Saúde Publica

Profilaxia pré-exposição ao # HIV precisa estar aliada a estratégias de aconselhamento e rastreamento, dizem pesquisadores

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Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)

O Brasil está em processo de implementação da profilaxia pré-exposição (PrEP) no Sistema Único de Saúde (SUS). Inicialmente, a terapia será oferecida para grupos considerados de risco para exposição ao HIV. A medida foi anunciada pelo Ministério da Saúde no final de maio deste ano. Embora o programa ainda esteja no início, pesquisadores do tema pedem especial atenção a alguns aspectos. A experiência de diferentes países mostra, por exemplo, que é preciso trabalhar formas de divulgação da terapia, bem como estratégias de aconselhamento e de rastreamento. Esses e outros pontos foram discutidos por especialistas durante sessão realizada no STI & HIV World Congress, sediado este mês no Rio de Janeiro.

PrEP para homens que fazem sexo com homens (HSH) e #transexuais

Dados do Peru apontam carência de informação. Carlos Cáceres, da Universidad Cayetano Heredia, em Lima, apresentou no evento um estudo realizado nas cidades de Lima, Caliao, Trujillo e Iquitos. Durante a investigação foram ouvidos homens que fazem sexo com homens (HSH), mulheres transexuais, provedores de saúde e responsáveis por decisões governamentais, além de representantes da comunidade.

Em cada uma das cidades analisadas foram realizadas quatro entrevistas semiestruturadas com HSH e uma discussão em grupo. O mesmo esquema foi aplicado para as mulheres transexuais. Já com profissionais de saúde de clínicas de doenças sexualmente transmissíveis foram feitas quatro entrevistas em profundidade em cada cidade. Outras 13 entrevistas semiestruturadas foram feitas com representantes da comunidade e dois grupos focais em Lima.

Os resultados revelaram, segundo o Dr. Cáceres, que a informação sobre estratégias combinadas de prevenção de HIV é limitada entre as comunidades, e o fornecimento de dados equivocados leva à resistência à mudança. Segundo o especialista, é preciso implementar uma medida mais atualizada, mesmo sabendo que ela enfrentará barreiras devido a demandas concorrentes e instabilidade política.

Entre HSH e mulheres transexuais há um senso comum acerca da importância do uso de preservativo, porém o uso real depende de vários fatores e significados sociais. Ou seja, segundo o especialista, a adoção de medidas preventivas pode variar, por exemplo, em função da percepção que se tem sobre “relacionamento estável” e/ou “sexo casual”. Além disso, quando se trata de transexuais que fazem sexo por dinheiro, a não utilização do preservativo “pode ser negociada por preços maiores”.

De maneira geral, o estudo peruano mostra que as populações, bem como os provedores de saúde, têm conhecimento limitado sobre novas tecnologias biomédicas, incluindo a PrEP.
“Há uma confusão sobre o papel e o uso de PrEP como tratamento e um potencial estigma associado ao mesmo; há medo com relação aos efeitos colaterais e, no caso das mulheres transexuais, preocupação com uma possível interferência com o uso de hormônios”, disse o Dr. Cáceres. Já os profissionais de saúde e os formadores de opinião temem que o uso de preservativo possa diminuir com a incorporação da PrEP.

O pesquisador destacou a necessidade de investimento nas instituições de saúde e no treinamento de profissionais para desenvolver estratégias combinadas de prevenção de HIV, incluindo PrEP. A implementação de PrEP em combinação com outras medidas preventivas é, de acordo com o estudo peruano, “altamente custo-efetiva[1]“.

Em Baltimore, nos Estados Unidos, foi iniciado um programa de PrEP com recursos do Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Pesquisadores da Johns Hopkins University School of Medicine desenvolveram um estudo para avaliar como pacientes atendidos em clínicas de doenças sexualmente transmissíveis da cidade percebiam a PrEP. Também foi investigado o conhecimento e o interesse em aprender mais sobre o tratamento.

Segundo Luke Johnsen, um dos autores da pesquisa, a maioria dos participantes atendidos nas clínicas (90,5%) era negra e do sexo masculino (61,2%). Dados do CDC apontam que os afro-americanos são o grupo étnico com maior risco de contrair HIV ao longo da vida, com proporção de 1 em 20, comparado a 1 em 132 para brancos[2].

Quanto às preferências sexuais, na amostra de Baltimore 83,5% apontaram o sexo oposto, 7,8% mesmo sexo e 3,9% ambos os sexos. Embora 19,8% dos participantes estivessem conscientes acerca da PrEP, menos de 1% estava fazendo uso da estratégia. Boa parte dos pacientes (42,9%) tinha interesse em aprender mais sobre essa medida profilática. Indivíduos brancos foram os que demonstraram menos interesse no assunto.

Quando os autores consideraram apenas homens que fazem sexo com homens (HSH), 9,2% estavam usando PrEP. A maioria (76,2%) tinha consciência desse tratamento, e quase metade (48,5%) tinha interesse nele. O estudo mostrou que os profissionais de saúde foram a principal fonte de informação sobre PrEP. Mas, embora as estratégias de educação atuais sejam eficazes em melhorar a consciência sobre essa profilaxia, Johnsen considera que o interesse crescente exigirá um recrutamento específico: “temos de achar outras formas de divulgar a PrEP”.

PrEP para heterossexuais

Outro grupo que apresenta risco aumentado de contrair HIV são as mulheres afro-americanas. Nesse caso, o risco é de 1 em 48, comparado com 1 em 880 para as brancas. Nos Estados Unidos, pessoas que vivem no Sul também têm risco aumentado de adquirir essa infecção[2].

Diante desses dados, Riley Steiner, da Rollins School of Public Health da Emory Univesity, e equipe, desenvolveram um estudo sobre a viabilidade da PrEP entre mulheres afro-americanas de Atlanta, na Geórgia.

Os pesquisadores conduziram uma análise com dados secundários de 1.261 afro-americanas jovens em idade sexualmente ativa (14 a 24 anos) para examinar a elegibilidade potencial da PrEP. Além disso, descreveram o interesse desse grupo na profilaxia pré-exposição. As participantes foram recrutadas em clínicas de saúde sexual e em centros comunitários.

Foi desenvolvido um índice de risco de HIV que considerou práticas sexuais vaginal e anal sem preservativo, sexo com parceiro que fazia sexo com outros homens, sexo recente em estado de consciência alterado (sex while high) e experiência recente de violência por parceiro íntimo.

Da amostra total, 261 mulheres foram positivas para infecções sexualmente transmissíveis. Mas, entre as que se enquadraram nessa categoria, 20,1% das recrutadas em clínicas e 21,4% das oriundas da comunidade não apresentaram comportamento de risco (pontuação no índice igual a zero). De forma geral, a prática de ato sexual vaginal sem preservativo foi o comportamento de risco mais reportado pelas participantes.

A maioria das mulheres (57,8%) disse estar propensa ou muito propensa a usar PrEP se disponível. Para os pesquisadores, as afro-americanas de Atlanta apresentam vários critérios sugestivos de que estão em risco substancial para o HIV e, por isso, se mostram boas candidatas para a PrEP. No entanto, a Riley ressaltou a necessidade de medidas inovadoras de rastreamento e de abordagem, baseadas, por exemplo, em indicadores biológicos de risco, tal como positividade para doença sexualmente transmissível (DST), bem como experiência de violência íntima por parceiro e rastreamento de base comunitária. As clínicas de planejamento familiar, segundo a especialista, representam ambientes com potencial para programar essas estratégias.

Para pesquisadores da Dornsife School of Public Health, na Drexel University, na Filadélfia, há, de fato, uma carência de ferramentas de rastreamento de elegibilidade para a PrEP que foquem em grupos heterossexuais. Essa foi então a principal motivação do estudo apresentado por Alexis Roth, que trabalhou com heterossexuais recrutados em quatro locais de testagem e aconselhamento para HIV da Filadélfia.

O grupo também desenvolveu uma ferramenta de rastreamento com seis itens. Os tópicos abordados nesse instrumento foram: (1) ter feito sexo anal ou vaginal com um parceiro HIV-positivo; (2) ter feito sexo anal ou vaginal com parceiro cujo status para HIV era desconhecido; (3) ter usado agulhas, seringas ou outros equipamentos de preparo de drogas que já haviam sido utilizados por outra pessoa; (4) ter usado metanfetamina ou inaladores à base de nitrato; (5) ter sido diagnosticado com DSTs, por exemplo, gonorreia, sífilis ou clamídia; e (6) ter feito sexo em troca de dinheiro, drogas ou outros bens e favores.

Foram analisados 202 participantes, com idade média de 41,7 anos. A maioria era do sexo masculino (69,3%) e negra (52%). Também predominaram indivíduos desempregados (80,7%).

Ao comparar a ferramenta de rastreamento que desenvolveram com as diretrizes clínicas do CDC para PrEP voltadas para homens e mulheres heterossexuais e usuários de drogas[3], o grupo identificou que o primeiro instrumento indicou que 30,7% da amostra era elegível para PrEP, enquanto o segundo apontou 29,7%. A diferença, no entanto, não foi significativa.

Os resultados mostraram ainda que a maioria dos participantes não tinha consciência acerca dessa medida profilática, o que, segundo Alexis, mostra que “a promoção de informação não está alcançando essa população”. Mas, é interessante notar que, de forma geral, as atitudes dos participantes foram positivas com relação à PrEP.

PrEP para adolescentes

Os adolescentes, segundo Renata Sanders, do Johns Hopkins University School of Medicine, representam um segmento que merece atenção especial quando se fala em HIV. Isso porque dados do CDC mostram que, em 2015, indivíduos entre 13 e 24 anos de idade responderam por 22% das novas infecções para HIV-1 nos Estados Unidos[4].

A pesquisadora e colaboradores desenvolveram então um estudo para descrever a integração da PrEP em um ambiente clínico para adolescentes, e avaliaram o impacto do uso dessa terapia sobre as taxas de DSTs. A análise envolveu 436 participantes, com idade média de 18,3 anos. A maioria era afro-americana (98,6%) e heterossexual (88%). Quanto ao gênero, entre os que se identificavam com seu gênero de nascimento (cis), 59,6% eram mulheres e 39% homens. Já com relação aos transgêneros, 1% da amostra era mulher transgênero e 0,4% homem transgênero.

Apenas 61 adolescentes (14%) estavam conscientes acerca da PrEP. Os autores identificaram os participantes elegíveis para esse tratamento, sendo que, ao todo, 93 jovens receberam informações sobre o programa ,e 41 aceitaram participar do projeto-piloto, usando PrEP.

Considerando a história de DST em 24 usuários de PrEP, os pesquisadores identificaram que 54% reportaram DST seis meses antes de iniciar a terapia profilática. Seis meses após o início desta, a taxa caiu para 16%.

Para Renata, a alta taxa de recusa de serviços de referência sugere que o fornecimento de informação pode ser insuficiente para melhorar a aceitação de PrEP entre adolescentes.

PrEP nas Forças Armadas

Eric Garges, da Uniformed Services University, investigou 754 profissionais de saúde do exército norte-americano, sendo maioria do sexo masculino (69%) e formada em medicina (58%).

O apoio ao uso de PrEP foi declarado por 93% dos participantes, e 73% concordaram que essa estratégia deveria ser oferecida no Exército. Desse total, 36% já haviam prescrito antirretrovirais para prevenção de HIV (PrEP ou PEP – profilaxia pós-exposição). Além disso, 31% já haviam sido questionados por um paciente sobre PrEP. Índice que, segundo o Garges, foi surpreendentemente alto. Entretanto, a maioria revelou pouco conhecimento sobre essa terapia em autoavaliação (54%).

PrEP pode aumentar comportamentos de risco?

O temor de que a adesão ao PrEP diminua o uso de preservativos, apontado no estudo peruano, já foi observado em outros trabalhos. Uma investigação na Austrália com indivíduos que usaram PrEP (tenofovir/emtricitabina) diariamente por 30 meses revelou redução significativa no uso de preservativo e aumento de DSTs nos primeiros 12 meses de acompanhamento[5].

Frente a esse achado, pesquisadores de Amsterdã, na Holanda, criaram o Amsterdam PrEP Project (AMPrEP) que está investigando se a adesão a essa estratégia terapêutica leva a mudanças no comportamento de risco sexual. Segundo Anna van Laarhoven, do Public Health Service Amsterdam, a pesquisa que, engloba 376 HSH e transgêneros, foi iniciada em 2015 e tem previsão de encerramento em junho de 2018. Dados preliminares foram apresentados no congresso no Rio.

Trezentos e setenta e seis participantes responderam a questionários no início da pesquisa e após seis meses de uso diário de PrEP, sendo que 224 completaram o acompanhamento. A idade média dos participantes foi 38 anos, 83,1% eram caucasianos e 72,7% tinham nível superior de escolaridade.

A pesquisa revelou que o número de parceiros sexuais e de atos sexuais anais permaneceram estáveis, porém houve aumento nos atos sexuais anais receptivos sem preservativo com parceiros casuais. Nesse último caso, foram preditores idade igual ou maior que 35 anos, uso de profilaxia pós-exposição seis meses antes de iniciar a PrEP e prática sexual sob efeito de drogas (chemsex) com parceiros casuais no início da pesquisa.

Crise da # zika no #Brasil foi exacerbada por falta de saneamento e de acesso a água

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Chris Arsenault

TORONTO (Fundação Thomson Reuters) – O Brasil não resolveu as raízes do surto de zika, como a falta de saneamento básico e de acesso a água limpa para os moradores das favelas, apesar de ter declarado emergência de saúde pública em maio, disseram ativistas de direitos humanos e autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU).

O vírus Zika, transmitido por mosquitos, foi relacionado com mais de 2.500 anomalias congênitas, e causou um estado de emergência de saúde pública internacional durante 18 meses no maior país da América do Sul.

Mas ativistas afirmam que a falta de investimento do governo nos serviços de saneamento básico para os pobres, a ausência de acesso a água tratada e outras condições que agravaram a crise ainda estão vigentes no Brasil, aumentando o potencial de futuras epidemias.

“Outros países atingidos pelo vírus Zika devem reconhecer que os problemas de direitos humanos podem contribuir para a rapidez da escalada e da repercussão da epidemia de zika”, disse Amanda Klasing, advogada e pesquisadora da Human Rights Watch, em um comunicado à imprensa.

“Países que esperam evitar a crise que o Brasil enfrenta devem resolver as questões de direitos humanos no início de seu planejamento de resposta”.

Mais de um terço das 206 milhões de pessoas do Brasil não têm acesso ao abastecimento contínuo de água, deixando os residentes com poucas opções além de recorrer a recipientes de armazenamento de água para uso doméstico.

Se deixados descobertos, esses reservatórios de água podem se tornar focos de reprodução de mosquitos transmissores de doenças.

No Nordeste, região pobre do Brasil – onde o impacto da zika foi maior –, menos de 25% da população tinha acesso a água encanada em 2015, segundo a Human Rights Watch, ecoando as declarações de funcionários da ONU sobre quem foi mais atingido pelo vírus.

“A zika acontece em um contexto histórico… atinge principalmente a periferia, atinge principalmente as mulheres morenas, negras e jovens”, disse Jamie Nadal, representante do Fundo de População da ONU durante uma conferência no início deste ano.

Esses grupos historicamente desfavorecidos são mais propensos a viver em regiões pobres ou assentamentos informais que não têm boa infraestrutura de saúde e saneamento em comparação com outras partes do Brasil, de acordo com os ativistas.

A má gestão das águas residuais leva à formação de poças de água estagnada e suja nas comunidades, que são locais ideais de reprodução de mosquitos.

Em todo o país, mais de 35 milhões de brasileiros não dispõem de infraestrutura adequada para despejar com segurança os resíduos humanos.

As autoridades brasileiras dizem que estão trabalhando para melhorar o saneamento, especialmente para os pobres das regiões urbanas do país, que vivem em favelas (ou comunidades), mas uma recessão grave com turbulência política comprometeu a capacidade de investimento do governo.

Más del 70% de los españoles padece # síndrome visual informático por el uso diario de dispositivos electrónicos

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Los usuarios de videojuegos, los más afectados.

Los usuarios de videojuegos, los más afectados.

Más del 70% de la población española sufre síndrome visual informático por el uso diario de dispositivos electrónicos, el cual se caracteriza por dolor de cabeza, fatiga visual, sequedad ocular, picor, enrojecimiento de los ojos y visión borrosa.

Y es que, tal y como ha comentado la óptico-optometrista y doctora en Ciencias de la Visión, del Hospital Universitario Miguel Servet de Zaragoza, Irene Altemiry, cuando se mira un teléfono móvil o una pantalla de ordenador, el ojo enfoca gracias al llamado sistema acomodativo, si bien en estas situaciones debe hacer un trabajo extra, provocando así la aparición del síndrome visual informático.

Además, la elevada concentración a la que exponen las tareas frente a pantallas digitales hace que disminuya el número de veces que se parpadea por minuto. Un importante problema si se tiene en cuenta que el parpadeo sirve, entre otras cosas, para mantener el ojo hidratado y, por ende, tener una visión nítida.

Ahora bien, las personas más afectadas por este síndrome son los jugadores de videojuegos, que se cree que en España ya rondan los 15 millones y que suelen jugar una media de 6,5 horas semanales. En estas personas, el número de parpadeos por minuto se suele reducir a la mitad e, incluso, hasta tres veces menos cuando son videojuegos de acción.

“Este menor número de parpadeos provocará una mayor sensación de sequedad en los ojos, de picor o de irritación. Los jugadores de videojuegos debido a la gran cantidad de horas que pasan delante de monitores tienen más posibilidades de sufrir síntomas. Por eso es importante concienciarles de la importancia de hacer un buen uso”, ha confirmado Altemiry.

Asimismo, la experta ha aconsejado revisar la visión regularmente para ajustar la graduación, ya que se ha demostrado que la miopía o pequeños grados de astigmatismo son un desencadenante de los síntomas del síndrome visual informático cuando se realizan tareas con pantallas digitales.

Por ello, y con el objetivo de minimizar los riesgos de padecer molestias relacionadas con el uso de pantallas digitales, la compañía Bausch + Lomb, en colaboración con profesionales de la visión y la Liga de Videojuegos Profesional, ha desarrollado la primera guía de salud visual para ‘gamers’.

“Para Bausch + Lomb es clave ofrecer productos que ayuden a los usuarios de dispositivos como lágrimas artificiales, toallitas para la higiene de los párpados o tratamientos para terapia con frío y calor. Además, con la elaboración de esta Guía queríamos ir más allá en el cuidado total de la visión, ofreciendo consejos para ayudar y concienciar a la población de la importancia de cuidar la visión y así evitar las molestias relacionadas con el uso de dispositivos digitales”, ha zanjado el responsable de Relaciones Profesionales de Bausch + Lomb, Diego Ramos.

La OMS alerta de la inminente propagación de # gonorrea resistente a antibióticos (PLoS Med)

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De no encontrarse un nuevo antibiótico sólo será una cuestión de tiempo que se multipliquen los casos.

Al menos tres personas en el mundo están infectadas con cepas de gonorrea totalmente intratables con antibióticos, además se han reportado casos de resistencia en todo el mundo, ha alertado la Organización Mundial de la Salud (OMS), que advierte que, de no encontrarse un nuevo antibiótico “sólo será una cuestión de tiempo” que se multipliquen los casos.

