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PEDIATRIA

#Pediatria: novo exame que detecta presença de #bórax na urina

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slime

 

O slime é a febre do momento entre a criançada. No entanto, essa simples brincadeira pode trazer riscos graves para os pequenos. A explicação é que determinadas marcas de slime são produzidas a partir do elemento químico Boro. O princípio ativo é uma concentração de 3% do ácido bórico e o produto antisséptico tem a venda proibida em alguns países por conta de suas características tóxicas.

De acordo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o bórax é classificado como uma substância extremamente tóxica. O órgão determina que a substância apresente concentrações de, no máximo, 0,5%. E também que nenhuma quantidade de bórax pode ser manipulada por crianças, nem constar em produtos destinados ao uso pediátrico.

Exame para detectar bórax na urina das crianças

Por esse motivo, recentes casos de intoxicação pela substância chamaram a atenção do toxicologista Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica (CEATOX) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Ele, que é responsável pelo Departamento de Toxicologia e Saúde Ambiental da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), desenvolveu um exame que detecta a presença de bórax na urina dos pequenos.

“Não existia esse exame porque não era algo corriqueiro. O slime é algo relativamente novo e os próprios médicos não tinham conhecimento sobre essa possibilidade de intoxicação”, conta Anthony Wong.

 

O nível alto de boro na urina indica uma situação de risco ou perigo. E, quando associado à presença dos sintomas clínicos como diarreia, dor de cabeça, náuseas, vômitos, fraqueza, mal-estar, são indicativos de possível intoxicação.

“Esse bórax pode provocar irritação, queimadura na pele, inclusive, aprofundando assaduras. Agora, se a criança ingerir a substância pode provocar graves lesões ao rim, inclusive, com o rim parando de funcionar. Ele também é produto tóxico, podendo causar graves danos ao fígado”, explica Anthony Wong, em matéria para o portal da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Não há antídoto para o bórax, por isso o tratamento é paliativo e centralizado no alívio nos sintomas da contaminação.

Segundo o especialista, o exame é simples e realizado com uma pequena amostra de urina. O preço é acessível, cerca de R$ 70. O resultado fica pronto em até três dias.

Alerta mundial

Alguns órgãos de saúde pelo mundo já alertaram para os riscos que a exposição contínua ao bórax pode trazer para as crianças.

Em 2016, a agência de saúde do Canadá emitiu um parecer recomendando que os pais evitem o bórax na confecção de slimes caseiros. Um estudo conduzido pelo órgão canadense mostrou que a exposição excessiva a grandes concentrações de ácido bórico teria potencial para causar problemas na saúde reprodutiva e no desenvolvimento de crianças e fetos.

 

Os canadenses já estão expostos ao bórax naturalmente por meio de suas dietas e água. Por isso, a Health Canada recomenda que a exposição por meio de outras fontes seja reduzida o máximo possível. Esse alerta é feito especialmente para crianças e gestantes. A preocupação não é com qualquer produto, mas com múltiplas exposições de uma variedade de fontes.

Atualmente, a Health Canada está aconselhando os canadenses a evitar o uso do bórax em projetos de artes e brinquedos, como slimes ou modelagem de argila. E desaconselha a fabricação de pesticidas caseiros com bórax.

 

Referências:

#Las #redes sociales deprimen por su hipocresía

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Reflejan un mundo idílico con el que los usuarios más vulnerables comparan su normalidad vital

La autoestima sufre por los contrastes entre la vida real y la vida digital.

Al igual que ese mundo esbelto, sonriente, de playas limpias y ofertas tentadoras que presenta la publicidad, las redes sociales también escamotean alegremente los lados oscuros de la vida. Aunque acogen todo el espectro vital, abundan las vacaciones fantásticas, las fiestas maravillosas, los niños adorables y las comidas sabrosísimas. La mayoría de usuarios muestran sus éxitos y sus diversiones, y maquillan sus lunares, derrotas y defectos. Lejos de animarles, estos reflejos positivos pueden generar síntomas depresivos en adolescentes que comparan sus vidas con lo que ven compulsivamente en Instagram, en Facebook o en la televisión.

Es una de las conclusiones de un estudio realizado por un equipo del CHU Sainte-Justine y de la Universidad de Montréal, dirigido por la psiquiatra Patricia Conrod y que se acaba de publicar en JAMA Pediatrics. Analizaron a casi 4.000 adolescentes canadienses de 12 a 16 años que formaban parte del ensayo Co-Venture. Tenían que informar del tiempo que pasaban frente a las diversas pantallas -redes sociales, televisión, videojuegos y ordenador- y responder a cuestionarios sobre posibles síntomas depresivos. Durante cuatro años se evaluaron estos datos con otras observaciones conductuales. “Nuestra investigación revela que el aumento del tiempo empleado en algunas formas de medios digitales predice los síntomas depresivos”, afirma Conrod. “La identificación temprana de la vulnerabilidad a la depresión da a los médicos y padres margen para intervenir, regular los abusos digitales y establecer medidas correctoras“. La relación era más evidente con las redes sociales y la televisión, y menos acusada con los videojuegos y los ordenadores. Según los autores, al reducir su participación en relaciones directas o actividades físicas, las comparaciones sociales indirectas a través de las redes se asocian con menor autoestima y más síntomas depresivos, originando una espiral de refuerzo en personas más vulnerables y que más tiempo dedican a estas redes.

Los resultados son consistentes con hipótesis previas sobre cómo se desarrolla la depresión. “Las redes sociales y la televisión exponen con frecuencia a los adolescentes a imágenes de otros que operan en situaciones más prósperas, tienen cuerpos más perfectos y un estilo de vida más emocionante o rico. A partir de la teoría de las espirales reforzadas, las personas buscan y seleccionan información congruente con su estado de ánimo. Y las redes crean y mantienen bucles de retroalimentación al sugerir contenidos similares a los usuarios en función de sus comportamientos de búsqueda”.

La falacia digital

Este análisis coincide con otro publicado en julio en Behavior & Information Technology por el equipo de Phillip Ozimek, de la Universidad Ruhr de Bochum, en Alemania: los que visitan las redes con frecuencia pueden ver afectada su autoestima y desarrollar síntomas depresivos al pensar que todos son mejores que ellos. Mediante un estudio experimental y dos cuestionarios, dos grupos de voluntarios escribieron sus impresiones sobre las primeras cinco personas que vieron en su muro de Facebook o en el sitio web del personal de la Facultad de Teología de la universidad. Un tercer grupo quedó al margen. Luego, los tres grupos –alrededor de 800 personas- completaron un cuestionario con información sobre su autoestima. “Enfrentarse a la información social en internet, selectiva y favorable, ya sea en Facebook o en los sitios web de los empleados, conduce a una menor autoestima“, informa Ozimek. Y como la baja autoestima está estrechamente relacionada con los síntomas depresivos, incluso este efecto a corto plazo puede ser una fuente potencial de peligro.

Es decir, existe una correlación positiva entre el uso pasivo de Facebook, en particular, y los síntomas depresivos cuando se comparan las habilidades, las vacaciones, los negocios o las compras, “mientras que todo lo que veo fuera de la ventana de mi oficina es gris y está nublado”, resume Ozimek. “Y si experimento esto día tras día, una y otra vez, se promueven las tendencias depresivas a largo plazo”. De todos modos, matiza que “no es el uso de las redes sociales lo que lleva o está relacionado con la depresión, sino que ciertas condiciones previas y un tipo particular de uso aumentan el riesgo de tendencias depresivas. Es importante por eso aclarar que la impresión de que todos los demás están mejor que uno mismo es una falacia absoluta. De hecho, muy pocas personas publican en las redes sociales experiencias negativas. Sin embargo, el hecho de que estemos inundados de estas experiencias positivas en internet nos crea una impresión distorsionada”.

#Saiba mais sobre a #Síndrome de Dravet

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médica atendendo criança no hospital

 

síndrome de Dravet ou epilepsia mioclônica grave da infância (SMEI – Severe Myoclonic Epilepsy of Infancy) é uma encefalopatia progressiva associada à convulsões de difícil controle e, muitas vezes, a profunda deficiência intelectual, representando um dos maiores riscos de morte súbita e inesperada em pacientes com epilepsia.

Foi descrita pela primeira vez pela epileptologista francesa Charlotte Dravet em 1978. Dravet detalhou um grupo de crianças com crises mioclônicas, atraso cognitivo e um distúrbio de movimento progressivo associado à convulsões febris e que foram erroneamente diagnosticadas como síndrome de Lennox-Gastaut. Estas manifestações clínicas haviam surgido antes dessas crianças terem completado 12 meses de idade.

Epidemiologia

A síndrome de Dravet é uma epilepsia característica da primeira infância. Sua incidência relatada na literatura mundial varia de 1/15.700 a 1/60.0003,4, integrando o grupo de doenças raras (1/2000). Em Portugal, de acordo com a  Associação Síndrome de Dravet, estima-se que haja menos de 100 pacientes diagnosticados corretamente. Entretanto, dados estatísticos têm mostrado que o número total de pacientes possa ser próximo a 500 no país.

Etiologia

A relação entre a síndrome de Dravet e variantes patogênicas do gene que codifica a subunidade α1 de canais de sódio neuronais dependentes de voltagem (SCN1A) foi identificada em 2001. Este gene codifica a subunidade α1 dos canais de sódio controlados por voltagem Nav1.1, localizado no segmento inicial dos interneurônios GABAérgicos.

O Nav 1.1 substitui gradualmente o Nav 1.3, subunidade embrionária dos canais de sódio, durante o primeiro ano de vida. Esta linha do tempo se correlaciona com o início e progressão dos sintomas da síndrome de Dravet. Uma mutação no gene SCN1A está presente em até 85% das crianças com síndrome de Dravet. Mais de 1200 variantes únicas de perda de função foram identificadas, com a maioria sendo truncada. Ter uma variante patogênica em SCN2A ou SCN3A além do SCN1A tem sido associado com um início mais precoce e curso mais grave da doença.

Além disso, 10 a 20% dos pacientes com a síndrome não possuem variantes patogênicas no SCN1A, sugerindo que outros genes também possam estar envolvidos em sua etiologia (a literatura cita o envolvimento de outros genes, como PCDH19 e GABRG2). Além disso, mutações SCN1A podem também ser encontradas em pacientes com convulsões febris ou tipos mais complicados de epilepsia, como crises focais migratórias. Portanto, uma cuidadosa correlação clínica é necessária.

Fisiopatologia

Vários mecanismos fisiopatológicos foram relatados na síndrome de Dravet, e o mais aceito é a “hipótese do interneurônio”. Nessa hipótese, mutações no gene SCN1A resultam na inibição dos interneurônios inibitórios GABAérgicos, resultando em excitação excessiva. Este mecanismo é suportado por um modelo de experimental com camundongos.

O Nav1.1 foi, preferencialmente, expresso nos segmentos iniciais do axônio de interneurônios parvalbumina-positivos, o principal tipo afetado na síndrome de Dravet. Estudos utilizando experimentais sugerem que tanto os neurônios inibitórios GABAérgicos quanto os excitatórios glutamatérgicos presentes no prosencéfalo de pacientes com síndrome de Dravet são hiperexcitáveis ​​com o aumento da densidade da corrente de sódio. Além disso, a haploinsuficiência do SCN1A pode resultar em um aumento compensatório da via de expressão de outros canais de sódio6.

Quadro clínico

A síndrome de Dravet tem início típico entre 1 e 18 meses de idade. A apresentação clínica inicial em uma criança pequena é bastante característica:

  • Convulsões generalizadas tônico-clônicas ou hemiconvulsões recorrentes: são obrigatórias para o diagnóstico. Estas são muitas vezes prolongadas, mas podem ser de curta duração;
  • As convulsões mioclônicas são tipicamente vistas aos 2 anos de idade;
  •  O estado de obtundação, as convulsões focais discognitivas e as ausências atípicas são também típicas, mas geralmente ocorrem após os 2 anos de idade; ausências típicas e espasmos epilépticos são atípicos;
  • A hipertermia desencadeia convulsões na maioria dos pacientes; outros gatilhos podem incluir luzes piscando, banho, alimentação e esforço excessivo;
  • Desenvolvimento e exame neurológico normais no início;
  • Ressonância magnética (RNM) de crânio normal e achados de eletroencefalograma (EEG) não específicos no início.

Em crianças mais velhas ou adultos não diagnosticados previamente e nos quais a história da primeira infância não é disponibilizada, o diagnóstico pode ser mais desafiador. Nestes pacientes, a síndrome de Dravet pode apresentar as seguintes características:

  • Convulsões persistentes (focais e/ou generalizadas);
  • Estado recorrente epiléptico e estado de obnubilação menos frequentes com o tempo, podendo não ser observados na adolescência e na idade adulta jovem;
  • A hipertermia não é mais um gatilho para crises convulsivas na adolescência e na idade adulta;
  • Exacerbação da convulsão com o uso de fármacos que atuem nos canais de sódio;
  • Deficiência intelectual (tipicamente evidente na idade entre 18-60 meses);
  • Anormalidades no exame neurológico: tipicamente evidentes aos 3-4 anos de idade e incluem marcha do tipo Crouch (agachada), hipotonia e incoordenação, por perda de volume global de substâncias cinzenta e branca e atrofia ou esclerose de hipocampo;
  • A RNM de crânio é tipicamente normal, mas pode mostrar uma leve atrofia generalizada e/ou esclerose de hipocampo;
  • O EEG mostra desaceleração difusa das atividades de fundo, muitas vezes, com descargas interictais multifocais e/ou generalizadas. Resposta fotoparoxística pode ser vista.

Entre os pacientes com síndrome de Dravet, 10 a 15% morrem durante a infância, a maioria como resultado de estado de mal epiléptico prolongado ou morte súbita. A ansiedade sobre o risco de morte é bastante elevada em pais e cuidadores.

Diagnóstico

O diagnóstico precoce é fundamental para proporcionar um tratamento ideal, porque o tratamento da síndrome de Dravet difere do tratamento de convulsões febris e outras formas de epilepsia. No entanto, pelo fato de que muitos pediatras podem não estar familiarizados com esta encefalopatia epiléptica genética precoce, o reconhecimento e o diagnóstico da síndrome de Dravet geralmente permanecem um grande desafio.

Uma elevada suspeição clínica é necessária para seu diagnóstico, pois a RNM de crânio é tipicamente normal e os achados do EEG não são específicos. A apresentação clínica inicial da síndrome de Dravet é única, com crises convulsivas, recorrentes, muitas vezes prolongadas e desencadeadas por febre, banho ou outros estímulos, em uma criança normal em desenvolvimento. Se uma criança evolui com crises convulsivas febris recidivantes durante o primeiro ano de vida e apresenta um EEG com ponta-onda provocadas por fotoestimulação, o diagnóstico de síndrome de Dravet pode ser ponderado.

O teste SCN1A deve ser realizado em casos de suspeita de síndrome de Dravet e de algumas outras encefalopatias epilépticas infantis de início precoce. O diagnóstico clínico confirmado por exame genético pode permitir a otimização da terapia com medicamentos antiepilépticos com melhor controle das crises. Além disso, pode evitar investigações desnecessárias e informar o aconselhamento genético.

Tratamento

Um resumo do tratamento da síndrome de Dravet encontra-se no Quadro 1.

Notas: O estiripentol foi recentemente aprovado pelo Food and Drug Administration para tratamento da síndrome de Dravet em crianças com 2 anos de idade ou mais que estejam em uso de ácido valproico e clobazam (WIRREL et al., 2017; BUCK; GOODKIN, 2019). Não apresenta, até o momento, registro no website da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Etossuximida, fenobarbital e estimulador de nervo vago apresentam recomendação moderada. Os demais medicamentos e as dietas apresentam recomendação forte (North American Consensus Panel – WIRREL et al., 2017).
Fonte: Adaptado de WIRREL et al., 2017.

Autora: 

Roberta Esteves Vieira de Castro
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Vitória (Americas Medical City) no Rio de Janeiro. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) no Rio de Janeiro. Acompanhou as Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica e Cardiaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro da American Delirium Society (ADS).

Referências:

  • BRINKLAUS, A. Dravet syndrome – Time to consider the burden beyond the disease. European Journal of Paediatric Neurology, v.23, n.3, p.344, 2019.
  • DRAVET PORTUGAL. Síndrome de Dravet, 2019. Disponível em: http://dravet.pt/sindrome-dravet/. Acesso em 30 de jul. 2019
  • BUCK, M. L.; GOODKIN, H. P. Stiripentol: A Novel Antiseizure Medication for the Management of Dravet Syndrome. Annals of Pharmacotherapy, 2019.
    1. WIRREL, E. C. et al. Optimizing the Diagnosis and Management of Dravet Syndrome:
  • Recommendations From a North American Consensus Panel. Pediatric Neurology, v.68, p.18-34, 2017.
  • CONNOLLY, M. B. Dravet Syndrome: Diagnosis and Long-Term Course. The Canadian Journal of Neurological Sciences, v.43, Suppl.3:S3-8, 2016.
  • LOW, A. M. S. Epilepsia na Infância. In: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Tratado de Pediatria, v.2. Barueri: Manole, 2017. Capítulo 2, p.1319-1325.
  • AGÊNCIA NACIONAL DE VIGILÂNCIA SANITÁRIA. Consultas, 2019. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br/#/medicamentos/. Acesso em 01 de ago. 2019.

#Choosing Wisely: práticas que devem ser evitadas em #reumatologia pediátrica

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Em 06 de agosto de 2019, a Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP), como parte da campanha Choosing Wisely (“Escolhendo com Sabedoria)”, publicou uma lista de cinco práticas que devem ser evitadas em reumatologia pediátrica.

As recomendações da AAP são:

  • Não prescrever opioides para o manejo da dor crônica em pacientes com doença autoimune.

Os opioides são, geralmente, prescritos em pediatria para o controle da dor associado a trauma ou a cirurgia em curto prazo. Entretanto, não são recomendados para o tratamento da dor crônica. Pesquisas têm demonstrado que a morfina e medicamentos semelhantes não são superiores ao ibuprofeno e têm significativamente mais efeitos adversos, como dependência e síndrome de abstinência. Estes efeitos adversos podem ocorrer após cinco dias de uso apenas.

A utilização de opioides na adolescência também aumenta o risco de uso em longo prazo e uso indevido na vida adulta. Além disso, os opioides não reduzem a inflamação de artrite ativa e devem ser reservados para uso em curto prazo em casos de dor grave secundária a dano articular. O controle da dor em longo prazo deve ser abordado com uma abordagem multidisciplinar combinando modalidades farmacológicas, comportamentais e baseadas em exercícios.

  • Não solicite o anticorpo antinuclear (ANA) e outros testes de autoanticorpos em uma criança, a menos que haja forte suspeita ou sinais específicos de doença autoimune.

O ANA tem uma alta sensibilidade para apenas uma doença, o lúpus eritematoso sistêmico (LES), mas tem uma especificidade muito pobre para o LES e para todas as outras doenças reumáticas. Portanto, não é útil ou indicado para triagem geral de autoimunidade. Um ANA positivo pode ocorrer secundário à ativação policlonal do sistema imune após uma infecção, ou pode ser positivo sem doença ou motivo em até 32% da população. Limitar os pacientes para os quais solicitar o ANA reduziria idas desnecessárias ao médico e despesas de laboratório, bem como a ansiedade dos pais. Painéis para investigação de lúpus e outros painéis semelhantes também não devem ser solicitados sem preocupações com doenças autoimunes específicas. Além disso, uma vez que o ANA pode sempre ser positivo e sua titulação pode ser flutuante, não é recomendado dosá-lo, a menos que haja algum novo achado clínico.

  • Não investigue doença de Lyme como causa de sintomas musculoesqueléticos sem um histórico de exposição ou achados apropriados de exames.

As manifestações musculoesqueléticas da doença de Lyme incluem crises rápidas de artralgia com Lyme disseminada precoce e/ou episódios intermitentes ou persistentes de artrite em uma ou algumas grandes articulações, com predileção pelo joelho, na doença tardia.

A investigação para doença de Lyme na ausência destas características e sem exposição adequada (viver ou viajar para uma área endêmica de Lyme) aumenta a probabilidade de resultados falsos positivos e pode levar a acompanhamento e tratamento desnecessários. Artralgias difusas, mialgias ou fibromialgia isoladas não são critérios para doença de Lyme musculoesquelética.

  • Não solicite painéis genéticos de síndrome de febre periódica antes de realizar o rastreio infeccioso e oncológico ou em um paciente sem evidência clara de febre recorrente.

A febre é uma queixa comum em pediatria. A etiologia infecciosa é a mais comum, seguida da oncológica. A história e o exame físico minuciosos, além da documentação diligente de febre e sintomas associados, podem ajudar a definir a etiologia subjacente, minimizando e direcionando a investigação adicional. A maioria das crianças com síndrome de febre periódica não tem uma mutação genética, A síndrome de febre periódica mais comum é a PFAPA (acrônimo de periodic feveraphtous stomafifispharyngifisadenitis – febre periódica, estomatite aftosa, faringite, adenite), não associada a uma mutação monogênica.

  • Não solicite o fator reumatoide (FR) isolado ou como parte de uma investigação para doenças reumatológicas, como artrite idiopática juvenil (AIJ), devido a queixas musculoesqueléticas. Não deixe que os resultados laboratoriais guiem o seu encaminhamento. 

A AIJ é um diagnóstico clínico. Estudos laboratoriais são usados ​​para prognosticar sua gravidade. Apenas 10 a 30% das crianças com AIJ apresentam FR positivo em comparação à maioria dos adultos com artrite reumatoide. A relevância de outros anticorpos, como autoanticorpos contra o peptídeo citrulinado cíclico, não foi estabelecida na população pediátrica. Além disso, o FR é inespecífico e pode ser positivo em outras doenças, infecções ou em indivíduos saudáveis. Os pacientes ainda podem ter AIJ, apesar de um FR negativo, e um teste positivo sem doença clínica causa ansiedade parental significativa e pode resultar em exames adicionais desnecessários.

Autora: 

Roberta Esteves Vieira de Castro
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Vitória (Americas Medical City) no Rio de Janeiro. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) no Rio de Janeiro. Acompanhou as Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica e Cardiaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro da American Delirium Society (ADS).

Referências:

#High-dose #vitamin D #supplementation in pregnancy reduces risk of enamel defects in offspring

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High-dose vitamin D supplementation during pregnancy reduces the risk for enamel defects by around 50 per cent in offspring at age six years, according to a new study published in the journal JAMA Pediatrics.

In this post hoc analysis of the Copenhagen Prospective Studies on Asthma in Childhood 2010 cohort (COPSAC2010), 623 pregnant women were randomised (1:1) to receive high-dose vitamin D (2400 IU/day; n= 315) and placebo tablets (n=308) from pregnancy week 24 to one week post-partum. They also received 400 IU/day of vitamin D as part of standard care.

Dental examination was completed at age six years in 496 children with data analysed in 2018.

The risk for enamel defects in the permanent dentition was lower in children whose mothers received high-dose vitamin D supplementation during pregnancy compared with standard dose (15.1% versus 27.5%; odds ratio [OR] 0.47; 95% CI 0.27-0.81). Similar association was observed for enamel defects in the deciduous dentition (8.6% versus 15.9%; OR 0.50; 95% CI 0.28-0.87). No association was observed for caries in both permanent and deciduous dentition.

The authors said the finding suggests “prenatal high-dose vitamin D supplementation as a preventive intervention to reduce the prevalence of enamel defects with a significant potential effect on dental health.”

