-

Aedes aegypti

#Após confirmar #transmissão da #zika por pernilongos, #Fiocruz coletará mosquitos em morros e áreas verticalizadas no Recife

Postado em

Ampliação dos estudos visa entender a capacidade vetorial dos mosquitos conhecidos popularmente como muriçocas, acompanhando como a mutação do vírus ocorre dentro do organismo dos insetos.

Diante da constatação de que o pernilongo comum, popularmente conhecido como muriçoca, pode transmitir o vírus da zika, os pesquisadores da Fiocruz Pernambuco responsáveis pelo trabalho pretendem ampliar os estudos e entender a capacidade vetorial dos mosquitos, ou seja, acompanhar como a mutação do vírus ocorre dentro do organismo dos insetos.

A pesquisa em campo, feita inicialmente em áreas de circulação de pessoas com a doença, também será ampliada para detectar a incidência de pernilongos transmissores de zika em cada uma dessas regiões.

“Fizemos a pesquisa inicialmente nas residências das pessoas que tiveram zika e em áreas de grande circulação de pessoas, como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Agora pensamos em ampliar os estudos de campo, coletando os mosquitos em regiões de morro, de planície e em áreas verticalizadas no Recife”, relata Constância Ayres, coordenadora da pesquisa.

Descrito em um artigo, o estudo, inédito no mundo e feito por uma equipe integralmente brasileira, foi publicado nesta quarta-feira (9) na revista científica Emerging microbes & infections, do grupo Nature.

“O que a gente não sabe ainda é a importância epidemiológica disso na natureza. Comparado ao Aedes aegypti, o pernilongo é um vetor primário ou secundário do vírus? Precisamos analisar outros aspectos da biologia do mosquito que vão nos responder essa questão”, explica Constância.

Coordenadora da pesquisa, Constância Ayres acredita que o resultado é um alerta para a necessidade de investimentos em saneamento básico.

Entre os meses de fevereiro e maio de 2016, os pesquisadores coletaram mosquitos dos tipos Culex e Aedes aegypti em áreas da Região Metropolitana do Recife (RMR) em que houve circulação de pessoas com zika, como residências e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). Após análises laboratoriais, os estudiosos detectaram que o vírus da zika conseguia se replicar nos organismos dos pernilongos de três de 270 grupos do Culex. No caso dos mosquitos da espécie Aedes aegypti, o vírus estava presente em dois de 117 grupos coletados.

Coordenador da equipe de sequenciamento do genoma dos vírus encontrados nos pernilongos, o pesquisador Gabriel Wallau detalha que o material genético encontrado nos mosquitos Culex que circulavam no ‘campo’ é semelhante ao RNA encontrado nos mosquitos infectados em laboratório. “A partir desse sequenciamento, já podemos ter algumas ideias, mas precisamos ter mais dados para saber se o vírus se adaptou ao Culex”, relata.

Apesar de ressaltar que não são todos os pernilongos que podem transmitir o vírus da zika, Constância Ayres alerta para a necessidade de continuar os estudos para, por exemplo, desenvolver vacinas. “O zika veio para mostrar que a gente não sabe de muita coisa. Essa é uma oportunidade de investigar essa doença a fundo”, conta.

Ainda segundo Constância, o resultado da pesquisa também alerta, sobretudo, para a necessidade de investimentos em saneamento básico, já que os pernilongos, ao contrário do Aedes, preferem locais sujos, como esgotos áreas em que há acúmulo de lixo. “Se há condições propícias para o desenvolvimento do mosquito, o impacto [da transmissão da doença] vai ser maior. Evitaríamos tudo isso se tivéssemos saneamento básico adequado”, comenta a pesquisadora.

Com a comprovação de que as muriçocas são capazes de transmitir o vírus da zika, a pesquisadora acredita que a pesquisa pode ajudar a entender o motivo pelo qual os casos de microcefalia no estado foram registrados, em sua maioria, em áreas carentes. “A dengue é uma doença mais ‘democrática’, mas a incidência de microcefalia foi mais comum em áreas mais pobres. Esse resultado pode nos ajudar a entender os motivos disso”, comenta.

O resultado do estudo inspira uma segunda pesquisa da Fiocruz Pernambuco, que está sendo feita em parceria com pesquisadores de Vitória, no Espírito Santo. “Também foram coletadas algumas amostras de Culex que continham o vírus da zika lá, o que pode nos alertar para entender como a doença é transmitida no território nacional”, explica Constância.

Fonte: http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/virus-da-zika-pode-ser-transmitido-por-pernilongo-comum-revela-pesquisa-da-fiocruz-pe.ghtml

Anúncios

Empresas de tecnologia declaram guerra aos # mosquitos vetores de doenças

Postado em

Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) – As empresas de tecnologia norte-americanas estão trazendo a automação e a robótica para a tarefa ancestral de combater mosquitos, na tentativa de frear a disseminação do vírus Zika e de outras doenças transmitidas por mosquitos em todo o mundo.

Estas empresas, incluindo a Microsoft Corp e a empresa californiana de ciências biológicas Verily, estão formando parcerias com autoridades de saúde pública em vários estados norte-americanos para testar novas ferramentas de alta tecnologia.

No Texas, a Microsoft está testando uma armadilha inteligente para isolar e capturar os mosquitos Aedes aegypti, conhecidos vetores do vírus Zika, para que os entomologistas possam estudá-los e dar um passo à frente na previsão de epidemias.

A Verily, a divisão de ciências biológicas da Alphabet, com sede em Mountain View, na Califórnia, está acelerando o processo de criação de mosquitos machos estéreis para acasalar com fêmeas na natureza, viabilizando assim uma forma de controle de natalidade para esta espécie.

Embora possa levar anos até que esses avanços estejam amplamente disponíveis, especialistas em saúde pública dizem que os novos parceiros trazem um novo olhar ao controle de vetores, que atualmente ainda depende muito das defesas tradicionais, como os larvicidas e os inseticidas.

“É emocionante quando as empresas de tecnologia embarcam no projeto”, disse Anandasankar Ray, professor-associado de entomologia na University of California, em Riverside.

“A abordagem deles para um desafio biológico é a de criar uma solução por meio da engenharia”.

Armadilhas inteligentes

A epidemia de Zika que assolou o Brasil em 2015 e deixou milhares de bebês com anomalias congênitas acrescentou o elemento urgência a esta iniciativa. Embora os casos tenham diminuído acentuadamente, os mosquitos que transmitem o vírus – Aedes aegypti e Aedes albopictus – estão se espalhando nas Américas, inclusive em grandes faixas do sul dos Estados Unidos.

A grande maioria dos 5.365 casos zika notificados nos Estados Unidos até agora é de viajantes que contraíram o vírus no Exterior. Ainda assim, dois estados – o Texas e a Flórida – registraram casos da doença transmitida por mosquitos locais, tornando estas regiões os principais campos de testes das novas tecnologias.

No Texas, 10 armadilhas de mosquito feitas pela Microsoft estão operantes em Harris County, que inclui a cidade de Houston.

Quase do tamanho de grandes casas de pássaros, os dispositivos utilizam robótica, sensores infravermelhos, aprendizado por máquinas e computação em nuvem para ajudar as autoridades de saúde a controlar os potenciais vetores de doenças.

O Texas registrou seis casos de transmissão do vírus Zika por mosquitos locais em novembro e dezembro do ano passado. Os especialistas acreditam que o número real provavelmente seja maior porque a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas.

As gestantes são de alto risco porque o vírus pode passar para os fetos, resultando em uma ampla gama de anomalias congênitas. Dentre estas, a microcefalia, condição na qual os bebês nascem com a caixa craniana e o cérebro de tamanho menor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença provocada pelo vírus Zika uma emergência de saúde pública mundial em fevereiro de 2016.

A maioria das armadilhas convencionais para os mosquitos captura tudo – mariposas, moscas, outras variedades de mosquitos – deixando uma pilha de espécies para os entomologistas classificarem. As máquinas da Microsoft diferenciam os insetos medindo uma característica exclusiva de cada espécie: a sombra projetada pelo batimento das asas. Quando a armadilha detecta um Aedes aegypti em uma das suas 64 câmaras, a porta se fecha.

A máquina “decide se captura ou não o inseto”, disse Ethan Jackson, engenheiro da Microsoft que está trabalhando no dispositivo.

Os testes realizados em Houston, iniciados no verão passado, mostraram que as armadilhas conseguiram identificar com 85% de acurácia o Aedes aegypti, bem como outros mosquitos de importância clínica, disse Jackson.

As máquinas também registram as sombras projetadas por outros insetos, assim como as condições ambientais, como temperatura e umidade. Estes dados podem ser usados ​​para construir modelos para prever onde e quando os mosquitos estarão ativos.

Mustapha Debboun, diretor da divisão de controle de mosquitos e vetores de Harris County, disse que as armadilhas economizam tempo e fornecem aos pesquisadores mais informações sobre o comportamento dos mosquitos. Para a ciência e a pesquisa, este é um sonho que se tornou realidade, disse ele.

As armadilhas atuais são protótipos. Mas Jackson, da Microsoft, disse que a empresa espera poder vendê-los por algumas centenas de dólares cada quando aprovadas, quase o preço das armadilhas convencionais. O objetivo é estimular a ampla adoção dos aparelhos, particularmente nos países em desenvolvimento, para detectar as potenciais epidemias antes mesmo delas começarem.

“O que esperamos é que as armadilhas nos permitam trazer mais acurácia para a saúde pública”, disse Jackson.

Diferenciando mosquitos com robôs

Enquanto isso, outras empresas estão criando tecnologia para reduzir a população de mosquitos esterilizando os Aedes aegypti machos. Quando esses machos estéreis acasalam com as fêmeas na natureza, os ovos da fêmea não eclodem.

A estratégia oferece uma alternativa aos pesticidas químicos, porém requer a liberação de milhões de mosquitos criados em laboratório ao ar livre. Os machos não picam, o que facilitou a venda deles para os lugares onde os testes estão sendo realizados atualmente.

A Oxitec, divisão baseada em Oxford (Inglaterra) da Germantown, da Intrexon Corp, de Maryland, está criando mosquitos machos geneticamente modificados para serem estéreis. A emopresa já liberou estes mosquitos no Brasil, e está buscando aprovação regulatória para realizar testes na Flórida e no Texas.

A MosquitoMate Inc., uma empresa criada por pesquisadores da University of Kentucky, está usando uma bactéria natural chamada Wolbachia para esterilizar os mosquitos machos. Um dos maiores desafios é diferenciar os sexos.

Nos laboratórios da MosquitoMate, em Lexington, os mosquitos imaturos são forçados a passar através de um mecanismo semelhante a uma peneira que separa as fêmeas dos machos, que são menores. Estes mosquitos são então diferenciados à mão para eliminar qualquer fêmea perdida que tenha se introduzido na amostra.

“Isso é feito basicamente usando os globos oculares”, disse Stephen Dobson, diretor executivo da MosquitoMate.

Digite Verily. A empresa está automatizando a diferenciação dos mosquitos com robôs para torná-la mais rápida e acessível. Os funcionários da empresa não quiseram dar entrevistas. Mas em seu site, a Verily diz que está combinando sensores, algoritmos e “inovações da engenharia” para acelerar o processo.

