%).
  • Foram ainda encontrados benefícios a longo prazo, como para a obesidade (7-24%) e outros factores de risco cardiovascular em idade adulta
  • Melhora o desenvolvimento da visão
  • Reduz a propensão a cárie dentária, melhora o desenvolvimento das mandíbulas, dos dentes e da fala
  • Facilita a digestão e o funcionamento do intestino

Para a mãe existem os seguintes benefícios no AM:

  • O leite materno é prático e conveniente, sem necessidade de preparação, aquecimento e desinfecção
  • Promove uma recuperação rápida do corpo da mãe após o parto
  • Associa-se a uma menor probabilidade de aparecimento de Cancro da mama, Cancro do ovário, Osteoporose, Doenças cardíacas, Diabetes e Artrite reumatoide
  • Atrasa a menstruação, funcionando como um controlo da fertilidade
  • Aumenta a confiança da mãe e a sensação de bem-estar
  • Cria uma melhor ligação emocional entre a mãe e o bebé o que garante uma maior estabilidade da criança

Para a Família, também há vantagens:

  • Permite uma maior gestão de custos, uma vez que se poupa dinheiro em leite artificial, biberões e esterilizações
  • Facilita as deslocações pois não há necessidade de levar utensílios

E ainda para o ambiente, não sendo necessário recorrer a embalagens, utensílios e gasto de energia.

O leite materno contém elementos únicos e específicos da espécie humana, conferindo-lhe o potencial para os seus benefícios para a saúde. Por outro lado, o período pós-natal é crítico para o desenvolvimento dos circuitos neuro-hipotalâmicos associados ao controlo do apetite – “Programação nutricional” – em que a leptina, presente no leite materno, parece ter um papel decisivo.

Para além de todas estas vantagens, o leite materno constitui o método mais barato e seguro de alimentar os bebés.

Existe hoje o consenso entre os pediatras de que a duração ideal do aleitamento materno seja em exclusivo até aos 6 meses de idade e, a partir de então, complementado com outros alimentos – diversificação alimentar.

O acto de amamentar é algo que se aprende, que se aperfeiçoa e se estimula.

É ainda preciso que o bebé tenha um bom estado nutricional, ou seja, aumente de peso de maneira adequada e tenha um bom desenvolvimento psicomotor. O sucesso do AM pode ainda ser definido pela qualidade da interacção entre mãe e bebé, durante a mamada, pois este proporciona a oportunidade de contacto físico e visual e a vivência da cooperação mútua entre a mãe e o bebé.

Num AM com sucesso, verifica-se habitualmente uma boa transferência de leite entre a mãe e o bebé; a transferência de leite refere-se não só à quantidade de leite que a mãe produz, como também àquela que o bebé obtém, sendo a actuação do bebé particularmente importante na regulação da quantidade de leite que ingere, na duração da mamada e na produção do leite pela mãe.

Quando o bebé tem fome, mama na mama da mãe, durante o tempo que quer, até se sentir satisfeito. À medida que vai crescendo, a mãe produz mais leite para suprir as suas necessidades. Quando se inicia a diversificação alimentar, as mamas produzem apenas o leite necessário para completar as suas necessidades. Este fenómeno pode acontecer durante meses e anos, através da existência de um sistema complexo de produção de hormonas e secreções glandulares.

  • A capacidade de produção de leite pelas mamas é variável, podendo ter ritmos diferentes. No entanto, sabe-se que quanto mais leite é tirado mais leite é produzido. Normalmente o bebé não “esvazia” completamente a mama. Se o bebé não mama bem a mama não recebe o estímulo adequado e acaba por não produzir o leite suficiente;
  • Não use chupetas nem biberões nas primeiras semanas de vida, enquanto a amamentação não estiver bem estabelecida. O formato do mamilo é diferente do da tetina da chupeta e do biberão, o que leva a confusão por parte do bebé, podendo ferir o mamilo e levar à diminuição da produção de leite. Use copos ou colheres.

