Infeciologia

Novas diretrizes do CDC para a realização da sorologia IgM contra o vírus Zika na gestação

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Janis C. Kelly

No início de maio os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) norte-americanos atualizaram as recomendações emitidas em 2016 referentes ao Zika para os médicos que tratam de gestantes assintomáticas com possível exposição ao vírus. A orientação atualizada incorpora novos dados mostrando que a resposta da imunoglobulina M (IgM) contra o vírus pode perdurar por mais de 12 semanas, não sendo, portanto, um sinal confiável de infecção recente. Por outro lado, o resultado positivo do teste de ácido nucleico do vírus Zika (NAT, do inglês Nucleic Acid Test) desaparece com o passar do tempo à medida que os níveis de RNA do vírus diminuem, de modo que o resultado negativo do teste de ácido nucleico não descarta infecção recente.

“Esta mudança está sendo feita porque a orientação dos CDC de testagem do Zika para as gestantes depende, em parte, de um exame imunoenzimático ELISA (dosagem da imunoglobulina M contra o vírus causador da zika) de detecção de anticorpos ou proteínas que o corpo produz para combater a infecção por este vírus”, de acordo com um comunicado à imprensa divulgado pelos CDC. “Novos dados sugerem que a infecção pelo Zika, de modo semelhante a algumas outras infecções por outros flavivírus, pode, em alguns casos, resultar na permanência de anticorpos contra o vírus no corpo durante alguns meses após a infecção. Consequentemente, os resultados destes testes não podem determinar se as mulheres se infectaram antes ou depois de engravidar.

A determinação do momento da infecção é importante porque o risco mais alto para o feto está relacionado com a infecção durante o primeiro trimestre da gestação.

As diretrizes atualizadas alteram as recomendações de testagem das gestantes assintomáticas que possam ter sido expostas ao Zika antes da concepção. As recomendações para testar as gestantes com sintomas sugestivos de infecção por Zika permanecem inalteradas.

“No entanto”, advertem os CDC, “se uma gestante sintomática tiver resultado de IgM positivo e de NAT negativo, e tiver residido em, ou viajado para uma área considerada de risco pelos CDC (Zika Travel Notice ), os profissionais de saúde devem estar cientes de que o resultado positivo da IgM não indica necessariamente infecção recente”.

Cinco etapas para testar gestantes assintomáticas

Os CDC recomendam cinco etapas para a testagem das gestantes assintomáticas com possível exposição ao vírus Zika antes da concepção, incluindo as que viveram na, ou viajam com frequência para (todos os dias ou uma vez por semana) as regiões incluídas nos avisos de viagem dos CDC.

  1. Fazer o rastreamento de todas as gestantes em termos de risco, sintomas e exposição, realizando imediatamente o teste de ácido nucleico para aquelas com sintomas da doença durante a gestação, ou cujo parceiro sexual tenha um resultado positivo para infecção por Zika.
  2. Fazer pelo menos um teste de ácido nucleico para o vírus causador da zika a cada trimestre, a menos que um teste anterior tenha sido positivo.
  3. Se a amniocentese for feita por alguma razão diferente da infecção pelo vírus Zika, considerar também solicitar o teste de ácido nucleico para este vírus nas amostras da amniocentese.
  4. A cada trimestre, orientar as gestantes sobre as limitações dos exames de IgM e do teste de ácido nucleico para a identificação da infecção pelo vírus Zika.
  5. Considerar a realização da sorologia IgM antes da concepção a fim de determinar os níveis iniciais da IgM contra o vírus como parte do aconselhamento anterior à concepção.

A vigência de infecção pelo Zika em uma gestante está associada a aumento do risco para o feto, mas os especialistas dos CDC advertem que as respostas prolongadas da IgM contra o vírus, bem como nas infecções por outros flavivírus, complicam as tentativas de diferenciar as infecções recentes das pregressas nas regiões com transmissão endêmica. O momento da infecção pode ser ainda mais obscuro devido à reação cruzada com outros flavivírus, particularmente o vírus da dengue.

Dados de estudos sobre a infecção pelo vírus causador da zika confirmada por teste de ácido nucleico em pacientes sintomáticos em Porto Rico, onde não existe dengue, encontraram a mediana do tempo até a primeira IgM negativa de 122 dias após o início dos sintomas (intervalo = oito a 210 dias). Os testes teste de ácido nucleico nesses pacientes mostraram a existência de RNA viral em 36% dos pacientes de oito a 15 dias após o início dos sintomas, mas três das cinco gestantes deste estudo tiveram RNA detectável no 46º dia, e uma no 80º dia após o início dos sintomas.

“Nossa orientação faz parte do esforço contínuo de compartilhar dados para ações de saúde pública o mais rápido possível”, disse o Dr. Henry Walke, médico e coordenador ad hoc da iniciativa de resposta ao vírus Zika dos CDC, em um comunicado à imprensa. “À medida que aprendemos mais sobre as limitações dos testes sorológicos, continuaremos atualizando nossas diretrizes para assegurar que os profissionais de saúde tenham as informações mais recentes para aconselhar as pacientes infectadas pelo Zika durante a gestação.

CDC Health Alert Network (HAN) Health Advisory, no. 402. Publicado on-line em 5 de maio de 2017. Diretrizes

MI risk increases 17-fold after respiratory infection

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The risk remains elevated for up to a month.

Findings from a new study suggest that respiratory infection can raise the short-term risk of myocardial infarction (MI) 17-fold.

In what is believed to be the first study to report an association between respiratory infection and increased MI risk in patients with angiographically confirmed MI, 578 patients were interviewed to assess recent experience of respiratory infection symptoms.

The relative risk (RR) for MI occurring within 1-7 days after symptoms of respiratory infection was 17.0 and 13.5 for those with milder symptoms. RR tended to be lower in groups taking regular cardiac medications.

“Our findings confirm what has been suggested in prior studies that a respiratory infection can act as a trigger for a heart attack,” said senior author Professor Geoffrey Tofler from the University of Sydney. “The data showed that the increased risk of a heart attack isn’t necessarily just at the beginning of respiratory symptoms, it peaks in the first seven days and gradually reduces but remains elevated for one month.”

Writing in the  Internal Medicine Journal , the authors said further study is needed to identify treatment strategies to decrease this risk, particularly in individuals who may have increased susceptibility.

HIV: vacinas contra o vírus + Romidepsin podem ser o novo tratamento?

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HIV: vacinas contra o vírus + Romidepsin podem ser o novo tratamento?

Um estudo promovido por um grupo internacional de cientistas está começando a ter resultados positivos contra o HIV. Liderado por Beatriz Mothe, do Instituto de Pesquisa sobre Aids IrisCaixa, de Barcelona, Espanha, o experimento, que aconteceu durante três anos, conseguiu eliminar o vírus do organismo de cinco pacientes infectados recentemente e impedir que ele voltasse a se replicar – pelo menos até o momento. A possível terapêutica substitui os antirretrovirais, utilizado diariamente no tratamento atual, por duas vacinas experimentais contra o HIV associadas ao Romidepsin, droga muito utilizado em tratamentos contra o câncer.

Os pesquisadores realizaram o estudo com 24 pacientes, e divulgaram os resultados na Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, no último mês, em Seattle, Estados Unidos. Apesar de ter bons resultados, em dez das 15 pessoas que receberam as vacinas e a droga, o vírus voltou rapidamente. Os motivos ainda estão sendo pesquisados.

Os testes

Os testes começaram com todos os participantes, aplicando duas vacinas experimentais, desenvolvidas por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e utilizando as drogas antirretrovirais, que impedem a evolução do HIV. Dois anos depois, 15 dos 24 pacientes receberam mais uma dose de uma das vacinas e três doses de Romidepsin, que, segundo algumas pesquisas, pode impedir que o vírus de esconda em determinadas células e ressurja rapidamente.

Em seguida, essas pessoas tomaram mais uma dose da vacina e pararam de tomar os antirretrovirais. Os dez pacientes que tiveram o retorno do vírus recomeçaram o uso dos antirretrovirais, mas os outros cinco não precisaram. Até o momento de apresentação dos resultados, entre os participantes cujo organismo conseguiu controlar o vírus, um já estava há sete meses sem tomar as medicações, outro há seis, o terceiro há 14 semanas, o quarto há 19 e o quinto há 21 semanas.

As vacinas utilizadas no teste são compostas por genes responsáveis pela produção de proteínas que estão presentes em todas as linhagens do HIV. Quando alguma dessas proteínas chega ao sangue, a defesa do organismo ativa as células-T citotóxicas CD8, que reconhecem, atacam e destroem as células infectadas pelo vírus. Já o Romidepsin, faz com que os vírus escondidos “acordem” para também serem atacados pelas células CD8, impedindo, teoricamente, que ele reapareça.