A Verily e a MosquitoMate se uniram para testar suas tecnologias em Fresno, Califórnia, onde o Aedes aegypti chegou em 2013.

As autoridades temem que os residentes que contraírem o vírus Zika em outro lugar possam espalhá-lo em Fresno se forem picados por mosquitos locais que poderiam transmitir o vírus para outros.

“Isso é muito preocupante porque é o vetor primário de doenças como a dengue, a chikungunya e, evidentemente, a zika”, disse Steve Mulligan, gerente do Consolidated Mosquito Abatement District, em Fresno County.

O estudo, que ainda precisa de aprovação estadual e federal, está previsto para o final deste verão.

Rio de Janeiro corre risco de epidemia de chikungunya

Postado em

Aedes-Aegypti

Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)

 

A cidade do Rio de Janeiro corre o risco de ter uma epidemia de chikungunya em 2017. Esse temor motivou a realização de uma mesa redonda na sede da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj) no fim de janeiro. Especialistas da Fundação Oswaldo Cruz estimam que o vírus pode infectar dez vezes mais cariocas do que a pandemia de dengue de 2008, quando 125 mil pessoas tiveram a doença, por causa das altas taxas de ataque registradas pelo vírus, do histórico de crescimento de casos da doença e da suscetibilidade da população.

Durante o evento, o Dr. Alexandre Chieppe, subsecretário da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, afirmou que o cenário é muito preocupante, pois aponta para uma dupla onda epidêmica, com manifestações atípicas sendo mais frequentes do que se imaginava, e também com uma taxa de mortalidade inesperadamente alta.

“Dados do Ministério da Saúde de 2016 mostram uma incidência de 106,3 por 100 mil habitantes no Rio de Janeiro. O estado teve a maior taxa da região Sudeste, enquanto o Espírito Santo, que ficou em segundo lugar, teve uma taxa 10 vezes menor (10/100 mil habitantes)”[1], disse.

Leia também: Chikungunya: o que precisamos saber sobre o vírus e manejo da doença

De acordo com o Dr. Chieppe, o aumento dos casos de chikungunya no Rio de Janeiro era esperado, pois o estado viveu a segunda onda de zika ano passado, junto com a Região Nordeste. “Esgotamos a população suscetível à infecção por zika. Dengue, por sua vez, circula desde 2010. O sorotipo DENV-1 se mantém há seis anos com circulação importante. Era de se esperar que tivéssemos um aumento de outra arbovirose”, disse ele, acrescentando que ainda não se sabe explicar por que o Rio de Janeiro é, em geral, a principal porta de entrada de vírus novos na Região Sudeste.

Haviam sido notificados 15.247 casos de chikungunya no estado até 29 de novembro, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), com a Capital concentrando a maior parte dos eventos. A taxa de incidência acumulada na cidade foi de 211,3/100 mil habitantes, enquanto no Estado do Rio foi de 92,1/100 mil habitantes.

“Mais da metade dos casos de chikungunya registrados em 2016 no Estado do Rio de Janeiro foram em pessoas entre 30 e 59 anos de idade”, disse o Dr. Chieppe, destacando que as mulheres foram as principais vítimas (64%).

Ao comparar os óbitos associados à doença entre os países da América Latina, o Brasil teve taxa de letalidade de 0,34/1000 casos, atrás apenas da Colômbia com 0,73/1000 casos. As informações são da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

“Fatores climáticos, presença de vetor competente, quantidade de vetor competente, características do vetor, do vírus e da população, e fatores demográficos” estão, segundo o subsecretário, entre os fatores que explicam o risco de epidemia de arboviroses no Rio de Janeiro.

Dados do Ministério da Saúde de outubro de 2016 apontavam que a maioria dos municípios tinha um índice classificado como satisfatório. Mas, para o Dr. Chieppe, “1% de vetor em uma população suscetível já é suficiente para sustentar uma epidemia, portanto, um valor satisfatório é zero”.

A previsão para o estado do Rio de Janeiro em 2017 é de que não haja circulação tão intensa do vírus Zika, como houve em 2015 e 2016, em função da diminuição da população suscetível. Segundo o Dr. Chieppe, um cenário semelhante ocorre com o vírus 1 da dengue, que circula atualmente no estado. Por outro lado, “há suscetibilidade para o vírus da chikungunya em grande parte da população do Estado do Rio de Janeiro, em todas as regiões”. Com isso, ele destacou a importância de organizar a rede de saúde para atender aos casos.

A doença na criança

A Dra. Tania Petraglia, presidente do Comitê de Infectologia da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro, lembrou aos presentes na mesa-redonda de que o vírus da chikungunya é um vírus RNA da família Togaviridae, que pode ser transmitido tanto pelo Aedes aegypti como por outra espécie de mosquito, o Aedes albopictus.

“Há um período de incubação de um a 12 dias, viremia de 10 dias e 70% dos pacientes são sintomáticos. A doença se manifesta em três fases: aguda (até 10 dias), subaguda (sintomas articulares até três meses) e crônica (após três meses)”, disse. As formas atípicas que, segundo a médica, ainda são pouco conhecidas, envolvem acometimento neurológico, cardíaco, ocular, renal, e cutâneo, entre outros.

Quanto às manifestações clínicas no paciente pediátrico Tania lembrou que, em neonatos e crianças de até dois anos, pode ocorrer febre ou não, bem como prostração dolorosa ou choro contínuo.

“Em geral, bebês inquietos e com choro contínuo levantavam a suspeita de sífilis. Agora, devemos suspeitar também de chikungunya, mas sem esquecer a primeira, pois sífilis continua sendo um problema importante”, disse. No caso da chikungunya, é vital ainda atentar para “manifestações cutâneas diversas, convulsões e sinais meníngeos, e vínculo epidemiológico com arboviroses”.

Crianças entre dois e 12 anos, por sua vez, podem apresentar “febre por até sete dias, acompanhada de artralgia intensa e/ou mialgia, manifestações cutâneas diversas ou apenas convulsão e sinais de alteração neurológica, acompanhada ou não de febre”.

Quanto à infecção durante a gestação, a médica informou que ela não está relacionada a efeitos teratogênicos e que são raros os relatos de abortamento espontâneo. A transmissão vertical pode ocorrer em até 50% dos casos e não há transmissão pelo aleitamento materno.

“Mesmo quando não temos o diagnóstico definitivo, devemos tratar como se fosse dengue. É preciso hidratar”, orientou, lembrando que é importante também fazer a sensibilização para incentivar a profilaxia. “Temos de lembrar à população de que mesmo um paciente infectado precisa continuar fazendo uso de repelente”, disse.

Já a Dra. Cynthia França, presidente do Comitê de Reumatologia da SOPERJ, disse que a dor é a principal característica clínica da doença. “O significado de chikungunya, em um dialeto africano, é ‘aqueles que se dobram’, justamente em referência ao andar curvado dos pacientes devido à intensa artralgia”, disse.

Segundo a médica, ainda há poucos estudos sobre chikungunya em crianças. A população pediátrica representa cerca de 25% de todos os casos e aqueles entre 10 e 15 anos são os mais acometidos.

Nem sempre a percepção da dor é fácil em pacientes pediátricos, especialmente quando ainda não falam. Assim, a médica explicou aos presentes que a criança pode revelar dor aguda a partir da “expressão facial; do movimento do corpo e da postura corporal; da incapacidade de ser consolado; pelo choro e pelo gemido”. A dor crônica pode ser revelada por “postura anormal; medo de ser movimentado; falta de expressão facial; falta de interesse ao ambiente; tranquilidade indevida; aumento da irritabilidade; mau humor; perturbação do sono; raiva; alterações do apetite e baixo desempenho escolar”.

Segundo a Dra. Cinthia, sempre que possível, o paciente deve ser treinado para utilizar escalas de dor. Além disso, ela afirmou que o médico deve detalhar e caracterizar a dor articular.

“Durante a fase aguda, é importante fazer a terapia de suporte, com repouso absoluto, pois este é um fator protetor. Não se deve usar anti-inflamatório nessa fase, pois isso aumenta o risco de complicações renais e de sangramento, por exemplo”, disse a Dra. Cinthia, informando que, nesse período, é possível usar analgésicos como dipirona e paracetamol, mas o paciente precisa ser revisto.

A médica afirmou ainda que os médicos das unidades básicas de saúde no Rio de Janeiro estão sendo treinados para tratar a dor na fase aguda e subaguda, mas casos na fase crônica devem ser encaminhados a um especialista.

O que sabemos sobre o surto de febre amarela no Brasil

Postado em

6500911-thumb

Roxana Tabakman

A febre amarela voltou a assombrar o Brasil. Um surto da forma silvestre da doença, que se iniciou em dezembro em Minas Gerais, já causou 921 casos suspeitos até 6 de fevereiro e se espalhou por  quatros outros estados: Espírito Santo, Bahia, São Paulo e Tocantins. Deles, 161 casos foram confirmados, com 60 óbitos. Outros 702 casos e 87 óbitos ainda permanecem em investigação. A maior preocupação da comunidade médica está na eventual transformação do surto em epidemia e evolução da forma silvestre para a urbana. As autoridades de saúde estão avaliando se, depois da atual política de contenção, a estratégia de vacinação contra a doença deve se estender a uma parcela maior da população.

Surto com potencial de epidemia?

O número de casos observados até agora está acima do esperado para a estação e entre as possíveis causas está a baixa cobertura vacinal nas áreas recomendadas, além da maior proximidade entre macacos, mosquitos e humanos, devido a fatores ambientais. O Dr. André Siqueira, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz, disse ao Medscape que “é preciso aprimorar a cobertura nas áreas de transmissão e nos grupos de risco, que justamente são os que não procuram os serviços de saúde: os homens jovens que vivem e trabalham dentro da mata.”

Os casos notificados até agora são todos considerados de febre amarela silvestre, que pode ser transmitida também nos limites entre áreas urbanas e silvestres ou rurais, e nas áreas de ecoturismo com matas e rios. Os mosquitos envolvidos são dos gêneros Haemagogus e Sabethes, e têm macacos (como o bugio e o sagui) como principais hospedeiros, podendo também contaminar humanos. A transmissão silvestre de febre amarela não é erradicável porque os animais devem ser preservados, já que atuam como sentinelas, uma espécie de “linha de frente”: a comprovação da circulação do vírus da doença entre eles funciona como um alerta de saúde pública. O procedimento indicado em caso de surtos de febre amarela silvestre é a rápida detecção dos casos e a vacinação emergencial de contenção a pelo menos 50 km de distância de um caso[1].

A febre amarela mais preocupante é a urbana, uma derivação da anterior e que, segundo as autoridades brasileiras, ainda não foi notificada no atual surto. O agente etiológico é o mesmo flavivírus, porém esta forma não tem o intermediário animal e é transmitida pelo Aedes aegypti. Na média, o mosquito vetor torna se infectante de nove a 12 dias após picar um ser humano doente, prazo que pode ser encurtado em períodos mais quentes. A 30°C, por exemplo, ele é de dois dias, e abaixo de 18°C a transmissão do vírus é muito reduzida. O período de transmissão começa um dia antes do início dos sintomas e vai até o terceiro ou quarto dia da doença, o chamado período de viremia[1].

