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Colonoscopia de seguimento após exame fecal positivo: o momento importa

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Diana Phillips

Postergar uma colonoscopia de seguimento por mais de 10 meses após um exame imunoquímico de fezes pode aumentar o risco do paciente para qualquer câncer colorretal e para câncer de cólon em estágio avançado, segundo um estudo.

Em uma revisão retrospectiva de 70.124 pacientes com idades entre 50 e 75 anos que tiveram resultados positivos no teste imunoquímico de fezes (TIF), a colonoscopia de seguimento realizada mais de 10 meses após o TIF positivo, comparada com um mês ou menos, foi associada com um aumento de quase 50% no risco de diagnóstico de qualquer câncer colorretal. O atraso também foi associado a um aumento de duas vezes no risco de doença em estágio avançado, relatam o Dr. Douglas A. Corley, da Divisão de Pesquisa, Kaiser Permanente Northern California, em Oakland, Califórnia, e colaboradores, em um artigo publicado on-line no JAMA.

Embora pesquisas futuras sejam necessárias para determinar se a relação observada é causal, o risco aumentado com o tempo na população do estudo apoia a necessidade de recomendações de seguimento baseadas em evidências, escrevem os autores.

Para avaliar a associação entre o momento da colonoscopia de seguimento após um TIF positivo e os desfechos do câncer, os pesquisadores revisaram prontuários de membros do Kaiser Permanente Southern California que completaram a triagem pelo TIF entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de outubro de 2012, e de membros do Kaiser Permanente Northern California que completaram a triagem pelo TIF entre 1º de janeiro de 2010 e 31 de julho de 2013. Foram incluídos na análise pacientes com resultados positivos para o TIF e sem história de câncer colorretal.

Usando pacientes que receberam uma colonoscopia de seguimento dentro de oito a 30 dias do resultado positivo no TIF como grupo de referência, os pesquisadores compararam os desfechos de câncer para o grupo de pacientes que realizaram colonoscopia de seguimento a partir de dois meses (31 a 60 dias), três meses (61 a 90 dias), quatro a seis meses (91-180 dias), sete a nove meses (181-272 dias), 10-12 meses (273-365 dias), e mais de 12 meses (366-1751 dias) após o resultado positivo no TIF.

Comparado com o grupo de referência, cada intervalo adicional de 30 dias foi associado com um aumento médio no risco de aproximadamente 3% para qualquer câncer colorretal (odds ratio, OR, de 1,03; intervalo de confiança, IC, de 95%, 1,03 – 1,04), e de 5% para doença em estágio avançado (OR de 1,05; IC de 95%, 1,04 – 1,06).

“No entanto, a relação não foi linear ao longo do tempo”, escrevem os autores. Não houve aumento significativo nos desfechos de câncer colorretal entre pacientes que realizaram um exame de seguimento dentro de seis meses, mas houve um risco significativamente maior entre aqueles cujo seguimento ocorreu entre sete e nove meses (OR de 1,88; IC de 95%, 1,09 – 3,23; 15 casos de 1292 pacientes = 12 casos por 1000 pacientes).

Dentre os 748 pacientes na coorte que realizaram uma colonoscopia de seguimento entre 10 e 12 meses, as ORs para qualquer câncer colorretal, doença em estágio avançado, e doença estágio II e estágio IV, respectivamente, comparadas com o grupo de referência, foram de 1,48 (IC de 95%, 1,05 – 2,08), 1,97 (IC de 95%, 1,14 – 3,42), 2,39 (IC de 95%, 1,28 – 4,46) e 2,71 (IC de 95%, 1,06 – 6,89).

“Para exames realizados com mais de 12 meses, o risco foi mais alto para quase todos os desfechos do câncer colorretal”, relatam os autores. O aumento do risco observado nos grupos entre 10 e 12 meses e acima de 12 meses persistiu em múltiplas análises de sensibilidade.

Nesse momento, intervalos de tempo entre um resultado positivo no TIF e a colonoscopia de seguimento variam amplamente na prática, de acordo com os autores. “No estudo atual, quase 75% dos pacientes com um resultado positivo no TIF realizaram uma colonoscopia dentro de 90 dias. Isso requer uma rápida comunicação dos resultados positivos para os pacientes e médicos, acesso suficiente à colonoscopia, agendamento rápido e rastreamento da realização do exame”, escrevem. “No entanto, mesmo com uma das taxas mais elevadas de seguimento rápido relatadas até agora, apenas um terço dos pacientes com um resultado positivo no TIF foi submetido a uma colonoscopia de seguimento dentro de 30 dias”.

Os desafios logísticos associados com o agendamento rápido e a realização dos exames com sedação, junto com a falta de evidências que apoiem as recomendações, têm impedido o desenvolvimento de diretrizes consensuais nos EUA quanto ao intervalo de tempo para a colonoscopia de seguimento após um TIF positivo, declaram os autores.

Em um editorial de acompanhamento, Carolyn M. Rutter, da RAND Corporation, de Santa Monica, Califórnia, e o Dr. John M. Inadomi, da University of Washington School of Medicine, em Seattle, avaliam algumas das limitações do estudo que os próprios autores identificaram no artigo, incluindo o fato dele ser um estudo observacional e a falta de ajuste para a indicação da colonoscopia.

Como os pacientes no estudo atual elegeram quando e se seriam submetidos a uma colonoscopia, a confiança na interpretação dos desfechos depende do grau de controle das análises para variáveis confusoras. Embora os pesquisadores tenham sido capazes de ajustar para muitos confusores potenciais, eles “não foram capazes de ajustar para um importante confusor adicional – a indicação de colonoscopia”, escrevem os editorialistas.

“O problema de não ser capaz de considerar a indicação é que pacientes que desejam evitar a colonoscopia podem atrasar o procedimento até a apresentação dos primeiros sintomas”; assim, aqueles com seguimento tardio pode representar desproporcionalmente pacientes sintomáticos, sugerem os editorialistas.

Apesar das limitações, o estudo atual “fornece uma reafirmação importante para pacientes e médicos”, escrevem os editorialistas. “Os achados indicam que não há necessidade imediata de correr para realizar uma colonoscopia após um resultado positivo no TIF, refletindo o entendimento clínico de que o câncer colorretal é uma doença que geralmente se desenvolve lentamente”.

No que diz respeito ao momento, “as questões clinicamente relevantes incluem a magnitude da redução do benefício e a duração da ‘janela de segurança’ até a colonoscopia com a qual o máximo de benefício é alcançado”, escrevem os editorialistas.

“Para a maioria dos pacientes com um resultado positivo no TIF, é provavelmente melhor a realização precoce da colonoscopia porque o risco de câncer aumenta com o tempo, mas aumenta lentamente. Praticamente, uma razão importante para um intervalo mais curto da colonoscopia de seguimento é a redução do risco de perder contato com os pacientes”.

Esse estudo foi conduzido dentro do consórcio Population-based Research Optimizing Screening Through Personalized Regimens financiado pelo National Cancer Institute. O Dr. Corley relata receber um fundo de apoio da Wyeth/Pfizer. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes. O Dr. Inadomi relata recebimento de fundos da NinePoint Medical. Os editorialistas declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

JAMA. 2017;317(16):1627-628, 1631-1641. Resumo, Trecho do editorial

 

Antacids in infancy linked to fractures in later childhood

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Research suggests antacid medications should only be used for more severe symptomatic gastroesophageal reflux disease.

New research presented at the 2017 Pediatric Academic Societies Meeting in San Francisco suggests infants prescribed antacids in the first year of life suffer more bone fractures later in childhood.

While proton pump inhibitors (PPIs) and H2-receptor antagonists have been linked with increased bone fractures in adults, there has been a lack of research into whether they might have the same effect in children. Analysis of records of 874,447 healthy children born between 2001 to 2013 who received care found approximately 10 per cent were prescribed antacids in the first year of life.

Children who used PPIs had a 22 per cent increased likelihood of fracture, while children who used both PPIs and H2-blockers had a 31 per cent increased likelihood of fracture. Use of H2-blockers was not associated with an immediate increase in fractures, but there was an increased likelihood of fracture with time. In addition, the number of bone fractures increased with treatment duration. The younger the child starting antacids, the higher the risk. Children who started antacids after age 2 did not have increased fractures compared to children who were not prescribed antacids in the first five years of life.

Sepse associada a risco de convulsões em longo prazo

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Deborah Brauser

BOSTON — Pacientes que sobrevivem à sepse estão sob risco significativamente aumentado de convulsões em longo prazo, sugere uma nova pesquisa.

O estudo de coorte retrospectivo mostrou uma taxa cumulativa de convulsões de 6,67% entre mais de 842.000 pacientes que foram hospitalizados por sepse oito anos antes, em relação a 1,27% para uma amostra da população geral correspondente.

A análise confirmatória usando os dados do Medicare (seguro de saúde pago pelo governo americano a pacientes idosos) mostrou uma razão de taxa de incidência (RTI) de 2,18 para convulsões entre pacientes com sepse após a exclusão daqueles com acidente vascular encefálico (AVE), lesão cerebral traumática ou infecção/neoplasia do sistema nervoso central.

Além disso, a sepse foi significativamente associada a status epilepticus, resultando em hospitalização.

“Nossos resultados fornecem evidência para a hipótese de que a sepse poderia estar associada a vias que levam a lesões cerebrais duradouras, independentemente de outras lesões estruturais”, disse o Dr. Michael Reznik, do Departamento de Neurologia, Weill Cornell Medicine/Columbia University Medical Center, em Nova York, aos participantes do Encontro Anual de 2017 da American Academy of Neurology (AAN).

Posteriormente, o comoderador da sessão, Dr. Walter Morgan, do Florida Hospital, Celebration, disse ao Medscape que o estudo foi intrigante, mas que ele está “agora interessado em saber se há alguma maneira de começar a prever quem são esses pacientes”.

“Se pudermos descobrir como analisar esses casos mais detalhadamente, e talvez prever quais deles terão maior probabilidade de desenvolver convulsões, seria ótimo”, disse o Dr. Morgan.

Quem está sob maior risco?

O Dr. Reznik observou que as complicações neurológicas comuns da sepse incluem acidente vascular cerebral, doença neuromuscular e encefalopatia associada à sepse, “o que levou ao reconhecimento de disfunção cognitiva em longo prazo após a sepse”.

A resposta inflamatória e potencialmente fatal à infecção também foi anteriormente associada a risco de convulsões em curto prazo .

Para o estudo atual, “queríamos avaliar esses pacientes e descobrir se há um risco em longo prazo de desenvolver convulsões após a alta hospitalar e, em caso afirmativo, quais grupos estão sob maior risco?” disse o Dr. Reznik.

Os pesquisadores avaliaram os dados de alta hospitalar entre 2005 e 2013 de 842.735 pacientes adultos com sepse (51% homens, 65% brancos, média de idade, 69,2 anos) de pronto-socorros e hospitais de tratamento de doenças agudas em Nova York, Flórida e Califórnia.

Como parte do Healthcare Cost and Utilization Project, é atribuído ao paciente um número pessoal de associação, que permite que as hospitalizações subsequentes sejam registadas anonimamente. Nenhum dos pacientes apresentou convulsões antes ou durante a internação inicial para sepse.

Os pesquisadores também avaliaram uma coorte de pacientes internados por diagnósticos diferentes de sepse, que foram pareados ao grupo com sepse por idade, sexo, raça, seguro, tempo de internação e ano de internação, local de alta e presença de disfunção orgânica.

No grupo de sepse, 30.503 tiveram crises convulsivas no acompanhamento; 22,8% desses pacientes em relação a 16,2% daqueles sem convulsões apresentaram “sepse com disfunção neurológica” no momento da internação inicial.

