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A barba dos médicos coloca em risco a saúde dos pacientes? Escolhas pessoais deveriam ser limitadas?

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Arthur L. Caplan

 Eu sou Art Caplan, da Divisão de Ética Médica da NYU School of Medicine. Quantos de vocês já se perguntaram se vocês, ou seus colegas, deveriam manter a barba?

Algumas publicações recentes sugerem que barbas – mesmo aquelas que são bem aparadas e lavadas todos os dias – podem abrigar microrganismos e infecção.[1] Conforme sabemos, existem muitos problemas com infecções por vírus, bactérias e outros microrganismos em hospitais e instituições de longa permanência.

Isso se tornou uma questão de escolha pessoal realmente difícil. Homens que são médicos, ou mesmo enfermeiros – deveriam ter barba? Isso faz parte de um grande debate sobre se os médicos deveriam usar gravatas, pois elas ficam sujas e podem tocar o paciente. Melhor não utilizar gravata ou talvez optar por uma gravata-borboleta, embora eu esteja em uma faculdade de medicina que solicita aos estudantes de medicina que utilizem gravatas como parte do profissionalismo exigido. Estamos colocando o profissionalismo à frente da segurança do paciente?

Existem outras questões. Estamos lavando nossos jalecos o suficiente para termos certeza de que eles não estão se tornando incubadoras de doenças infecciosas? A questão da higiene pessoal é difícil. Certamente, para pessoas com cabelos longos, e que vão trabalhar em contextos onde há exposição a sangue ou cirurgias, é esperado que utilizem toucas. Nós podemos esperar que as pessoas utilizem redes nas barbas. Podemos esperar que elas façam o possível para proteger o paciente na sala de qualquer tipo de infecção que poderia ocorrer porque eles estão esparramando vírus ou bactérias.

Por outro lado, não se sabe realmente se algum desses instrumentos funciona bem quanto a proteger da contaminação viral ou da transmissão bacteriana. Há alguns dados mostrando que na verdade o problema não é realmente a barba, e sim o que está crescendo no rosto; e se você usa barba ou não, alguns desses microrganismos podem cair do rosto. Eles tambem são uma fonte de contaminação. Talvez seja necessário espalhar um antisséptico por todo o corpo antes de entrar em uma cirurgia ou em um contexto de alta exposição.

Eu acredito que a questão de se usar ou não uma barba é pessoal. Penso que ainda não existem evidências demonstrando que isso é um problema tão grave que devamos insistir para que todos que usam barba a removam. Por outro lado, certamente tem-se prestado mais e mais atenção a diferentes rotas de transmissão, seja lavagem das mãos, jalecos, gravatas, sapatos, anéis ou outras possíveis fontes de infecção. Você pode manter a barba agora, mas minha intuição é de que deve estar preparado para ter de raspá-la caso os dados continuem a mostrar que as escolhas cosméticas de melhoria da aparência que você acredita serem esteticamente adequadas ou interessantes acabam sendo um problema médico.

Tópicos de diálogo: a barba do médico coloca a saúde do paciente em risco?

Questões a serem consideradas:

  • O National Health Service adotou uma política de “nu abaixo dos cotovelos” no Reino Unido em 2008. A política solicita o uso de jalecos de mangas curtas, ausência de relógios, joias e gravatas.[2]
  • A cada ano, estima-se que 722.000 infecções associadas ao tratamento em saúde ocorram em hospitais dos EUA, resultando em cerca de 75.000 óbitos de pacientes.[3]
  • Em 2014, a Society for Healthcare Epidemiology of America (SHEA) lançou diretrizes sobre os trajes dos trabalhadores de saúde em contextos fora do centro cirúrgico nos Estados Unidos. As diretrizes favorecem uma política de “nu abaixo dos cotovelos”, mas também destacam que quando as instalações e médicos decidirem manter os jalecos de mangas longas, devem ser tomadas medidas para reduzir o potencial de transmissão de germes.[4]
  • Muitos profissionais de saúde têm objeção ao “nu abaixo dos cotovelos”, observando que não existem indicações de que antebraços nus são mais higiênicos do que mangas.
  • Uma melhor adesão à higiene das mãos, com o uso apropriado de agentes de limpeza com álcool, pode reduzir as taxas de infecção nosocomial em até 40%.[5]
  • Alguns profissionais de saúde temem que os pacientes não os vejam como profissionais se eles não utilizarem jalecos.
  • Em média, profissionais de saúde realizam a higiene das mãos menos da metade das vezes que deveriam.[6]

O que é preciso saber sobre o gás sarin

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O que é preciso saber sobre o gás sarin
mascara de gas pendurada em uma cerca

O que é preciso saber sobre o gás sarin

Sarin é um produto químico altamente venenoso, que age interferindo com a sinalização dentro do sistema nervoso e causando a morte. O gás tem sido cada vez mais utilizado em ataques terroristas.

Separamos algumas informações importantes sobre as origens, efeitos e tratamento do produto químico:

1. Originalmente um pesticida

Segundo o Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, Sarin foi desenvolvido em 1938 na Alemanha, inicialmente como um pesticida. Sarin, juntamente com alguns pesticidas e agentes nervosos, pertence a uma família de produtos químicos chamados organofosforados.

O sarin foi proibido pela Convenção sobre Armas Químicas em 1997.

2. Claro e incolor

Em sua forma líquida, o sarin é claro, incolor, inodoro e insípido. O produto químico pode evaporar, sendo “respirado” por pessoas próximas. Durante um ataque que aconteceu na Síria no dia 4 de abril deste ano, o sarin foi espalhado durante um ataque com bomba.

3. Produto químico venenoso

O sarin age bloqueando a enzima das junções neuromusculares do corpo humano que desativa a acetilcolina, molécula de sinalização nervosa.

Sem essa “desativação”, a acetilcolina estimula repetidamente os receptores das células nervosas. Isso pode levar a acetilcolina a acumular-se nos músculos, causar espasmos excessivos e, em seguida, resultar em paralisia e, eventualmente, a morte.

O produto químico também pode atingir a mesma enzima nas glândulas, o que pode levar à liberação excessiva de fluidos. Por esta razão, pessoas expostas ao sarin (pelo contato ou inalação) podem experimentar diarreia, excesso de fluidos decorrentes dos olhos, narizes, bocas, glândulas sudoríparas e do trato urinário.

4. Tratamento

Dependendo da rota e dos níveis de exposição, sarin pode causar sintomas em poucos segundos. Indivíduos expostos ao produto devem se descontaminar rapidamente, removendo suas roupas, lavando a pele com água e sabão e boca e os olhos com água.

Para pacientes que sofrem de espasmos e paralisia, a atropina, que bloqueia receptores de acetilcolina, poupa os músculo do corpo de estimulação excessiva. A pralidoxima remove o sarin da enzima que impede a acumulação de acetilcolina. No entanto, ambos os medicamentos devem ser administrados em até 10 minutos após a exposição para ser eficaz.

Referências: