Dor mamária

#Dor mamária é um sintoma incomum no #câncer de mama

Postado em

SAN ANTONIO — A dor mamária não é um sintoma comum de câncer de mama, e as pacientes que apresentam este sintoma devem ser tranquilizadas de que, independentemente da causa deles, é improvável que se trate de uma neoplasia maligna subjacente, mostra uma revisão retrospectiva.

“As pacientes se queixam de todos os tipos de dor – em queimação, pontada, queixam-se de dor irradiando para o mamilo ou começando no mamilo – eu digo às minhas pacientes que, provavelmente, todas as mulheres têm algum tipo de dor na mama, é uma queixa muito comum”, disse ao Medscape o autor principal, Dr. Ian Komenaka, cirurgião no Maricopa Medical Center, Phoenix, Arizona.

“E descobrimos que, de todas as mulheres que se apresentaram com dor na mama em nossa instituição, identificamos apenas uma paciente cuja dor era possivelmente na área de interesse”, acrescentou o Dr. Komenaka.

No novo estudo, foram feitos 15 diagnósticos de câncer de mama entre 1719 pacientes que consultaram por dor mamária durante um período de nove anos nas instalações de Phoenix.

“O mais importante é tranquilizá-las – muitas mulheres pensam que a dor na mama é um sinal de câncer – e precisamos trabalhar com educação, ou pelo menos na forma como educamos as pacientes, e tranquiliza-las é o ponto-chave”, ressaltou.

O estudo foi relatado no San Antonio Breast Cancer Symposium (SABCS) 2017.

Na clínica do Arizona, 7202 pacientes realizaram consultas médicas pelo menos uma vez entre junho de 2006 e fevereiro de 2017. Desse grupo, 1017 (15%) apresentavam dor mamária.

Outras 702 pacientes consultaram por “massa” na mama, que posteriormente foi descartada após história e exame físico completos.

Assim, como observado, 1719 pacientes foram categorizadas como tendo mastalgia ou dor na mama e incluídas na análise. Mais de um quarto procurou inicialmente atendimento no pronto-socorro.

Estratificação por idade

Os pesquisadores estratificaram pacientes por idade, e buscaram avaliar se foi feito diagnóstico de câncer de mama em exame de imagem subsequente em qualquer paciente que apresentava dor ou massa na mama.

Das 880 pacientes com idade inferior a 40 anos, apenas uma paciente apresentava câncer de mama – uma mulher de 37 anos que consultou por dor mamária bilateral.

Importante ressaltar, de uma perspectiva de custo, 85% das mulheres com idade inferior a 40 anos que relataram dor na mama foram submetidas a alguma forma de imagem, incluindo mamografia, ultrassonografia, ressonância magnética ou tomografia computadorizada.

Mais de dois terços também foram submetidas a algum exame laboratorial, observaram os pesquisadores.

Outras 524 pacientes incluídas na análise tinham entre 40 e 49 anos de idade.

Nenhuma dessas pacientes estava sendo submetida a mamografia de rastreio na apresentação, como observou o Dr. Komenaka. Na verdade, o rastreio por mamografia é recomendado para pacientes nesta faixa de idade nos Estados Unidos, embora não em todos os países, como o Canadá.

“Nós rastreamos essas pacientes e descobrimos alguns casos de câncer”, disse o Dr. Komenaka, “mas, mesmo nesta faixa etária, encontramos apenas oito tumores de mama em 524 pacientes, e quatro destas oito tinham massas palpáveis”, acrescentou.

Outras 315 pacientes tinham idade superior a 50 anos, a maioria das quais também não estava sendo submetida a rastreio mamográfico na apresentação.

Aqui novamente, a mamografia subsequente detectou apenas seis tumores neste grupo de idade, nenhum dos quais palpável.

Entre as 15 pacientes diagnosticadas com câncer de mama em todas as faixas etárias, sete relataram dor bilateral na mama; quatro apresentaram dor, mas na mama oposta à qual o câncer foi detectado; a dor melhorou em duas outras, e nas duas pacientes restantes, a dor estava do mesmo lado que o câncer diagnosticado. Em apenas uma paciente a dor estava localizada na área de interesse.

“Eu sempre pergunto aos estudantes de medicina para quem leciono se a dor na mama é um problema ou não e todos dizem que não é um problema, mas todos ficam preocupados com isso”, observou o Dr. Komenaka.

“Então, o que recomendamos é que as mulheres abaixo de 40 anos não façam qualquer exame de imagem, a menos que um nódulo seja detectado, o que muda o cenário. Essa mulher precisa ser avaliada, razão pela qual o exame físico é importante para todas as mulheres”, disse ele.

“Também digo às pacientes para pararem de fumar, se forem tabagistas, e nós sugerimos que usem medicamentos anti-inflamatórios não esteroides ou fitoterápicos, como o óleo de prímula, para ajudar com a dor da mama”, concluiu o Dr. Komenaka.

Outros dados indicam taxas de 15%

Solicitada pelo Medscape a comentar os resultados, a Dra. Julie Nangia, professora-associada de medicina, Baylor College of Medicine, Houston, Texas, disse também encontrar “toda hora” pacientes que acreditam que a dor na mama é um sintoma de câncer.

De fato, apenas cerca de 15% das neoplasias de mama estão associadas a dor na mama na apresentação – e a maioria desses tumores são grandes massas que estão causando a dor, e não um pequeno tumor oculto, destacou ela.

“Acho que um dos maiores problemas é que as pessoas não falam sobre a dor mamária, mas a realidade é que a dor na mama é tão comum quanto a dor na coluna”, disse a Dra. Julie.

   Dor na mama é tão comum quanto dor na coluna. Dra. Julie Nangia

Entre as causas mais comuns de dor na mama estão não usar o tamanho correto do sutiã, e não comprar um novo sutiã a cada dois a três anos, como recomendado, porque o suporte e a elasticidade do sutiã desgastam.

As mulheres, especialmente aquelas com mamas mais volumosas, também podem procurar um bom sutiã esportivo, que quase sempre oferece suporte superior ao da lingerie padrão.

“Para cada alteração de peso de 4,5 kg, você também altera o tamanho do bojo, de forma que essa é uma causa muito comum para a dor na mama”, acrescentou a Dra. Julie.

Outras razões para dor na mama são geralmente relacionadas à produção hormonal, que tende a produzir dor cíclica.

“Muitas mulheres terão dor na mama quando ovularem ou durante a menstruação”, comentou a Dra. Julie.

“Então, quando as mulheres perguntam sobre a dor na mama, obter uma boa história é fundamental. E se a dor estiver relacionada com o tamanho do sutiã ou com hormônios, é fácil descobrir e dizer como se deve tratar essas mulheres”, disse ela.

O Dr. Komenaka e a Dra. Julia declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

San Antonio Breast Cancer Symposium (SABCS) 2017. Pôster 4-12-12. Apresentado em 8 de dezembro de 2017.

Câncer de mama: ‘avaliação deve ir além dos nódulos’

Postado em

sintomas-cancer

Peter Russell

 

As mulheres devem ficar alertas a uma variedade de sintomas que podem indicar câncer de mama, e não confiar apenas na palpação de nódulos na mama, de acordo com dados preliminares de uma nova pesquisa.

Uma equipe de pesquisa liderada pela University College London (UCL) descobriu que aproximadamente uma em seis mulheres (17%) busca aconselhamento médico com um sintoma além do nódulo – que é o sintoma de câncer de mama mais comumente relatado.

As últimas estatísticas mostram que os casos de câncer de mama no Reino Unido em 2013 somaram 53.696, com 11.433 mortes pela doença em 2014.

56 sintomas relatados

Baseando seus achados em 2316 mulheres incluídas no censo National Audit of Cancer Diagnosis in Primary Carede 2009-10, os pesquisadores encontraram um total de 56 sintomas de câncer de mama que foram descritos aos médicos.

Embora encontrar um nódulo mamário seja, de longe, o sintoma mais comum, ocorrendo em 83% das mulheres, os sintomas “não nódulo” mais frequentes foram:

  • Anormalidades do mamilo (7%)
  • Dor mamária (6%)
  • Dor nas costas (1%)
  • Perda de peso (0,3%)

Atrasos no diagnóstico

Os pesquisadores também descobriram que embora a maioria das mulheres com câncer de mama busque ajuda rapidamente, aquelas com um sintoma “não nódulo” demoraram mais para procurar atendimento do que aquelas que notaram um nódulo mamário. Da mesma forma, mulheres que descobriram um nódulo, mas também tinham outros sintomas, tiveram maior probabilidade de demorar a buscar atendimento médico.

O atraso foi pior entre mulheres que tinham ulceração da mama, anormalidades de mamilo, infecção ou inflamação da mama, edema do braço ou axila, e dor na axila, sendo que atrasos de mais de três meses não foram incomuns.

Monica Koo da UCL, que liderou o estudo, disse em uma declaração à imprensa: “É crucial que as mulheres atentem para o fato de que um nódulo não é o único sintoma de câncer de mama. Se elas estão preocupadas quanto a qualquer sintoma na mama, o melhor a fazer é procurar um médico o mais rápido possível”.

“Diagnosticar o câncer precocemente é a chave para aumentar as chances de sobrevivência”.

Os achados estão sendo apresentados na conferência de oncologia do National Cancer Research Institute (NCRI), em Liverpool, Inglaterra. A Dra. Karen Kennedy, diretora no NCRI, disse em uma declaração à imprensa: “Campanhas de alerta precisam aumentar a atenção sobre todos os sintomas potenciais de câncer de mama para que as pessoas saibam os sinais e quando ir ao médico”.

Os achados da pesquisa deveriam ser tratados com cautela pois ainda precisam ser submetidos a análise pode especialistas da área e publicados em uma revista científica.

‘Preocupante’

A instituição de caridade Breast Cancer Caredisse que isso é “extremamente preocupante” que mulheres estão deixando de procurar seu médico se estão preocupadas por qualquer motivo quanto a sinais de câncer de mama. Um levantamento feito pela instituição mostrou que muitas mulheres não estão atentas aos sintomas e que 28% não sabiam que um mamilo invertido era um sinal de alerta.

Jane Murphy, enfermeira clínica especialista disse por e-mail ao Medscape: “Muitas alterações mamárias não são câncer. Mas para aquelas que têm câncer de mama, quanto mais cedo o diagnóstico, provavelmente o tratamento será mais simples e efetivo”.

A baronesa Delyth Morgan, presidente executiva da Breast Cancer Now, disse em uma declaração à imprensa: “Por fim, a chave para se manter alerta é conhecer como suas mamas parecem no aspecto e no toque normalmente, e relatar qualquer mudança não usual o mais depressa possível”.

FONTES:

Typical and atypical symptoms in women with breast cancer: Evidence of variation in diagnostic intervals from a national audit of cancer diagnosis, M Koo et al, sessão de poster, conferência de oncologia do NCIR, Liverpool

Lançamento para imprensa, National Cancer Research Institute (NCRI)

Breast Cancer Care