“Las bacterias que causan la gonorrea son particularmente inteligentes, cada vez que usamos una nueva clase de antibióticos para tratar la infección, las bacterias evolucionan para resistirlas”, dijo la Dra. Teodora Wi, responsable del departamento de Reproducción Humana de la agencia sanitaria de la OMS, con motivo de la publicación en “PLoS Medicine” de una revisión de datos globales.

Cada año, se estima que 78 millones de personas están infectadas con gonorrea, una infección de transmisión sexual común que puede infectar los genitales, el recto y la garganta. Las complicaciones de la gonorrea afectan desproporcionadamente a las mujeres, provocando la enfermedad inflamatoria pélvica, el embarazo ectópico y la infertilidad, así como un mayor riesgo de VIH.

Los datos reportados se han extraído de 77 países donde se muestran que la resistencia a los antibióticos hace que sea muy difícil tratar la gonorrea y, hasta en tres ocasiones, imposible. Estos casos se han detectado en Japón, Francia y España, donde estos pacientes se han infectado con cepas de gonorrea contra las que no se conoce ningún antibiótico eficaz.

“Estos casos pueden ser sólo la punta del iceberg, ya que los sistemas para diagnosticar y reportar infecciones no tratables carecen en los países de bajos ingresos donde la gonorrea es realmente más común”, agrega Wi.

Hasta el momento se ha informado de muchos casos resistentes a los antibióticos más antiguos y baratos. La disminución del uso del condón, el aumento de la urbanización y los viajes, las deficientes tasas de detección de infecciones y el uso inadecuado general de los antibióticos aumenta el desarrollo de resistencia a los antibióticos en la gonorrea, así como otras enfermedades bacterianas.

El Gonococcal Antimicrobial Surveillance Programme (GASP), monitoriza las tendencias en la gonorrea resistente a los medicamentos. Los datos del GASP de la OMS de 2009 a 2014 ha encontrado una resistencia generalizada a la ciprofloxacina (97% de los países que informaron datos en ese período encontraron cepas resistentes a los fármacos), un aumento de la resistencia a la azitromicina (81%) y resistencia al último recurso farmacológico: cefalosporinas de espectro extendido (CSE), cefimasima oral o ceftriaxona inyectable (66%).

Actualmente, en la mayoría de los países, los ECE son el único antibiótico único que sigue siendo eficaz para tratar la gonorrea. Pero la resistencia a la cefixima -y más raramente a la ceftriaxona- ha sido reportada en más de 50 países. Como resultado, la OMS emitió recomendaciones actualizadas de tratamiento global en 2016 aconsejando a los médicos a dar 2 antibióticos: ceftriaxona y azitromicina.

“Para abordar la necesidad urgente de nuevos tratamientos para la gonorrea, necesitamos aprovechar las oportunidades que tenemos con los fármacos existentes y los fármacos candidatos. En un corto plazo de tiempo, nuestro objetivo es acelerar el desarrollo y la introducción de al menos uno de estos nuevos fármacos y evaluar el posible desarrollo de tratamientos combinados”, ha explicado Manica Balasegaram, director de la Global Antibiotic Research and Development Partnership (GARDP).

Asimismo, ha añadido, “cualquier nuevo tratamiento desarrollado debe ser accesible para todos los países que lo necesiten, asegurando que se utilice adecuadamente, de modo que la resistencia a los medicamentos se ralentice tanto como sea posible”.

La gonorrea puede evitarse mediante una conducta sexual segura, en particular con el uso del condón. La información, la educación y la comunicación pueden promover y permitir prácticas sexuales más seguras, mejorar la capacidad de las personas para reconocer los síntomas de la gonorrea y otras infecciones de transmisión sexual y aumentar la probabilidad de que busquen atención.

La OMS denuncia que, hoy en día, la falta de conciencia pública, la falta de capacitación de los trabajadores de la salud y el estigma en torno a las infecciones de transmisión sexual siguen siendo obstáculos para un uso mayor y más eficaz de estas intervenciones.

Actualmente, no existen pruebas diagnósticas de gonorrea accesibles, rápidas y de punto de atención. Muchas personas que están infectadas con gonorrea no tienen ningún síntoma, por lo que no se diagnostican y no se tratan. Por otro lado, sin embargo, cuando los pacientes tienen síntomas, como la secreción de la uretra o la vagina, los médicos a menudo asumen que es gonorrea y prescriben antibióticos – a pesar de que la gente puede estar sufriendo de otro tipo de infección.

“Para controlar la gonorrea, necesitamos nuevas herramientas y sistemas para una mejor prevención, tratamiento, diagnóstico precoz, seguimiento más completo y notificación de nuevas infecciones, uso de antibióticos, resistencia y fracasos de tratamiento”, dijo ha señalado Marc Sprenger, director de Resistencia Antimicrobiana de la OMS.

Específicamente, concluye, “necesitamos nuevos antibióticos, así como pruebas diagnósticas rápidas y precisas en el punto de atención – idealmente, aquellas que puedan predecir qué antibióticos funcionarán en esa infección en particular) ya largo plazo, una vacuna para prevenir la gonorrea”.

Paulo Amarante: ‘Medicalizar problemas cotidianos faz mais mal à saúde do que a depressão’

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por:ELIANE BARDANACHVILI

Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão. Por se tratar de problema para o qual não há um índice padrão de detecção, a depressão tornou-se um conceito maleável, posto a serviço dos interesses da indústria farmacêutica, para incrementar a venda de medicamentos. “Elegeu-se a depressão como doença a ser cada vez mais alargada, para abarcar situações da vida, como conflitos, desgosto, desemprego, separação, luto, e formatar como doença”, analisa nesta entrevista ao blog do CEE-Fiocruz o sanitarista Paulo Amarante, vice-presidente da Abrasco, pesquisador do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial, da Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Laps/Ensp/Fiocruz) e presidente honoris causa da Associação Brasileira de Saúde Mental (Abrasme).

Paulo alerta quanto aos malefícios das drogas prescritas, em especial os antidepressivos, que podem ser mais prejudiciais do que aquilo que buscam combater. “Começou-se a observar que esses medicamentos geram dependência e que sua suspensão e retirada é tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. E praticamente não há serviço especializado no mundo nesse tipo de desintoxicação”, aponta.

Os laboratórios farmacêuticos, no entanto, denuncia Paulo, encomendam e financiam pesquisas que patologizem o comportamento das pessoas diante de dificuldades cotidianas. Ele cita, entre as investigações realizadas nesse sentido, a do jornalista americano Robert Whitaker, vencedor em 2010 do Investigative Reporters and Editors Book Award, pelo livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental. O livro será lançado no Brasil em 3/7/2017, pela Editora Fiocruz.

Co-editor, com o pesquisador Fernando Freitas, do site Mad in Brasil, versão brasileira do site Mad in America, para integrar a comunidade de língua portuguesa à rede internacional, ampliando o diálogo voltado à construção de um novo paradigma de assistência psiquiátrica, Paulo também está concluindo um novo livro, Lugares da memória: causos, contos e crônicas, sobre loucos e loucuras. O livro reunirá relatos de situações que ele recolheu ao longo de sua trajetória e terá prefácio do antropólogo italiano Massimo Canevatti e Eduardo Torre.

O tema dos medicamentos prescritos será discutido em seminário internacional, a ser realizado pelo Laps, com apoio do CEE-Fiocruz, nos dias 30 e 31/10 e 1º/11/2017, no auditório da Ensp. Robert Whitaker está entre os nomes já confirmados, ao lado de Lisa Cosgrove, professora de Psicologia Clínica da Universidade de Massachussets-Boston, co-autora com o jornalista do livro Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma, e Jaakko Seikkula, da Finlância, à frente da experiência do Diálogo Aberto (Open Dialogue), abordagem que reduziu os diagnósticos de esquizofrenia no país. “A vida não é uma norma. Cada vida é muito pessoal”, observa Paulo. “O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades”.

 

De que forma as drogas prescritas são um problema de saúde pública, e como está esse entendimento por parte da sociedade?

A questão das drogas prescritas tem sido levantada há alguns anos. Tinha-se a concepção de que o uso das drogas psiquiátricas como tratamento para os transtornos mentais era um grande avanço da medicina, da bioquímica, da indústria farmacêutica. Isso vem desde os primeiros tratamentos, logo após a Segunda Guerra Mundial, com o primeiro antipsicótico, a clorpromazina. De lá para cá, vieram sendo produzidos antipsicóticos de segunda e terceira gerações, antidepressivos etc. A ideia de avanço estava no imaginário dos profissionais. Isso, no entanto, passou a ser duramente questionado por psiquiatras que começaram a ver que não eram só as drogas psiquiátricas que possibilitavam uma ressocialização, como argumentava a indústria farmacêutica. A superação do modelo manicomial, da prática asilar, com a adoção de outras práticas de participação social, coletivização, resgatando os sujeitos, sem submetê-los a constrangimentos, segregação e exclusão, surtia efeito muito importante. Uma das marcas da ciência moderna é romper com essa explicação simplista de causa efeito, e, nesse caso, de que a causa do transtorno é uma alteração bioquímica. O homem é um ser complexo, e as alterações bioquímicas não seriam causa, nem necessariamente efeito. É algo simultâneo; o homem pensa a partir de processos simbólicos e neuroquímicos ao mesmo tempo. A teoria do distúrbio neuroquímico vem sendo criticada desde a década de 1970, e só não cai devido a um forte interesse mercadológico. No caso dos antidepressivos, principalmente, pesquisas muito sérias mostram que eles têm efeito igual ou inferior ao placebo, à psicoterapia ou a outras abordagens não científicas, como as religiosas. Há ainda os grupos comunitários que se organizam para dar suporte, os amigos…

Que pesquisas vêm sendo feitas nesse sentido?

No âmbito da própria medicina, temos o Peter Gotzsche , um dos fundadores da Biblioteca Cochrane , que reúne pesquisas baseadas em evidências, e Joanna Moncrieff, da University College London, uma das fundadoras da Rede de Psiquiatria Crítica. Há também as pesquisas realizadas por formadores de opinião, como o jornalista Robert Whitaker, que ganhou o prêmio de jornalismo investigativo, em 2010, com o livro Anatomia de uma epidemia: pílulas mágicas, drogas psiquiátricas e o aumento assombroso da doença mental, e a professora Lisa Cosgrove, da Universidade de Massachussets-Boston. A eficácia dos medicamentos passou a ser questionada, mostrando-se que podem ser auxiliares, paliativos, opcionais em alguma situação, mas não permanentemente, não exclusivamente. Mais recentemente, começou-se a levantar, ainda, que os antidepressivos causam dependência química, levando a uma síndrome de abstinência quando retirados, confundida com recidiva da depressão. Sem o medicamento, a pessoa volta a ter um quadro depressivo, como se fosse um retrocesso. Como, ao receber o antidepressivo novamente, ela melhora, essa melhora é associada ao medicamento, como se fosse a mesma coisa que uma infecção, que pode voltar se o antibiótico for suspenso. Na verdade, o que há é uma situação de abstinência.

Uma das marcas da ciência moderna é romper com essa explicação simplista de causa efeito, e, nesse caso, de que a causa do transtorno é uma alteração bioquímica

Essas questões foram trazidas à tona pela OMS, que definiu a depressão como tema de campanha pelo Dia Mundial da Saúde de 2017, em abril…

A OMS chamou atenção para o uso indiscriminado de antidepressivos, sua suspensão e retirada, tão difícil quanto a de uma droga ilícita ou do álcool. As pessoas não podem parar de imediato; têm sintomas de abstinência, como insônia, irritabilidade, palpitações, um mal estar por vezes insuportável. E não há serviço especializado no mundo em desintoxicação de antidepressivos; não há técnicas, estudos para lidar com isso, porque durante muito tempo a psiquiatria negou que esses medicamentos causariam síndrome de abstinência nesse nível. A OMS agora reconheceu pela primeira vez em dois relatórios importantes que os antidepressivos causam dependência e que seu uso da forma como se dá no mundo inteiro é um problema maior que a depressão em si. É como se disséssemos que o uso de antibiótico causa mais problemas que a infecção.

A OMS agora reconheceu pela primeira vez em dois relatórios importantes que os antidepressivos causam dependência e que seu uso da forma como se dá no mundo inteiro é um problema maior do que a depressão em si

O problema das drogas prescritas representa, então, mais um embate entre saúde e mercado…

É sempre a política de mercado versus a política de saúde. O trabalho de Robert Whitaker mostra como a indústria farmacêutica e a classe psiquiátrica estão mancomunadas para produzir, com pesquisas, uma elasticidade no conceito de depressão de forma a abarcar situações da vida cotidiana como conflitos, desemprego, desgosto, separação, luto. Essas situações começaram a ser formatadas como depressão. De fato, é possível moldar um comportamento. Como o ser humano é muito sugestionável, se dissermos que o que ele tem é depressão, ele passa a ter. Se a mídia mostra depoimentos de pessoas importantes  que dizem “fui depressivo”, “tenho toque”, “tenho pânico”, isso causa um efeito…

O que é depressão, afinal? Ela existe como doença?

Não temos um critério definitivo. Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão, não há um índice padrão ou um índice médio permanente. Trata-se de um conceito, e, exatamente por ser tão maleável, tão subjetivo, tornou-se propício a que se elegesse a depressão como a doença a ser cada vez mais alargada. Pânico, obsessão-compulsão, transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)… No caso dessa última, os pais são levados a mudar seu olhar para ver na criança não alguém rebelde, em crescimento, mas alguém com uma patologia. Problemas cotidianos, escola fracassada – não apenas a escola pública brasileira, mas o modelo de ensino, sua proposta já superada –, pobreza, falta de recursos, baixos salários, tudo contribui para uma piora do quadro. Há também as situações de crise evolutivas, como entrada na terceira idade, iniciação na vida sexual, incapacidade de realização de ato sexual, saída da primeira infância para a puberdade, entrada na vida adulta, crises de identidade que podem vir acompanhadas de uma certa situação depressiva. E o comportamento das pessoas diante das dificuldades acaba sendo patologizado. O livro de Allen Frances, Salvando o normal [Saving the normal – ver aqui], é uma crítica a essa ampliação do conceito de anormalidade.

Não se pode medir depressão como se mede glicemia, anemia ou hipertensão. Trata-se de um conceito, e, exatamente por ser tão subjetivo, tornou-se propício a que se elegesse a depressão como a doença a ser alargada cada vez mais

O que é importante entendermos sobre normalidade e anormalidade?

A vida não é uma norma, há diferentes padrões, cada vida é muito pessoal. Podemos inventar a doença, ampliar o conceito de doença e patologizar todo o sofrimento, ou podemos inventar e ampliar o conceito de saúde. O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades – pois elas existem – criando-se normas. A normatividade é a capacidade do ser vivo de criar normas; elas não existem de antemão. A saúde está em lidar com a situação de doença. O câncer é normal na vida; se há um corte no braço, o organismo encontra um caminho para o sangue passar, ou cria a cicatriz para organizar a pele, assim como cria a febre para reagir à infecção. Essa capacidade de criação de normas é muito pessoal. Há princípios gerais, mas nunca são universais e idênticos. O título do livro de Allen Frances, Saving de normal, que da tradução em inglês seria Salvando o normal, traz um conceito interessante: salvar o normal é admitir que existe o normal e que nem tudo pode ser considerando patológico. A editora no Brasil, no entanto, traduziu o título para Voltando ao normal, o que muda totalmente o sentido, pois parte-se do princípio de que há um padrão a ser buscado, ao qual retornar. Não estamos falando de padrão, mas de normatividade, da capacidade de criação de normas. Há muitos autores no mundo trabalhando nessa questão.

O normal não é o estado de bem estar eterno, permanente, ideal. O normal é a capacidade de reação às adversidades, pois elas existem, criando normas

Existe um momento ou situação em que um cuidado especial torna-se necessário?

Existem alguns princípios, como estado de tristeza profunda inexplicável, perda de ânimo, com ideias de ruína, autodesvalorização, autodestruição, ideias persecutórias, sem um fato relacionado a isso, sem que haja situação de luto, desemprego, separação, enfim, um disparador. Se uma situação foge à explicação racional, a um entendimento racional, podemos dizer que se trata de depressão. Mesmo isso, no entanto, deve ser relativizado. O DSM 5 [quinta e mais recente edição, de 2013, do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, que teve a primeira publicação em 1952, e lista categorias e critérios para diagnóstico dos transtornos mentais] diz que em algumas situações o luto a partir de seis meses já deve ser considerado patológico. Esse é um critério absurdo; como se o luto fosse comum em todas as sociedades e culturas. Os bororo fazem um ritual muito diferente do das viúvas espanholas, de origem latina. Minha mãe ficou um ano de preto, quando meu pai faleceu. Não era um processo individual, era cultural também.

A OMS contabiliza cerca de 300 milhões com depressão. Esse número seria superestimado, então?

Nesse caso, estamos falando dessa situação de patologização. Um dos trabalhos do Bob [Robert Whitaker], que foi o primeiro a apontar os reais interesses envolvidos nesse processo, mostrou que os laboratórios pagam milhões aos médicos para fazerem pesquisas e fundamentarem as situações de mal estar como patológicas. O sofrimento necessário, humano, é patologizado. Em outro livro seu, Psiquiatria sob influência: corrupção institucional, danos sociais e proposições para a reforma, Bob mostra como os laboratórios vão aos centros de pesquisa, financiam estudos e, ao longo do tempo, compram resultados. Ele conta como conseguiu, no Senado americano, acessar as contas das empresas, para comprovar que um pesquisador  chegou a receber um milhão e duzentos mil dólares em um ano para prestar consultoria a um laboratório, escrever artigos e fazer palestras indicando um medicamento que ele pesquisava daquele mesmo laboratório! Bob mostra por análise de discurso como os artigos eram escritos pelo próprio laboratório, não pelo pesquisador. Marcia Angell, que foi por muitos anos editora do New England Journal of Medicine e tem como um de seus grandes temas o medicamento psiquiátrico, também desmente os laboratórios, neste caso, quando alegam que os medicamentos são caros porque há grande investimento em tecnologia. Quem investe em tecnologia são os serviços públicos, quando  conseguem comprar as patentes dos laboratórios e produzir medicamentos acessíveis à população, ou as empresas privadas de tecnologia individual. Os laboratórios farmacêuticos não investem em tecnologia, investem fundamentalmente em publicidade.

Você entra no consultório do médico, e está lá: a agenda é Prozac, a caneta é Prozac, o bloquinho é Prozac, o calendário é Prozac, e ele receita o Prozac, consciente ou inconscientemente

Mas nem todo médico age de má fé ao prescrever esses medicamentos…

Os laboratórios têm também estratégias para os médicos em seus consultórios. Uma é levando representantes para apresentação dos medicamentos, com amostras e brindes. Em alguns países, como Estados Unidos e Espanha há um movimento, o No, thank you, ou No, gracias, de médicos que não aceitam os representantes dos laboratórios. Você entra no consultório do médico, e está lá: a agenda é Prozac, a caneta é Prozac, o bloquinho é Prozac, o calendário é Prozac, e ele receita o Prozac, consciente ou inconscientemente. Os laboratórios também oferecem vouchers para jantares nas churrascarias mais caras da cidade, convidam para ir aos congressos no exterior, pagam as passagens, muitas vezes em primeira classe, pagam hospedagem. Nos congressos, dão notebooks de brinde, dão balas e chocolates dentro das embalagens de medicamentos, a caixinha do remédio com amendoim coberto de chocolate dentro. Tenho algumas guardadas. Isso é uma produção simbólica que tem influência na forma de prescrever.

