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A Pedagogia Montessori

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Sylvia de Sousa Guarda

Psicóloga Clínica | Psicóloga Educacional | Formadora

 

 

 

 

Sou licenciada em Psicologia, com experiência no trabalho com crianças e as suas famílias, em contexto clínico. No meu trabalho, os problemas relacionados com o desenvolvimento infantil e a aprendizagem escolar foram sempre os que me despertaram mais interesse.

 

Sou mãe de três crianças, cada uma delas um desafio diferente.

 

A observação do comportamento e do desenvolvimento do meu filho do meio, hoje com seis anos de idade, e a consciência de que não se enquadraria no ensino tradicional, levou-me à necessidade de explorar outras abordagens educativas. Com a aproximação da idade escolar urgia encontrar uma escola à medida daquele espírito curioso, espontâneo, e sensível, e aquele corpo irrequieto. Tinha de encontrar uma escola que respeitasse o ritmo de aprendizagem dele, muito perspicaz com os números mas trapalhão com as letras.

 

Uma mudança de país, e uma vida nova no Sul de França, acabou por dar o mote a uma nova aventura: a descoberta de uma Escola Montessori.

 

Uma pedagogia que respeita o ritmo de cada criança, em que a criança escolhe as suas actividades, e não age por acaso. É fomentada a liberdade de escolha, ou seja, a criança é livre para fazer as suas próprias escolhas, move-se com um entusiasmo que a leva a procurar os objectos que se relacionam com a sua actividade. Isso não significa que não existem regras. A liberdade de escolha cria na criança a capacidade de escolher a coisa certa a fazer, ou seja, decidir o que fazer para dar resposta às suas próprias necessidades, dando assim um passo importante no seu processo de crescimento.

 

Uma pedagogia que utiliza material específico, rigorosamente concebido em termos de quantidade e de qualidade, e cujos efeitos nas aprendizagens das crianças são evidentes. Existem quatro tipos de materiais, de vida prática, sensorial, de linguagem e de matemática, que trabalham a concentração, a autonomia, e a auto confiança da criança.

 

Educadores atentos a cada criança individualmente, que com uma atitude paciente, são uma grande ajuda no reforço da auto estima e auto confiança da criança. Observando cada criança, é-lhes possível situar cada criança na fase de desenvolvimento em que se encontra para assim conseguir a acompanhar e estimular de uma forma mais efectiva em cada momento chave do seu desenvolvimento.

 

Uma pedagogia que cuida das emoções, onde os educadores têm formação em Comunicação Não Violenta. As crianças desde cedo adquirem um vocabulário emocional rico e diversificado. Aprendem a ouvir as suas emoções e a identificar as suas necessidades. Os educadores criam e utilizam ferramentas pedagógicas de gestão emocional que utilizam nas suas salas. O grande objetivo é promover a educação para a paz, tão essencial para a fundadora da metodologia, Maria Montessori.

 

Uma pedagogia virada para a natureza e o respeito pelo ambiente. A escola é um lugar propício para a aprendizagem do respeito em todas as suas formas: o respeito pelo outro, mas também o respeito pelo nosso ambiente. A escola dá uma grande importância à natureza: cuidar das plantas, das flores, da horta, descobrir e explorar o espaço à volta da escola, cuidar dos animais,… São criados momentos preciosos de compreensão da natureza, das estações, do crescimento,…

 

Mas afinal, o método Montessori é uma pedagogia? Ou é uma filosofia sobre a educação?

 

O método Montessori é uma teoria, que se traduz numa filosofia sobre a educação, e que tem uma aplicação prática na pedagogia quando é aplicada numa organização, leia-se escola.

 

Maria Montessori foi uma pedagoga, mais teórica do que prática. Era uma mulher muito crente, e a sua pedagogia, considerada como uma ciência da observação, reflete também as suas crenças religiosas. Em suma, trata-se de uma pedagogia, com bases científicas, e  apoiada nas leis de desenvolvimento natural da criança, tanto do ponto de vista fisiológico como psicológico.

 

A pedagogia Montessori não pode, de forma nenhuma, resumir-se à prática e ao conhecimento dos seus materiais específicos. Não pode também ser reduzida à leitura de um livro que se tome como referência para aplicar na prática, nem a uma lista de atividades que a criança deve saber fazer numa determinada idade. Não é de todo uma metodologia “pronta a usar”.

 

Para compreender os fundamentos da metodologia Montessori, é necessário antes de mais preparar-se a si mesmo, enquanto adulto-educador. Maria Montessori dizia que O primeiro passo para resolver o problema da educação não pode ser dado em direção à criança, mas sim em direção ao educador: é necessário dar clareza à sua consciência e liberta-lo de um certo número de preconceitos, para então compreender que a criança não é um vaso vazio que devemos encher, mas sim uma fonte que brota.

 

O método Montessori é afinal uma visão sobre a criança! Trata-se de uma reflexão sobre a nossa visão da criança na sociedade, na família e no mundo. É uma visão global do Homem e da sua projeção no futuro.

 

Para todos nós, que somos adultos-educadores, trata-se de um convite para evoluirmos e mudarmos a nossa forma de nos relacionarmos com as crianças (relação essa ainda muito ligada ao esquema de castigos/recompensas). É necessário deixarmo-nos guiar pelas necessidades da criança para a podermos ajudar a libertar o seu potencial.

 

Não eduquemos as nossas crianças para o mundo de hoje. Este mundo não existirá quando eles forem grandes. E nada nos permite saber como será o mundo deles: ensinemos-lhes antes a adaptarem-se.

 

Maria Montessori (1870-1952)

O que suas postagens nas redes sociais revelam sobre suas emoções

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Por Bianca Nogrady
A verdade é que nossas atividades nas redes sociais podem oferecer um retrato fiel – e muitas vezes não intencional – de nosso bem-estar mental.

Portanto, não é de se espantar que profissionais cujo trabalho é zelar por nossa saúde emocional agora estejam explorando como usar esses canais para medir a quantas andam as emoções de indivíduos, comunidades, países inteiros e até de toda a espécie humana.

Os tipos de posts que fazemos e a frequência com que os colocamos nas redes costumam revelar muito mais sobre nossas personalidades e sobre nossos sentimentos do que as próprias palavras escritas na mensagem.

Um estudo realizado pela Universidade Brunel, do Reino Unido, com 555 usuários do Facebook mostrou que os mais extrovertidos tendem a postar mais sobre atividades sociais e sobre seu dia-a-dia, e o fazem com frequência.

Já indivíduos com baixa autoestima acabam fazendo mais posts sobre seus cônjuges ou parceiros.

Por outro lado, pessoas com traços de neurose podem usar o Facebook para validação e para chamar a atenção, enquanto aquelas mais narcisistas costumam usar seus status para exibir suas conquistas ou discorrer sobre suas dietas e suas rotinas de atividade física.

Outra pesquisa, realizada nos Estados Unidos, sugeriu que pessoas que postam muitas selfies são, em geral, mais narcisistas e psicopatas, enquanto aquelas que manipulam suas fotos digitalmente têm uma baixa autoestima.
Rede social ou terapia?
Alguns softwares já são capazes de detectar sinais de tendência ao suicídio em postagens no Twitter

Qualquer pessoa que já publicou um longo desabafo no Facebook ou já tuitou algo meio triste às 3h sabe que a maneira como usamos as redes sociais tem muito de autoterapia.

Mas será que isso ajuda a resolver nossos problemas? Ou trata-se apenas de um grito no escuro?

O Centro de Saúde Mental e de Gênero do México lançou uma campanha alertando os cidadãos de que chorar suas mazelas na internet não é uma maneira barata de substituir um autêntico acompanhamento psicológico.

 

Mas o escuro está escutando – e pode ajudar. Pesquisadores estão analisando como as postagens de uma pessoa no Twitter podem ser vasculhadas para se encontrar sinais de que ela pode estar sob risco de suicídio, por exemplo.

O Instituto Black Dog, na Austrália, recentemente conduziu um estudo usando um programa de computador que monitorou, por dois meses, tuítes que contivessem algumas palavras ou expressões ligadas ao suicídio.

As mensagens mais preocupantes eram selecionadas pelos cientistas e pelo software. Ambos os recursos se mostraram altamente compatíveis, o que abre caminho para que pedidos de ajuda sejam identificados mais facilmente por meios eletrônicos, que, em seguida, podem até alertar familiares ou profissionais de saúde.

Algumas comunidades online também estão reconhecendo o significado de alertas suicidas nas postagens e organizado suas próprias redes de apoio.

No grupo Suicide Watch, do Reddit, as pessoas podem responder e ajudar membros em risco. E, apesar de essas comunidades atraírem os inevitáveis trolls (aqueles indivíduos que fazem bullying virtual), a maioria das respostas mostra um desejo genuíno de apoiar o próximo.

Mas a falta de envolvimento em redes sociais também pode ser um indício de problemas de saúde mental.

Um estudo australiano está utilizando um aplicativo via Bluetooth que mapeia os padrões da conectividade social de uma pessoa para detectar quando ela está interagindo menos com os amigos ou s

e mantendo à distância das conversas – algo que normalmente é um sinal de depressão.
‘Pulsação emocional’

Comunidades, países e a humanidade como um todo frequentemente atravessam altos e baixos juntos.

Sendo assim, o Instituto Black Dog e a Organização para a Pesquisa Científica e Industrial da Comunidade Britânica se uniram para tentar medir a “pulsação emocional” de todo o planeta com um projeto, o “We Feel” (algo como “Nós sentimos”).

Monitorando o Twitter em busca de termos relacionados com emoções e percorrendo uma amostragem de 1% de tuítes públicos, eles analisam uma média de 19 mil tuítes por minuto para tentar descobrir como os usuários da plataforma estão se sentindo em determinado momento.

O resultado é um mapa que mostra as porcentagens relativas de vários estados emocionais em várias partes do mundo – surpresa, alegria, amor, tristeza, raiva ou medo, por exemplo.

Isso revela como esses estados emocionais mudam de acordo com os acontecimentos nacionais e mundiais.
Português ‘para cima’

O Hedonometer Project também mergulha no Twitter para tentar perceber a felicidade relativa em várias línguas, incluindo o inglês, o francês, o árabe e o indonésio.

Usando textos do Twitter, de jornais e do Google Books e até títulos de filmes, eles descobriram as 10 mil palavras usadas com mais frequência em cada idioma – e pediram para que seus usuários avaliassem esses termos em uma escala de positividade e negatividade.

A análise revelou que, de maneira geral, temos uma tendência para a positividade e a felicidade – mas o português e o espanhol são idiomas particularmente “para cima” em comparação com os outros.

A equipe agora está usando a mesma abordagem para analisar a felicidade média do Twitter e mostrar o impacto de eventos externos sobre nossas emoções, como os debates para a Presidência dos Estados Unidos (uma queda na felicidade), o divórcio de Brad Pitt e Angelina Jolie (outra queda) ou a legalização do casamento gay (aumento na felicidade).

Eles também usam essa técnica para examinar o quanto a felicidade se relaciona com outros fatores, como o status socioeconômico, o local onde se mora e o grupo étnico a que se pertence, por exemplo.

Portanto, da próxima vez que estiver de bobeira nas redes sociais, tire um momento para refletir sobre o que você está lendo e para lembrar que o que você compartilha revela muito mais sobre seus segredos do que você imagina.

TEXTO ORIGINAL DE BBC

O impacto dos pensamentos sobre nossos desejos

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Toda vez que eu tenho algum desejo é porque um lado meu quer se expandir, se experimentar e isso é natural do ser humano.O desejo é algo saudável porque leva para expansão, criatividade e prazer.
Ao mesmo tempo, pode ser que eu tenha um outro lado meu que resiste, que tem medo, que não deseja aquilo por algum motivo.
Instalado o conflito de forças. Uma vai numa direção, outra vai para a direção oposta.

Digamos que eu queira um namorado ou namorada. O meu lado que quer se expandir, se entregar, sentir prazer e amor é o lado saudável. Mas digamos que um lado meu subconsciente, tenha medo, ou não acredite que eu seja interessante o suficiente, ou bonita o suficiente, ou inteligente o suficiente ou tudo isso junto.

Se esses dois lados estão ativos, haverá um conflito, uma tensão, uma confusão sobre esse assunto. Um mal estar, incômodo ou até um desespero quando eu pensar nisso. Vai existir um espaço entre mim e o que eu quero. As emoções representam esse espaço.

Se eu estou alinhada com aquilo que eu quero, ou seja, se os meus pensamentos estão “de acordo” com meu desejo, minhas emoções são positivas. Seria o caso de eu me sentir bem o suficiente para atrair e buscar um parceiro(a) com tranqüilidade e confiança. Se meus pensamentos estão distantes, em “desacordo” com o que eu desejo, as emoções são negativas. Se meus pensamentos são contrários, do tipo já citado “sou feia, sou sem graça, não mereço”, eu sentirei medo, angústia, pressa, ansiedade, frustração etc.

Então as emoções são indicadoras confiáveis que nos mostram se estamos nos aproximando ou distanciando daquilo que queremos. (Outro assunto, para o futuro é a dificuldade de sentir. Muitas pessoas apertaram o “botão da anestesia emocional” para não sentirem dor e o que acontece é que não sentem nem dor nem alegria. Mas este é outro assunto.)

Se você tem algum contato com suas emoções, saiba que elas ajudam a reajustar pensamentos e redirecioná-lo para onde você quer ir. Sempre que você sai do trilho, suas emoções te ajudam a mostrar que algo está errado e que você deve voltar a atenção para o seu desejo, ajustando seus pensamentos.

Outros exemplos:

Desejo: Quero ganhar mais dinheiro. (vontade saudável: quero ter mais recursos e possibilidades de vivenciar experiências)

Pensamento associado subconsciente: “mas dinheiro só traz problemas” ou/e, “mas as pessoas terão inveja”, ou/e “não me acho capaz de gerar mais dinheiro”.

Emoções: medo, angústia, frustração, raiva

Comportamento: com esse conflito interno, não conseguimos nos direcionar com tranqüilidade para maior quantidade de dinheiro, não percebemos ou não geramos oportunidades que nos levarão a receber maior volume de dinheiro. Nosso comportamento é de desistência, apatia, falsa aceitação.

Outro exemplo:

Desejo: Quero mudar de trabalho (vontade saudável: quero mais prazer, mais reconhecimento, mais troca, mais contribuição)

Pensamentos: “ trabalho é isso mesmo, um sofrimento”, e/ou “sofrer é normal” e/ou “nunca vou encontrar nada melhor” e/ou “pelo menos eu tenho alguma coisa” e/ou “impossível ganhar mais e ainda gostar do trabalho” etc.

Emoções: medo, frustração,desespero.

Comportamento: ficar no mesmo emprego. Não procurar outro trabalho, ou procurar, mas sem nenhuma real confiança de que eu posso encontrar algo melhor.

E como lidamos com esse conflito interno?

A primeira “instância” a ser atacada, é a dos pensamentos. É importante você saber o que está pensamento “lá no fundo” sobre o seu desejo. Existe alguma voz contrária a ele? Quais são? Escreva todas. Veja o que aparece. Depois que você fizer essa identificação, deve questionar, deve refutar, deve encontrar um lugar generoso, honesto e objetivo dentro de si mesmo.

Exemplo: É verdade que dinheiro só traz problemas? Será que a falta de dinheiro não traz muito mais problemas? Será que as pessoas terão tanta inveja? Mas será que eu não vou conseguir lidar com isso? Será que não sou capaz de gerar mais dinheiro? Por que não seria? Eu tenho alguma limitação? Tenho mesmo?
Será que não mereço? Porque não mereceria? (Essa parte é um trabalho sério, importante, delicado, porque confronta crenças muito antigas que foram formadas na infância).

Depois ainda podemos encontrar outros pensamentos novos e saudáveis que se direcionam para o amor, aceitação, merecimento, autoestima.

Exemplo: “O dinheiro possibilita muitas oportunidades, com ele posso fazer tantas coisas interessantes, posso até ser mais generosa, posso comprar mais coisas, ter mais conforto e tudo bem. Não é errado eu querer viajar mais, ter uma casa própria, ou uma casa maior, ou um carro mais moderno. Nada de errado com isso.”  (Esses novos pensamentos têm um tempo de maturação. De um nível intelectual, eles precisam ir gradualmente sendo incorporados).

Sobre o trabalho: eu tenho tanto a contribuir, quero sentir-me mais integrada ao mundo, quero sentir que tenho um lugar singular onde trabalho, quero me sentir bem, gostando do que eu faço, num ambiente gostoso.

Às vezes somente mudando a nossa postura, conseguimos mudar o ambiente à nossa volta. Se vamos procurar outro trabalho sem fazer o trabalho interno podemos acabar caindo na mesma armadilha e criar as mesmas condições que as anteriores.

Ainda sobre o desejo, este é voltado para aquilo que queremos, mas também temos desejo de fugir de algumas coisas e isso faz diferença no resultado final.
Exemplo: Eu quero um namorado porque quero me relacionar, amar e ser amada, compartilhar minha vida?
Ou quero um namorado porque preciso urgentemente fugir desse vazio em que me encontro?

Esse poderá ser o tema para meu próximo texto.

 

graziela

“Graziela Bergamini é psicóloga e escritora. Fez cursos de extensão em Harvard  “Human Emotions” e em Lesley University, EUA “Family Couselling”. Formada em Dinâmica de Grupos e facilitadora de grupos pelo Pathwork (método de autoconhecimento). Atendimento em consultório particular desde 2006, palestrante desde 2010. Graziela é também autora do livro “Viagens de uma Psicóloga em Crise”, publicado em 2013.