psiquiatria

Sinais e sintomas da menopausa podem ser piores para mulheres obesas

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Lisa Rapaport

(Reuters Health) – Mulheres obesas podem ter sinais e sintomas de menopausa mais graves, como ondas de calor e suores noturnos, do que as mulheres mais magras, sugere um estudo brasileiro.

Os pesquisadores compararam os sinais e sintomas da menopausa em mulheres com peso saudável aos em mulheres com excesso de peso ou obesidade, e descobriram que três sinais e sintomas pioraram progressivamente à medida que o peso destas mulheres aumentou: ondas de calor e sudorese noturna, dores mioarticulares e problemas vesicais.

“A intensidade das ondas de calor aumentou proporcionalmente ao aumento do índice de massa corporal (IMC), e a obesidade teve grande impacto nas atividades diárias, como a interrupção involuntária das tarefas de trabalho e a diminuição do desempenho geral”, afirmou a autora do estudo Dra. Lucia Costa-Paiva, da Universidade de Campinas, em São Paulo.

“Houve também menor nível de atividades de lazer entre estas mulheres”, disse a Dra. Lucia por e-mail. “Assim, isto acrescenta fortes evidências para incentivar as mulheres a perderem peso”.

As mulheres entram na menopausa quando param de menstruar, o que geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos de idade. À medida que os ovários reduzem a produção dos hormônios estrogênio e progesterona, nos anos que antecedem e sucedem a menopausa, as mulheres podem apresentar sinais e sintomas que variam de ressecamento vaginal a alterações do humor, dor articular e insônia.

Pesquisas recentes descobriram que 57% das mulheres entre 40 e 64 de idade em todo o mundo sentem ondas de calor, 60% se queixam de disfunção sexual, 62% têm dor mioarticular e 50% têm problemas de sono, observam os autores do estudo no periódico Menopause.

Os médicos acreditavam há muito tempo que a obesidade poderia proteger contra as ondas de calor porque o tecido adiposo aumenta a reserva de estrogênio do corpo, hormônio que pode ajudar a contornar a gravidade desses sintomas, disse a Dra. Lucia. Porém, o estudo atual baseia-se em pesquisas mais recentes que apontam na direção oposta, sugerindo que a obesidade pode piorar as ondas de calor porque a gordura funciona como um isolante térmico que retém o calor no corpo, disse a pesquisadora.

Com o objetivo de avaliar a relação entre a obesidade e a gravidade dos sinais e sintomas da menopausa, Dra. Lucia e colaboradores examinaram os dados de questionários de 749 mulheres brasileiras entre 45 e 60 anos de idade. As mulheres graduaram os sinais e sintomas de zero (significando nenhum problema) a quatro pontos (significando problemas muito graves). As participantes tinham cerca de 53 anos de idade, em média, e em geral entraram na menopausa por volta dos 47 anos. Enquanto a maioria das mulheres, 68%, estava no período após a menopausa, cerca de 16% ainda não tinham entrado na menopausa, e outras 16% encontravam-se no meio do processo.

O estudo incluiu 288 mulheres com IMC abaixo de 25, que os pesquisadores classificaram como peso normal ou saudável, 255 mulheres acima do peso (com IMC de pelo menos 25 e menor que 30), e 206 mulheres obesas com IMC igual ou maior que 30. Não foi um estudo controlado projetado para provar se ou como a obesidade altera a frequência ou a gravidade dos sinais e sintomas da menopausa. Outra limitação da pesquisa foi o fato dela ter se baseado na exatidão das lembranças das mulheres e no relato delas sobre experiências pretéritas e sinais e sintomas associados, observam os autores.

“Até o momento, não há evidências de que a perda de peso possa reduzir os sinais e sintomas da menopausa, pois ainda não foi feito nenhum ensaio clínico”, disse a Dra. Susan Davis, pesquisadora de saúde da mulher na Monash University, em Melbourne (Austrália), que não participou do estudo .

“Mas nós incentivamos a perda de peso na meia-idade para as mulheres com sobrepeso no intuito de diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer de mama”, disse a Dra. Susan por e-mail.