A lentidão no diagnóstico e no alerta pode favorecer a evolução de um surto para uma epidemia.  O Dr. Artur Timerman, presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arbovirose dá exemplos: no estado de São Paulo, os óbitos de pacientes por febre amarela silvestre aconteceram em 3 de janeiro, mas só foram divulgados no vinte dias depois, e durante todo esse período os mosquitos infectados continuaram picando humanos sem nenhuma medida de contenção.

“Se a febre amarela for reintroduzida no seu ciclo urbano, vai ser um desastre de proporções bíblicas. E isso é bem possível”, alertou o Dr. Eduardo Massad, pesquisador em epidemiologia matemática da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Na tela do computador ele mostrou ao Medscape o programa que transforma o sistema epidemiológico dinâmico em equações que reproduzem a dinâmica da epidemia. Com os dados de dengue de uma das cidades afetadas, São José do Rio Preto, o Dr. Massad calculou o número de mosquitos Aedes aegypti e, a partir desses dados, o risco de um surto de febre amarela urbana na hipótese de que uma única pessoa chegasse na cidade com febre amarela silvestre.

“Há vários cenários. No pior, com o número de mosquitos da semana estudada e a população da cidade sem vacinação, um ano depois teremos 341 mortes.”

O cálculo feito pelo médico se baseia na hipótese de que o Aedes aegypti é tão competente em transmitir febre amarela como o é para a dengue, a chamada competência vetorial. Essa situação se verificou recentemente em Angola, mas ninguém sabe se isso vai se replicar no Brasil.

“Provavelmente o Aedes brasileiro seja menos competente porque até agora houve poucos casos” especula o Dr. Massad. Nas simulações do pesquisador, se a competência vetorial fosse de 60% em relação à dengue, não haveria risco de surto de febre amarela urbana. Se fosse 80%, mesmo sem a população vacinada, os cálculos estimam 15 casos e quatro mortes. Isso explica porque é tão difícil fazer previsões sobre o que vai acontecer.

“Não podemos deixar a febre amarela entrar nas cidades”, conclui o Dr. Massad. “Cada caso sintomático equivale a um leito de UTI.”  A competência vetorial do Aedes para diferentes arboviroses ainda está em estudos.

A preocupação é global. Em setembro, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma nova estratégia de combate à doença. A rápida urbanização de países emergentes e a ressurgimento dos vetores aumentaram o risco mundial de epidemias de febre amarela. Dois grandes surtos prévios, em Angola e República Democrática do Congo, foram controlados com sucesso. Mas, segundo a entidade, surtos maiores podem acontecer, se ações não forem tomadas.[2]

A propósito da situação no Brasil, a OMS emitiu o seguinte alerta em 13 de janeiro : “O surto atual tem lugar em uma área com cobertura de vacinação relativamente baixa, o que pode facilitar a dispersão rápida da doença. A preocupação é que possa se estender aos estados do Espírito Santo e sul da Bahia, onde há ecossistemas favoráveis à transmissão do vírus. Estas áreas eram previamente consideradas de baixo risco e a vacina não era recomendada. A introdução do vírus nestas áreas poderia potencialmente provocar grandes epidemias de febre amarela. Há também o risco de que humanos infectados viajem para áreas dentro ou fora do Brasil onde estão presentes os mosquitos Aedes, iniciando assim ciclos locais de transmissão humano a humano. Os esforços de resposta se complicam ainda mais porque acontecem em surtos concomitantes dos vírus Zika, chikungunya e dengue”. [5]

Já os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos emitiu um alerta de viagem para o Brasil de nível 2 (precauções aumentadas), por causa do surto, recomendando a vacinação para pessoas acima de nove meses que forem à áreas afetadas.

Atenção médica

O último caso de febre amarela urbana no Brasil foi registrado em 1942 no Acre. Por causa disso, os profissionais de saúde do país não têm experiência em tratar a doença. “Os médicos não sabem fazer o diagnóstico”, reconhece o Dr. Timerman. “Estamos num momento de alerta, portanto qualquer pessoa com quadro febril, dores no corpo, icterícia igual à da dengue, pressão arterial baixa, evidência de sangramento, deve ser internada. A estrutura laboratorial precisa estar armada para fazer o diagnóstico diferencial rápido, não apenas pelo paciente, mas porque isso é fundamental para conter o surto. Temos de preparar as UTIs para receber os casos suspeitos e os pronto-socorristas têm de se treinar. Infelizmente isso não resolve todos os problemas: os convênios não cobrem a sorologia, os laboratórios não sabem onde comprar os reagentes. Sem esquecer que por cada caso diagnosticado, há de 50 a 100 casos nos quais não é feito o diagnóstico”, alerta.

A febre amarela tem um espectro clínico muito amplo, podendo apresentar desde infecções assintomáticas e oligossintomáticas até quadros exuberantes. A “pirâmide da febre amarela” (veja no gráfico) mostra que a maioria é de quadros leves a moderados. O diagnóstico das formas leve e moderada é difícil, pois elas podem ser confundidas com outras doenças infecciosas do sistema respiratório, digestivo ou urinário. Formas graves, com quadro clínico clássico ou fulminante, precisam ser diferenciadas de malária, leptospirose, febre maculosa, dengue hemorrágica e casos fulminantes de hepatite. [4]

A forma clássica apresenta um quadro clinico bifásico, separada por um curto período de remissão, com uma primeira fase de início rápido, leve e com evolução espontânea para cura, e uma possível segunda fase que corresponde às formas mais graves.

Sintomas
Iniciais: febre, calafrios, cefaleia, dores nas costas, dores no corpo em geral, náusea e vômitos, fadiga e fraqueza.

