Urología

Uso de pornografia associado a disfunção erétil

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Neil Osterweil

BOSTON — Homens que são obcecados com pornografia e que preferem a masturbação ao intercurso sexual parecem ter risco aumentado de disfunção erétil, sugere um novo estudo feito com militares.

Embora esses resultados precisem de validação, urologistas e outros médicos que tratam homens com disfunção erétil e outras formas de disfunção sexual deveriam perguntar aos pacientes sobre o uso de pornografia, e potencialmente recomendar abstenção, disse o Dr. Matthew Christman, um urologista do Naval Medical Center, em San Diego, Califórnia.

“A última versão do Diagnostic Statistical Manual of Mental Disorders acrescentou o transtorno do jogo pela internet. Estudos demonstraram que a pornografia na internet é mais viciante do que os jogos na internet”, então não parece ser exagero adicionar algo relacionado ao uso de pornografia na internet, disse o Dr. Christman no Encontro Anual de 2017 da American Urological Association (AUA).

Uma pesquisa de vigilância em saúde de 2014, feita com as forças armadas dos EUA, descobriu que as taxas de disfunção erétil mais que dobraram durante a década precedente, de cerca de 6 por 1000 pessoas-ano para cerca de 13 por 1000 pessoas-ano, relatou o Dr. Christman. Esse aumento ocorreu primariamente pelo crescimento da incidência da disfunção erétil psicogênica, mais do que orgânica, e coincidiu com o crescimento da pornografia na internet.

Sites dedicados a vídeos pornográficos foram inicialmente identificados em 2006 “e, logo após, pesquisadores do Kinsey Institute foram o primeiro grupo a realmente identificar o que descreveram como ‘disfunção erétil induzida pela pornografia'”, disse o Dr. Christman.

Vários grupos de pesquisa postularam que o comportamento sexual age no mesmo circuito cerebral que as substâncias viciantes, e que a pornografia na internet é um estímulo particularmente forte para esse circuito. Foi postulado que a pornografia na internet aumenta a sensibilidade para estímulos pornográficos e reduz a sensibilidade para estímulos normais, ele explicou.

 Isso provavelmente não é um choque, mas homens viram mais pornografia que mulheres. Dr. Matthew Christman

Para avaliar se existe correlação entre vício em pornografia e disfunção sexual, o Dr. Christman e o coautor Dr. Jonathan Berger, também do Naval Medical Center, utilizaram uma pesquisa anônima que incluía questões sobre função sexual, preferências e uso de pornografia, assim como questões usuais sobre demografia e história médica. A pesquisa foi oferecida a pacientes entre 20 e 40 anos que consultaram na clínica de urologia.

Um total de 439 homens receberam os questionários, e 314 (71,5%) responderam. No total, 71 mulheres receberam a pesquisa, e 48 (68%) responderam. A maioria de homens e mulheres respondedores eram militares ativos (96,8% e 58%, respectivamente).

Os homens foram avaliados para função sexual com o questionário de 15 itens International Index of Erectile Function, e as mulheres com o Female Sexual Function Index validado. O vício em pornografia foi avaliado por dois instrumentos disponíveis: o Pornography Craving Questionnaire e a Obsessive Passion Scale.

“Isso provavelmente não é um choque, mas homens viram mais pornografia que mulheres”, disse o Dr. Christman.

Dentre homens, 81% relataram ver pornografia no mínimo por algum tempo comparado com 38% das mulheres (P ≤ .001).

Não houve diferenças significativas na duração dos episódios de pornografia, com a maioria de homens e mulheres relatando que utilizaram por 15 minutos ou menos por vez.

As fontes preferidas de pornografia também foram semelhantes para homens em mulheres, com a pornografia na internet em computadores sendo a mais comum, seguida pela pornografia na internet em telefones. As mulheres relataram utilizar livros mais frequentemente que os homens.

No total, 27% dos respondedores masculinos tinham disfunção sexual, definida como uma pontuação no International Index of Erectile Function de 25 ou menos, e 52% das mulheres tinham disfunção sexual, definida como uma pontuação de 26,55 ou menos no Female Sexual Function Index.

Quando avaliaram as correlações entre disfunção erétil e preferências por pornografia em homens, os pesquisadores descobriram que a taxa de disfunção foi a menor entre os 85% dos respondedores que relataram preferir intercurso sexual sem pornografia (22%). A incidência de disfunção aumentou em homens que preferiram intercursos com pornografia (31%), e foi a mais elevada entre homens que preferiam masturbação com pornografia (79%).

O achado foi consistente em todos os cinco domínios de disfunção sexual no questionário: ereção, orgasmo, libido, satisfação com o intercurso e satisfação geral.

Entretanto, não houve correlação significativa entre uso de pornografia e disfunção sexual em mulheres.

Perguntado pelo Medscape se o uso de pornografia por um paciente importava clinicamente, o Dr. Christman respondeu que profissionais de saúde mental em seu centro que trataram pacientes para vício em pornografia observaram resolução da disfunção sexual uma vez que esses pacientes conseguiram cortar o uso da pornografia.

 Acredito que esses pesquisadores estão caracterizando algo que é uma condição clínica real. Dr. Joseph Alukal

“Acredito que esses pesquisadores estão caracterizando algo que é uma condição clínica real”, disse o Dr. Joseph Alukal, diretor de saúde reprodutiva masculina na New York University, em Nova York, e moderador da conferência na qual foram apresentados os dados.

“Essa pesquisa representa o começo da questão de como identificamos essas pessoas e as tratamos”, acrescentou.

“O impacto clínico da disfunção erétil é um problema comum e de grande repercussão, então se isso representa algum subconjunto de pacientes que apresentam esse problema comum e impactante, e podemos tratá-los com uma intervenção simples como ‘você deveria ter o comportamento X’, isso é importante”, disse ele em entrevista ao Medscape.

O Dr. Alukal rotineiramente pergunta a pacientes jovens sobre hábitos de pornografia e masturbação, e pode confirmar que para pacientes com um hábito de pornografia grave, a interrupção pode melhorar a função sexual, disse ele.

O estudo recebeu apoio interno. Os Drs. Christman, Berger, e Alukal declararam não possuir conflitos de interesses relevantes. O Dr. Christman declarou que as visões expressas na apresentação são as dos autores, e não refletem uma política ou posição oficial da Marinha dos EUA, do Departamento de Defesa, ou do governo dos EUA.

Encontro Anual de 2017 da American Urological Association (AUA): Resumos PD44-11 e PD69-12, Apresentado em 12 de maio de 2017.

4 Sinais de que Você pode ter Câncer de Próstata

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4 Sinais de que Você pode ter Câncer de Próstata. Como Evitar essa Doença!
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Você realmente sabe qual é o papel da próstata? Tem 100% de certeza de tudo o que ela faz? Bom, se você se sente inseguro sobre isso, fique tranquilo porque você não está sozinho: de acordo com uma nova pesquisa realizada no Reino Unido, 92% dos homens não sabe para que essa glândula serve e 54% não sabe sequer onde ela está. Aliás, 17% dos homens analisados no estudo sequer sabia que tinha uma.

Pois é: assustador! Então, o que é a próstata e para que ela serve?

Ela é uma pequena glândula (mais ou menos do tamanho de uma noz) que fica em cima da sua bexiga e é vital na produção do sêmen. Infelizmente, muitos homens não realizam exames regulares para verificar se anda tudo certo com ela e, por isso, muitos homens acabam mortos por causa de um câncer de próstata.

Mulheres têm o hábito de visitar a ginecologista pelo menos uma vez por ano. Os homens não visitam o urologista com a mesma frequência e deveriam, já que o Brasil tem 68,8 mil novos casos de câncer próstata por ano, segundo uma pesquisa divulgada no final de 2015.

O professor Roger Kirby, urologista do hospital King Edward WII, reforça: “Se os homens reservassem apenas alguns minutos de seu tempo para ir ao médico e informar qualquer sintoma diferente, os casos de morte por causa do câncer de próstata certamente seriam reduzidos”.
Os homens que se encontram na zona de risco são os acima de 50 anos, obesos ou que tenham algum histórico da doença na família. Pesquisas também apontaram que negros tem maior risco de desenvolverem esse tipo de câncer, por isso devem recorrer aos exames mais cedo, com 45 anos. Homens com propensão genética devem recorrer ao médico já aos 40 anos.

O diagnóstico antecipado é a melhor maneira evitar futuras complicações. Ele deve ser feito periodicamente a partir dos 50 anos de idade através de um exame físico (o toque retal) e exame de sangue PSA.

O medo que muitos homens sentem quanto ao exame físico do câncer de próstata tem sido o principal motivo de campanhas governamentais sobre o assunto. Um exame que dura no máximo 15 segundos é indolor e pode salvar sua vida!

Então, fique ligado nos 4 sinais de que você pode ter câncer de próstata e não tenha medo de marcar um médico!

1. Ir muitas vezes ao banheiro, mas não conseguir urinar direito
Ir ao banheiro muitas vezes no mesmo dia mas não conseguir urinar direito é um sinal de alerta. Se você sente vontade de fazer xixi mas sente dor – mesmo que moderada – ou dificuldade para urinar, é melhor visitar um médico. O câncer pressiona a uretra e, por isso, você fica com a impressão de que precisa fazer mais xixi.

O que fazer para evitar? Para reduzir as chances de desenvolver câncer de próstata, você pode comer 10 porções de casca do tomate por semana. Segundo o professor e especialista Roger Kirby, a substância licopeno presente na casca reduz os riscos de ter a doença em até 20%.

2. Dor nas costas e no quadril
Nem sempre a dor nas costas é um sinal de problema muscular ou envelhecimento: “Se as células da próstata chegarem até os ossos das suas costas e quadril, você vai sentir muita dor”, garante Kirby. Então, se você não bateu a coluna ou agiu de qualquer maneira que pudesse te causar dor muscular, é melhor consultar um urologista.

O que fazer para evitar? Quando os homens ficam mais velhos, é comum consumir pílulas de cálcio para repor o mineral no organismo. Porém, exagerar na dose pode fazer mais mal do que bem. Kirby alerta: “O recomendado é ingerir 1500mg, ir além pode aumentar o risco de câncer em até 300%”.

3. Pernas Inchadas
Se você não engordou nos últimos dias e também não anda fazendo tantos afundos na academia, o problema pode ser sério. Se o câncer se espalha para os seus nódulos linfáticos, pode gerar um bloqueio nesse sistema – uma condição conhecida como Linfedema.

O que fazer para evitar? Coma alimentos com Omega-3. Essa gordura, presente nos peixes, já provou ser eficaz para prevenir o surgimento de células cancerígenas. Comer três porções por semana proporciona uma ação anti-inflamatória no seu corpo e é excelente para evitar este e outros problemas.

4. Formigamento, pontadas e queimação
Não ignore qualquer sensação estranha. Kirby alerta: “Muitos homens acreditam que sintomas como pontadas na próstata são passageiros mas, muitas vezes, essas pontadas podem ser dor neuropática. Ela acontece quando o câncer ataca os nervos dos ossos e os mata”.

O que fazer para evitar? O estresse é muito mais sério do que você pensa. Segundo Kirby, ficar estressado pode mexer com seu sistema imunológico e abrir passagem para o desenvolvimento de células cancerígenas. Então, tente encarar as situações mais chatas da vida de uma maneira mais tranquila, afinal, é melhor levá-la de forma mais leve do que precisar encarar um tratamento contra o câncer.
Além desses 4 sinais, apresentar sangue na urina e ejaculação precoce também são motivos de preocupação.

Compartilhe essas informações! Você poderá salvar vidas!

 

 

Câncer de Bexiga: Quando suspeitar da doença?

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Câncer de Bexiga: Quando suspeitar da doença? (Conduta médica em Urologia)

Quadro inicial: O sintoma mais comum é hematuria, que normalmente é intermitente, indolor e presente em toda micção. Hematuria indolor (macro ou microscópica), embora os sintomas irritativos miccionais (frequência, urgência, disuria) possam ser a manifestação inicial. Em alguns pacientes, as metástases darão os sintomas iniciais.

Hematuria macroscópica: O padrão de hematuria pode sugerir seu sítio de origem:
• Hematuria ocorrendo principalmente no início de micção sugere causa uretral;
• Hematuria terminal com sangue que aparece ao final do esvaziamento, em geral, tem origem a partir do colo da bexiga ou uretra prostática;
• Hematuria ocorrendo em toda a micção pode ter origem em qualquer parte do trato urinário, incluindo bexiga, ureteres e rins.

Dor: A dor associada com câncer de bexiga é geralmente o resultado de tumores localmente avançados ou metastáticos:
• Dor lombar pode resultar de uma obstrução do ureter pelo tumor em qualquer nível (bexiga, ureter retroperitoneal ou pelve renal).
• Apesar da obstrução ser geralmente associada com doença musculoinvasiva, grandes tumores não invasivos no orifício ureteral podem também causar sintomas.
• A dor é semelhante aquela experimentada com a passagem de cálculos urinários e pode ou não ser associada com hematuria.
• Dor suprapúbica é geralmente um sinal de tumor localmente avançado, que invade a região perivesical, tecidos e nervos, ou obstrui a saída da bexiga, causando retenção urinária.
• Dor hipogástrica, retal e perineal podem ser sinais de doença invadindo a fossa do obturador, gordura perirretal, nervos pré-sacrais ou o diafragma urogenital.
• Dor abdominal no quadrante superior direito pode sinalizar acometimento de nódulos linfáticos abdominais ou metástases hepáticas.
• Dor óssea pode indicar a presença de metástases ósseas.
• Dor de cabeça significativa e persistente ou função cognitiva desordenada pode sugerir a presença de metástases intracranianas ou meníngeas.

Sintomas miccionais: Sintomas de esvaziamento são mais comuns em pacientes com carcinoma in situ (CIS) da bexiga e pode resultar de uma diminuição na capacidade funcional da bexiga, hiperatividade do detrusor, invasão do trígono vesical ou obstrução do colo da bexiga ou uretra:
• Sintomas miccionais irritativos (poliuria, urgência, disuria ou incontinência) ocorrem em aproximadamente 1/3 dos pacientes.
• Disuria, frequência e urgência em particular é altamente sugestivo de carcinoma in situ de bexiga.

Sintomas constitucionais: Fadiga, perda de peso, anorexia são geralmente sinais de doença avançada ou metastática e denotam um mau prognóstico.
• Em casos raros, os pacientes podem ter sintomas constitucionais devido à insuficiência renal causada pela obstrução ureteral bilateral.

Exame físico: Deve ser realizado em pacientes com câncer de bexiga, incluindo um exame de toque retal em homens e um exame bimanual da vagina e do reto em mulheres.
• Massa pélvica pode ser palpada em casos avançados.
• Endurecimento da próstata às vezes pode ser sentido no exame de toque retal, se o câncer de bexiga envolve o colo da bexiga e a próstata.
• Adenopatia inguinal pode estar presente, embora a região inguinal não seja um local comum de metástases.
• Nodularidade na região periumbilical pode ser vista nas lesões avançadas envolvendo a cúpula da bexiga, frequentemente no câncer de úraco, que normalmente são adenocarcinomas e não tumores uroteliais.

#Este conteúdo foi desenvolvido por médicos, com objetivo de orientar médicos, estudantes de medicina e profissionais de saúde em seu dia-a-dia profissional. Ele não deve ser utilizado por pessoas que não estejam nestes grupos citados, bem como suas condutas servem como orientações para tomadas de decisão por escolha médica.

Viagra é seguro após infarto do miocárdio?

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capsula com pilulas de viagra

Viagra é seguro após infarto do miocárdio?

A disfunção erétil ou impotência sexual masculina é a incapacidade recorrente e persistente em ter e/ou manter uma ereção peniana para uma relação sexual satisfatória. É considerada comum, e atinge cerca de 20-40% dos homens entre 60 e 70 anos de idade. Evidências demonstram uma associação entre a disfunção erétil e o aumento do risco de doença cardiovascular em homens saudáveis.

A associação entre o tratamento para disfunção erétil e morte ou desfechos cardiovasculares após um primeiro infarto do miocárdio é desconhecida.

Neste contexto, um estudo observacional foi realizado na Suécia entre janeiro de 2007 e dezembro de 2013 e incluiu todos os homens de 18 a 80 anos de idade com primeiro infarto do miocárdio. Os pacientes foram identificados a partir do Swedish Patient Register.

No total, 43.145 homens foram incluídos, dos quais 3.068 tiveram pelo menos um medicamento dispensado de disfunção erétil durante uma média de 3,3 anos de acompanhamento.

Foram registrados 4.853 óbitos durante o acompanhamento, 112 (3,7%) em homens com tratamento para disfunção erétil e 4.741 (12%) em homens sem tratamento. Os homens com tratamento para disfunção erétil apresentaram um risco de morte 33% menor (hazard ratio [HR] ajustado: 0,67; intervalo de confiança de 95% [IC 95%]: 0,55 a 0,81) e risco de hospitalização por insuficiência cardíaca 40% menor (HR: 0,60; IC 95%: 0,44 a 0,82) quando comparados com homens sem tratamento.

Entre os 3.068 pacientes que estavam usando medicamento para disfunção erétil, 2.814 (92%) fizeram uso de inibidores da fosfodiesterase-5 (iPDE5) e 254 (8,3%) de alprostadil. Não houve associação entre o tratamento com alprostadil e a mortalidade. O risco ajustado de morte em homens com 1, 2-5, e >5 prescrições dispensadas de (iPDE5) foi reduzido em 34% (HR: 0,66; IC 95%: 0,38 a 1,15), 53% (HR: 0,47; IC 95% 0,26 a 0,87) e 81% (HR 0,19; IC 95%: 0,08 a 0,45), respectivamente, quando comparado com o tratamento com alprostadil.

O estudo concluiu que o tratamento para disfunção erétil após primeiro infarto do miocárdio foi associado com risco reduzido de morte e de hospitalização por insuficiência cardíaca. Apenas os homens tratados com iPDE5 apresentaram risco reduzido, o que pareceu ser dependente da dose.

Referências:

  • Andersson DP, Trolle Lagerros Y, Grotta A, Bellocco R, Lehtihet M, Holzmann MJ. Association between treatment for erectile dysfunction and death or cardiovascular outcomes after myocardial infarction. Heart [Internet]. 2017;heartjnl – 2016–310746. Available from: http://heart.bmj.com/lookup/doi/10.1136/heartjnl-2016-310746

Reposição de testosterona: quais são os benefícios?

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médico orientando paciente

Reposição de testosterona: quais são os benefícios?

A reposição de testosterona é cada vez mais usada na prática clínica. No entanto, as evidências sobre os benefícios e riscos dessa terapia são conflitantes. O New England Journal Of Medicine (NEJM) fez uma análise dos últimos estudos para pontuar o que se sabe até agora.

Nos Testosterone Trials, publicados no Journal of the American Medical Association, homens com 65 anos ou mais com níveis de testosterona abaixo de 275 ng/dL + disfunção sexual ou física ou vitalidade reduzida foram randomizados para usar testosterona em gel (1%) ou placebo durante 1 ano. Diversos desfechos foram analisados:

Risco cardiovascular

A placa aterosclerótica foi avaliada por angiografia computadorizada em 170 participantes. Desde o baseline até 12 meses, o tratamento com testosterona foi associado a um aumento maior no volume de placas ateroscleróticas não calcificadas em relação ao placebo.

Separado dos Testosterone Trials, pesquisadores estudaram retrospectivamente mais de 44 mil homens com deficiência androgênica. Ao longo de 3 anos, a taxa de eventos cardiovasculares foi menor nos homens que receberam testosterona do que em homens não tratados (17 versus 24 por 1.000 pessoa/ano).

Memória

Entre cerca de 500 participantes com deficiência de memória associada à idade no início do estudo, a terapia com testosterona não conferiu melhorias na memória ou outras medidas cognitivas em comparação com o placebo.

Massa óssea

A densidade mineral óssea e a força foram avaliadas em cerca de 200 participantes. A terapia com testosterona foi associada com aumentos na densidade volumétrica na coluna e quadril, e na força óssea, em comparação com o placebo.

Produção de hemáceas

Entre cerca de 130 participantes com anemia, os níveis de hemoglobina aumentaram (pelo menos 1 g/dL) mais frequentemente com testosterona do que com placebo.

Referências:

É sério: homens com câncer de próstata fazem ioga!

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Nick Mulcahy

Inicialmente, um estudo inovador sobre ioga como intervenção para alívio de efeitos colaterais do tratamento do câncer de próstata enfrentou ceticismo, contou a autora sênior Dra. Neha Vapiwala, radioterapeuta na University of Pennsylvania,na Filadélfia.

A viabilidade era desconhecida e fez os pesquisadores se perguntarem: “Os homens irão se inscrever?”, disse ela ao Medscape.

A ioga vem sendo estudada como uma ferramenta para redução dos efeitos colaterais do tratamento em pacientes com câncer de mama, mas nunca para câncer de próstata. Segundo a Dra. Neha, ainda permanecem “mitos” de que os homens não praticam ioga, e de que “homens com câncer de próstata não estão interessados nesse tipo de coisa”.

Ela também ouviu outras críticas já que, em geral, homens com câncer de próstata são tipicamente mais velhos: “Todos diziam que não fariam isso”.

Pior ainda, mesmo ela e seus colaboradores estavam de certa forma céticos, com medo da rejeição: de que procurariam homens para recrutar que receberiam risadas como resposta.

Em vez disso, ela teve uma resposta “impressionante”, embora muitos dos homens que se interessaram não puderam participar por conta de conflitos de agenda, disse ela ao Medscape. “Eles não eram homens que você imaginaria que teriam interesse. Não eram fisicamente ativos. Nós recrutamos todos”.

A intuição masculina pode ter entrado em ação.

O resultado foi que, no novo ensaio clínico randomizado, a ioga aliviou os efeitos colaterais da radioterapia e da terapia hormonal. Assim, homens que praticaram essa antiga modalidade relataram menos fadiga e uma melhor função sexual e urinária em comparação com os homens que não fizeram ioga.

Os resultados foram publicados em 6 de abril no International Journal of Radiation Oncology • Biology • Physics.

No estudo de fase 2, os pacientes no grupo da ioga (n = 22) frequentaram duas aulas de 75 minutos por semana por seis a nove semanas (dependendo da duração da radioterapia) no Penn’s Abramson Cancer Center, antes ou depois da sessão de tratamento, entre outubro de 2014 e janeiro de 2016. O grupo controle (n = 28) manteve as atividades físicas basais. (O estudo iniciou com 68 homens, mas 18 abandonaram – novamente, principalmente por questões de agenda).

A mediana de idade dos homens no estudo era de 67,3 anos. A maioria era de brancos, casados, com renda anual superior a 80.000 dólares, e que viviam a uma hora de distância do hospital. Um dado importante: nenhum dos participantes do estudo havia praticado ioga antes.

Para o desfecho primário de fadiga (medida pelo Brief Fatigue Inventory), o grupo da ioga relatou menos fadiga do que os pacientes no grupo controle, sendo que a fadiga global, o impacto da fadiga, e a gravidade das subescalas da fadiga mostraram interações significativas (P < 0,0001).

De forma geral, homens no grupo controle tiveram uma piora nas pontuações de fadiga. “Os controles evoluíram exatamente como esperávamos”, disse a Dra. Neha sobre os resultados.

O oposto foi verdade para os praticantes de ioga. “Os homens no braço da ioga não apenas não pioraram, como melhoraram”, disse a Dra. Neha.

Isso foi inesperado, disse ela. “Tínhamos a hipótese de que a ioga ajudaria os homens a manterem a energia. Não esperávamos que os homens no braço da ioga apresentariam melhora em relação ao basal”.

Em um desfecho secundário, pontuações de saúde sexual (Sexual Health Inventory for Men), que incluem a função erétil, mostraram uma interação significativa (P = 0,0333). “O grupo da ioga não mudou ao longo do tempo”, disse a Dra. Neha.

“Nós não estamos dizendo que transformamos os homens do grupo da ioga em uma nova geração de homens, mas o grupo controle relatou piora da disfunção erétil ao longo do mesmo período de tempo”, observou ela.

   Nós não estamos dizendo que os transformamos em uma nova geração de homensDra. Neha Vapiwala

Os homens no grupo da ioga relataram pontuações de disfunção erétil “moderadamente favoráveis” ao longo do período do estudo, disseram os autores.

No entanto, as diferenças entre os grupos de tratamento foram significativas apenas com quatro semanas (P = 0,047) e não nas avaliações finais, com seis a nove semanas (P = 0,314).

Ainda assim, os resultados da saúde sexual são impressionantes porque um percentual mais elevado de homens no grupo da ioga recebeu tratamento de privação de androgênios do que os controles (60% versus 53%, respectivamente). “A terapia hormonal acaba totalmente com a libido”, disse a Dra. Neha.

Os resultados do estudo também mostraram que homens que praticaram ioga tiveram pontuações superiores para qualidade de vida e sintomas urinários, quando comparados com os controles.

O novo estudo é notável em diferentes formas, disse Alyson Moadel-Robblee, epidemiologista no Albert Einstein College of Medicine, em Nova York, que não esteve envolvida no estudo.

Primeiro, ele demonstrou “um interesse e participação relativamente altos na ioga entre os homens, o que geralmente não é observado em outros estudos com terapias para o corpo e a mente, e o câncer”, disse ela por e-mail ao Medscape.

Segundo, ele é um exemplo de “oncologia integrativa” na qual uma terapia complementar é associada ao regime de tratamento para o câncer, disse Alyson, que foi a autora principal de um estudo randomizado sobre ioga como intervenção para mulheres com câncer de mama, incluindo aquelas no meio do tratamento.

Em terceiro, o trabalho mostrou que a ioga pode melhorar a fadiga e reduzir a disfunção sexual, dois efeitos colaterais “comuns e incômodos” do tratamento para o câncer de próstata.

No entanto, os resultados do estudo podem ser devidos, ao menos em parte, a outros efeitos além da ioga, como socialização e atenção, comentou Alyson, ecoando algumas das limitações colocadas pelos próprios autores.

Tanto os autores quanto Alyson disseram ser incerto o quão exatamente a intervenção pode ter funcionado. Além disso, ambos esperam que uma extensão do estudo determine se os efeitos são duradouros, e observe se algum subconjunto de pacientes vai continuar com a atividade e receber mais benefícios. A Dra. Neha disse que eles também gostariam de realizar outro estudo randomizado que compare a ioga com exercícios em geral.

Como um grupo de idosos pratica ioga?

O tipo de ioga usado no estudo se chama Eischens, que é um ramo da ioga Iyengar mais conhecida. A Eischens foca mais na energia – e fazê-la se mover pelo corpo – do que na complexidade do posicionamento do corpo. Assim como na ioga Iyengar, esse tipo de ioga usa itens como cadeiras e cintos para realizar as posturas de ioga. Essas modificações permitem que indivíduos mais idosos e menos flexíveis, e pessoas com diferentes tipos de corpo, efetivamente participem da atividade.

No entanto, a verdade é que homens idosos raramente são alunos de ioga. Como colocaram os autores em outro artigo, homens com mais de 44 anos correspondem a menos de 7% da população praticante de ioga nos Estados Unidos.

Mas os participantes do estudo são a exceção. Eles precisavam participar de no mínimo 80% das aulas para contarem como participantes do estudo. Nas aulas, eles realizavam uma variedade de posições, incluindo sentadas (em uma cadeira dobrável), de pé e reclinadas.

Outros homens no centro que gostariam de se juntar ao estudo, mas não puderam, passavam nas aulas a caminho do tratamento e perguntavam para a Dra. Neha: “Como está indo o estudo?” Eles “lamentavam” não estar participando, contou ela.