As pesquisas que relacionam a obesidade com a piora dos sinais e sintomas da menopausa começaram a surgir há mais de uma década, observou a Dra. Mary Jane Minkin, pesquisadora em saúde reprodutiva da Yale Medical School em New Haven, Connecticut, que também não participou do estudo.

“A teoria é que o calor é gerado por mecanismos centrais, e as mulheres acima do peso têm maior isolamento térmico, de modo que o calor não pode ser dissipado, e elas ficam mais quentes”, disse a Dra. Mary Jane por e-mail.

Perder peso pode ajudar a diminuir as ondas de calor e as dores mioarticulares associadas à menopausa, que podem ser exacerbadas pelos quilos extras, acrescentou a Dra. Mary Jane.

FONTE: http://bit.ly/2rV8pua

Menopause 2017.

Imobilidade involuntária durante o estupro é comum e está associada a desfechos negativos

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Tara Haelle

A paralisia temporária, ou “congelamento”, durante uma agressão sexual é muito comum, e aumenta os riscos de síndrome de estresse pós-traumático e depressão grave, relatou um estudo publicado on-line em 7 de junho na Acta Obstetricia et Gynecologica Scandinavica.

Os resultados potencialmente complicam uma norma judicial em processos: “O sistema legal busca sinais visíveis de resistência porque, quando isso está ausente, é mais difícil provar uma agressão sexual”, escrevem a Dra. Anna Möller, do Karolinksa Institutet e do Stockholm South General Hospital,na Suécia, e colaboradores.

Embora as respostas às ameaças sejam frequentemente divididas em categorias de “luta ou fuga”, a experiência da imobilidade tônica (IT), já bem estabelecida como possível resposta à ameaça extrema entre animais não humanos, ocorreu entre a maioria das vítimas de estupro na nova pesquisa.

“Nos seres humanos, a imobilidade tônica foi descrita como um estado de inibição motora involuntária e temporária em resposta a situações que envolvem medo intenso”, descrevem os autores.

“Ela foi descrita ainda como um estado semelhante ao estado catatônico com hiper ou hipotonicidade muscular, tremor, falta de vocalização, analgesia e falta de resposta relativa aos estímulos externos”.

O estudo envolveu 298 mulheres que foram a uma clínica de emergência para mulheres estupradas em Estocolmo entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2011, no prazo de um mês após a agressão sexual. Os pesquisadores usaram a Escala de Imobilidade Tônica de 12 itens para avaliar a presença do fenômeno no momento da agressão a cada mulher. A média de dias entre o ataque e a avaliação foi de 19,1.

Um total de 69,8% das mulheres relatou ter apresentado imobilidade tônica significativa durante o ataque, e quase metade (47,7%) relatou imobilidade tônica extrema. Oito (81,1%) em 10 mulheres relataram ter sentido medo significativo durante a agressão.

“Legalmente, os tribunais podem estar inclinados a descartar a noção de estupro, já que a vítima parece não ter resistido”, escrevem os autores. “Na verdade, o que pode ser interpretado como um consentimento passivo provavelmente representa reações biológicas normais e esperadas a uma ameaça extrema”.

Os pesquisadores também avaliaram a prevalência de síndrome de estresse pós-traumático e depressão em 189 das mulheres após seis meses. As mulheres tinham probabilidades 2,75 maiores de desenvolver transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) e chances 3,42 maiores de desenvolver depressão grave se tiveram imobilidade tônica (odds ratio), OR, de 2,75, P = 0,001 e OR, 3,42, P = 0,003, respectivamente). Um pouco mais da metade (51%) das mulheres que tiveram imobilidade tônica desenvolveu TEPT em comparação com 28% das mulheres que não tiveram, mesmo depois de ajustar para um diagnóstico prévio de TEPT e para fatores de risco relacionados.

No entanto, “A imobilidade tônica foi associada a trauma anterior e TEPT pré-existente, o que nos ajuda a entender melhor como o trauma cumulativo pode funcionar”, escrevem os autores. As chances de uma mulher ter imobilidade tônica durante a agressão mais que dobravam se elas tivessem uma história de trauma (OR de 2,36; P < 0,001). As mulheres também tiveram o dobro de chances de apresentar imobilidade tônica se tivessem um histórico de tratamento psiquiátrico (OR, 2,00; P = 0,003).