Vias significativas

Para os pacientes com sepse, a taxa bruta de convulsões após alta hospitalar inicial foi de 3,62% (intervalo de confiança, IC, de 95%, 3,58% – 3,66%).

A incidência anual de convulsões foi de 1,29% (IC de 95%, 1,27% – 1,30%) para o grupo de sepse em relação a 0,16% (IC de 95%, 0,16% – 0,16%) na população geral dos três estados. Além disso, a taxa de incidência para cada um desses grupos foi de 1287,9 em relação a 158,9, respectivamente, por 100.000 pessoas-anos.

Enquanto a razão de taxa de incidência global (RTI) foi de 4,98 (IC de 95%, 4,92 – 5,04) para os sobreviventes de sepse em relação à população em geral, a razão caiu para 4,53 para pacientes com sepse e sem disfunção neurológica concomitante, mas subiu para 7,52 para aqueles no grupo de sepse que tinham esse tipo de disfunção.

As RTIs de oito anos para convulsões foram de 7,52 e 4,53, respectivamente, para pacientes do grupo de sepse com em relação aos pacientes sem disfunção neurológica.

A sepse também foi associada ao status epilepticus, de acordo com a análise de sensibilidade pré-especificada (RTI, 5,42).

Em seguida, os pesquisadores realizaram uma análise de coorte confirmatória, avaliando pacientes internados e ambulatoriais de uma amostra de 5% de beneficiários do Medicare. Ela mostrou que “internação por sepse foi novamente associada a convulsões subsequentes” (RTI não ajustada, 2,72), relatou o Dr. Reznik.

Em uma última análise post hoc de subgrupos, que foi estratificada por idade, as RTIs foram de 2,83 para os pacientes no grupo de sepse com pelo menos 65 anos de idade ou mais (IC de 95%, 2,78 – 2,88) e de 10,33 para paciente com menos de 65 anos (IC de 95 %, 10,17 – 10,49).

No entanto, o Dr. Reznik observou que “isto não quer dizer que estes pacientes mais jovens têm maior probabilidade de ter convulsões do que qualquer outra pessoa. A incidência real é maior em pacientes mais idosos”.

Os pesquisadores escrevem que os resultados gerais sugerem que “a sepse está associada a vias que levam a sequelas neurológicas permanentes”. O Dr. Reznik observou que as perguntas que persistem incluem a determinação de fatores de risco e se “haverá estratégias de proteção do cérebro no horizonte”.

“Ficar atentos”

Após a apresentação, quando o Dr. Reznik foi perguntado se alguma informação familiar estava disponível sobre os pacientes, ele respondeu: “Não, infelizmente. Isso seria algo ótimo de se ter em um estudo prospectivo”.

O Dr. Morgan comentou posteriormente que estaria interessado em saber se houve alguma exposição particular a medicamentos, especialmente antibióticos, nesses pacientes.

“Seria intrigante saber se poderíamos começar a avaliar os fatores preditivos, porque parece que obviamente há um risco aumentado com esses pacientes desenvolvendo convulsões no futuro”, disse ele. “Isso é algo que deveríamos estar pesquisando e algo que estamos perdendo no cenário clínico”.

Ele acrescentou que a questão é importante para neurologistas e clínicos de outras áreas, como a atenção primária. “Precisamos ficar atentos para isso e começar a fazer perguntas”.

O estudo foi financiado por uma doação do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e pelo Michael Goldberg Research Fund. Dr. Reznik e Dr. Morgan declararam não possuir relações financeiras relevantes.

Encontro Anual de 2017 da American Academy of Neurology (AAN). Resumo de ciência emergente S5.003. Apresentado em 23 de abril de 2017.

First-ever autonomously controlled colon ‘capsule robot’ performs polyp removal

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In an animal model, the capsule was able to perform therapeutic manoeuvres, such as biopsies and polyp removal.

Scientists have developed the first-ever ‘capsule robot’ which can perform intricate surgical procedures inside the colon via an external magnet.

Attendees at the 2017 Digestive Disease Week conference taking place in Chicago, were introduced to the ground-breaking 18mm capsule colonoscope, which can be paired with standard medical instruments to perform intricate manoeuvres inside the colon, guided by an external magnet attached to a robotic arm. The capsule robot has a tether smaller in diameter than conventional endoscopes and, at the press of a button, can complete retroflexion within an average of 12 seconds.

It is hoped the capsule, which is inserted rectally, could be used to identify and remove tumours detected during colonoscopy. In an animal model, the capsule robot was not only able to actively manoeuvre through the GI tract to perform diagnostics, it was also able to perform therapeutic manoeuvres, such as biopsies and polyp removal, something that other capsule devices have not been able to do.

Following the success of these tests in a pig, the device is expected to enter human trials at the end of 2018.

Microbioma infantil pode influenciar a ocorrência de diabetes tipo 1

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Liam Davenport

Os fatores ambientais que comprometem a saúde do microbioma intestinal, tais como o uso generalizado de antibióticos, podem constituir a base de algumas das marcantes diferenças na prevalência de diabetes tipo 1 observadas entre populações vizinhas, dizem pesquisadores finlandeses.

Crianças finlandesas têm um índice muito mais alto de diabetes tipo 1 do que crianças russas na Carélia, região fronteiriça da Finlândia, e uma série de estudos realizados no âmbito de doutorado, pelo Dr. Tommi Vatanen e colaboradores, indica que esta variação pode ser, ao menos em parte, causada por diferenças no microbioma intestinal.

O Dr. Vatanen, do Departamento de Ciência da Computação, Aalto University, Helsinki (Finlândia) e outros estudaram as alterações do microbioma pouco antes do aparecimento do diabetes tipo 1, e também investigaram o impacto do tratamento antimicrobiano no microbioma.

Os resultados foram divulgados em quatro artigos publicados anteriormente, sobre quase 300 crianças na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, juntamente com dados de mais de 1.000 adultos holandeses. Agora o trabalho foi pela primeira vez articulado em conjunto e publicado on-line pela Aalto Yliopisto em 24 de março, como a tese de doutorado de Vatanen.

“A composição da microflora no intestino das crianças foi extremamente diferente entre os recém-nascidos russos e finlandeses, explicou Vatanen em uma coletiva à imprensa na universidade de Aalto.

“Os participantes finlandeses começaram a produzir os autoanticorpos do diabetes tipo 1, ou seja, os primeiros sinais da doença. As crianças russas não produziram autoanticorpos”.

Para Vatanen, os achados destacam a importância do microbioma nos primeiros anos de desenvolvimento do sistema imunológico. Ele disse: “De certa forma, os micróbios intestinais ensinam o sistema imunológico. Se algo der errado tão cedo, as doenças autoimunes podem se tornar mais comuns”.

Diferenças marcantes desde o início da vida entre a Finlândia, a Estônia e a Carélia russa

Falando ao Medscape, Vatanen disse que, desde muito cedo, quando começaram a estudar as três populações na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, observaram “uma diferença acentuada”, então o objetivo tornou-se basicamente encontrar algum detalhe significativos nessas diferenças”.

Eles iniciaram este projeto há quatro anos, no início do doutorado. “Naquela época, muito pouco se sabia sobre a microbiota infantil”, explicou. “Todo esse campo cresceu tão rapidamente que nós basicamente fizemos o primeiro estudo para descrever a natureza dinâmica do desenvolvimento do microbioma”.

A inspiração veio de um trabalho anterior mostrando que, apesar de compartilhar uma região geográfica e um patrimônio genético semelhante, existe um gradiente acentuado para as doenças autoimunes e as alergias entre a Finlândia e a Carélia russa, com, por exemplo, a incidência do diabetes tipo 1 sendo de cinco a seis vezes maior, e a incidência de doenças alérgicas de duas a seis vezes maior na Finlândia.

