PEDIATRIA

#Obesidade Infantil e na Adolescência

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A obesidade não é mais apenas um problema estético, que incomoda por causa da “zoação” dos colegas. O excesso de peso pode provocar o surgimento de vários problemas de saúde como diabetes, problemas cardíacos e a má formação do esqueleto.

Cerca de 15% das crianças e 8% dos adolescentes sofrem de problemas de obesidade, e oito em cada dez adolescentes continuam obesos na fase adulta.

As crianças em geral ganham peso com facilidade devido a fatores tais como: hábitos alimentares errados, inclinação genética, estilo de vida sedentário, distúrbios psicológicos, problemas na convivência familiar entre outros.

As pessoas dizem que crianças obesas ingerem grande quantidade de comida. Esta afirmativa nem sempre é verdadeira, pois em geral as crianças obesas usam alimentos de alto valor calórico que não precisa ser em grande quantidade para causar o aumento de peso.

Consumo demasiado de alimentos gordurosos
Como exemplo podemos citar os famosos sanduíches (hambúrguer, misto-quente, cheesburguer etc.) que as mamães adoram preparar para o lanche dos seus filhos, as batatas fritas, os bife passados na manteiga são os verdadeiros vilãs da alimentação infantil, vindo de encontro ao pessoal da equipe de saúde que condenam estes alimentos expondo os perigos da má alimentação aos pais onde alguns ainda pensam que criança saudável é criança gorda. As crianças costumam também a imitar os pais em tudo que eles fazem, assim sendo se os pais tem hábitos alimentares errados, acaba induzindo seus filhos a se alimentarem do mesmo jeito.
Falta de atividades físicas
A vida sedentária facilitada pelos avanços tecnológicos (computadores, televisão, videogames, etc.), fazem com que as crianças não precisem se esforçar fisicamente a nada. Hoje em dia, ao contrário de alguns anos atrás, as crianças devido a violência urbana a pedido de seus pais, ficam dentro de casa com atividades que não as estimulam fazer atividades físicas como correr, jogar bola, brincar de pique etc., levando-as a passarem horas paradas enfrente a uma tv ou outro equipamento eletrônico e quase sempre com um pacote de biscoito ou um sanduíche regados a refrigerantes. Isto é um fator preocupante para o desenvolvimento da obesidade.
Ansiedade

Não são apenas os adultos que sofrem de ansiedade provocados pelo stress do dia a dia. Os jovens também são alvos deste sintoma, causados, por exemplo, por preocupações em semanas de prova na escola ou pela tensão do vestibular, entre outros. A ansiedade os faz comer mais.É como se fosse uma comilança compulsiva, sem fome.

Psiquiatras afirmam que por trás de um obeso sempre poderá existir um problema psicológico, agravando-se devido a nossa cultura onde a sociedade exclui os gordinhos de várias brincadeiras devido a sua situação. Isso só leva a criança ou adolescente a piorar porque quase sempre são tímidas e sentem-se envergonhadas, acabam se isolando e fazendo da alimentação uma “fuga” da realidade, isto é, quanto mais rejeitado, mais ansiosos mais comem.
Depressão
Pessoas com sintomas de depressão, sofrem alterações no apetite podendo emagrecer ou engordar. Algumas pesquisas comprovaram que a pessoa deprimida, geralmente não pratica atividades físicas e come mais doces, principalmente, o chocolate.
Fatores hormonais
A obesidade pode ainda ter correlação com variações hormonais tais como: excesso de insulina; deficiência do hormônio de crescimento; excesso de hidrocortizona, os estrógenos etc.
Fatores Genéticos
Algumas pesquisas já revelaram que se um dos pais é obeso, o filho tem 50% de chances de se tornar gordinho, e se os dois pais estão acima do peso, o risco aumenta para 100%. A criança que tem pais obesos corre o risco de se tornar obesa também porque a obesidade pode ser adquirida geneticamente.

Você já prestou atenção e que tem sempre alguém gordinho na sua turma ou entre os seus amigos do bairro?

