Otorrinonaringologia

Proposta regra clínica para diagnóstico de #sinusite bacteriana

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Dra. Veronica Hackethal

Uma ferramenta recentemente desenvolvida pode identificar a sinusite bacteriana aguda em estudos preliminares, relatam os pesquisadores em um artigo publicado na edição de julho/agosto do Annals of Family Medicine. Os pesquisadores agora planejam testar essa regra clínica em estudos prospectivos para determinar a acurácia e o efeito dela em resultados clínicos.

“A regra clínica utiliza seis sinais e sintomas, mais uma proteína C-reativa (PCR) maior que 15 mg/L. Os sinais e sintomas incluem sintomas respiratórios prévios, ausência de infecção sinusal recente, dor unilateral no seio maxilar, dor dentária em região maxilar e secreção nasal purulenta”, disse o primeiro autor Dr. Mark Ebell, da University of Georgia,em Athens, ao Medscape por e-mail.

Embora mais trabalhos sejam necessários para validar a regra, ela tem o potencial de reduzir o uso desnecessário de antibióticos.

“O teste da ferramenta em pacientes dinamarqueses na atenção primária mostrou que é possível classificar cerca de metade dos pacientes com sintomas sinusais como de baixo risco para infecção bacteriana, assim como um grupo muito menor que tem grande probabilidade de ter infecção bacteriana”, disse o Dr. Ebell.

A pesquisa mostrou que a sinusite representa o motivo mais comum para prescrição de antibióticos na atenção primária: mais de 70% dos pacientes com sintomas de sinusite recebem antibióticos. No entanto, estudos também sugerem que apenas cerca de 30% dos pacientes realmente têm uma infecção bacteriana que requer antibiótico. Assim, uma ferramenta de distinção dos pacientes entre baixo e alto risco para sinusite bacteriana pode ajudar a reduzir o uso inapropriado de antibióticos.

Para desenvolver a ferramenta de decisão clínica os pesquisadores testaram vários modelos contra três padrões de referência: achados anormais na tomografia computadorizada, presença de pus nos seios paranasais, ou uma cultura positiva para bactéria.

Eles também usaram duas diferentes abordagens para desenvolver as ferramentas. Primeiro utilizaram um modelo de regressão logística com um sistema de pontuação. A segunda técnica usa um algoritmo desenvolvido para um modelo de árvore de classificação e regressão (CART). O algoritmo CART questiona sobre dor unilateral no seio maxilar, PCR, sinusite prévia, e dor dentária maxilar.

Eles testaram cada um dos modelos nos dados de 175 adultos atendidos na atenção primária na Dinamarca, para os quais dados sobre sinais, sintomas, PCR e testes padrão de referência haviam sido coletados prospectivamente.

O resultado da pontuação dividiu o grupo de pacientes em três subgrupos com base no risco para uma infecção bacteriana: baixo (16%), moderado (49%) e alto (73%).

Quando comparada com um padrão de referência de cultura bacteriana, a regra clínica teve boa acurácia, com uma área sob a curva roc (receiver operating characteristic) entre 0,721 e 0,767.

Nessa população, os pesquisadores estimam que o uso de antibiótico teria sido reduzido para 34% se a ferramenta tivesse sido usada para guiar o tratamento, e todos os pacientes de alto risco e metade dos de risco intermediário receberam os medicamentos. Essa taxa de prescrição é consistente com as diretrizes práticas atuais, sugerindo que apenas 27% dos pacientes com sinusite realmente precisam de antibióticos.

Em outras palavras, a utilização da pontuação tendo como referência a cultura bacteriana provavelmente levaria a um uso mais conservador de antibióticos, de acordo com os autores.

O modelo CART com a cultura bacteriana como referência poderia fornecer uma boa alternativa para profissionais que preferem algoritmos. O modelo CART classificou um número semelhante de pacientes como de probabilidade baixa, moderada e alta para sinusite bacteriana, em 6%, 31% e 59%, respectivamente. Os resultados da área sob a curva roc para o modelo CART ficaram entre 0,783 e 0,828, similares à regra de pontuação.

Os resultados da análise de regressão logística também mostraram que o maior preditor individual de sinusite bacteriana foi a PCR, o que fortalece a necessidade de se disponibilizar o exame de PCR na atenção primária.

“O exame de PCR foi o mais forte preditor e é amplamente usado na Europa para guiar decisões sobre antibióticos, mas não foi aprovado para uso de rotina pela Food and Drug Administration dos EUA. Isso é uma pena, pois precisamos de todas as ferramentas possíveis para reduzir o uso inapropriado de antibióticos”, destacou o Dr. Ebell.

Os autores mencionaram várias limitações, incluindo dados incompletos sobre febre, e ausência de dados sobre certos tipos de achados de tomografia computadorizada associados com sinusite. Além disso, os resultados podem não se aplicar a crianças, pois o estudo só incluiu adultos.

Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Ann Fam Med. 2017;15:347-354. Resumo

Reabilitação Vestibular: o recondicionamento do equilíbrio

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homem em sofrimento com mão na cabeça

Reabilitação Vestibular: o recondicionamento do equilíbrio

Tontura é um sintoma comum na prática clínica entre os adultos, podendo chegar a 20 a 30% de prevalência, com dados na literatura de mais de 50% em adultos com mais de 85 anos de idade. Esta queixa está relacionada à queda da qualidade de vida, consequências ocupacionais e prejuízo nas atividades diárias.

Além disso, é fator de risco importante para queda da própria altura, o que pode ser especialmente prejudicial em idosos com risco de fraturas. Também é causa de um elevado encargo econômico uma vez que demandam cuidados multidisciplinares e diminuição da produtividade laborial.

A causa mais comum de tontura é a doença vestibular periférica (33-38%), que inclui Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), Neuronite Vestibular e Doença Ménière. Outras causas são doenças cardiovasculares (7-18%), distúrbios neurológicos (10-15%) e distúrbios psiquiátricos (1-17%).

A Reabilitação Vestibular (RV) tem sido praticada há quase 70 anos, mas evidências relacionadas à sua eficácia têm crescido nos últimos 10 a 15 anos. Em 2013, uma revisão da Cochrane relatou moderada a forte evidência do uso de reabilitação vestibular para pessoas com distúrbios vestibulares.

A RV consiste na provisão de um programa de exercícios customizado direcionado às necessidades específicas de cada paciente. Educação do paciente e apoio psicológico também são elementos-chave para a recuperação ideal.

Exercícios em casa são geralmente incorporados como complemento para otimizar o programa definido. Estes são escolhidos para abordar os objetivos de cada pessoa e são incorporados, quando possível, em atividades funcionais, a fim de maximizar seu efeito.

A exata frequência, duração e número de visitas não são definidas pelos protocolos. As diretrizes da prática clínica sugerem que podem variar de acordo com comorbidades, função do canal do labirinto afetado e funcionamento psicológico individual.

A movimentação do paciente é essencial para a recuperação da função em pessoas com distúrbios vestibulares. Evidências sugerem que os programas de reabilitação devem começar logo após o acometimento vestibular, em virtude da neuroplasticidade; deve ser personalizado, principalmente em pessoas com acometimento de habilidade motora e déficit cognitivo; deve ser projetado para diminuir o estresse e a ansiedade; além de ser motivador.

Dentre os preditores de diminuição da recuperação estão as enxaquecas, déficit de propriocepção, comorbidades visuais, cognição, fatores psicológicos e acometimento do sistema nervoso central concomitante.

Nos últimos 10 anos, foram realizados estudos para destacar o valor da reabilitação vestibular usando diferentes técnicas em pessoas com vestibulopatias. A maioria apresentou relação positiva com a melhora da tontura, instabilidade postural, marcha, risco de queda e qualidade de vida em distúrbios centrais, periféricos ou mistos.

Programas de reabilitação vestibular muitas vezes são multidisciplinares com a participação de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, um otoneurologistas, neurologista, psicólogo e psiquiatra.