Referência:

Site Revista Exame. Cientistas dizem ter suprimido HIV do organismo de 5 pessoas. 24 fev, 2017.

 

Brasileiros criam nanoantibióticos contra infecções resistentes

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oliver.dodd/Flickr
Abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio _Escherichia coli_
Abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio Escherichia coli

REINALDO JOSÉ LOPES

Pesquisadores brasileiros criaram um método que combina minúsculas partículas de prata com um antibiótico para tentar vencer a crescente resistência das bactérias aos medicamentos convencionais.

Em testes preliminares de laboratório, a abordagem mostrou bom potencial para enfrentar formas resistentes do micróbio Escherichia coli, que às vezes causa sérios problemas no sistema digestivo humano.

“Alguns sistemas podem até funcionar melhor no que diz respeito à capacidade de matar as células bacterianas, mas o ponto-chave é que as nossas partículas combinam um efeito grande contra as bactérias com o fato de que elas são inofensivas para células de mamíferos como nós”, explica um dos responsáveis pelo desenvolvimento da estratégia, Mateus Borba Cardoso, do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais), em Campinas (SP).

RESISTÊNCIA BACTERIANA

Cardoso e seus colegas assinam estudo recente na revista especializada “Scientific Reports”, no qual descrevem o processo de produção da arma antibacteriana e seu efeito sobre os micróbios.

Esse mesmo grupo já utilizou nanopartículas para inativar o HIV e atacar somente as células tumorais, em caso de câncer de próstata, poupando as células saudáveis.

VILÕES DA RESISTÊNCIA

O aumento da resistência das bactérias causadoras de doenças aos antibióticos tradicionais é um caso clássico de seleção natural em ação que tem preocupado os médicos do mundo todo.

Em síntese, o que ocorre é que é quase impossível eliminar todos os micróbios durante o tratamento. Uma ou outra bactéria sempre escapa, e seus descendentes paulatinamente vão dominando a população da espécie e espalhando a resistência, já que os micro-organismos suscetíveis morreram sem deixar herdeiros.

Para piorar ainda mais o cenário, tais criaturas costumam trocar material genético entre si com grande promiscuidade, numa forma primitiva de “sexo”. Assim, os genes ligados à resistência diante dos remédios se disseminam ainda mais.

Já se sabe, porém, que as nanopartículas de prata (ou seja, partículas feitas a partir desse metal com dimensão de bilionésimos de metro) têm bom potencial para vencer as barreiras bacterianas e, de quebra, parecem induzir muito pouco o surgimento de variedades resistentes.

Por outro lado, essas nanopartículas, sozinhas, podem ter efeitos indesejáveis no organismo.

A solução bolada pelos cientistas brasileiros envolveu “vestir” as partículas de prata com diferentes camadas à base de sílica, o mesmo composto que está presente em grandes quantidades no quartzo ou na areia.

Por meio de uma preparação especial, a camada mais externa de sílica foi otimizada para receber moléculas do antibiótico ampicilina, já bastante utilizado hoje.

PAPEL E CANETA

Ao criar a combinação, o mais importante foi saber onde e como ancorar o antibiótico nas nanopartículas, explica Cardoso.

“Vamos imaginar que o antibiótico é uma caneta e a membrana da bactéria é uma folha de papel”, compara o pesquisador. “Se você colocar uma caneta deitada em cima da folha, é lógico que ela não vai ser perfurada pela ponta da caneta. Nosso colaborador da UFRGS [Hubert Stassen, do Instituto de Química da universidade] mostrou como o antibiótico interage com a membrana e nos ajudou a orientar o medicamento na superfície da nanopartícula. Por isso ele é tão efetivo.”

Testes feitos pela equipe mostraram que o conjunto afeta de forma específica as células da bactéria E. coli, tanto as de uma cepa de ação mais amena quanto a de uma variedade resistente a antibióticos, sem ter o mesmo efeito sobre células humanas –provavelmente porque a ampicilina se conecta apenas à parede celular das bactérias.

É claro que ainda é preciso muito trabalho antes que a abordagem dê origem a medicamentos comerciais.

Segundo Cardoso, o primeiro passo seria o uso de sistemas semelhantes em casos muitos graves, nos quais pacientes com infecções hospitalares já não respondem a nenhum antibiótico.

