Neurologia

Pesquisa desvenda papel da vitamina C no cérebro

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Roxana Tabakman

Presente em alta concentração no sistema nervoso central (SNC), a vitamina C é um componente importante para a homeostase cerebral. Entretanto, a forma reduzida da vitamina C, conhecida como ascorbato, não tem a capacidade de entrar livremente nos neurônios, sendo depende do sódio para ingressar nas células por meio de um cotransportador de sódio-vitamina C conhecido como SVCT2.

Um novo trabalho[1] publicado por pesquisadores de Portugal, Brasil, Estados Unidos e Alemanha no periódico Science Signaling, demonstrou que o SVCT2 é fundamental para a homeostase da micróglia, células imunes do sistema nervoso central que não apenas respondem a patógenos, mas apresentam diversas funções importantes para o desenvolvimento, a manutenção e o funcionamento do sistema nervoso, como por exemplo, refinamento sináptico, aprendizado e memória, e também estão ligadas a fatores comportamentais como ansiedade e depressão.

O homem, junto com outros primatas, é um dos poucos mamíferos que perdeu a capacidade de fabricar a própria vitamina C, precisando assim, obtê-la a partir da dieta. Em humanos, a redução dos níveis de ácido ascórbico no cérebro pode levar ao escorbuto neuropsiquiátrico, caracterizado por depressão, alterações do núcleo motor basal subcortical e mudanças de comportamento, estado anímico, e performance motora sendo que, mudanças nas concentrações de ascorbato no cérebro também estão envolvidas em transtornos neurodegenerativos e de desenvolvimento. A ativação da micróglia tem sido relacionada a estes transtornos neurodegenerativos. O estudo em questão desvendou um pouco de como funciona esse mecanismo, mostrando que a redução das quantidades de SVCT2 na membrana plasmática reduz a captação da vitamina C e gera ativação, tanto na micróglia humana quanto na de camundongos.

“Os resultados nos surpreenderam muito”, disse ao Medscape a primeira autora do estudo, Camila Cabral Portugal, doutorada pela Universidade Federal Fluminense e hoje no Grupo de Biologia Celular da Glia no i3S (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde) do Instituto de Biologia Molecular e Celular IBMC, de Porto, Portugal.

“Já é bastante conhecido que as células da micróglia produzem grandes quantidades de radicais livres de oxigênio quando estão ativadas, mas para nós foi surpreendente descobrir que a função do SVCT2 não pode ser substituída por nenhum outro sistema de antioxidantes, e que esse transportador tenha um papel tão crucial nessas células. A sua ausência é capaz de ativar as células da micróglia. E também todos os estímulos pró-inflamatório que usamos diminuem a expressão desse transportador.”

A pesquisa demonstra, de forma localizada, as funções essenciais do SVCT2 e do ascorbato na fisiologia da micróglia. CAV1 é uma proteína estrutural da membrana que está presente em todos os tipos celulares e que compõe as caveolas, as pequenas invaginações que acontecem na membrana plasmática, e uma fosforilação mediada por c SRC da CAV1 diminui a SVCT2 na membrana plasmática. Os pesquisadores foram estudando os passos um a um, até demonstrar como a redução da expressão do SVCT2 atua na ativação da micróglia, e depois estudaram como evitar que isso acontecesse. A pesquisa mostrou que a ativação da micróglia pode ser evitada de três maneiras: pelo tratamento com vitamina C, pela sobre-exposição de SVCT 2 ou pelo bloqueio do sistema transportador do ácido ascórbico.

“É um trabalho lindo”, avalia a professora Regina Markus, cientista do Departamento de Fisiologia do Instituto de Biociências da USP, que não participou da pesquisa. “Vai para o gene e mostra como esse gene é expresso, e como isso se relaciona com a resposta inflamatória. É um trabalho consistente, que mostra que a vitamina C tem um papel relevante na fisiologia da micróglia”.

Camila Portugal, que tinha estudado a importância e a função do SVCT2 em células neuronais nos primeiros anos do doutoramento, neste trabalho aplicou o conhecimento que já tinha desse transportador em outro sistema, nas células da micróglia.

“Quanto mais se conhece essas células, mas caminhos se abrem para a compreensão do sistema, e para possíveis intervenções no caso de doenças e mal funcionamento dele”, diz Camila.

Doctors’ mental health in the spotlight for World Family Doctor Day

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The international organisation of general practitioners and family doctors is urging members to look after their own mental health as well as that of patients.

As family doctors across the world celebrate World Family Doctor Day today, May 19, the World Organization of National Colleges, Academies and Academic Associations of General Practitioners/Family Physicians (WONCA) is reminding members of the importance of looking after their own health.

The theme of this year’s event is depression and WONCA member organisations will hold a number of events today aimed at raising awareness around mental health concerns. WONCA President, Amanda Howe said we all need to make the public aware that depression is an important and common problem, where people deserve help, and that this need is nothing to be ashamed of.

Howe said there is also a need to remember that we can all be at risk of depression and that the nature of work as family doctors, which can lead to psychological exhaustion and stress-related symptoms, puts members at quite a high risk.

“Take care of yourselves as well as others: ask for help from colleagues, family, and friends if needed; do not blame yourself for things that cannot easily be changed; speak to your own family doctor if the going gets really tough. We can all use a helping hand from time to time,” she said.

La obesidad abdominal aumenta más el riesgo de sufrir ictus en mujeres que en hombres (Eur J Neurol)

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Aunque la 'paradoja de la obesidad' relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus.

Aunque la ‘paradoja de la obesidad’ relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus.

Un estudio liderado por el Hospital del Mar de Barcelona ha demostrado que la obesidad abdominal aumenta más el riesgo de sufrir ictus en mujeres que en hombres.

El trabajo, publicado en “European Journal of Neurology”, ha contado con 388 participantes con ictus isquémico tratados en el hospital y 732 voluntarios sanos como grupo de control.

El estudio ha sido impulsado por Ana Rodríguez y Jaume Roquer del Servicio de Neurología del Hospital del Mar e investigadores del Instituto Hospital del Mar de Investigaciones Médicas (IMIM).

Por primera vez, un estudio pone de manifiesto la asociación entre la acumulación de grasa en el abdomen en función del género y el ictus, lo que puede ser una nueva herramienta para predecir el riesgo de sufrirlo.

Según los investigadores, un mayor índice de masa corporal (IMC) previene el riesgo de infarto cerebral en hombres: “Esto concuerda con la denominada ‘paradoja de la obesidad’, que relaciona la obesidad con una menor mortalidad y recurrencia de ictus”, según Rodríguez.

Por otro lado, la obesidad abdominal, considerada independientemente del índice de masa corporal, “constituye un factor de riesgo para ambos sexos”, aunque mucho más acusado en mujeres.

Según la investigadora, el índice de masa corporal “no es un indicador fiable” para la predicción del riesgo de ictus, ya que informa del peso pero no se puede saber la grasa –que es la que aumenta el riesgo de ictus– y del peso de la masa magra.

La investigación ha calculado el IMC y la obesidad abdominal –mide la cintura y el ratio cintura-altura de los 1.120 participantes–, y tanto los pacientes como el grupo de control mostraron índice de masa corporal parecidos, aunque la circunferencia de la cintura y el ratio cintura-altura eran mayores en pacientes de ictus.

El infarto cerebral isquémico o ictus isquémico se produce cuando una parte del cerebro deja de recibir sangre súbitamente debido a la oclusión de alguna de sus arterias.

Es la primera causa de muerte en mujeres y la segunda en hombres en España y, a largo plazo, puede dar lugar a diversas discapacidades; entre sus factores de riesgo están las interacciones ambientales, genéticas y sistémicas.

