Dr. Mick Armstrong

Meninos do #Reino Unido excluídos da #vacinação contra o HPV

Postado em

Peter Russell

Órgãos de saúde estão se referindo à decisão de não incluir os meninos no programa de vacinação contra o papilomavírus humano (HPV, do inglês Human Papilloma Virus) como “vergonhosa” e uma “oportunidade desperdiçada”.

Joint Committee on Vaccination and Immunisation (JCVI) concluiu que “não recomenda a vacinação de meninos neste momento, devido à baixa probabilidade de isto ser custo-efetivo”.

A vacina contra o HPV tem sido oferecida de rotina para as meninas entre os 12 e os 13 anos de idade desde setembro de 2008, como parte do National Health System’s Childhood Vaccination Programme.

Joint Committee on Vaccination and Immunisation estava avaliando se incluiria ou não os meninos no esquema vacinal desde 2014.

Proteção contra alguns tipos de câncer

“Papilomavírus humano” é a denominação de um grupo de vírus mais comumente transmitidos por meio do contato sexual entre parceiros hetero- e homossexuais.

É uma infecção muito comum. Quase todas as pessoas com vida sexual ativa irão contrair o HPV em algum momento de suas vidas.

A maioria das pessoas que contrai o HPV nunca apresenta sintomas ou problemas de saúde, mas em alguns casos o vírus pode evoluir para câncer de colo do útero, vulva, vagina, pênis, ânus e cabeça e pescoço; além de causar verrugas genitais.

De acordo com os profissionais de saúde, o vírus foi associado a 1 de cada 20 casos de câncer no Reino Unido.

Os militantes a favor da vacinação dos meninos argumentam que o HPV não discrimina entre os gêneros, e que oferecer a vacina aos meninos em idade escolar poderia salvar vidas.

“Poucos benefícios adicionais”

Joint Committee on Vaccination and Immunisation decidiu que o alto índice de utilização da vacina entre as meninas forneceria “proteção de rebanho” aos meninos, e que a vacinação dos meninos “geraria pouco benefício adicional para a prevenção do câncer do colo do útero, que é o principal objetivo do programa “.

Além disso, o comitê não encontrou evidências suficientes de que a vacinação protegeria contra os tipos de câncer que acometem os homens, como o câncer anal e o câncer de cabeça e pescoço. No entanto, o comitê concordou em manter as evidências em análise, especialmente para homens que fazem sexo com homens.

“Uma decisão surpreendente”

Vários órgãos de saúde emitiram declarações criticando a decisão do Joint Committee on Vaccination and Immunisation. A Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare diz que é uma “oportunidade desperdiçada” e suplica ao comitê que reconsidere a posição em outubro, após o período de consulta pública. Peter Baker, diretor da campanha de ação contra o HPV, diz: “É surpreendente que o comitê consultor de vacinação do governo tenha ignorado o conselho de organizações de pacientes, de médicos que tratam de homens com câncer relacionado com o HPV, de especialistas em saúde pública e daqueles cujas vidas foram devastadas pelo HPV”.

“A decisão provisória de não vacinar os meninos é pautada na economia de dinheiro, não na saúde pública ou na equidade”.

Os dentistas também estão condenando a decisão. O Dr. Mick Armstrong, presidente da British Dental Association, diz: “O HPV revelou ser a principal causa de câncer orofaríngeo, de modo que a recusa do Joint Committee on Vaccination and Immunisation em expandir o programa de vacinação para os meninos é francamente indefensável. O Estado tem a responsabilidade de oferecer a todas as nossas crianças a melhor defesa possível”.

“Os dentistas estão na linha de frente na batalha contra o câncer bucal, doença com desfechos desoladores, e que modificam a vida do paciente. Os ministros podem optar por se omitir ou por mostrar que eles realmente acreditam na prevenção. ”

“Vergonhoso”

Emma Greenwood, diretora de política do Cancer Research UK, comenta: “Ficamos decepcionados ao saber que o Joint Committee on Vaccination and Immunisation fez a recomendação provisória de não oferecer a vacina contra o HPV aos meninos. Se os meninos fossem incluídos no programa de vacinação, isso ajudaria a reduzir o risco de câncer relacionado com o HPV para toda a população, em comparação à vacinação exclusiva das meninas”.

Terrence Higgins Trust descreve a decisão do comitê como “vergonhosa”. O diretor-executivo da entidade, Ian Green, diz: “Uma política de gênero neutra para a vacinação contra o HPV devia estar em vigor há muito tempo, e protegeria os meninos dos tipos de câncer causados ​​pelo HPV não tratado, como o câncer de pênis, ânus e alguns tumores de cabeça e pescoço”.

Jonathan Ball, professor de virologia molecular na University of Nottingham, diz: “À medida que um número cada vez maior de meninas recebe a vacina, o risco da transmissão heterossexual diminui e o benefício de vacinar os meninos diminui”.

“Mas, é claro, essa dependência da imunidade de rebanho não oferece a cobertura ideal para os meninos que terão relações sexuais com outros homens na idade adulta.  Existe um programa-piloto de vacinação para homens que fazem sexo com homens, mas provavelmente nem todos os homens em risco se vão se inscrever, e sabemos que a vacina é mais eficaz antes da pessoa iniciar a vida sexual”.

Recursos de saúde limitados

“Infelizmente, não é uma questão de ciência, é de custo, e no momento o Vaccination and Immunisation Committee não considera que os benefícios valham o investimento”.

O Dr. David Elliman, consultor em saúde infantil comunitária, acrescenta: “Embora sempre pareça difícil considerar o custo, é importante garantir que gastemos o dinheiro disponível ao National Health System de forma valorizá-lo ao máximo”.

FONTES:

JCVI Interim Statement on Extending HPV Vaccination to Adolescent Boys, Joint Committee on Vaccination and Immunisation

The Faculty of Sexual and Reproductive Healthcare (FSRH)

British Dental Association (BDA)

Terrence Higgins Trust

Science Media Centre

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