#Sarampo: saiba mais sobre prevenção, diagnóstico e tratamento dessa doença

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sarampo

 

O sarampo é uma doença viral grave altamente contagiosa. Apesar de ser considerada uma “doença comum da infância”, não pode ser considerada banal. É grave, podendo evoluir com complicações e levar ao óbito.

Epidemiologia

O sarampo é considerado um relevante problema de saúde pública, especialmente em áreas endêmicas, como Ásia e Europa, onde é causa de constantes surtos. Entre 2000 e 2017, a incidência anual global de casos reportados de sarampo havia diminuído em 83% (de 145 para 25 casos por um milhão de habitantes).

Em relação à mortalidade, também houve redução neste período: 109.000 mortes em todo o mundo em 2017 versus545.000 em 2000. Durante este período, a vacinação contra o sarampo preveniu, cumulativamente, 21,1 milhões de óbitos globalmente. No entanto, aumentos recentes na incidência de sarampo nos Estados Unidos e em outros países industrializados começaram a ser relatados em 2018 e perduram em 2019. Nos Estados Unidos, o estado de Washington declarou, recentemente, estar vivenciando o pior surto de sarampo em mais de duas décadas. Surtos de sarampo surgiram também em outros nove estados americanos neste inverno.

Os países com o maior número de casos notificados nos últimos seis meses incluem Madagascar, Ucrânia, Índia, Filipinas, Tailândia, Cazaquistão, Nigéria, Paquistão, Venezuela e Brasil. Embora a grande maioria dos casos em todo o mundo ocorram em países com debilitados sistemas de saúde, a recusa da vacina está emergindo como o principal fator de risco para surtos de sarampo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) identificou a hesitação da vacina como uma das 10 principais ameaças à saúde em 20193.

No Brasil, surtos de sarampo ocorreram em 2013 no Estado de Pernambuco e em 2014 no Ceará. No entanto, como resultado das ações de vigilância, laboratório e imunizações, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) concedeu ao Brasil, em 2016, o certificado de eliminação da circulação do vírus do sarampo, declarando a região das Américas livre da doença.

Desde então, nenhum caso de sarampo havia sido registrado até janeiro de 2018, quando incidentes provenientes da Venezuela levaram a surtos no Amazonas e em Roraima, regiões onde a cobertura vacinal estava aquém dos 95% recomendados. O Pará também registrou aumento do número de casos em janeiro. Em São Paulo, a doença tem se espalhado de forma rápida: de acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o número de casos subiu para 633 em somente 11 dias. Dessa forma, o Brasil perdeu o certificado de país livre do sarampo.

Etiologia

O vírus do sarampo é um vírus RNA de cadeia simples do gênero Morbillivirus da família Paramyxoviridae. É um patógeno transportado pelo ar, sendo transmitido por inalação de gotículas respiratórias que dispersam em minutos e aerossóis menores que podem permanecer suspensos por várias horas.

O vírus também pode ser transmitido através do contato direto com secreções. Mas não sobrevive por muito tempo em fômites (por exemplo, pele, cabelo, roupas e roupas de cama), uma vez que é inativado pelo calor e radiação ultravioleta dentro de algumas horas.

Manifestações clínicas

O sarampo começa com um período prodrômico que se assemelha a qualquer infecção do trato respiratório superior. Este período tem duração de dois a quatro dias e é caracterizado pela presença de febre e, pelo menos, um dos três “C”: coughcoryzaconjunctivitis – tosse (produtiva), coriza e conjuntivite. Na conjuntivite, há fotofobia e lacrimejamento – ocasionalmente pode ser observada uma linha marginal transversal (linha de Stimson) na conjuntiva palpebral inferior. No final deste período, podem ser visualizadas as manchas de Koplik, pequenas placas brancas na mucosa bucal, presentes em até 70% dos casos e consideradas patognomônicas do sarampo. No quarto dia, aparece o exantema cutâneo que, em três dias, atinge todo o corpo e ocorre concomitantemente à piora da prostração.

No período toxêmico, superinfecção viral ou bacteriana é facilitada pelo comprometimento da resistência do hospedeiro à doença. As complicações associadas à infecção por sarampo em países industrializados incluem otite média (mais comum: 7 a 9% dos pacientes), pneumonia (1 a 6%), diarreia (8%), encefalite pós-infecciosa (aproximadamente 1 por 1000) e óbito (aproximadamente 1 por 1000). Febre por mais de três dias após o aparecimento do exantema pode indicar o aparecimento de complicações, que podem ocorrer mesmo após o 20º dia de doença.

Pode ocorrer panencefalite esclerosante subaguda (PESS), doença neurodegenerativa rara e fatal, que se desenvolve entre cinco a dez anos após a infecção. Caracteriza-se por deterioração intelectual, convulsões e mioclonias, evoluindo para descerebração espástica e óbito. O risco de complicações aumenta entre bebês, adultos com mais de 20 anos de idade, gestantes, crianças desnutridas (particularmente aquelas com deficiência de vitamina A) e pacientes com imunossupressão (por exemplo, câncer ou infecção pelo vírus da imunodeficiência humana – HIV).

O sarampo tem um curso mais devastador em crianças nos países em desenvolvimento, um fenômeno relacionado à desnutrição, superlotação e falta de acesso aos cuidados de saúde, com mortalidade de 1 a 15%. A infecção por sarampo durante a gravidez está associada a um aumento do risco de complicações, incluindo aborto espontâneo, parto prematuro, baixo peso ao nascer neonatal e óbito materno.

Já no período de remissão, há redução dos sintomas, com declínio da febre. O exantema passa a ser escurecido, castanho-acinzentado, podendo surgir descamação furfurácea.

Diagnóstico

Um caso típico de sarampo pode ser facilmente reconhecido durante os surtos. Porém, o diagnóstico clínico é um desafio para muitos médicos que nunca viram um caso de sarampo e em pacientes que são examinados antes do aparecimento da erupção cutânea ou cuja erupção cutânea é menos aparente (por exemplo, lactentes com anticorpos maternos residuais, pacientes que receberam imunoglobulina previamente ou vacinação após a exposição). A erupção típica do sarampo pode estar ausente em pessoas com imunidade mediada por células prejudicadas.