 

Estimativas recentes sugerem que o AM ótimo, ou seja, de acordo com a recomendação internacional, poderia prevenir cerca de 12% das mortes de crianças menores de 5 anos a cada ano, ou cerca de 820.000 mortes em países de média e baixa renda. A proteção do leite materno contra infecções se deve aos inúmeros fatores imunológicos específicos e não específicos, que conferem proteção ativa e passiva contra agentes infecciosos, tais como imunoglobulinas, em especial a IgA, leucócitos, lisozima, lactoferrina, fator bífido e oligossacarídeos, entre outros. Esses fatores, embora possam modificar a sua concentração ao longo da lactação, são transferidos para a criança enquanto durar a amamentação.

O exercício que a criança faz para retirar o leite da mama é importante para o desenvolvimento craniofacial. Com base em 49 estudos, uma metanálise estimou que a amamentação pode reduzir em 68% a mal-oclusão dentária, sendo constatado efeito dose-resposta, ou seja, as crianças amamentadas por mais tempo têm menos chance de desenvolver essa condição. O mesmo ocorre com a função mastigatória.

Uma metanálise recente da OMS estimou redução de 25% na hipótese duma criança amamentada desenvolver sobrepeso ou obesidade na vida adulta, quando comparada com crianças não amamentadas. Estima se que, para cada mês de AM, haja uma redução de 4% no risco de obesidade.

A associação entre AM e inteligência é estudada há quase 100 anos. Na actualidade existem evidências sugerindo que o AM contribui para um melhor desenvolvimento cognitivo. A metanálise mais recente sobre o tema estimou que crianças amamentadas possuem quociente de inteligência (QI) 3,44 pontos maior na infância e adolescência do que as crianças não amamentadas.

Há evidências consistentes de que o AM exerce protecção contra o desenvolvimento de cancro da mama e do ovário e de diabetes tipo 2 na mulher que amamenta. Essa protecção é tanto maior quanto mais duradoura for o AM.

Prática do Aleitamento Materno

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A duração da mamada não é importante, pois a maior parte dos bebés mamam 90% do que precisam em 4 minutos. Alguns bebés prolongam mais as mamadas, por vezes até 30 minutos ou mais; o que interessa é perceber que o bebé está a obter leite da mama da mãe e não está a fazer da mama da mãe uma chupeta, pois isto pode macerar os mamilos, criar fissuras e levar a mãe a desistir da amamentação.

Uma mãe pode perceber se o bebé está mesmo a mamar quando constata que a sucção é mais lenta do que com uma chupeta, quando verifica que o bebé enche as bochechas de leite ou, muitas vezes, quando ouve o bebé a engolir o leite.

O horário não é o mais importante; o bebé deve ser alimentado quando tem fome – chama-se a isto o regime livre –, não se devendo impor ao bebé um regime rígido. Quando um bebé tem fome acorda para comer, e este alerta é importante para uma melhor ingestão de leite materno. No entanto não se deve deixar o bebé dormir mais de 3 horas durante o primeiro mês de vida.

Quando um bebé começa a mamar na mama da mãe, o primeiro leite que obtém é mais rico em água e lactose, que é o açúcar do leite; à medida que a mamada prossegue, o leite vai tendo cada vez mais gordura.

O que é importante é que o bebé esvazie uma mama em cada mamada; o bebé deve primeiro esvaziar a primeira mama e se depois disso continuar com fome é que lhe é oferecida a segunda mama; chupar e esvaziar a mama é o segredo para uma maior produção de leite.

A pesagem do bebé nas consultas de saúde e uma boa progressão do seu peso garantem que o bebé está a ser bem alimentado.

Porém, o que é mais importante é a ausência de stress, pois este é inimigo da lactação, dado que impede a ejecção do leite, que fica assim retido na mama.

 

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Contra-indicações do Aleitamento Materno

  1. Contra-indicações temporárias: existem certas situações em que as mães não devem amamentar os seus bebés, até essas mesmas situações estarem resolvidas; por exemplo, mães com algumas doenças infecciosas como a varicela, herpes com lesões mamárias, tuberculose não tratada ou ainda quando tenham de efectuar uma medicação imprescindível. Durante este período de tempo, os bebés devem ser alimentados com leite artificial por copo ou colher, e a produção de leite materno deverá ser estimulada.
  2. Contra-indicações definitivas: as contra-indicações definitivas do aleitamento materno não são muito frequentes, mas existem. Falámos de mães com doenças graves, crónicas ou debilitantes, mães infectadas pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH), mães que precisem de tomar medicamentos que são nocivos para os bebés e, ainda, bebés com doenças metabólicas raras como a fenilcetonúria e a galactosemia.

 

Considerações finais

Actualmente, em especial nas sociedades ocidentais, o AM é considerado apenas uma forma de alimentar a criança, sob o controle dos adultos. Assim, perdeu-se a percepção da amamentação como um processo mais amplo, envolvendo intimamente duas pessoas e com repercussão na saúde física e psíquica de ambas. Perdeu-se a noção de que o desmame é um processo evolutivo, assim como sentar, andar, correr, falar. Nesta lógica, quando a criança é desmamada antes de atingir a maturidade para tal, corre o risco de ter o seu desenvolvimento emocional afetado.

Apesar dos avanços científicos, que têm condicionado melhorias nas fórmulas para lactentes, o leite materno continua a demonstrar vantagens inequívocas para a saúde humana, a curto e longo prazo.

Cabe aos profissionais de saúde, sobretudo aos pediatras, promoverem, protegerem e apoiarem as mães / bebés / famílias a praticarem a amamentação continuada até ao desmame natural, se assim for o seu desejo.

Este é um desafio que deve ser enfrentado com conhecimento, atitudes positivas e habilidades, como a de saber ouvir as mães, as crianças e as famílias, estando atento às suas necessidades.

Os profissionais de saúde, muitas vezes com lacunas formativas nesta área, podem sentir dificuldade em tranquilizar as mães nestas situações. Em Portugal, ao terceiro mês, por vezes por indicação do médico assistente que a maioria das mães deixa de amamentar.

 

AUTOR :

Dr. Egas Sanfins Moura – Pediatra, Portugal

ORDEM DOS MÉDICOS PORTUGUESA

GENERAL MEDICAL COUNSIL – UK

ORDRE DES MEDECINS FRANÇAISE

 

 

 

 

 

 

Conheça os cinco tipos de câncer mais comuns entre a população feminina e previna-se

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A Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) faz um alerta sobre a saúde das mulheres, no que diz respeito à importância da prevenção e diagnóstico precoce dos cinco tipos de câncer mais comuns entre a população feminina, os tumores de mama, colorretal, colo de útero, pulmão, estômago.

“O câncer de mama, mais comum entre as mulheres, possui campanhas de conscientização durante o mês de outubro, reconhecido como Outubro Rosa, que são fundamentais para discutir o problema e orientar sobre a detecção da doença. Porém, é importante ressaltar que há outros tumores muito comuns entre a população feminina, como por exemplo o de pulmão e colorretal, que também podem ser evitados ou tratados com sucesso quando diagnosticados precocemente e nem sempre recebem tanta atenção dos órgãos públicos e da sociedade”, comenta Dr. Claudio Ferrari, Diretor da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica.

Para orientar a população, a SBOC preparou uma relação com…

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Disfunção cardíaca e hiperferritinemia podem ser marcadores de gravidade na sepse pediátrica em pacientes internados em unidades de terapia intensiva

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Teresa Santos e Dra. Ilana Polistchuck

Em pacientes pediátricos com diagnóstico de sepse, disfunção cardíaca e hiperferritinemia estão associadas com desfechos desfavoráveis, de acordo com pesquisadores da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em estudo publicado no Jornal de Pediatria[1] .

A pesquisa de coorte prospectiva analisou 20 pacientes internados na Unidade de Terapia Intensiva pediátrica (UTIP) do Hospital São Lucas da PUCRS. Os pacientes tinham entre 28 dias e 18 anos de idade. Todos os participantes apresentavam sepse, condição definida como presença de dois ou mais dos seguintes critérios: taquicardia, taquipneia, alteração da temperatura, leucocitose ou leucopenia para a idade na presença de infecção confirmada ou suspeita.

Níveis séricos de proteína C-reativa (PCR), ferritina e contagem de leucócitos foram avaliados no momento do recrutamento (D0), 24 horas (D1) e 72 horas depois (D3). Além disso, os participantes passaram por ecocardiograma transtorácico para determinação da fração de ejeção (FE) do ventrículo esquerdo no D1 e no D3.

A investigação revelou que pacientes com hiperferritinemia (> 300 ng/mL) no recrutamento (D0) tiveram doença mais grave no primeiro dia de UTI pediátrica, ou seja, apresentaram escores mais altos no Pediatric Index of Mortality 2 (PIM2)[2] e piores resultados (menor tempo livre de ventilação e maior escore de inotrópicos máximo).

Aqueles que tiveram fração de ejeção menor que 55% foram caracterizados com disfunção cardíaca. Crianças que apresentaram esse quadro no primeiro dia (D1) também tiveram PIM2 maior na internação na UTIP, bem como associação significativa com resultados desfavoráveis (maior tempo de internação hospitalar, maior permanência na UTIP e mais tempo em ventilação mecânica total, maior escore de inotrópicos máximo, e menor tempo livre de ventilação mecânica).

Enquanto níveis elevados de ferritina e disfunção cardíaca estiveram associados a piores resultados – com destaque para o fato de os dois únicos óbitos terem ocorrido justamente em pacientes com esses dois marcadores de gravidade –, as outras variáveis investigadas não apresentaram a mesma relevância. Não houve associação entre valores maiores de PCR e pior desfecho, assim como a contagem de leucócitos tampouco se mostrou um marcador de gravidade útil nesse contexto.

Segundo o Dr. Cristian Tedesco Tonial, um dos autores do trabalho, alguns estudos já haviam demonstrado que disfunção cardíaca representada pela baixa função sistólica (FE)[3,4] e ferritina sérica elevada[5,6] , isoladamente, estavam relacionados a desfechos desfavoráveis em pacientes pediátricos críticos.

“Nosso grupo estuda a ferritina sérica há vários anos em UTIP, sempre relacionando a elevação dela com condições de gravidade ou mortalidade. Quanto à utilização da ecografia cardíaca em pacientes graves, acreditamos ser de extrema validade, pela possibilidade de medir parâmetros hemodinâmicos e pelo fácil acesso nas UTIs pediátricas”, afirmou ao Medscape o Dr. Tonial, que integra o Grupo de Pesquisa em Terapia Intensiva e Emergência Pediátrica do Hospital São Lucas da PUCRS e é professor da Faculdade de Medicina da mesma instituição.

O médico, no entanto, faz uma ressalva: os resultados da pesquisa devem ser analisados com certa cautela, pois a associação foi observada em um grupo pequeno de pacientes extremamente graves (60% dos pacientes tiveram PIM2 maior do que 6%, um indicativo de gravidade).

“Este tipo de estudo, apesar de ter obtido um resultado positivo, tem pouco poder para influenciar tomadas de decisões, gerenciamento ou mudança de tratamento de pacientes”, disse o Dr. Tonial, lembrando que o diferencial do trabalho reside, principalmente, no fato de o grupo ter analisado estes dois marcadores de gravidade de forma simultânea.

Ele acredita que a pesquisa servirá como embasamento para estudos maiores que possam confirmar os achados. “Uma vez que amostragens maiores ratifiquem essas informações, é possível que, no futuro próximo, esses marcadores de gravidade possam ser incluídos em escores de mortalidade de pacientes pediátricos internados em UTIs pediátricas”, disse.

O Dr. Tonial acrescentou que a equipe pretende dar continuidade a essa investigação. Ele e colegas pesquisam principalmente escores de gravidade, marcadores de inflamação e suporte nutricional em pacientes críticos pediátricos.

“Temos um projeto maior que incluirá diversos marcadores inflamatórios como a ferritina. Buscamos em nossas pesquisas ‘prever’ o desfecho dos pacientes, por meio de parâmetros clínicos e exames laboratoriais e de imagem, que sejam métodos práticos, de baixa complexidade e que possam ser facilmente obtidos em qualquer UTIP do Brasil”, completou.

Esta pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Um dos autores (Dr. Pedro Celiny R. Gacia) relatou receber subsídios de bolsa da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES BRASIL). Os outros autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Uso de pornografia associado a disfunção erétil

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Neil Osterweil

BOSTON — Homens que são obcecados com pornografia e que preferem a masturbação ao intercurso sexual parecem ter risco aumentado de disfunção erétil, sugere um novo estudo feito com militares.

Embora esses resultados precisem de validação, urologistas e outros médicos que tratam homens com disfunção erétil e outras formas de disfunção sexual deveriam perguntar aos pacientes sobre o uso de pornografia, e potencialmente recomendar abstenção, disse o Dr. Matthew Christman, um urologista do Naval Medical Center, em San Diego, Califórnia.

“A última versão do Diagnostic Statistical Manual of Mental Disorders acrescentou o transtorno do jogo pela internet. Estudos demonstraram que a pornografia na internet é mais viciante do que os jogos na internet”, então não parece ser exagero adicionar algo relacionado ao uso de pornografia na internet, disse o Dr. Christman no Encontro Anual de 2017 da American Urological Association (AUA).

Uma pesquisa de vigilância em saúde de 2014, feita com as forças armadas dos EUA, descobriu que as taxas de disfunção erétil mais que dobraram durante a década precedente, de cerca de 6 por 1000 pessoas-ano para cerca de 13 por 1000 pessoas-ano, relatou o Dr. Christman. Esse aumento ocorreu primariamente pelo crescimento da incidência da disfunção erétil psicogênica, mais do que orgânica, e coincidiu com o crescimento da pornografia na internet.

Sites dedicados a vídeos pornográficos foram inicialmente identificados em 2006 “e, logo após, pesquisadores do Kinsey Institute foram o primeiro grupo a realmente identificar o que descreveram como ‘disfunção erétil induzida pela pornografia'”, disse o Dr. Christman.

Vários grupos de pesquisa postularam que o comportamento sexual age no mesmo circuito cerebral que as substâncias viciantes, e que a pornografia na internet é um estímulo particularmente forte para esse circuito. Foi postulado que a pornografia na internet aumenta a sensibilidade para estímulos pornográficos e reduz a sensibilidade para estímulos normais, ele explicou.

 Isso provavelmente não é um choque, mas homens viram mais pornografia que mulheres. Dr. Matthew Christman

Para avaliar se existe correlação entre vício em pornografia e disfunção sexual, o Dr. Christman e o coautor Dr. Jonathan Berger, também do Naval Medical Center, utilizaram uma pesquisa anônima que incluía questões sobre função sexual, preferências e uso de pornografia, assim como questões usuais sobre demografia e história médica. A pesquisa foi oferecida a pacientes entre 20 e 40 anos que consultaram na clínica de urologia.

Um total de 439 homens receberam os questionários, e 314 (71,5%) responderam. No total, 71 mulheres receberam a pesquisa, e 48 (68%) responderam. A maioria de homens e mulheres respondedores eram militares ativos (96,8% e 58%, respectivamente).

Os homens foram avaliados para função sexual com o questionário de 15 itens International Index of Erectile Function, e as mulheres com o Female Sexual Function Index validado. O vício em pornografia foi avaliado por dois instrumentos disponíveis: o Pornography Craving Questionnaire e a Obsessive Passion Scale.

“Isso provavelmente não é um choque, mas homens viram mais pornografia que mulheres”, disse o Dr. Christman.

Dentre homens, 81% relataram ver pornografia no mínimo por algum tempo comparado com 38% das mulheres (P ≤ .001).

Não houve diferenças significativas na duração dos episódios de pornografia, com a maioria de homens e mulheres relatando que utilizaram por 15 minutos ou menos por vez.

As fontes preferidas de pornografia também foram semelhantes para homens em mulheres, com a pornografia na internet em computadores sendo a mais comum, seguida pela pornografia na internet em telefones. As mulheres relataram utilizar livros mais frequentemente que os homens.

No total, 27% dos respondedores masculinos tinham disfunção sexual, definida como uma pontuação no International Index of Erectile Function de 25 ou menos, e 52% das mulheres tinham disfunção sexual, definida como uma pontuação de 26,55 ou menos no Female Sexual Function Index.

Quando avaliaram as correlações entre disfunção erétil e preferências por pornografia em homens, os pesquisadores descobriram que a taxa de disfunção foi a menor entre os 85% dos respondedores que relataram preferir intercurso sexual sem pornografia (22%). A incidência de disfunção aumentou em homens que preferiram intercursos com pornografia (31%), e foi a mais elevada entre homens que preferiam masturbação com pornografia (79%).

O achado foi consistente em todos os cinco domínios de disfunção sexual no questionário: ereção, orgasmo, libido, satisfação com o intercurso e satisfação geral.

Entretanto, não houve correlação significativa entre uso de pornografia e disfunção sexual em mulheres.

Perguntado pelo Medscape se o uso de pornografia por um paciente importava clinicamente, o Dr. Christman respondeu que profissionais de saúde mental em seu centro que trataram pacientes para vício em pornografia observaram resolução da disfunção sexual uma vez que esses pacientes conseguiram cortar o uso da pornografia.

 Acredito que esses pesquisadores estão caracterizando algo que é uma condição clínica real. Dr. Joseph Alukal

“Acredito que esses pesquisadores estão caracterizando algo que é uma condição clínica real”, disse o Dr. Joseph Alukal, diretor de saúde reprodutiva masculina na New York University, em Nova York, e moderador da conferência na qual foram apresentados os dados.

“Essa pesquisa representa o começo da questão de como identificamos essas pessoas e as tratamos”, acrescentou.

“O impacto clínico da disfunção erétil é um problema comum e de grande repercussão, então se isso representa algum subconjunto de pacientes que apresentam esse problema comum e impactante, e podemos tratá-los com uma intervenção simples como ‘você deveria ter o comportamento X’, isso é importante”, disse ele em entrevista ao Medscape.

O Dr. Alukal rotineiramente pergunta a pacientes jovens sobre hábitos de pornografia e masturbação, e pode confirmar que para pacientes com um hábito de pornografia grave, a interrupção pode melhorar a função sexual, disse ele.

O estudo recebeu apoio interno. Os Drs. Christman, Berger, e Alukal declararam não possuir conflitos de interesses relevantes. O Dr. Christman declarou que as visões expressas na apresentação são as dos autores, e não refletem uma política ou posição oficial da Marinha dos EUA, do Departamento de Defesa, ou do governo dos EUA.

Encontro Anual de 2017 da American Urological Association (AUA): Resumos PD44-11 e PD69-12, Apresentado em 12 de maio de 2017.

Doctors’ mental health in the spotlight for World Family Doctor Day

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The international organisation of general practitioners and family doctors is urging members to look after their own mental health as well as that of patients.

As family doctors across the world celebrate World Family Doctor Day today, May 19, the World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians (WONCA) is reminding members of the importance of looking after their own health.

The theme of this year’s event is depression and WONCA member organisations will hold a number of events today aimed at raising awareness around mental health concerns. WONCA President, Amanda Howe said we all need to make the public aware that depression is an important and common problem, where people deserve help, and that this need is nothing to be ashamed of.