Além disso, a incidência do diabetes tipo 1 e de alergias tem aumentado rapidamente na Estônia, partindo de níveis semelhantes aos da Carélia russa até os observados na Finlândia, junto com a modernização do estilo de vida nos últimos anos.

Para aprofundar a pesquisa, a equipe realizou o estudo DIABIMMUNE, no qual foram recrutadas 678 crianças e suas famílias na Finlândia, na Estônia e na Carélia russa, sendo todos os lactentes acompanhados até os três anos de idade.

Coletando amostras de fezes mensalmente, junto com amostras de sangue aos três, seis, 12, 18, 24 e 36 meses de idade, a equipe comparou os microbiomas intestinais entre as 222 crianças provenientes dos três países. Eles descobriram que os Bacteroides spp. eram muito menos abundantes entre as crianças russas, mas predominavam entre as crianças finlandesas e estonianas. Em seguida, eles demonstraram que em camundongos os Bacteroides spp. podem ser “silenciadores imunitários”, interferindo no desenvolvimento imunitário normal.

Em seguida, a equipe pesquisou 33 lactentes com predisposição genética ao diabetes tipo 1 e encontrou alterações específicas na microbiota intestinal que precedem o início do diabetes tipo 1, e diferenciam os casos nos quais o diabetes progrediu dos casos nos quais a doença não progrediu.

Eles, então, fizeram um estudo (posterior) publicado no periódico Science Translational Medicine, comparando os microbiomas de crianças que nunca haviam tomado antibióticos aos microbiomas de crianças que haviam feito mais de nove tratamentos com antimicrobianos durante os primeiros anos de vida.

A microbiota das crianças tratadas com antibióticos teve menor diversidade tanto em termos espécies bacterianas quanto de cepas bacterianas, com algumas espécies frequentemente dominadas por certas cepas.

E os genes de resistência aos antibióticos nos cromossomos microbianos exibiram um pico de abundância após o tratamento com antibióticos, seguido de um declínio acentuado, embora alguns destes genes tenham persistido mais tempo após o término da terapia antimicrobiana.

Numa quarta pesquisa, publicada no periódico Science, os pesquisadores realizaram o sequenciamento detalhado dos microbiomas intestinais por meio de amostragem fecal de 1.135 participantes da coorte prospectiva holandesa LifeLines com165.000 adultos. Eles também elaboraram questionários para os participantes e verificaram que a composição da flora intestinal se correlacionou a vários fatores, como dieta, uso de medicamentos, número de eritrócitos, cromogranina A fecal, e consistência das fezes. Estes dados deram algumas indicações de possíveis marcadores biológicos de comunidades intestinais normais.

Uso de probióticos poderia prevenir diabetes tipo 1 em recém-nascidos?

Vatanen teve o cuidado de salientar que a partir de suas descobertas não é possível afirmar que o aumento do uso de antibióticos, por si só, esteja causando as diferenças marcantes da incidência do diabetes tipo 1 nas populações estudadas.

O início do diabetes tipo 1 “é bastante complicado, e há vários fatores que o determinam”, embora “a microbiota intestinal seja provavelmente um deles”, observou o pesquisador.

Vai ser muito trabalhoso e demandará “algum tempo” para aprofundar ainda mais o estudo desta conexão, e estabelecer se existe alguma relação causal, enfatizou Vatanen, lembrando que ele e seus colaboradores já estabeleceram o próximo projeto nesta área.

“Um plano muito concreto que temos a seguir é o de buscar algo que possa ter efeito protetor, caminhando assim um pouco em outra direção”, explicou.

“Há algumas descobertas recentes sugerindo que os probióticos, especialmente no início da vida, digamos, nas primeiras quatro semanas, possam proteger contra o diabetes tipo 1.”

Estas incluem um conjunto de dados do projeto The Environmental Determinants of Diabetes in the Young (URSO), um estudo internacional em andamento com mais de 7.000 crianças. Em um relatório publicado no periódico JAMA Pediatria em 2015, conforme noticiado pelo Medscape, as crianças com risco genético de diabetes tipo 1 e que receberam probióticos antes dos três meses de idade, tiveram uma redução de 33% no risco de autoimunidade contra as células beta das ilhotas pancreáticas.