Isso indica que a obesidade é um risco cada vez mais presente na vida dos jovens de hoje em dia, o que é muito preocupante. Você sabia que nos anos 70, a relação de brasileiros obesos entre 6 e 18 anos em condições acima do peso eram apenas 3%?

E o pior que nos últimos 30 anos o contingente de gordos aumentou 5 vezes, ou seja, aproximadamente 6,5 milhões de crianças e adolescentes são obesos.

revenção é a palavra chave para evitar a obesidade. Aqui vão algumas dicas recomendadas por médicos e nutricionistas para que você se previna contra esse mal e tenha uma vida sempre saudável:

  • Seguir uma alimentação balanceada, rica em frutas, legumes e verduras.
  • Respeitar os horários das refeições e não beliscar guloseimas entre um intervalo e outro.
  • Evitar alimentos gordurosos, como doces, frituras e refrigerantes
  • Praticar atividades físicas, sejam esportes no colégio ou academia, desde que seja
    orientado por um profissional. Caminhar é a melhor pedida, pois qualquer pessoa pode
  • Beba bastante água, pelo menos 2 litros por dia. A água é importantíssima
    no bom desempenho das funções do organismo.Principalmente para quem pratica
    atividades físicas, pois mantém o corpo sempre hidratado.

A obesidade é um problema grave e deve ser encarado com cuidado. Se você está ou conhece alguém que esteja acima do peso, deve procurar ajuda médica, pois as causas da obesidade podem ter diversas origens desde hábitos irregulares até fatores genéticos e hormonais. Quanto mais cedo for tratado, maiores são as chances de cura. Mas não se esqueça que o mais importante é estarmos de bem com nós mesmos. Ter um corpo legal depende do equilíbrio emocional e uma mente consciente.

Ivana Silva e Cássia Nunes

#Screening for #autism spectrum disorders at 36 months

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  •  Univadis Medical News

Screening for autism spectrum disorders (ASDs) at three years of age only identifies those with significant developmental delay and does not benefit those with less severe autism. The finding, from analysis of data from the Norwegian Mother, Father and Child Cohort Study, conflicts with previous theories.

The study measured the sensitivity and specificity of the 40-item Social Communication Questionnaire (SCQ) to screen for ASD at 36 months.

It found that among the children of 58,520 mothers, the distribution of SCQ scores in those with ASD and other children had large degrees of overlap. With the cut-off of 15 recommended in the SCQ manual, screening sensitivity was 20 per cent for ASD overall.

For children with ASD who had not developed phrase speech at 36 months, sensitivity was 46 per cent, whereas it was just 13 per cent for children with ASD with phrase speech. Screening specificity was 99 per cent.

With the currently recommended cut-off of 11, sensitivity increased to 42 per cent for ASD overall, 69 per cent for ASD without phrase speech and 34 per cent for ASD with phrase speech. Specificity was 89 per cent.

Writing in BJPsych Open , the authors concluded that available evidence does not support universal early screening programmes for ASD.

#“Tras un mal #rendimiento escolar puede haber una #oftalmopatía”

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Ana Wert, oftalmóloga del Instituto de Microcirugía Ocular (IMO), de Barcelona, coordina el programa ‘Miradas Felices’, gracias al cual a muchos niños de barrios desfavorecidos de Cataluña y uno en Madrid se les controlan y corrigen los problemas visuales.

Ana Wert, del Instituto de Microcirugía Ocular de Barcelona, revisa la vista de un niño.

En el año 2013 la Fundación Instituto de Microcirugía Ocular (IMO) de Barcelona puso en marcha un programa social, Miradas Felices, a través del cual se visitan las escuelas de zonas con riesgo de exclusión social para revisar de forma gratuita la visión de los más pequeños y ofrecerles tanto gafas como tratamientos en caso necesario.

PREGUNTA. ¿En que consiste el programa?
RESPUESTA. Nosotros nos desplazamos a los colegios y allí visitamos a todos los niños de entre 3 y 5 años. Aunque si algún profesor nos indica que algún niño mayor podría tener problemas de visión también se le hace la revisión. La idea es hacer un diagnóstico precoz de las patologías oftalmológicas más frecuentes en la infancia, que son el ojo vago, los defectos de refracción y el estrabismo. Si vemos que algún niño tiene problemas, llevamos también gafas y se las probamos. Luego estas se entregan a una óptica que colabora con nosotros y en un mes están las gafas en el colegio para los niños. Esto lo hacemos dos veces al año para poder llevar un control. Y si alguno tiene un patología quirúrgica, se deriva al IMO donde los operamos sin cobrarles.

P. Así que hay una gran implicación por parte de la Fundación IMO con las escuelas…
R. Sí, claro. No se trata solo de llegar y dejar allí las gafas. Eso creo que no funcionaría. Les hacemos un seguimiento hasta que los niños se van del colegio. Ahora mismo llevamos niños que hace seis años que los estamos visitando y hemos visto cómo ha ido mejorando su visión.

“El programa de revisiones lo empezamos en Badalona y ahora estamos haciendo unas veinte campañas al año”

P. ¿Habéis crecido mucho en estos seis años?
R. Empezamos en Badalona, en el barrio de San Roque, donde continuamos haciendo visitas. Pero ahora ya estamos yendo también a Ciudad Meridiana y Nou Barris, en Barcelona. Y además visitamos el barrio de Bona Vista en Tarragona, y acudimos a Lérida, Terras y Hospitalet. También visitamos colegios de Carabanchel, en Madrid, el único destino que hacemos por ahora fuera de Cataluña. Van contactando con nosotros a través de entidades y colegios de las diferentes zonas y, a medida que es posible, vamos ampliando el programa. Ahora mismo estamos haciendo unas 20 campañas al año.

P. ¿Supone mucho tiempo de dedicación?
R. Al ser dos visitas al año por escuela intentamos juntarlo todo al principio y al final de curso, pero a veces vamos a tope. Entre septiembre y diciembre es la primera visita y luego entre abril y junio hacemos la segunda. Y aunque todo lo concentramos en estas dos visitas, el resto del año vemos a los niños que necesitan un seguimiento más continuo, pero eso ya lo hacemos en las instalaciones del IMO, no nos desplazamos a las escuelas. Esto requiere por nuestra parte que tengamos que compactar agendas, pero es algo que merece mucho la pena.

P. Aparte de vuestro tiempo, también hay un esfuerzo económico. ¿Cómo financiáis el programa?
R. Cuando empezamos lo hicimos con la ayuda de la Obra Social ‘la Caixa’, que estuvo colaborando varios años con nosotros y fue importante en el arranque. Ahora ya no nos ayudan, pero decidimos seguir con el programa. Contamos con las donaciones de algunos de nuestros pacientes, y también a través de otras iniciativas para recaudar fondos.

P. Habéis anunciado un concierto ‘solidario’…
R. Sí, el próximo jueves 27 de junio, a las 21:00 horas en la Sala Luz de Gas de Barcelona habrá un concierto que forma parte de ‘MIRArte’, el programa cultural de la Fundación IMO. Será a cargo del grupo LegEnd y los fondos se destinarán a este programa. También hemos organizado representaciones teatrales, un concierto de góspel y una lectura colectiva el día de San Jordi.

“Hay patologías como el ojo vago que si las coges a tiempo en los niños pequeños son muy fáciles de curar”

P. ¿Qué fue lo que le decidió a implicarse en este programa?
R. En primer lugar, la idea de salir de la clínica y visitar a los niños directamente en el colegio. Eso me motivaba mucho porque siempre que rompes las rutinas es algo positivo. Y luego que te retribuye muchísimo ver que el trabajo que estás haciendo funciona. Por eso es tan importante el seguimiento que hacemos, porque podemos ver cómo van mejorando y al final sabes que si no fuera porque has ido tú, esos niños a lo mejor hubieran tardado más en ir al oftalmólogo y su situación sería peor.