Para um emprego mais generalizado, provavelmente será necessário substituir o “recheio” de nanopartículas de prata por outras moléculas, mais compatíveis com o organismo.

O trabalho teve financiamento da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

Sepse associada a risco de convulsões em longo prazo

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Deborah Brauser

BOSTON — Pacientes que sobrevivem à sepse estão sob risco significativamente aumentado de convulsões em longo prazo, sugere uma nova pesquisa.

O estudo de coorte retrospectivo mostrou uma taxa cumulativa de convulsões de 6,67% entre mais de 842.000 pacientes que foram hospitalizados por sepse oito anos antes, em relação a 1,27% para uma amostra da população geral correspondente.

A análise confirmatória usando os dados do Medicare (seguro de saúde pago pelo governo americano a pacientes idosos) mostrou uma razão de taxa de incidência (RTI) de 2,18 para convulsões entre pacientes com sepse após a exclusão daqueles com acidente vascular encefálico (AVE), lesão cerebral traumática ou infecção/neoplasia do sistema nervoso central.

Além disso, a sepse foi significativamente associada a status epilepticus, resultando em hospitalização.

“Nossos resultados fornecem evidência para a hipótese de que a sepse poderia estar associada a vias que levam a lesões cerebrais duradouras, independentemente de outras lesões estruturais”, disse o Dr. Michael Reznik, do Departamento de Neurologia, Weill Cornell Medicine/Columbia University Medical Center, em Nova York, aos participantes do Encontro Anual de 2017 da American Academy of Neurology (AAN).

Posteriormente, o comoderador da sessão, Dr. Walter Morgan, do Florida Hospital, Celebration, disse ao Medscape que o estudo foi intrigante, mas que ele está “agora interessado em saber se há alguma maneira de começar a prever quem são esses pacientes”.

“Se pudermos descobrir como analisar esses casos mais detalhadamente, e talvez prever quais deles terão maior probabilidade de desenvolver convulsões, seria ótimo”, disse o Dr. Morgan.

Quem está sob maior risco?

O Dr. Reznik observou que as complicações neurológicas comuns da sepse incluem acidente vascular cerebral, doença neuromuscular e encefalopatia associada à sepse, “o que levou ao reconhecimento de disfunção cognitiva em longo prazo após a sepse”.

A resposta inflamatória e potencialmente fatal à infecção também foi anteriormente associada a risco de convulsões em curto prazo .

Para o estudo atual, “queríamos avaliar esses pacientes e descobrir se há um risco em longo prazo de desenvolver convulsões após a alta hospitalar e, em caso afirmativo, quais grupos estão sob maior risco?” disse o Dr. Reznik.

Os pesquisadores avaliaram os dados de alta hospitalar entre 2005 e 2013 de 842.735 pacientes adultos com sepse (51% homens, 65% brancos, média de idade, 69,2 anos) de pronto-socorros e hospitais de tratamento de doenças agudas em Nova York, Flórida e Califórnia.

Como parte do Healthcare Cost and Utilization Project, é atribuído ao paciente um número pessoal de associação, que permite que as hospitalizações subsequentes sejam registadas anonimamente. Nenhum dos pacientes apresentou convulsões antes ou durante a internação inicial para sepse.

Os pesquisadores também avaliaram uma coorte de pacientes internados por diagnósticos diferentes de sepse, que foram pareados ao grupo com sepse por idade, sexo, raça, seguro, tempo de internação e ano de internação, local de alta e presença de disfunção orgânica.

No grupo de sepse, 30.503 tiveram crises convulsivas no acompanhamento; 22,8% desses pacientes em relação a 16,2% daqueles sem convulsões apresentaram “sepse com disfunção neurológica” no momento da internação inicial.

Vias significativas

Para os pacientes com sepse, a taxa bruta de convulsões após alta hospitalar inicial foi de 3,62% (intervalo de confiança, IC, de 95%, 3,58% – 3,66%).

A incidência anual de convulsões foi de 1,29% (IC de 95%, 1,27% – 1,30%) para o grupo de sepse em relação a 0,16% (IC de 95%, 0,16% – 0,16%) na população geral dos três estados. Além disso, a taxa de incidência para cada um desses grupos foi de 1287,9 em relação a 158,9, respectivamente, por 100.000 pessoas-anos.

Enquanto a razão de taxa de incidência global (RTI) foi de 4,98 (IC de 95%, 4,92 – 5,04) para os sobreviventes de sepse em relação à população em geral, a razão caiu para 4,53 para pacientes com sepse e sem disfunção neurológica concomitante, mas subiu para 7,52 para aqueles no grupo de sepse que tinham esse tipo de disfunção.

As RTIs de oito anos para convulsões foram de 7,52 e 4,53, respectivamente, para pacientes do grupo de sepse com em relação aos pacientes sem disfunção neurológica.

A sepse também foi associada ao status epilepticus, de acordo com a análise de sensibilidade pré-especificada (RTI, 5,42).

Em seguida, os pesquisadores realizaram uma análise de coorte confirmatória, avaliando pacientes internados e ambulatoriais de uma amostra de 5% de beneficiários do Medicare. Ela mostrou que “internação por sepse foi novamente associada a convulsões subsequentes” (RTI não ajustada, 2,72), relatou o Dr. Reznik.

Em uma última análise post hoc de subgrupos, que foi estratificada por idade, as RTIs foram de 2,83 para os pacientes no grupo de sepse com pelo menos 65 anos de idade ou mais (IC de 95%, 2,78 – 2,88) e de 10,33 para paciente com menos de 65 anos (IC de 95 %, 10,17 – 10,49).

No entanto, o Dr. Reznik observou que “isto não quer dizer que estes pacientes mais jovens têm maior probabilidade de ter convulsões do que qualquer outra pessoa. A incidência real é maior em pacientes mais idosos”.

Os pesquisadores escrevem que os resultados gerais sugerem que “a sepse está associada a vias que levam a sequelas neurológicas permanentes”. O Dr. Reznik observou que as perguntas que persistem incluem a determinação de fatores de risco e se “haverá estratégias de proteção do cérebro no horizonte”.

“Ficar atentos”

Após a apresentação, quando o Dr. Reznik foi perguntado se alguma informação familiar estava disponível sobre os pacientes, ele respondeu: “Não, infelizmente. Isso seria algo ótimo de se ter em um estudo prospectivo”.

O Dr. Morgan comentou posteriormente que estaria interessado em saber se houve alguma exposição particular a medicamentos, especialmente antibióticos, nesses pacientes.

“Seria intrigante saber se poderíamos começar a avaliar os fatores preditivos, porque parece que obviamente há um risco aumentado com esses pacientes desenvolvendo convulsões no futuro”, disse ele. “Isso é algo que deveríamos estar pesquisando e algo que estamos perdendo no cenário clínico”.

Ele acrescentou que a questão é importante para neurologistas e clínicos de outras áreas, como a atenção primária. “Precisamos ficar atentos para isso e começar a fazer perguntas”.

O estudo foi financiado por uma doação do National Institute of Neurological Disorders and Stroke e pelo Michael Goldberg Research Fund. Dr. Reznik e Dr. Morgan declararam não possuir relações financeiras relevantes.

Encontro Anual de 2017 da American Academy of Neurology (AAN). Resumo de ciência emergente S5.003. Apresentado em 23 de abril de 2017.

HIV é eliminado do corpo de animais vivos pela primeira vez

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HIV é eliminado do corpo de animais vivos pela primeira vez
Os pesquisadores americanos, donos da descoberta, esperam conseguir realizar testes em humanos até 2020.

HIV: o vírus cria reservas no organismo das pessoas infectadas, o que dificulta sua eliminação completa (Thinkstock/VEJA)
Ao que tudo indica, pesquisadores americanos deram um grande passo rumo à cura para o HIV: a eliminação do vírus em animais vivos.

De acordo com informações  da Temple University, Filadélfia, Estados Unidos,  um estudo realizado pelos cientistas da Lewis Katz School of Medicine (LKSOM, que faz parte da Instituição) em parceria com a Universidade de Pittsburgh, conseguiu eliminar totalmente o vírus de camundongos que haviam recebido células humanas infectadas com HIV.

“A equipe é a primeira a demonstrar que a replicação do HIV-1 pode ser completamente suprimida e o vírus é eliminado de células infectadas em animais com uma poderosa tecnologia de edição de genes conhecida como CRISPR/ Cas9”, segundo informações do site.

O trabalho foi coordenado por Wenhui Hu, MD, PhD e atualmente professor associado no Centro de Pesquisa de Doenças Metabólicas e do Departamento de Patologia da LKSOM; Kamel Khalili, Ph.D., Laura H. Carnell professora e presidente do Departamento de Neurociências, diretora do Centro de Neurovirologia e diretora do Centro Compreensivo de NeuroAIDS da LKSOM; e por Won-Bin Young, PhD.

 

“Nosso novo estudo é mais abrangente. Confirmamos os dados de nosso trabalho anterior e melhoramos a eficiência de nossa estratégia de edição de genes. Nós também mostramos que a estratégia é eficaz em dois modelos outros dois tipos de roedores, um representando infecção aguda em células de rato e o outro representando infecção crônica  ou latente em células humanas”, disse Dr. Hu.
Os cientistas dizem que o próximo passo seria repetir os testes em primatas, animal mais adequado para este estudo, já que neles a infecção pelo HIV induz à doença, a fim de demonstrar ainda mais a eliminação do DNA do HIV-1 em células T latentemente infectadas e outros locais de incubação para o HIV-1, Incluindo células cerebrais.

“Nosso objetivo final é um ensaio clínico em pacientes humanos”, acrescentou Kamel Khalili.

Sarampo

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Sarampo

EGAS MOURA – Pediatra

 

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O sarampo é uma doença causada por um vírus, extremamente contagiosa e transmitida de pessoa para pessoa através de secreções das vias respiratórias, como as eliminadas na tosse, espirros ou mesmo durante a fala.

É um dos vírus conhecidos mais contagiosos e pode sobreviver mais de duas horas fora do corpo humano, no ar ou em superfícies com que a pessoa infectada tenha contactado.

Gotículas infecciosas a partir de secreções respiratórias de um paciente com sarampo podem permanecer no ar durante várias horas. Portanto, um contato direto com alguém infectado pode não ser necessário para a transmissão do vírus. O sarampo pode ser transmitido em hospitais e consultórios médicos, entre passageiros do avião durante o voo, e também em escolas e comunidades densamente povoadas.

Em dezembro de 2014, ocorreu um surto de sarampo, nos Estados Unidos da América (EUA), com origem num parque de diversão da Califórnia, rapidamente se disseminou por vários estados norte-americanos, com cerca de 100 casos clínicos comprovados. A maior parte dos infectados não tinham a vacina contra o sarampo.

Este caso entre outros, serve para demonstrar a importância da vacinação.

Antigamente, o sarampo era uma doença habitual em idade pediátrica e quase todas as crianças a tinham, sendo que existia uma probabilidade elevada de acontecerem problemas (pneumonia e encefalite) ou mesmo ocorrer a morte (1 a 2 óbitos em cada 1000 infectados).

Antes da implementação da vacinação contra o sarampo, morriam nos EUA, cerca de 450 crianças / ano, a maior parte dos casos em crianças previamente saudáveis. Graças à vacinação, hoje somos capazes de prevenir a disseminação e impedir a doença, protegendo as nossas crianças.

Recentemente e em alguns países, surgiu um movimento contra a vacinação sistemática das crianças, alegando riscos e falhas na biossegurança da vacina, factos que são contrariados pela Organização Mundial de Saúde entre outras organizações internacionais.

Existem actualmente crianças, adolescentes e inclusive adultos (30 – 40 anos) que poderão não estar imunizados contra o sarampo.

Escolher não vacinar um filho, implica não só deixá-lo susceptivel a esta e outras doenças, mas também expor as outras crianças que com ele convivem. Neste grupo de crianças susceptiveis incluem-se as que ainda não têm idade para serem vacinadas e as que não possam ser vacinadas por contra indicação médica. O sarampo ainda é vulgar em muitas partes do mundo e surtos ocorrem regularmente.

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Taxa de incidência (casos notificados/milhão de habitantes) de sarampo nos países da União Europeia, Islândia, Lichtenstein e Noruega, em 2012, registados no Sistema Europeu de Vigilância (TESSy) do ECDC em 31/01/2013. (http://ecdc.europa.eu/en/publications/Publications/measles-rubella-monitoring-February-2012.pdf)

A actual situação epidemiológica do sarampo na Europa aumenta a probabilidade de importação de casos de doença e de, a partir desses casos, poderem surgir surtos em Portugal, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos (em 2005, 2009, 2010 e 2012).

Quadro Clínico

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O período de incubação do sarampo é de 6 a 19 dias (média de 13 dias). O período de contágio ocorre entre 5 dias antes do aparecimento das erupções da pele até 4 dias depois. O pico do contágio ocorre 2 dias antes e 2 dias após o início das lesões de pele.

Três em cada 4 pessoas não vacinadas expostas ao vírus são contaminadas e desenvolvem sintomas. Ao contrário do que ocorre noutras viroses comuns da infância, o sarampo não costuma causar casos leves. Quem tem sarampo, tem no “a sério”, com direito a todos os sintomas clássicos.

O sarampo manifesta se inicialmente como uma infecção viral inespecífica, com febre alta, mal-estar, espirros, tosse, perda do apetite, dor de garganta e olhos vermelhos com ou sem exsudado. Esta fase inicial da doença chama-se pródromica e dura 2 a 3 dias.

Na transição da fase prodrómica para a fase dos sintomas clássicos do sarampo começam a surgir pequenos pontos brancos na mucosa da boca, próximo aos dentes molares, que recebem o nome de manchas de Koplik. Estas manchas surgem geralmente 48 horas antes do aparecimento do exantema clássico do sarampo.

As erupções típicas do sarampo (exantema do sarampo) são manchas avermelhadas, com discreto relevo, que surgem inicialmente no rosto e se espalham para o resto do corpo de forma descendente. As lesões podem ser abundantes, sofrendo fusão, de forma a criar grandes manchas avermelhadas. Palmas das mãos e plantas dos pés raramente são envolvidos.

Em geral, a extensão e o grau de confluência do exantema correlacionam se com a gravidade da doença.

Outros achados característicos durante a fase exantemática incluem linfadenopatia (aumento dos gânglios), febre alta (às vezes acima de 40ºC), faringite e conjuntivite. Tosse também é comum e pode persistir até duas semanas.

Durante o período exantemático, o paciente fica com o sistema imunológico comprometido, sendo um alvo fácil para outras infecções de origem bacteriana (pneumonia ou outras) ou viral (encefalite – lesão do cérebro).

Cerca de 48 horas após o aparecimento da erupção cutânea, o paciente começa a melhorar. Com três a quatro dias, a erupção escurece, ficando acastanhada, e depois começa a descamar e a desaparecer. A erupção geralmente dura um total de seis a sete dias. A febre costuma terminar quando o exantema começa a diminuir. Uma febre com duração superior a 3 / 4 dias após o início das erupções pode ser sinal de uma complicação em curso, como pneumonia, diarreia, otite ou encefalite.

A pneumonia e a encefalite são as complicações mais perigosas do sarampo.

 

Tratamento do Sarampo

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Uma vez que os sintomas do sarampo já tenham surgidos, não há tratamento específico para a doença. A única coisa a fazer é dar suporte e esperar que a doença evolua. Nas crianças, a administração de vitamina A parece reduzir a incidência de casos graves.

 

Prognóstico

 

A maior parte das pessoas saudáveis recupera completamente do sarampo. Cerca de 3% dos adultos com sarampo desenvolvem sintomas de pneumonia suficientemente graves para necessitarem de tratamento num hospital, A morte devido a complicações do sarampo, tais como a pneumonia ou a encefalite, ocorre em um ou dois em cada 1.000 casos, mais frequentemente nos bebés, nos adultos idosos ou nas pessoas com defesas imunitárias enfraquecidas.

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Prevenção e Vacina do Sarampo

 

Como não há tratamento efetivo durante a fase de sintomas, o controle do sarampo deve ser voltado para a prevenção. Nas últimas décadas, devido a ampla cobertura vacinal na maioria dos países, o sarampo tornou se uma doença rara.

A vacina contra o sarampo, como todas as outras vacinas é segura, também como todas as vacinas e todos os medicamentos, pode ter efeitos secundários (como dor, edema no local da picada e eventualmente febre) com duração de 1 a 2 dias.

Como a maioria das vacinas, a vacina do sarampo deve ser administrada antes do paciente ter qualquer contato com o vírus, de preferência durante o primeiro ano de vida. Porém, como o período de incubação do sarampo pode chegar a 19 dias, uma pessoa nunca imunizada, que tenha tido contato com alguém contaminado, pode ser vacinada, contanto que não ultrapasse o limite de 72 horas após a exposição ao vírus. Esta forma de vacinação não é a ideal, mas costuma ser efetiva em muitos casos.

Caso tenha o esquema vacinal atualizado, estará protegido contra o sarampo, no caso das crianças mais novas a vacina pode ser antecipada dos 12 meses (em Portugal) até aos 6/9 meses de vida – primovacinação.