Como romper com tudo isso?

Médicos, pesquisadores, professores teriam que ter um compromisso ético com o paciente e com a sociedade, não com os laboratórios farmacêuticos. É um princípio e deveria haver políticas públicas voltadas a isso. Os laboratórios públicos de pesquisa, ligados a universidades, não poderiam ter financiamento direto da indústria farmacêutica. Já pesquisei, apontei e encaminhei essa reivindicação para o Conselho de Medicina, mas não dá em nada. Esses laboratórios recebem dinheiro da indústria para encomendas específicas. Essa relação deveria ser intermediada pela Capes, pelo CNPq, para onde os laboratórios encaminhariam os recursos, constituindo o Fundo Nacional de Pesquisa. E as universidades concorreriam. Isso não pode ser feito diretamente com a indústria; coloca-se em xeque a autonomia do laboratório público. Presenciei a apresentação de uma pesquisa mostrando aumento assustador do diagnóstico psiquiátrico em São Paulo. Na hora, eu disse ao pesquisador: “Você me assustou, nem vou mais a São Paulo, pois a cidade está muito doente!”. E perguntei: “Você recebe dinheiro diretamente do laboratório farmacêutico?”. A pessoa respondeu que recebia, mas que isso não interferia em sua pesquisa. Eu disse que ela precisaria me provar que não interferia, pois o resultado da pesquisa mostrava que sim. Tanto a indústria farmacêutica, quanto as do tabaco e do álcool deveriam pagar um subsídio, um imposto a centros financiadores que, estes sim, acompanhariam as pesquisas. Aí sim, poderíamos pesquisar se a maconha tem efeito medicinal ou nocivo, se o uso de ritalina é ou não positivo, de forma independente.

Os laboratórios públicos de pesquisa, ligados a universidades, não poderiam ter financiamento direto da indústria farmacêutica

Nesse embate entre saúde e mercado, como desmedicalizar sintomas, sem, no entanto, minimizar o sofrimento das pessoas? Afinal, a depressão é tida como doença silenciosa, em que as pessoas que sofrem não são ouvidas ou acolhidas.

Somos criados na relação com o outro; nossa identidade está nessa relação. A necessidade de reflexão, introspecção, escuta é imanente, constituinte do sujeito. Essa, no entanto, não é uma questão exclusivamente médico-sanitária, somente do âmbito da saúde. As comunidades ditas primitivas são muito mais sábias nisso, com seus métodos de relações de vizinhança, de cooperação, para fazer frente a essa necessidade. Nós temos essas redes, mas não valorizamos! Na comunidade aqui do lado vemos uma mãe que perdeu um filho contar com uma rede de apoio, de solidariedade das vizinhas que vão dormir com ela, que levam um bolinho… Mas isso não é valorizado. A primeira coisa que se faz quando se perde alguém é tomar um antidepressivo para suportar a crise. O que é preciso, no entanto, é viver aquela crise, e as redes são importantes para isso. Mas como não se dá valor a elas, e o Estado não sabe como propiciar esse acolhimento por meio de uma política pública, e, ainda, como há uma quebra de relações de comunidade promovida pela televisão, pelo medo e pela insegurança, a Igreja acaba ocupando esse espaço. No meu bairro as pessoas sequer se cumprimentam dentro do elevador. Elas não se abrem em sua comunidade, vão para a Igreja fazer uma catarse espiritual ou vão procurar um médico. A questão da depressão é paradigmática, aponta para a ausência do outro, da rede de solidariedade nas grandes cidades. Com as perdas de vínculo, as pessoas ficam sós. O importante seria podermos restabelecer vínculos.

Testes rápidos em índios do Amazonas e de Roraima mostram taxas importantes de sífilis e HIV

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Teresa Santos e Dra. Ilana Polistchuck

Uma análise conduzida em nove Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs) dos estados de Amazonas e Roraima revela que a mobilidade é um importante fator de risco para infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) e por sífilis nessas comunidades[1]. Para a autora Dra. Adele Schwartz Benzaken, do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), do HIV/Aids e das Hepatites Virais do Ministério da Saúde, e da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado, em Manaus, isso ocorre porque a mobilidade leva a contatos interétnicos. Mas há ainda outras questões importantes que contribuem para aumentar o risco de ISTs entre os indígenas de todas as etnias, por exemplo, iniquidade social, questões culturais, desinformação e pouco uso de preservativo.

Em estudo publicado em junho deste ano no International Journal for Equity in Health[1], a Dra. Adele e colaboradores estimaram a prevalência de HIV e sífilis entre 45.967 índios nos DSEIs de Manaus, Ianomâmis, Leste Roraima, Alto Solimões, Parintins, Alto Rio Negro, Médio Solimões, Médio Purus e Vale do Javari. A investigação foi conduzida entre fevereiro de 2009 e junho de 2011.

Durante o trabalho, 509 profissionais de saúde foram treinados para rastrear as infecções usando testes rápidos. Eles anunciaram a testagem nas comunidades usando um megafone e também folhetos e cartazes que foram adaptados culturalmente para cada grupo indígena. Os participantes receberam aconselhamento pré-teste de HIV e foram entrevistados utilizando um questionário estruturado. A pesquisa foi registrada pelo cineasta Aldemar Matias, e resultou nos documentários Parente e Nati Parente. O primeiro pode ser acessado no link: https://vimeo.com/40111854.

A média de idade dos participantes foi de 22,5 anos e 56,5% eram do sexo feminino. De forma geral, a prevalência de HIV foi 0,13% e de sífilis 1,82%. Na população geral brasileira, segundo dados de 2011 do Ministério da Saúde, a prevalência de HIV era de 0,4%[2]. Já a sífilis atingia 0,85% da população em 2012[3].

Na população indígena investigada os homens tiveram a maior prevalência de HIV (0,16%), seguidos pelas mulheres (0,11%) e por gestantes (0,07%). No caso da sífilis, a prevalência em homens foi 2,23%, em mulheres 1,51% e em gestantes 1,52%.

Dos nove distritos sanitários especiais indígenas analisados, o Vale do Javari, localizado em uma região de fronteira com a Colômbia e o Peru, apresentou as maiores prevalências para ambas infecções (HIV: 3,38% e sífilis: 1,39%). Esse distrito foi também o que apresentou a maior mobilidade e intrusão, e a menor disponibilidade de serviços pré-natais. O nível de violência também foi classificado como alto.

Além do Vale do Javari, Leste Roraima e Alto Solimões também apresentaram níveis altos dos três fatores de vulnerabilidade (mobilidade, intrusão e violência) avaliados.

Os autores definiram como mobilidade: frequência de interações entre cidades e comunidades e de contato com viajantes, com unidades das Forças Armadas e com as fronteiras do país. Já intrusão foi considerada como a presença de indústria madeireira, agronegócios, atividades de mineração ou áreas de garimpo ou mineração informal dentro ou perto do DSEI. Violência, por sua vez, considerou a existência de casos de agressão física e sexual, assassinatos, ameaças de morte e outras ameaças e disputas de terras.

Uma análise multivariada revelou ainda que idade, sexo masculino e mobilidade estiveram associados à infecção por sífilis. No caso da idade, a probabilidade de infecção por sífilis aumentou 4% por cada ano de idade adicional.

A Dra. Adele diz que, em comunidades mais próximas de municípios, já se espera que a maior mobilidade esteja associada a risco aumentado de ISTs. Por outro lado, em populações de difícil acesso, tal como os ianomâmis, a mobilidade é menor e dificilmente ocorrem contatos interétnicos.

Outros aspectos, no entanto, contribuem para tornar as populações mais vulneráveis, entre eles, iniquidade social, questões culturais e desinformação sobre IST e HIV.

“As terminologias IST e HIV são inclusive inexistentes na linguagem indígena”, contou a pesquisadora ao Medscape. Além disso, ela destaca que o baixo uso do preservativo é um dos principais fatores de risco. A pesquisa mostrou que apenas 49,7% dos entrevistados fizeram uso de preservativo na última relação sexual. “Informações colhidas em campo mostram que essa resistência ocorre principalmente porque as comunidades devem ter muitos filhos para a continuidade/perpetuação da etnia e o preservativo não é utilizado por esta razão”, afirma a Dra. Adele.

A pesquisa mostrou que é viável trabalhar com populações indígenas localizadas em áreas remotas, e que os testes rápidos são um instrumento importante, sendo especialmente relevantes para o aumento da detecção de casos entre gestantes, principalmente de sífilis. A prevalência dessa infecção em mulheres grávidas indígenas (1,52%) foi maior do que entre gestantes da população geral (0,85%)[2], porém a Dra. Adele pondera que a prevalência nos brasileiros provavelmente aumentou significativamente nos últimos anos, devido à epidemia que se estabeleceu. De fato, a prevalência de 0,85% foi estimada para o ano de 2012, período no qual a taxa de detecção de sífilis em gestantes era de 6,0 casos/mil nascidos vivos no país. Em 2015, essa taxa passou para 11,2[4].

Embora o estudo em parturientes indígenas já tenha sido realizado há alguns anos, e ainda faltem dados sobre a prevalência anterior a essa pesquisa, a pesquisadora afirma que a prevalência de sífilis para esta população é alta.

“Esta foi a primeira vez que as populações indígenas desses estados tiveram acesso a estes diagnósticos graças à nova tecnologia dos testes rápidos, que não precisam de laboratório, de eletricidade ou geladeira, e são de fácil uso. Os profissionais de saúde da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) treinados se adaptaram muito bem a esta tecnologia e, segundo os depoimentos deles, poder diagnosticar as infecções dentro das próprias aldeias foi importante (os fez sentirem-se empoderados), assim como também poder tratar imediatamente as pessoas infectadas”, diz a Dra. Adele, lembrando que as ações realizadas durante a pesquisa foram absorvidas pela SESAI e o Ministério da Saúde manteve, então, a oferta dos testes rápidos e dos preservativos nas aldeias.

A pesquisa, que contou com a participação de cientistas da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), da Universitat de Girona, Espanha, do CIBER of Epidemiology and Public Health (CIBERESP), Espanha, da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Nilton Lins, de Manaus, da Facultad de Medicina Calixto García, de Cuba, e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, do Reino Unido, foi financiada pela Bill & Melinda Gates Foundation. O Programa para HIV, ISTs e Hepatites Virais do Ministério da Saúde do Brasil doou os testes de HIV.

El estrés es uno de los factores desencadenantes de padecer ictus entre las mujeres

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Las mujeres son biológicamente más propensas a sufrir un ictus.

Las mujeres son biológicamente más propensas a sufrir un ictus.

El estrés es uno de los factores desencadenantes que pueden hacer que una mujer sufra un ictus, según ha puesto de manifiesto la Coordinadora de la Unidad de Rehabilitación Cardiaca del Hospital La Paz de Madrid, la Dra. Almudena Castro.

El ictus, tal y como ha indicado Castro, es una enfermedad prevalente en mujeres que se puede evitar siguiendo unos hábitos saludables como son la dieta mediterránea, el ejercicio físico y el control del estrés. “Sin pastillas se pueden prevenir casi todas las enfermedades”, ha destacado.

La especialista también ha explicado que las mujeres son biológicamente más propensas a sufrir un ictus pero que se pueden evitar en una gran medida si se lleva una vida saludable. Castro también ha querido llamar la atención sobre el tabaquismo, enemigo íntimo de esta enfermedad.

Por este motivo, el primer taller contra el estrés para prevenir el riesgo de ictus en mujeres, la experta en ‘coaching personal’ y experta en gestión del estrés, Mónica Esgueva, ha enseñado a un grupo de pacientes anticoaguladas algunas técnicas y ejercicios físicos para gestionar y combatir el estrés en el día a día.

Esgueva ha destacado que el estrés crónico es “muy perjudicial” y ha indicado que las situaciones difíciles no tienen por qué convertirse en estrés. En primer lugar, “se debe aceptar lo que ocurre y después tomarse la vida con más distancia ya que no todo lo que ocurre es tan grave”, ha explicado.

La experta también ha afirmado que “el sufrimiento nos diferencia” y que este es una elección. “Hay que aprender a gestionar el estrés para lograr una estabilidad mental”, ha concluido.

Este taller también ha contado con el testimonio de una paciente de enfermedad cardiovascular y miembro de las asociaciones Asociación Española de Portadores de Válvulas Cardíacas y Anticoagulados (AEPOVAC) y Federación Española de Asociaciones de Anticoagulados (FEASAN), Teresa Hernández, quien además de contar su experiencia personal ha querido concienciar a la población sobre el estrés y las consecuencias que este puede tener en la vida de una persona que le sufra, como fue su caso.

16.000 mujeres mueren al año a causa de esta enfermedad cardiovascular, más del doble de las que fallecen por cáncer de mama y 14 veces más de las que lo hacen en accidentes de tráfico. De hecho, de cada cinco mujeres, una tiene riesgo de sufrirle.