P. ¿Por qué precisamente trabajar con los más pequeños?
R. Veíamos que en estos barrios con más riesgo de exclusión social falta una cultura de la prevención oftalmológicade los niños y esto puede suponer un problema importante. Hay patologías como el ojo vago que si las coges con tiempo en los primeros años de vida son muy fáciles de curar. Basta un parche y unas gafas y lo tienes resuelto. Pero cuando se detecta de forma tardía es muy complicado, ya no hay la plasticidad cerebral suficiente y a veces no es posible recuperar la visión. Por eso quisimos visitar a los más pequeños.

P. ¿Y obtienen resultados?
R. Aunque al principio en determinados colectivos es cierto que es difícil que acepten las gafas, con el tiempo y a base de insistir vemos que va calando el mensaje. En las escuelas que llevamos más tiempo visitando ves cómo la población de la zona lo ha integrado y funciona mejor. Ya son los propios padres los que vienen para que les hagamos la revisión a sus hijos. Y los niños llevan mucho mejor las gafas porque ven a más niños con ellas.

P. ¿Puede llegar a afectar al rendimiento escolar un problema oftalmológico?
R. Los profesores nos lo dicen mucho. Que hay niños que antes tenían por despistados, que no atendían, y que cuando les ponemos las gafas experimentan un cambio de actitud muy importante. Pasa en todas las edades. Por eso cuando el profesor sospecha que un niño mayor no ve bien también nos lo remite para que descartemos que no necesita corrección óptica. Antes de considerar otras cuestiones, en los niños que en el colegio tienen dificultades debería valorarse que no tengan un problema oftalmológico.

#DIABETES TIPO 2 NA #ADOLESCÊNCIA

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Em Portugal, a obesidade infantil tem subido de forma alarmante, apresentando taxas superiores à média europeia. É fácil de prever que neste contexto, a diabetes mellitus de tipo 2 esteja a aumentar. De forma preocupante.

A diabetes mellitus de tipo 2 era considerada até há 25 anos, uma doença de adultos que se manifestava após anos de obesidade e de vida sedentária. Nos últimos anos, porém, o aumento da obesidade nas crianças e nos adolescentes conduziu ao aparecimento desta doença em grupos etários cada vez mais jovens. É sintomático o facto de, nos Estados Unidos da América (EUA), cerca de 30% dos novos casos diagnosticados de diabetes mellitus de tipo 2 ocorrerem em crianças e adolescentes obesos.

Também em Portugal, a obesidade infantil tem subido de forma alarmante, apresentando taxas superiores à média europeia. É fácil de prever que neste panorama a doença esteja a aumentar, também, de forma preocupante, entre a nossa população jovem.

A diabetes mellitus de tipo 2 ocorre quando o aumento da resistência à insulina torna a sua secreção relativamente inadequada.

Em consequência, a doença associa-se, com frequência, a outras características da síndrome da resistência à insulina, tais como:

  • hiperlipidemia;
  • hipertensão arterial;
  • nefropatia;
  • síndrome do ovário policístico;
  • esteatose hepática não alcoólica.

Nas crianças e nos adolescentes, a diabetes mellitus de tipo 2 ocorre nas seguintes circunstâncias:

  • Na juventude, frequentemente na segunda década de vida, em coincidência com o pico fisiológico da resistência à insulina da puberdade;
  • Em todas as etnias, mas com muito maior prevalência nos negros africanos, índios norte-americanos, hispano-americanos, asiáticos e indianos;
  • Nos jovens europeus e norte-americanos com um Índice de Massa Corporal superior ao percentil 85 para a sua idade e sexo;
  • Em outros casos menos frequentes, como diabetes tipo Mody (maturity-onset diabetes of the young), um subtipo da diabetes mellitus, caracterizado por manifestação precoce.

O diagnóstico de diabetes mellitus estabelece-se quando a glicemia em jejum for superior ou igual a 126mg/dl ou quando se verificar uma glicemia casual superior ou igual a 200 mg/dL, acompanhada por sintomas como poliúria (aumento do volume urinário), polidipsia (sensação de sede em demasia), perda de peso ou visão turva. Na dúvida, uma glicemia superior ou igual a 200 mg/dL, duas horas após ingestão oral de 75 gramas de glicose, estabelece o diagnóstico.

Os objetivos do tratamento da diabetes mellitus de tipo 2 centram-se, fundamentalmente, no seguinte:

  • Perda de peso;
  • Aumento do exercício físico;
  • Normalização da glicemia;
  • Controlo da hipertensão arterial, dislipidemia, nefropatia e esteatose hepática não alcoólica.

Educar jovens e famílias

A base da terapêutica consiste na educação do jovem e da família, com ênfase nas alterações comportamentais, sendo fundamental a modificação do estilo de vida que leve à criação de padrões saudáveis de alimentação e de atividade física.

Em todas as crianças desde o primeiro ano de vida, a par do peso e altura, o IMC deve ser avaliado e registado em curvas de percentil, de forma a identificar e corrigir precocemente qualquer tendência para um excesso ponderal.

As crianças com pais obesos, diabéticos ou com doenças cardiovasculares, devem ser sujeitas a vigilância particular.

Devem ser combatidos os fatores sociais que levam ao consumo de alimentos altamente calóricos e de fraco valor nutritivo, assim como as causas que conduzem à desagregação dos hábitos alimentares, nomeadamente a ausência de refeições tomadas em família e o aumento do recurso a refeições de preparação rápida, ricas em gorduras e açúcares.

A atividade física deve ser estimulada, não só na escola como em casa, passando por mais tempos livres para brincar e praticar desporto e por menos transporte de automóvel, ver televisão e jogos de vídeo. A modificação do estilo de vida deverá ser coadjuvada com a terapêutica farmacológica.

De notar que na maioria dos países apenas a metformina e a insulina se encontram aprovadas para utilização em crianças e adolescentes com diabetes mellitus de tipo 2.

Todos os outros fármacos disponíveis no mercado só estão aprovados para utilização a partir dos 18 anos de idade.

A cirurgia bariátrica deverá ser considerada em casos selecionados.

Em conclusão, a prevenção da diabetes mellitus de tipo 2 requer a prevenção da obesidade. O combate à epidemia da obesidade na criança deve envolver os governos e toda a sociedade, sob o risco de se vir a assistir nas próximas décadas ao recuo da idade média de vida das populações afetadas.

Texto:

José Pires Soares

Endocrinologia, Hospital da Luz

#Obesidade na infância e seu impacto sobre o #desenvolvimento da criança

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Jean-Philippe Chaput, PhD, Angelo Tremblay, PhD

Université Laval, Canadá

Introdução

A obesidade tornou-se uma pandemia, com mais de um bilhão de pessoas afetadas em todo o mundo.1 Ao longo dos últimos 30 anos, triplicou a prevalência de crianças com sobrepeso, definidas como aquelas que têm índice de massa corporal (IMC) acima do 85o percentil para a idade e o sexo.2 Mais de 30% das crianças norte-americanas estão acima do peso ou são obesas (IMC acima do 95 o percentil).3 Dados da International Obesity Task Force (Força-tarefa Internacional sobre Obesidade) indicam que 22 milhões de crianças menores de 5 anos de idade estão acima do peso ou obesas em todo o mundo.4 A obesidade substituiu a desnutrição como o maior problema nutricional em algumas partes da África, com uma incidência até quatro vezes maior do que a desnutrição.5

Do que se trata

A obesidade infantil resulta de uma falha do sistema de autorregulação do corpo na modulação de influências ambientais em relação às propensões genéticas individuais. Diversos fatores envolvidos nas complexas interações genes-ambiente que causam a obesidade promoverão um equilíbro energético positivo em longo prazo. Resultados de estudos longitudinais sugerem que a causa última da obesidade tende a ser um pequeno desequilíbrio crônico de energia, que é difícil de detectar por meio dos métodos atuais de mensuração de ingestão e gasto de energia.6 É provável que mudanças ambientais – por exemplo, em nutrição e estilo de vida – sejam as principais responsáveis pela atual epidemia de obesidade, uma vez que um conjunto de genes não pode modificar-se em menos do que uma geração.

Problemas

Crianças obesas estão expostas a estigmas de peso e podem ser vulneráveis a efeitos psicológicos, como depressão, e efeitos sociais, como o isolamento.7 As consequências de tendências desfavoráveis, como o isolamento ou o retraimento social, podem contribuir para a exacerbação da obesidade por meio de vulnerabilidades psicológicas que aumentam a tendência a comer demais e a atividades sedentárias. É evidente que essas tendências desfavoráveis, o preconceito e a discriminação são parte da vida cotidiana dessas crianças com sobrepeso. Além disso, com o aumento da incidência de obesidade infantil, foram identificadas também outras consequências da obesidade para as crianças, entre as quais apneia obstrutiva do sono, problemas ortopédicos, hiperandrogenismo, diabetes do tipo 2 e doenças cardiovasculares.

Contexto da pesquisa

As condições referidas acima acompanham a criança até a vida adulta e, dessa forma, aumentam tanto a carga que representam para a sociedade em termos médicos, quanto seu risco de morbidade e mortalidade precoces.8 Por esse motivo, o contexto atual de pesquisa relaciona-se principalmente com a prevenção da obesidade. Na verdade, a saúde dessas crianças depende de uma série de fatores – não apenas biológicos, mas também psicológicos e sociais. Esses fatores atuam em sinergia para fortalecer-se ou enfraquecer-se mutuamente. Nesse contexto, as pesquisas envolvem a consideração de todos os fatores determinantes que afetam o desenvolvimento, o que significa tentar compreender as causas fundamentais dos problemas, de que forma se interrelacionam e seus muitos impactos sobre os indivíduos e a comunidade. Acima de tudo, envolve também promover mudanças em práticas e em atitudes.

Questões-chave de pesquisa

Uma compreensão completa do estigma do peso e de seu impacto pode ser importante para documentar as consequências sociais e psicológicas da obesidade infantil, e pode ser fundamental para revelar a totalidade dos efeitos do sobrepeso sobre a saúde e o bem-estar. Sob uma perspectiva biológica, os fatores que afetam o equilíbrio energético têm interesse especial para a melhor compreensão da regulação do peso corporal e para a elaboração de estratégias que tenham uma influência benéfica potencial no manejo da obesidade.

Resultados de pesquisas recentes

Os resultados de estudos com roedores são consistentes com as observações de que, em seres humanos, o aleitamento materno pode ser um fator de proteção contra a obesidade infantil.9 Os possíveis mecanismos desse efeito de proteção incluem programação metabólica ou autorregulação da ingestão de alimentos aprendida no início da vida.10 Bebês alimentados com leite industrializado antes dos 3 meses de idade apresentaram na primeira infância IMC consistentemente mais altos e maior espessura nas dobras cutâneas do que bebês amamentados ao peito por mais de três meses.11 Apesar disso, todos os estudos que examinaram a proteção oferecida pelo aleitamento materno concluíram que fatores genéticos e fatores ambientais, tais como o peso e o status socioeconômico da mãe, também desempenham um papel no desenvolvimento da obesidade na infância.12

Conclusões

A primeira linha de tratamento deve ser a prevenção da obesidade na infância. Em 2003, a AAP (Academia Americana de Pediatria) divulgou uma declaração sobre políticas para a prevenção de sobrepeso e obesidade na infância que recomendava defesa e supervisão da saúde para prevenir a obesidade na infância. A AAP afirmou que os pediatras devem aderir ao reconhecimento de crianças com risco para desenvolver obesidade, calcular e registrar o IMC em todas as consultas, utilizar as mudanças do IMC para identificar ganho excessivo de peso e monitorar indícios de comorbidades associadas à obesidade. Além disso, a AAP afirmou que os pediatras devem encorajar, apoiar e proteger o aleitamento materno, incentivar hábitos alimentares saudáveis e atividade física, e recomendar limitações na exposição à televisão. A declaração também encorajava os pediatras a tornarem-se defensores da prevenção da obesidade, por meio da identificação e do foco em pessoas influentes para a educação sobre obesidade, e pela alocação de recursos na prevenção da obesidade infantil. Em termos práticos, a melhor estratégia de tratamento parece ser uma abordagem multidisciplinar do problema, envolvendo diferentes especialistas de todas as áreas. Além disso, para a obtenção de resultados bem sucedidos, é absolutamente necessário o acompanhamento frequente de pacientes obesos.

Implicações

Os efeitos modestos de intervenções anteriores em educação sobre saúde aumentaram o interesse em abordagens ambientais e de políticas visando encorajar a atividade física, reduzir comportamentos sedentários e/ou reduzir a ingestão dietética de energia para prevenir a obesidade. Essas abordagens tentam modificar os ambientes social, regulatório ou físico que resultam na adoção, pelos indivíduos, de comportamentos mais saudáveis, estejam eles conscientes ou não de suas decisões em adotar esses comportamentos. As abordagens ambientais e de políticas podem ser particularmente atraentes para ajudar a moldar comportamentos infantis, por vários motivos: (1) as crianças passam grande parte do tempo em um número relativamente pequeno de contextos que são passíveis de mudanças ambientais e de políticas – por exemplo, lar, escola, transporte de ida e volta para a escola, creches e programas para o período depois da escola –; (2) as crianças frequentemente são consideradas incapazes de tomar por si mesmas decisões comportamentais responsáveis; e (3) as vulnerabilidades infantis presumidas justificam ações preventivas e curativas de proteção tanto por parte dos pais, como das instituições e dos formuladores de políticas. As soluções ambientais de políticas com vistas à redução da obesidade infantil são desafiantes para muitos formuladores de políticas em todos os níveis da sociedade, desde os pais até as agências internacionais. No entanto, a implementação de novas estratégias e políticas sem evidências sobre sua eficácia ou efetividade pode levar a grandes investimentos de recursos, esforços e tempo que podem ou não resultar em benefícios.

Referências

  1. Kimm SYS, Obarzanek E. Childhood obesity: A new pandemic of the new millennium. Pediatrics2002;110(5):1003-1007.
  2. Thibault H, Rolland-Cachera MF. Prevention strategies of childhood obesity. Archives de Pediatrie2003;10(12):1100-1108.
  3. Fox R. Overweight children. Circulation 2003;108(21):e9071.
  4. Deitel M. The International Obesity Task Force and “globesity.” Obesity Surgery 2002;12(5):613-614.
  5. du Toit G, van der Merwe MT. The epidemic of childhood obesity. South African Medical Journal2003;93(1):49-50.
  6. Goran MI. Energy metabolism and obesity. Medical Clinics of North America 2000;84(2):347-362.
  7. Puhl RM, Brownell KD. Psychosocial origins of obesity stigma: toward changing a powerful and pervasive bias. Obesity Reviews 2003;4(4):213-227.
  8. Gunnell DJ, Frankel SJ, Nanchahal K, Peters TJ, Smith GD. Childhood obesity and adult cardiovascular mortality: a 57-y follow-up study based on the Boyd Orr cohort. American Journal of Clinical Nutrition1998;67(6):1111-1118.
  9. Srinivasan M, Laychock SG, Hill DJ, Patel MS. Neonatal nutrition: Metabolic programming of pancreatic islets and obesity. Experimental Biology and Medicine 2003;228(1):15-23.
  10. Clifford TJ. Breastfeeding and obesity: The evidence regarding its effect on obesity is inconclusive. BMJ – British Medical Journal 2003;327(7420):879-880.
  11. Parsons TJ, Power C, Manor O. Infant feeding and obesity through the lifecourse. Archives of Disease in Childhood 2003;88(9):793-794.
  12. Dewey KG. Is breastfeeding protective against child obesity? Journal of Human Lactation 2003;19(1):9-18.

 

Para citar este artigo:

Chaput JP, Tremblay A. Obesidade na infância e seu impacto sobre o desenvolvimento da criança. Em: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. Orlet Fisher J, ed. tema. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [on-line]. http://www.enciclopedia-crianca.com/obesidade-infantil/segundo-especialistas/obesidade-na-infancia-e-seu-impacto-sobre-o-desenvolvimento. Publicado: Fevereiro 2006 (Inglês). Consultado: 20/06/2019.

#El 30% del aumento de la #obesidad infantil se concentra en la #población con menos renta

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  • Noticias Médicas
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El 30% del aumento de la obesidad infantil se concentra en la población con menos renta, según estima un estudio de la Universidad de Cantabria presentado en las XXXIX Jornadas de Economía de la Salud, celebradas en Albacete.

“Los que menos renta tienen y sus descendientes están teniendo una peor alimentación, comiendo peor, comiendo más tarde, saltándose el desayuno y con mayor consumo de snacks y comida basura”, ha explicado uno de los responsables del trabajo, David Cantarero.

Su estudio constata un aumento muy preocupante de la obesidad, según datos la Encuesta Nacional de Salud, con “diferencias enormes entre comunidades autónomas” y un claro factor de renta en las desigualdades. Cantarero ha recordado que “la obesidad infantil es una de las preocupaciones clave” de España, por lo que propone “empujoncitos” en políticas públicas, con “medidas que no costarían tanto dinero y que serían coste-efectivas”.

Como ejemplo, plantea “evitar que en los colegios haya máquinas de vending con ese tipo de alimentos”. “No se trata tanto de prohibirlo, como de hacer que sea más difícil conseguirlo”, ha enfatizado este experto en economía de la salud.

Por su parte, otro estudio presentado en estas jornadas por el mismo investigador aporta nueva evidencia sobre los beneficios de un ejercicio físico moderado pero continuado en el tiempo, no solo para la salud individual sino en forma de ahorros para el sistema de salud, sobre todo en grupos de mediana edad en adelante, a partir de los 45 años.

“Lo que encontramos es que aparte de aumentar el bienestar y la calidad de vida de las personas que responden que lo hacen, reducen la utilización sanitaria”, ha asegurado Cantarero. Así, se han detectado dos reducciones en el consumo de recursos sanitarios, al reducir las visitas al médico de cabecera, pero principalmente con una disminución de las visitas y estancias hospitalarias en comparación con las personas de la misma edad que no practican ejercicio.

#Cognitive outcomes with paediatric versus adult onset MS

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  •  Univadis Medical News

Adults with paediatric-onset multiple sclerosis (MS) are more likely to have greater cognitive consequences than patients who developed MS as adults, according to a new research published in JAMA Neurology.

Using data from the Swedish MS Registry (SMSreg), researchers compared long-term information-processing efficiency between patients with paediatric-onset MS (POMS) and adult-onset MS (AOMS). A total of 5,704 patients with MS were included, of which 300 had POMS. Information-processing efficiency was measured every six or 12 months by the Symbol Digit Modalities Test (SDMT).

After adjustment, the SDMT scores for patients with POMS were significantly lower and declined faster than those of patients with AOMS. The odds of cognitive impairment were significantly elevated in the POMS group (odds ratio [OR] 1.44; 95% CI 1.06-1.98).

The authors said children and adolescents who develop MS “should be monitored closely for cognitive changes and helped to manage the potential challenges that early-onset multiple sclerosis poses for cognitive abilities later in life”.

They added that further studies are needed to understand the mechanisms by which early MS onset influences cognitive outcomes and to establish appropriate interventions and treatment guidelines.