O método laboratorial mais comum para confirmar o sarampo é a detecção de anticorpos IgM específicos para o vírus do sarampo em uma amostra de sangue (sensibilidade 83 a 89%; especificidade 95 a 99%). Estes anticorpos não são detectáveis ​​em aproximadamente 25% das pessoas nas primeiras 72 horas após o início da erupção cutânea, mas estão quase sempre presentes após 4 dias da erupção.

Anticorpos IgG podem, eventualmente, ser detectados na fase aguda da doença. Permanecem detectáveis ao longo da vida. Para detecção de anticorpos IgM e IgG são utilizados o ensaio imunoenzimático (ELISA) (usado na rede pública brasileira) e imunofluorescência (IF). Quando o teste IgM é reagente ou inconclusivo, com suspeita ou não da doença, deve haver notificação imediata para que a investigação continue e haja coleta de segunda amostra de sangue (obrigatória para a classificação final). A segunda amostra de sangue deve ser colhida entre 20 e 25 dias após a coleta da primeira amostra.

O teste de inibição de hemaglutinação (IH) é utilizado para dosagem de anticorpos totais e a neutralização em placas detecta anticorpos específicos.

Recente nota técnica conjunta emitida pelas Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP), de Imunizações (SBIm) e de Infectologia (SBI) ressalva que, para a vigilância epidemiológica correta, também é necessária coleta de espécimes clínicos para a identificação viral por genotipagem, diferenciando um caso autóctone de um caso importado ou ainda relacionado ao vírus vacinal. O paramixovírus também pode ser detectado em urina, secreções nasofaríngeas, sangue, liquor e tecidos, pela técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR). Esta técnica pode identificar infecção com uma sensibilidade de 94% e uma especificidade de 99% antes dos anticorpos IgM do sarampo serem detectáveis, e permite a genotipagem do vírus. Estas amostras devem ser coletadas até o quinto dia a partir do início do exantema. De acordo com a nota emitida, o sarampo é doença de notificação compulsória.

Diagnóstico diferencial

O diagnóstico diferencial inclui:

  • Rubéola;
  • Dengue;
  • Eritema infeccioso (parvovirose por Parvovírus B19);
  • Infecção por herpes-vírus;
  • Outras viroses exantemáticas;
  • Reações à vacina contra o sarampo.

A definição de caso de sarampo recomendada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Isto é, erupção cutânea maculopapular generalizada, febre (temperatura corporal > 38,3 ° C) e tosse ou coriza ou conjuntivite (ou uma combinação destes sintomas), tem alta sensibilidade (75 a 90%), mas baixo valor preditivo positivo em configurações de baixa incidência, indicando a necessidade de confirmação laboratorial.

Tratamento

Não há medicação antiviral específica disponível para o sarampo. O tratamento consiste em terapia de suporte para prevenir a desidratação e, em alguns casos, para tratar deficiências nutricionais, bem como detecção precoce e tratamento de infecções bacterianas secundárias, como otite e pneumonia. Altas doses de vitamina A mostraram diminuir a mortalidade e o risco de complicações em crianças hospitalizadas por sarampo nos países em desenvolvimento. Nos Estados Unidos, crianças com sarampo têm apresentado níveis baixos de retinol sérico, e os níveis tendem a ser menores entre aqueles com doença mais grave.

A Academia Americana de Pediatria (American Academy of Pediatrics – AAP) recomenda a administração de vitamina A para todas as crianças com sarampo grave (requerendo hospitalização), com o uso das seguintes doses específicas:

  • Crianças de 12 meses de idade ou mais: 200.000 UI;
  • Crianças de 6 a 11 meses de idade: 100.000 UI;
  • Crianças com menos de 6 meses de idade: 50.000 UI.

Uma dose específica para a idade deve ser administrada duas a quatro semanas depois a crianças que apresentem sinais e sintomas clínicos de deficiência de vitamina A. Ademais, a terapia com vitamina A deve ser administrada a crianças com sarampo com pelo menos uma das seguintes características:

  • Imunossupressão;
  • Evidência clínica de deficiência de vitamina A;
  • Imigração recente de áreas com alta mortalidade por sarampo.

Antibióticos, na ausência de pneumonia, sepse ou outros sinais de complicação bacteriana secundária, não são recomendados.

Segundo recente revisão sobre sarampo publicada pelo The New England Journal of Medicine, agentes antivirais (por exemplo, ribavirina) foram usados ​​para tratar pacientes graves e imunodeprimidos com sarampo, e resultados positivos foram relatados. Todavia os ensaios clínicos randomizados são escassos, e a ribavirina não está licenciada pela Food and Drug Administration para o tratamento do sarampo. De acordo com os autores, mais pesquisas são necessárias para determinar os benefícios e riscos dos agentes antivirais no tratamento de casos graves de sarampo.

Prevenção

A vacinação é a única forma de prevenção. De acordo com a nota técnica conjunta emitida pela SBP, SBIm e SBI, na rede pública são utilizadas vacinas tríplices MMR – sarampo (measles), caxumba (mumps) e rubéola (rubella). Para crianças com menos de cinco anos de idade, também está disponível a vacina tetra viral.

Já na rede privada, estão disponíveis as vacinas tríplices e tetravirais. Pacientes com histórico confirmado da doença não precisam se vacinar. Em caso de dúvidas, a vacinação está recomendada. Só serão considerados vacinados aqueles que tiverem o registro da vacinação. Caso contrário, é recomendada a aplicação de uma ou duas doses, de acordo com situação vacinal conferida.

A nota relata em quais situações a vacinação deve ser rotineira:

  • Crianças: duas doses aos 12 e 15 meses de idade, podendo ser realizada com as vacinas tríplice viral ou tetraviral;
  • Crianças, adolescentes e adultos que não receberam essas doses na infância e que não tiveram sarampo, devem ser vacinados a qualquer momento: duas doses com intervalo mínimo de 30 dias entre elas. A vacina tetra viral pode ser utilizada naqueles suscetíveis à varicela com idade até 12 anos. O Ministério da Saúde disponibiliza duas doses da vacina para todos com até 29 anos de idade e dose única para aqueles 30 a 49 anos.