“Ninguém deveria dizer aos pacientes com câncer de próstata o que eles podem ou não fazer”, disse a Dra. Neha.

“Nós não deveríamos criar estereótipos sobre homens, especialmente homens mais velhos, e ioga”, enfatizou.

Esse estudo foi parcialmente financiado pelo American Cancer Society Institutional Grant e pelo Prostate Cancer Foundation Young Investigator Award. A Dra. Neha e Alyson declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Int J Radiat Oncol Biol Physics. Publicado on-line em 6 de abril de 2017. Resumo

O uso do PSA para detecção precoce do câncer de próstata

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O uso do PSA para detecção precoce do câncer de próstata

O uso do PSA para detecção precoce do câncer de próstata

O câncer de próstata (CaP) é a neoplasia mais comum no homem quando se exclui os tumores de pele. Entre os homens vivos hoje, 1 a cada 7 serão diagnosticados com a doença e 1 a cada 38 (2,6%) morrerão devido ao câncer de próstata.

O uso do PSA como um dos principais marcadores para rastreio e diagnóstico precoce da doença fez com que a mortalidade do CaP diminuísse substancialmente, com as taxas de sobrevida em 5 anos ultrapassando os 80%.

Com o aumento da expectativa de vida do homem, o CaP tem importante lugar nas políticas de saúde, uma vez que a incidência da doença aumenta proporcionalmente com a idade do paciente. Nesse sentido, discussões importantes têm tentado responder o melhor momento para se tentar diagnosticar o câncer de próstata.

Muitas controvérsias foram observadas nos estudos de rastreio para o CaP. O rastreio significa um exame sistemático de todos os homens assintomáticos para diagnostico da neoplasia. Alterações nesses exames levariam a realização da biópsia prostática para selar o diagnóstico.

O rastreio está associado a uma maior taxa de diagnóstico do CaP, assim como uma maior taxa de CaP mais localizado e menos avançado. No entanto, os mesmos estudos mostraram que não houve benefício na sobrevida câncer de próstata específica.

Sendo assim faz-se necessária uma abordagem individualizada para cada paciente adaptada ao risco do mesmo desenvolver a doença.

Entendemos por pacientes de alto risco aqueles com história familiar positiva (parentes de primeiro grau com o diagnóstico de CaP) e ou de raça negra.

De acordo com Associação Urológica Americana (AUA) temos as seguintes orientações:

  1. Não se recomenda o rastreio com PSA quando a idade for inferior aos 40 anos;
  2. Em pacientes com idade entre 40 e 54 anos, apenas os de alto risco para o desenvolvimento da doença devem ser testados com PSA;
  3. Em pacientes com idade entre 55 e 69, recomenda-se fortemente uma decisão compartilhada com o paciente para solicitação do PSA. Nessa faixa etária é onde encontramos o melhor benefício para o rastreio;
  4. Inicialmente o rastreio deve ser feito a cada dois anos e não anualmente como de rotina. Acredita-se que o maior intervalo preserve os benefícios do rastreio anual e ainda diminui o número de falsos positivos;
  5. Não se deve oferecer o rastreio para homens com mais de 70 anos ou qualquer outro homem com expectativa de vida abaixo de 10 a 15 anos. No entanto, para os pacientes com mais de 70 anos em excelentes condições de saúde, pode haver benefício em rastrear a doença;
  6. Para esse último grupo o valor do PSA para ser indicado a biópsia deve ser maior que 10ng/ml e quando este PSA estiver menor que 3ng/ml o rastreio deve ser encerrado;
  7. Todos os homens que desejam ser rastreador devem ser orientados sobre os riscos e benefícios de acordo com sua faixa etária, história familiar e raça, porém, se for desejo do paciente realizar o rastreio, este deve ser oferecido de qualquer forma.

Vale lembrar que o exame físico da próstata realizado com o toque retal também deve ser oferecido ao paciente e as alterações encontradas devem ser avaliadas pelo especialista que pode, independentemente dos valores de PSA, solicitar de imediato a biópsia prostática.

Autor:

werner