12 sinais de alerta para suicídio em adolescentes

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Dr. Sivan Mauer

Aproveitando a luz que o seriado “13 Reasons Why”, disponível por streaming, e o perigoso “jogo da baleia”, que circula pela internet, lançaram sobre o tema do suicídio em adolescentes, é de extrema importância levar esta discussão para o meio médico, onde o preconceito e o desconhecimento sobre o assunto talvez não sejam menores que na população leiga. A ideia deste artigo é traçar alguns sinais de alerta para que profissionais tenham condições de oferecer ajuda ao paciente ou ao menos direcionar os pais sobre onde e quando procurar atendimento especializado.

Suicídio em adolescentes não é um mito, mas sim um problema real e muito grave, sendo a quarta principal causa de mortalidade desta população, segundo a OMS. Em um estudo recente feito na Dinamarca constatou-se que 46,5% dos adolescentes que tentam o suicídio realmente querem morrer, e que  apenas 2,5% querem “chamar a atenção“, desconstruindo o conceito de que os adolescentes usam a tentativa de suicídio apenas para atrair a atenção para si. [1] Este mesmo estudo também demonstrou que 50% dos adolescentes apresentam ideação suicida por mais de um mês e que muitos destes jovens não se sentiam ouvidos pelos seus pais e este seria o principal motivo para tirar suas vidas.

Falar sobre ideação suicida, tentativa ou mesmo sobre suicídio é uma questão bastante difícil para todos os familiares, mas geralmente isso se reflete de maneira muito mais grave nos pais do adolescente, que muitas vezes se sentem culpados e não sabem como lidar com a situação que o problema traz ao ambiente familiar. Neste momento de angústia e culpa é dever dos profissionais da saúde abrir espaço para o diálogo e tentar acolher os pais da forma mais empática, tratando o assunto da maneira mais cuidadosa e profissional possível, evitando julgamentos.

Um estudo de 2014 mostra que adolescentes tiram sua vida com métodos bastante agressivos, como enforcamento e o uso de arma de fogo. [2] Outro dado relevante sugere que os meninos cometem mais suicídio enquanto as meninas fazem mais tentativas[3].

Um fator de risco bem estabelecido é a relação do suicídio com doenças mentais. Estudos apontam que 75% dos adolescentes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental, principalmente os transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar[2,4]. Dependência de múltiplas drogas incluindo álcool, maconha e tabaco estão associados a um aumento do risco de tentativas de suicídio em adolescentes[5,6].

Também é importante ressaltar que na população de adolescentes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros o índice de suicídio tem aumentado nos últimos anos. Em muitos casos estes adolescentes convivem com algumas angústias particulares como a descoberta e o entendimento  de sua sexualidade ou identidade de gênero,  além de muitas vezes ter que conviver com o preconceito e a dificuldade da família em ajudá-los[7,8,9].

Outro indício de extrema importância que deve servir de alerta são os casos de automutilação em adolescentes. Alguns dados mostram que em média 70% dos adolescentes que se automutilam acabam tendo ao menos uma tentativa de suicídio. Pode-se considerar automutilação o ato de ser ferir sem o intuito de morrer, como cortes no corpo, beliscar-se, morder-se, queimar-se ou mesmo pular de lugares altos com o propósito de causar fraturas. Relatos de adolescentes revelam que a automutilação alivia seu sofrimento psíquico, além de ser uma maneira de lidar com pensamentos negativos ou até mesmo de expressá-los.  Deve-se levar em consideração que a grande maioria dos adolescentes escondem as marcas da automutilação, muitas vezes usando roupas de manga longa ou calças compridas, mesmo em dias quentes. Desta forma é importante salientar o quanto o exame físico é importante nestes pacientes.

Para facilitar a investigação sobre suicídio nesta população durante a anamnese ou história clínica, elaborei 12 questões que devem ser investigadas com o adolescente e com os pais:

  1. Tentativas prévias de suicídio
  2. Alterações no humor, ansiedade e agitação
  3. Maior irritabilidade sem justificativa aparente
  4. Começar a falar em suicídio/morte
  5. Mudar o padrão de higiene
  6. Abuso de álcool e outras drogas
  7. Automutilação
  8. Isolamento de familiares e amigos
  9. Ter atitudes mais violentas
  10. Comentários com conteúdos de desesperança
  11. Pesquisar sobre métodos de suicídio
  12. Conflitos com relação a identidade sexual

A adolescência é um período de transição difícil tanto para os adolescentes quanto para os pais e familiares, por isso devemos estar atentos a falsos julgamentos e achar que alterações de humor ou automutilação são situações comuns nesta fase da vida. É nosso dever como profissionais da saúde entender as mensagens e os indícios trazidos por adolescentes, maximizando assim o nosso poder de ajuda, e reduzindo o número de mortes entre os adolescentes.

Uno de cada 4 accidentes de tráfico se debe a la somnolencia y los trastornos del sueño

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El sueño es el ritmo biológico más importante.

El sueño es el ritmo biológico más importante.

La somnolencia y los trastornos del sueño provocan uno de cada cuatro accidentes de tráfico, según ha avisado el presidente de la Sociedad Española de Sueño y jefe de la Unidad de Sueño del Hospital Universitario de Burgos, Joaquín Terán-Santos, durante el evento ‘Cuídate Plus’.

“El sueño es el ritmo biológico más importante y está estrechamente ligado no solo al mantenimiento de la función cerebral sino que también cuenta con un fuerte impacto en el metabolismo, la temperatura, el sistema inmune o el funcionamiento cardiovascular y la pérdida de la estructura de sueño produce un desorden que se desemboca en enfermedad”, ha comentado el experto.

En concreto, la apnea del sueño, junto al insomnio, es el trastorno del sueño más prevalente que se sufre en España y que afecta a un alto porcentaje de la población que en un 70% no está diagnosticada ni tratada. A pesar de ello, el 90% de la población desconoce en qué consiste este trastorno que interrumpe la respiración varias veces a lo largo del sueño, provoca ronquidos, respiración convulsiva o incluso despertar.

El sueño es un proceso activo y complejo, fundamental para mantener un correcto estado de salud física y mental, ya que se ha demostrado que la pérdida de sueño se asocia a factor de riesgo para diabetes y obesidad, siendo ésta un factor predisponente para la apnea de sueño.

En este punto, el experto ha avisado de solo el 20% de los niños y adolescentes tiene unos horarios de sueño regulares, a pesar de que ya hay estudios que muestran el impacto de la apnea de sueño en los niños y su relación con la obesidad o las alteraciones cognitivas en términos de atención, memoria y, por tanto, de repercusión en el desarrollo intelectual y en el rendimiento-fracaso escolar.

“Diversas investigaciones han identificado biomarcadores de alzhéimer en niños con apnea del sueño y obesidad, en los que, tras una intervención en higiene del sueño se produce una mejora de la situación de la corteza cerebral y de la respuesta neurocognitiva”, ha destacado el experto.

En el caso de los adultos, prosigue, multitud de estudios establecen el “importante” deterioro cognitivo y de rendimiento profesional y pérdida económica relacionado con el insomnio, con un impacto que oscila entre el uno y el 2% del PIB de las sociedades occidentales.

Crianças em casa afetam o sono das mulheres, mas não o dos homens

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Pauline Anderson

Para mulheres, mas não para homens, ter crianças em casa afeta a quantidade de sono obtido. E, quanto mais crianças, mais o sono é afetado.

Coletar informações sobre o que contribui para o sono insuficiente poderia ajudar a focar em abordagens para alcançar o sono ideal, o que por sua vez pode melhorar a saúde em geral, disse a pesquisadora Kelly Sullivan, do Departamento de Epidemiologia e Ciências de Saúde Ambiental, Jiann-Ping Hsu College of Public Health, Georgia Southern University, Statesboro.
“Nosso ‘vai, vai, vai’ nos impele a fazer mais, e mais, e mais, e a influência dos eletrônicos está cronicamente nos privando do sono”, disse Kelly.

Kelly Sullivan, PhD

“Eu queria me concentrar em quais fatores estão associados ao sono insuficiente para descobrir como abordar este assunto da melhor forma e oferecer soluções”.

Os resultados foram divulgados em 26 de fevereiro e apresentados na reunião anual da American Academy of Neurology (AAN) de 2017.

Os pesquisadores usaram dados de 2012 do Behavioral Risk Factor Surveillance System, uma pesquisa telefônica nacional anual realizada pelos Centers for Disease Control and Prevention (CDC).

A pesquisa, que Kelly descreve como “o maior sistema de pesquisa de saúde continuamente conduzido no mundo”, questiona os entrevistados sobre seus comportamentos relacionados à saúde: por exemplo, se realizam triagem do câncer de mama ou de próstata, ou se mantêm uma estratégia para o controle do diabetes.

Estão incluídas na pesquisa perguntas sobre o sono, inclusive quantas horas de sono os entrevistados têm por dia. Os pesquisadores classificaram as respostas como quantidade ideal de sono, definida pela National Sleep Foundation comodormir de sete a nove horas por dia, ou sono insuficiente, quando se dorme menos de seis horas por dia.

Além disso, os entrevistados forneceram informações sobre o número de dias no mês anterior nos quais não se sentiram descansados.

A pesquisa forneceu dados sobre o índice de massa corporal (IMC) dos participantes, idade, raça, escolaridade, estado civil, atividade física, número de filhos em casa, status de emprego, renda e ronco. Os pesquisadores ajustaram os dados para esses preditores e os estratificaram por sexo.

O estudo incluiu informações de 2897 homens e 2908 mulheres.

Em todo o estudo, 23% dos homens relataram menos de sete horas de sono por dia e 77% relataram sete ou mais horas de sono. Entre as mulheres, 21% relataram menos de sete horas e 79%, sete ou mais horas.

Nos homens, o sono mais prolongado estava associado ao ensino superior (P = 0,0002) e ao ronco (P = 0,02). Entre as mulheres, ter filhos estava inversamente associado à duração do sono (P = 0,002), enquanto estar desempregada (P = 0,009) e ter maior renda familiar (P = 0,03) estava associado à maior duração de sono.

Participantes mais jovens

A pesquisa também analisou a quantidade de sono diário entre os participantes mais jovens. Em homens com menos 45 anos, 30% relataram menos de sete horas dormidas e 70% relataram sete ou mais horas, enquanto em mulheres nessa faixa etária, 25% relataram dormir menos de sete horas e 75% relataram sete ou mais horas.

Em mulheres mais jovens, 48% das que tinham crianças relataram ter um sono ótimo, em comparação com 62% das que não tinham filhos.

Analisando os fatores associados ao sono entre os participantes mais jovens, os pesquisadores descobriram que os homens que não completaram o ensino médio foram mais propensos a relatar sono insuficiente em comparação com os participantes com ensino superior completo (odds ratio, OR, 10,00, intervalo de confiança, IC, de 95%, 1,87 – 53,42). O ronco também foi inversamente associado ao sono insuficiente (OR de 0,31, IC de 95%, 0,11-0,87).

“O achado sobre o ronco contradiz o que foi amplamente estabelecido como sendo um fator de risco para o sono ruim”, disse Kelly. Porém, devido às limitações dos dados sobre o ronco – foi autorrelatado e com um n relativamente baixo – provavelmente não é tão relevante, disse ela.

Em mulheres mais jovens, a única variável associada ao sono insuficiente foi ter filhos. Cada criança aumentou as probabilidades em quase 50% (OR de 1,46; IC de 95%, 1,14-1,87).

Kelly disse que não esperava que as crianças fossem o único fator associado ao sono insuficiente em mulheres mais jovens, ou que não haveria “nenhuma associação para os homens”.

“Eu realmente fiquei surpresa pois acreditava que algumas das outras coisas típicas, como emprego, renda ou exercícios, seriam um fator principal” nestas mulheres mais jovens.

Não está claro o que exatamente está causando a disparidade, disse Kelly. “Por mais incrível que sejam o conjunto de dados e a pesquisa, não temos qualquer percepção da dinâmica familiar, o que é uma grande limitação na tentativa de descobrir o significado ou as razões por trás desses achados”.

Pesquisas mostram que o cérebro da mulher é diferente do cérebro do homem, e da mesma forma os ciclos de sono, disse Kelly. Além disso, há diferenças biológicas nas mulheres a serem consideradas, como mudanças hormonais na gravidez, menopausa e ao longo do ciclo menstrual, e as exigências da amamentação, disse ela.

Kelly observou que outros estudos têm mostrado que as mulheres precisam de mais sono do que os homens para se sentirem devidamente descansadas.

Neste estudo, ter filhos em casa foi associado ao sentimento de cansaço entre mulheres mais jovens (P = 0,001). Aquelas com crianças relataram se sentirem cansadas 14 dias em um mês, em comparação com 11 dias para aquelas sem crianças. Novamente, isso não era a realidade para homens mais jovens (P = 0,10).

Kelly ressaltou que as relações dos entrevistados com as crianças no ambiente familiar não ficaram claras. Eles poderiam não ser biologicamente relacionados, ou serem irmãos mais velhos de crianças na casa.

Sono, uma prioridade

Os resultados do estudo destacam a importância de “priorizar o sono”, disse Kelly. Técnicas tradicionais de higiene do sono (como por exemplo, não usar eletrônicos no quarto ou ingerir cafeína antes de dormir) podem ajudar da mesma forma que o controle do estresse.

Os achados do estudo também não foram surpreendentes para o especialista em medicina do sono Dr. Donn Dexter, vice-presidente médico, Northwest Wisconsin Region, Mayo Clinic Health System, Eau Claire; professor assistente, neurologia, Mayo Clinic College of Medicine; e fellow da AAN.

Solicitado a comentar a pesquisa, Dr. Dexter observou que, como as informações vieram de uma pesquisa telefônica, podem não haver dados suficientes para “apoiar qualquer teoria forte” sobre por que as mulheres mais jovens com filhos em casa estão ficando para trás em relação ao sono.

Ele refletiu sobre a própria experiência de ter três filhos pequenos em casa. “Embora eu tentasse ser um pai responsável, acho que a maioria das tarefas em relação a criação das crianças, e certamente as tarefas de levantar à noite para cuidar delas quando estavam doentes, chorando ou com os dentes nascendo, ficaram para minha esposa.” Ele estimou que, quando se tratava de tarefas relacionadas às crianças, a divisão entre ele e a esposa provavelmente estava “perto de 70-30 (%)”.

Ele enfatizou que não fez nenhuma “pesquisa exaustiva” sobre o tema, mas tem a impressão de que, apesar de os gêneros terem um nível maior de igualdade em muitos aspectos, “as tarefas rotineiras e domésticas ainda recaem desproporcionalmente sobre as mulheres”.

Ele questionou o progresso realizado nesta área. “Seria interessante olhar para trás, digamos, para as décadas de 1930 ou 1960 e comparar com o momento atual. Eu me pergunto se haveria alguma diferença.”

Ao comentar os achados sobre o ronco entre os homens, o Dr. Dexter concordou que “você não pode relacionar a qualidade do sono com a quantidade de sono”.

“As pessoas que roncam podem dormir mais horas, mas podem não ter um bom sono, então é preciso ter muito cuidado ao usar o tempo como um marcador de qualidade”.

Reunião anual da American Academy of Neurology (AAN) de 2017. Resumo P3.060. Apresentado em 25 de abril de 2017.

Menos placas ateroscleróticas com adesão à dieta mediterrânea na vida real

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Patrice Wendling

PRAGA, REPÚBLICA TCHECA — A aderência a uma dieta estilo mediterrâneo mostrou, em um novo estudo, uma associação protetora dose dependente com presença, número e espessura das placas ateroscleróticas, independentemente de outros fatores de risco[1].

A associação foi mais forte para as artérias femorais e entre os tabagistas, sugerindo que o padrão dietético pode proteger da doença cardiovascular ao prevenir a oxidação de lipoproteínas aterogênicas, disse o autor principal, a Dra. Rocio Mateo-Gallego (Hospital Universitário Miguel Servet, Zaragoza (Espanha) no Congresso Anual de 2017 da European Atherosclerosis Society .

Ela observou que a presença de placas foi estudada principalmente nas artérias carótidas usando ultrassonografia, embora recentemente tenha sido demonstrado que placas iliofemorais identificadas por ultrassonografia são mais frequentes, se correlacionam melhor com o risco de doença cardiovascular (DCV) e estão altamente associadas com cálcio nas artérias coronárias.

O que não havia sido estudado antes é a associação de placas iliofemorais e a adesão à dieta mediterrânea no mundo real, observam os pesquisadores. Elas não foram bem estudadas no PREDIMED, um raro estudo randomizado, controlado de um tipo de dieta mediterrânea que mostrou regressão de placas carotídeas ao longo de vários anos, entre outros achados.

Para este estudo, os pesquisadores utilizaram a ultrassonografia para avaliar a extensão das placas ateroscleróticas nos territórios carotídeo, femoral e aórtico em 2523 operários de meia-idade (média de idade de 51 anos, 95% homens) sem história de doença cardiovascular no Aragon Workers Health Study. Destes, placas estavam presentes em algum território em 1983 participantes.

Um questionário com 134 itens de frequência alimentar foi usado para calcular o índice Alternativo Mediterrâneo (aMED), que considera o consumo de frutas, verduras, nozes, leguminosas, grãos integrais, peixe, carnes vermelhas, álcool e a razão gordura monoinsaturada/gordura saturada. A pontuação total pode variar de 0 a 9, com pontuações mais altas refletindo maior aderência à dieta mediterrânea.

A pontuação média aMED foi de 4,19, o que representa uma aderência moderada à dieta mediterrânea, sem qualquer diferença entre os sexos.

Em comparação com participantes no menor quartil do aMED (0-2 pontos), aqueles no maior quartil (6-9 pontos) eram mais velhos (51,7 anos em relação a 50,9 anos) e tinham menor probabilidade de serem fumantes (25,3% em relação a 44%).

Quando os participantes dos quartis mais altos foram comparados com os quartis mais baixos de aMED, houve uma redução significativa na presença de placas nas artérias femorais (odds ratio, OR, de 0,74; IC de 95%, 0,54-1,02; P = 0,045), independentemente de todos os fatores de risco e mediadores.

No maior quartil aMED, a presença de placa foi significativamente reduzida na aorta após ajuste para idade e sexo (OR de 0,72, IC de 95%, 0,55-0,94; P = 0,006), mas esta diferença não manteve significado estatístico após o ajuste completo (P = 0,303). Não foram observadas diferenças significativas nas placas carotídeas entre os dois quartis de aMED em nenhum dos modelos.

Entre os tabagistas no maior quartil de aMED, no entanto, a presença de placas foi reduzida em 61% nas artérias femorais (OR de 0,39, IC de 95%, 0,22-0,69, P = 0,001) e 67% em qualquer território (OR de 0,33, IC de 95%, 0,14-0,79, P = 0,008).

O escore aMED também foi inversamente associado ao número de placas em todos os territórios, exceto nas carótidas, disse a Dra. Rocio.

O moderador da sessão em que foi apresentado o estudo, Dr. Chris Packard (University of Glasgow, Escócia) disse ao Medscape que os achados carotídeos são consistentes com estudos prévios, e que a força da associação observada nos outros leitos foi substancial. A pontuação aMED também fornece uma maneira prática de avaliar o questionário de frequência alimentar da dieta mediterrânea.

“De todas as dietas que estudamos, todos dizem que a dieta mediterrânea é a que devemos seguir, então se a pontuação aMED é uma ferramenta que pode ser usada e que está relacionada a resultados, você poderia começar a usá-la como algo para encorajar seus pacientes”, disse ele.

Dra. Rocio relata apoio da European Atherosclerosis Society que forneceu um jovem pesquisador para contribuir no estudo. Dr. Packard relata ter recebido apoio de pesquisa de Roche e MSD e honorários de MSD, Sanofi/Regeneron, Amgen e Pfizer.