Howe said there is also a need to remember that we can all be at risk of depression and that the nature of work as family doctors, which can lead to psychological exhaustion and stress-related symptoms, puts members at quite a high risk.

“Take care of yourselves as well as others: ask for help from colleagues, family, and friends if needed; do not blame yourself for things that cannot easily be changed; speak to your own family doctor if the going gets really tough. We can all use a helping hand from time to time,” she said.

Online abortion service is safe and effective

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A study, published in the BMJ, reports high rates of successful termination with low rates of adverse effects.

An online abortion service can offer an alternative to unsafe methods of pregnancy termination for women in countries where access to safe abortion is restricted. This is the conclusion of a new study published in the BMJ . The study found that women who acquired medical abortion pills through the international non-profit Women on Web (WoW) site reported high rates of successful terminations with low rates of adverse effects.

The findings are based on self-reported outcomes from 1,000 women in Ireland and Northern Ireland. Abortion laws in Ireland are among the most restrictive in the world, with abortion classified as a crime in most circumstances.

The data showed that 95 per cent of abortions were successful. Less than 1 per cent of the women required a blood transfusion, and 3 per cent received antibiotics. Women were able to identify symptoms of potentially serious complications, and almost all sought medical attention when advised.

“Irish and Northern Irish people who access or help others to access this pathway are choosing an option that has similar effectiveness rates to medication abortion performed in a clinic and has lower rates of complications than continuing a pregnancy to delivery,” said lead author Abigail Aiken.

La obesidad abdominal aumenta más el riesgo de sufrir ictus en mujeres que en hombres (Eur J Neurol)

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Aunque la 'paradoja de la obesidad' relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus.

Aunque la ‘paradoja de la obesidad’ relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus.

Un estudio liderado por el Hospital del Mar de Barcelona ha demostrado que la obesidad abdominal aumenta más el riesgo de sufrir ictus en mujeres que en hombres.

El trabajo, publicado en “European Journal of Neurology”, ha contado con 388 participantes con ictus isquémico tratados en el hospital y 732 voluntarios sanos como grupo de control.

El estudio ha sido impulsado por Ana Rodríguez y Jaume Roquer del Servicio de Neurología del Hospital del Mar e investigadores del Instituto Hospital del Mar de Investigaciones Médicas (IMIM).

Por primera vez, un estudio pone de manifiesto la asociación entre la acumulación de grasa en el abdomen en función del género y el ictus, lo que puede ser una nueva herramienta para predecir el riesgo de sufrirlo.

Según los investigadores, un mayor índice de masa corporal (IMC) previene el riesgo de infarto cerebral en hombres: “Esto concuerda con la denominada ‘paradoja de la obesidad’, que relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus”, según Rodríguez.

Por otro lado, la obesidad abdominal, considerada independientemente del índice de masa corporal, “constituye un factor de riesgo para ambos sexos”, aunque mucho más acusado en mujeres.

Según la investigadora, el índice de masa corporal “no es un indicador fiable” para la predicción del riesgo de ictus, ya que informa del peso pero no se puede saber la grasa –que es la que aumenta el riesgo de ictus– y del peso de la masa magra.

La investigación ha calculado el IMC y la obesidad abdominal –mide la cintura y el ratio cintura-altura de los 1.120 participantes–, y tanto los pacientes como el grupo de control mostraron índice de masa corporal parecidos, aunque la circunferencia de la cintura y el ratio cintura-altura eran mayores en pacientes de ictus.

El infarto cerebral isquémico o ictus isquémico se produce cuando una parte del cerebro deja de recibir sangre súbitamente debido a la oclusión de alguna de sus arterias.

Es la primera causa de muerte en mujeres y la segunda en hombres en España y, a largo plazo, puede dar lugar a diversas discapacidades; entre sus factores de riesgo están las interacciones ambientales, genéticas y sistémicas.