Um dispositivo implantável está sendo desenvolvido e poderá ter efeitos positivos em pacientes vestibulopatias crônicas descompensadas.

Pelo menos cinco centros ao redor do mundo estão trabalhando para otimizar o design e funcionamento do implante vestibular. Protocolos de reabilitação terão que ser desenvolvidos de modo que as pessoas possam aprender como retreinar o cérebro para utilizar as entradas novas.

Aplicativos de telefones e computadores poderão fornecer relatórios de exercícios praticados pelos pacientes em casa.

Um estudo, publicado em 2017, tem como objetivo avaliar a eficácia da combinação de reabilitação vestibular online versus a terapia presencial com um especialista em pacientes com vestibulopatias maiores de 50 anos que tenham acesso à Internet. Em um projeto com três “braços”, investigará a eficácia e custo-benefício do tratamento via online, do tratamento presencial e as duas modalidades, com follow-up de 6 meses. Consideram desenvolver preditores de sucesso para cada tipo de tratamento. Com isso, durante a prática clínica, ficará mais evidente quem se beneficiaria de tratamentos via online ou da terapia presencial.

Publicado também este ano pela Laryngoscope, um novo programa de reabilitação vestibular adaptativo foi desenvolvido e fornecido um dispositivo a pacientes com hipofunção vestibular unilateral e sintomáticos por pelo menos, 3 meses. Eles foram instruídos a usar o programa de exercícios da cabeça diariamente, com cada sessão durando cerca de 10 minutos.

Neste estudo, o método adaptado e individual do paciente parece ter vantagens sobre a RV tradicional em termos de custo e individualização do tratamento e obteve melhora importante dos sintomas. Houve diminuição clínica e estatisticamente significativa dos sintomas após 4 semanas de terapia.

Há evidências crescentes de que o sistema nervoso central tem a capacidade de compensar a hipofunção do sistema vestibular. O encaminhamento precoce para RV melhora a qualidade de vida, diminui o relato de episódios, melhora o controle postural, além de diminuir a ansiedade quanto à tontura do paciente e o déficit de equilíbrio.

Autora:

 Otorrinolaringologia

Referências:

  • McDonnell MN, Hillier SL. Vestibular rehabilitation for unilateral peripheral vestibular dysfunction.Cochrane Database Syst Rev. 2015 Jan 13
  • Susan L et al. Recent Evidence About the Effectiveness of Vestibular Rehabilitation. Curr Treat Options Neurol (2016) 18: 13.
  • Van Vugt VA et al. Guided and unguided internet-based vestibular rehabilitation versus usual care for dizzy adults of 50years and older: a protocol for a three-armed randomised trial. BMJ Open 2017;7
  • Crane BT, Schubert MC. An adaptive vestibular rehabilitation technique. Laryngoscope 2017 May 23
  • McDonnell MN, Hillier SL. Vestibular rehabilitation for unilateral peripheral vestibular dysfunction.Cochrane Database Syst Rev. 2015 Jan 13

 

Pacientes do SUS com otite externa aguda terão acesso a gotas otológicas

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Teresa Santos e Dra. Ilana Polistchuck

Em março deste ano o Sistema Único de Saúde (SUS) incorporou ao rol de medicamentos uma associação de fármacos para o tratamento da otite externa aguda (sulfato de polimixina B 10.000 UI, sulfato de neomicina 3,5 mg/mL, fluocinolona acetonida 0,25 mg/mL e cloridrato de lidocaína 20 mg/mL). Até então, não havia alternativas farmacêuticas tópicas na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) para esses casos, sendo a assepsia local, bem como a administração de analgésicos e antibióticos por via oral os únicos recursos disponíveis no sistema público de saúde.

A incorporação dessa associação de fármacos, que foi motivada por ação da Secretaria de Ciência Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde, obteve parecer preliminar desfavorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologia no SUS (CONITEC). Mas após consulta pública, a decisão foi alterada. Durante análise, a CONITEC avaliou resultados de revisão sistemática de dois estudos que investigaram alternativas terapêuticas disponíveis no país para otite externa aguda. Em um dos estudos[1], pacientes que foram tratados com ciprofloxacino 2 mg/mL alcançaram a cura mais rápido do que aqueles nos quais foi administrada associação entre polimixina B 10.000 UI, neomicina 3,5 mg/mL e hidrocortisona 10 mg/mL. O outro trabalho[2] mostrou que ciprofloxacino 2 mg/mL associado à hidrocortisona 10 mg/mL apresenta resultados semelhantes à associação polimixina B 10.000 UI, neomicina 3,5 mg/mL e hidrocortisona 10 mg/mL. A inclusão de mais 12 estudos que avaliaram os efeitos de medicamentos que apresentam classes farmacêuticas equivalentes no Brasil apontou maior eficácia da utilização de quinolona (ciprofloxacino ou ofloxacino) em relação à associação entre não quinolonas e anti-inflamatório esteroide (caso da associação incorporada ao SUS) em relação à cura em sete a 10 dias de acompanhamento[3].

Com relação ao custo, a CONITEC identificou que o impacto orçamentário médio por habitante para a incorporação de quinolona seria de R$0,4148, enquanto o valor para a associação entre não quinolonas e anti-inflamatório esteroide seria de R$ 0,0778[3].

Ação amplia leque, mas não é padrão-ouro

Atualmente, não há um protocolo brasileiro que oriente a conduta médica em casos de otite externa aguda. Entretanto, o uso de quinolona com corticoide é a associação recomendada pelas diretrizes da Interamerican Association of Pediatric Otorhinolaryngology (IAPO)[4].

Segundo a a Dra. Tânia Maria Sih, presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), existem medicamentos dessa categoria considerados padrão-ouro (contêm os princípios ativos ciprofloxacino e hidrocortisona) disponíveis no Brasil.

“O medicamento incorporado ao SUS é interessante, mas não é uma opção excelente. A associação adotada pelo Ministério da Saúde tem um analgésico (lidocaína), um polimicrobiano (polimixina) e um corticoide, que é anti-inflamatório (fluocinolona acetonida). O problema é que o antibiótico dessa formulação não atua sobre uma gama muito ampla de agentes microbianos. Há pseudômonas e estafilococos, por exemplo, que não são sensíveis a esse medicamento”, afirmou a médica em entrevista ao Medscape.

A IAPO recomenda que as medicações tópicas sejam a terapia inicial no tratamento da otite externa aguda difusa e não complicada. Quando o canal do ouvido estiver obstruído, a administração das gotas tópicas deve ser feita juntamente com limpeza e aspiração (toalete aural), ou inserção de um tampão de merocel (ear wick), ou ambos. Analgésicos orais também podem ser prescritos com base na intensidade da dor.

A otalgia, principal manifestação clínica da otite externa, em geral é muito intensa, sendo mais forte do que a observada nos casos de otite média aguda. Por essa razão, a assepsia local é dificultada. “Se não eliminamos o inchaço inflamatório (edema), não conseguimos fazer a remoção do cerume e a limpeza local”, explicou a Dra. Tânia.

Outro aspecto importante apontado nas diretrizes da IAPO é a não prescrição de antibióticos sistêmicos como terapia inicial. Essa medida visa evitar efeitos colaterais de uma terapia ineficaz e previne também o desenvolvimento de resistência antibiótica. Antimicrobianos orais só devem ser usados quando já há propagação da infecção para fora do conduto auditivo externo, ou quando o paciente apresenta fatores específicos que indiquem a necessidade de terapia sistêmica, por exemplo, quando as gotas não entram no canal ou quando há deficiência do sistema imunológico.

Espera-se que entre 48 e 72 horas após o início da terapêutica já seja possível observar resposta. Quando isso não ocorrer, a recomendação da IAPO é para que se conduza nova avaliação a fim de confirmar o diagnóstico e excluir outras causas da doença.

As diretrizes americanas recomendam ainda que, em caso de suspeita ou confirmação de perfuração da membrana timpânica e/ou presença de tubo de ventilação, o médico deve prescrever preparação tópica não ototóxica.

Quanto à duração do tratamento, as gotas devem ser usadas por pelo menos sete dias, com possibilidade de estender o uso por, no máximo, mais sete dias.

Além da adesão correta à terapêutica, algumas precauções também contribuem para que o paciente tenha uma recuperação adequada. É o caso, por exemplo, de evitar coçar ou tocar com força o ouvido, assim como, evitar a inserção de objetos, inclusive hastes de plástico com algodão na ponta. É importante ainda impedir que o ouvido afetado entre em contato com água, tanto no banho quanto em atividades aquáticas.

“Indivíduos que apresentam tendência a desenvolver otite externa devem utilizar tampões durante o contato com a água, para prevenir a doença. A otite externa aguda está muito relacionada ao contato com água, tanto que é muito mais frequente durante o verão”, disse a médica.

Dados epidemiológicos ainda são escassos

A doença, caracterizada como uma inflamação difusa do conduto auditivo externo, atinge cerca de 10% da população norte-americana, sendo crianças e adolescentes um dos grupos mais acometidos[5]. No Brasil, ainda há escassez de dados epidemiológicos da doença[3].

Em geral, a enfermidade está associada a infecção bacteriana, sendo que, nos Estados Unidos, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus são os agentes mais comumente envolvidos, respondendo por 98% dos casos de otite externa[6].

Quanto aos sintomas, além da otalgia, é possível que haja coceira ou sensação de ouvido “cheio” ou tampado. Esses quadros podem ser observados com ou sem perda de audição ou dor na mandíbula[4]. Também é possível que haja secreções mucopurulentas. “Como se trata de um problema externo, frequentemente não ocorrem febre, tosse, coriza ou dor de garganta, ou seja, não há sinais sistêmicos”, esclareceu a Dra. Tânia, lembrando que o quadro pode ser uni ou bilateral.

Melatonina: uso correto e potencial efeito terapêutico

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pessoa dormindo com os pés para fora do lençol

Melatonina: uso correto e potencial efeito terapêutico

Os seres vivos apresentam ritmos circadianos (~24 horas) autossustentáveis na fisiologia e comportamento de diversos sistemas do organismo. Estes ritmos são regulados por um “relógio” central localizado, nos seres humanos, no núcleo supraquiasmático (NSQ) do hipotálamo. Este é considerado o principal marcapasso circadiano da espécie humana.

A temperatura corporal central, o sono e o momento da produção de determinados hormônios, são regulados pelo NSQ. Ele também controla a temporização de “relógios” periféricos no fígado, coração e glândulas suprarrenais e, muitas vezes, num sistema de retroalimentação. O NSQ ajuda a manter a vigilância, produzindo um sinal de alerta durante o dia e manter o sono por um sinal reduzido à noite

O período humano de ritmo circadiano (tau) é de cerca de 24.2h.

O ciclo sono-vigília é o ritmo circadiano mais aparente nos seres humanos e os principais agentes sincronizadores deste relógio são: a luz (a mais determinante), atividade física e a melatonina.

A glândula pineal é uma glândula endócrina localizada superiormente ao colículo superior e atrás da stria medullaris, entre os corpos talâmicos posicionados lateralmente, entre os dois hemisférios, acima do aqueduto de Sylvius e abaixo do bordelete do corpo caloso. É uma estrutura epitalâmica pequena e única, situada dorsalmente à região caudal do diencéfalo. Ela é derivada de células neuroectodérmicas e, à semelhança da retina, desenvolve-se a partir de uma invaginação do teto da parede do terceiro ventrículo

A melatonina é um neurohormônio endógeno sintetizado a partir da serotonina e produzida na glândula pineal. Primeiramente, é N-acetilada, depois O-metilada para levar à N-acetil-5-metoxitriptamina ou melatonina, que é liberada diretamente para a circulação geral.

Os níveis de melatonina são baixos durante o dia, começam a aumentar logo após o início da escuridão, atingem níveis de pico na escuridão média e, em seguida, diminuem no final da noite para atingir níveis diurnos baixos pouco antes do início da luz. Sua secreção é inibida pela luz. Esta ação é mediada através de um sistema fotorreceptor em células ganglionares retinianas sensíveis à luz, contendo melanopsina. Estas, comunicam a presença de luz ao NSQ, através do trato retino-hipotalâmico (TRH).

A liberação circadiana de melatonina da glândula pineal e retina ajuda a coordenar ritmos circadianos e processos neuroendócrinos através da ativação de dois receptores acoplados a proteína G, MT1 e MT2. A melatonina endógena liberada da glândula pineal durante a noite pode fazer um retorno sobre o NSQ e ativar os receptores MT1 e MT2 para os ritmos circadianos locais, induzindo ao sono.

A administração exógena de melatonina também pode controlar o ritmo circadiano de sono-vigília, através dos receptores de melatonina localizados no NSQ.

Em vista das propriedades cronobióticas de ressincronização da melatonina, sua administração exógena cronometrada tem sido tentada para melhorar os distúrbios do sono associados a ritmos biológicos perturbados,e os agonistas dos receptores da melatonina foram concebidos para este fim.

Apesar de apresentar efeitos diretos e circadianos sobre o sono, não parece alterar a duração do sono.

A perda distal de calor, através do aumento da temperatura da pele, parece estar intimamente associada à indução do sono. A administração exógena de melatonina durante o dia, quando a melatonina é essencialmente ausente, imita os processos termofisiológicos endógenos que ocorrem à noite e induz a sonolência. Assim, o efeito facilitador do sono da melatonina pode estar relacionado com uma resposta hipotérmica mediada pela vasodilatação periférica.

Seu uso para distúrbios de sono é bem definido quando se trata de distúrbios do ritmo circadiano (avanço ou atraso de fase). Seu uso para insônia não faz parte do protocolo estabelecido pela Academia Americana de Medicina do Sono, mas a melatonina diminui a latência para o início do sono. Novos agonistas de receptores de melatonina também tem ação em receptores de serotonina (antagonistas 5HT2), com benefício em pacientes com depressão maior. O significado clínico dos receptores de melatonina em demência é fortemente apoiado por estudos histológicos post-mortem no hipocampo de pacientes com doença de Alzheimer, mostrando aumento de MT1 e diminuição à imunorreatividade de receptor MT2. Estudos sugerem um papel importante da melatonina e seus receptores na formação da memória. Portanto, um antagonista de receptores de melatonina pode levar a melhorias nas tarefas baseadas na memória e pode ser útil em um papel profilático ou terapêutico em pacientes mostrando sinais de Doença de Alzheimer.

Evidências sugerem um papel para melatonina na proteção contra a lesão de isquemia/reperfusão, apoptose e neurodegeneração (neuroproteção). Foi documentado que MT1 medeia vasoconstricção, enquanto MT2 medeia vasodilatação (Masana et al., 2002). Com isso, um potencial uso farmacológico da melatonina está na redução da pressão arterial.

Existe uma correlação direta relatada entre os níveis de melatonina no seu pico durante a noite e a máxima proliferação de células imunitárias (Carrillo-Vico et al., 2005). Ao contrário da melatonina, verificou-se que os glicocorticoides inibem a proliferação dos esplenócitos (Nelson e Demas, 1997). Uma vez que o pico da melatonina durante a noite e o pico de glucocorticoides durante o dia, foi observado que a razão para a variação na proliferação do esplenócito ao longo do dia foi devido a esta relação de oposição melatonina-glicocorticoide.

Ao nível celular, a melatonina e seus receptores estão preparados para influenciar a patologia do câncer. Os receptores MT1 medeiam o efeito oncostático da melatonina em modelos de câncer de próstata e mama. Curiosamente, os receptores MT1 podem ser constitutivamente ativos em células de câncer de mama, inibindo a proliferação de células cancerígenas. Como tal, agonistas de receptores MT1 seletivos podem ser eficazes no tratamento do câncer de mama e próstata, isoladamente ou como adjuvante para abordagens terapêuticas atualmente disponíveis.

