Cirurgia

#Orelha em abano

Postado em Atualizado em

Ataliba Ronan Horta de Almeida1,2; Leandro Ramalho Chaves Isobe1,2; Marcos Salles Dias Pinto1,2; André Villani Correa Mafr1,2

http://www.dx.doi.org/10.5935/2177-1235.2017RBCP0030

RESUMO

INTRODUÇÃO: A orelha de abano é uma deformidade congênita frequente que pode gerar implicações psicológicas desde a infância. Várias táticas cirúrgicas são descritas para correção deste defeito, no entanto, intercorrências frequentemente observadas pela equipe eram a presença de relevos abruptos da cruz posterior da anti-hélice e as recidivas parciais do defeito. O objetivo deste trabalho é demonstrar uma tática cirúrgica que minimiza essas intercorrências.
MÉTODOS: Foram realizadas 65 otoplastias no Hospital Mater Dei, em Belo Horizonte, MG, no período entre 1995 e 2015. Utilizou-se um instrumento cirúrgico elaborado pela equipe de cirurgia plástica, semelhante a uma pinça hemostática de 16 cm. Todos os pacientes foram operados sob anestesia local e sedação assistida por anestesista em ambiente hospitalar.
RESULTADOS: A correção do defeito congênito foi alcançada em todos os casos com o uso de um método comum, mas que cursou com a proposição de táticas novas e simples visando facilitar o ato cirúrgico e adquirir os resultados que foram naturais e satisfatórios.
CONCLUSÃO: As táticas propostas para a cirurgia de otoplastia em abano são simples, de fácil realização, agilizaram o tempo operatório e utilizaram materiais simples, de baixo custo e de fácil aquisição. Também foram alcançados resultados estéticos satisfatórios sem se observar os estigmas decorrentes da quebra da cartilagem auricular.

Palavras-chave: Orelha/anormalidades; Orelha/cirurgia; Terapêutica; Procedimentos cirúrgicos reconstrutivos.

ABSTRACT

INTRODUCTION: Protruding ears represent a common congenital deformity that can generate psychological implications from childhood. Several surgical techniques have been described to correct this defect; however, clinicians frequently observe the intercurrence of abrupt relief of the posterior crus of the anti-helix and a partial relapse of the original defect. The objective of this study was to demonstrate a surgical technique that minimizes these complications.
METHODS: Sixty-five otoplasties were performed at Mater Dei Hospital, Belo Horizonte, MG, between 1995 and 2015. A surgical instrument similar to a 16-cm hemostatic forceps was developed by the plastic surgery team. All patients were operated under local anesthesia and sedation, under the supervision of an anesthesiologist in a hospital setting.
RESULTS: Correction of the congenital defect was achieved in all cases using a common method that was performed using a simple, novel technique that facilitates surgery and obtains natural and satisfactory results.
CONCLUSION: The proposed techniques for otoplasty of protruding ears are simple, faster, and require easily obtainable and affordable materials. Satisfactory esthetic results were also achieved without observing the stigmas arising from atrial cartilage rupture.

Keywords: Ear/abnormalities; Ear/surgery; Therapeutics; Reconstructive surgical procedures.


INTRODUÇÃO

Orelha em abano é uma deformidade congênita frequente, de característica familiar, geralmente bilateral, cujas alterações principais consistem em aumento do ângulo céfalo-conchal (aumento do ângulo escafoconchal de cerca de 90 para 150 graus ou mais) e apagamento da cruz posterior da anti-hélice, sendo que este segundo componente pode atingir até 75% dos casos.

Apesar de não causarem alterações funcionais, as implicações psicológicas desde a infância são grandes e, muitas vezes, marcantes no perfil psicoemocional da criança. A época ideal para a cirurgia é a partir dos 7 anos de idade, quando as orelhas já estão totalmente formadas e no tamanho adulto.

Várias táticas foram propostas para esta cirurgia e apresentam, de uma maneira geral, excelentes resultados. Entretanto, uma intercorrência relativamente frequente é a presença de relevos abruptos da cruz posterior da anti-hélice e alguns casos de recidiva parcial do defeito original. Então, a equipe propôs uma nova e simples tática com o objetivo de minimizar tais problemas.

OBJETIVO

O objetivo deste trabalho é demonstrar uma tática cirúrgica que minimiza as intercorrências.

MÉTODOS

Foram realizadas 65 otoplastias, por amostra de conveniência incluindo todos os pacientes que procuraram a clínica particular do Dr. Ronan Horta, em Belo Horizonte, MG, excluídos somente os com risco cirúrgico proibitivo. Foi utilizada esta tática cirúrgica no período entre 1995 e 2015, em pacientes com média de idade de 20,35 anos, sendo 26 do sexo masculino e 39 do sexo feminino.

O instrumento inicialmente observado e que foi motivo desta proposição tática foi a pinça hemostática de 16 cm, que apresentava curvatura semelhante à da cruz posterior da anti-hélice. No entanto, o serrilhamento grosseiro e largo, e a diferença de largura em seu trajeto estimulou a criação de um instrumento semelhante, mas que apresentasse maior delicadeza e um trajeto de largura uniforme.

A avaliação crítica da equipe de cirurgia plástica do Hospital Mater Dei evidenciou, em um pequeno grupo, um ponto de irregularidade de superfície na porção média da orelha, que coincidia com o local de acesso feito pelo bisturi, para entrada da pinça hemostática. Assim, passou-se a utilizar a extremidade superior do planejamento da cruz posterior para fazer este acesso, visto que a curvatura natural da hélice iria encobrir essa irregularidade. Todos os pacientes foram operados sob anestesia local e sedação assistida por anestesista em ambiente hospitalar.

Após antissepsia cuidadosa e anestesia local com lidocaína a 0,5% e adrenalina a 1:300.000, é feita a tatuagem do trajeto da cruz posterior com pontos de azul de metileno.

A incisão posterior dá acesso à cartilagem auricular, que é desnudada de seu pericôndrio. Neste momento, é realizada a incisão na extremidade superior da cartilagem já marcada, com um bisturi número 11 (2 a 3 mm), procedendo a um descolamento da pele anterior e posterior com uma tesoura delicada e de ponta fina.

Com este trajeto livre, a pinça hemostática modificada é introduzida em direção inferior, estando a cartilagem entre os ramos da pinça. Assim, observa-se a projeção da curvatura da pinça sobre a nova anti-hélice, previamente demarcada (Figura 1). São feitos movimentos de pressão sobre a cartilagem para quebrar a sua mola e criar uma zona de enfraquecimento que, após hemostasia cuidadosa, vai ser retro angulada, com pontos de polipropileno, para a criação de nova cruz posterior da anti-hélice.


Figura 1. Projeção da pinça.

Os procedimentos de fechamento do ângulo céfalo-conchal são realizados pelas técnicas convencionais, quando necessários, e então procede-se à síntese de pele e curativo final, que será removido após 48h, quando as orelhas são fixadas na região mastoidea com pequenas tiras de esparadrapo de papel. Para dormir, o paciente faz uso de uma faixa de contenção, a fim de evitar dobras ocasionais.

RESULTADOS

A correção do defeito congênito foi alcançada em todos os casos com o uso de um método comum, mas que cursou com a proposição de táticas novas e simples, visando facilitar o ato cirúrgico e adquirir resultados bastante naturais e satisfatórios.

Houve um caso de hematoma, que foi identificado e drenado dentro das primeiras horas, e um caso de cicatriz hipertrófica em decorrência de agressão sofrida pelo paciente no pós-operatório recente, sem comprometimento dos resultados. Outros dois casos de recidiva parcial e discreta do abano foram identificados, mas não incomodaram os pacientes a ponto de solicitarem nova cirurgia. A tabela 1 resume as características dos pacientes. As figuras 2 e 3 ilustram o pré e pós-operatório com a técnica descrita.


Figura 2. Pré-operatório.


Figura 3. Pós-operatório.

DISCUSSÃO

Na busca de táticas que facilitassem o ato cirúrgico e que trouxessem baixos índices de queixas pós-operatórias, duas observações levaram à técnica que atualmente é utilizada pela equipe. Primeiro, observou-se que a pinça hemostática curva tinha a mesma curvatura da cruz posterior da anti-hélice e que, assim, poderia ser utilizada para criar o trajeto de angulação, macerando a cartilagem auricular, para posterior sutura e dobra, formando o novo contorno da cruz posterior das orelhas.

A segunda tática, criada alguns anos depois, veio da observação de um pequeno ponto de quebra da cartilagem auricular, no encontro das duas cruzes da anti-hélice, por onde se introduzia a pinça hemostática. Por se localizar em numa área bem visível, na porção mediana da orelha, a pequena incisão feita com o bisturi neste trecho da cartilagem era o único ponto que se evidenciava como quebra, desde que, ocasionalmente, não mostrasse um contorno natural.

Assim, passou a ser adotado um novo acesso para a criação da cruz posterior dessa estrutura, sendo encoberto pela curvatura da porção superior da hélice. Existem estudos demonstrando que a área com melhor localização para a incisão está no sulco da dobra da anti-hélice, de acordo com os resultados mais estéticos.

Dentre as diversas técnicas de otoplastia para correção do abano, algumas táticas foram propostas com o intuito de sempre alcançar resultados satisfatórios e naturais, mas que também sejam simples, rápidas, de fácil execução e que utilizem instrumentos cirúrgicos habituais1-5. Por meio dessa proposição, observou-se que a otoplastia pode ser realizada em uma média de 45 minutos e, portanto, não alongou a média de tempo de sua execução.

A pinça hemostática não é um instrumento novo e nem de difícil aquisição. Além disso, apresenta uma curvatura bem semelhante àquela da cruz auricular posterior. Esta coincidência agilizou muito o ato cirúrgico, sendo que as modificações realizadas nessa pinça compensaram tanto as diferenças de largura quanto de força de pressão, tornando-se mais homogênea tanto na base quanto na extremidade do instrumento.

A naturalidade é alcançada desde que a cartilagem auricular seja enfraquecida por movimentos de suave pressão, pelo uso da pinça hemostática modificada, não havendo quebra da sua estrutura, como pode acontecer com o uso do bisturi, raspas de cartilagem ou mesmo cureta6. Além disso, a raspagem da cartilagem não aumenta o índice de complicações cirúrgicas, o que torna a técnica segura.

CONCLUSÃO

As táticas propostas pelo estudo para a cirurgia de otoplastia em abano são simples, de fácil realização, agilizaram o tempo operatório e utilizaram materiais simples, de baixo custo e de fácil aquisição. Foram alcançados resultados estéticos satisfatórios sem se observar os estigmas decorrentes da quebra da cartilagem auricular que ocorre em algumas técnicas e que, por vezes, mantêm as frustrações dos pacientes em não poder expor suas orelhas sem se incomodarem com seus desconfortos ou com os olhares curiosos7. Quando comparada a outros estudos, a técnica proposta demonstrou menor índice de recidivas e melhor localização da cicatriz8.

COLABORAÇÕES

ARHA Análise e/ou interpretação dos dados; análise estatística; aprovação final do manuscrito; concepção e desenho do estudo; realização das operações e/ou experimentos; redação do manuscrito ou revisão crítica de seu conteúdo.

LRCI Análise e/ou interpretação dos dados; análise estatística; aprovação final do manuscrito; concepção e desenho do estudo; realização das operações e/ou experimentos; redação do manuscrito ou revisão crítica de seu conteúdo.

MSDP Análise e/ou interpretação dos dados; análise estatística; aprovação final do manuscrito; concepção e desenho do estudo; realização das operações e/ou experimentos; redação do manuscrito ou revisão crítica de seu conteúdo.

AVCM Análise e/ou interpretação dos dados; análise estatística; aprovação final do manuscrito; concepção e desenho do estudo; realização das operações e/ou experimentos; redação do manuscrito ou revisão crítica de seu conteúdo.

REFERÊNCIAS

1. Furnas DW. Otoplasty. In: Grabb WC, Aston SJ, Smith JW, eds. Grabb and Smith’s Plastic Surgery. Philadelphia: Lippincott Raven; 1997.

2. Mustardé JC. The treatment of prominent ears by buried mattress sutures: a ten-year survey. Plast Reconstr Surg. 1967;39(4):382-6. PMID: 5336910 DOI: http://dx.doi.org/10.1097/00006534-196704000-00008

3. Shokrollahi K, Au-Yeung K, Javed M, Sadri A, Molajo A, Lineaweaver W. The discrete scar in prominent ear correction: a digital 3-dimensional analysis to determine the ideal incision for otoplasty. Ann Plast Surg. 2015;74(6):637-8. DOI: http://dx.doi.org/10.1097/SAP.0000000000000421

4. Pitanguy I, Müller P, Piccolo N, Ramalho E, Solinas R. The treatment of prominent ears: a 25-year survey of the island technique. Aesthetic Plast Surg. 1987;11(2):87-93. PMID: 3630840 DOI: http://dx.doi.org/10.1007/BF01575492

5. Stenstrom SJ. A “natural” technique for correction of congenitally prominent ears. Plast Reconstr Surg. 1963;32:509-18.

6. Ruschel FF, Giglio A, Terres M, Weissheimer L, Costa LAL, Ferreira MT, et al. Comparação entre otoplastia com e sem raspagem de cartilagem. ACM Arq Catarin Med. 2007;36(Supl. 1):33-8.

7. Soares PW, Sanches PDC. O uso de condrotripsia na correção da orelha em abano. In: Stocchero IN, Tournieux AB, eds. Atualização em cirurgia Plástica Estética Reconstrutiva. São Paulo: Livraria e Editora Santa Isabel; 1994. p. 255-61.

8. Aki F, Sakae E, Cruz DP, Kamakura L, Ferreira MC. Complicações em Otoplastia: Revisão de 508 Casos. Rev Bras Cir Plást. 2006;21(3):140-4.

1. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, São Paulo, SP, Brasil
2. Hospital Mater Dei, Belo Horizonte, MG, Brasil

Autor correspondente:
Leandro Ramalho Chaves Isobe
Rua Martin Luther King, 783, Jardim Lago Parque
Londrina, PR, Brasil CEP 86015-300
E-mail: leandro_isobe@hotmail.com

Artigo submetido: 1/3/2016.
Artigo aceito: 21/2/2017.
Conflitos de interesse: não há.

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#Un nuevo #marcador sanguíneo del #cáncer de mama puede contribuir al diagnóstico precoz

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Un artículo en Clinical Traslacional Oncology, firmado por investigadores del Servicio de Oncología del Hospital Juan Ramón Jiménez y la Universidad de Huelva, anuncia la identificación de un nuevo marcador sanguíneo que podría ser clave para diagnosticar el cáncer de mama en las fases tempranas de la enfermedad.

Según ha informado la Junta de Andalucía en una nota de prensa, el estudio ha sido codirigido por el jefe de la Unidad de Oncología del Hospital Juan Ramón Jiménez, Juan Bayo, y el doctor en Biología Celular de la Universidad de Huelva, Francisco Navarro, con la participación del facultativo del Servicio de Análisis Clínicos del centro sanitario, Miguel Ángel Castaño.

Asimismo, ha contado con la colaboración de otros profesionales de estos servicios, de la Unidad de Cirugía de Mama del Hospital Juan Ramón Jiménez y la fundación Fabis.

El objetivo de esta investigación ha sido la búsqueda de un marcador sanguíneo que se elevara en las fases precoces del cáncer de mama y sirviera como complemento al programa de detección precoz. Para ello, se ha estudiado la utilidad de un grupo de los marcadores tumorales que se vienen aplicando de manera habitual, así como otros marcadores experimentales menos conocidos. Asimismo, de manera complementaria se ha realizado un estudio epidemiológico de las participantes.

En este estudio han participado un total de 126 mujeres. De ellas, 63 eran pacientes con cáncer de mama precoz, es decir, con tumores localizados incipientes (microscópicos o de pequeño tamaño) sin afectación axilar, de manera previa a su intervención quirúrgica; y otras 63 eran mujeres sanas. A todas ellas se les realizó una analítica de sangre para estudiar los valores que tenían en un total de diez marcadores (siete de ellos rutinarios -de uso común en el estudio del cáncer- y otros 3 experimentales -al no tener aún un uso definido como marcador tumoral-).

En el análisis de los resultados se encontró la existencia de un marcador muy sensible que se elevó en el grupo de pacientes afectadas de cáncer. Este marcador experimental, denominado 8-OHdG, es un derivado del nucleótido guanosina, producido cuando esta molécula es sometida al proceso químico de estrés oxidativo presente en el inicio de la enfermedad a nivel celular.

Se trata de la primera vez que se estudia este marcador en diagnóstico precoz del cáncer de mama. Otras investigaciones realizadas hasta ahora se centraban en fases más avanzadas de la enfermedad, por lo cual, estos resultados abren un nuevo campo de estudios a nivel internacional al ser un factor de riesgo independiente de la enfermedad y las personas con niveles más elevados de este marcador tienen un 1,5 veces más riesgo de padecer un cáncer de mama que aquellas que tienen los valores más bajos.

Además, en esta misma investigación se ha mejorado aún más la capacidad predictiva del cáncer de mama aportada por este marcador en solitario, con el diseño de un modelo matemático compuesto por otros cuatro marcadores, que eleva las posibilidades de la detección hasta alcanzar un potencial diagnóstico del 92%.

Esta fórmula aporta “un excelente resultado” al ser capaz de predecir la existencia de cáncer de mama en un alto porcentaje de las pacientes en la fase precoz, con una seguridad muy elevada. Por tanto, con una simple extracción sanguínea podría conocerse si una paciente con una mamografía sospechosa tiene o no cáncer de mama. Un resultado analítico que serviría para decidir si procede realizar una biopsia quirúrgica confirmatoria del diagnóstico o simplemente un seguimiento radiológico periódico de manera preventiva.

Por otro lado, en el análisis epidemiológico efectuado a todas las mujeres estudiadas, sanas o con enfermedad, resultaron variables de riesgo significativas para la enfermedad, la edad, la menopausia, la falta de ocupación laboral, un elevado de índice de masa corporal y los niveles bajos de vitamina D, coincidiendo con los grandes estudios epidemiológicos publicados hasta ahora en la comunidad científica.

En la actualidad se está diseñando una investigación a mayor escala que permita definir con más exactitud cuáles son los valores de este marcador en mujeres sanas y en mujeres con la enfermedad, que permitiría su utilización en la práctica clínica diaria.

En esta segunda fase confirmatoria se prevé medir el estrés oxidativo y, en concreto, el marcador 8-OHdG en pacientes con cáncer de mama en las distintas situaciones clínicas de la enfermedad, como son, el diagnóstico precoz, el inicio del tratamiento, el período de seguimiento o la enfermedad avanzada.

Asimismo, puede ser el inicio de nuevos estudios en otras patologías oncológicas que compartan historia natural y condiciones clínicas que permitan un diagnóstico precoz como son el cáncer de colon o el cáncer de próstata, también con una elevada incidencia.

#Los LIT CD8+ quizá proporcionen un mejor pronóstico a las pacientes con #carcinomas serosos de ovario de grado alto

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IMPORTANCIA Los linfocitos infiltrantes del tumor (LIT) citotóxicos CD8+ participan en el control inmunitario del cáncer ovárico epitelial; sin embargo, se sabe poco sobre los patrones pronósticos de los LIT CD8+ por histotipo y en relación con otros factores clínicos.

OBJETIVO Definir el papel pronóstico de los LIT CD8+ en el cáncer ovárico epitelial.

DISEÑO, ÁMBITO Y PARTICIPANTES Estudio observacional, prospectivo, de cohortes, multicéntrico, sobre la supervivencia, del Consorcio de Análisis de Tejido Tumoral Ovárico. Se hizo un seguimiento prospectivo de más de 5500 pacientes, 3196 de ellas con carcinomas serosos de ovario de grado alto (CSOGA), durante más de 24 650 años-persona.

EXPOSICIONES Tras el análisis inmunohistoquímico, se identificaron los LIT CD8+dentro de los componentes epiteliales de los islotes tumorales. Se dividió a las pacientes en grupos según el número estimado de LIT CD8+ por campo de gran aumento: negativo (ninguno), bajo (1-2), moderado (3-19) y alto (≥20). Los LIT CD8+ también se evaluaron de forma cuantitativa sin categorizar en un subconjunto de pacientes, y la forma funcional de las asociaciones con la supervivencia se evaluó mediante interpolación con trazadores (B-splines) con penalización.

CRITERIOS DE VALORACIÓN Y VARIABLES PRINCIPALES Tiempo de supervivencia general.

