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#Hora de ter aquela conversa! #Sexo e o #paciente com câncer

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SAN DIEGO, Califórnia ― “Então, como está sua vida sexual?” Essa é uma pergunta que um grande número de pacientes com câncer gostaria de ouvir de seus oncologistas, mas, infelizmente, a sexualidade não é um tema que recebe muita atenção.

Um painel de especialistas no Palliative Care in Oncology Symposium (PCOS) 2017 abordou o assunto do sexo e do paciente com câncer, e apresentou dados preliminares demonstrando como intervenções de “baixa tecnologia” podem fazer uma diferença dramática para os pacientes.

A sexualidade é, de certa forma, um tópico tabu em cuidados oncológicos, e talvez até mais em cuidados paliativos, explicou Anne Katz, membro do painel e conselheira de sexualidade certificada pela Cancer Care Manitoba, no Canadá.

“Mas sabemos que isso é importante para os pacientes e para seus parceiros durante a jornada do câncer”.

Ela citou um estudo (Psychooncology, 2011; 21: 594-601) que descobriu que menos da metade (45%) de todos os pacientes com câncer conversou com seu médico sobre sexo. Por tipo de câncer, 21% dos pacientes com câncer de pulmão tiveram tal conversa, assim como 33% dos pacientes com câncer de mama, 41% dos pacientes com câncer colorretal e 80% dos pacientes com câncer de próstata.

Aparentemente, os homens têm a “conversa sobre sexo” muito mais frequentemente do que as mulheres.

De acordo com Anne, “os dados estão completamente distorcidos” pelo câncer de próstata. Mais do dobro do número de homens fala com os seus médicos sobre sexo em comparação com as mulheres.

“Se não falássemos sobre náuseas, se não falássemos sobre constipação, seríamos considerados negligentes, até mesmo incorrendo em erro médico”, ressaltou Anne.

“No entanto, estamos deixando de lado conversas sobre essa importante questão de qualidade de vida, que persiste até nos cuidados paliativos.

“A sexualidade é muito mais do que apenas uma relação sexual. É sobre o toque e a intimidade, e sobre muito mais do que fazemos no quarto”, ela disse.

Um estudo recente (J Cancer Surviv, 2017 Apr; 11: 175-188) mostrou novamente que uma “preponderância” de homens (60%) teve uma conversa sobre sexo com o médico, enquanto que menos da metade de mulheres o fizeram (28%).

No entanto, os profissionais de saúde pensavam que “eles estavam fazendo um bom trabalho”, com quase 90% relatando esse pensamento. “Então, existe uma grande diferença entre quem está dizendo o que e quem está ouvindo o que”, explicou o Anne.

Outro problema é que o paciente com câncer tem probabilidade muito maior de levantar o assunto com seu médico, e não o inverso. Este é um problema, ela ressaltou, “porque em todas as outras áreas, nós levantamos o tópico com nossos pacientes, indicando que é importante. Ao não abrir a porta, ao não iniciar a conversa, estamos dizendo aos nossos pacientes que ‘isso não é importante e eu não quero falar sobre isso'”.

Outra participante do painel, Sharon Bober, fundadora e diretora do Programa de Saúde Sexual do Dana-Farber Cancer Institute, em Boston, Massachusetts, concordou com essas colocações.

“Temos de expandir a nossa perspectiva sobre o que é a sexualidade, no contexto de doenças graves e cuidados paliativos. É muito fácil ser reducionista e pensar se alguns podem ou não podem fazer sexo – não é disso que se trata”.

   Temos de expandir a nossa perspectiva sobre o que é a sexualidade, no contexto de doenças graves e cuidados paliativos. Sharon Bober

A sexualidade, observou ela, é uma experiência humana ao longo de toda vida. É uma experiência multidimensional que envolve fisiologia, comportamento, emoção, cognição e identidade.

“O que podemos observar de alguns trabalhos qualitativos e de pesquisas realizadas até o momento, é que as expressões da sexualidade podem ser um aspecto vital para proporcionar conforto e aliviar o sofrimento, manter conexões diante de doenças que limitam a vida, e afirmar um sentido de si mesmo quando outros papeis estão perdidos”, explicou Sharon.

“Quando a sexualidade não faz parte do cuidado, há uma mensagem implícita de que não é mais importante e/ou os desafios não podem ser abordados”.

Infelizmente, os profissionais frequentemente tomam uma abordagem medicalizada, como foi evidenciado em um estudo (Contemp Nurse, 2007 Dez; 27: 49-60). A sexualidade e a intimidade do paciente eram amplamente medicalizadas; a discussão permaneceu no âmbito de fertilidade do paciente, contracepção e estado erétil ou menopausa, observou Anne.

“Busca-se evitar o tema ativamente”, disse ela. Ela comentou que o “paciente relata o tópico e o oncologista dá três passos para trás e foge pela porta”.

   O oncologista dá três passos para trás e foge pela porta. Anne Katz

Algumas das razões dadas para não discutir a sexualidade foram reações de colegas, medo de litígio e medo de uma má interpretação.

O tópico precisa ser abordado no contexto da qualidade de vida, enfatizou, “mas nós precisamos abrir a porta”.

Há o medo de não saber o que dizer, mas há o “Dr. Google, há livros, há especialistas. E, se você não sabe, vai encontrar recursos para encaminhar os pacientes a eles”, disse Anne. “Temos a responsabilidade de discutir os efeitos colaterais sexuais do tratamento do câncer”.

Muito breve, mas muito eficaz

A função sexual é profundamente alterada pelo tratamento do câncer ginecológico, e 90% das pacientes com câncer de ovário relatam mudanças que geram dificuldades com a função sexual.

“A boa notícia é que as pacientes com câncer de ovário estão vivendo mais, e quase 50% das sobreviventes viverão muitos anos após o diagnóstico”, explicou Sharon.

“Mas, muitas vezes, elas têm de suportar múltiplas cirurgias e vários ciclos de quimioterapia, e a sexualidade e a dificuldade geralmente não são abordadas”.

Ela destacou que, com pacientes com câncer de ovário, “ninguém fala sobre isso. Frequentemente, acredita-se que há problemas maiores para resolver e, de qualquer maneira, pode-se nem sobreviver – existem todos os tipos de razões para que isso não seja abordado”.

Sharon descreveu uma intervenção que eles criaram no Dana Faber para tratar a disfunção sexual em sobreviventes de câncer de ovário. Não só ela era breve, facilmente acessível e “realizável” pelos pacientes, como os resultados finais mostraram que foi bastante eficaz.

O formato foi integrativo. Foi composto de uma única intervenção de meio dia, em grupo, com ensino didático e exercícios como experiência, associados a um plano de ação individualizado. Após a conclusão da sessão, as participantes foram solicitadas a refletir sobre o que era pertinente para elas e em que elas iriam trabalhar nas próximas seis semanas.

A sessão foi seguida por um breve telefonema, no qual o plano de ação foi revisado e foi oferecido apoio adicional, se necessário, para descobrir desafios adicionais que precisavam ser abordados.

Uma vez este foi um estudo-piloto, ele não incluiu um grupo de controle per se, explicou Sharon, mas as participantes serviram como seus próprios controles. Isso foi possível com um período de execução de dois meses, durante o qual as mulheres preencheram pesquisas no início do estudo, e esperaram por dois meses antes de completar a pesquisa uma segunda vez antes de iniciar a intervenção. O objetivo do período de intervalo de dois meses foi estimar mudanças nos sintomas que não poderiam ser atribuídas à intervenção.

O desenho compreendeu três módulos. O módulo 1 foi direcionado à educação sobre saúde sexual, que discutiu saúde vaginal, como aumentar a excitação e aumentar a baixa libido. O módulo 2 envolveu treinamento de conscientização e relaxamento do corpo, no qual as participantes aprenderam sobre o assoalho pélvico, relaxamento muscular progressivo e varredura corporal. O módulo 3 envolveu um treinamento cognitivo baseado em consciência plena (mindfullness), que buscava aumentar a atenção não julgadora de pensamentos automáticos, com progressão de evasão/distração para aceitação.

A coorte incluiu 46 mulheres com câncer de ovário em estágio I a IV que relataram pelo menos um sintoma sexual desconfortável. O tempo médio desde o diagnóstico foi de 6,3 anos (faixa, um a 20 anos).

“Vinte anos é muito tempo para lidar com sintomas sexuais desconfortáveis”, enfatizou Sharon.

Dentro desse grupo, 13% estavam recebendo quimioterapia e 44% estavam em uso de medicação para ansiedade, depressão ou dor.

Ao avaliar o programa, 97% das mulheres o consideraram útil, 100% o consideraram fácil de entender, e 95% o consideraram agradável.

Quanto à ajuda no funcionamento sexual, “não houve mudança durante o período de intervalo, na maioria dos casos, demonstrando que o tempo, isoladamente, não mudou a situação”, disse Sharon. “Mas no mês 2 após as interações, houve melhora significativa em vários domínios da função sexual. Na maior parte, se manteve até seis meses”.

Embora o estudo-piloto não tenha sido focado na saúde mental em si, observou-se significativamente menos dificuldades psicológicas nas participantes, especialmente em relação a sintomas de depressão e angústia.

Foi um pequeno estudo-piloto, enfatizou ela, mas as implicações são que uma breve reabilitação da saúde sexual no contexto de doenças graves é efetiva.

“Houve melhora significativa na função sexual e sofrimento emocional e melhorias aos seis meses”.

Sharon enfatizou que existe uma enorme necessidade de pesquisa para intervenção baseada em evidências, com intervenções conduzidas fora de um centro acadêmico, para alcançar mais pessoas.

“Existe uma necessidade de identificar métodos ideais para a realização”, disse ela. “Na literatura sobre cuidados paliativos, pacientes falam sobre lutar com esta questão dentro de dois a três meses antes de morrer, então não é algo relevante apenas quando se está bem”.

Estudo-piloto em pacientes transplantados

De forma semelhante a outros contextos de oncologia, a disfunção sexual é uma complicação comum em longo prazo para sobreviventes de transplante de células-tronco hematopoiéticas alogênicas (TCH), mas raramente é discutida, e faltam intervenções para melhorar a função sexual nessa população.

A eficácia preliminar de uma intervenção multimodal destinada a melhorar a função sexual em sobreviventes de TCH alogênicas foi muito encorajadora, informou a Dra. Areej El-Jawahri, professora de medicina da Harvard Medical School e diretora do Programa de Sobrevivência do Transplante de Medula Óssea no Massachusetts General Hospital, em Boston.

Dra. Areej e colaboradores realizaram um estudo-piloto para avaliar a viabilidade e a eficácia preliminar da intervenção em uma coorte de 50 pacientes. Os participantes tinham pelo menos três meses de pós-transplante, e tinham sido rastreados como positivos para o desconforto causado pela disfunção sexual.

“É uma faixa etária muito ampla, de 24 a 75 anos”, disse ela. “O tempo mediano do TCH no recrutamento foi de 29 meses, mas também houve uma ampla variação, entre 3 e 173 meses”.

O desfecho primário do estudo foi a viabilidade: 75% dos pacientes rastreados como positivos concordariam em participar e em ir à primeira consulta, e pelo menos 80% participariam de pelo menos duas consultas de intervenção.

A maioria dos pacientes teve leucemia aguda (55%), e quase 64% apresentou doença crônica do enxerto contra o hospedeiro (DECH).

O formato consistiu em consultas de intervenção mensais com clínicos treinados para o estudo. As consultas focaram em avaliação da disfunção sexual, educação e capacitação dos pacientes para abordar o tópico, e implementação de intervenções terapêuticas que tivessem como alvo as necessidades específicas deles.

As escalas Sexual Function and Satisfaction Measure (PROMIS), Functional Assessment of Cancer Therapy-Bone Marrow Transplant (FACT-BMT), e Hospital Anxiety and Depression Scale (HADS), foram usadas para avaliar a função sexual, a qualidade de vida (QV) e o humor no início do estudo e seis meses após a intervenção.

O estudo alcançou o desfecho primário de viabilidade; 94% (47/50) concordaram em participar e 100% desse grupo participaram de pelo menos duas intervenções. O número mediano de consultas foi de duas (intervalo, dois a cinco). A duração mediana da primeira visita foi de 50 minutos; para a segunda consulta, foram 30 minutos. Além disso, 28% (13/47) foram com um parceiro na consulta de intervenção.

Os resultados foram encorajadores, afirmou a Dra. Areej. “A atividade sexual no grupo aumentou”.

Antes da intervenção, 32,6% dos pacientes relataram não ter qualquer atividade sexual; esse número diminuiu para 6,5% após a intervenção.

Nos homens, foram implementadas as seguintes terapias: inibidores de fosfodiesterase (IFD) sob demanda (57%), psicoterapia (52%), anéis de constrição peniana (48%), encaminhamento para clínica de saúde sexual (9%), tratamento diário com IFD (4%), tratamento tópico para a DECH (4%) e terapia de reposição hormonal (4%).

Para as mulheres, as terapias incluíram estrogênio vaginal (67%), dilatador (63%), lubrificante (58%), psicoterapia (42%), tratamento tópico para DECH (42%), lidocaína tópica (8%) e encaminhamento para clínica de saúde sexual (4%).

“Todos os desfechos focam clinicamente e estatisticamente significativos”, disse a Dra. Areej.

Tabela.

Desfechos Pré-intervenção (%) Pós-intervenção (%) Valor de P
Satisfação global com o sexo 16,07 29,70 < 0,0001
Interesse no sexo 10,98 15,39 < 0,0001
Orgasmo 2,19 4,22 < 0,0001
Desconforto vaginal 33,77 14,92 0,0005
Lubrificação vaginal 19,44 34,31 0
Funcionamento erétil 19,58 32,74 < 0,0001

O programa foi eficaz na melhoria da qualidade de vida e do humor.

“Ele tem uma eficácia muito promissora, mas precisamos realizar um ensaio clínico randomizado, e há necessidade de avaliar os resultados em longo prazo”, concluiu a Dra. Areej.

“Também tem potencial para adaptação a sobreviventes de outros tipos de câncer, para que clínicos apliquem esse tipo de intervenção e permitam a disseminação dela”.

O estudo da Dra. Arrej foi financiado pelo National Comprehensive Cancer Network e pela Patty Brisben Foundation. Sharon Bober tem relações com Apexo Neuro; Anne Katz e a Dra. Areej não declararam relações financeiras relevantes.

Palliative Care in Oncology Symposium (PCOS) 2017. Painel e resumo 191 (Dra. Areej El-Jawahri), apresentado em 28 de outubro de 2017.

#Médicos chamam a atenção para o #ganho de peso das #mulheres na meia-idade

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Pam Harrison

Especialistas identificaram a meia-idade como sendo uma época na qual as mulheres têm particular propensão a ganhar peso, e elaboraram uma série de recomendações para ajudar a prevenir e enfrentar o ganho ponderal à medida que as mulheres entram na menopausa.

“Nós diferenciamos esse grupo de pacientes porque elas enfrentam desafios peculiares, como os sinais e sintomas da menopausa, que conspiram contra a adoção de um estilo de vida saudável, bem como a especificidade do ganho de peso, particularmente sua distribuição central”, disse ao Medscape por e-mail a primeira autora da nova revisão, Dra. Ekta Kapoor, endocrinologista da Mayo Clinic em Rochester, Minnesota.

“Ter como meta a modificação dos hábitos de vida a partir da meia-idade ajudará a evitar outras consequências prejudiciais à saúde com o passar dos anos”, acrescentou a pesquisadora em um comunicado divulgado pela instituição, observando que “nunca é tarde demais para começar a fazer escolhas saudáveis em termos de estilo de vida”.

Intitulado “Weight gain in women at midlife: A concise review of the pathophysiology and strategies for management” e destinado aos especialistas em medicina interna e aos médicos da atenção primária, o artigo foi publicado on-line em 1º de outubro de 2017 no periódico Mayo Clinic Proceedings.

Oferecer orientação sempre

A principal recomendação apresentada é a de destacar a importância do rastreamento de rotina da obesidade para as mulheres antes e depois da menopausa.

Se uma mulher tiver um índice de massa corporal (IMC) indicando sobrepeso ou obesidade, os médicos devem oferecer orientações pertinentes sobre o controle de peso — mesmo que a paciente não as solicite.

“Muitas vezes, as pacientes sentem vergonha de falar sobre questões relacionadas ao peso”, explicou a Dra. Ekta. “Porém, quando o médico inicia a conversa de forma compassiva, e demonstra preocupação, as pacientes ficam mais à vontade para falar sobre o assunto”.

Embora isso não esteja disponível em todos os consultórios ou clínicas, Dra. Ekta e colaboradores recomendam que, quando possível, os médicos adotem uma abordagem multidisciplinar para o controle do peso.

Dito isto, os autores ressaltam que os próprios médicos estão capacitados a orientar e a apoiar as pacientes em seus esforços para perder peso, e ajudá-las a estabelecer metas realistas de modo a evitar decepções.

Uma alimentação hipocalórica é o fundamento de qualquer plano de perda ponderal, e as pacientes podem escolher o tipo de dieta de sua preferência, desde que estas promovam um déficit diário entre 500 e 750 calorias.

Em outras palavras, a maioria das mulheres não deve consumir mais de 1.200 a 1.500 calorias por dia para poder perder peso; deste modo, as pacientes podem esperar perder em média, de 0,5 kg a 0,75 kg por semana, observam os autores.