“Isso faz com que seja importante na psicoterapia das vítimas de estupro questionar sobre e explicar tais reações, porque de outra forma elas podem causar culpa ou vergonha, o que pode agravar o trauma”, observam os autores. “O aumento do risco de TEPT e depressão grave mostra que essas mulheres precisam de acompanhamento psiquiátrico”.

Os autores reconhecem várias limitações relacionadas ao potencial de viés, incluindo fatores que podem ter contribuído para a perda substancial de acompanhamento após seis meses. Pesquisas anteriores relataram uma menor incidência de imobilidade tônica, mas esses estudos tiveram amostras de pequenos tamanhos e maior risco de viés de memória.

A pesquisa foi financiada pelo Conselho de Pesquisa Sueco e pelo Conselho do Condado de Estocolmo. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Acta Obstet Gynecol Scand. Publicado on-line em 7 de junho de 2017. Resumo

Demência associada à depressão diminui com o uso de antidepressivos?

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cerebro sendo apagado com borracha

Demência associada à depressão diminui com o uso de antidepressivos?

A depressão é um fator de risco aceito para a demência, mas ainda não está claro se essa relação é causal. Um novo estudo Translational Psychiatry investigou se a demência associada à depressão diminui com o uso de antidepressivos e é independente do tempo entre a exposição à depressão e o início da demência.

Através de um sistema australiano de ligação de dados, pesquisadores seguiram 4.922 homens com idades entre 71 e 89 anos, inicialmente sem comprometimento cognitivo clinicamente significativo, entre 2001-2004 e junho de 2015.

Foram coletadas informações sobre história de depressão passada, depressão atual e gravidade de sintomas depressivos, uso de antidepressivos, idade, educação, tabagismo e história de diabetes, hipertensão, doença coronária e acidente vascular cerebral (AVC).

Um total de 682 homens apresentaram depressão passada (n = 388) ou atual (n = 294). Durante o seguimento de 8,9 anos, 903 (18,3%) desenvolveram demência e 1.884 (38,3%) morreram sem demência. Os sub-hazard ratios (SHRs) da demência para homens com depressão passada e atual foram 1,3 (intervalo de confiança [IC] de 95%: 1,0, 1,6) e 1,5 (IC de 95%: 1,2, 2,0). O uso de antidepressivos não diminuiu esse risco.

Em comparação com homens sem sintomas, os SHRs de demência associados a sintomas depressivos questionáveis, leve a moderados e graves foram 1,2 (IC de 95%:1,0, 1,4), 1,7 (IC de 95%: 1,4, 2,2) e 2,1 (IC de 95%: 1,4, 3,2), respectivamente.

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que a associação entre depressão e demência foi aparente apenas nos primeiros 5 anos de seguimento. Os homens mais velhos com história de depressão estão em maior risco de desenvolver demência, mas a depressão é mais provavelmente um marcador de demência incipiente do que um fator de risco verdadeiramente modificável.

 

Referências:

La actividad física durante y después del embarazo reduce el riesgo de depresión posparto (Birth)

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Incluso el ejercicio de baja intensidad, como caminar con un carrito de bebé.

Incluso el ejercicio de baja intensidad, como caminar con un carrito de bebé.

Investigadores de la Universidad Castilla-La Mancha (UCLM) en Cuenca han constatado que la actividad física durante y después del embarazo mejora el bienestar psicológico y puede reducir el riesgo de depresión posparto, según los resultados de una revisión de estudios publicada en la revista “Birth”.

De hecho, han visto que incluso el ejercicio de baja intensidad, como caminar con un carrito de bebé, se asocia a menos probabilidades de presentar síntomas depresivos en las madres primerizas.

“Las consecuencias negativas de la depresión posparto no sólo afectan a la madre, sino también al niño, ya que puede sufrir un desarrollo emocional y cognitivo deficiente”, según ha explicado a Reuters Celia Álvarez-Bueno, coautora del estudio.

