Medicina de Família

#Outubro rosa: tudo sobre a #cirurgia oncoplástica da mama

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médica com símbolo do outubro rosa

 

Este mês, definido como mês da conscientização contra o câncer de mamaOutubro Rosa, também envolve saber quais cirurgias podem ser utilizadas para “reconstruir as mamas” após a retirada de um câncer, sendo um direito da mulher através da Lei nº 13.770/2018, (que garante cirurgia plástica reconstrutiva da mama em casos de mutilação decorrente de tratamento de câncer).

As diferentes abordagens cirúrgicas que unem a cirurgia de remoção oncológica com técnicas da cirurgia plástica e reconstrutiva são conhecidas atualmente como cirurgia oncoplástica da mama ou simplesmente, oncoplastia (OP).

Este enfoque da cirurgia da mama compreende uma série de procedimentos que vão desde a remodelação mais simples, com mobilização de tecido mamário, a estratégias cirúrgicas que permitam a ressecção de até quase 50% do volume mamário.

A OP é um dos maiores avanços na cirurgia do câncer de mama e vem ampliar o uso da tumorectomia no que diz respeito ao volume ressecado, permitindo extirpação de tumores maiores, de tumores multifocais, carcinoma ductal in situ extenso e a possibilidade de melhorar os resultados estéticos nos tumores centrais ou dos quadrantes inferiores.

A fusão com as técnicas de cirurgia plástica veio ainda permitir a diminuição dos efeitos secundários da radioterapia na mama ptótica ou hipertrofiada, conjugando o tratamento oncológico à redução do volume mamário. A cirurgia oncoplástica da mama é baseada em três pontos fundamentais: cirurgia oncológica ideal, reconstrução homolateral e remodelamento contralateral imediato.

 

No geral, são mamoplastias redutoras, aplicando-se diversos pedículos. Entretanto, deve-se ter domínio de três principais: pedículo superior, pedículo inferior e round-block, possibilitando o remodelamento de cerca de 90% dos casos de cirurgias conservadoras.

O planejamento operatório deve ser adequado, enfatizando o tamanho e localização do defeito, a proximidade com a pele e com o complexo aréolo-mamilar, tempo cirúrgico, experiência do cirurgião, expectativas e condições clínicas da doente, a avaliação do volume, ptose mamária, grau de lipossubstituição e relação volumétrica tumor-mama.

Oncoplastia da mama

Indicações da oncoplastia mamária:

  • Gigantomastias;
  • Mamas com ptose acentuada;
  • Necessidade de ressecções amplas de pele;
  • Mamas pequenas mas com possibilidade de correção de defeito com técnicas de mamoplastia;
  • Tumores localizados em regiões inseridas em áreas clássicas de redução mamária.

Existem contraindicações relativas, como:

  • Mamas pequenas e tumores extensos de região medial;
  • Mamas não ptóticas e de pequeno volume
  • Radioterapia prévia;
  • Ressecção extensa de pele fora da área de mamoplastia;
  • Tabagismo;
  • Diabetes descompensado;
  • Expectativas desproporcionais.

A cirurgia

Localização Ptose Técnica
Tumores de QSM, QQSS, QSL com ptose Pedículo inferior
sem ptose Round-Block
Tumores de quadrante central sim e com ptose Grisotti
sim, mas sem ptose Bolsa de tabaco
Tumores de QIL, QIM, QQII sim, com ptose e pele redundante Pitanguy
com ptose, mas sem pele redundante Lejour
sem ptose Round-Block

Existem ainda muitas outras técnicas que podem ser realizadas, inclusive utilizando-se próteses mamárias, onde serão tratadas em uma segunda oportunidade.

Os cuidados pós-operatórios são:

  • Não retirar pontos antes de 15-21 dias;
  • Usar sutiã cirúrgico por 30 dias;
  • Evitar elevar os membros superiores a cima do nível do ombro por 21-30 dias;
  • Não dormir em decúbito ventral ou lateral.

 

Autor:

Adriana Marinho Dapont
Adriana Marinho Dapont

Presidente da Regional Acre da Sociedade Brasileira de Mastologia/Acre Membro da Comissão de Oncoplastia e Reconstrução Mamária • Comissão de Residência Médica da Fundação Hospital Estadual do Acre (FUNDHACRE) • Preceptora de Programa de Residência Médica em Obstetrícia e Ginecologia • Bacharelado em Medicina com aulas teóricas e práticas na Disciplina de Saúde da Mulher • Professor Medicina na Uninorte e Faculdade de Medicina Barão do Rio Branco (FAB) • Programa pró-internato do Ministério da Saúde Preceptora do Internato do Curso Medicina UFAC.

Referências bibliográficas:

  • Berry MG, Fitoussi AD, Curnier A, Couturaud B, et al. Oncoplastic breast surgery: a review and systematic approach. J Plast Reconstr Aesthet Surg, 2010;
  • Brasil. Diário Oficial Da União. Publicado em: 04/10/2019 | Edição: 193 | Seção: 1 | Página: 1 Disponível em <http://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/56129614/do1-2018-12-20-lei-n-13-770-de-19-de-dezembro-de-2018-56129336. > Acesso dia 09 de outubro de 2019;
  • Clough KB, Kaufman GJ, Nos C, Buccimazza I, Sarfati Im. Improving breast cancer surgery: a classification and quadrant per quadrant atlas for oncoplastic surgery. Ann Surg Oncol, 2010; 17:1375-1391;
  • Franceschini G , Terrível D , Magno S , Fabbri C , Accetta C , Di Leone A, Moschella F , Barbarino R , Scaldaferri A , Darchi S , Carvelli ME , Bove S , Masetti R. Update on oncoplastic breast surgery. Revista Europeia de Ciências Médicas e Farmacológicas [01 Out 2012, 16 (11): 1530-1540];
  • Franceschini G, Magno S, Fabbri C, Chiesa F, Moschella F, Scafetta I, Scaldaferri A, Fragomeni S. Conservative and radical oncoplastic approches in the surgical treatment of breast cancer. Eur Rev Med Pharmacol Sci, 2008;
  • Frasson A, Millen E, Novitta G e outros. Doenças da mama: guia de bolso baseado em evidências. São Paulo; Editora Atheneu, 2013;
  • Lejour M. Vertical mammaplasty: early complications after 250 personal consecutive cases. Plast Reconstr Surg. 1999;104(3):764-70;
  • Rainsburry RM. Surgery Insight: oncoplastic breast-conserving reconstruction – indications, benefits, choices and outcomes. Nat Clin Pract Oncol. 2007 Nov; 4(11):657-64;
  • Schwartz GF, Veronesi U, Clough KB, et al. Proceedings of the consensos conference on breast conservation, Milan, Italy. Cancer, 2006;
  • Skillman J, Humzah D. The future of breast surgery: a new subspecialty of oncoplastic breast surgeons? Breast 1Jun 2003; 12 (3): 161-2, 2003;

#Diferenças em #hipertensão arterial entre 3 diretrizes: SBC, AHA e ESC

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médico aferindo a pressão de uma paciente com hipertensão arterial

 

Segundo a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (HA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), no Brasil, HA atinge 32,5% (36 milhões) de indivíduos adultos, mais de 60% dos idosos, contribuindo direta ou indiretamente para 50% das mortes por doença cardiovascular (DCV). Junto com DM, suas complicações (cardíacas, renais e AVE) têm impacto elevado na perda da produtividade do trabalho e da renda familiar, estimada em US$ 4,18 bilhões entre 2006 e 2015.

Segundo dados Organização Panamericana de Saúde (OPAS), a HA é geralmente desconhecida pela metade dos pacientes, e entre aqueles que conhecem seu problema, somente a metade deles recebe algum tipo de assistência médica para seu controle, deixando quase 75% de todos os casos sem nenhum tipo de atenção ou serviços médicos.

Como resultado desta situação, aproximadamente 60% de pacientes apresentam algum tipo de complicação micro-vascular no momento do diagnóstico inicial, o que gera uma grande porcentagem de pacientes com complicações irreversíveis posteriores, entre elas, perda da visão e problemas renais. No Brasil, estima-se que aproximadamente 30% da população geral com mais de 40 anos possa ter a pressão arterial elevada.

 

Além de sua elevada prevalência, sabe-se que a HA é um dos mais importantes fatores de risco para a gênese das doenças cardioneurovasculares. Torna-se extremamente relevante assim um conhecimento profundo de sua classificação e metas para tratamento e/ou controle.

1. Classificação da HA:

SBC2016

2. AHA 2017:

3. ESC 2018:

As tabelas acima demonstram que os valores considerados normais para a pressão arterial são estipulados ou determinados por um grupo de especialistas. Ou seja, trata-se de uma convenção. E por isto, eles são modificados ao longo do tempo e de acordo com o entendimento de cada sociedade em ser mais ou menos rigorosa. Por exemplo o que seria uma pressão arterial (PA) normal? Quais valores seriam assim transmitidos aos colegas médicos, estudantes, pacientes e familiares?

A resposta correta é depende. Para a AHA o valor é PA < 120 x 80 mmHg. Para o ESC PA < 130 x 85 mmHg. Já para a SBC o valor normal é aquele de PA ≤ 120 x 80 mmHg. Vejam que para um simples valor normal de PA apresenta variações expressivas.

 

E qual seria o valor considerado diagnóstico de HÁ? Para a SBC e ESC ≥ 140 x 90 mmHg. Já para a AHA o valor normal é de ≥ 130 x 80 mmHg. Isto impacta sensivelmente em vários aspectos como por exemplo a estimativa da prevalência será sempre maior quanto menor for o ponto de corte. E na decisão pelo tratamento farmacológico já que um ponto de corte menor, probabilisticamente falando, eleva expressivamente a possibilidade de necessidade de uso de fármacos para controle pressórico.

Autor:

André Rodrigues Durães
André Rodrigues Durães

Diretor Médico do Hospital Geral Roberto Santos – SUS – Bahia ⦁ Presidente da Abramurgem Regional Bahia ⦁ Doutor em Medicina e Saúde /Universidade Federal da Bahia (UFBA) ⦁ Professor Adjunto de Semiologia Médica – UFBA ⦁ Especialista em Cardiologia –Sociedade Brasileira de Cardiologia ⦁ Especialista em Terapia Intensiva – AMIB

Referências bibliográficas:

#Sarcopenia: um elo entre a #nutrologia e a #geriatria

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mãos de idoso que apresenta sarcopenia

 

senescência é o envelhecimento fisiológico e natural do corpo humano. Ao final da terceira década de vida, ocorrem as primeiras alterações funcionais e estruturais em diversos sistemas orgânicos.

O processo de envelhecer é influenciado pelo fator genético e, em maior peso, pelo estilo de vida de cada indivíduo. Tanto o declínio das funções biológicas quanto os padrões de comportamento do indivíduo são fundamentais para a determinação de um envelhecimento saudável – senescência – ou patológico – senilidade.

O envelhecimento do músculo, um processo natural envolvendo perda de massa, força e função musculares, é denominado sarcopenia.

Assim como outros sistemas, o sistema muscular esquelético chega à sua maior funcionalidade entre a segunda e a quarta década de vida e, a partir daí, sofre um declínio, com acentuação após os 70 anos de idade. Entretanto, a sarcopenia agrava-se quando relacionada a outras doenças osteomusculares, como dinapenia, osteoporose e osteopenia. O impacto desse quadro é o comprometimento da capacidade funcional, ou seja, a incapacidade de o indivíduo realizar as atividades básicas e instrumentais da vida diária, afetando qualidade de vida, inserção na sociedade, dependência e aumentando o risco de quedas e fraturas em decorrência de fragilidade, institucionalização e morte prematura.

É possível compreender que essas doenças são alterações fisiopatológicas similares em tecidos diferentes – osso, músculo e tecido nervoso – e compõem uma síndrome musculoesquelética grave, capaz de prejudicar o processo de envelhecimento do indivíduo. Para entender a sarcopenia e, consequentemente, tomar medidas preventivas, é necessário compreender sua complexa etiologia.

 

A sarcopenia é resultado da interação de distúrbios da inervação e diminuição da quantidade e da qualidade de fibras musculares, porém também é agravada por mecanismos alterados de anabolismo e catabolismo, como perdas hormonais, aumento de mediadores inflamatórios, diminuição da ingestão proteico-calórica, desuso do músculo por sedentarismo ou por doenças incapacitantes e caquexia, obesidade e presença de gordura intramuscular, associação com osteoporose e baixo nível de vitamina D sérica.

Existe uma forte relação da diminuição da independência, maior invalidez e comprometimento do sistema locomotor com comorbidades geriátricas comuns, como obesidade, doenças crônico-degenerativas, incontinência, delirium e úlceras de pressão, que alteram a mobilidade e a funcionalidade do paciente.

A obesidade tem papel fundamental na sarcopenia, manifestando-se por meio da obesidade sarcopênica, ou seja, presença de gordura intramuscular que, associada à atrofia, compromete ainda mais a função muscular.

O envelhecimento é, portanto, um processo que envolve diversas comorbidades simultâneas, entre elas o enfraquecimento e a perda de massa muscular, ou seja, o desenvolvimento natural da sarcopenia.

Por outro lado, o envelhecimento do músculo colabora para a piora do estado geral do idoso, uma vez que promove problemas de locomoção, maior grau de dependência, de risco de quedas e fraturas e de morte.

As fragilidades osteomusculares, como a sarcopenia, devem ser incluídas como componentes de síndromes geriátricas e receber a atenção necessária para que, por meio de medidas de prevenção, diminua-se esse processo natural, mantendo a massa e a força do músculo e alterando impactos negativos na vida do idoso.

 

Autor:

Nathany Ribeiro Barbosa
Nathany Ribeiro Barbosa

Graduada em Medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás em agosto de 2016 • Bolsista CNPq durante 03 anos com projeto na área de Oncogenética em câncer de colo de útero • Pós-graduada em Auditoria em Serviços de Saúde (Lato Sensu) em dezembro de 2016 • Pós-graduada em Prática Ortomolecular, Nutrigenômica e Envelhecimento Saudável em junho de 2016 • Pós-graduada em Adequação Nutricional e Manutenção da Homeostase, Prevenção e Tratamento de Doenças Relacionadas à Idade em abril de 2018 • Pós-graduada em Medicina do Tráfego em junho de 2018 • Médica com Título de Especialista em Medicina do Tráfego pela AMB em setembro de 2018 • Pós-graduando em Medicina Esportiva pela APM • Médica clínica na Vila São José Bento Cottolengo • Preceptora Clínica Médica pela PUC-GO desde agosto 2017

Referências bibliográficas:

  • Baumgartner, R.N.; Koehler, K.M.; Gallagher, D. et al. Epidemiology of sarcopenia among the elderly in New Mexico. Am J Epidemiol, 1998; 147:775 763.
  • Cruz Jentoft, A.J.; Baeyens, J.P.; Bauer, J.M. et al. Sarcopenia: European consensus on definition and diagnosis. Report of the European Working Group on Sarcopenia in Older People. Age and Ageing, 2010; 39: 412 423.
  • Waters, D.L.; Baumgartner, R.N. Sarcopenia and obesity. Clin Geriatr Med, 2011; 27: 401 421.
    Phillips, S.M.; Nutritional supplements in support of resistance exercise to counter age-related sarcopenia. Adv Nutr 2015;6(4):452-60.
  • Marcell, T.J.; Sarcopenia: causes, consequences, and preventions. J Gerontol A Biol Sci Med Sci 2003;58(10):M911-6.
  • Zdzieblik D, Oesser S, Baumstark MW, Gollhofer A, König D. Collagen peptide supplementation in combination with resistance training improves body composition and increases muscle strength in elderly sarcopenic men: a randomised controlled trial. Br J Nutr 2015 114(8):1237-45

#Diabetes tipo 2: #semaglutida oral e resultados cardiovasculares

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eletrocardiograma com resultados cardiológicos de semaglutida para diabetes

 

Diversos estudos estão sendo feitos e divulgados para avaliar a segurança do uso de semaglutida oral (agonista do receptor do peptídeo 1) em pacientes com diabetes tipo 2. Sabemos que é importante estabelecer a segurança cardiovascular de novas terapias para o diabetes, pois a doença cardiovascular é a causa mais comum de incapacidade e morte nesses pacientes.

O estudo PIONEER 4, publicado em agosto no The New England Journal of Medicine e apresentado na reunião da American Diabetes Association (ADA), mostra que o primeiro agonista oral dos receptores GLP-1 tem efeitos similares aos do agonista dos receptores GLP-1 injetável mais utilizado, o perfil de risco cardiovascular da semaglutida oral não foi inferior ao do placebo, nenhum risco cardiovascular (CV) foi verificado.

A semaglutida oral tem um perfil de segurança cardiovascular semelhante ao observado anteriormente com a forma injetável (Ozempic) em pacientes com diabetes tipo 2. O estudo foi feito em mais de 3.000 pacientes idosos com alto risco de doença cardiovascular, 3,8% dos indivíduos em semaglutida oral e 4,8% em um grupo placebo sofreram morte por causas cardiovasculares, infarto do miocárdio não fatal ou acidente vascular cerebral não fatal (taxa de risco 0,79, IC95% 0,57- 1,11, P <0,0001 para a não inferioridade).

Ao eliminar a barreira da injeção, a semaglutida oral tem potencial para uso no tratamento do diabetes tipo 2, inclusive em pacientes de alto risco com doença cardiovascular e doença renal crônica.

Outro estudo de segurança foi publicado no The Lancet comprovando que a segurança, incluindo a segurança renal, foi consistente com a classe agonista do receptor GLP-1 em pacientes com diabetes tipo 2 e insuficiência renal moderada, potencialmente fornecendo uma nova opção de tratamento para essa população.

Métodos do estudo PIONEER 4

Foram avaliados os desfechos cardiovasculares da semaglutida oral uma vez ao dia em um estudo randomizado, duplo-cego e controlado por eventos, envolvendo pacientes com alto risco cardiovascular (idade de ≥50 anos com doença renal crônica ou cardiovascular ou estabelecida ou idade ≥ 60 anos apenas com fatores de risco cardiovascular).

 

O desfecho primário em uma análise de tempo até o evento foi a primeira ocorrência de um evento cardiovascular adverso maior (morte por causas cardiovasculares, infarto do miocárdio não fatal ou derrame não fatal). O estudo foi projetado para descartar um excesso de risco cardiovascular de 80% em comparação com o placebo (margem de não inferioridade de 1,8 para o limite superior do intervalo de confiança de 95% para a taxa de risco para o desfecho primário).

Resultados

Um total de 3183 pacientes foram aleatoriamente designados para receber semaglutida oral ou placebo. A idade média dos pacientes foi de 66 anos; 2695 pacientes (84,7%) tinham 50 anos ou mais e apresentavam doença renal cardiovascular ou crônica. O tempo médio no julgamento foi de 15,9 meses. Os principais eventos cardiovasculares adversos ocorreram em 61 de 1591 pacientes (3,8%) no grupo semaglutida oral e 76 de 1592 (4,8%) no grupo placebo (taxa de risco de 0,79; intervalo de confiança de 95% [IC], 0,57 a 1,11; P <0,001 para não inferioridade).

Os resultados para os componentes do desfecho primário foram: morte por causas cardiovasculares, 15 de 1591 pacientes (0,9%) no grupo semaglutida oral e 30 de 1592 (1,9%) no grupo placebo (taxa de risco de 0,49; IC 95% 0,27 a 0,92); infarto do miocárdio não fatal, 37 de 1591 pacientes (2,3%) e 31 de 1592 (1,9%), respectivamente (taxa de risco de 1,18; IC 95%, 0,73 a 1,90); e AVC não fatal, 12 de 1591 pacientes (0,8%) e 16 de 1592 (1,0%), respectivamente (taxa de risco, 0,74; IC 95%, 0,35 a 1,57).

A morte por qualquer causa ocorreu em 23 de 1591 pacientes (1,4%) no grupo semaglutida oral e 45 de 1592 (2,8%) no grupo placebo (taxa de risco de 0,51; IC 95%, 0,31 a 0,84). Eventos adversos gastrointestinais que levaram à descontinuação da semaglutida oral ou placebo foram mais comuns com o semaglutida oral.

 

Notas:

  • O medicamento semaglutida age no organismo estimulando a secreção de insulina pelo pâncreas e é comumente usada em injeções subcutâneas aplicadas com uma espécie de caneta forma injetável;
  • Durante um uso relativamente curto, a semaglutida oral foi segura, de uma perspectiva cardiovascular, caso receba a aprovação da FDA (a forma injetável já é aprovada), provavelmente custará caro; o preço à vista da fórmula injetável se aproxima de US$ 10.000 anualmente;
  • A semaglutida oral melhorou os níveis de hemoglobina glicada em relação ao placebo, embora os autores observaram que o estudo PIONEER 6 não foi projetado para avaliar sua eficácia;
  • Os efeitos colaterais mais comuns no PIONEER 6 foram gastrointestinais as taxas de eventos adversos graves, no entanto, foram semelhantes entre semaglutida e placebo (2,6% vs 3,0%, respectivamente). O evento adverso mais comum foi náusea, essa pode ser uma vantagem da formulação injetável, uma vez que pode ser titulada muito lentamente para eliminar essencialmente náuseas como efeito colateral, enquanto a formulação oral não pode;
  • A previsão da chegada ao Brasil é 2021;
  • Esses estudos são apoiados pela empresa farmacêutica Novo Nordisk.

 

Autor:

Thiago Coelho Bandeca
Thiago Coelho Bandeca

Médico graduado pela UNOESTE • R2 de Cardiologia do Hospital São Francisco em Ribeirão Preto SP • Bacharel em Direito
MBA • FGV Gestão Empresarial

Referências bibliográficas:

  • Husain M, et al. Oral Semaglutide and Cardiovascular Outcomes in Patients with Type 2 Diabetes. N Engl J Med. 2019 Aug 29;381(9):841-851. doi: 10.1056/NEJMoa1901118;
  • Mosenzon O, et al. Efficacy and safety of oral semaglutide in patients with type 2 diabetes and moderate renal impairment (PIONEER 5): a placebo-controlled, randomised, phase 3a trial. Lancet Diabetes Endocrinol. 2019 Jul;7(7):515-527. doi: 10.1016/S2213-8587(19)30192-5.

#Candidíase de repetição: uso de #probióticos como terapia complementar

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candidíase é uma infecção fúngica altamente prevalente, causada por espécies do gênero Candida. Esse fungo faz parte da microbiota da pele e das mucosas, incluindo o trato gastrointestinal e a vagina. Entretanto, quando há disbiose, pode se tornar patogênico. O tratamento mais utilizado atualmente são os derivados azólicos, todavia, o índice de reincidência da infecção tem sido elevado. Dessa forma, o uso de probióticos associados ou não à terapia convencional pode ser uma opção para o tratamento da candidíase, considerando a importância da manutenção da microbiota intestinal no combate a infecções oportunistas.

A candidíase é a segunda vaginite mais frequente, acometendo 75% das mulheres em idade reprodutiva. Estima-se que cerca de 150 milhões de mulheres em todo o mundo são afetadas pela candidíase vulvovaginal de repetição, caracterizada por quatro ou mais episódios sintomáticos em um ano. A Candida albicans é responsável por 90% dos casos e a Candida glabrata está mais associada a episódios de recorrência. Os sintomas típicos da infecção são: corrimento vaginal brancacento, prurido intenso, dispareunia e disúria.

 

O uso dos derivados azólicos no tratamento da candidíase tem sido questionado devido à sua toxicidade, à baixa efetividade no combate ao patógeno e ao risco do surgimento de cepas resistentes. Os efeitos colaterais, tais como náuseas, vômitos e diarreia, contribuem para a baixa adesão ao tratamento. Além disso, o surgimento de cepas resistentes está associado à incapacidade de penetração do medicamento nos biofilmes da Candida, o que reduz a efetividade do tratamento.

A microbiota intestinal impacta diretamente na saúde urogenital feminina e no sistema imunológico. Isso porque, a principal forma de transmissão da candidíase é endógena; o fungo é translocado do intestino para a vagina através da região perianal e permanece como colonizador até que se estabeleçam as condições favoráveis ao desenvolvimento da doença, como a diminuição do pH vaginal, a baixa imunidade ou o uso de antibióticos de largo espectro.

 

Além disso, a microbiota intestinal fornece uma linha de defesa contra patógenos oportunistas, contribuindo para a modulação da imunidade (Figura 1).

Figura 1 – Mecanismos diretos e indiretos pelos quais a microbiota intestinal previne o estabelecimento de infecções oportunistas. A) Competição por nutrientes e sítios de adesão no epitélio intestinal, impedindo a adesão de patógenos. B) Produção de biosurfactantes, moléculas que diminuem a tensão superficial, impedindo a adesão microbiana às superfícies celulares e provocando o descolamento das células já aderidas. C) Produção de exometabólitos, como o ácido lático, peróxido e hidrogênio e bacteriocinas, que causam morte celular ou neutralização de toxinas microbianas. D) Modulação do sistema imune, a partir do aumento de citocinas anti-inflamatórias. E) Regulação funcional das junções de oclusão, o que limita o acesso de patógenos à circulação sistêmica. Fonte: produção do autor.

Dessa forma, uma disbiose intestinal aumenta a susceptibilidade a candidíase de repetição

Figura 2 — Influência da disbiose na candidíase vulvovaginal de repetição. Fonte: produção do autor.

Estudos mostram que o uso de probióticos tem sido eficaz no tratamento da candidíase de repetição, visto que os Lactobacillus, principais bactérias probióticas, corrigem a disbiose, impedem a formação de biofilmes da Candida e estimulam a resposta de macrófagos, de forma a minimizar processos inflamatórios.

A inflamação é essencial para a Candida evoluir de levedura para hifa, forma responsável pela patogenicidade. Sendo assim, a redução da resposta inflamatória impossibilita essa mudança morfológica, quebrando o ciclo vicioso entre inflamação, transição levedura-hifa e estabelecimento da candidíase (Figura 3).

Figura 3 – Mecanismos de ação dos Lactobacillus sp. especificamente contra a Candida albicans. Fonte: produção do autor.

Os estudos científicos comprovam que há espaço para o uso de probióticos no tratamento da candidíase vulvovaginal de repetição, principalmente se associados a terapia convencional, considerando a importância do equilíbrio da microbiota e da ação dos Lactobacillus sp. contra a Candida. Entretanto, essa opção terapêutica ainda é pouco utilizada, logo, difundi-la no meio acadêmico é de suma importância para a maior eficácia no tratamento das pacientes.

 

Autor:

Vera Lucia Angelo Andrade
Vera Lucia Angelo Andrade

Graduação em Medicina pela UFMG em 1989 • Residência em Clínica Médica/Patologia Clínica pelo Hospital Sarah Kubistchek • Gastroenterologista pela Federação Brasileira de Gastroenterologia • Especialista em Doenças Funcionais e Manometria pelo Hospital Israelita Albert Einstein • Mestre e Doutora em Patologia pela UFMG • Responsável pelo Setor de Motilidade da Clínica SEDIG BH desde 1995 • http://lattes.cnpq.br/0589625731703512

Artigo produzido em parceria com: Magalhães MV, Oliveira LRS, Tsai AFS, Brito LM, Morais RM, SEDIG BH, FAMINAS BH.

Referências bibliográficas:

  • Mulinari Paludo R, Marin D. Relação entre candidíase de repetição, disbiose intestinal e suplementação com probióticos: uma revisão. Revista Destaques Acadêmicos [Internet]. [Acesso outubro de 2019]; 10(3).
    Disponível em: http://univates.br/revistas/index.php/destaques/article/view/1745
  • Almeida SMA, Bezerra AN, Mendonça PS. Efeito da suplementação de Lactobacillus spp. no tratamento e prevenção de candidíase vulvovaginal e vaginose bacteriana. Rev Saúde Públ. 2017;v.10:44-60.
  • Davar R, Nokhostin F, Eftekhar M, Sekhavat L, Bashiri Zadeh M, Shamsi F. Comparing the Recurrence of Vulvovaginal Candidiasis in Patients Undergoing Prophylactic Treatment with Probiotic and Placebo During the 6 Months. Probiotics and Antimicrobial Proteins. 2016;8(3):130–3.
  • Matsubara VH. Efeito de bactérias probióticas sobre Candida albicans: ensaios em cultura de macrófagos e de biofilme. (Tese de Doutorado). São Paulo: Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; 2016.
  • Russo R, Superti F, Karadja E, De Seta F. Randomised clinical trial in women with Recurrent Vulvovaginal Candidiasis: Efficacy of probiotics and lactoferrin as maintenance treatment. Mycoses. abril de 2019;62(4):328–35.

#Vape: o #cigarro eletrônico é tão nocivo quanto o comum?

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homem fumando um cigarro eletrônico, vape

 

O cigarro eletrônico, também chamado vape (abreviação de “vaporizador”), voltou à discussão recentemente devido alguns casos de morte pelo uso do mesmo nos Estados Unidos. No Brasil, a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp) já fez um alerta de que os vapes não devem ser utilizados nem como terapia antitabagismo.

Esse tipo de cigarro está proibido de ser comercializado no país pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desde 2009. No entanto, eles continuam sendo vendidos em lojas online e físicas.

Apesar de ser considerado menos nocivo que o cigarro tradicional, ainda não se sabe ao certo quais os reais riscos do vape, inclusive com relação à incidência de câncer, o que vem gerando debates entre oncologistas de todo o mundo.

A International Agency for Research on Cancer (IARC) já identificou que há substâncias cancerígenas do grupo um em sua classificação. Na opinião de Clarissa Mathias, oncologista do Grupo Oncoclínicas, a chegada do cigarro eletrônico deve ser um ponto de alerta para a sociedade, principalmente os pais.

“Estamos vemos novas formas de tabagismo chegando, como esse dispositivo tecnológico, que tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, novidade e falta de informação também sobre o impacto nocivo deles. Então, estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro voltar para versões mais modernas, do mesmo mal”, afirma a especialista.

Vape: mortes nos Estados Unidos aquecem o debate

“Há algumas semanas foi confirmada a primeira morte relacionada ao cigarro eletrônico, nos Estados Unidos, por conta de problemas pulmonares graves em um rapaz. Existem metais pesados na sua composição, como níquel, cádmio e chumbo. Normalmente, você não leva uma pilha na boca, né? No caso do vape, é isso: você está colocando uma bateria na sua boca. E a gente não sabe qual é o resultado também do líquido no organismo”, adverte o cardiologista Márcio Gonçalves de Sousa, membro da Socesp e especialista em tratamento de tabagismo.

Até o fechamento desta matéria, as autoridades de saúde americanas já haviam identificado quatro óbitos ligados ao uso de cigarros eletrônicos. Um quinto caso ainda é investigado, mas não foi confirmado. A doença que causa a morte ainda não foi identificada. De acordo com o The Washington Post, há 450 pessoas que potencialmente sofrem da mesma patologia no país.

 

Composição do cigarro eletrônico e riscos

Mesmo as opções vendidas como sendo menos prejudiciais, como aquelas sem nicotina, não devem ser consumidas. Uma pesquisa realizada pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), nos Estados Unidos, em 2015, mostrou que o vapor gerado pelo aparelho também pode causar inflamações pulmonares. Substâncias como a acroleína, presente neste tipo de vape, são danosas às moléculas que mantêm as células endoteliais unidas.

O chamado e-cigarro é composto, normalmente, por uma lâmpada de LED, bateria, microprocessador, sensor, atomizador e cartucho de nicotina líquida. Esta última é aquecida por uma pequena resistência, fazendo com que se torne vapor. “Existe uma falsa sensação de segurança conferida ao fumante, conforme documento elaborado pela Anvisa, em 2017. Por isso, é muito importante restringir esse tipo de aparelho”, enfatiza Márcio de Sousa.

O tabaco também agride o endotélio, tornando as artérias mais suscetíveis à formação de placas ateroscleróticas. “O cigarro ainda acelera a oxidação do colesterol e, em associação à pílula anticoncepcional, pode aumentar o risco de acidente vascular cerebral (AVC) em mulheres. Nenhuma quantidade é segura. Apenas um já pode causar diversos malefícios à saúde”, destaca o cardiologista.

O cigarro eletrônico não possui combustão nem alcatrão, mas o vapor d’água leva metais pesados ao organismo, aos quais não se sabe, com certeza, quais serão as consequências ao longo dos anos de uso.

Vape: variedade de tipos atrai os consumidores

Hoje já existem mais de 8 mil cigarros eletrônicos no mercado, com várias gerações. “A primeira parecia um cigarro mesmo. A segunda, um cartucho recarregável. Agora estamos na era dos e-liquids. Compra-se o líquido separado, que parece um colírio. Existe o aquecido, que está entrando no mercado, e que, embora falem que não há combustão, existem estudos que mostram que existe sim, e o cartucho, que é o que parece um pen drive’, esclarece Márcio de Sousa.

Nos cigarros normais, demora-se, em média, 15 segundos para fazer o efeito da nicotina. Já no vape, a indústria simula o pico da principal substância do cigarro, acrescentando amônia para aumentar a rapidez da entrega da sensação do prazer.

Números atuais

O Relatório da Convenção para o Controle do Tabaco, da Organização Mundial da Saúde (OMS), pede para que os 181 países participantes proíbam dispositivos eletrônicos para fumar. E uma das estratégias da indústria para driblar as restrições e atrair jovens é colocar sabores no aparelho.

Estima-se que 90% dos fumantes iniciaram a prática antes dos 19 anos e o vape pode ser um atrativo sedutor aos adolescentes, induzindo a um novo vício. Embora o Brasil tenha se tornado a segunda nação do mundo a adotar todas as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o combate ao tabagismo, a dependência ainda mata cerca de 430 pessoas por dia, conforme dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Se o hábito de fumar fosse abolido, mais de 156 mil vidas seriam poupadas anualmente no país.

Combate ao tabagismo

Tratar de forma medicamentosa os fumantes, com acompanhamento médico, é uma das maneiras mais eficazes para o abandono do vício. Além disso, a adoção de leis que dificultem o consumo do tabaco é outro modo de melhorar os índices de saúde brasileiros.

“Os médicos não devem recomendar o uso dos cigarros eletrônicos como tratamento para amenizar os efeitos da nicotina. Existem pesquisas que mostram que o cigarro eletrônico pode aumentar também as chances de uma pessoa sofrer acidente vascular encefálico. Portanto, é melhor trabalhar com a teoria da precaução: não existem dados que comprovem a eficácia e a segurança. A Anvisa está certa em proibir a comercialização dos cigarros eletrônicos no país”, defende o cardiologista da Socesp.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

 

Referências bibliográficas:

#Ingesta de carbohidratos y riesgo de síndrome metabólico

Postado em

Resultados de un metanálisis de dosis-respuesta de estudios observacionales
Autor: Ya-ShuLiuab1Qi-JunWuab1YangXiaab1Jia-YuZhangab1Yu-TingJiang, et al Fuente: Nutrition, Metabolism and Cardiovascular Diseases https://doi.org/10.1016/j.numecd.2019.09.003 Carbohydrate intake and risk of metabolic syndrome: a dose-response meta-analysis from observational studies
Puntos destacados

  • La ingesta de carbohidratos se asocia con una mayor probabilidad de tener síndrome metabólico.
  • Se encontraron relaciones lineales de dosis-respuesta, con un aumento del 2.6% en el riesgo de síndrome metabólico por cada 5% de consumo de energía de los carbohidratos.
  • La asociación entre la ingesta de carbohidratos y el riesgo de MetS parece verse afectada por la región.

Resumen
Antecedentes y objetivos

Los estudios de asociación epidemiológica han mostrado hallazgos inconsistentes entre la ingesta de carbohidratos y el riesgo de síndrome metabólico (MetS). Por lo tanto, nuestro objetivo es realizar el primer metanálisis de dosis-respuesta para investigar este efecto.

Métodos y Resultados

Se realizó una búsqueda sistemática en las bases de datos de PubMed y Web of Science durante el 01 de junio de 2019, junto con un escrutinio de la literatura relevante, para identificar estudios relacionados para su inclusión en el estudio.

Calculamos los odds ratios (OR) con intervalos de confianza (IC) del 95% utilizando un modelo de efectos aleatorios.

Además, se realizaron análisis de subgrupos, sensibilidad, heterogeneidad y sesgo de publicación. Este metanálisis incluyó 14 estudios transversales y cuatro de cohortes, con un total de 284.638 participantes y 69.554 casos de MetS.

Los valores de ingesta de carbohidratos más altos versus más bajos se asociaron con un mayor riesgo de Síndrome Metabólico (MetS) (OR: 1.253, IC 95%: 1.147-1.368), con heterogeneidad moderada (I2 = 54.5%).

Usando el análisis de dosis-respuesta, encontramos una asociación lineal entre el consumo de carbohidratos y el riesgo de MetS con un OR correspondiente de 1.026 (IC 95%, 1.004-1.048) y con una heterogeneidad significativa (I2 = 82.0%) con un 5% de energía de la ingesta de carbohidratos.

Hemos encontrado resultados similares utilizando análisis de subgrupos para las principales características del estudio y ajustes para los factores de confusión. El análisis de sensibilidad mejoró aún más la solidez de los resultados, y no se detectó ningún sesgo de publicación.

Conclusión

La ingesta de carbohidratos se asocia con un mayor riesgo de desarrollar Síndrome Metabólico. Por lo tanto, se requieren estudios de cohorte prospectivos grandes adicionales para confirmar nuestros hallazgos.

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