RESULTADOS La muestra final estuvo constituida por 5577 mujeres; la media de edad en el momento del diagnóstico fue de 58,4 años (mediana de 58,2 años). De los 5 histotipos invasivos principales, el mayor grado de infiltración se observó en los CSOGA. Los LIT CD8+ en los CSOGA se asociaron de manera significativa con una mayor supervivencia general; la mediana de la supervivencia fue de 2,8 años en las pacientes sin LIT CD8+, y de 3,0, 3,8 y 5,1 años en las pacientes con un número de LIT CD8+bajo, moderado y alto, respectivamente (P valor para la tendencia = 4,2 × 10−16). También se observó un beneficio en cuanto a la supervivencia en las mujeres con carcinomas endometrioides y mucinosos, pero no en aquellas con otros histotipos. En los CSOGA, los LIT CD8+ fueron favorables independientemente de la extensión de la enfermedad residual después de la citorreducción, del tratamiento de referencia conocido y de las mutaciones patogénicas de BRCA1 en la estirpe germinal, pero no fueron un factor pronóstico en las portadoras de mutaciones del gen BRCA2. La evaluación de los recuentos de LIT CD8+ sin categorizar mostró una forma funcional casi lineal logarítmica.

CONCLUSIONES Y RELEVANCIA Este estudio muestra que la infiltración inmunitaria es específica del histotipo y proporciona datos definitivos que indican una relación dosis-respuesta entre los LIT CD8+ y la supervivencia al CSOGA. El hecho de que el grado de infiltración es un factor pronóstico, y no solo la presencia o ausencia de esta, apunta a que el conocimiento de los factores que promueven la infiltración será la clave para desentrañar la heterogeneidad de los desenlaces en este tipo de cáncer.

#Exercício melhora #lentidão mental experimentada após #cirurgia para câncer de mama

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Kristin Jenkins

Muitas mulheres com câncer de mama apresentam problemas de memória, concentração e processamento de informações que podem persistir por anos após o tratamento, e isso pode potencialmente ter um papel na vida independente.

Agora, um dos primeiros estudos de intervenção randomizados e controlados para avaliação dos efeitos da atividade física de moderada a vigorosa na cognição de uma população com câncer mostra que o aumento da atividade física aeróbica dentro de dois anos da cirurgia triplicou as pontuações de processamento cognitivo em sobreviventes de câncer de mama em testes objetivos e de autopontuação.

A velocidade de processamento, determinada por pontuações na subescala Oral Symbol Digit, mostrou uma melhora diferencial em mulheres no grupo do exercício quando comparadas àquelas no grupo controle (b = 2,01; P < 0,05), disse Sheri J. Hartman, do Moores Cancer Center, da University of California-San Diego, em La Jolla, e colaboradores, em um artigo publicado on-line em 19 de setembro no periódico Cancer. Dentre os nove domínios cognitivos examinados, no entanto, melhorias mais significativas foram observadas apenas na velocidade de processamento no braço do exercício em comparação com o braço controle, apontam os autores do estudo.

“Esse estudo fornece um apoio preliminar para a eficácia do aumento da atividade física para melhora da velocidade de processamento e, potencialmente, da cognição autorrelatada em sobreviventes do câncer de mama”, escrevem.

“Com o crescente interesse em testar o potencial da atividade física na melhora da cognição em sobreviventes do câncer, esse e outros estudos provavelmente contribuem com nossa habilidade de realizar recomendações para o número crescente de sobreviventes do câncer quanto a intervenções efetivas para melhorar a cognição”.

Estudo Memory and Motion

Memory and Motion Study avaliou as pacientes no basal e com 12 semanas. A cognição foi medida objetivamente com a Cognitive Toolbox, dos National Institutes of Health, um conjunto de testes que abrange diversas habilidades cognitivas em subescalas, e subjetivamente através do relato de habilidades e problemas cognitivos pelas pacientes usando as escalas do Patient Reported Outcomes Measurement Information System.

O estudo demonstra uma associação clara entre a quantidade de exercício e o grau de melhora em pontuações cognitivas objetivas e autorrelatadas, destacam os autores. Um aumento de 15 minutos no tempo de exercícios diário resultou em um aumento médio de 3,0 pontos na pontuação de Oral Symbol Digit, assim como uma redução de 10,2 pontos no escore padrão de autoavaliação de problemas cognitivos.

De forma semelhante, um aumento de 30 minutos no tempo de exercícios diário foi associado com um aumento médio de 0,84 pontos na pontuação composta da cognição fluida (capacidade de aprendizado e de processamento em situações novas) e uma média de aumento de 1,3 pontos na avaliação de Picture Sequence. De forma geral, mulheres no programa de intervenção com exercícios, que eram previamente sedentárias, aumentaram o tempo semanal de atividade física em cerca de 100 minutos.

O estudo também demonstrou que a quantidade de tempo decorrido desde a cirurgia tem uma diferença crítica no impacto do exercício na cognição, observam os autores. Mulheres que realizaram a cirurgia menos de dois anos antes da intervenção com exercício apresentaram uma melhora significativamente maior na pontuação de Oral Symbol Digit do que as pacientes controle (exercício vs. controle, b = 4,00; P < 0,01). No entanto, mulheres que foram submetidas a cirurgia há mais de dois anos não apresentaram benefícios cognitivos com o exercício (b = -1,19; P = 0,40).

“Este estudo apoia a ideia de que o exercício pode ser uma forma de ajudar a melhorar a cognição entre as sobreviventes do câncer de mama”, disse Sheri, que é professora-assistente no Departamento de Medicina de Família e Preventiva do Moores Cancer Center, na University of California, San Diego, em uma declaração à imprensa.

“Este é um estudo preliminar, mas parece que a intervenção mais próxima ao diagnóstico pode ser importante para se ter um impacto, e essa é a população que podemos ter como alvo”, acrescentou ela. Ela observou que sobreviventes do câncer de mama geralmente relatam que seus processos de pensamento ficaram mais lentos com o tratamento.

Mesmo para pacientes com câncer de mama que não foram submetidas à quimioterapia, até 75% apresentaram um declínio cognitivo que reduz a velocidade de processamento da informação, assim como memória e concentração. Como existem boas evidências de que o exercício pode melhorar a cognição em adultos mais velhos com câncer, os pesquisadores tinham esperança de que o exercício poderia fazer o mesmo para sobreviventes de câncer de mama, disse Sheri ao Medscape. “Estamos felizes em observar algumas evidências de que fez”, disse ela.

A média de idade das sobreviventes do câncer de mama no estudo foi de 57 anos, e as participantes foram diagnosticadas com câncer de mama em média 2,5 anos antes do recrutamento. As participantes foram predominantemente brancas não-hispânicas e com ensino superior completo; 61% tinham câncer de mama em estágio I, 53% receberam quimioterapia, e 70% estavam recebendo um inibidor de aromatase ou tamoxifeno.

Um total de 43 mulheres foram aleatoriamente alocadas para uma intervenção com um programa de atividade física desenhado de acordo com seus interesses e habilidades específicas; 44 foram alocadas para o grupo controle que recebeu informações por e-mail sobre temas como saúde da mulher, alimentação saudável, redução de estresse e saúde mental geral.

Todas utilizaram um acelerômetro pelos primeiros sete dias do estudo de 12 semanas, e então novamente pelos últimos sete dias. As mulheres no braço do exercício usaram um rastreador de atividade Fitbit One, e foram instruídas a participar de no mínimo 150 minutos de atividade física de moderada a vigorosa por semana. Após analisar os dados sobre o nível de atividade das participantes, os pesquisadores forneceram feedback e apoio às mulheres no grupo do exercício por telefone e por e-mail.

Os médicos podem ter um papel importante ajudando sobreviventes do câncer de mama a melhorar a turvação mental e a cognição ao informá-las sobre os benefícios do exercício, disse Sheri. “Muitas pacientes não sabem que aumentar os níveis de atividade física pode possivelmente ajudar com a lentificação do pensamento que elas experimentam depois do tratamento contra o câncer”, explicou.

Sabendo que ter motivação para fazer exercícios pode ser um problema para todos, tenham câncer ou não, os autores sugerem que, ao oferecer um programa de exercícios com apoio, as sobreviventes de câncer de mama “têm maior probabilidade de fazer as difíceis mudanças comportamentais que levam a um aumento na atividade física”.

O próximo passo em relação à pesquisa será conduzir um estudo mais longo por em um grupo maior e mais diversificado de sobreviventes de câncer de mama, disse Sheri ao Medscape.

“Estamos interessados em avaliar se ser ativo por mais tempo resulta em benefícios para mais áreas da cognição. Também gostaríamos de testar isso com sobreviventes de outros tipos de câncer, para saber se aumentar o exercício poderia ajudar a mais sobreviventes da doença”.

O estudo foi financiado pelo National Cancer Institute dos National Institutes of Health. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Cancer. Publicado em 19 de setembro de 2017. Resumo

#La detección y tratamiento precoz del #edema macular diabético ayudan a reducir el impacto en la visión del paciente

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edema macular

La detección temprana y el tratamiento precoz de edema macular diabético son cruciales para reducir el impacto negativo en la visión de un paciente, pues esta enfermedad puede provocar daños definitivos en la retina o incluso la ceguera durante las primeras etapas.

“Según establecen la sociedades española y europea de retina, aquellos pacientes con un buen control y sin retinopatía diabética deben acudir al oftalmólogo a revisar su visión cada 2 años y los que no tienen buen control o tiene algún grado de retinopatía anualmente. En los pacientes diabéticos tipo 2 estas revisiones deben hacerse desde el diagnóstico y en los de diabetes tipo 1 a partir de los 10 años del diagnóstico”, ha declarado Patricia Udaondo, médico adjunto del Hospital Universitario y Politécnico La Fe de Valencia.

Mañana 12 de octubre se celebra el Día Mundial de la Visión. La Organización Mundial de la Salud ha declarado su objetivo de reducir la discapacidad visual evitable, recordando la importancia de una enfermedad que se considera la principal causa de pérdida de la visión en pacientes con diabetes.

Esta enfermedad, que afecta a más de 400.00 diabéticos en España, es un proceso inflamatorio en el ojo y se complica con frecuencia en pacientes con diabetes. Asimismo, la disminución de la visión central suele ser el primer síntoma que percibe el paciente, pero que termina afectando a la capacidad de las personas a la hora de realizar las tareas cotidianas que dependen de la visión. El 11% de la población diabética desarrolla esta patología visual.

Además de la duración y el control que se tenga de la diabetes, hay otros factores como la edad avanzada, la presión arterial elevada, la displemia o el tabaquismo que también influyen en la aparición de este edema.

En cuanto a los tratamientos, hay algunos que requieren inyecciones mensuales, lo que puede incrementar la carga y la ansiedad para el paciente. De igual modo, hay disponibles otros que prolongan la duración del efecto, entre cuatro y seis meses, lo que permite un menor número de inyecciones y visitas facilitando adherencia al tratamiento de los pacientes.

#Do women make better #surgeons?

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Studies have shown that women and men practise medicine differently, and now new findings suggest that that patients of female surgeons have slightly lower mortality rates.

For the study, published in the BMJ, researchers examined data on 104,630 patients treated by 3,314 surgeons (774 female and 2,540 male) between 2007-2015.

They found that patients treated by female surgeons were slightly less likely to die within 30 days, but there was no significant difference in readmissions or complications. There was also no difference in outcomes by surgeon sex in patients who had emergency surgery and results remained largely unchanged after accounting for additional factors like case mix.

The authors stressed that as the study is observational, no firm conclusions can be drawn about cause and effect, and they cannot rule out the possibility that the lower mortality associated with female surgeons may be due to other unmeasured factors. They said, however, that while the relative difference in mortality is quite modest (4 per cent), it has potentially significant clinical implications. They say further research is needed.

“Our findings have important implications for supporting sex equality and diversity in a traditionally male dominated profession,” they conclude.

#ACOG atualiza recomendações para casos de# hemorragia puerperal

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Troy Brown, RN

O American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) divulgou uma atualização das recomendações para os casos de hemorragia puerperal no fim de setembro. O boletim de prática clínica atualizado pormenoriza a orientação anterior, e inclui as recomendações convencionais do protocolo hospitalar ampliado e as possíveis opções terapêuticas.

O Committee on Practice Bulletins–Obstetrics do ACOG, em colaboração com os Drs. Laurence E. Shields, Dena Goffman e Aaron B. Caughey, publicou a atualização do boletim em 21 de setembro, on-line e na edição de outubro do periódico Obstetrics & Gynecology. A atual versão substitui o boletim de prática clínica publicado em outubro de 2006.

“Pelo fato de a hemorragia ser imprevisível na obstetrícia, porém ser relativamente comum e causar grave morbimortalidade, todos os membros da unidade obstétrica que prestam atendimento obstétrico, como os médicos, os parteiros e os enfermeiros, devem estar preparados para tratar as mulheres que apresentem este quadro”, escrevem os autores.

“Ao implementar protocolos padronizados podemos melhorar os desfechos”, disse o Dr. Aaron Caughey, PhD, coautor do boletim de prática clínica e professor-titular da cátedra de Ginecologia e Obstetrícia da Oregon Health & Science University, em Portland, em um comunicado à imprensa.

“E isso é ainda mais importante para os hospitais rurais, que muitas vezes não têm recursos para tratar uma mulher com indicação de hemotransfusão maciça. Estas instituições precisam ter um plano de resposta a essas emergências obstétricas, o que inclui a triagem e a transferência das pacientes para unidades mais bem equipadas, se necessário”.

“Uma das coisas mais importantes é não subestimar o risco real de hemorragia materna, e tirar proveito da abordagem sistematizada e dos kits de ferramentas disponíveis atualmente, como o kit de ferramentas de melhora da qualidade da abordagem nos casos de hemorragia (The California Maternal Quality Care Collaborative)”, disse ao Medscape o Dr. James Byrne, médico e diretor do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Santa Clara Valley Medical Center, em San José, e professor-afiliado de clínica médica na Stanford University School of Medicine, na Califórnia.

“É muito importante preparar a equipe para identificar as mulheres com fatores de risco de sangramento, monitorar esses fatores de risco durante o trabalho de parto, e a seguir poder agir da forma mais rápida e eficiente possível caso ocorra alguma hemorragia. A prontidão da equipe pode ser aprimorada com treinamentos para casos de emergência e, em particular, por meio do trabalho junto ao hospital, para implementar procedimentos como protocolos de transfusão maciça, e resolver todas as lacunas logísticas antes de precisar utilizar esses protocolos na vida real”, explicou o Dr. Byrne.

De acordo com as novas recomendações, três componentes de conduta ativa na terceira etapa do trabalho de parto podem ajudar a reduzir a incidência da hemorragia puerperal: a administração de ocitocina, a massagem uterina e a tração do cordão umbilical.

No caso da hemorragia puerperal ser causada por atonia uterina, os uterotônicos, que induzem a contração uterina, devem ser o tratamento de primeira-linha.

Quando os uterotônicos não são capazes de controlar o sangramento após o parto, o tratamento deve ser escalonado para incluir medidas como o uso de balões intrauterinos e de ácido tranexâmico. O ácido tranexâmico impede a degradação dos coágulos sanguíneos, e pode ser administrado quando o tratamento inicial falhar; pesquisas descobriram que a administração deste medicamento reduz a mortalidade quando feita nas três primeiras horas após o nascimento.

“Os métodos menos invasivos sempre devem ser usados ​​primeiro”, disse o Dr. Caughey no comunicado à imprensa. “Se esses métodos falharem, então deve-se considerar o uso de intervenções mais agressivas para preservar a vida da mãe”.

Perda de sangue medida, não estimada

O ACOG define a hemorragia puerperal como “perda acumulada de sangue igual a 1.000 mL ou mais, com sinais ou sintomas de hipovolemia nas primeiras 24 horas após o parto (incluindo a perda intrapartum), independentemente da via de parto”. No entanto, “a perda de mais de 500 mL de sangue durante o parto vaginal deve ser considerada anormal, e deve servir como um indicador para o profissional de saúde investigar esse aumento do volume da perda de sangue”, escrevem os autores.

“Na prática da obstetrícia tem havido uma mudança significativa, afastando-nos da avaliação pela perda de sangue estimada para a avaliação pela perda de sangue medida”, disse o Dr. Byrne ao Medscape.

“Existem métodos diferentes para medir a perda de sangue; alguns desses métodos utilizam a pesagem e cilindros graduados. Há também algumas novas tecnologias e aplicativos criados para medir a saturação de sangue contido nas esponjas cirúrgicas. Passar da histórica perda de sangue estimada para realmente medir a perda de sangue é uma parte muito importante de um atendimento mais seguro”, disse o médico.

Quando o sangramento no pós-parto imediato ultrapassar 500 mL no parto vaginal ou 1.000 mL no parto cesáreo, o médico deve realizar uma avaliação clínica completa. “Um rápido exame do corpo e do colo do útero, da vagina, da vulva e do períneo pode, muitas vezes, identificar a etiologia da hemorragia pós-parto (algumas vezes são várias origens). Os obstetras e outros profissionais que atendem em obstetrícia devem estar familiarizados com os algoritmos de diagnóstico e conduta nos casos de hemorragia puerperal e, idealmente, estes algoritmos devem estar visíveis na sala de trabalho de parto e na sala de parto”, explicam os autores.

Sinais e sintomas podem só aparecer depois da perda de uma quantidade importante de sangue

A hemorragia puerperal primária ocorre nas primeiras 24 horas após o nascimento. Suas causas são atonia uterina, lacerações, retenção da placenta, placenta acreta, discrasias sanguíneas (por exemplo, coagulação intravascular disseminada) e inversão uterina.

A hemorragia puerperal secundária ocorre mais de 24 horas e até 12 semanas após o parto. Suas causas são a subinvolução do sítio placentário, retenção de produtos da concepção, infecção e discrasias sanguíneas hereditárias (por exemplo, deficiência de fatores da coagulação como na doença de von Willebrand).

Antigamente, foi sugerida a queda de 10% do hematócrito como marcador alternativo de hemorragia puerperal; “No entanto, a determinação da concentração de hemoglobina ou do hematócrito costuma demorar, pode não refletir o status hematológico atual, e não tem utilidade clínica nos casos de hemorragia puerperal aguda”, escrevem os autores.

Além disso, os sinais e sintomas de perda significativa de sangue geralmente não aparecem nas puérperas até ocorrer a perda de um volume substancial. Por isso, se uma paciente tiver taquicardia e hipotensão, o médico deve suspeitar de “perda de sangue considerável, geralmente representando 25% do volume total de sangue da paciente (ou cerca de 1.500 mL ou mais)“, advertem os autores.

“As mulheres com sangramento contínuo que equivale à perda de 1.500 mL ou mais de sangue, ou as mulheres com alteração dos sinais vitais (taquicardia e hipotensão), devem ser imediatamente preparadas para a hemotransfusão. Visto que a perda de um volume tão grande de sangue implica o esgotamento dos fatores de coagulação, sendo comum que essas pacientes apresentem coagulopatia de consumo, comumente rotulada como coagulação intravascular disseminada, elas precisarão da transfusão de plaquetas e de fatores da coagulação, além dos concentrados de hemácias”, continuam os autores.

“Deve-se particularmente prever níveis criticamente baixos de fibrinogênio nos casos de descolamento da placenta ou embolia por líquido amniótico, e o uso precoce de crioprecipitado costuma ser parte integrante da reanimação”, acrescentam.

Laboratórios de análises clínicas e bancos de sangue desempenham papeis importantes

“A administração do hospital e os serviços laboratoriais precisam realmente participar mais e se tornarem partes interessadas no processo de como alcançar estes objetivos. Isso pode ajudar os médicos a angariar maior apoio dos seus hospitais em comparação ao passado, quando talvez a hemorragia obstétrica não fosse reconhecida como tão importante quanto, por exemplo, os casos de cirurgia torácica”, disse o Dr. Byrne.

“A hemorragia e a morbidade maternas foram acrescentadas a alguns dos indicadores nacionais de qualidade nos EUA, de modo que agora os hospitais deverão informar seu desempenho nestes casos. Dado que a hemorragia é um evento relativamente raro, os hospitais realmente precisam investir na abordagem sistematizada, treinando seus funcionários e trabalhando com seus bancos de sangue e seus laboratórios de análises clínicas na logística, a fim de poder fazê-lo da melhor maneira possível em termos de modernidade”, acrescentou.

Os autores e o Dr. Byrne informaram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Obstet Gynecol. 2017;130:923-925. Resumo