Imunologia

Novas diretrizes do CDC para a realização da sorologia IgM contra o vírus Zika na gestação

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Janis C. Kelly

No início de maio os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) norte-americanos atualizaram as recomendações emitidas em 2016 referentes ao Zika para os médicos que tratam de gestantes assintomáticas com possível exposição ao vírus. A orientação atualizada incorpora novos dados mostrando que a resposta da imunoglobulina M (IgM) contra o vírus pode perdurar por mais de 12 semanas, não sendo, portanto, um sinal confiável de infecção recente. Por outro lado, o resultado positivo do teste de ácido nucleico do vírus Zika (NAT, do inglês Nucleic Acid Test) desaparece com o passar do tempo à medida que os níveis de RNA do vírus diminuem, de modo que o resultado negativo do teste de ácido nucleico não descarta infecção recente.

“Esta mudança está sendo feita porque a orientação dos CDC de testagem do Zika para as gestantes depende, em parte, de um exame imunoenzimático ELISA (dosagem da imunoglobulina M contra o vírus causador da zika) de detecção de anticorpos ou proteínas que o corpo produz para combater a infecção por este vírus”, de acordo com um comunicado à imprensa divulgado pelos CDC. “Novos dados sugerem que a infecção pelo Zika, de modo semelhante a algumas outras infecções por outros flavivírus, pode, em alguns casos, resultar na permanência de anticorpos contra o vírus no corpo durante alguns meses após a infecção. Consequentemente, os resultados destes testes não podem determinar se as mulheres se infectaram antes ou depois de engravidar.

A determinação do momento da infecção é importante porque o risco mais alto para o feto está relacionado com a infecção durante o primeiro trimestre da gestação.

As diretrizes atualizadas alteram as recomendações de testagem das gestantes assintomáticas que possam ter sido expostas ao Zika antes da concepção. As recomendações para testar as gestantes com sintomas sugestivos de infecção por Zika permanecem inalteradas.

“No entanto”, advertem os CDC, “se uma gestante sintomática tiver resultado de IgM positivo e de NAT negativo, e tiver residido em, ou viajado para uma área considerada de risco pelos CDC (Zika Travel Notice ), os profissionais de saúde devem estar cientes de que o resultado positivo da IgM não indica necessariamente infecção recente”.

Cinco etapas para testar gestantes assintomáticas

Os CDC recomendam cinco etapas para a testagem das gestantes assintomáticas com possível exposição ao vírus Zika antes da concepção, incluindo as que viveram na, ou viajam com frequência para (todos os dias ou uma vez por semana) as regiões incluídas nos avisos de viagem dos CDC.

  1. Fazer o rastreamento de todas as gestantes em termos de risco, sintomas e exposição, realizando imediatamente o teste de ácido nucleico para aquelas com sintomas da doença durante a gestação, ou cujo parceiro sexual tenha um resultado positivo para infecção por Zika.
  2. Fazer pelo menos um teste de ácido nucleico para o vírus causador da zika a cada trimestre, a menos que um teste anterior tenha sido positivo.
  3. Se a amniocentese for feita por alguma razão diferente da infecção pelo vírus Zika, considerar também solicitar o teste de ácido nucleico para este vírus nas amostras da amniocentese.
  4. A cada trimestre, orientar as gestantes sobre as limitações dos exames de IgM e do teste de ácido nucleico para a identificação da infecção pelo vírus Zika.
  5. Considerar a realização da sorologia IgM antes da concepção a fim de determinar os níveis iniciais da IgM contra o vírus como parte do aconselhamento anterior à concepção.

A vigência de infecção pelo Zika em uma gestante está associada a aumento do risco para o feto, mas os especialistas dos CDC advertem que as respostas prolongadas da IgM contra o vírus, bem como nas infecções por outros flavivírus, complicam as tentativas de diferenciar as infecções recentes das pregressas nas regiões com transmissão endêmica. O momento da infecção pode ser ainda mais obscuro devido à reação cruzada com outros flavivírus, particularmente o vírus da dengue.

Dados de estudos sobre a infecção pelo vírus causador da zika confirmada por teste de ácido nucleico em pacientes sintomáticos em Porto Rico, onde não existe dengue, encontraram a mediana do tempo até a primeira IgM negativa de 122 dias após o início dos sintomas (intervalo = oito a 210 dias). Os testes teste de ácido nucleico nesses pacientes mostraram a existência de RNA viral em 36% dos pacientes de oito a 15 dias após o início dos sintomas, mas três das cinco gestantes deste estudo tiveram RNA detectável no 46º dia, e uma no 80º dia após o início dos sintomas.

“Nossa orientação faz parte do esforço contínuo de compartilhar dados para ações de saúde pública o mais rápido possível”, disse o Dr. Henry Walke, médico e coordenador ad hoc da iniciativa de resposta ao vírus Zika dos CDC, em um comunicado à imprensa. “À medida que aprendemos mais sobre as limitações dos testes sorológicos, continuaremos atualizando nossas diretrizes para assegurar que os profissionais de saúde tenham as informações mais recentes para aconselhar as pacientes infectadas pelo Zika durante a gestação.

CDC Health Alert Network (HAN) Health Advisory, no. 402. Publicado on-line em 5 de maio de 2017. Diretrizes

HIV: vacinas contra o vírus + Romidepsin podem ser o novo tratamento?

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HIV: vacinas contra o vírus + Romidepsin podem ser o novo tratamento?

Um estudo promovido por um grupo internacional de cientistas está começando a ter resultados positivos contra o HIV. Liderado por Beatriz Mothe, do Instituto de Pesquisa sobre Aids IrisCaixa, de Barcelona, Espanha, o experimento, que aconteceu durante três anos, conseguiu eliminar o vírus do organismo de cinco pacientes infectados recentemente e impedir que ele voltasse a se replicar – pelo menos até o momento. A possível terapêutica substitui os antirretrovirais, utilizado diariamente no tratamento atual, por duas vacinas experimentais contra o HIV associadas ao Romidepsin, droga muito utilizado em tratamentos contra o câncer.

Os pesquisadores realizaram o estudo com 24 pacientes, e divulgaram os resultados na Conferência de Retrovírus e Infecções Oportunistas, no último mês, em Seattle, Estados Unidos. Apesar de ter bons resultados, em dez das 15 pessoas que receberam as vacinas e a droga, o vírus voltou rapidamente. Os motivos ainda estão sendo pesquisados.

Os testes

Os testes começaram com todos os participantes, aplicando duas vacinas experimentais, desenvolvidas por cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, e utilizando as drogas antirretrovirais, que impedem a evolução do HIV. Dois anos depois, 15 dos 24 pacientes receberam mais uma dose de uma das vacinas e três doses de Romidepsin, que, segundo algumas pesquisas, pode impedir que o vírus de esconda em determinadas células e ressurja rapidamente.

Em seguida, essas pessoas tomaram mais uma dose da vacina e pararam de tomar os antirretrovirais. Os dez pacientes que tiveram o retorno do vírus recomeçaram o uso dos antirretrovirais, mas os outros cinco não precisaram. Até o momento de apresentação dos resultados, entre os participantes cujo organismo conseguiu controlar o vírus, um já estava há sete meses sem tomar as medicações, outro há seis, o terceiro há 14 semanas, o quarto há 19 e o quinto há 21 semanas.

As vacinas utilizadas no teste são compostas por genes responsáveis pela produção de proteínas que estão presentes em todas as linhagens do HIV. Quando alguma dessas proteínas chega ao sangue, a defesa do organismo ativa as células-T citotóxicas CD8, que reconhecem, atacam e destroem as células infectadas pelo vírus. Já o Romidepsin, faz com que os vírus escondidos “acordem” para também serem atacados pelas células CD8, impedindo, teoricamente, que ele reapareça.

Referência:

Site Revista Exame. Cientistas dizem ter suprimido HIV do organismo de 5 pessoas. 24 fev, 2017.

 

Vitamin D supplements unlikely to reduce allergy risk

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New findings question previous associations between low Vitamin D and allergies.

Previous studies have suggested that low vitamin D levels are associated with increased risk for asthma, atopic dermatitis and elevated levels of IgE. However, a new study published in  PLOS Medicine , suggests vitamin D supplementation is unlikely to reduce the risk of allergic conditions.

The analysis of 100,000 individuals of European descent found no statistically significant difference between rates of asthma, atopic dermatitis, or IgE levels in people with or without any of the four genetic changes associated with lower levels of 25-hydroxyvitamin D.

“Our findings suggest that previous associations between low vitamin D and atopic disease could be due to spurious associations with other factors,” said Dr. Despoina Manousaki, the lead author. “Efforts to increase vitamin D levels will probably not result in decreased risk of adult and paediatric asthma, atopic dermatitis, or elevated IgE levels.”

The results do not however exclude an association between the outcomes and levels of 1,25-dihydroxyvitamin D, and the authors say more work will be needed to determine if the results hold true in non-European populations and in people with frank vitamin D deficiency.

Filhos de mães com lúpus podem apresentar maior risco de alergias?

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criança assoando o nariz

Filhos de mães com lúpus podem apresentar maior risco de alergias?

Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) têm um sistema imunológico desregulado e podem ser mais suscetíveis a desenvolver condições alérgicas. Evidências sugerem que esse risco potencialmente aumentado de alergias também pode ser passado para os filhos.

Em um grande estudo populacional recente, publicado na Arthritis Care & Research, pesquisadores analisaram se crianças nascidas de mães com LES têm risco aumentado de condições alérgicas em comparação com filhos de mães sem a doença.

Através do registro Offspring of SLE mothers Registry (OSLER), os autores identificaram crianças nascidas de mães com LES e seus controles pareados e condições alérgicas (incluindo asma, rinite alérgica, eczema, urticária, angioedema e anafilaxia), com base em ≥ 1 hospitalização ou ≥ 1 ou 2 visitas ao médico com um código de diagnóstico relevante.

Foram identificadas 509 mulheres com a doença, que tiveram 719 filhos, e 5.825 controles pareados com 8.493 crianças. O seguimento médio foi de 9,1 anos.

Mais crianças nascidas de mães com LES apresentaram evidências de condições alérgicas (43,9%; intervalo de confiança [IC] de 95%: 40,4-47,6 versus 38,1%; [IC] de 95%: 37,0-39,1 no grupo de controle). Na análise multivariada, os indivíduos que nasceram de mães com LES também apresentaram um risco aumentado de condições alérgicas em comparação com seus respectivos controles (odds ratio [OR]: 1,35; [IC] de 95%: 1,13-1,61).

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que as crianças nascidas de mulheres com LES podem ter um risco aumentado de condições alérgicas. A genética, as exposições ambientais compartilhadas, bem como a exposição in utero a autoanticorpos maternos e citocinas podem explicar essa condição.

Referências:

  • Couture, J., Ben-Shoshan, M., Pineau, C. A., Scott, S., Clarke, A. E., Bernatsky, S. and Vinet, E. (2017), Risk of Allergic Conditions in Children Born to Women with Systemic Lupus Erythematosus. Arthritis Care & Research. Accepted Author Manuscript. doi:10.1002/acr.23251