Dieta mediterrânea

Se a mulher achar que consegue seguir a dieta mediterrânea, rica em alimentos vegetais, grãos integrais, oleaginosas e legumes, este tipo de alimentação tem a vantagem de melhorar o perfil de risco de doença cardiovascular (DCV) e, como tal, merece ser especialmente considerado para as pacientes nas categorias de risco, como as mulheres obesas na menopausa, dizem os pesquisadores.

“As pacientes também devem ser incentivadas a usar ferramentas de controle do peso, como aplicativos de contagem de calorias (por exemplo, MyFitnessPal, Lose It!) e recursos on-line (por exemplo, o National Weight Control Registry)”, sugerem os autores.

Naturalmente, a atividade física anda a par e passo com o programa de perda de peso, e as mulheres mais ativas ao entrar na menopausa — ou que aumentam os níveis de atividade física durante ou depois deste período — têm menor propensão ao ganho ponderal do que as mulheres inativas.

As diretrizes recomendam que as pacientes façam entre 150 e 175 minutos de exercícios por semana, podendo ser a caminhada rápida ou alguma outra atividade aeróbica.

“Os exercícios de resistência são particularmente benéficos porque melhoram a quantidade de massa corporal magra, aumentando assim o metabolismo e o gasto energético basais”, indicam os autores.

Da mesma forma, as mulheres que fazem terapia de reposição hormonal (TRH) tendem a ser mais enxutas e ter menos obesidade central.

Consequentemente, se não houver nenhuma contraindicação para a mulher fazer terapia de reposição hormonal, ela pode se beneficiar, especialmente se estiver apresentando fogachos, transtornos do sono ou alterações do humor, que podem interferir nas tentativas de adotar e manter um estilo de vida saudável.

Medicamentos

O grupo da Mayo Clinic também recomenda oferecer às mulheres com índice de massa corporal acima de 30 kg/m2, ou > 27 kg/m2 na presença de alguma comorbidade relacionada com o peso, uma das várias opções terapêuticas disponíveis para auxiliar a promover a perda ponderal.

Os medicamentos aprovados para a perda ponderal são os inibidores do apetite, como a fentermina a a associação de liberação prolongada da fentermina com o topiramato.

Outras substâncias aprovadas para a perda ponderal são a liraglutida, a lorcaserina e a associação de liberação prolongada da naltrexona com a bupropiona.

Os autores advertem, no entanto, que os medicamentos para a perda ponderal geralmente promovem uma perda de 5% a 10% do peso, e deveriam ser recomendados principalmente para as mulheres que estão motivadas a adotar mudanças saudáveis de estilo de vida, mas que não conseguem perder peso, apesar de seus esforços.

Para as mulheres com índice de massa corporal acima de 40 kg/m2 — ou 35 kg/m2 na presença de complicações relacionadas com o peso — há indicação de cirurgia bariátrica e as opções cirúrgicas devem ser discutidas juntamente com outras técnicas bariátricas menos invasivas.

Recuperação do peso é o maior inimigo

No entanto, cerca de metade das pacientes que conseguem perder uma quantidade significativa de peso volta ao peso inicial em três a cinco anos, advertem os autores da Mayo Clinic.

“Portanto, as pacientes precisam ser preparadas e orientadas sobre o platô do peso e o potencial de recuperação após a perda de peso inicial”, recomendam os pesquisadores.

As pessoas com maior probabilidade de manter a perda de peso têm uma boa rede de apoio social, recebem orientação comportamental sistemática e praticam entre 200 e 300 minutos de atividades físicas por semana.

Em contraste, as pacientes que praticam menos atividades físicas, que comem por impulso emocional, e que não contam com suporte social, são mais propensas a recuperar o peso perdido.

“As tentativas de perder peso valem muito a pena — apesar de sabermos que a metade das pacientes vai voltar ao peso inicial em três a cinco anos”, insistiu a Dra. Ekta.

“A manutenção do peso simplesmente exige esforços mais intensos em termos de atenção à alimentação, e uma atenção ainda maior à prática de exercícios do que a necessária para perder o peso inicial”, reafirmou a pesquisadora.

Em média, as mulheres na faixa etária dos 50 e 60 anos ganham cerca de 0,5 kg por ano.

A Dra. Ekta informou não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema. As declarações de conflito de interesse dos coautores estão listadas no artigo.

Mayo Clin Proc. Publicado on-line em 1 de outubro de 2017. Artigo

Sinais e sintomas da menopausa podem ser piores para mulheres obesas

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Lisa Rapaport

(Reuters Health) – Mulheres obesas podem ter sinais e sintomas de menopausa mais graves, como ondas de calor e suores noturnos, do que as mulheres mais magras, sugere um estudo brasileiro.

Os pesquisadores compararam os sinais e sintomas da menopausa em mulheres com peso saudável aos em mulheres com excesso de peso ou obesidade, e descobriram que três sinais e sintomas pioraram progressivamente à medida que o peso destas mulheres aumentou: ondas de calor e sudorese noturna, dores mioarticulares e problemas vesicais.

“A intensidade das ondas de calor aumentou proporcionalmente ao aumento do índice de massa corporal (IMC), e a obesidade teve grande impacto nas atividades diárias, como a interrupção involuntária das tarefas de trabalho e a diminuição do desempenho geral”, afirmou a autora do estudo Dra. Lucia Costa-Paiva, da Universidade de Campinas, em São Paulo.

“Houve também menor nível de atividades de lazer entre estas mulheres”, disse a Dra. Lucia por e-mail. “Assim, isto acrescenta fortes evidências para incentivar as mulheres a perderem peso”.

As mulheres entram na menopausa quando param de menstruar, o que geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos de idade. À medida que os ovários reduzem a produção dos hormônios estrogênio e progesterona, nos anos que antecedem e sucedem a menopausa, as mulheres podem apresentar sinais e sintomas que variam de ressecamento vaginal a alterações do humor, dor articular e insônia.