La depresión posparto es la complicación más común tras la maternidad, ya que afecta de alguna forma u otra a una de cada nueve mujeres, según datos de los Centers for Disease Control and Prevention (CDC) de Estados Unidos, y los síntomas más comunes son ansiedad, inseguridad, irritabilidad, cansancio, sentimiento de culpa, miedo a hacer daño al bebé o rechazo al darle el pecho.

Los síntomas son más frecuentes durante las primeras cuatro semanas después del parto y se considera grave si dura durante más de 15 días, de ahí la importancia de “probar las estrategias más eficaces para prevenir o mitigar este trastorno”, según Álvarez-Bueno.

En su estudio analizaron datos de 12 ensayos controlados realizados entre 1990 y 2016 en los que se evaluó la eficacia del ejercicio durante o después del embarazo, que en total incluyeron a 932 mujeres. En todas ellas se obtuvo información sobre el tipo de ejercicio realizado, su intensidad, duración y frecuencia.

La actividad realizada incluía estiramientos y ejercicios respiración, caminar, actividad aeróbica, pilates o yoga. Y en comparación con las mujeres que no hicieron ejercicio, las que eran más activa obtuvieron puntuaciones más bajas en las pruebas que medían síntomas de depresión posparto. Además, el aparente beneficio se observó incluso en quienes no presentaban depresión posparto.

“Esperábamos que la actividad física pudiera reducir los síntomas de la depresión posparto”, dijo Álvarez-Bueno, sorprendida de que “el ejercicio después del embarazo también redujo la depresión en mujeres sin síntomas diagnosticables.

La mayoría de los programas de intervención duró más de tres meses e incluían entre tres y cinco sesiones de ejercicio por semana, aunque los autores no han sacado conclusiones sobre el ejercicio y la frecuencia más beneficiosos.

Por ello, consideran que futuros estudios deberían aportar más información sobre los programas de actividad física que más pueden reducir el riesgo de depresión en mujeres para poder recomendarlos a estas mujeres.

Does animal therapy pose a risk to patients?

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New research suggests many hospitals may not be protecting patients from the risks of such therapy.

In recent years there has been an increase is the popularity of so-called animal-assisted intervention (AAI) programmes, or ‘pet therapy’. Studies have demonstrated that AAI can result in positive health outcomes, including reductions in blood pressure, improved mood, and delayed onset of dementia.

However, the authors of a new study are warning that without appropriate policies in place, such programmes could jeopardise both human and animal safety. They highlight that AAI programmes are a potential risk factor for transmission of zoonotic disease, especially when health, grooming and hand washing protocols are not carefully used. Potential health risks also arise from therapy animals eating raw meat-based diets or treats, which are at high risk of being contaminated with bacteria such as Campylobacter, Salmonella, and Cryptosporidium.

The authors surveyed 45 hospitals, 45 facilities for older people and 27 therapy animal organisations, to assess existing policies related to animal health and behavioural prerequisites for therapy animals and AAI programmes and found many respondents’ policies and practices did not address the well-known risks of such programmes.

The authors said education is key to ensuring that health and safety are top priority for both humans and animals so the benefits of animal-assisted intervention outweigh the risks.

Realidade virtual, uma virada de jogo para a psiquiatria

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Pauline Anderson

SAN DIEGO, Califórnia – Crianças com autismo aprendem a reconhecer quando suas mães estão com raiva ou tristes. Veteranos de guerra traumatizados adquirem a capacidade de lidar com as próprias lembranças. Pacientes esquecem sua dor intratável.

Tudo isso graças à realidade virtual e à tecnologia de realidade aumentada.

Com softwares e imagens de última geração esta tecnologia progrediu a passos de gigante nos últimos anos.

Os avanços dela no campo da saúde mental e comportamental foram apresentados durante as sessões especiais em uma Innovation Zone (Zona de Inovação) realizada na American Psychiatric Association (APA) 2017 Annual Meeting.

A realidade virtual é um ambiente totalmente criado por computador, que insere os pacientes em um mundo virtual. Com a realidade aumentada, o dispositivo ou software acrescenta elementos virtuais ao “mundo real”.