Casos graves: febre alta, icterícia, hemorragia, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. Se não tratada rapidamente, pode levar à morte em cerca de uma semana.

Diagnóstico
Sorologia igM e IgG, PCR, isolamento viral, estudo de genotipagem, imunofluorescência e imunohistoquímica.

A confirmação de um caso de febre amarela ocorre de acordo com um protocolo internacional. A sorologia só deve ser feita caso o cenário epidemiológico e o histórico do deslocamento do paciente justifiquem a suspeita de febre amarela.

Veja na tabela abaixo o diagnóstico diferencial de febre amarela e outras doenças infecciosas.

Diagnóstico diferencial

Doença Período de incubação Quadro clínico

 

Icterícia Manifestações hemorrágicas Laboratório TGO / TGP
 

Febre amarela

3 a 6 dias Início súbito

Febre alta, cefaleia desidratação, dores musculares generalizadas, prostração intensa, calafrios, náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal alta

 

Sim, precoce

Em torno do 3o ou 4o dia, tubo digestivo (hematêmese, melena).

Vias aéreas superiores, epistaxe, locais de punção, equimoses, gengivorragias

Leucopenia, desvio à esquerda, linficitose, eosinopenia, VHS aumenta, mas às custas da bilirrubina direita Muito aumentadas (acima de 1.000 UI)
Dengue, dengue hemorrágica 3 a 14 dias Febre alta, cefaleia, artralgia, mialgia, hipovolemia, dor abdominal, hepatomegalia, choque Ausente Petéquias, epistaxe, gengivorragia, equimoses Prova do laço positiva, plaquetopenia, hemoconcentração, albumina desce Discretamente elevadas
Leptospirose 4 a 19 dias, média de 10 dias Início súbito,

Cefaleia, calafrios, febre, dores musculares (panturrilhas, região lombar), anorexia, náuseas, vômitos e prostração

Sim, tardia em 15% dos casos Tardia Leucocitose, neutrofilia, desvio à esquerda, eosinopenia, VHS aumentada, mucoproteínas aumentadas, plaquetopenia, ureia aumentada, creatinina aumentada  

 

Discretamente elevadas (não mais de 500 UI)

Hepatites virais 15 a 180 dias, segundo o tipo Febre leve ou ausente, anorexia, mal-estar, dor abdominal, náuseas, cefaleias, mialgia generalizada, fadiga Presente Podem estar presentes, principalmente no trato gastrointestinal nas formas subagudas ou fulminante Ureia normal, creatinina normal, ausência de albuminúria, leucopenia, neutropenia, linfocitese, desvio à esquerda Muito elevadas. Pode haver inversão da relação FGO.TGP
Chikungunya 3 a 12 dias Febre alta, artralgia, mialgias intensas, cefaleia, erupção maculopapular, vômitos, púrpura Ausente Raramente Leucopenia, isolamento do vírus nos 5 primeiros dias da doença Normais

Fonte: Manual de Vigilância Epidemiológica Febre Amarela Min. Saúde (2004)

Vacina

A principal arma contra a doença é a vacinação, prevista no Programa Nacional de Imunizações do governo brasileiro e oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Administrada por via subcutânea, a vacina contém um vírus atenuado e confere imunidade ativa artificial por um período mínimo de 10 anos.

Até agora, a vacina é indicada apenas para a população residente em áreas de risco a partir dos nove meses de idade, com a administração de dose de reforço aos quatro anos. Devido aos surtos recentes, a imunização passou a ser recomendada a partir de seis meses de idade também nas regiões onde houve epizootias. Para os dados mais recentes da situação epidemiológica do surto, clique aqui.

A aplicação da vacina deverá ser avaliada por médicos para pessoas com 60 anos ou mais, gestantes, lactantes, pacientes com imunodeficiência e com outras patologias. No caso das grávidas, não houve consenso entre os médicos consultados pelo Medscape. O Dr. Artur Timerman a considera contraindicada, porque a vacina ainda não demonstrou não ser teratogênica. O Dr. Reinaldo Menezes Martins, consultor científico sênior da unidade produtora de vacinas da Fundação Oswaldo Cruz, relativiza, afirmando que é necessário avaliar o risco/benefício nessta população. disse que “. Em áreas com circulação do vírus e casos humanos, elas devem ser vacinadas, mas cabe à equipe de saúde avaliar se isso é necessário,” disse ao Medscape.

Esse cálculo do risco-benefício da vacinação depende de muitos fatores, como o paciente, o ambiente e, para alguns, a confiança no sistema. Quando perguntado sobre a conveniência ou não de tomar a vacina morando em São Paulo, o Dr. Timerman contou que responde aos pacientes: “Se você tiver a confiança que as autoridades estão tomando todas as medidas necessárias em termos de estimular o diagnóstico precoce e fazer vacinação de contenção de todo mundo em uma área de 50 km ao redor do local onde foi detectado um caso, não precisa. Eu não tenho.”

Na opinião do Dr. Eduardo Massad, “a vacinação de bloqueio é o correto, mas não adianta seguir sempre atrás do prejuízo. No momento, o risco é muito grande para não se expandir o programa de vacinação. Sim, é preciso introduzir a vacina de febre amarela no Programa Nacional de Imunização, porém é preciso desenhar uma estratégia ótima para fazê-lo. Não é para vacinar todo mundo, cada situação deve ser analisada. ‘No calor da batalha’ é a vacinação de bloqueio que deve ser feita. Mas temos de nos preparar para introduzir logo a vacina no programa do ministério, com critério e cautela.”

Vacina, sim ou não?

Eficácia maior que 95%.

