Oncologia

“Resultados impressionantes” em todos os tipos de câncer: larotrectinibe

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Zosia Chustecka

Um novo medicamento direcionado que mostra respostas notáveis ​​em todos os tipos de câncer nos quais foi testado foi saudado como a “primeira terapia oral sem vieses relativos ao tipo de tumor (tumor-agnostic)“.

O medicamento experimental, o larotrectinibe (em desenvolvimento pelo laboratório LOXO), é seletivo para as fusões da quinase do receptor da tropomiosina (TRK, do inglês Tropomyosin Receptor Kinase), que são encontradas em diferentes tipos de câncer, incluindo os raros e os comuns. O medicamento exibiu altos índices de resposta, sem precedentes em todos os 17 tipos de tumores para os quais foi testado até agora.

Os novos dados foram apresentados no encontro anual de 2017 da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

Dr. David Hyman

A taxa de resposta global foi de 76%, o que é “bastante incomum para uma terapia direcionada”, e foram observadas respostas completas em 12% dos pacientes, todos com câncer avançado, “o que é quase inédito”, segundo o comentarista do trabalho, Dr. Trever Bivona, PhD, da Universidade da Califórnia, em San Francisco. Estes são resultados muito impressionantes, comentou o Dr. Bivona, e vários delegados na sala lotada parabenizaram o Dr. Hyman pela “magnífica apresentação” e pelos “resultados espetaculares”.

Estes dados sobre o larotrectinibe são “o sonho de todo pesquisador tornado realidade”, comentou a Dr. Patricia LoRusso, médica osteopata, diretora-associada de medicina inovadora e professora de medicina do Yale Cancer Center, New Haven, em Connecticut, falando na sessão destaques do dia da ASCO.

“As fusões TRK são raras, mas ocorrem em muitos tipos diferentes de tumores”. Na verdade, neste momento, é difícil encontrar um tipo de câncer para o qual as fusões de TRK não tenham sido descritas, disse o autor principal do estudo, o Dr. David Hyman, médico e chefe do desenvolvimento inicial de medicamentos no Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York.

“Acreditamos que a resposta drástica dos tumores com fusões TRK ao larotrectinibe embasa a indicação do teste genético generalizado para os pacientes com câncer avançado, para ver se eles têm essa anomalia”, disse o pesquisador.

Este novo medicamento “nos leva a uma nova era, na qual o tratamento é verdadeiramente baseado na mutação, não na localização”, comentou o especialista da ASCO, Dr. Sumanta Kumar Pal, médico do centro oncológico integrado da City of Hope, perto de Los Angeles, na Califórnia.

“Quando eu estava na residência, o que não faz muito tempo, teria sido um sonho pensar que poderíamos tratar o câncer independentemente do local de origem dele”, comentou o Dr. Pal. O câncer de mama era tratado com medicamentos contra o câncer de mama, e assim por diante. Mas com estes novos dados, podemos agora estar preparados para tratar muitos tipos de câncer independentemente do sítio de origem, com base em critérios exclusivamente moleculares (tumor-agnostic)”.

Este tem sido um sonho da medicina de precisão, mas até agora não teve sucesso, já que algumas mutações mostram atividade em certos tipos de câncer, mas não em outros. Um exemplo são os inibidores de BRAF, que funcionam no melanoma e no câncer de tireoide com a mutação BRAF, mas não no câncer colorretal com a mutação BRAF.

Este não é o primeiro tratamento independentemente do local do tumor (tumor-agnostic) – esse mérito diz respeito à recente aprovação do pembrolizumabe (Keytruda, Merck) para os tumores com instabilidade de microssatélites, como informado pelo Medscape. Esta foi a primeira aprovação para um defeito genético, não um tipo de tumor, conforme observado pela US Food and Drug Administration (FDA). Mas o pembrolizumabe é um imunoterápico cuja administração é por via intravenosa; o novo medicamento é um medicamento direcionado tomado por via oral.

Juntos, esses dois novos biomarcadores independentes da localização do tumor (tumor-agnostic) – da fusão TRK visada pelo larotrectinibe e a instabilidade dos microssatélites que respondem ao pembrolizumabe – são encontrados provavelmente em cerca de 5% de todos os tumores, estimou o Dr. Hyman.

Assim, é mais importante do que nunca testar os pacientes com câncer para encontrar aqueles que abrigam esses defeitos genéticos de modo que eles possam se beneficiar dessas terapias, disse ele.

Encontrando os pacientes que se podem se beneficiar

Os médicos devem testar todos os pacientes com câncer avançado para esses biomarcadores, disse o Dr. Hyman ao Medscape.

As informações sobre os testes das fusões TRK podem ser encontradas no site TK testing.com, disse o pesquisador.

As fusões TRK também podem ser encontradas usando paineis de sequenciamento de próxima geração, como o FoundationOne (Foundation Medicine), e os testes Oncomine (ThermoFisher Scientific), disse ele. Ambos já estão disponíveis comercialmente, mas também estão sendo submetidos à revisão da FDA. Ao solicitar esses testes, é importante solicitar a detecção da fusão para que os laboratórios façam o passo extra do sequenciamento de RNA.

Considera-se que as fusões de TRK ocorram em cerca de 0,5% a 1% de muitos tipos comuns de câncer, como câncer de pulmão, cólon, mama e tireoide, bem como melanoma. Mas as TRK também são encontradas em mais de 90% de certos tumores raros, como o câncer das glândulas salivares, uma forma de câncer de mama juvenil e o fibrossarcoma infantil.

Todos os tipos de câncer com fusão TRK mostraram uma resposta semelhante ao larotrectinibe, disse o Dr. Hyman.

Na reunião, o Dr. Hyman apresentou resultados de 55 pacientes com fusões TRK recrutados em três ensaios clínicos de fase 1 e fase 2 em andamento. Todos os pacientes (12 crianças e 43 adultos) apresentaram câncer local avançado ou metastático, como câncer de cólon, pulmão, pâncreas, tireoide, glândula salivar e gastrointestinal, bem como melanoma e sarcoma.

Este é o conjunto de dados que o laboratório planeja enviar para aprovação, observou o pesquisador. “Se aprovado, o larotrectinibe pode se tornar a primeira terapia de qualquer tipo a ser criada e aprovada simultaneamente para adultos e crianças, e a primeira terapia direcionada a ser indicada para uma definição molecular de câncer que abrange todos os tipos de tumores tradicionalmente definidos”, disse o Dr. Hyman.

O médico observou que, entre os primeiros 50 pacientes que participaram do estudo tempo o suficiente para fazer pelo menos dois exames de imagem, 38 (76%) pacientes tiveram resposta.

Destes, três crianças com sarcomas que anteriormente não teriam indicação de cirurgia, foram submetidas a uma cirurgia potencialmente curativa depois do larotrectinibe ter reduzido os tumores.

Um dos pacientes que responderam foi um bebê de dois anos com fibrossarcoma infantil atrás do joelho, que teria evoluído para amputação da perna caso o tumor não tivesse respondido, disse o Dr. Hyman. O pesquisador também mostrou fotografias de outra resposta, de uma garota de 14 anos com um enorme tumor de mama secretor, atingindo o abdômen, que encolheu para uma lesão quase invisível.

A duração mediana da resposta ao tratamento ainda não foi alcançada, já que a maioria dos pacientes ainda está apresentando resposta ao tratamento: 93% dos pacientes que responderam, e 75% de todos os pacientes continuam em tratamento ou foram submetidos a cirurgia com intenção curativa, disse o pesquisador.

Até hoje, a duração mais longa da resposta ao tratamento foi de 25 meses (pouco mais de dois anos) e as respostas ainda estão acontecendo.

Normalmente, a terapia direcionada no passado teve problemas porque os pacientes acabaram parando de responder à medida que adquiriram mutações de resistência. E isso aconteceu com larotrectinibe.

Seis pacientes se tornaram resistentes ao tratamento e todos tiveram uma mutação de resistência, a TRKAG595R. Dois desses pacientes foram tratados com um composto de acompanhamento (LOXO195), e ambos tiveram respostas objetivas, observou o Dr. Hyman.

Nenhum paciente interrompeu a terapia por causa de efeitos colaterais e cinco (11%) pacientes precisaram diminuir a dose. Os efeitos colaterais mais comuns observados com os novos medicamentos foram fadiga (em 30% dos pacientes), náuseas (28%) e vertigem (28%); a vertigem já era esperada, porque a proteína TRK normal desempenha um papel no controle do equilíbrio, comentou o Dr. Hyman.

Como o larotrectinibe foi criado para atingir apenas a TRK, foi muito bem tolerado e não causou muitos dos efeitos colaterais associados à quimioterapia e à terapia multissegmentada, disse o Dr. Hyman.

Onde vai se encaixar?

“O verdadeiro desafio ao progresso é que os oncologistas determinem qual seria a indicação do larotrectinibe nos algoritmos de tratamento existentes”, comentou o Dr. Pal. “No caso dos tumores raros para os quais não existe uma conduta terapêutica comprovada, como os tumores das glândulas salivares, por exemplo, pode haver indicação de procurar por mutações relevantes imediatamente”.

No entanto, nos tipos de câncer mais comuns, como o câncer de mama ou próstata, para os quais já existem condutas terapêuticas estabelecidas, “teremos de determinar onde o larotrectinibe irá se encaixar em relação aos padrões existentes”, e isso determinará em que momento o teste molecular deve ser oferecido, disse Dr. Pal.

“Há uma demanda crescente para obter perfis moleculares em uma grande variedade de casos”, acrescentou. “Será importante elaborar diretrizes para a obtenção dos testes moleculares para essas novas indicações”.

O estudo foi financiado pela LOXO Oncology. O Dr. Hyman informa realizar consultoria ou assessoria para as empresas Atara Biotherapeutics,Chugai Pharma e CytomX Therapeutics e receber financiamento de pesquisa de Astra Zeneca e Puma Biotechnology. O Dr. Pal informa receber honorários das empresas Astellas Pharma,Medivation e Novartis; prestar consultoria para as empresas Astellas Pharma,Aveo,Bristol-Myers Squibb,Exelixis,Genentech,Myriad Pharmaceuticals,Novartis e Pfizer; e receber financiamento de pesquisa da Medivation.

American Society of Clinical Oncology (ASCO) 2017 Annual Meeting. Apresentado em 4 de junho de 2017. Resumo LBA2501 .

Tratamientos menos agresivos en cáncer de mama pueden ser igual de eficaces que una mastectomía

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De los ganglios axilares depende el tratamiento.

De los ganglios axilares depende el tratamiento.

En España se diagnostican 26.000 nuevos casos de cáncer de mama cada año y los avances han permitido desarrollar técnicas menos agresivas con la misma eficacia, tanto que el 70% son candidatas a someterse a este tipo de cirugías, por los que la mujer no tiene por que someterse de manera obligada a una mastectomía, según la jefe clínico Fundación Instituto Valenciano de Oncología, Julia Giménez.

Este ha sido uno de los temas abordados durante la jornada de Revisión Anual GEICAM de Avances en Cáncer de Mama (RAGMA), organizada por el Grupo GEICAM de Investigación en Cáncer de Mama, con el objetivo de abordar las principales líneas de investigación en el manejo de la enfermedad, con la participación de más de 300 expertos en el diagnóstico y tratamiento del cáncer de mama.

Así, y si se consigue un diagnóstico precoz, la paciente puede someterse al tratamiento conservador (para cuando no hay contraindicaciones), que consiste en realizar una cirugía conservadora para quitar el tumor con un margen de seguridad, permitiendo mantener la estética de la mama y la axila, para después aplicar radioterapia, según ha explicado la Dra. Giménez.

Sin embargo, la especialista ha subrayado que, en ocasiones, no se puede conservar la mama y, en este momento, sí se tendría que aplicar una mastectomía (extirpación de esta), ofreciendo a la afectada la reconstrucción posterior de manera inmediata o diferida (después del tratamiento.

“Es importante hablar con la paciente y contarle que vamos a quitar la mama, pero que se puede reconstruir, aunque advirtiéndole también de que posiblemente no quede igual, pues no se trata de una cirugía estética”, ha añadido Giménez.

Por otro lado, para aquellas mujeres que presentan un alto riesgo genético e histológico tras una biopsia previa, existe lo que se conoce como cirugía profiláctica o de reducción de riesgo, pensada para aquellas mujeres sanas con alto riesgo de padecer este tipo de cáncer. Cabe destacar que esta técnica no elimina del todo el riesgo, pues lo hace en un 90-95%, pero sí sirve como técnica de prevención para este grupo de mujeres.

“Es importante que el cirujano especialista en mama y el cirujano plástico trabajen de forma multidisciplinar para evitar el riesgo, así como conseguir un resultado estético lo más adecuado posible”, ha señalado la experta.

De cara al tratamiento correcto, es importante determinar si el tumor ha llegado o no a los ganglios axilares, pues de esto va a depender la elección de este y la posibilidad de evitar una cirugía innecesaria y, para ello, se utiliza el estudio del ganglio centinela, un importante avance en la cirugía conservadora.

Este consiste, según ha destacado la investigadora y experta en cirugía de la mama del Memorial Sloan Kettering Cancer Center en Estados Unidos, Mónica Morrow, en el “estudio del primer ganglio axilar al que se extendería el tumor de mama en su progresión al resto del organismo, lo que ayuda al comité de tumores a elegir de forma más acertada la aproximación terapéutica de cada paciente concreto, pues esta no depende de un solo especialista”.

Incluso, aunque el ganglio centinela esté afectado, no siempre es necesario quitar todos los ganglios de la axila, pues “ya hay estudios recientes que han demostrado que la presencia de células cancerígenas en uno o dos ganglios centinelas no hace necesario extirpar todos los ganglios, debido a que no se traduce en una mejora de la supervivencia y el riesgo de recaída es muy bajo”, ha añadido la Dra. Morrow.

Para poder desarrollar todas estas técnicas es necesario que haya una investigación detrás, ya que gracias a esta no solo desarrollan nuevos tipos de intervención sino que aumenta la supervivencia de las pacientes, según el miembro del Comité Organizador y del Complejo Hospitalario de Jaén, Pedro Sánchez Rovira, y, en esta línea, la participación de las mujeres afectadas en ensayos clínicos es fundamental, una acción que fomentan desde la Federación Española de Cáncer de Mama (FECMA), pues de esta manera se puede programar un futuro y ayudar, no solo al propio tratamiento, sino al del resto de mujeres, tal y como ha recalcado la presidenta de FECMA, Montserrat Domènech.

Abiraterona: agora na linha de frente do tratamento para câncer de próstata avançado?

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Kate Johnson

CHICAGO – Novos resultados com uso da abiraterona em primeira linha estão prontos para transformar o tratamento inicial do câncer de próstata avançado “praticamente da noite para o dia”, baseados nos achados dos estudos STAMPEDE e LATITUDE apresentados no congresso anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2017, de acordo com o Dr. Richard Schinlsky, chief medical officer da ASCO.

“Estes dados impulsionarão a abiraterona para o uso em primeira linha”, previu o Dr. Schilsky. Atualmente, o medicamento é aprovado para uso após a falha da terapia de privação de androgênica (ADT), mas os novos dados mostram benefícios substanciais quando ele é usado precocemente, em combinação com a ADT.

Os achados “devem mudar o paradigma do tratamento” na doença recém-diagnosticada, com a abiraterona substituindo amplamente a quimioterapia no paradigma atual, estimou o Dr. Sumanta Kumar Pal, do City of Hope Comprehensive Cancer Center, em Duarte, Califórnia, outro especialista da ASCO, durante a coletiva de imprensa.

Adicionar abiraterona à ADT atinge a produção de testosterona, que alimenta o câncer de próstata, com um “golpe duplo”. A ADT funciona prevenindo a produção de testosterona nos testículos, mas as glândulas adrenais e as células do câncer de próstata continuam fazendo pequenas quantidades de andrógenos. A abiraterona, um inibidor esteroidal de CYP17A1, interrompe a produção de testosterona em todo o corpo, reduzindo ainda mais os níveis hormonais.

Os dados apresentados no dia 3 de junho do estudo britânico STAMPEDE (resumo LBA5003) em quase 2.000 pacientes mostram que, quando a abiraterona (com prednisolona) foi adicionada à ADT, a taxa de sobrevida em três anos aumentou para 83%, em comparação aos 76% da terapia apenas com ADT.

“Nós acreditamos que este é um dos maiores benefícios de sobrevida já relatados em um estudo de um tumor sólido em adultos”, disse o pesquisador principal Dr. Nicholas James, do Queen Elizabeth Hospital, em Birmingham (Reino Unido).

Os resultados do estudo LATITUDE (resumo LBA3)  em quase 1.200 homens mostram que a abiraterona (mais prednisona) adicionada à ADT mais que dobra a mediana da sobrevida livre de progressão para 33 meses, quando comparada à ADT sozinha, com 14,8 meses. Os resultados completos foram apresentados em 4 de junho durante a sessão plenária, mas foram divulgados no dia anterior à imprensa juntamente com os achados do STAMPEDE, uma vez que os resultados do LATITUDE são confirmatórios.

“O benefício do uso precoce da abiraterona que vimos neste estudo é pelo menos comparável ao benefício da quimioterapia com docetaxel, que foi observado em estudos clínicos anteriores, mas a abiraterona é muito mais fácil de tolerar, com muitos pacientes relatando nenhum efeito colateral”, comentou o principal autor do estudo, Dr. Karim Fizazi, chefe do departamento de medicina contra o câncer no Gustave Roussy, Universidade Paris-Sud, Villejuif (França).

“Estes achados indicam que adicionar a abiraterona (com prednisona) à ADT pode ser potencialmente considerado um novo padrão de cuidado para pacientes recém-diagnosticados com câncer de próstata metastático de alto risco”, acrescentou o Dr. Fizazi.

Os resultados dos dois estudos de fase três foram publicados on-line simultaneamente no New England Journal of Medicine ( STAMPEDE  e LATITUDE. )

Benefício geral na sobrevida

O estudo STAMPEDE foi conduzido em 1.917 homens com câncer de próstata avançado virgens de tratamento hormonal, randomizados para tratamento com abiraterona mais prednisolona juntamente com a ADT, ou a ADT sozinha.

Os resultados mostram uma taxa de sobrevida global (TSG) em três anos “altamente positiva” de 83% vs 76%, correspondendo a uma melhora relativa na sobrevida de 37% (hazard ratio, HR, de 0,63; P = 0,0000012) com a adição da abiraterona, relatou o Dr. James.

Cerca de metade (52%) dos participantes apresentava doença metastática. O benefício na sobrevida foi semelhante na doença metastática e na não metastática, acrescentou.

Além disso, houve uma taxa “muito impressionante” de sobrevida livre de falha em três anos de 75% no grupo de tratamento vs 45% no braço com a terapia padrão, correspondendo a uma melhora relativa de 71% no tempo para falha do tratamento (HR, 0,29).

Os eventos adversos foram “semelhantes aos observados na configuração de recidiva”, observou ele, chamando a atenção para os eventos relacionados aos ossos, para os quais houve redução de 55% no grupo experimental. “Nós acreditamos que isso é extremamente importante para os pacientes, e são ótimas notícias”, disse o Dr. James.

Resultados igualmente impressionantes também foram relatados pelo estudo LATITUDE, que foi apresentado posteriormente no congresso.

Nesse estudo, entre 1.199 pacientes similares – todos com câncer de próstata metastático de alto risco recém-diagnosticado – a adição de abiraterona à ADT resultou em uma taxa de mortalidade 38% menor em comparação à ADT sozinha, após um acompanhamento mediano de 30,4 meses, observou Dr. Fizazi.

No entanto, vários efeitos adversos graves foram observados no grupo com abiraterona, incluindo hipertensão (20% vs 10%), hipocalemia (10,4% vs 1,3%) e anormalidades das enzimas hepáticas (5,5% vs 1,3%).

“É extraordinário ver a semelhança do benefício na sobrevida entre os dois estudos nesta população”, comentou o Dr. Pal.

“A terapia hormonal que usa agentes que suprimem a testosterona e/ou a atividade dela, tem sido o pilar do tratamento do câncer de próstata metastático há décadas”, ele comentou durante a coletiva de imprensa.

“Alguns anos atrás, o paradigma do tratamento para o câncer de próstata foi abalado pelo estudo CHAARTED, que mostrou um benefício na sobrevida associado à adição de quimioterapia à terapia hormonal neste cenário”, ele continuou. Estes novos dados fornecem uma alternativa importante à quimioterapia, mais especificamente o uso da abiraterona.

“Embora seja difícil colocar os dados existentes de quimioterapia e abiraterona lado a lado, à primeira vista, parece que o benefício na sobrevida espelha ou excede o benefício que temos visto com a quimioterapia”, comentou Dr. Pal. “Mas a quimioterapia traz consigo toxicidades significativas, como danos neurais, fadiga e diminuição das contagens sanguíneas com as quais frequentemente é muito difícil lidar. A abiraterona traz níveis iguais ou maiores de eficácia contra o câncer de próstata, com muito menos efeitos colaterais”.

“Esses dados devem remodelar imediatamente nossos algoritmos de tratamento para o câncer de próstata, e a abiraterona com terapia hormonal convencional deve se tornar um novo padrão de tratamento para homens com doença metastática de alto risco”, disse ele.

Outros especialistas também receberam bem os novos dados.

“Os resultados do LATITUDE e do STAMPEDE fornecem informações importantes e que provavelmente mudarão a prática”, comentou o Dr. Thomas Flaig, da University of Colorado School of Medicine, quando contatado pelo Medscape.

“Esses dados são certamente impressionantes e inequívocos e, sem dúvida, contribuirão para a evolução do padrão de tratamento para pacientes com doença metastática”, concordou o Dr. Charles Ryan, de Helen Diller Family Comprehensive Cancer Center, da University of California, emSan Francisco.

“Ao ampliar a duração e a proporção daqueles que se beneficiam da terapia hormonal, o estudo também destaca a necessidade da comunidade científica continuar a abordar os mecanismos de resistência hormonal, que ainda surgiu na maioria dos pacientes”.

Dr. Matthew R. Zibelman, professor-assistente no Departamento de Hematologia e Oncologia do Fox Chase Cancer Center, Filadélfia, Pensilvânia, comentou: “O padrão de cuidado para este grupo de pacientes é atualmente a quimioterapia. O benefício real aqui é que, além da quimioterapia, nos pacientes de maior risco, agora temos uma opção de tratamento oral que pode ter menos toxicidade com benefício similar no longo prazo, em pacientes recém-diagnosticados com câncer de próstata metastático sensível à castração”.

No entanto, Dr. Otis Brawley, chief medical and scientific officer da American Cancer Society, advertiu sobre pular muito rapidamente para as conclusões.

“A terapia hormonal para o câncer de próstata causa doença cardíaca, e há alguns de nós que por muito tempo têm se preocupado que um pouco do declínio na mortalidade do câncer de próstata é, na verdade, uma transferência da causa de morte para a doença cardíaca. Na verdade, isto é mostrado em toda terapia hormonal que vemos em câncer de próstata “, disse ele.

“Para mim, o desafio é perceber que se trata de uma faca de dois gumes. Usarei esses medicamentos para tratar meus pacientes com câncer de próstata, mas serei seletivo. Para pacientes com história de diabetes ou doença arterial coronariana, talvez não. Haverá uma demanda dos pacientes devido às informações maravilhosas que estão sendo ditas – e tenha em mente que estou reconhecendo que algumas dessas informações maravilhosas são realmente maravilhosas, mas nós, como médicos, precisamos ter muito cuidado”.

Congresso anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO) de 2017. Resumo LBA5003 (STAMPEDE) foi apresentado em 3 de junho de 2017. Resumo LBA3 (LATITUDE), apresentado em 4 de junho de 2017.

O estudo STAMPEDE foi financiado por Cancer Research UK, Medical Research Council, e Janssen, com contribuições adicionais de Astellas, Clovis Oncology, Janssen, Novartis, Pfizer e Sanofi-Aventis. Dr. James declarou trabalhar ou ter trabalhado como colaborador ou conselheiro de Sanofi, Bayer, Merck, Astellas, Janssen; trabalha ou trabalhou como porta-voz ou membro de um grupo de porta-vozes para Pierre Fabre, Ferring, Sanofi, Astellas; recebeu honorários de Sanofi, Bayer, OncoGeneX, Janssen, Astellas, Pierre Fabre; e recebeu verba para pesquisa de Janssen, Astellas, Pfizer, Sanofi e Novartis. Dr. Flaig não estave diretamente envolvido em ambos estudos, mas declarou ter trabalhado como pesquisador principal local e recebido verba para pesquisa de Cougar/Janssen para despesas de outros ensaios clínicos com abiraterona.  Dr. Ryan declarou trabalhar ou ter trabalhado como colaborador ou conselheiro e receber ou ter recebido honorários de Janssen.

SUNSHINE: Vitamina D desacelera a progressão do câncer de cólon

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Nick Mulcahy

CHICAGO – Nos anos recentes, dados observacionais mostraram que níveis plasmáticos mais elevados de vitamina D estão associados a melhora da sobrevida nos pacientes com câncer colorretal.

Agora, pela primeira vez, um estudo randomizado mostrou que a progressão da doença desacelera com altas doses de suplementos.

Os resultados, provenientes de um ensaio clínico de fase 2 conhecido como SUNSHINE, indicam que uma alta dose de suplementação de vitamina D melhorou significativamente a sobrevida livre de progressão (SLP) por cerca de dois meses quando comparado com uma dose baixa.

O estudo foi conduzido em pacientes com câncer colorretal metastático não tratado previamente. Todos os participantes receberam o tratamento padrão com o regime de quimioterapia mFOLFOX6 (isto é, ácido folínico – leucovorin, fluoracil e oxaliplatina) mais bevacizumabe.

Esse é o primeiro estudo randomizado já completado sobre o uso de vitamina D como uma terapia para o câncer colorretal, disse a autora principal Dra. Kimmie Ng, do Dana Farber Cancer Institute,em Boston, Massachusetts, que apresentou o estudo no Encontro Anual de 2017 da American Society of Clinical Oncology (ASCO).

“Os pacientes pareceram evoluir melhor com as altas doses de vitamina D. Estou realmente animada com os dados”, disse ela ao Medscape.

“Um estudo de fase 3 está garantido”, acrescentou ela.

Outro especialista expressou entusiasmo semelhante sobre o estudo. “Os achados desse estudo são incrivelmente animadores”, disse Song Yao, epidemiologista molecular no Roswell Park Cancer Institute, em Buffalo, Nova York, que foi convidado a comentar.

Os achados desse estudo são incrivelmente animadores. Song Yao

Ele apontou que no Gastrointestinal Cancers Symposium de 2015 da ASCO a mesma equipe mostrou que, em um estudo observacional, pacientes com altos níveis de vitamina D sobreviveram mais do que aqueles com baixos níveis. “Esse novo estudo fornece as tão necessárias evidências baseadas em estudo de desenho randomizado”, comentou.

Uma outra médica já estuda os níveis de vitamina D em pacientes com câncer colorretal.

“Eu avalio os níveis de vitamina D e faço a reposição quando necessário em meus pacientes, mas precisamos de mais dados para saber se isso deve mudar nossa prática”, disse a Dra. Allyson Ocean, oncologista gastrointestinal no Weill Cornell Medicine e do New York–Presbyterian Hospital, em Nova York.

Ela também disse ao Medscape que os resultados são “bem intrigantes”, e que um estudo de fase 3 é necessário.

A Dra. Kimmie relatou que no grupo de dose alta (n=69), a SLP mediana, que foi o desfecho primário, foi de 13,1 meses, comparado com 11,2 meses para o grupo de dose baixa (n=70). Isso se traduz em uma redução de 31% no risco relativo para progressão da doença no grupo de dose alta (hazard ratio não ajustada, 0,69; P = 0,04).

Pacientes do grupo de alta dose receberam uma dose de ataque de 8000UI/dia de vitamina D3 oralmente por duas semanas, seguida de 4000UI/dia. Aqueles do grupo de baixa dose receberam uma dose padrão de vitamina D3 de 400UI/dia.
A mediana de seguimento foi de 16,9 meses no grupo de alta dose e de 17,9 no grupo de baixa dose.

Cada grupo recebeu um número semelhante de ciclos de quimioterapia, e ambos foram igualmente aderentes à suplementação de vitamina D. As localizações primárias dos tumores (cólon direito, esquerdo e transverso) também eram semelhantes para os dois grupos.

A taxa de controle da doença no grupo de alta dose foi de 96% versus 84% no grupo de baixa dose (P = 0,05).

A dose elevada não aumentou a toxicidade. Também houve uma quantidade significativamente menor de diarreia grave (grau 3 e 4) no grupo de alta dose (12% versus 1%; P = 0,02).

Os resultados foram ainda mais impressionantes porque houve um desequilíbrio entre os dois grupos de estudo que favorecia o grupo de baixa dose: 60% daqueles do grupo de baixa dose tinham o melhor performance status possível, versus apenas 42% do grupo de alta dose.

Em outras palavras, o grupo de alta dose evoluiu melhor apesar de ter uma capacidade física pior do que do grupo de comparação.

Notadamente, mais pacientes no braço com altas doses de vitamina D foram capazes de ser submetidos a cirurgia depois da quimioterapia (11 versus 6). No entanto, a diferença não foi estatisticamente significativa (P = 0,19), concordou a Dra. Kimmie. “É um achado intrigante”, disse ela.

O estudo e seus resultados não deixaram de ser notados. “Há grande interesse por parte de cuidadores e pacientes”, disse a Dra. Kimmie.

Dentre os 139 pacientes que foram recrutados e efetivamente participaram do estudo, a maioria era da Nova Inglaterra; uma minoria era de Nashville, Tennessee (na Vanderbilt University).

A geografia pode ter tido um papel nos resultados, sugeriu a Dra. Andrea Cercek, do Memorial Sloan Kettering Cancer Center, em Nova York, que atuou como debatedora do estudo. Na Nova Inglaterra, disse ela, “existe um pouco menos de luz solar do que em outras partes dos Estados Unidos”.

Isso levantou a questão sobre os níveis prévios de vitamina D dos participantes do estudo (a vitamina D3 é fabricada pela pele humana quando exposta à luz do sol). “Não se sabe se os pacientes tinham deficiência de vitamina D pelos padrões americanos”, disse ela.

Não se sabe se os pacientes tinham deficiência pelos padrões americanos. Dra. Andrea Cercek

A Dra. Andrea também disse que os resultados de outros estudos de suplementação de vitamina D em pacientes com câncer são mistos. Um estudo não indicou redução no risco de adenomas, e outro teve um achado negativo – reduziu a sobrevida em pacientes com câncer de próstata que receberam suplementos de vitamina D.

Com essas ressalvas, ela gostaria de ver mais pesquisas: “Eu concordo 100% com os pesquisadores quanto à necessidade de um estudo de fase 3”.

O estudo foi financiado por National Cancer Institute, Dana-Farber, Consano, Pharmavite e Genentech. Diversos autores do estudo, incluindo a Dra. Kimmie, possuem ligações financeiras com a indústria, incluindo Genentech. Dr. Yao declarou não possuir conflitos de interesses relevantes.

Encontro Anual de 2017 da American Society of Clinical Oncology. Resumo 3506. Apresentado em 5 de junho.

Las mamografías podrían llevar a sobrediagnosticar pequeños tumores de pecho (NEJM)

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El estudio cuestiona el valor de la detección precoz del cáncer de mama.

El estudio cuestiona el valor de la detección precoz del cáncer de mama.

Un análisis de datos de cáncer de mama revela que muchos cánceres de mama pequeños tienen un excelente pronóstico debido a que son de crecimiento lento, según expertos del Yale Comprehensive Cancer Center, en Estados Unidos. A menudo, estos cánceres no crecerán lo suficientemente grandes como para ser significativos dentro de la vida de una paciente y, posteriormente, la detección temprana podría conducir a un sobrediagnóstico, según los investigadores.

Por el contrario, los tumores grandes que causan la mayoría de las muertes por cáncer de mama a menudo crecen tan rápidamente que se convierten en intrusivos antes de que puedan ser detectados por la mamografía de cribado, añaden los autores de este trabajo que cuestiona el valor de la detección precoz del cáncer de mama y cuyos resultados se publican en “New England Journal of Medicine”.

“Nuestro análisis explica cómo la mamografía causa sobrediagnóstico y también por qué no es más eficaz en la mejora de los resultados de nuestros pacientes y, lo que es más importante, cuestiona algunas de nuestras creencias fundamentales sobre el valor de la detección temprana”, afirma el autor principal en el artículo, Donald R. Lannin, profesor de cirugía en la Yale University School of Medicine, Estados Unidos.

El equipo analizó los cánceres de mama invasivos diagnosticados entre 2001 y 2013 en la Surveillance, Epidemiology, and End Results Program (SEER) y los dividió en tres grupos pronósticos basados en factores biológicos: grado, receptor de estrógenos y receptores de progesterona (PR). Las tres categorías biológicas se definieron como favorables, intermedias y desfavorables.

El equipo, que también incluyó a Shiyi Wang, profesora asistente de Epidemiología en la Yale University School of Public Health, utilizó la tasa esperada de sobrediagnóstico del 22% para modelar los tipos de cánceres de mama y rangos de edad de la paciente que probablemente representan la mayoría de los casos de sobrediagnóstico. Los resultados mostraron que la mayoría del sobrediagnóstico se produjo en pacientes mayores con tumores biológicamente favorables de crecimiento lento.

“Hasta ahora, pensamos que el tiempo de espera, o el tiempo hasta que un cáncer se vuelve problemático para una paciente, para la mayoría de los cánceres de mama fue de alrededor de tres o cuatro años. Este documento muestra que los plazos varían ampliamente dependiendo del tipo de tumor. Una gran parte de los cánceres agresivos tienen un plazo de dos años o menos, mientras que otra gran parte de los cánceres de mama crecen tan lentamente que el plazo de ejecución es de entre 15 a 20 años”, explica Lannin.

“Es importante educar a los médicos, los pacientes y al público sobre la naturaleza indolente y de lento crecimiento de algunos cánceres de mama, lo que nos permitirá individualizar las opciones de tratamiento, proporcionar ‘medicina personalizada’ y evitar los principales daños del sobrediagnóstico, que puede resultar en un exceso de tratamiento y la ansiedad y el miedo que causa un diagnóstico de cáncer”, concluye Lannin.

Exposição a iluminação por LED associada a risco acrescido de degeneração Macular Associada à Idade e a cancro

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De há alguns anos a esta parte, quase sem que dessemos conta, os díodos emissores de luz (LED) Invadiram-nos os lares, com promessas várias. De que são mais económicos, amigos do ambiente, mais baratos e que apresentam vantagem quando comparados com o padrão anterior de iluminação, essencialmente representado pelas lâmpadas incandescentes convencionais. Hoje tudo mudou. Expomo-nos aos LED quando assistimos TV, quando utilizamos computadores e telemóveis e por via da iluminação doméstica e pública, maioritariamente fornecida via emissor LED. Agora, vêm-nos dizer que, afinal, o LED branco é potencialmente prejudicial para a saúde humana devido à componente azul muito pronunciada no seu espetro. E que o excesso de iluminação que existe é também perturbador dos ecossistemas, da fauna da flora. Em suma, que a exposição quase permanente a que estamos sujeitos, pode ser nociva para saúde, estando associada, entre outros males, à degeneração Macular Associada à Idade pelo que devemos adotar medidas de minimização de risco, como o uso de lentes especiais. Mais: que vários estudos têm evidenciado uma associação entre a exposição noturna à luz com comprimentos de onda curta (azul) e um aumento de probabilidade de desenvolvimento de diabetes, obesidade e mesmo alguns tipos de cancro (mama e próstata). Estudos epidemiológicos e em animais atestam mesmo que que a luz branca é cancerígena. Está provado em animais, não está ainda em seres humanos, ainda que os estudos em curso apontem numa mesma direção: de que há um maior número de casos de cancro em situações em que há exposição à luz branca. Aproveitando a presença em Portugal de Coralie Barrau, investigadora em Óptica e Fotónica da Essilor International, no Congresso Português de Oftalmologia, que decorreu de 8 a 10 de Dezembro, em Coimbra, decidimos “tirar a limpo” algumas dúvidas sobre a dimensão do problema e como escapar aos riscos associados à exposição prolongada.

Do que estamos a falar quando nos referimos a Luz Azul?

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Coralie Barrau, investigadora em Óptica e Fotónica (Foto de João Ferrão/Esfera das Ideias)

Coralie Barrau (CB) – Os comprimentos de onda entre 380 e 500 nanómetros (nm) são a luz visível de alta energia (luz AEV), comumente conhecida como luz azul.
A luz azul está em toda parte: ao ar livre e dentro de casa, mas em grande proporção ao ar livre.
Com uma intensidade 50 vezes superior à das fontes artificiais, a luz solar é, de longe, a mais poderosa e a mais perigosa. A luz solar contém 25 a 30 % da luz AEV, por entre os 40 % de radiação visível (ISO / IEC 10526: 1999 (CIE S 005 / E: 1998) que são o iluminante padrão CIE para a colorimetria).
Contudo, novas fontes de luz artificial contribuíram para modificar os nossos perfis de exposição à luz, agora com mais fontes disponíveis, uma exposição mais longa e recorrente, e com maior intensidade do que a luz incandescente convencional, com períodos de utilização mais curtos.
Estes novos perfis de exposição afectam pessoas de todas as idades, e em particular os mais jovens.
Actualmente, a iluminação baseada em díodos emissores de luz (LEDs) domina a iluminação doméstica, as lâmpadas incandescentes foram progressivamente eliminadas; a indústria europeia de iluminação estima que em 2020, mais de 70% das fontes de luz será baseada nesta nova luz.
Os actuais LED brancos frios incluem até 35% de luz azul na faixa visível, contra menos de 5% para as lâmpadas incandescentes (Behar-Cohen e al. 2011). Os LED brancos quentes contêm menos de 10 % da luz azul, mas são geralmente menos eficazes, brilhantes e mais caros, sendo portanto, menos utilizados.
Graças à capacidade e ao largo espectro, os LED são amplamente utilizados em todos os nossos dispositivos digitais, como os smartphones, os tablets e os computadores…. A intensidade dos LED pode ser de até 1000 vezes mais elevada do que a das lâmpadas incandescentes convencionais (Behar-Cohen e al. 2011).
Se considerarmos ainda que o efeito tóxico crónico de uma fonte de luz depende fortemente da duração e recorrência da exposição, não se pode excluir totalmente o perigo a longo prazo do uso dos LED (Renard e Leid 2016).
Nas recomendações de 2013 sobre os limites de exposição, o ICNIRP (International Commission on Non-Ionizing Radiation Protection) não faz uma avaliação a longo prazo e os efeitos crónicos da exposição à luz azul, mas apenas os riscos agudos para a saúde. Os limites são assim muito elevados, uma vez associados a mecanismos de toxicidade mecânica ou térmica e não fotoquímica. Os conhecimentos actuais não permitem determinar se aquele valor limite pode igualmente prevenir os efeitos para a saúde a longo prazo (Shang e al. 2014.
Ao estudar as lesões fotoquímicas induzidas por LED comerciais azuis e brancas frias em níveis de exposição moderada (750 lux), Shang, Sliney e al. aconselham precaução.
As normas de segurança em fotobiologia, para produtos de iluminação, devem acompanhar a rápida evolução dos nossos padrões de exposição à luz, e continuar a defender o desenvolvimento da avaliação de risco para a saúde e a realização de estudos experimentais aprofundados sobre os sistemas baseados em LED. As normas de protecção contra a luz azul estão atrasadas em relação às normas de protecção contra os raios UV, uma vez que não há actualmente nenhum padrão de toxicidade cumulativa.
É de notar que diversas iniciativas foram tomadas, a começar por um grupo de peritos franceses ANSES (Agência Nacional de Segurança Sanitária dos Alimentos, Ambiente e Trabalho), em 2008. Desde 2010, foi criado um grupo de nove países criaram o o IEA 4E SSL, um grupo de especialistas Internacionais, cuja missão é proporcionar aos governos ferramentas de caracterização fiáveis sobre o desempenho da iluminação LED. Uma parte é inteiramente dedicada à segurança fotobiológica.
Ao mesmo tempo, o IEA alerta, em algumas publicações, para o perigo potencial para a retina, do uso prolongado de LED brancos frios, detectados em limiares inferiores aos recomendados pela ICNIRP (Problemas de saúde potenciais de SSL, 2014).

Quais as vantagens para a saúde humana da Luz Azul?

CB – A porção de energia menos energética de luz azul entre 460 e 500 nm, comumente chamada de luz azul-turquesa é necessária durante o dia para a sincronização do nosso relógio biológico (ciclo vigília-sono, humor, memória, regulação hormonal…).
Essa luz azul-turquesa é absorvida pelas células ganglionares melanopsina, que respondem por apenas entre 1 e 3 por cento das células ganglionares da retina. Quando estas células são foto-activadas enviam sinais para as zonas não visuais do cérebro.
Uma ausência ou défice de luz azul-turquesa durante o dia pode levar à dessincronização progressiva do relógio biológico, o que pode resultar em fadiga, distúrbios do sono, crescente dificuldade de concentração, problemas de vigília diurna, problemas de memória…
Tal como a Luz UV, também a Luz Azul pode causar lesões a tecidos biológicos e afetar a acuidade visual? Quais as diferenças em termos de “mecanismo e alvo de lesão” entre a luz UV e a luz Azul?

CB – A radiação UV constitui um factor de risco credível para patologias oculares do segmento anterior do olho, como a catarata, Os UV são nocivos para a córnea e para o cristalino.
A luz azul identifica-se como um factor de aceleração da Degeneração Macular relacionada com a Idade (DMRI) . Ela é nociva pelo seu efeito cumulativo para a retina extrema, ou seja, a combinação entre as extremidades dos fotorreceptores visuais e o epitélio pigmentar retiniano.
Nos dois casos, os mecanismos da fototoxicidade acumulada são dirigidos pelo stress oxidativo. Os novos resultados obtidos sobre o nosso parceiro de investigação, o Institut de la Vision, mostram que o fotoenvelhecimento da retina externa é dirigido pela produção de stress oxidativo, pela diminuição ou inativação dos antioxidantes e por uma disfunção mitocondrial, com um espectro de ação tóxica maximal no domínio azul-violeta entre 415 e 455 nm. Estes resultados confirmam e completam a nossa publicação de 2013 sobre a morte celular (Arnault, Barrau e al., 2013). Eles revelam ainda que a luz azul tem um papel maior na indução e na manutenção do stress oxidativo.

A verdade é que nos lares modernos e também no espaço social abundam emissores de luz azul com potencial nefasto para a saúde: televisores, telemóveis, sistemas de iluminação… Qual o risco real de exposição a estes dispositivos?

CB – O principal risco está relacionado com a luz do dia. É a mais poderosa e a mais perigosa, bem à frente das dos ecrãs.
Mas não podemos negar que as novas fontes de iluminação artificial alterem significativamente os nossos perfis de exposição à luz.

Fomos educados a “escolher”, por exemplo, díodos emissores de luz (LED) e lâmpadas de xênon por serem mais económicas e menos poluentes… Como se conjugam estes dois valores?

CB – Preferindo LED brancos quentes, com temperaturas de cor baixas, com cerca de 2700 K, que emitem luz muito menos azul do que os LED brancos frios com alta temperatura de cor,> = 5000 K;m evitar a exposição prolongada diante dos ecrãs; proteger os olhos com lentes de filtro apropriado, ou óculos de sol de alto desempenho ao ar livre nos períodos de verão, ensolarados ou com brilhos, ou óculos transparentes com lentes em matéria que tem incluída a proteção dos azuis eficaz – que permite uma proteção completa tanto ao ar livre como no interior. Uma filtragem de 20 % da luz azul-violeta é um bom compromisso para ter proteção permanente e prolongada.
Para preservar o capital visual, os óculos não são apenas compensadores das anomalias visuais mas são fundamentais para atuarem na proteção e prevenção.
Como explica a falta de informação sobre a luz azul e também sobre riscos associados à exposição prolongada ou a menor distância dos emissores?

CB – Estes riscos e danos são mais difíceis de medir do que os danos agudos ligados a uma exposição à luz intensa e rapidamente nociva. O longo prazo é mais difícil de compreender. No entanto, há cada vez mais estudos epidemiológicos que estabelecem uma ligação entre a exposição cumulativa à luz azul e o envelhecimento acelerado da retina ou mesmo a Degeneração Macular Ligada à Idade (DMLI) (Cruickshanks e al. 2001; Taylor e al. 1992; Young 1992; Mitchell, Smith, and Wang 1998; Fletcher e al. 2008; Butt e al. 2011). Por exemplo, o estudo EUREYE encontrou associações significativas entre a exposição à luz azul e a DMLI neovascular em indivíduos com baixos níveis de antioxidantes (Fletcher e al. 2008). Outro estudo realizado a 838 barqueiros da Baía de Chesapeake mostra que os pacientes com DMLI avançada tinham tido uma exposição à luz azul significativamente superior nos últimos anos (Taylor e al., 1992), mas a uma taxa de UV equivalente. Os autores do Beaver Dam Eye estabelecem uma correlação entre a luz solar e as fases precoces de DMLI. Associaram o tempo passado ao ar livre durante a adolescência (13-19 anos) e durante a década dos 30-39 anos, ao risco significativamente superior de degenerações maculares precoces. Uma recente meta-análise de 14 estudos epidemiológicos confirmou que os indivíduos expostos a mais sol apresentam um risco de desenvolver DMLI significativamente superior (12 de 14 estudos, 6 com riscos significativos, (Sui e al. 2013). Por outro lado, estudos sobre a densidade do pigmento macular e sobre o risco de progressão da DMLI após cirurgia de catarata sustentam a hipótese de que a exposição à luz azul desempenha um papel na patogénese da DMRI. Dados epidemiológicos indicam que a progressão de DMLI é cerca de 2.7 vezes mais provável após a cirurgia da catarata (Pollack e ai, 1996; Klein e al., 1998). Este risco elevado é atribuído ao forte aumento da luz azul recebida pela retina do pseudofáquico implantada com uma lente intraocular branco ou clara (que filtra apenas os UV, mas não filtra a luz azul). Após a operação, o pseudofáquico recebe um nível de fotões AEV (380-500 nm) nunca antes alcançado: mais de 2 vezes o valor recebido pela retina de uma criança de 1 ano ou por exemplo, no caso de uma pessoa de 70 anos operada, mais de 4.5 vezes o valor recebido pela retina antes da operação. O estudo Beaver Dam Eye (2004) realizado em 3700 pacientes, com idades entre 43-86 anos e seguidos por 5 anos, e em 2800 pacientes acompanhados por 10 anos, concluiu que a cirurgia de catarata foi significativamente associada com a incidência de DMLI tardia (Klein e al., 2002). As conclusões conjuntas dos estudos Beaver Dam Eye e Blue Mountain Eye Study sobre 6000 pacientes acompanhados por 5 anos sugerem que o risco de DMRI tardia foi 5.7 vezes maior para os olhos pseudofáquicos que para os olhos fáquicos. Um estudo científico recente mostra a proteção da retina fornecida por um IOL amarelo (que filtra o azul) (N = 52) em comparação com um IOL branco (N = 79), depois de 2 anos de follow-up após a cirurgia de catarata (Nagai e al. 2015). A medição das mudanças de autofluorescência no fundo de olho não revela nenhum aumento de anomalias no grupo com IOL amarela. No entanto as anomalias de autofluorescência aumentaram significativamente de mais de 15% na população com IOL branco (p = 0,0016). Novas drusas, uma atrofia geográfica ou uma neovascularização da coroideia foram observadas principalmente no grupo com IOL branco. Os autores concluíram que há uma incidência de DMRI significativamente maior no grupo com IOL branco (p = 0,042).
Além disso, há muitos estudos de fotobiologia in vitro e in vivo que afirmam que a luz azul é prejudicial para a retina externa.
É possível compatibilizar os benefícios económicos e riscos para a saúde associados à exposição à Luz Azul?

CB – A luz azul que é benéfica durante o dia é diferente da luz que é prejudicial. A luz azul-violeta com comprimentos de onda abaixo de 455 nm é cumulativamente nociva para a retina externa. E a luz azul-turquesa acima de 460 nm é necessária durante o dia para uma sincronização adequada do nosso relógio biológico. No entanto, esta mesma luz azul-turquesa é prejudicial à noite em frente a monitores, em parte porque remove a produção de melatonina, a hormona que diz ao cérebro para dormir. Durante o dia, para uma lente clara utilizada permanentemente, apenas a filtragem da luz azul-violeta deve ser oferecida e a luz azul-turquesa deve ser transmitida.

Existem lentes com filtro de luz azul? Em que situações são recomendadas?

CB – Tudo depende dos filtros e da sua conceção. Na Essilor, consideramos que a proteção não deve ser feita em detrimento de uma boa visão. Nós definimos o melhor compromisso entre a filtragem do azul-violeta, portanto, o nível de proteção e a perceção visual.
Com a nossa nova lente EYE PROTECT SYSTEM™ que entrou recentemente para o mercado, oferecemos pela primeira vez uma proteção significativa da retina no longo prazo, contra os raios UV e a luz azul-violeta, sem compromisso estético. Não há mais reflexo azul-violeta ou coloração amarela residual. Assim, a lente está adaptada para todos e não degrada a qualidade da visão. Trata-se de uma nova geração de óculos porque a tecnologia de filtragem da luz azul-violeta está integrada no material. A compatibilidade com todos os materiais e tratamentos está garantida. O novo material EYE PROTECT SYSTEM™ rompe o compromisso entre a proteção e estética, utilizando absorventes específicos. O EYE PROTECT SYSTEM™ não interfere nem com as funções visuais, nem com as funções não visuais.

Quais os principais grupos-alvo destas lentes?

Todos os portadores com ou sem necessidade de correção ótica pois estamos a falar de proteção a longo prazo. No entanto, tal como a ANSES e o IEA 4E SSL Annex fizeram, podemos definir um grupo especialmente em risco:
• As crianças, porque as suas lentes são 1.2 vezes mais transparentes do que as de um adulto de 50 anos e porque os mecanismos de defesa não estão maduros.
• As pessoas mais velhas porque as suas defesas estão reduzidas.
• As pessoas operadas às cataratas com um implante intraocular claro (ou seja, que não filtra os UV), pois as suas lentes são muito transparentes.
• As pessoas fotossensíveis ou que sofrem de fotofobia.
• Os técnicos de iluminação e cirurgiões, sujeitos a altos níveis de luz durante tempo repetido…

Redução de risco após o câncer: estilo de vida saudável (e algum tipo de noz)

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Roxanne Nelson

Pacientes com câncer com frequência perguntam o que podem fazer para se ajudarem. Novos dados de um estudo de longa duração em pacientes com câncer colorretal em estágio inicial confirmam que seguir um estilo de vida saudável reduz o risco de morte por câncer. Uma análise complementar acrescenta um novo dado: comer nozes também.

Os novos dados são de questionários preenchidos por pacientes com câncer colorretal no estágio III durante e após quimioterapia adjuvante.

“Descobrimos que os pacientes que tinham um peso corporal saudável, praticavam atividade física regular, comiam uma dieta rica em vegetais, frutas e grãos integrais e pobre em carnes processadas e carnes vermelhas, e bebiam quantidades pequenas ou moderadas de álcool tinham maior sobrevida livre de doença e global do que os pacientes que não o faziam”, disse a autora principal do estudo, Erin Van Blarigan, professora-assistente de epidemiologia e bioestatística da University of California,em San Francisco.

Seguir um estilo de vida saudável reduziu o risco de morte em 42%, e acrescentar consumo moderado de álcool à análise reduziu ainda mais o risco de morte, em 15%.

Erin falou em uma entrevista coletiva à reunião anual da American Society of Clinical Oncology (ASCO). Os novos resultados são de uma análise dos dados coletados durante o ensaio CALGB 89803. Este estudo comparou vários regimes de quimioterapia adjuvante; os resultados foram publicados há 10 anos (J Clin Oncol. 2007;25:3456-3461).

O estilo de vida foi avaliado em dois momentos diferentes durante o período de estudo, com uso de pesquisas validadas. Um sistema de pontuação foi utilizado para quantificar a adesão às diretrizes publicadas pela American Cancer Society (ACS) (intervalo de 0 a 6; quanto maior a pontuação, mais saudáveis os comportamentos).

O consumo de álcool está incluído nas diretrizes da ACS para prevenção do câncer, mas não para sobreviventes de câncer, então Erin explicou que eles avaliaram a pontuação com e sem consumo de álcool.

Em um acompanhamento médio de sete anos, houve 335 recorrências e 299 óbitos (43 sem recorrência).

Os pesquisadores compararam então os desfechos para os pacientes com as maiores pontuações de aderência às diretrizes de estilo de vida saudável (5 a 6 pontos; n = 91, 9%) com os desfechos para os pacientes que obtiveram o menor grau de adesão às diretrizes (0 a 1 ponto; n = 262, 26%). Eles encontraram um risco 42% menor de morte (hazard ratio, HR, 0,58; P para tendência = 0,01) e uma tendência para a melhora da sobrevida livre de doença (SLD) para os pacientes com maior aderência às recomendações de estilo de vida saudável (HR, 0,69; P para tendência = 0,03).

Quando a análise incluiu álcool na pontuação, as HRs ajustadas para pacientes com pontuação de 6 a 8 pontos (n = 162, 16%) em comparação com aqueles cujo escore foi de 0 a 2 pontos (n = 187, 91% ) foram 0,49 para a sobrevida global (P para tendência = 0,002), 0,58 para SLD (P para tendência = 0,01), e 0,64 para sobrevida livre de recorrência (P para tendência = 0,05).

“Nossa equipe de pesquisa está realizando ensaios clínicos para avaliar a viabilidade e a aceitabilidade de intervenções digitais no estilo de vida, como o Fitbit, para pacientes com câncer colorretal”, disse Erin. “Se nossas intervenções forem aceitáveis e úteis aos pacientes, testaremos o impacto delas no risco de recorrência e mortalidade por câncer em estudos futuros”.

O estudo tem algumas limitações porque os resultados dependem da memória dos pacientes sobre o próprio comportamento, “mas a conclusão é que as diretrizes da ACS e outros recomendam comportamentos saudáveis porque eles são de fato saudáveis para você”, comentou o Dr. Richard L. Schilsky, chefe médico da ASCO.

Nozes reduzem mortalidade e recorrência

Em um estudo relacionado que usou a mesma coorte de pacientes do estudo CALGB 89803, os pesquisadores observaram que o consumo regular de nozes também foi associado a um menor risco de recorrência do câncer de cólon e a uma melhor sobrevida global.

Entre os 826 pacientes incluídos nesta análise, os resultados mostraram que aqueles que consumiram 2 ou mais onças (aproximadamente 56 gramas) de frutas e sementes oleaginosas de cascas rijas por semana tiveram um risco 42% menor de recorrência da doença, e um risco de mortalidade de 57% menor em comparação com aqueles que não comeram esse tipo de alimento.

Mas uma análise secundária, explicou o autor principal, Dr. Temidayo Fadelu, um fellow clínico em medicina no Dana Farber Cancer Institute, em Boston, Massachusetts, mostrou que o benefício do consumo estava limitado às oleaginosas que crescem em árvores – a associação não foi significativa para amendoim (e manteiga de amendoim).

O mecanismo biológico não é conhecido, mas provavelmente está relacionado ao efeito das nozes na resistência a insulina, ele destacou. “Esses resultados contribuem para evidências sobre o benefício de fatores dietéticos e do estilo de vida no câncer de cólon”.

Outros estudos observacionais sugeriram que aumentar o consumo de nozes está associado com menor risco de diabetes tipo 2, síndrome metabólica e resistência a insulina.

Melhor sobrevida livre de doença

Dr. Fadelu e colaboradores avaliaram associações do consumo de nozes com recorrência e mortalidade do câncer. Eles descobriram que, em comparação com os pacientes que se abstiveram de comer estes frutos secos, aqueles que consumiram pelo menos duas porções por semana tiveram uma HR ajustada de 0,58 (P para tendência = 0,03) para SLD e 0,43 (P para tendência = 0,01) para sobrevida global.

Os autores também observaram que, na análise de subgrupos, a associação significativa se aplicava apenas ao consumo de frutos oleaginosos que não o amendoim: HR de 0,54 (P para tendência = 0,04) para SLD e 0,47 (P para tendência = 0,04) para a sobrevivência global.

Além disso, eles observaram que a associação de consumo de frutos oleaginosos secos com melhores desfechos foi mantida entre alterações genômicas comuns (instabilidade de microssatélites, mutação KRAS, mutação BRAF e mutação PIK3CA).

O Dr. Schilsky observou que o estudo descobriu que comer duas porções de nozes por semana estava associado a resultados mais favoráveis, “mas se isso é devido a comer as nozes ou se isso é devido a algum outro comportamento associado a comer nozes, ainda não está claro”.

“No entanto, há um crescente número de evidências mostrando que comer esses frutos e sementes geralmente é bom para saúde, e este é outro estudo apontando na mesma direção”, disse ele ao Medscape.

Não substitui o tratamento

Comentando sobre os dois estudos, o presidente da ASCO, Dr. Daniel F. Hayes, observou que os dados mostram que “existe uma ótima chance de sobrevivência se você tem câncer de cólon, e que as pessoas saudáveis vivem melhor”.

No entanto, ele advertiu que esses resultados não significam que o estilo de vida pode substituir o tratamento, e disse que os pacientes não devem renunciar à conduta padrão no tratamento da própria doença.

“Ninguém quer se submeter a quimioterapia”, disse o Dr. Hayes. “Nós entendemos isso, mas a quimioterapia claramente salva vidas”.

“As pessoas não devem interpretar esses dois resumos como sugestão de que, se você tem um estilo de vida saudável e come nozes, não precisa usar a quimioterapia que seu oncologista recomenda”, acrescentou. “Essa é uma interpretação muito perigosa”.

O estudo de Erin (resumo 10006) foi financiado pelo National Cancer Institute dos National Institutes of Health; o estudo do Dr. Fadelu (resumo 3517) foi financiado pelo National Cancer Institute e por Pfizer. Erin e o Dr. Fadelu não declararam relações financeiras relevantes, embora múltiplos coautores de ambos estudos tenham declarado relações com a indústria. O Dr. Hayes relata possuir ações e receber lucros de propriedade de OncoImmune e InBiomotion; honorários de Lilly; financiamento de pesquisa (institutional) de Janssen, AstraZeneca, Puma Biotechnology, Pfizer, Lilly e Merrimack/Parexel; patentes, royalties e outras propriedades intelectuais com royalties de tecnologia licenciada a Janssen Diagnostics a respeito de células tumorais circulantes; e despesas de viagem, acomodação e gastos recebidos de Janssen Diagnostics.

Encontro Anual da American Society of Clinical Oncology. Resumos 10006 e 3517, apresentados, respectivamente, em 2 de junho e 3 de junho de 2017.