Pesquisas recentes descobriram que 57% das mulheres entre 40 e 64 de idade em todo o mundo sentem ondas de calor, 60% se queixam de disfunção sexual, 62% têm dor mioarticular e 50% têm problemas de sono, observam os autores do estudo no periódico Menopause.

Os médicos acreditavam há muito tempo que a obesidade poderia proteger contra as ondas de calor porque o tecido adiposo aumenta a reserva de estrogênio do corpo, hormônio que pode ajudar a contornar a gravidade desses sintomas, disse a Dra. Lucia. Porém, o estudo atual baseia-se em pesquisas mais recentes que apontam na direção oposta, sugerindo que a obesidade pode piorar as ondas de calor porque a gordura funciona como um isolante térmico que retém o calor no corpo, disse a pesquisadora.

Com o objetivo de avaliar a relação entre a obesidade e a gravidade dos sinais e sintomas da menopausa, Dra. Lucia e colaboradores examinaram os dados de questionários de 749 mulheres brasileiras entre 45 e 60 anos de idade. As mulheres graduaram os sinais e sintomas de zero (significando nenhum problema) a quatro pontos (significando problemas muito graves). As participantes tinham cerca de 53 anos de idade, em média, e em geral entraram na menopausa por volta dos 47 anos. Enquanto a maioria das mulheres, 68%, estava no período após a menopausa, cerca de 16% ainda não tinham entrado na menopausa, e outras 16% encontravam-se no meio do processo.

O estudo incluiu 288 mulheres com IMC abaixo de 25, que os pesquisadores classificaram como peso normal ou saudável, 255 mulheres acima do peso (com IMC de pelo menos 25 e menor que 30), e 206 mulheres obesas com IMC igual ou maior que 30. Não foi um estudo controlado projetado para provar se ou como a obesidade altera a frequência ou a gravidade dos sinais e sintomas da menopausa. Outra limitação da pesquisa foi o fato dela ter se baseado na exatidão das lembranças das mulheres e no relato delas sobre experiências pretéritas e sinais e sintomas associados, observam os autores.

“Até o momento, não há evidências de que a perda de peso possa reduzir os sinais e sintomas da menopausa, pois ainda não foi feito nenhum ensaio clínico”, disse a Dra. Susan Davis, pesquisadora de saúde da mulher na Monash University, em Melbourne (Austrália), que não participou do estudo .

“Mas nós incentivamos a perda de peso na meia-idade para as mulheres com sobrepeso no intuito de diminuir os riscos de doenças cardiovasculares, diabetes e câncer de mama”, disse a Dra. Susan por e-mail.

As pesquisas que relacionam a obesidade com a piora dos sinais e sintomas da menopausa começaram a surgir há mais de uma década, observou a Dra. Mary Jane Minkin, pesquisadora em saúde reprodutiva da Yale Medical School em New Haven, Connecticut, que também não participou do estudo.

“A teoria é que o calor é gerado por mecanismos centrais, e as mulheres acima do peso têm maior isolamento térmico, de modo que o calor não pode ser dissipado, e elas ficam mais quentes”, disse a Dra. Mary Jane por e-mail.

Perder peso pode ajudar a diminuir as ondas de calor e as dores mioarticulares associadas à menopausa, que podem ser exacerbadas pelos quilos extras, acrescentou a Dra. Mary Jane.

FONTE: http://bit.ly/2rV8pua

Menopause 2017.

Gengivite e perda dentária predizem aumento da mortalidade em mulheres mais velhas: estudo WHI

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Marcia Frellick

BUFFALO, NY — Um grande estudo com mulheres na pós-menopausa sugere que a periodontite e a perda dentária predizem um risco de morte significativamente aumentado, mas não necessariamente um aumento do risco da doença cardiovascular.[1]

O autor principal Dr. Michael J. LaMonte (University at Buffalo, NY) disse ao Medscape que estes resultados, se confirmados em estudos prospectivos, poderiam ter implicações substanciais para a saúde pública de forma que poderiam sustentar uma triagem oral intensiva na meia-idade, especialmente para mulheres.

O rastreio da saúde oral, particularmente, poderia potencialmente se tornar tão importante quanto o colesterol ou a pressão arterial elevada para o prolongamento da vida, disse ele.

Pesquisas prévias haviam sugerido uma conexão entre perda dentária, como marcador para doença periodontal, e um aumento no risco de mortalidade na população em geral. Mas estudar as mulheres em particular foi importante, disse o Dr. LaMonte, porque a menopausa afeta negativamente a saúde oral e porque até 2035, pessoas com 65 anos ou mais vão se tornar um grande grupo etário e “dentre esse grupo, as mulheres superam numericamente os homens em dois para um”.

A informação foi reunida a partir de 57.001 mulheres de 50 a 79 anos que fizeram parte do estudo observacional Women’s Health Initiative (WHI) em 40 centros nos Estados Unidos entre 1993 e 1998.

Metade delas tinha sobrepeso ou obesidade, a maioria era de brancas não hispânicas e tinha ensino superior.

Essa última análise da WHI foi publicada on-line em 29 de março de 2017 no Journal of the American Heart Association.

O tamanho da coorte e a duração do estudo – conduzido ao longo de 6,7 anos – ajudou a superar alguns dos problemas que ocorreram em estudos menores, disse o Dr. LaMonte. Durante o período de seguimento do estudo, ocorreram 3589 eventos incidentes de doença cardiovascular (DCV) e 3816 mortes no total.

“Esse é o maior grupo de mulheres que conhecemos na pós-menopausa e com 55 anos de idade ou mais”, disse ele, “das quais sabemos, com boa documentação, que não tinham doença cardíaca no começo do estudo”.

Nesse estudo comunitário de mulheres idosas, com média de idade de 68 anos, a perda de todos os dentes permanentes previu um aumento de 17% na mortalidade (hazard ratio, HR, de 1,17; IC de 95%, 1,02 – 1,33).

O Dr. LaMonte disse que sua equipe de pesquisa tem a hipótese de que a perda dentária provavelmente reflete mais do que apenas a higiene oral, e que poderia ser influenciada por fatores de saúde como dieta, tabagismo ou outras condições que se acumularam ao longo da vida.

“Nós a vemos como uma medida representativa de saúde global pior do que daquelas que mantiveram os dentes”, disse ele.

O grupo esperava mostrar que uma história de periodontite estava relacionada a apresentar infarto do miocárdio ou acidente vascular encefálico, assim como a um aumento da mortalidade, disse o Dr. LaMonte. No entanto, a doença periodontal não esteve ligada a eventos cardiovasculares, embora tenha sido associada a uma mortalidade total 12% maior (HR de 1,12; IC de 95%, 1,05 – 1,21).

Esse achado é consistente com outros estudos que mediram a doença periodontal ao realizar uma pergunta, disse o Dr. LaMonte. No estudo atual, perguntou-se às mulheres: “Algum profissional de odontologia já disse que você tem doença periodontal ou das gengivas”?

Embora a coorte da WHI seja grande, e tenha havido um longo seguimento, apontam os autores, ter as próprias mulheres relatando a própria história de doença periodontal e perda dentária foi admitidamente uma limitação do estudo.

Outros estudos que mediram a doença periodontal de forma objetiva, por exame, tiveram maior probabilidade de encontrar associações positivas entre doença periodontal e doença cardiovascular, disse o Dr. LaMonte. “Talvez essa medida de saúde oral seja realmente difícil de se avaliar com uma pergunta”.

As duas condições são prevalentes entre idosos – 64% dos adultos americanos com mais de 60 anos têm doença periodontal de moderada a grave e 33% têm perda dentária, de acordo com o relatório.

O Dr. LaMonte explicou que eles avaliaram quatro cenários: perda dentária com doença periodontal; doença periodontal sem perda dentária; perda dentária sem doença periodontal; e ausência de perda dentária e de doença periodontal.

“Quando avaliamos mulheres as duas condições, o risco de morrer era maior do que dos outros grupos”, disse ele. “Isso nos deu alguma noção de que estamos no caminho certo.”

A Women’s Health Initiative é financiada pelo National Heart, Lung, and Blood Institute. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Perda de peso e menos fogachos com novo programa após a menopausa

Postado em

Liam Davenport

Um programa de atividades combinando treinamento com exercícios cardiometabólicos e intervenções psicológicas melhora o condicionamento e a qualidade de vida em mulheres na pós-menopausa, mesmo as previamente sedentárias, de acordo com resultados de um novo estudo randomizado.

Embora existam evidências crescentes sugerindo que um estilo de vida ativo melhora a saúde, a qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS), e o condicionamento físico em mulheres na pós-menopausa, os benefícios nem sempre chegam a ser estatisticamente significativos nos estudos, e os achados têm sido muitas vezes contraditórios.

Agora Débora Godoy-Izquierdo, Departamento de Personalidade, Avaliação e Tratamento Psicológico, da Faculdade de Psicologia, Universidade de Granada (Espanha), e colaboradores, descobriram que uma intervenção elaborada para promover a adesão a intervenções padrão de exercícios levou a melhorias significativas no condicionamento cardiometabólico e na saúde mental, incluindo perda de peso e redução de fogachos.

A equipe diz: “A combinação de um programa de exercícios supervisionado, adaptado e com múltiplos componentes, com educação em saúde e promoção da saúde, aumentou a qualidade de vida relacionada à saúde em mulheres na pós-menopausa, em termos de bem-estar físico, psicossocial e relacionado à menopausa. Além disso, o exercício regular sustentado ofereceu diversos benefícios cardiometabólicos e de condicionamento, principalmente flexibilidade”.

A pesquisa foi publicada on-line em 15 de fevereiro no periódico Menopause.

A Dra. JoAnn Pinkerton, diretora-executiva da North American Menopause Society, que publica o periódico, observou que “evidências crescentes indicam que um estilo de vida ativo com exercícios regulares aumenta a saúde, a qualidade de vida e a forma física em mulheres na pós-menopausa.”

“Resultados documentados mostraram menos fogachos, melhora no humor e que, no geral, as mulheres se sentem melhor, enquanto os riscos à saúde diminuem”, apontou ela em um comunicado à imprensa.

Três sessões de uma hora de exercícios por semana

Os pesquisadores recrutaram 234 mulheres na pós-menopausa na Espanha com idades entre 45 e 64 anos que tinham pelo menos 12 meses da menopausa, e que não haviam usado terapia hormonal nos três meses anteriores.

Entre o grupo estavam 166 mulheres com pelo menos 12 meses de comportamento sedentário, que foram randomizadas para intervenção ou um grupo de controle sedentário, enquanto as 68 restantes que se exercitavam regularmente foram alocadas em um grupo controle ativo.

A intervenção consistiu em programas de exercícios regulares, supervisionados e adaptados, com múltiplos componentes, de três sessões de uma hora por semana em dias alternados, com duração média de 20 semanas.

As sessões incluíram, entre outros elementos, condicionamento cardiorrespiratório aeróbico e treinamento de resistência muscular, e foram complementadas por intervenção psicológica para facilitar a mudança comportamental, juntamente com intervenções de auto planejamento para promover a adesão.

A Escala Cervantes foi utilizada para medir a qualidade de vida relacionada à saúde, com foco em quatro domínios: menopausa e saúde (incluindo os subdomínios sintomas vasomotores, estado geral de saúde e subescalas de envelhecimento e saúde); bem-estar mental; sexualidade; e relacionamentos íntimos.

E vários testes da bateria EUROFIT foram empregados para determinar os níveis de condicionamento, incluindo altura e peso, circunferências abdominal e do quadril, pressão arterial, função cardíaca, força e flexibilidade.

Entre as avaliações inicial e pós-intervenção, as mulheres no grupo de intervenção tiveram uma melhoria significativa nas pontuações gerais de qualidade de vida relacionada à saúde, com uma redução média de 16% (P < 0,001), que foi mantida nos seguimentos com três e 12 meses.

Melhorias no grupo de intervenção foram observadas principalmente nos domínios da menopausa, saúde e bem-estar mental, e nos subdomínios de sintomas vasomotores, estado geral de saúde e envelhecimento e saúde.

Altas taxas de adesão

No início do estudo, os parâmetros cardiometabólicos e de condicionamento eram comparáveis ​​entre o grupo de intervenção e o grupo controle sedentário, com os dois grupos menos aptos que as mulheres no grupo controle ativo.

Durante o seguimento, mulheres no grupo de intervenção tiveram melhorias significativas no estado cardiometabólico e no condicionamento, incluindo medidas de peso, índice de massa corporal (IMC), condicionamento cardiorrespiratório e flexibilidade, de forma que estavam mais próximas do grupo controle ativo no décimo segundo mês de acompanhamento.

“Com cerca de 20 semanas de exercício físico adaptado, regular e supervisionado, é possível alcançar uma redução modesta, mas significativa de peso e IMC em mulheres na pós-menopausa, e essas alterações estão associadas a melhor estado de saúde e reduções na piora da qualidade de vida relacionada à saúde que está associada ao sobrepeso e à obesidade na pós-menopausa”, observam os pesquisadores.

“Nossos resultados indicam que o exercício ajuda as mulheres a tratar os sintomas vasomotores, um dado que não tinha evidências prévias conclusivas”, acrescentam eles.

Observando também que as pesquisas anteriores foram prejudicadas por altas taxas de abandono, a equipe escreve: “No presente estudo, as altas taxas de adesão ao regime de exercícios podem ser parcialmente atribuídas à exaustiva intervenção oferecida a essas participantes, com os objetivos de melhorar a aceitação, e prevenir e lidar com o abandono”.

Eles concluem: “Os resultados demonstram que quando uma intervenção paralela bem elaborada e individualmente adaptada é oferecida aos iniciantes, ela os ajuda a adotar mais facilmente um hábito de exercício, e serve para evitar o sedentarismo e o abandono da atividade física, algo frequentemente observado entre mulheres na pós-menopausa”.

A pesquisa recebeu financiamento do Ministerio de Ciencia e Innovación MICINN IþDþI, e assistência financeira fornecida ao grupo de pesquisa Psicología de la Salud/Medicina Conductual pela Consejería de Innovación, Ciencia y Empresa, Governo da Andaluzia, Espanha. Os autores declaram não possuir conflitos de interesse relevantes.

Menopause. Publicado on-line em 15 de fevereiro de 2017. Resumo

Idade da menopausa é fundamental na avaliação do risco de fratura em mulheres

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osteo789

 

 

Uma nova análise do ensaio clínico Women’s Health Initiative (WHI) mostra que há um risco aumentado de fratura entre as mulheres que relataram menopausa precoce (com 40 anos ou menos), independentemente de terem ou não sido tratadas com terapia de reposição hormonal (TRH) e/ou suplementação de cálcio e vitamina D aos 50 ou 60 anos.

A Dra. Shannon D. Sullivan, da Food and Drug Administration dos EUA em Silver Spring, Maryland, e colaboradores, publicaram seus resultados no periódico Menopause.

Os resultados indicam que os clínicos precisam identificar mulheres com menopausa precoce e iniciar a TRH imediatamente, em vez de esperar até que cheguem aos 50 e 60 anos, disse a Dra. Shannon.

“Nossos dados sugerem que pode ser tarde demais para se alcançar benefícios positivos na densidade mineral óssea (DMO) e no risco de fratura”.

A pesquisadora e seus colaboradores observam que já foi demonstrado no estudo observacional WHI que a menopausa precoce está associada a um maior risco de fratura do que a menopausa a partir dos 50 anos.

Agora, eles mostram que “o efeito da idade da menopausa sobre o risco de fratura não foi alterado por nenhuma das intervenções de tratamento, sugerindo que a idade precoce da menopausa é um contribuinte independente para o risco de fratura na pós-menopausa e deve ser levada em conta ao avaliar o risco global de fratura nesta população.

“Acreditamos ser imperativo que os médicos questionem sobre a história menstrual e reprodutiva de uma mulher, independentemente da idade dela, para garantir que os riscos à saúde associados à menopausa precoce ou outras formas de amenorreia – que resultam em deficiência crônica de estrogênio – sejam monitorados e para que possam ser iniciados os tratamentos adequados e as mudanças necessárias no estilo de vida”, acrescentou a Dra. Shannon.

A Dra. JoAnn Pinkerton, diretora executiva da North American Menopause Society (NAMS), concorda: “Este estudo destaca a necessidade de os profissionais de saúde levarem em consideração a idade da mulher no início da menopausa quando avaliam as pacientes para o risco de fratura”, disse ela em um comunicado à imprensa.

“Mulheres com menopausa precoce devem discutir com seus médicos se são candidatas à terapia hormonal”, acrescenta, observando também que as mulheres em risco de perda óssea precisam de 1200 mg de cálcio ao dia, com vitamina D adequada, e devem ser encorajadas a “obter o máximo possível pela dieta, devido à preocupação de que o excesso de cálcio suplementar possa aumentar as placas ateroscleróticas em mulheres”.

A idade na menopausa é o principal preditor de risco de fratura

Para a nova análise, a Dra. Shannon e colaboradores compararam as hazard ratios (HRs) para qualquer fratura entre mais de 20.000 mulheres na pós-menopausa, saudáveis, com idades entre 50 e 79 anos, inscritas no ensaio clínico WHI, que relataram menopausa não cirúrgica em três pontos de idade: menos de 40 anos; 40 a 49 anos e 50 anos ou mais.

Para esta análise, as mulheres foram combinadas em braços de acordo com o recebimento de apenas TRH, apenas suplementação de cálcio e vitamina D, TRH mais suplementação de cálcio e vitamina D ou placebo.

“Nosso objetivo principal era determinar se a idade da menopausa alterou o risco de fratura entre as mulheres tratadas com TRH, suplementação de cálcio e vitamina D, ou ambos”, afirmam os pesquisadores.

Eles observaram que, no geral, mulheres no grupo placebo (controle) tiveram maior risco de fratura do que aquelas que recebiam tratamento com TRH e/ou cálcio e vitamina D, então o efeito do tratamento como preditor de redução de fraturas foi altamente significativo (p = 0,004).

Mas o tratamento não alterou a relação previamente identificada entre a idade precoce na menopausa e o risco de fratura.

Aproximadamente 20% das mulheres que tiveram menopausa antes dos 40 anos de idade apresentaram uma fratura, independentemente do tratamento de proteção óssea recebido, em comparação com 14% das mulheres tratadas, que viveram a menopausa aos 50 anos ou mais.

Isto se traduziu em uma HR significativamente maior para qualquer fratura em mulheres que relataram menopausa precoce, um risco de 30% a 35% maior, do que para as mulheres que relataram menopausa mais tarde (HR 1,30 e 1,36 para fratura quando a menopausa ocorreu em idade acima de 40 em relação a idade de 40 a 49 e acima de 50, respectivamente).

Foi impossível determinar se a idade da menopausa alterou o risco de algum tipo de fratura em particular, como do punho ou do quadril, observaram os pesquisadores, já que os números absolutos para cada tipo de fratura foram muito pequenos.

Os pesquisadores também não foram capazes de determinar se a causa da fratura foi traumática ou resultante da osteoporose. Como resultado, eles dizem: “Só podemos especular que o aumento do risco de fratura que observamos foi devido a um aumento na prevalência de perda de densidade mineral óssea pós-menopausa”.

As HRs para fratura foram semelhantes com e sem ajuste para uma série de variáveis confusoras, como tabagismo e níveis de atividade, “indicando que a idade da menopausa foi o principal preditor de risco de fratura”, observam eles.

Reconhecer e tratar a menopausa precoce

A Dra. Shannon reiterou ao Medscape que “infelizmente, a história menstrual e reprodutiva da mulher é muitas vezes negligenciada ou ignorada pelas mulheres afetadas e por seus médicos”.

Isso inclui mulheres com formas sindrômicas de menopausa precoce, como insuficiência ovariana primária e síndrome de Turner, observou ela.

“Assim, para muitas mulheres que têm menopausa natural em idades mais jovens do que a média, a história menopausal não é reconhecida e terapias para prevenir a deterioração precoce da DMO, como TRH, ingestão adequada de cálcio e vitamina D e exercícios com carga, não são considerados ou recomendados”.

O programa WHI é financiado pelo National Heart, Lung, and Blood Institute e pelo United States Department of Health and Human Services. Os autores do estudo relataram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

Kristin Jenkins

Menopause. Publicado on-line em 31 de outubro de 2016. Resumo

Síndrome do Ninho Vazio: saiba o que é e como superar!

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Por Vânia B

Este é um texto dedicado a todas as nossas leitoras que são mães e viram seus filhos deixar a casa, depois de anos de dedicação a eles. Sim, este é o fator que caracteriza a chamada síndrome do ninho vazio, quadro depressivo ocasionado pela saída dos filhos de casa, quando eles se tornam independentes e partem para uma nova morada.
Essa é a lei da vida, a evolução natural das coisas. Nossos filhos nascem, crescem, começam a trabalhar, conhecem alguém para compartilhar o futuro e por aí vai… Mesmo assim, para os genitores, principalmente as mães, esta evolução pode não ser tão fácil de assimilar.

Na maioria dos casos, este sentimento é momentâneo. Logo, você entenderá e aceitará a partida dos filhos como uma separação natural. Até porque, nossos filhos precisam “voar com as próprias asas”.

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Com o estabelecimento de uma nova ordem familiar, a sensação de abandono, que pode levar à depressão, tende a passar. Você começará a entender que sua função de mãe mudou. Claro que você continuará a ser a primeira mulher da vida de seu filho, mas agora não é mais a protetora, aquela que cuida intimamente da sua cria.

Caso este quadro depressivo não melhore, você deve procurar ajuda.

Em mulheres na menopausa, a síndrome do ninho vazio pode ser mais acentuada. Isso acontece porque ela sente-se envelhecida, o que afeta sua autoestima. Para superar a síndrome do ninho vazio esteja sempre na companhia da família.

A personalidade também influencia a maneira que a separação é encarada. Mulheres emotivas tendem a sofrer mais. Por isso, nunca sofra sozinha. Compartilhe seus sentimentos com seu companheiro, suas amigas e, até mesmo, um psicólogo.

O motivo da saída é outro fator preponderante para a intensidade do sofrimento. Se o filho deixa a casa dos pais por uma boa causa, como casamento ou faculdade, o processo é menos doloroso.

Agora, se o motivo for derivado de briga ou morte, a dor pode ser mais intensa e duradoura.
Ocupar a mente com tarefas que você goste é uma boa arma contra a síndrome do ninho vazio! Ocupar a mente com tarefas que você goste é uma boa arma contra a síndrome do ninho vazio!

Independente das circunstâncias, há maneiras de preencher este vazio. Programe atividades para o seu dia a dia. Se você trabalha, dedique-se ao seu labor. Se não, procure fazer cursos, oficinas, práticas esportivas, novas amizades…

É fundamental estar sempre na companhia dos amigos e familiares. A família é sua maior aliada. E até mesmo seu filho deve contribuir, consolando os pais, especialmente a mãe, em natural uma inversão de papéis.

De qualquer modo, você deve estar sempre amparada para superar a partida dos filhos!