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#Após confirmar #transmissão da #zika por pernilongos, #Fiocruz coletará mosquitos em morros e áreas verticalizadas no Recife

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Ampliação dos estudos visa entender a capacidade vetorial dos mosquitos conhecidos popularmente como muriçocas, acompanhando como a mutação do vírus ocorre dentro do organismo dos insetos.

Diante da constatação de que o pernilongo comum, popularmente conhecido como muriçoca, pode transmitir o vírus da zika, os pesquisadores da Fiocruz Pernambuco responsáveis pelo trabalho pretendem ampliar os estudos e entender a capacidade vetorial dos mosquitos, ou seja, acompanhar como a mutação do vírus ocorre dentro do organismo dos insetos.

A pesquisa em campo, feita inicialmente em áreas de circulação de pessoas com a doença, também será ampliada para detectar a incidência de pernilongos transmissores de zika em cada uma dessas regiões.

“Fizemos a pesquisa inicialmente nas residências das pessoas que tiveram zika e em áreas de grande circulação de pessoas, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Agora pensamos em ampliar os estudos de campo, coletando os mosquitos em regiões de morro, de planície e em áreas verticalizadas no Recife”, relata Constância Ayres, coordenadora da pesquisa.

Descrito em um artigo, o estudo, inédito no mundo e feito por uma equipe integralmente brasileira, foi publicado nesta quarta-feira (9) na revista científica Emerging microbes & infections, do grupo Nature.

“O que a gente não sabe ainda é a importância epidemiológica disso na natureza. Comparado ao Aedes aegypti, o pernilongo é um vetor primário ou secundário do vírus? Precisamos analisar outros aspectos da biologia do mosquito que vão nos responder essa questão”, explica Constância.

Coordenadora da pesquisa, Constância Ayres acredita que o resultado é um alerta para a necessidade de investimentos em saneamento básico.

Entre os meses de fevereiro e maio de 2016, os pesquisadores coletaram mosquitos dos tipos Culex e Aedes aegypti em áreas da Região Metropolitana do Recife (RMR) em que houve circulação de pessoas com zika, como residências e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Após análises laboratoriais, os estudiosos detectaram que o vírus da zika conseguia se replicar nos organismos dos pernilongos de três de 270 grupos do Culex. No caso dos mosquitos da espécie Aedes aegypti, o vírus estava presente em dois de 117 grupos coletados.

Coordenador da equipe de sequenciamento do genoma dos vírus encontrados nos pernilongos, o pesquisador Gabriel Wallau detalha que o material genético encontrado nos mosquitos Culex que circulavam no ‘campo’ é semelhante ao RNA encontrado nos mosquitos infectados em laboratório. “A partir desse sequenciamento, já podemos ter algumas ideias, mas precisamos ter mais dados para saber se o vírus se adaptou ao Culex”, relata.

Apesar de ressaltar que não são todos os pernilongos que podem transmitir o vírus da zika, Constância Ayres alerta para a necessidade de continuar os estudos para, por exemplo, desenvolver vacinas. “O zika veio para mostrar que a gente não sabe de muita coisa. Essa é uma oportunidade de investigar essa doença a fundo”, conta.

Ainda segundo Constância, o resultado da pesquisa também alerta, sobretudo, para a necessidade de investimentos em saneamento básico, já que os pernilongos, ao contrário do Aedes, preferem locais sujos, como esgotos áreas em que há acúmulo de lixo. “Se há condições propícias para o desenvolvimento do mosquito, o impacto [da transmissão da doença] vai ser maior. Evitaríamos tudo isso se tivéssemos saneamento básico adequado”, comenta a pesquisadora.

Com a comprovação de que as muriçocas são capazes de transmitir o vírus da zika, a pesquisadora acredita que a pesquisa pode ajudar a entender o motivo pelo qual os casos de microcefalia no estado foram registrados, em sua maioria, em áreas carentes. “A dengue é uma doença mais ‘democrática’, mas a incidência de microcefalia foi mais comum em áreas mais pobres. Esse resultado pode nos ajudar a entender os motivos disso”, comenta.

O resultado do estudo inspira uma segunda pesquisa da Fiocruz Pernambuco, que está sendo feita em parceria com pesquisadores de Vitória, no Espírito Santo. “Também foram coletadas algumas amostras de Culex que continham o vírus da zika lá, o que pode nos alertar para entender como a doença é transmitida no território nacional”, explica Constância.

Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/virus-da-zika-pode-ser-transmitido-por-pernilongo-comum-revela-pesquisa-da-fiocruz-pe.ghtml

Zika Vírus confirmado também em muriçocas

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O Zika Vírus foi confirmado na glândula salivar e no intestino do mosquito culex, popularmente chamado de muriçoca, as informações da Fiocruz Pernambuco foram apresentadas durante o Workshop ABCDE do Zika Vírus.

Nos estudos divulgados no encontro, a pesquisadora Constância Ayres, da Fiocruz Pernambuco, disse que, em sete dias de alimentação das muriçocas com sangue infectado pelo Zika, o inseto apresentou o vírus com grande carga viral na glândula salivar.

Embora apresente grande carga, a pesquisadora informou ainda que é preciso de mais estudos de campo para confirmar se o vírus na glândula salivar tem competência vetorial para a transmissão.

Para chegar ao resultado, a pesquisadora explicou que a alimentação se deu em laboratório da seguinte forma: o estudo simulou a pele de uma pessoa e, por baixo, colocou sangue de coelho infectado.

Foram 200 culex fabricados em laboratório testados. O estudo ainda verifica se pode ocorrer a transmissão vertical do Zika do culex fêmea para os ovos. Ou seja, se é a muriçoca doente pode gerar filhotes já com o vírus.

Com a confirmação da presença do vírus pela muriçoca, a gerente de Vigilância de Riscos Ambientais da Secretaria Estadual de Saúde (SES), Rosilene Hans, explicou que adaptações e diversas atividades serão feitas.

Ela informou que o Aedes é um mosquito diurno, enquanto o Culex é noturno. Hans disse também que focos de muriçoca são encontrados em canais de esgoto e que estejam com lixo. Já a dengue procura água parada, que pode ter matéria orgânica.

Brasil
Ainda de acordo com os estudos apresentados, o vírus já foi confirmado em 22 estados brasileiros em menos de um ano. Os dados são do Ministério da Saúde, levantados até o dia 5 de fevereiro.

Repercussão
A grande repercussão da matéria, nas redes sociais do Folha PE, levou a Secretaria Estadual de Saúde (SES) emitir uma nota sobre as pesquisas da Fiocruz Pernambuco. A secretaria reafirmou que apoia e acompanha os estudos da instituição, mas que ainda não há evidência científica para confirmar a transmissão do vírus Zika pelo mosquito culex.

Não entenda errado, não é a muriçoca que transmite o Zika vírus e sim que o culex carrega o vírus e que será preciso ainda mais estudos para confirmar a transmissão.