 

A vacinação está contraindicada nas seguintes situações: gestantes (NÃO está contraindicada em nutrizes, inclusive pode ser administrada no pós-parto imediato); pacientes imunodeprimidos; crianças expostas ou infectadas pelo HIV com sintomatologia grave e/ou imunossupressão grave (CD4 < 15% em pacientes com idade igual ou inferior a cinco anos e CD4 < 200 cel./mm3 para crianças > cinco anos); adultos com HIV/Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA) com CD4 <200; história de alergia grave após aplicação de dose anterior das vacinas ou a algum de seus componentes.

A nota técnica descreve que a maioria das crianças com história de reação anafilática a ovo não tem reações adversas às vacinas. E, mesmo quando a reação é grave, não há contraindicação ao uso da vacina tríplice ou tetraviral. Também diz que a vacina tríplice viral produzida pelo laboratório Serum Institute of India contém traços de lactoalbumina e está contraindicada em crianças com alergia grave à proteína do leite de vaca. Aquelas com intolerância à lactose podem utilizar essa vacina, sem riscos.

A nota cita as seguintes situações em que é recomendado o adiamento da vacinação:

  • Pacientes de quimioterapia antineoplásica só devem ser vacinadas três meses após a suspensão do tratamento;
  • Pacientes em uso de outras drogas imunossupressoras, inclusive biológicos, devem ser avaliadas pelo médico quanto ao risco da interrupção do tratamento e o intervalo mínimo (que depende da droga em uso) necessário para a aplicação da vacina;
  • Pacientes que receberam transplante de medula óssea só podem ser vacinados de 12 a 24 meses após o procedimento;
  • Após uso de imunoglobulina, sangue e derivados, a vacinação deverá ser adiada por três a 11 meses, dependendo do hemoderivado e da dose administrada;
  • É aconselhável evitar a gravidez por 30 dias após a vacinação. Caso a vacinação ocorra inadvertidamente durante a gestação, ou antes deste período, a gestante deve ser tranquilizada, pois o risco é teórico, não havendo relatos na literatura de problemas decorrentes desse tipo de situação;
  • Pacientes com doenças agudas febris moderadas ou graves até a resolução do quadro.

Os efeitos adversos da vacinação incluem:

  • Reações locais: ardência, vermelhidão, dor e formação de nódulo;
  • Febre alta (maior que 39,5⁰C);
  • Convulsão febril;
  • Cefaleia, irritabilidade, febre baixa, lacrimejamento, vermelhidão dos olhos e coriza;
  • Manchas vermelhas no corpo;
  • Linfadenopatia;
  • Meningite;
  • Encefalite;
  • Manifestações hemorrágicas, como púrpura trombocitopênica, foram descritas na proporção de um caso para 30 a 40 mil vacinados, com evolução benigna entre 12 a 25 dias após a vacinação, contraindicando outras doses da vacina tríplice viral;
  • Dor articular ou artrite;
  • Parotidite;
  • Anafilaxia: rara. Ocorre, geralmente, nos primeiros 30 minutos depois da administração da vacina, contraindicando doses subsequentes.

Em caso de surtos, a vacinação de bloqueio é crucial para o controle. Deve ser iniciada o mais precocemente possível, de preferência em até 72 horas após o contato. Daí a importância da notificação de casos suspeitos. Em casos de surto ou de contato com paciente com suspeita de sarampo, lactentes a partir de seis meses deverão ser vacinados. Contudo, esta dose não deverá ser considerada como válida, e, portanto, estes lactentes precisarão receber as doses dos 12 e 15 meses de idade. A nota enfatiza que a saúde pública tem, como estratégia, a vacinação em massa com prioridade para os menores de cinco anos.

Para prevenir a transmissão nosocomial, os pacientes com suspeita de sarampo devem ser triados em regime ambulatorial, e os pacientes hospitalizados com sarampo devem ser isolados com precauções para impedir a transmissão aérea (isolamento respiratório com o uso de máscaras).

Imunoglobulina

A administração de imunoglobulina é particularmente importante em pacientes com risco de doença grave, incluindo crianças com menos de 12 meses de idade, gestantes sem evidências de imunidade contra o sarampo e pacientes gravemente imunodeprimidas. O Advisory Committee on Immunization Practices recomenda as seguintes doses:

  • Peso corporal até 30 kg: 0,5 mL/kg de peso corporal administrada por via intramuscular (IM);
  • Peso corporal acima de 30 kg: 400 mg/kg por via intravenosa (IV)3.

Essas doses são justificadas porque a imunidade ao sarampo conferida pela administração de imunoglobulina é temporária. Os indivíduos que recebem imunoglobulina devem subsequentemente receber a vacina MMR, administrada não antes de 6 meses após imunoglobulina IM ou 8 meses após imunoglobulina EV. Pacientes gravemente imunocomprometidos que estão expostos ao sarampo devem receber profilaxia com imunoglobulina, independentemente do seu estado imunológico ou de vacinação.

Conclusões

Os médicos sempre devem suspeitar de sarampo em uma criança, adolescente ou adulto que tenha uma erupção febril, especialmente se o indivíduo não tem documentação sobre a vacinação contra o sarampo, viajou para o exterior ou faz parte de uma comunidade com baixa aceitação da vacina. A partir do momento em que houve a suspeita, o caso deve ser notificado e providenciadas amostras clínicas para diagnóstico laboratorial, tratamento de contatos domiciliares e acompanhamento de contatos para determinar a necessidade de vacinas ou imunoglobulina. Para evitar uma maior disseminação do sarampo na comunidade, o paciente deve ser isolado em casa por quatro dias após o início de sua erupção.

Para minimizar o risco de novos casos e surtos, os médicos devem aconselhar os pacientes que planejam realizar viagens internacionais sobre indicações para a vacinação contra o sarampo. Com o aumento da disseminação de informações imprecisas sobre os riscos associados à vacina nas redes sociais, os médicos desempenham um papel fundamental na resposta às perguntas dos pacientes sobre a lógica e segurança da vacina, bem como na manutenção da confiança na vacinação entre seus pacientes e suas famílias.

Autora: 

Roberta Esteves Vieira de Castro
Roberta Esteves Vieira de Castro

Graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Valença. Residência médica em Pediatria pelo Hospital Federal Cardoso Fontes. Residência médica em Medicina Intensiva Pediátrica pelo Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro. Mestra em Saúde Materno-Infantil pela Universidade Federal Fluminense (Linha de Pesquisa: Saúde da Criança e do Adolescente). Doutora em Medicina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Médica da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e da Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Vitória (Americas Medical City) no Rio de Janeiro. Membro da Rede Brasileira de Pesquisa em Pediatria do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) no Rio de Janeiro. Acompanhou as Unidades de Terapia Intensiva Pediátrica e Cardiaca do Hospital for Sick Children (Sick Kids) em Toronto, Canadá, supervisionada pelo Dr. Peter Cox. Membro da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB). Membro da American Delirium Society (ADS).

Referências:

#Children of Older Parents May Be Better Behaved. Here’s Why

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New research finds that waiting to start a family until you’re older may have a positive impact on the behavior of your children as they grow.

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Older parents may have greater patience, self-assurance, and access to resources than their younger counterparts — all of which may bring less stress into their home and help shape their kids’ behavior in positive ways. Getty Images

 

It’s well documented that fertility begins declining for women around the age of 35 and that children born to older mothers often face an increased risk of genetic mutations that can contribute to conditions like Down syndrome.

Research has also linked the age of a child’s father at birth to an increase in neurological and behavioral conditions such as autism and attention deficit-hyperactivity disorder (ADHD), and even a greater chance of developing bipolar disorder or psychosis.

But the news isn’t all bad for older parents. In fact, recent research has found that when those clinical diagnoses are accounted for and removed from the equation, the children of older parents actually exhibit fewer behavioral problems overall.

A case for having kids at an older age?

The report looked at four different studies out of the Netherlands, tracking 32,892 Dutch children between the ages of 10 and 12. It relied on self-reporting of problem behavior by mothers, fathers, teachers and the children themselves.

The findings showed that older parents reported fewer externalizing behavior problems among their children, and parents and teachers both reported fewer persisting behavioral problems. This was even after accounting for socioeconomic status — meaning that the findings weren’t just because older parents were more established in their career fields or more comfortable economically.

But the latest data isn’t necessarily indicative of a pure cause and effect relationship between older parents and behavioral struggles, according to relationship and parenting expert Wendy Walsh, PhD.

Taking a closer look at the research

“There are a couple of things to consider when looking at these studies,” Walsh told Healthline. “First of all, they are pulling data from multiple different studies. That’s not the same as going out, finding a cohort group, giving them a pre-test and a post-test and looking for this one specific thing.”

She also said that self-reporting can be notoriously biased. “When parents are reporting, there is going to be over-reporting of favorable things. And the older a parent is, the smarter they are about knowing to over-report favorable behavior.”

Or, she hypothesized, it could also be that older parents are simply more patient and less likely to notice or care about some of the behavioral concerns younger parents might report.

“So we can discount the reports from fathers, mothers, and children themselves,” she explained. “Because the truth is, none of us really know ourselves or our lives well enough to be able to report objectively. The teachers are really the only reliable reporters here.”

Still, she thinks the results shouldn’t be discounted entirely.

“It is promising, and it makes sense,” she said. “The longer you wait, the smarter you are, the more education you have, maybe the better your finances are, the more resources you have, the less likely your kid is going to be acting out.”

 

What older parents may have to offer that’s different

It’s possible that’s why this latest research lines up with previous studies that have found fewer behavioral, social, and emotional difficulties for children born to older mothers.

Increased patience, resources, and maybe even a greater gratitude over being able to parent at all could be contributing to these positive outcomes.

It’s a theory Nancy S. Molitor, PhD, the clinical assistant professor of psychiatry and behavioral sciences at Northwestern University in Evanston, Illinois, shares.

“One thing with older parents is, you don’t know what their past history is in terms of losses. Is this their first child? Their fifth attempt? They may have been trying for a long time for this chance,” she explained.

She also said that older parents are, in general more comfortable with themselves.

“They are going to typically have more self-awareness and more insight into their own strengths, as well as their own weaknesses,” she said.

Molitor explained that older parents may also be more willing to ask for help, or admit that something may be wrong earlier on. This would make room for early intervention and assistance with getting any potential behavioral issues on track sooner.

What parents of any age can take away from this study

These are lessons that all parents, young or old, could potentially learn from. And that’s the takeaway both Molitor and Walsh want parents to have from studies like this.

“Stop fighting with your kids and start listening to them,” Walsh said.

She explained that doesn’t mean not shaping their behavior, because that’s the job of the parent, to shape their child’s behavior so they can fit into society. “But if you can understand the pressures on children, and understand the obstacles along the way, you can better help them to find their way to good behavior.”

Walsh recognizes that may not be easy for all parents. “Since we’ve gotten rid of the spare the rod mentality, there are many parents who are at a loss for psychological tools to help shape their children.”

According to her, though, it’s pretty simple. “Water what you want to grow, and ignore the weeds.”

In this analogy, the weeds are bad behavior. “Unless it’s dangerous, don’t feed the bad stuff. Instead, reward the good behavior. Because what happens is parents are so busy, the only time the kid gets any attention at all is when they behave poorly — and that only works to reinforce that bad behavior you’re trying to steer them away from.

So focus on the good behavior instead, Walsh recommends, and watch it grow.

“This works with husbands too, by the way,” she joked.

For Molitor, the other important takeaway from this study is that it’s never too late to become a parent. “If you’re wanting children but you’re afraid you might be too old, I think you can look at these results as promising. I wouldn’t let age be a barrier. There’s lots of ways to become a parent.”

Heathline
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