A melatonina parece desempenhar papéis fundamentais na regulação do sistema endócrino. Estes papéis incluem a regulação da liberação de GnRH (hormoônio liberador de gonadotrofina), secreção de ocitocina, a liberação da síntese de progesterona, a produção de cortisol e a promoção da produção de androgênio (Schaeffer e Sirotkin, 1995; Tamura et al. Al., 2009, 2008)

Embora a melatonina tenha sido identificada há mais de 50 anos, só recentemente os cientistas começaram a descobrir suas numerosas ações nos tecidos periféricos. Os muitos papéis da melatonina incluem a regulação dos ritmos circadianos, atuando como neurotransmissor ou hormônio que regula diversos sistemas de órgãos, e como antioxidante (Reiter et al., 2000, Tan et al., 1993). Algumas dessas ações são mediadas por seus receptores MT1 e MT2, enquanto outros são acreditados como independentes de receptores (Dubocovich e Markowska, 2005; Reiter et al., 2007).

Estes receptores tornaram-se alvos farmacológicos atrativos para a imunomodulação, a regulação de funções endócrinas, atividade circadiana, cardiovascular, pigmentação da pele, o crescimento do cabelo e o envelhecimento.

Assim, a ampliação do conhecimento da expressão, regulação, sinalização e função dos receptores da melatonina em células e tecidos periféricos pode ter um impacto na farmacoterapia de uma ampla gama de doenças.

 
Autora:

 Otorrinolaringologia

Referências:

  • Kryger et al. Atlas Clínico de Madicina do Sono. 2ª Ed. Editora. Elsevier 2015.
  • Kryger et al. Principles and Practice of Sleep Medicine. 5a Ed.Editora Elsevier 2011.
  • Berry et al. Fundamentals of Sleep Medicine. Ed. Elsevier 2012.
  • Liu J et al. MT1 and MT2 Melatonin Receptors: A Therapeutic Perspective. Annu Rev Pharmacol Toxicol . 2016 ; 56: 361–383.
  • Slominski RM et al. Melatonin membrane receptors in peripheral tissues: Distribution and functions Mol Cell Endocrinol . 2012 April 4; 351(2): 152–166.

La contaminación puede causar inflamación en los tejidos nasales (Am J Respir Cell Mol Biol)

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Los estudios muestran los efectos destructivos de la exposición crónica a partículas en suspensión en las vías respiratorias altas.

Un estudio realizado por investigadores de la Johns Hopkins University (Estados Unidos) en ratones ha demostrado que la contaminación del aire puede causar inflamación en los tejidos nasales y en los senos paranasales.

Para alcanzar esta conclusión, publicada en “American Journal of Respiratory Cell and Molecular Biology”, los científicos expusieron a 19 ratones de ocho semanas de edad a aire contaminado durante seis horas al día y 5 días a la semana durante 16 semanas. Asimismo, a otros 19 los expusieron a aire no contaminado.

De esta forma, comprobaron que los que habían respirado aire contaminado tenían los tejidos nasales más inflamados e, incluso, hasta cuatro veces más macrófagos que los ratones que respiraron aire limpio.

Para ver si las células expulsadas de las fosas nasales y de los senos paranasales eran en una respuesta inflamatoria generalizada, los investigadores compararon genes específicos utilizados por células del sistema inmune de aquellos ratones que respiraron aire contaminado, con las células de los respiraron aire no contaminado.

De esta forma, encontraron que niveles más altos de ARN mensajero en los genes de la interleucina 1b, la interleucina 13, oncostatina M y eotaxina-1 en el fluido nasal de ratones que respiró el aire contaminado. Todas estas proteínas se consideran biomarcadores directos para la inflamación.

A continuación, los investigadores examinaron capas de células a lo largo de los pasajes nasales y los senos bajo un microscopio y se encontró que la capa de superficie era un 30 o 40% más grueso en ratones que respiraron en el aire contaminado que en los que respiraba aire limpio.