Medicina Física y rehabilitacion

#Síndrome pós-covid: uma condição que pode durar meses

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Mulher permanece cansada após alta de infecção por Covid-19, o que pode ser Síndrome de Fadiga Crônica

A Síndrome de Fadiga Crônica (SFC) é uma condição cujo principal sintoma é a presença de fadiga que piora com atividade física e ou mental, mas não melhora com o repouso. Ela persiste por um período maior que seis meses, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR). Diversos estudos realizados em instituições de saúde diferentes pelo mundo apontam a presença de fadiga como um sintoma preponderante de Covid-19. Tanto na fase aguda quanto na fase de convalescência. A incidência varia de 70 a 90% no período agudo, associada ao quadro febril, e de 37 a 53% no período de convalescência. Em um estudo observacional chinês, a fadiga persistiu por mais de 60 dias após a cura.

Especialistas ressaltam que ainda é cedo para tirar todas as conclusões sobre a doença. “A fadiga pode ser intensa para quem teve o diagnóstico positivo para a Covid-19, mas convém separar do conceito de síndrome de fadiga crônica. Tendo em vista que a maioria dos pacientes ainda não alcançou o período de seis meses de cura clínica/laboratorial para serem classificados como tal”, diz a reumatologista Selma Merenlender, diretora técnica do Centro Multidisciplinar Fluminense e ex-presidente da Sociedade de Reumatologia do Rio de Janeiro (SRRJ), em entrevista ao Portal de Notícias da PebMed.

 

Fatores que podem contribuir para a fadiga

“Pacientes que tiveram necessidade de oxigenação, geralmente, principalmente aqueles que estiveram em Unidades de Terapias Intensivas (UTIs), necessitando de intubação traqueal, apresentaram mais fadiga após a recuperação da Covid-19. Hipóteses de que as alterações imunológicas, metabólicas e do sistema nervoso possam ter responsabilidades pelo aparecimento deste sintoma ainda são especulativas. Assim como também o são na síndrome da fadiga crônica”, pontua Paulo Roberto Stocco Romanelli, médico especialista em Reumatologia e Reumatologia Pediátrica, e médico do Núcleo Avançado de Reumatologia do Hospital Sírio Libanês (NARe), em entrevista ao Portal de Notícias da PebMed.

De acordo com Selma Merenlender, a fadiga é um achado clínico frequente. Não somente em doenças autoinflamatórias como o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES), como também nas infecções bacterianas crônicas, nas micobacterioses e nas viremias crônicas, em especial hepatites e Epstein Barr (VEB).

“Acredita-se que a fadiga esteja ligada a altos níveis de Interleucina 6, que além de produzir o cansaço é responsável por diversas alterações hepáticas e indutora de anemia. Altos níveis de Interleucina 6 são encontrados em pacientes em fase crítica de Covid-19. Em especial os que evoluem com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAV), como também naqueles que desenvolvem fenômenos trombóticos. O fator de Necrose Tumoral Alfa (TNF) é encontrado em níveis séricos elevados nas fases graves da sepse viral da doença, assim com a Interleucina 1beta. Todas estas citocinas são capazes de produzir febre e fadiga”, esclarece Selma Merenlender.

 

Outros fatores

Níveis elevados de citocinas são encontrados até por mais de 30 dias após a resolução dos sintomas clínicos, pela manutenção de linfócitos T e B ativos. A recuperação da homeostase do sistema imune pode demorar até 60 dias.

Ainda segundo a reumatologista, outro fator que pode contribuir para a fadiga observada em pacientes com Covid-19 é a hiperativação da tiroide durante a fase aguda da infecção e naqueles com baixa reserva folicular, quadros de hipotiroidismo podem se estabelecer, acumulando fatores para a fadiga.

Os médicos devem considerar, em especial nos idosos, a insuficiência da glândula suprarrenal, que ocorre com frequência após a sepse. A anemia por consumo e/ou hemólise durante a sepse viral também pode ser fator que pode contribuir para a fadiga. E, dependendo das reservas de ferro do paciente, pode persistir além da fase de convalescência.

Já Paulo Romanelli chama a atenção para os variados graus de mialgias/miosites. O consumo de massa muscular, a anemia, os acometimentos pulmonares e cardíacos, além da utilização de diversos medicamentos — como corticosteroides, anestésicos e antibióticos — que também podem ser os responsáveis pelo aparecimento da fadiga crônica no período de convalescença. Este que, por sua vez, será tanto maior quanto maiores forem as sequelas oriundas dos diversos graus do processo inflamatório originado pelo novo coronavírus.

É importante lembrar que fatores psicológicos também podem contribuir para a fadiga relacionada à doença.

 

Tratamento e reabilitação

Como a Covid-19 é uma doença nova, os pesquisadores ainda não conseguiram estudar o tempo de recuperação e quais podem ser as implicações a longo prazo.

Especialistas concordam que não há um tratamento específico para a fadiga pós-Covid-19: a única alternativa é, basicamente, tentar aliviar os sintomas do paciente.

“A recuperação é variável, sobretudo dependente da gravidade do quadro clínico, comorbidades pré-existentes e idade do paciente. Ainda não existe dado consensual sobre este assunto, com variações em diferentes estudos. Segundo um estudo italiano, se os sintomas iniciais forem leves, entre 2-3 semanas poderá haver uma boa recuperação. Casos mais graves podem levar 60 dias ou mais, onde os principais sintomas persistentes são fadiga, dispneia, dores articulares e torácicas. Muitas vezes pode ser necessária a utilização de medicamentos que visem um melhor bem-estar destes pacientes, como ansiolíticos e antidepressivos, nas situações de alteração do humor. Assim como orientação para suporte psicológico com profissional adequado”, afirma Paulo Romanelli.

O que tem sido feito?

Diversas abordagens estão sendo estudadas para esses pacientes. Por exemplo, a reposição de vitaminas, a suplementação de micronutrientes, como magnésio, zinco e ferro, aminoácidos como arginina e o tratamento das lesões orgânicas, como o hipotiroidismo e hipocortisolismo. Diversos pacientes necessitaram de tratamento para as manifestações neuropsiquiátricas.

O exercício físico deverá ser iniciado ou restabelecido de forma gradativa e muito mais lentamente em sua progressão.

“A fadiga relacionada à Covid-19 deverá ter uma abordagem terapêutica multidisciplinar. É de extrema importância que o paciente entenda que esse sintoma poderá persistir por períodos longos. Costumo usar uma analogia com o fim de uma festa: a música já acabou, os convidados já partiram, mas a casa ficou uma sujeira e tomará muito tempo até que a equipe de limpeza recolha todo o lixo e organize tudo em seus devidos lugares. E o tempo desta reorganização dependerá do número de pessoas envolvidas neste processo e dos materiais disponíveis para tal”, conclui Selma Merenlender.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Referências bibliográficas:

#Síndrome de dor miofascial: pontos-gatilho miofasciais e seu papel no #tratamento da cefaleia

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Mecanismos vasculares, centrais e periféricos têm sido ligados à patofisiologia das cefaleias primárias, em especial a migrânea. A ocorrência de dolorimento pericraniano espontâneo e à palpação em pacientes com migrânea é descrita na literatura, o que leva à suposição de que mecanismos miofasciais possam estar ligados à gênese da migrânea de alguma maneira.

 

Dor miofascial

O conhecimento sobre a dor miofascial ganhou impulso a partir da década de 1950 a partir dos trabalhos de alguns médicos, entre eles a Dra. Janet Travell, que depois veio a escrever o livro que é referência na área até os dias de hoje. A dor miofascial é fonte de nocicepção concomitante a várias condições clínica, desde quadros de lombalgia até disfunções orofaciais, por exemplo.

Como o próprio nome diz, dor miofascial significa dor proveniente de músculos e tecidos conjuntivos e um de seus atributos principais é a existência de pontos gatilho miofasciais. Esses pontos gatilho são pontos irritáveis ​​dentro de bandas anormais de músculo ou fáscia que, quando pressionados, causam dor local e dor referida com padrões específicos para cada músculo, e que quando palpados exacerbam ou reproduzem a experiencia de dor reportada pelo paciente.

Quando comparamos controles saudáveis com pacientes diagnosticados com migrânea, a coexistência de dor miofascial parece correlacionar-se tanto com a gravidade das crises, quanto com a cronicidade da cefaleia. A abordagem concomitante da dor miofascial em pacientes que realizam tratamento para quadros crônicos de cefaleia também parece promover benefícios adicionais no controle da doença. Os músculos mais comumente afetados por dor miofascial em pacientes com cefaleia são trapézio, esternocleidomastoideo, temporal e masseter.

 

Tratamento da cefaleia

Entre especialistas em cefaleia, o tratamento concomitante da dor miofascial em pacientes com cefaleia do tipo tensional e migrânea pode chegar a 81.5% e 67.7% dos pacientes tratados, respectivamente. Assim, em publicação recente, a American Headache Society concluiu que muitos cefaliatras utilizam o tratamento da dor miofascial no auxílio do controle da dor e incapacidade em pacientes com cefaleia de diferentes origens e, apesar da relativa escassez de dados sobre eficácia, quando realizado de maneira apropriada, com adequada seleção de pacientes e com as conhecimento anatômico e experiência técnica adequadas, o agulhamento miofascial parece ter um papel no tratamento adjuvante das cefaleias primárias.

Portanto, a disfunção miofascial, além de ser clinicamente relevante em diversas condições de dor musculoesquelética, parece ter algum papel no tratamento adjuvante de cefaleias primarias como a migrânea. Assim, deve-se considerar a contribuição dos pontos-gatilho miofasciais para a dor e incapacidade do paciente através de um histórico médico cuidadoso e de um exame físico específico. Em geral, pacientes com pontos-gatilho miofasciais se beneficiarão de um plano de tratamento multimodal, incluindo o agulhamento miofasical e técnicas de terapia manual.

Eu e outros especialistas da área conversaremos sobre dor miofascial, diagnóstico e tratamento, no “I Summit Brasileiro de Dor Miofascial”.

Autor:

João Paulo Bittar

Médico Especialista em Acupuntura pela Associação Médica Brasileira (AMB) ⦁ Diretor da Myomed Brasil

Referências bibliográficas:

  • Andreou, A. P. & Edvinsson, L. Mechanisms of migraine as a chronic evolutive condition. J. Headache Pain 20, 117 (2019).
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  • OCS, J. M. D. P. D., Fernández-de-Las-Peñas, C., Finnegan, Mi. & Freeman, J. L. Travell, Simons & Simons’ Myofascial Pain and Dysfunction: The Trigger Point Manual. (LWW, 2018).

#Dores na virilha: como tratar a #tendinite de iliopsoas?

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Máquina de ressonância utilizada para realizar o diagnóstico de tendinite de iliopsoas

tendinite de iliopsoas é uma das causas de dor anterior no quadril ou na virilha. Afeta mais adultos jovens, predominantemente mulheres. O músculo iliopsoas é um flexor do quadril e rotador externo do fêmur.

Quais as causas da tendinite de iliopsoas?

As duas causas principais são lesão aguda ou lesão por uso excessivo. A lesão aguda geralmente envolve uma contração excêntrica exagerada do músculo iliopsoas (flexão rápida contra força ou resistência de extensão) ou por um trauma direto. Lesões por uso excessivo ocorrem em atividades que envolvam flexão repetida do quadril ou rotação externa da coxa, como dança, balé, treinamento de resistência, ciclismo, remo, corrida em subidas, atletismo, futebol e ginástica.

A dor é insidiosa durante ou após atividade em região anterior da virilha ou quadril, podendo irradiar para coxa anterior até joelho. Se não diagnosticada e tratada, pode se tornar persistentes.

Alguns indivíduos relatam estalos/cliques no quadril ou na virilha (síndrome do estalo interno do quadril). Nesta síndrome, o tendão inflamado do iliopsoas rola sobre a bursa do iliopsoas ou a cabeça do fêmur, provocando um estalo palpável e audível.

Dentre os diagnósticos diferenciais, deve-se pensar em: contusões musculares, síndrome do impacto femoro-acetabular, necrose avascular da cabeça do fêmur, fratura de estresse no colo femoral, tendinite e bursite do quadril, lesão labral, doença de legg-calve-perthes.

A ressonância magnética é o exame padrão-ouro. Mas a ultrassonografia também pode ser eficaz. Após o diagnóstico, o paciente deve passar por um programa completo de reabilitação. Inicialmente são indicados: ciclos de medicação anti-inflamatória, gelo diário, repouso relativo (prevenção de atividades que estressam o músculo iliopsoas), além dos exercícios.

 

Programa de Reabilitação para Tendinite de Iliopsoas

1. Fase Aguda

  • Objetivo principal: aliviar a dor, contraturas e inchaço.
  • Exercícios: alongamentos suaves, analgesia

2. Fase de Recuperação

  • Objetivo: retorno gradual das amplitudes de movimento, força, resistência, propriocepção e atividade normais do esporte do paciente.
  • Principais exercícios de alongamento: iliopsoas, rotadores externos, reto femoral.
  • Exercícios de fortalecimento: início gradual, isométrico com pesos ou faixas elásticas e progressão de acordo com tolerância do paciente. Bons resultados tem sido vistos com fortalecimento isocinético. Lembrando que não pode haver dor durante a atividade. Principais grupos musculares: isquiotibiais, iliopsoas, musculatura abdominal, glúteo máximo. Podem ser iniciados bicicleta com baixa resistência.

3. Fase de Manutenção

  • Objetivo: retorno às atividades e práticas esportivas habituais.
  • Exercícios podem ser iniciados em academia, com aumento gradual da resistência.
  • As atividades recomendadas: patins, ciclismo, dança, patinação, passeios a cavalo e remo. Atividades que devem ser feitas com cautela: futebol, ciclismo competitivo, corrida e ginástica.
  • A manutenção de um programa de alongamento e fortalecimento é crucial.

 

Mensagem final

Outros tratamentos podem ser realizados em casos refratários como: infiltração muscular ou peritendinosa, bem como, procedimentos cirúrgicos. A melhor prevenção é um programa focado de flexibilidade e fortalecimento, que deve incluir, no mínimo, os flexores do quadril, extensores do quadril, flexores do joelho, extensores do joelho e musculatura abdominal.

 

Autor(a):

Carmen Orrú

Formada em 2013 pela Universidade São Francisco (USF) ⦁ Médica Fisiatra (Medicina Física e Reabilitação) pela FMUSP-SP (2017 – 2020) ⦁ R4 – Residência Médica em Eletroneuromiografia/Neurofisiologia Clínica pela FMUSP-SP (2020 – 2021) ⦁ Experiência de 3 anos em Médica Clínica Geral e Saúde da Família e Comunidade (2014 – 2017) ⦁ E-mail para contato: carmencaroline.o@gmail.com

Referências bibliográficas:

#Telerehabilitation May Be Effective in #MS

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ilustrativa

Telerehabilitation is safe and may offer functional benefits comparable to those of outpatient rehabilitation for patients with multiple sclerosis (MS) and impaired mobility. Telerehabilitation also saves time and travel cost, compared with outpatient rehabilitation.

“This model of home-based telerehabilitation offers a safe and cost-effective method for improving function and quality of life for MS patients with mobility deficits,” said Heather Barksdale, DPT, a neurological clinical specialist at UF Health Jacksonville (Florida).

The study was presented at the virtual meeting of the Consortium of Multiple Sclerosis Centers (CMSC).

The Centers for Medicare & Medicaid Services do not reimburse for telerehabilitation services. Patients with MS have difficulty accessing rehabilitation specialists because of impaired mobility and lack of access to transportation. “We are based in Jacksonville, Fla., and often have patients who have to travel from Tallahassee, Panama City, Daytona Beach, and Brunswick, Ga., to receive specialty services,” said Dr. Barksdale. “Telerehabilitation would allow these patients to get access to high-quality rehab services with clinicians that specialize in MS.”

Dr. Barksdale and colleagues conducted a pilot study to evaluate the feasibility of a physical therapy–guided telerehabilitation program for people with mobility impairments resulting from confirmed MS. The investigators enrolled patients at the MS Center of Excellence at University of Florida Health Jacksonville into a telerehabilitation group. A board-certified neurologist and a physical therapist specializing in MS examined participants in person at baseline. The latter underwent an 8-week program of physical therapy–guided telerehabilitation that used the Jintronix software platform and a kinetic tracking system.

By reviewing charts during January 2018–September 2019, Dr. Barksdale and colleagues selected patients with MS who were seen on an outpatient basis by the same physical therapists who were administering telerehabilitation. This outpatient comparison group was matched to the telerehabilitation group on duration of treatment and outcome measures completed. Dr. Barksdale and colleagues reviewed the data for the effects of the two interventions on mobility and travel.

Eight patients completed the telerehabilitation program, and all had improvements in fatigue, quality of life, or mobility measures. The investigators did not observe any adverse events during or after the intervention. The total savings in projected travel costs for all eight participants was $8,487.23, compared with the outpatient group. Participants in the telerehabilitation and outpatient groups achieved minimal detectable changes in the outcome measures examined at equivalent rates.

“The game-based model with virtual visits by a physical therapist can be modified to include exercises specific for other motor, coordination, spasticity, and movement dysfunctions and may be useful for other chronic and progressive dysfunction seen in Parkinson’s disease, stroke, and other movement and neuromuscular disorders,” said Dr. Barksdale.

“Future studies are needed to further establish guidelines for patient selection and mode of delivery, as well as design of future telerehabilitation programs,” she added. “Duration of treatment and types of exercises to be included should also be examined. Further research into use of telerehabilitation for the treatment of upper-extremity, cognitive, speech, and swallowing dysfunction should also be examined.”

The investigators conducted their study without outside funding and reported no disclosures.

Consortium of Multiple Sclerosis Centers (CMSC): Abstract REH11. Published online May 25, 2020.

 This article originally appeared on MDedge.

 

#Dores no pós-operatório de #cirurgias de coluna

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Pontos em mulher que se ncontra em fase pós-operatória após passar por cirurgia de coluna.

Dores após cirurgias de coluna (ou síndrome dolorosa pós-laminectomia) são frequentes e podem ser intensas, principalmente, nos primeiros dias.

Cerca de 40% dos pacientes sentem dores após procedimentos cirúrgicos de região cervical, torácica ou lombar. O manejo adequado da dor nesse período está correlacionado com o melhor resultado funcional, deambulação precoce, alta precoce e prevenção do desenvolvimento de dor crônica.

As cirurgias mais comuns são laminectomias, discectomias, fusões espinhais, instrumentações, correção de escoliose e excisão de tumores espinhais. As cirurgias espinhais convencionais invasiva podem envolver extensa dissecção de tecidos, ossos e ligamentos subcutâneos. Dessa forma, a dor pós-operatória é um quadro esperado.

Segundo Biancon (2004), as dores podem ser intensas, com duração de 3 dias. Logo, o alívio da dor é um dos objetivos pós-operatórios. A necessidade é ainda mais evidente porque muitos pacientes que são submetidos a cirurgias trazem histórico prévio de dor. Assim, a percepção do desconforto pode se intensificar, sobretudo, se o paciente fez uso de opioides, analgésicos ou narcóticos convencionais.

 

Principais causas de dores no pós-operatório

Dores após cirurgias de coluna são resultantes da ativação de diferentes mecanismos: nociceptivo, neuropático e inflamatório. Assim, a dor na região posterior pode ser originada em diferentes tecidos, como vértebras, discos intervertebrais, ligamentos, dura-máter, cápsulas das articulações, fáscia e músculos.

As prolongações nervosas nessas estruturas estão conectadas aos nervos simpático e parassimpático. Por isso, atrito, compressão ou inflamação pós-operatória podem provocar dor.

A existência de grande conectividade cruzada é motivo para surgimento de dor referida.
As principais causas para dores após cirurgias de coluna são o erro diagnóstico, a formação de fibrose peridural, inflamação na articulação sacroilíaca e dores musculares.

Um erro diagnóstico pode levar o médico a intervir em estrutura que não era a causadora da dor. Nesse caso, a dor pré-cirúrgica persiste após o procedimento.

Outra causa comum é a formação de fibrose peridural. Trata-se cicatriz interna que pode causar compressão dos nervos, com redução da irrigação sanguínea, provocando dor.

Já a inflamação na articulação sacroilíaca pode ocorrer após a alteração da biomecânica da região. O atrito entre a porção sacral da coluna e o osso ílio pode provocar artrose na articula e, assim, resultando em dor para o paciente.
Finalmente, as dores pós-cirúrgicas mais comuns são musculares. Podem ser provocadas por perda de tônus devido ao repouso excessivo ou por sobrecarga de alguns grupos musculares, resultando em síndrome dolorosa miofascial crônica com sensibilização periférica e central.

 

Complicações

Uma das complicações das dores após cirurgias de coluna é o quadro chamado Dor Pós-Operatória Persistente (PPP, na sigla em inglês). Trata-se de dor crônica que surge após o procedimento cirúrgico. A Associação Internacional para o Estudo da Dor define como: dor desenvolvida após cirurgia, com pelo menos 2 meses de duração, sem outras causas e sem relação com um problema pré-existente.

Como ocorrem?

A dor pós-operatória persistente pode surgir por diferentes motivos, tais como: lesão miofascial, cicatrizes ósseas, sensibilização à dor, perda de tônus muscular na região. Embora sejam esperadas dores após cirurgias de coluna, há fatores que influenciam a frequência e a intensidade do surgimento deste quadro pós-operatório, que pode resultar em PPP.

Segundo estudo de Costelloe (2020), o surgimento de dores está relacionado com os seguintes fatores: comportamento de catastrofização da dor, aumento da sensibilidade aos estímulos dolorosos, sintomas de ansiedade, sintomas de depressão e uso pré-operatório de opioides.

A catastrofização da dor é um conceito que define as respostas desadaptativas e exageradamente negativas, com antecipação da dor. De acordo com o estudo, este é um marcador de vulnerabilidade psicológica e tem sido utilizado como um fator de predisposição à dor pós-operatória persistente.

 

Preditores

Ansiedade é um dos principais preditores do desenvolvimento de dor crônica após cirurgia de coluna. Os sintomas de ansiedade têm correlação positiva com a ocorrência de fortes dores pós-operatórias tanto no curto, médio e longo prazo.

Depressão também é um fator relacionado com as dores crônicas pós cirurgia na coluna. Pacientes com altos escores em escalas de avaliação de sintomas depressivos, antes do procedimento, apresentam dores crônicas com maior frequência. Os resultados encontrados pelos pesquisadores tiveram como base avaliação de depressão com o uso do Beck Depression Inventory (BDI).

O uso de opioides antes da cirurgia é um dos fatores de predição do surgimento de dores crônicas. Além disso, também possui correlação com piores prognósticos. Estudo longitudinal de coorte, conduzido por Hills (2019), acompanhou a evolução dos casos de 2128 pacientes submetidos à cirurgia eletiva da coluna. Nesta pesquisa, os pacientes tratados com opioides antes da cirurgia foram significativamente menos propensos a alcançar melhorias significativas em 1 ano na dor, funcionamento e qualidade de vida.

Tratamentos

A prevenção precoce e tardia desta síndrome dolorosa é um desafio. Estudos indicam que uma mobilização precoce, controle de fatores secundários como diabetes mellitus, analgesia perioperatória adequada e procedimentos cirúrgicos com menos trauma e menor lesão de nervos são fatores que podem minimizar o processo inflamatório local e dor.

Opções farmacológicas

Existem diversas opções farmacológicas para a melhoria efetiva da síndrome pós-laminectomia. Cada uma dessas drogas possui vantagens e desvantagens inerentes que restringem sua aplicabilidade.

Portanto, a abordagem mais adequada pode ser uma terapia combinada ou analgesia multimodal para controle adequado da dor. As opções de medicamentos mais utilizadas, por via parenteral e oral, são: analgésicos narcóticos, anti-inflamatórios não esteroides e paracetamol.

Analgésicos narcóticos são medicamentos eficazes para o tratamento da dor intensa e costumam produzir excelentes resultados. No entanto, possui efeitos colaterais desagradáveis, como depressão respiratória, náusea, vômito e outros.

De acordo com Gottschalk (2011), a morfina é a terapia de primeira linha se não houver contraindicações ou efeitos adversos anteriores. A oxicodona é outra opção e, segundo os autores, proporciona melhor controle das alucinações.

Como a oxicodona possui efeitos adversos semelhantes aos da morfina, a metadona pode ser utilizada também. Sendo antagonista não competitivo do receptor de N-metil-D-aspartato (NMDA) mitiga a dor segundo Fishman (2002) e também reduz a tolerância aos opioides de acordo com Inturrisi (2002).

AINES

Os anti-inflamatórios não esteroides (AINES) atuam no bloqueio da enzima ciclooxigenase (COX) e a subsequente produção de prostaglandinas em vias inflamatórias. Eles têm eficácia comprovada na melhora da dor pós-operatória, demonstrada por Dumont (2000). Estudos de Nissen (1992), Reuben (1997) e Turner (1995) demonstraram a eficácia dos AINEs contra dor após cirurgias da coluna.

Paracetamol

O paracetamol, assim como a dipirona, é uma alternativa eficaz e mais barata para tratar a dor no pós-operatório; principalmente, quando administrado por via intravenosa. É útil no pós-operatório imediato, quando a motilidade gastrointestinal está reduzida ou quando é necessário o estabelecimento rápido de analgesia. A ação analgésica se inicia entre 5 a 10 minutos.

De acordo com estudo de Bajwa e Haldar (2015), os mecanismos de ação do paracetamol podem incluir: ação central e periférica; inibição de prostaglandinas; e inibição de vias serotoninérgicas descendentes. O paracetamol pode ser mais eficaz quando em terapia combinada com opioides.

 

 

Opções alternativas

A acupuntura e fisioterapia são opções de tratamentos não invasivos que devem ser consideradas no alívio da dor e relaxamento muscular, visando uma melhor funcionalidade e readaptação do paciente. A acupuntura tem importante efeito analgésico na síndrome dolorosa miofascial secundária a síndrome pós-laminectomia e pode ser considerada como opção de tratamento complementar para estes pacientes, principalmente para os que não toleram alta dose de analgésicos e/ou opioides.

Autor:
Marcus Pai

Médico especialista em Fisiatria e Acupuntura ⦁ Área de Atuação em Dor pela AMB ⦁ Diretor do Instituto Dr. Hong Jin Pai ⦁ Doutorando em Ciências pela USP ⦁ Integrante da Câmara Técnica de Acupuntura do CREMESP ⦁ Secretário do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED) ⦁ Diretor do Comitê de Acupuntura da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual ⦁ Médico Pesquisador e Colaborador do Grupo de Dor do Departamento de Neurologia do HC-FMUSP ⦁ Diretor do Colégio Médico de Acupuntura do Estado de São Paulo (CMAeSP) ⦁ https://www.hong.com.br

Referências bibliográficas:

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