Estas tecnologias existem há décadas, mas com as recentes drásticas diminuições dos custos e melhora da qualidade da imagem e dos componentes tecnológicos, existe agora um interesse comercial crescente no uso delas, disse ao Medscape o Dr. Arshya Vahabzadeh, médico, preceptor de psiquiatria da Harvard Medical School e Diretor-chefe da Brain Power, uma empresa de neurotecnologia.

Dr. Arshya Vahabzadeh

A Brain Power fez parceria com a Affectiva, uma empresa de tecnologia que surgiu no Media Lab do Massachusetts Institute of Technology , e com o Google, para produzir “óculos inteligentes” de realidade aumentada para crianças autistas.

Usando “aplicativos do tipo game” (jogo), as crianças aprendem a reconhecer as emoções e a interagir com familiares e terapeutas.

As crianças autistas costumam ter dificuldade para entender as emoções de outras pessoas e para compreender as expressões faciais delas. “Este dispositivo lhes dá feedback, monitora as respostas e coleta dados”, disse o Dr. Vahabzadeh.

“Estamos basicamente encontrando maneiras de oferecer um “treinador” de inteligência artificial para ajudar uma criança a determinar qual é a emoção que a mãe dela está demonstrando. Por exemplo, isso é feliz ou triste? É assustado ou neutro”?

Ele comparou isso a usar rodinhas de treino para aprender a andar de bicicleta. “Algumas crianças têm dificuldade de andar de bicicleta e podem se beneficiar destes apoios”.

Aplacando a ansiedade

Outros pesquisadores estão usando a realidade virtual para tratar uma miríade de transtornos mentais nos adultos. A área mais pesquisada é a da ansiedade, disse o Dr. Vahabzadeh.

“Se você tem acrofobia, podemos gerar uma experiência de realidade aumentada ou virtual na qual você pode se sentir ansioso ou desconfortável, e então dentro desse ambiente, podemos criar intervenções digitais que o ajudem a se sentir confortável ou a lidar com um ataque de pânico.”

Por exemplo, disse o médico, para alguém com acrofobia, o ambiente virtual pode ser um elevador.

A tecnologia também está sendo usada para capacitar pacientes traumatizados – por exemplo, por meio de técnicas de atenção plena e de respiração profunda – a lidarem com as próprias lembranças.

Durante uma sessão da Innovation Zone, o Dr. Brennan Spiegel, médico, diretor de pesquisa de serviços de saúde em assuntos acadêmicos e transformação clínica no Cedars-Sinai Medical Center, em Los Angeles, Califórnia, descreveu como os veteranos com transtorno de estresse pós-traumático podem, por exemplo, ser transportados para o Afeganistão para vivenciar um ataque virtual de morteiros. O paciente pode “caminhar e navegar no ambiente”, disse ele.

“Os médicos têm um painel de controle no qual podem ajustar a hora do dia, a iluminação, os efeitos sonoros e ajudar a regular a exposição”, disse o Dr. Spiegel.

Um dos objetivos da terapia de exposição virtual é melhorar a atenção, a memória e a função executiva no contexto militar.

Tem havido “bastante pesquisa” sobre a eficácia desta abordagem, disse o Dr. Spiegel. “Os piores dados mostram que somos equivalentes à abordagem baseada em evidências da exposição natural, e os melhores dados mostram que a superamos.”

Além das Forças Armadas, a tecnologia está sendo usada para realizar terapia ocupacional e fisioterapia na casa do paciente. Pode ser uma experiência divertida e envolvente, disse o Dr. Spiegel, acrescentando que os pacientes não persistem com a reabilitação convencional por ser “chata, repetitiva e frustrante”.

Redução da dor

Dr. Spiegel mostrou um jogo de computador especial com o qual uma jovem com paralisia cerebral, que só consegue levantar e abaixar um braço, pôde jogar e se divertir pela primeira vez.

O pesquisador também mostrou como a realidade virtual pode ter um impacto enorme no ambiente hospitalar, descrevendo os casos de dois pacientes com dor de forte intensidade – uma paciente mais velha com câncer e um garoto com doença falciforme.

Ambos foram transportados para um mundo virtual no qual puderam se concentrar em algo prazeroso e se esquecer da dor e do ambiente institucional impessoal e frio no qual se encontravam.

As pesquisas têm mostrado que essas abordagens são eficazes em termos de resultados clínicos. Um estudo citado pelo Dr. Spiegel comparou a média da pontuação na escala de dor de 50 pacientes usando realidade virtual a um grupo controle de 50 pacientes. A resposta clínica foi de 65% no grupo da realidade virtual, em comparação com 40% no grupo controle (P= 0,01), com o número necessário para tratar sendo igual a quatro pessoas.

Dr. Spiegel e colegas estão iniciando um estudo controlado randomizado de realidade virtual terapêutica em ambiente hospitalar a fim de determinar se esta intervenção pode modificar a prescrição de opioides e ansiolíticos, entre outras coisas.

Uma meta-análise publicada no início deste ano no periódico Clinical Neuroscience incluiu 11 ensaios controlados randomizados sobre o uso da realidade virtual para tudo, desde a obesidade e a dor relacionada com o câncer, até a reabilitação após um acidente vascular encefálico ou uma lesão cerebral traumática. Os pesquisadores descobriram que o uso da realidade virtual “parece ser eficaz na maioria dos estudos, sendo aparentemente bem tolerado”, disse o Dr. Spiegel.

“Mas há limitações nesses estudos, que tendem a ser pequenos e metodologicamente heterogêneos. Precisamos de ensaios clínicos maiores e de melhor qualidade”.

Os pesquisadores também estão criando “humanos virtuais” que poderiam ser usados ​​como ferramenta didática para a realização de entrevistas clínicas, observou o Dr. Spiegel.

Em outro local, pesquisadores da Shire PLC, uma empresa biofarmacêutica, criaram uma ferramenta educacional de realidade virtual para o transtorno do déficit de atenção e/ou hiperatividade (TDAH). Esta ferramenta permite que os usuários passem um dia virtual como uma pessoa com transtorno do déficit de atenção e/ou hiperatividade, tendo de lidar com distrações em casa, no trabalho e em sociedade.

Quem paga a conta?

No final de uma das sessões da Innovation Zone, um participante perguntou quem pagaria por esta nova tecnologia. Isso não está claro, disse o Dr. Spiegel. “Se criarmos uma clínica de realidade virtual ou um serviço de consultas de realidade virtual, haverá um código na classificação internacional de doenças (CID) para isso? Isto é um procedimento”?

Porém, os pesquisadores já estão estudando a economia da saúde da realidade virtual no ambiente hospitalar.

“Nós fizemos algumas análises de custo-efetividade e concluímos que se a realidade virtual reduzir o tempo de internação, mesmo que por volta de 10%, o que em geral significa algumas horas, então ela rapidamente se paga, inclusive todo o serviço de consulta de realidade virtual”, disse o Dr. Spiegel.

“O que precisamos saber é se a realidade virtual reduz o tempo de internação hospitalar, e estamos investigando isso atualmente em um ensaio clínico”.

Outro palestrante nesta sessão, o psicólogo Skip Rizzo, diretor da realidade virtual clínica do Institute for Creative Technologies da University of Southern California (USC), e professor de pesquisa da USC Davis School of Gerontology e U SC Keck School of Medicine Department of Psychiatry and Behavioral Sciences, prevê uma crescente conscientização e utilização da tecnologia de realidade virtual com a consequente queda contínua dos custos.

“Vai ser como é hoje com as torradeiras: cada casa tem uma. Elas podem não ser usadas diariamente, mas todo mundo tem uma”.

O Dr. Vahabzadeh observou que os iPhones e o Facebook não existiam há alguns anos, e embora as tecnologias de realidade virtual e de realidade aumentada ainda precisem de mais pesquisas, e ainda não tenham ampla utilização clínica, isso pode mudar rapidamente.

Isso é especialmente verdadeiro quando “simplesmente não existem profissionais de saúde humanos suficientes”, disse ele.

“A discussão é de como podemos usar essa tecnologia para ampliar o nosso atendimento, talvez aumentando a intensidade e diminuindo a barreira de acessibilidade?”

Mas o Dr. Vahabzadeh advertiu que podem existir doenças para as quais a realidade virtual e a realidade aumentada sejam inapropriadas. Por exemplo, ele disse que pode ser difícil usar tecnologias imersivas ou perceptivas para pacientes com transtornos convulsivos.

Em outros lugares da Innovation Zone, especialistas discutiram o aprendizado por meio de máquinas, a tecnologia portátil implantável ou usada como vestimenta, as casas inteligentes, e o uso da inteligência artificial para ajudar pacientes psiquiátricos.

O Dr. Tim Peters-Strickland, médico psiquiatra e diretor sênior de desenvolvimento clínico global CNS , Otsuka America Pharmaceutical, Inc, em Princeton, Nova Jersey, discutiu como o Instagram está sendo usado para detectar depressão.

“Isso tem grandes ramificações, se você puder aproveitar as mídias sociais para identificar os pacientes numa triagem precoce. É realmente fascinante”.

Assistir à televisão tem pior efeito para saúde que realizar outras atividades sentado

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Laird Harrison

DENVER — Os efeitos para a saúde de se assistir à televisão são piores que os efeitos de outras atividades sedentárias, sugere uma nova análise.

“Nós estamos começando a pensar que a TV é algo sem igual”, disse Mark Pereira, da University of Minnesota, em Minneapolis.

Nos últimos anos, mais e mais estudos têm mostrado que pessoas que passam muito tempo sentadas têm um risco aumentado de adoecimento, mesmo se realizam exercícios regulares, disse ele ao Medscape. Mas muitos desses estudos avaliaram todos os tipos de atividades feitas sentado juntas.

Para avaliar se alguma atividade sedentária era mais danosa que as outras, Pereira e colaboradores analisaram dados do estudo de longo prazo Coronary Artery Risk Development in Young Adults (CARDIA) (NCT00005130).

Os pesquisadores do CARDIA acompanharam 5115 homens e mulheres, negros e brancos, com idades entre 18 e 30 anos, em 1985 e 1986. Todos viviam em Birmingham (Alabama), Chicago, Minneapolis ou Oakland (Califórnia).

Estudo CARDIA

Os participantes foram selecionados de forma a haver números aproximadamente iguais nos subgrupos de raça, sexo, educação e idade.

Circunferência abdominal, pressão arterial, e níveis de glicemia de jejum, insulina, triglicerídeos e colesterol tipo lipoproteína de alta densidade (HDL), foram usados para calcular uma pontuação de risco cardiometabólico para cada participante, o que serve como indicação de risco para acidente vascular encefálico (AVE), doença cardíaca e diabetes.

No seguimento de 2010, 3211 participantes do CARDIA relataram o tempo que passavam por dia em seis atividades específicas: assistindo à televisão; utilizando o computador para atividades não relacionadas ao trabalho ou jogando vídeo games; realizando trabalho de escritório fora do computador; ouvindo música, lendo ou realizando trabalho artístico ou artesanal; e sentado em um carro, ônibus, trem ou outro modo de transporte.

As pessoas que passaram mais tempo envolvidas com essas atividades tiveram uma probabilidade significativamente maior, quando comparadas às pessoas que passaram menos tempo, de serem mais jovens (49,8 versus 50,3 anos), negras, desempregadas e sem cobertura de plano de saúde. Elas também tinham médias de índice de massa corporal (IMC), circunferência abdominal, pressão arterial, nível de glicemia de jejum e nível de insulina significativamente maiores, e um nível de colesterol HDL significativamente menor. Também de forma significativa, elas fumavam mais e se exercitavam menos.

As pessoas que passaram mais tempo envolvidas nessas atividades também tiveram maior probabilidade de serem mulheres, de beberem menos e de terem maiores níveis de triglicerídeos, embora nenhuma dessas diferenças tenha sido estatisticamente significativa.

As pontuações médias de risco cardiometabólico foram menores em participantes que passaram menos de cinco horas por dia em atividades sedentárias do que naqueles que passaram de cinco a 7,4 horas, e naqueles que passaram 7,5 horas (-0,22 versus 0,00 versus 0,12).

Essa associação entre comportamento sedentário em geral e risco cardiometabólico está de acordo com o padrão observado em outros estudos: maiores riscos com mais tempo sentado.

O aumento do risco cardiometabólico foi muito maior com o ato de assistir à televisão do que com as outras cinco atividades. Isso foi verdade com as atividades sedentárias sendo analisadas isoladamente (um modelo de variável única) ou ajustadas para levar as outras atividades em conta (um modelo de partição).

No modelo de variável única, as associações entre risco cardiometabólico e televisão, computador, leitura e telefone foram significativas (P < 0,05 para todas). No modelo de partição, a única associação significativa foi entre risco cardiometabólico e televisão (P < 0,001).

Tabela. Alteração na pontuação de risco cardiometabólico com aumento de duas horas de atividade diária

Atividade Sedentária Modelo de variável única Modelo de partição
Assistir à televisão 0,09 0,08
Trabalhar no computador 0,03 0,01
Trabalhar com papeladas 0,03 0,01
Ler 0,03 0,02
Usar o telefone 0,04 0,01
Usar meios de transporte 0,01 –0,01

Quando Pereira e colaboradores utilizaram um modelo isotemporal – no qual uma atividade foi trocada por outra – eles calcularam que, quando os participantes jogavam jogos de computador em vez de assistirem à TV o risco cardiometabólico reduzia em 0,07 pontos (P < 0,05).

Se o tempo de TV fosse substituído por leitura, trabalho com papeladas ou uso de telefone, as pontuações também diminuíam em 0,07. E se o tempo de TV fosse substituído por uma longa viagem de carro, a pontuação caía em 0,09 (P < 0,05 para todos).

Quando outras atividades, que não a televisão, eram substituídas umas pelas outras, não houve mudança significativa no risco cardiometabólico.

Não está claro por que assistir à TV causa mais riscos para a saúde que outras atividades sedentárias, disse Pereira, mas ele tem algumas teorias.

Uma possibilidade é a de que as pessoas permanecem sem movimentos por longos períodos de tempo em frente à televisão. Elas podem se mover mais quando estão usando o telefone ou jogando no computador, e podem mudar mais de posição quando estão lendo ou trabalhando com papeladas. E podem parar e sair de seus carros com mais frequência do que levantam do sofá quando assistem à TV.

“Você também pode pensar quanto a comer enquanto assiste à TV”, explicou. As pessoas podem se envolver com um jogo de basquete ou um filme, e perder a noção do quanto comeram de batatinhas.”

“Ou pense nos tipos de anúncios que promovem atividades sedentárias e a dieta ocidental”, acrescentou Pereira. E os personagens em dramas da TV podem fazer com que fumar e beber pareçam interessantes.

Talvez as mensagens de saúde pública devessem recomendar uma pausa na televisão, disse ele. Aqueles que assistem à TV podem ser encorajados a usar os mesmos dispositivos e aplicativos de smartphone que as pessoas que realizam trabalhos de escritório utilizam para lembrá-las de se levantar e de se mover a cada meia hora, ou no mínimo mudar de posição.

Estudos prévios já haviam indicado que a TV é pior que outros tipos de atividades realizadas sentado, disse a moderadora da sessão Alpa Patel, da American Cancer Society.

“Isso destaca a necessidade de entendermos o que é diferente na TV – se é simplesmente uma questão de medida, ou se existe algo fundamentalmente diferente sobre o comportamento”, disse ela ao Medscape.

Embora seja claro que permanecer sentado é um problema independente do exercício, não está claro se o maior problema é o tempo total por dia gasto sentado ou o tempo total gasto sentado de uma só vez, sem levantar, explicou ela.

O estudo foi financiado pelos National Institutes of Health. Mark Pereira e Alpa Patel declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Encontro Anual de 2017 do American College of Sports Medicine (ACSM): Resumo 1912/5. Apresentado em 1º de junho de 2017.