Vatanen e colaboradores estão agora na fase do recrutamento de famílias para um estudo com probióticos, no qual algumas crianças irão tomar probióticos, mas outras serão incluídas como controles, em um modelo duplo-cego.

“Assim esperamos aprender algo um pouco mais específico sobre esse efeito protetor dos probióticos”, concluiu o pesquisador.

Este trabalho foi generosamente apoiado e subsidiado pelo Helsinki Doctoral Program in Computer Science  (Hecse), pela Juvenile Diabetes Research Foundation (JDRF) e pela Academy of Finland’s Center of Excellence in Molecular Systems Immunology and Physiology Research (SyMMyS). Os autores informaram não possuir conflitos de interesse relativos ao tema.

Vatanen T. Metagenomic Analyses of the Human Gut Microbiome Reveal Connections to the Immune System [dissertation]. Helsinki: Aalto University, 2016. Resumo

Gluten-free diet should not be encouraged for people without coeliac disease

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Restricting gluten may lead to low intake of heart-healthy whole grains, say experts

The authors of a new study say gluten-free diets should not be promoted for the prevention of coronary heart disease (CHD) among people without coeliac disease. Reduced gluten intake does not reduce CHD risk and may, in fact, result in low intake of whole grains, according to the findings published by the BMJ.

The popularity of low-gluten or gluten-free diets has risen in recent years, partly owing to the belief that gluten can have harmful health effects. Despite the trend, no long-term studies have assessed the relationship between dietary gluten and risk of chronic conditions in people without coeliac disease.

This new study examined the association of long-term intake of gluten with the development of CHD among 64,714 female and 45,303 male health professionals with no history of coronary heart disease. After 26 years of follow-up, no significant association was found between estimated gluten intake and the risk of subsequent CHD. Further analyses suggest that restricting dietary gluten may result in a low intake of whole grains, which are associated with lower cardiovascular risk.

The authors of the observational study say the findings “do not support the promotion of a gluten-restricted diet with a goal of reducing coronary heart disease risk”.

Deve-se prescrever inibidor da bomba de próton para idosos?

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Deve-se prescrever inibidor da bomba de próton para idosos?

O uso de inibidores da bomba de próton (IBP) em idosos por mais tempo do que o indicado é uma fonte de constante preocupação entre os pesquisadores, já que isso pode causar mais danos do que benefícios. Um novo estudo irlandês avaliou a prescrição de IBP e outros medicamentos que aumentam o risco de sangramento gastrointestinal em pacientes idosos.

Para esse estudo transversal, pesquisadores avaliaram dados, retirados de farmácias irlandesas, de cerca de 130 mil adultos ≥ 65 anos, para prescrições de IBP, a cada 5 anos entre 1997 e 2012. Metade dos participantes analisados recebeu um IBP.

O uso dos inibidores aumentou de 10,7% em 1997 para 50,3% em 2007 e 48,4% em 2012. Além disso, a probabilidade de ser prescrito uma dose máxima foi seis vezes maior em 2012 do que em 1997 (OR = 6,30; IC 95%, 5,76 – 6,88).

A prescrição a longo prazo tornou-se mais comum, com o número de indivíduos com IBP por mais de 8 semanas aumentando de 4,1% em 1997 para 35,5% em 2012. A análise levou em consideração os medicamentos ulcerogênicos, comorbidades e duração do uso de altas doses de IBP.

Pelos resultados, foi possível observar que, atualmente, a prescrição de inibidores da bomba de próton de dose máxima a longo prazo é altamente prevalente em adultos mais velhos. Intervenções envolvendo médicos e pacientes podem promover o uso adequado de IBP, reduzindo custos e efeitos adversos.

Lembrando que as diretrizes internacionais recomendam não mais do que 8 semanas de IBP de alta dose para úlceras, gastrite, entre outros, e uma redução para dose baixa antes de parar completamente.

Referências: