toxicologia

#Intoxicação por dietilenoglicol em Minas: segunda morte é confirmada

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cervejas sem rótulos, em cima de bancada, possíveis causadoras de intoxicação por dietilenoglicol

Foi confirmada ontem, dia 15, em coletiva de imprensa, a segunda morte entre os 17 casos de síndrome nefroneural, possivelmente causada pela intoxicação por dietilenoglicol (DEG). Entre as duas mortes, uma delas foi um homem que estava internado em Juiz de Fora, e estava entre os quatro pacientes que tiveram os exames confirmados para DEG; a segunda entra com os outros 13 casos suspeitos, em Belo Horizonte, e a causa deve ser confirmada após a liberação do laudo.

Uma idosa que apresentou os mesmos sintomas, no interior de Minas Gerais, também evoluiu a óbito, mas o caso ainda não foi confirmado pela Polícia como a síndrome que pode ser causada pela intoxicação.

Casos de intoxicação por dietilenoglicol

Entre os 17 casos investigados para associação à intoxicação, o que sabemos:

  • 16 homens e uma mulher;
  • 12 pacientes de Belo Horizonte e os outros cinco residentes em: Ubá, Viçosa, São Lourenço, Nova Lima e São João Del Rei;
  • Todos relataram ingerir a cerveja Belorizontina, da cervejaria Backer, a partir de primeiro de novembro de 2019;
  • A média de dias entre início dos primeiros sintomas e a internação foi de dois a três dias;
  • Todos apresentaram sintomas gastrointestinais em até 72 horas associados à insuficiência renal aguda grave de rápida evolução, seguida ou não de uma ou mais alterações neurológicas: paralisia facial, borramento visual, amaurose, alteração de sensório e paralisia descendente;
  • Até o momento, quatro tiveram exames positivos para DEG.

Segundo o protocolo divulgado pela Secretaria de Estado de Minas Gerais (SES-MG), o antídoto que está sendo utilizado para os casos confirmados é o etanol oral ou venoso. Fora do Brasil existe um medicamento específico para estes casos, o fomepizole, mas ele não está disponível no país.

A SES-MG informa que devem ser imediatamente notificados (em até 24 horas) ao CIEVS BH (casos de Belo Horizonte) e CIEVS Minas (casos do restante do estado), pelo telefone e por e-mail.

 

Água do processo de produção também estava contaminada

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), além do tanque de fermentação da cervejaria Backer, o tanque de água, que resfria e depois faz parte das cervejas, utilizado em um processo anterior na produção da cerveja, também estava contaminado com o dietilenoglicol. Ainda não é possível, porém identificar a etapa em que a contaminação ocorreu.

Como a fábrica possui apenas um tanque de água, é possível que todos os lotes de cervejas estejam contaminados, por isso o MAPA ordenou o recall de todas as cervejas produzidas desde outubro e a suspensão das vendas da Backer. Além da Belorizontina, vendida como Capixaba no Espírito Santo, os rótulos da empresa são: Backer Pilsen, Cerveja Trigo, Cerveja Pale Ale, Cerveja Bronw, Medieval, Pele Vermelha, Bravo, Exterminador de Trigo, Três Lobos, Capitão Senra, Corleone, Tommy Gun, Diabolique, Pilsen Export, Backer Bohemian Pilsen, Julieta, Backer Reserva do Propietário, Fargo 46, Cabral, Belorizontina e Cacau Bomb.

A perícia contratada pela fábrica confirmou os laudos apresentados pela Polícia e pelo MAPA.

As atuais hipóteses da contaminação são sabotagem, vazamento ou uso incorreto da substância usada para resfriar a cerveja (o monoetilenoglicol). Como o monoetilenoglicol foi também encontrado durante as perícias, existe a possibilidade que ele tenha se transformado em dietilenoglicol em alguma etapa, apesar de ser uma reação que só acontece em ambientes muito ácidos.

Segundo a cervejaria, o dietilenoglicol não é utilizado na fábrica da Backer, mas o mono sim, durante o processo de resfriamento. Nesse caso, a substância não entra em contato com a cerveja – ou não deveria entrar.

 

Referências bibliográficas: