Journal of Clinical Psychiatry

#Treinamento cerebral por computador melhora a #cognição no #transtorno bipolar

Postado em

Megan Brooks

Em um estudo randomizado e controlado, um programa de treinamento cognitivo feito pelo computador melhorou a função cognitiva em pacientes com transtorno bipolar, e os resultados perduraram além do período do treinamento.

“O comprometimento cognitivo tem uma forte associação com a incapacidade e a má qualidade de vida dos pacientes com transtorno bipolar,” disse ao Medscape a pesquisadora responsável Dra. Kathryn Eve Lewandowski, PhD, psicóloga e diretora de programação clínica do Programa de Esquizofrenia e Transtorno Bipolar no McLean Hospital, em Belmont, Massachusetts.

“Infelizmente, na atualidade não existem tratamentos eficazes e padronizados para os déficits cognitivos dos pacientes, de modo que as opções terapêuticas eficazes são urgentemente necessárias. O treinamento cerebral cognitivo demonstrou eficácia em vários grupos de pacientes, e agora também no transtorno bipolar, o que é encorajador”, disse Kathryn, que também é professora-assistente Departamento de Psiquiatria da Harvard Medical School , em Boston.

O estudo foi publicado on-line em 27 de outubro no periódico Journal of Clinical Psychiatry.

Reforçando as redes neurais

O estudo foi feito com 72 adultos apresentando diagnóstico de transtorno bipolar com psicose (pelos critérios do manual de doenças mentais da sociedade norte-americana de psiquiatria, DSM-IV, do inglês Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, fourth edition). Os pacientes foram designados aleatoriamente para uma intervenção de remediação cognitiva (39 pacientes) realizada por meio de um conjunto de jogos por computador ou de um controle ativo feito por computador (33 pacientes).

O protocolo de remediação cognitiva era o programa Brainworks da PositScience. Este programa contém jogos de “informações de neuroplasticidade” que usam uma abordagem progressiva a partir de elementos individuais até o todo, no intuito de treinar o processamento sensorial durante as primeiras semanas do treinamento. As tarefas de “ordem superior” são acrescentadas à medida que o jogador vai progredindo, observam os pesquisadores.

Os programas se autoajustam de acordo com o desempenho do usuário, de modo a manter os participantes trabalhando com 80% de proficiência. Os jogos contêm atividades auditivas básicas e atividades de percepção visual, tarefas de atenção dividida, jogos de memória e de memória de trabalho, e jogos de resolução de problemas. Os jogadores ganham pontos e recompensas virtuais pelas respostas corretas.

O grupo da remediação cognitiva foi solicitado a fazer os exercícios no computador pelo total de 70 horas ao longo de 24 semanas. O grupo de controle ativo foi convidado a passar a mesma quantidade de tempo fazendo exercícios pelo computador, respondendo a testes, como identificar locais em mapas, resolver problemas básicos de matemática e responder perguntas sobre cultura popular.

Os índices de conclusão da atividade variaram em cada grupo, mas não variaram significativamente entre os grupos. O grupo da remediação cognitiva completou em média 43 horas, e o grupo de controle concluiu em média 48 horas.

Segundo os pesquisadores, a remediação cognitiva mostrou “efeitos de médios a grandes” na velocidade do processamento (d = 0,42), na aprendizagem e na memória visual (d = 0,92), e no composto (d = 0,80). A superioridade da remediação cognitiva sobre o controle em termos de velocidade de processamento (d = 0,65) e do composto (d = 0,83) perdurou seis meses após o término do treinamento, com discreta melhora agregada.

“Nossa conclusão de que a melhora cognitiva perdurou seis meses após o término do treinamento pelo computador corrobora a ideia de que, uma vez que o cérebro aprimora a execução de tarefas cognitivas, tenderá a manter, ou até mesmo a seguir reforçando, estes processos ao longo do tempo”, disse Kathryn.

A remediação cognitiva não foi associada a mudança funcional importante, mas os participantes com melhora cognitiva mais ampla exibiram maior ganho funcional entre toda a amostra.

“Acredita-se que o treinamento cerebral por computador estimule a melhora da cognição pelo uso repetido de atividades cognitivas minuciosamente projetadas para modificar as redes neurais por meio da neuroplasticidade. Com o tempo e as reiteradas tentativas, este treinamento intensivo foi projetado para ativar e fortalecer os sistemas neurais que sustentam os processos cognitivos”, disse Kathryn.

“A replicação das nossas descobertas ajuda a determinar a melhor forma de implementar o treinamento cognitivo na prática clínica, bem como a esclarecer as orientações sobre estratégias de eficazes de frequência e intensidade do treinamento”, acrescentou a pesquisadora.

A autora observou também que os pacientes pareceram gostar do programa de treinamento cerebral. “Em geral, a resposta dos usuários foi positiva, com algumas pessoas tendo referido que se sentiram felizes de ter participado do treinamento, e que gostariam de recomendá-lo para outras pessoas”, disse Kathryn.

Estudo notável, com ressalvas

“Este estudo é novidade, porque, usando um projeto randomizado bem controlado, os pesquisadores descobriram que um programa de remediação cognitiva concebido para ajudar pessoas com esquizofrenia também trouxe benefícios específicos para pessoas com transtorno bipolar (que também apresentavam sintomas psicóticos),” disse ao Medscape o Dr. Michael Thase, médico, professor de psiquiatria e diretor do Programa de Transtornos do Humor da Perelman School of Medicine da University of Pennsylvania, em Pensilvânia, Filadélfia.

A demonstração dos benefícios para os pacientes bipolares “não surpeende — os déficits cognitivos provavelmente resultam de meses ou anos de doença mental grave (incluindo psicose), e não do tipo de transtorno mental, e a aparente persistência da melhora após o término da intervenção formal é digna de nota”, acrescentou o Dr. Thase, que não participou do estudo.

O comentarista também observou que o “rigor do estudo é reforçado pelo uso de um grupo de de controle muito forte, pareado por horas de atividades no computador e credibilidade. Na verdade, os participantes não conseguiriam perceber a diferença entre o programa de remediação cognitiva real e o placebo”.

No entanto, existem várias razões para sermos cautelosos, disse o Dr. Thase.

“O estudo é relativamente pequeno, e a amostra tem um nível mais alto de instrução e capacidade cognitiva do que o que costuma ser visto no público em geral. Poderia-se esperar piores resultados com um grupo de pacientes mais desfavorecidos”, observou Dr. Thase.

“O programa de treinamento é intenso — o plano foi de até 70 horas de treinamento — e as melhoras específicas só começaram a ser observadas na segunda metade do período da intervenção. O participante médio só fez cerca de quatro sétimos da intervenção planejada”.

As diferenças significativas observadas em várias medidas cognitivas não foram associadas a melhora importante da capacidade funcional e da qualidade de vida.

O estudo foi subsidiado pelo National Institute of Mental Health. A PositScience forneceu gratuitamente o programa de treinamento de remediação cognitiva para a pesquisa, mas não teve nenhuma participação no desenho do estudo ou na coleta, na análise e na interpretação dos dados, nem na redação do artigo. Kathryn Eve Lewandowski e o Dr. Michael Thase informaram não possuir conflitos de interesses relevantes ao tema.

J Clin Psychiatry. Publicado on-line em 17 de outubro de 2017. Resumo

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#Privação de sono é um tratamento rápido e efetivo para #depressão

Postado em

Nancy A. Melville

A terapia de privação de sono mostra consistentemente uma redução rápida, embora de curta duração, nos sintomas depressivos em até metade dos pacientes com o transtorno, sugere uma nova meta-análise.

Embora esses efeitos sejam de curta duração, eles são suficientemente intrigantes para continuarem a gerar interesse em como manter a resposta, observam os pesquisadores, liderados por Philip R. Gehrman, University of Pennsylvania, na Filadélfia.

“A disponibilidade de um tratamento antidepressivo que tenha efeitos rápidos em 50% dos pacientes marcaria uma melhora radical na prática clínica, se pudermos encontrar formas de manter os efeitos ao longo do tempo”, escrevem os pesquisadores.

“A curta duração da resposta é uma das razões pelas quais a privação de sono não é rotineiramente usada fora de protocolos de pesquisa”, disse Gehrman ao Medscape.

Os pesquisadores relatam que esta é a primeira análise quantitativa da abordagem terapêutica em mais de uma década.

Os resultados foram publicados on-line em 19 de setembro no Journal of Clinical Psychiatry.

Raramente usada na depressão

Os efeitos antidepressivos potenciais da privação de sono são estudados há tempos, com publicações que comumente mostram taxas de resposta de 40% a 70%. Embora a restrição do sono seja por vezes usada como componente do tratamento da insônia, o uso deste recurso como tratamento para a depressão é raro.

A última análise quantitativa de pesquisas sobre os efeitos antidepressivos da privação de sono data de 1990. Desde então, até 75 novos estudos que avaliam a privação de sono foram publicados, com ampla variação nos desenhos de estudo e nas populações de pacientes.

Para avaliar melhor as evidências desde a última análise, os pesquisadores realizaram uma meta-análise quantitativa de 66 estudos que preenchiam os critérios de inclusão.

De acordo com dados anteriores, os resultados gerais mostram que aproximadamente 50% dos 1593 participantes com depressão demonstraram uma resposta afetiva positiva durante um período de tratamento de 36 horas. A taxa de resposta foi de 45% entre 141 participantes em ensaios clínicos randomizados.

A consistência permaneceu apesar das diferentes definições de resposta. O mais comum foi uma redução de 30% na gravidade da depressão.

O tratamento envolvendo uma noite de privação parcial de sono não foi menos efetivo do que uma noite completa. De acordo com os resultados anteriores, o uso de medicamentos antidepressivos não foi associado com benefício adicional ou eficácia reduzida.

“Embora algumas revisões qualitativas tenham sugerido que a privação de sono possa ser ligeiramente mais efetiva em amostras bipolares, nossos achados indicaram resultados inferiores, mas não significativamente, em pacientes bipolares em relação a pacientes unipolares”, escrevem os autores.

No entanto, eles alertam que esses achados foram inconclusivos.

“Seria incorreto concluir que a privação de sono não é um tratamento eficaz para a depressão bipolar”, observa o autor.

Em geral, os resultados mostram consistência notável de resposta, apesar das numerosas diferenças em variáveis importantes.

“Assim, não importa como a resposta é quantificada, como a privação de sono é aplicada, ou se o paciente tem depressão bipolar ou unipolar, a privação de sono tem uma taxa de resposta quase equivalente”, escrevem os autores.

Mecanismo potencial

Uma abordagem de privação de sono parcial “tardia”, que envolveu privação de sono durante as últimas quatro horas da noite, geralmente é considerada mais eficaz do que a privação “precoce” durante as primeiras quatro horas.

No entanto, a nova análise foi incapaz de comparar as duas abordagens porque 14 dos 15 estudos que utilizam a privação parcial do sono só utilizaram a privação parcial tardia.

Embora a maioria dos estudos sugira que a gravidade da depressão não influencia a resposta, os pesquisadores não conseguiram avaliar essa medida.

Apesar das taxas de resposta consistentes, uma importante ressalva da terapia de privação de sono é a duração muito curta da resposta. A maior parte da melhora geralmente é perdida após a próxima noite de sono, com pesquisas mostrando que 80% dos pacientes que respondem apresentam recaída.

Ainda assim, o benefício estimulou esforços para prolongar de alguma forma a resposta, principalmente com o uso de terapias combinadas.

Gehrman observou que a nova análise excluiu 16 estudos que avaliaram terapias combinadas com a privação de sono, com o objetivo de se concentrar especificamente nos efeitos da privação de sono isoladamente.

“Existem vários estudos não incluídos em nossa meta-análise que combinam privação de sono com outras técnicas chamadas cronoterapêuticas – por exemplo, exposição a luz brilhante ou avanço na fase de sono – em um esforço para prolongar a resposta. E esses estudos demonstraram algum sucesso nesse objetivo”, disse ele.

Uma meta-análise recente da terapia com luz isoladamente, e em combinação com privação de sono, sugeriu eficácia em melhorar a gravidade da doença, particularmente entre pacientes com transtorno bipolar. Outra estratégia estudada foi o uso de privação de sono repetida.

Dos estudos excluídos na análise atual, a maioria incluiu pacientes com transtorno bipolar que foram frequentemente submetidos a repetidas sessões de privação de sono. As taxas de resposta variaram de 45% a 79%, informam os autores.

“Assim, considerados em conjunto, pode ser que os indivíduos com transtorno bipolar tenham maior probabilidade de se beneficiar da privação de sono quando ela é administrada com cronoterapia em uma série de administrações, mas isso não pode ser determinado com base na literatura atualmente disponível”, escrevem eles.

Uma teoria para o mecanismo pelo qual a privação de sono reduz os sintomas depressivos é que os efeitos podem ser provocados por uma “reinicialização” dos ritmos circadianos do corpo, como resultado da transcrição do gene CLOCK, observam os pesquisadores.

Outros estudos sugerem efeitos em regiões específicas do cérebro, como o córtex pré-frontal medial ou córtex do cíngulo anterior, e os sistemas de neurotransmissores. No entanto, a ampla variação nos biomarcadores de estudo e nos métodos de neuroimagem não permite uma análise precisa.

Em última análise, os autores especulam que a resposta consistente de 45% a 50% aponta para fenótipos específicos como preditores prováveis de resposta.

“Não obstante a variabilidade entre os estudos, a estabilidade da taxa de resposta em diferentes décadas e laboratórios sugere que a resposta à privação de sono em indivíduos com depressão pode ser fenotípica, o que não recebeu consideração adequada”, escrevem.

“Para determinar se este é o caso, idealmente, deve-se estudar a privação de sono em indivíduos deprimidos pelo menos duas ou mais vezes, utilizando correlações intraclasse para estabelecer o grau de variabilidade fenotípica (estável no mesmo indivíduo) da resposta”, escrevem os pesquisadores. “Em nosso conhecimento, esse estudo ainda não foi relatado”, acrescentam.

Taxa de recaída diminui entusiasmo

Comentando os resultados para o Medscape, o Dr. Daniel F. Kripke, professor emérito de psiquiatria na University of California, em San Diego, descreveu a análise como um “excelente resumo” da pesquisa de privação de sono para a depressão.

“A conclusão de que a taxa de resposta é de cerca de 50% é consistente com estudos anteriores. Esta é uma taxa de resposta muito grande em comparação com as respostas farmacológicas e de psicoterapia, em relação ao controle placebo, e muito mais rápidas”, disse ele ao Medscape.

“Por outro lado, o fato de que a maioria dos pacientes recai após a noite de sono seguinte diminuiu qualquer entusiasmo entre a maioria dos psiquiatras dos EUA.”

Como observado pelos pesquisadores, Dr. Kripke ressaltou o fato de que a terapia de privação de sono já é praticada como um componente da terapia cognitivo-comportamental da insônia (TCC-I), e foi demonstrado que ela beneficia pacientes com depressão nesse contexto.

“A restrição do sono é um dos elementos mais importantes da TCC-I”, disse ele. “Inicialmente, ela induz alguma redução no tempo total de sono – embora, após várias semanas, o tempo de sono total possa se recuperar ou mesmo melhorar”.

Ele acrescentou que outros estudos de terapia combinada são cruciais para entender todo o potencial da terapia de privação de sono.

“A principal limitação da meta-análise, como muitas meta-análises, é que ela exclui alguns estudos valiosos, particularmente os estudos sobre o uso de luz brilhante e métodos cronobiológicos para manter as respostas”, disse o Dr. Kripke.

Um estudo recente, que foi o foco de um editorial de autoria do Dr. Kripke, mostrou melhoras significativas nos sintomas depressivos quando a terapia com luz foi combinada com o antidepressivo venlafaxina. Os efeitos de uma semana de terapia com luz persistiram durante oito semanas.

Ele observou que vários autores do estudo recomendaram explorar uma abordagem de “terapia tripla” que também incorpora restrição de sono.

“Certamente, os estudos recentes de esforços para sustentar a resposta com luz brilhante e intervenções cronobiológicas são excepcionalmente encorajadores, e parecem indicar que as respostas rápidas e valiosas podem ser mantidas com simples adições à privação de sono. Isso é o que é importante na pesquisa atual”. No entanto, é necessário muito mais trabalho, disse ele.

“Faltam na literatura científica ensaios comparativos adequados que mostram se uma única noite de privação parcial ou completa acrescenta ao tratamento leve após um acompanhamento de oito semanas, ou 16 semanas, ou mais; se a alteração de fase circadiana acrescenta à luz; e se a combinação tripla é melhor do que combinações de dois desses tratamentos”, disse o Dr. Kripke.

O estudo foi financiado por verbas de: National Institutes of Health, National Aeronautics and Space Administration, National Heart, Lung, and Brain Institute, National Institute on Drug Abuse, Office of Naval Research, National Space Biomedical Research Institute, Merck e Philips Healthcare/Respironics. Os autores do estudo e o Dr. Kripke declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

J Clin Psychiatry. Publicado on-line em 19 de setembro de 2017. Resumo

# Insônia e #pesadelos são fatores de risco para # comportamento suicida

Postado em

Batya Swift Yasgur

Transtornos do sono são preditivos de ideação suicida aguda em adultos jovens, de forma independente da gravidade da depressão, e podem ser considerados sinais de alerta agudos, mostra uma nova pesquisa.

Um estudo em larga escala conduzido por pesquisadores da Stanford University School of Medicine,na Califórnia, mostrou que o autorrelato de insônia e pesadelos, e a variabilidade do sono avaliada por actigrafia, emergiram como sinais de alerta agudos para ideação suicida.

“O sono é um barômetro de nosso bem-estar e tem impacto direto em como nos sentimos no dia seguinte”, disse a pesquisadora principal Rebecca Bernert ao Medscape.

“Acreditamos que um sono ruim pode falhar em promover um descanso emocional durante períodos de estresse, impactando em como regulamos nosso humor e, portanto, reduzindo o limiar de comportamentos suicidas”, disse ela.

Uma equipe de pesquisadores observou quase 5000 adultos jovens com idades de 18 a 23 anos, incluindo 50 que haviam sido pré-triados com base em história de tentativa de suicídio e ideação suicida recente, em três momentos durante um período de 21 dias.

O estudo foi publicado on-line em 28 de junho no Journal of Clinical Psychiatry.

Maior sinal de alerta

A idade adulta jovem é caracterizada por “uma prevalência compartilhada de distúrbio do sono e risco de suicídio”, observam os autores. Transtornos do sono têm sido reconhecidos como “dentre os maiores sinais de alerta do suicídio”. Adicionalmente, “pesquisas preliminares sugerem que eles podem conferir risco para comportamentos suicidas”, escrevem os autores.

No entanto, estudos prévios que avaliaram essa associação foram prejudicados por “limitações metodológicas”, incluindo dependência de queixas subjetivas, como autorrelato de insônia, fadiga e qualidade do sono ruim subjetiva como fatores de risco para suicídio.

“Embora as queixas do sono anteriormente pesquisadas tenham sido avaliadas previamente como um fator de risco, ainda era preciso um estudo para investigar o sono perturbado como um indicador de risco agudo, usando um índice objetivo de sono entre adultos jovens”, comentou Rebecca.

Para este estudo os pesquisadores utilizaram um desenho longitudinal, e aplicaram medidas de sintomas validadas e um período de tempo agudo, para “avaliar se essa relação emerge com o uso de medidas de sono objetivas e subjetivas”.

Para fornecer uma avaliação contínua, eles utilizaram o exame de actigrafia do sono, cujo dispositivo foi usado pelos participantes por uma semana. A actigrafia já foi validada como uma forma precisa de distinção entre padrões de sono-despertar. Além disso, eles exploraram se uma “variação de humor intraindividual” esteve associada com ideação suicida e parâmetros do sono.

Os pesquisadores recrutaram participantes (n = 4897) de uma população de pesquisa de universitários que estavam em triagem por terem sido considerados de alto risco para suicídio.

Os participantes precisavam ter 18 anos ou mais e ter uma história de uma ou mais tentativas de suicídio no passado e ideação suicida recente (≤ 6meses), ou ausência se história passada de tentativa de suicídio, mas uma história atual (≤ 1 mês) e recente (≤ 6 meses) de ideação suicida.

Os pesquisadores avaliaram o risco de suicídio com base na Beck Scale for Suicidal Ideation (BSS) e na Pierce Suicidal Intent Scale (SIS).

A actigrafia do sono forneceu uma medida objetiva do sono. As variáveis derivadas incluíram latência do sono, tempo total adormecido, despertar após início do sono, eficiência do sono e variabilidade do sono (desvios padrão para início e término do sono diários).

Os pesquisadores incluíram variáveis adicionais, como tempo médio na cama e tempo de despertar, quantidade de tempo na cama (independentemente do tempo adormecido) e frequência de intervalos de cochilos e sono. Os dados de actigrafia do sono foram registrados por um período de sete dias para cada participante.

Além dessa medida objetiva, os pesquisadores utilizaram instrumentos subjetivos de sono, incluindo o Insomnia Severity Index (ISI), que descreveram como “o instrumento de insônia padrão-ouro”. Eles também usaram as escalas Disturbing Dreams and Nightmare Severity Index (DDNSI) e a Visual Analog Scale Mood Variability (VAS-MV).

As covariáveis de depressão e problemas relacionados ao álcool e dependência foram avaliadas com o Beck Depression Inventory-II (BDI-II) e o Alcohol Use Disorders Identification Test (AUDIT), respectivamente.

Variabilidade do sono, alterações de humor

Os pacientes foram avaliados no basal, e com sete e 21 dias. Os pesquisadores usaram análises de regressão múltipla hierárquica para testar as hipóteses. Eles avaliaram o risco causal e ordenamento temporal ao analisar longitudinalmente relações entre os sintomas, com ajustes para sintomas basais em cada modelo.

Os pesquisadores descobriram que problemas relacionados ao álcool e sintomas depressivos “moderados a graves” eram “comuns” entre os participantes. Pontuações médias na BSS indicaram sintomas moderados de suicídio, com as pontuações máximas no intervalo grave para ideação suicida.

Houve uma elevada aderência no registro de diários de sono e no uso de actigrafia. Trabalho em regime de plantão, assim como períodos acordados prolongados, pareceram estar associados com maior variabilidade do sono, determinada com base na métrica média da actigrafia e suas interconexões.

Dos 50 pacientes, 96% (n = 48) apresentavam uma história de tentativas de suicídio e exibiam objetivamente parâmetros de sono alterados, medidos pela actigrafia.

Medidas subjetivas mostraram que 78% (n = 39) apresentavam insônia clinicamente significativa, e 36% (n = 18) relataram pesadelos clinicamente significativos. Os pesquisadores descobriram que a variabilidade no tempo de sono, insônia e pesadelos previram aumentos na ideação suicida (P < 0,05).

Mesmo quando controlando para sintomas basais de suicídio e depressão, os pesquisadores mostraram que os parâmetros subjetivos, e da actigrafia, previram alterações residuais nas pontuações de ideação suicida nos dois momentos de seguimento (P < 0,001).

Análises post hoc revelaram que a maior variabilidade no sono e menor variabilidade no tempo total de sono foram preditores significativos de mudanças nas medidas da BSS com sete dias (P ≤ 0,02). Intercorrelações significativas foram observadas para variabilidade do sono com sete dias nas pontuações ISI (r = 0,35; P = 0,02) e DDNSI (r = 0,02; P = 0,04).

Em um teste de fatores de risco concorrentes, a variabilidade no sono foi mais preditiva de ideação suicida do que os sintomas depressivos na predição longitudinal de ideação suicida ao longo do tempo (P < 0,05).

A variabilidade no sono e a escala VAS-VM previram de forma significativa a mudança nos sintomas da BSS no seguimento de sete dias, com a variabilidade no sono e a VAS-VM correspondendo por “maior variância única na predição da mudança nos sintomas da BSS, comparado com a BDI-II”, relatam os pesquisadores.

“Insônia, pesadelos e variabilidade de sono estiveram altamente correlacionadas, e a variabilidade do humor serviu como um sinal de alerta adicional para sintomas de suicídio, ao lado dos distúrbios do sono”, disse Rebecca.

“Insônia e pesadelos produziram uma maior variabilidade no momento no qual somos capazes de pegar no sono nas noites subsequentes, o que fala um pouco sobre a forma como a insônia se desenvolve”, acrescentou.

Oportunidade para prevenção do suicídio

Comentando o estudo para o Medscape, Maria Wong, professora do Departamento de Psicologia, Idaho State University, em Pocatello, considerou esse “um estudo muito valioso, ligando a medida objetiva de parâmetros do sono a mudanças nos sintomas de suicídio”.

“Pesquisas prévias, incluindo a minha própria, mostraram que o autorrelato de problemas de sono prediziam a ideação e as tentativas de suicídio. Esse estudo mostrou que a variabilidade do sono objetivamente relatada previu os sintomas de suicídio de forma prospectiva”, disse Maria, que não esteve envolvida no estudo.

Uma fraqueza do estudo é que o tamanho da amostra foi pequeno e que, portanto, o estudo teve “baixo poder estatístico”, apontou ela. “Além disso, apenas a variabilidade do sono foi preditiva do desfecho”.

Mesmo assim, o estudo traz mensagens de rápida aplicação. “Os médicos deveriam avaliar os sintomas de insônia, variabilidade no tempo de sono, e outros parâmetros quando trabalharem com pacientes suicidas”, disse ela. “Eles deveriam discutir hábitos de sono com esses pacientes, e, se necessário, prescrever medicações para ajudá-los a dormirem melhor”.

Adicionalmente, “psiquiatras deveriam questionar pacientes com distúrbios do sono sobre possíveis pensamentos suicidas”.

Rebecca observou que “tratamentos testados para tentativas de suicídio são escassos em comparação com a necessidade, e permanecem incompatíveis com a natureza aguda da crise suicida”.

Em comparação com outros fatores de risco para suicídio, “o transtorno de sono é modificável, não estigmatizante, e altamente tratável com intervenções breves e de ação rápida”, apontou ela.

“Dessa forma, acreditamos que o estudo do sono possa representar uma oportunidade importante para intervenção e prevenção do suicídio, que é prevenível, mas permanece um assassino silencioso e uma importante doença global, destacando a necessidade de novos tratamentos e estratégias de intervenção”.

Ela recomendou a American Academy of Sleep Medicine e a National Sleep Foundation como “recursos excelentes” para o auxílio de médicos que tratam pacientes com transtornos do sono.

A pesquisa foi financiada pela John Simon Guggenheim Foundation e pelos National Institutes of Health. O Departamento de Psiquiatria e Ciências Comportamentais, Stanford University, também apoiou o trabalho. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

J Clin Psychiatry. Publicado on-line em 28 de junho de 2017. Resumo

El trastorno explosivo intermitente, vinculado con mayor riesgo de abuso de sustancias (J Clin Psychiatry)

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No es un trastorno conductual, sino neurobiológico.

Las personas con trastorno explosivo intermitente (TEI) -un trastorno marcado por frecuentes estallidos físicos o verbales– tienen un riesgo cinco veces mayor de abusar de sustancias como el alcohol, el tabaco y la marihuana que aquellas que no muestran un comportamiento agresivo frecuente, según concluye un nuevo estudio realizado por investigadores de la University of Chicago, en Estados Unidos.

En el estudio, publicado en “Journal of Clinical Psychiatry”, Emil Coccaro y colegas analizaron datos de más de 9.200 personas inscritas en la National Comorbidity Survey, una encuesta nacional de salud mental en Estados Unidos. Encontraron que a medida que aumentaba la gravedad del comportamiento agresivo, también se incrementaban los niveles de consumo diario y semanal de sustancias.

Los hallazgos sugieren que un historial de conducta agresiva frecuente es un factor de riesgo para el abuso posterior de sustancias y que un tratamiento eficaz para la agresividad podría retrasar o incluso prevenir el abuso de sustancias en los jóvenes.

El TEI afecta a 16 millones de estadounidenses, más que el trastorno bipolar y la esquizofrenia combinados. A menudo se diagnostica primero en adolescentes, algunos de ellos con tan sólo 11 años, antes de que se desarrollen los problemas de abuso de sustancias. Se cree que el TEI tiene un componente genético significativo, aunque Coccaro señala que se tiende a tratar como un problema social-conductual en lugar de como un verdadero trastorno neurobiológico.

“La gente no lo ve como un problema médico, piensa que es simplemente un mal comportamiento que han desarrollado a lo largo de sus vidas, pero no lo es, tiene una biología y una neurociencia importantes detrás”, afirma Coccaro, profesora de Psiquiatría y Neurociencia del Comportamiento en la University of Chicago.

Investigaciones anteriores han señalado que el comportamiento agresivo en TEI se debe a la presencia de otros trastornos psiquiátricos, como la ansiedad o la depresión. Pero este nuevo trabajo no encontró tal relación. Aunque el abuso de sustancias, como el consumo excesivo de alcohol, puede claramente empeorar el comportamiento agresivo, la aparición de TEI casi siempre precede al desarrollo del abuso crónico de sustancias.

Coccaro y su equipo encontraron que el TEI precedió al abuso de sustancias en el 92,5% de los casos en los que los sujetos desarrollaron ambos trastornos. Esta experta señala a la intervención psicológica temprana, la medicación y la terapia cognitiva como los tratamientos más efectivos para prevenir, o al menos retrasar, los problemas de abuso de sustancias en adolescentes diagnosticados con TEI.

“Lo que realmente se está tratando es la desregulación emocional que conduce a la agresión”, explica Coccaro. “Cuanto antes se trate esta desregulación, es más probable que se compensen otros trastornos que vendrán más adelante en el camino”, concluye esta investigadora.

Yoga breathing alleviates severe treatment-refractory depression

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Sudarshan Kriya yoga breathing incorporates a series of slow and calm breaths alternated with fast and stimulating breaths.

A breathing-based meditation practice known as Sudarshan Kriya yoga can alleviate severe depression in people who do not fully respond to antidepressants, reports a new study published in the Journal of Clinical Psychiatry .

The study found significant improvement in symptoms of depression and anxiety in medicated patients with major depressive disorder (MDD) who used the breathing technique as adjuvant therapy compared to medicated patients who did not.

With a mean baseline Hamilton Depression Rating Scale (HDRS) score of 22.0, patients who participated in a two-month Sudarshan Kriya programme improved scores by 10.27 points on average compared to no improvement in the control group. Patients in the yoga group also showed significant reductions in self-reported Beck Depression (15.48-point improvement) and Beck Anxiety Inventories (5.19-point improvement).

“With such a large portion of patients who do not fully respond to antidepressants, it’s important we find new avenues that work best for each person to beat their depression,” said lead author, Anup Sharma from the department of psychiatry at the University of Pennsylvania in the US. “Here, we have a promising, lower-cost therapy that could potentially serve as an effective, non-drug approach for patients battling this disease.”