A vacinação organizada contra o sarampo em Portugal iniciou-se em 1973, com uma campanha de vacinação de crianças dos 1 aos 4 anos de idade que vigorou até 1977.

Em 1974, a vacina monovalente contra o sarampo (VAS) foi incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV).

Em 1987, a vacina VASPR (vacina combinada contra sarampo, parotidite epidémica e rubéola) substituiu a VAS no PNV, sendo recomendada aos 15 meses de idade.

Inicialmente, as coberturas vacinais obtidas não foram suficientes para impedir a epidemia de 1987-89, com cerca de 12.000 casos notificados e cerca de 30 óbitos.

Em 1990 foi introduzida no PNV uma segunda dose da vacina VASPR aos 11-13 anos de idade, no sentido de ultrapassar as falências vacinais primárias (cerca de 5% dos vacinados).

Apesar das boas coberturas vacinais a nível nacional, assimetrias nestas coberturas permitiram a acumulação de suscetíveis e a ocorrência da epidemia de 1993-94, com cerca de 3.000 casos notificados.

Em 1998, para evitar um novo surto (projeção por modelação matemática) foi implementada uma estratégia complementar de vacinação, que decorreu em 1998-2000, com repescagem/vacinação de cerca de 400.000 suscetíveis, até aos 18 anos de idade.

Em 2000 (PNV 2000) a segunda dose da vacina foi antecipada para os 5-6 anos de idade.

Em 2008 e 2011, face à situação europeia, com surtos em vários países, reativaram-se as medidas complementares de vacinação e reforçou-se a vigilância epidemiológica do sarampo.

O PNV 2012 determina a antecipação da primeira dose da VASPR dos 15 para os 12 meses de idade. Com esta alteração obtém-se imunidade individual e de grupo mais precocemente.

As crianças podem receber a segunda dose, extraordinariamente e sempre de acordo com a Direcção Geral de Saúde – DGS, com um intervalo mínimo em relação à primovacinação de 28 dias, esta segunda dose aumenta os níveis de protecção para mais de 95%.

As coberturas vacinais com 1 e 2 doses da vacina VASPR, a nível nacional, são ≥95% pelo menos desde 2006. No entanto, este valor não é uniforme, verificando-se assimetrias regionais e locais, que aumentam o risco de existência de bolsas de população suscetível, mesmo em áreas geográficas com cobertura vacinal global elevada. A elevada taxa de cobertura vacinal que existe em Portugal permite que haja a imunidade individual e a imunidade de grupo (protegendo as crianças com menos de 1 anos de idade, o grupo etário de risco com elevada probabilidade de hospitalização e eventualmente morte).

As pessoas, nomeadamente os adultos poderão ter sarampo, principalmente aquelas que não foram vacinados ou que só fizeram 1 dose.

Caso não saiba se fez a vacina do sarampo pode fazer novo reforço sem qualquer risco.

A vacina do sarampo, é uma vacina denominada de “vírus vivos atenuados” sendo contraindicada em pessoas com défices de imunidade.

 

Vacinação dos profissionais de saúde

 

Pretende-se garantir a protecção adequada dos profissionais de saúde que têm contacto próximo com doentes, atendendo ao risco acrescido de contacto com casos importados. Assim, todos os profissionais de saúde sem história credível de sarampo, independentemente da idade, devem estar vacinados com 2 doses (VAS/VASPR) com um mínimo de 4 semanas entre as doses.

É prioritária a vacinação de profissionais de saúde susceptíveis, expostos ou em risco de exposição a um ou mais casos de sarampo, uma vez que podem gerar cadeias de transmissão em serviços de saúde e contagiar pessoas com maior risco de complicações. Os Serviços de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho e as Comissões de Controlo da Infecção deverão participar nestas acções.

Todos os profissionais de saúde susceptíveis em situação de pós-exposição a um caso de sarampo possível, provável ou confirmado, em período de contágio, devem:

  1. se indicado, ser vacinados, urgentemente, de acordo com os critérios da tabela VIII. Em caso de recusa preencherão uma declaração de recusa.
  2. ser informados sobre a doença e aconselhados a avaliação médica se iniciarem sinais e sintomas sugestivos

 

 

O sarampo é uma doença com possibilidade de eliminação dada a sua transmissão exclusivamente inter-humana e a existência de uma vacina eficaz e segura.

 

Dr EGAS MOURA  Pediatria