Sim para: pessoas que residem em áreas com recomendação da vacina e vacinação emergencial para conter surtos a 50 km de distância de um caso. Uma abrangência maior está em avaliação.
Não para: crianças menores de seis meses, pessoas com doença febril aguda e histórico de reações anafiláticas (alergia grave e imediata) a ovo de galinha e gelatina e pacientes em tratamento com corticoesteroides, antimetabólitos, radiação ou terapias imunossupressoras.
Avaliação risco-benefício para: grávidas, idosos, portadores de doenças autoimunes (como lúpus eritematosos sistêmico) e pessoas com histórico de doença do timo (timoma, miastenia gravis, timectomia).
Esquema para crianças: uma dose aos nove meses, com reforço aos quatro anos.  Em caso de surto, recomenda-se antecipar a primeira dose para os seis meses, repetindo-se aos nove meses e quatro anos. A partir dos cinco anos, uma dose, com reforço após 10 anos.

Efeitos adversos após aplicação da vacina de vírus atenuado

A manifestação mais frequente é dor no local da aplicação (aproximadamente 4% em adultos, e um pouco menos em crianças pequenas), de curta duração, autolimitada e de intensidade leve ou moderada. Outros componentes da vacina também podem deflagrar reações de hipersensibilidade, embora a maior parte das reações se dê em pessoas com história de alergia a proteínas do ovo.

Nos últimos anos, uma nova, rara e grave complicação, a Doença Viscerotrópica Aguda (DVA) tem sido descrita envolvendo vacinas contra febre amarela de diferentes fabricantes e cepas. O quadro clínico se assemelha ao da febre amarela selvagem, com início (na primeira semana após a vacinação) de febre, astenia, icterícia, oligúria, instabilidade cardiovascular, hemorragia e necrose hepática (na autópsia). [3]

“O evento adverso mais preocupante é a febre amarela vacinal, ou seja a vacina causar as mesmas complicações que o vírus,” reconhece o Dr. André Siqueira. “Nos últimos anos houve mais casos de DVA, mas acredito que é um problema de notificação. Podem acontecer casos da DVA, principalmente em áreas de epidemia, que antigamente não eram identificados como DVA. Ao aumentar a vacinação indistinta, aumenta também o risco de vacinar uma pessoa que tenha ocasionalmente uma imunodeficiência. Até onde sabemos não há nenhuma evidência de que isso aconteça devido a qualquer característica da vacina. É muito mais uma resposta do indivíduo que não consegue conter o vírus atenuado.”

Todos os casos de DVA no mundo aconteceram após a primeira dose da vacina. Em alguns óbitos ocorridos no Brasil, os dados clínicos e anátomo-patológicos indicaram tratar-se de infecção pelo vírus vacinal sem alteração do genoma viral. A conclusão foi de que a complicação resultou de suscetibilidade individual. As estimativas de risco aproximadas colocam como pior cenário a frequência de 1 óbito para cada 450.000 doses aplicadas. [3]

Outros eventos adversos são emergências médicas a serem tratadas em unidades de terapia intensiva. Dependendo da gravidade do quadro ele pode gerar contraindicação para doses subsequentes. A investigação clínica e laboratorial é fundamental para a elucidação do diagnóstico etiológico, já que o quadro clínico pode ter múltiplas causas.

Eventos adversos da vacinação contra febre amarela

Evento adverso EAPV Descrição Tempo entre vacinação e evento adverso Frequência Conduta Observação
Manifestações locais Dor, eritema e enduração por 1 a 2 dias

 

1 a 2 dias ~ 4 %

 

Notificar abscessos, lesões extensas ou com limitação de movimentos e casos não graves muito frequentes. Revacinação é contraindicada  
Manifestações gerais Febre, mialgia, cefaleia. Sintomas leves por 1 ou 2 dias A partir do 3o dia ≤ 4% (menor em revacinados) Notificar e investigar aglomerados de casos: não contraindica revacinação Buscar casos em não vacinados
Hipersensibilidade Urticária, sibilos, laringoespasmo, edema de lábios, hipotensão, choque Menos de 2 horas 2 por milhão Notificar, investigar e, se for preciso, tratar ou encaminhar para especialista Revacinação contraindicada
Encefalite Febre, meningismo, convulsões, torpor 7 a 21 dias 1 em 22 milhões Notificar e investigar também outras síndromes neurológicas graves, diagnóstico diferencial Revacinação contraindicada
Doença viscerotrópica aguda Síndrome icterohemorrágica Primeiros 10 dias Menos de 1 para 450.000 doses Notificação imediata e coleta urgente de espécimes Revacinação contraindicada

Fonte: Manual de Vigilância Epidemiológica de eventos adversos pós vacinação. Ministério Saúde (2008)

Alterações genéticas apontam caminho para arboviroses transmitidas pelo Aedes aegypti

Postado em

Aedes-Aegypti

Teresa Santos (colaborou Dra. Ilana Polistchuck)

Uma das frentes de combate ao Aedes aegypti não está nas caixas d’água ou em outros recipientes de água parada — está no laboratório. Pesquisas com mosquitos geneticamente modificados em Piracicaba e no Rio de Janeiro estão se mostrando promissoras. Conheça as iniciativas:

Aedes do Bem™
O projeto da Oxitec, empresa criada por cientistas da Universidade de Oxford, Inglaterra, está conduzindo testes de campo em Piracicaba, interior de São Paulo. Dados de Vigilância Epidemiológica do município de julho de 2016 mostram que o projeto levou a uma redução de 91% no número de casos de dengue no bairro CECAP/Eldorado, o primeiro do teste.

 

O experimento consiste em liberar no ambiente uma linhagem de mosquitos transgênicos desenvolvida na Inglaterra. Essa linhagem de Aedes aegypti possui a inserção de dois genes. O primeiro deles é um gene sintético autolimitante, foi montado a partir de vários fragmentos de DNA de organismos vivos. “A partir do momento que a larva sai do ovo, o mosquito que recebeu esse gene autolimitante começa a produzir uma proteína que se liga ao maquinário de transcrição da célula. Funciona como se essa proteína sequestrasse o maquinário de transcrição. Quanto mais proteína é produzida, menos sítios disponíveis de transcrição existem. Chamamos, portanto, de um mecanismo de feedback positivo, pois quanto mais proteína é produzida, mais proteína se liga aos sítios de transcrição”, explicou ao Medscape a entomóloga Cecília Kosmann, supervisora de Produção e Ensaios de Campo da Oxitec do Brasil. É o acúmulo dessa proteína faz com que a célula deixe de funcionar adequadamente e, entre quatro e cinco dias, o inseto morre.

Apenas machos geneticamente modificados são liberados no ambiente, já que apenas as fêmeas picam. Esses machos cruzam com uma fêmea, que põe em média 150 a 200 ovos, e só cruza uma vez na vida.  A prole gerada deste cruzamento é heterozigótica, ou seja, recebe uma cópia do gene modificado do macho e uma cópia do gene normal da fêmea. “Um genótipo heterozigótico já é suficiente para que ocorra esse ‘sequestro do maquinário de transcrição celular’, o que faz com que os descendentes sejam incapazes de alcançar a fase adulta”, afirmou Cecília. O mecanismo, portanto, consiste em atuar em uma geração de mosquitos com o objetivo de atingir a geração seguinte.

O outro gene que está inserido nessa linhagem de Aedes aegypti é para monitoramento e não provoca nenhuma alteração propriamente dita no mosquito. “Usamos um gene de coral, que é amplamente utilizado na ciência, como marcador fluorescente. Com isso, conseguimos saber a proporção de descendentes transgênicos e selvagens de uma prole”, disse a entomóloga.

O monitoramento é feito tanto em áreas de liberação como em áreas controle, que não recebem mosquitos modificados. “Montamos armadilhas que simulam criadouros para as fêmeas, então elas colocam os ovos nas armadilhas. Coletamos o material, levamos para o laboratório, e, quando os ovos eclodem, fazemos a análise com microscopia”, afirmou, explicando que essa avaliação permite ajustar a taxa de liberação de mosquitos transgênicos nas áreas de liberação. Já a análise na área controle permite determinar se o que está levando à redução de larvas na área tratada é, de fato, a liberação dos insetos modificados. “Na área controle, costumamos ver uma redução da população no inverno e na seca e um aumento na época de chuva. Essa é a flutuação normal. Na área tratada, não identificamos esse boom“, disse.

No entanto, os mosquitos modificados são menos robustos que os selvagens, por causa da produção massiva em laboratório. Os Aedes do Bem™ sobrevivivem em média dois dias após a liberação no ambiente, em comparação com os mosquitos selvagens, que vivem entre 30 e 45 dias. Por causa disso, é necessário monitorar o tamanho das populações dos insetos para estimar a quantidade de mosquitos transgênicos a ser liberada. Em Piracicaba, a empresa trabalha com a proporção de 10 transgênicos para cada mosquito selvagem. “O que garante o sucesso reprodutivo do macho modificado é sua abundância populacional; a ideia é que a fêmea ache primeiro o transgênico”, disse Cecília.

A Oxitec está fazendo o teste de campo, no bairro CECAP/Eldorado, de 5.500 habitantes, desde abril de 2015 e no ano passado o projeto foi ampliado para mais 11 bairros da região central de Piracicaba, que somam 60 mil habitantes.  “Mas, como se trata de uma região central, há trânsito grande de pessoas e movimento de trabalhadores, o que resulta em mais de um milhão de pessoas atingidas pela estratégia. Podemos dizer que essas pessoas são atingidas porque sabemos que o mosquito tem o hábito diurno. Ou seja, as pessoas vão ser picadas no local de trabalho. Se protegemos a região central, estamos protegendo quem trabalha nessa região também”, afirmou.

Cecília Kosmann e os mosquitos transgênicos de Piracicaba
Imagem: cortesia Oxitec

De acordo com Cecília, houve redução de 82% na população de larvas do Aedes aegypti selvagem e de 91% nos casos de dengue no bairro CECAP/Eldorado. “Em julho de 2016, a Vigilância Epidemiológica de Piracicaba divulgou dados sobre o bairro. No período de 2014/2015, quando ainda não havia sido feita a liberação dos mosquitos modificados, houve 133 casos de dengue, o que caracterizou uma epidemia. Depois da liberação dos mosquitos, no período de julho de 2015 a julho de 2016, foram registrados apenas 13 casos da doença, sendo que a maioria dos infectados contraiu o vírus fora do bairro.”.

Antes de Piracicaba, testes foram feitos em outras localidades no Brasil, entre elas, Juazeiro (BA) em 2011, em parceria com o Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo e a ONG Moscamed e financiamento do governo da Bahia. Os dados referentes à Itaberaba, situada na região sudeste de Juazeiro, foram publicados em 2015 na PLoS Neglected Tropical Diseases[1]. Nesse caso, foi observada redução da população de A. aegypti de 95% com base nos dados de armadilha para adultos e de 81% na população de larvas.

Diante desses altos índices de redução, há quem pense em uma possível eliminação do mosquito ao longo do tempo a partir do emprego dessa tecnologia. Porém, Cecília disse que não é possível falar em erradicação. “O A. aegypti é exótico no Brasil. O ideal seria eliminar só por ser exótico. Mas, vivemos em mundo globalizado e esse mosquito é dito filantrópico e endofílico, ou seja, filantrópico significa que mantém estreita associação com homem e endofílico representa o mais alto grau de filantropia; o mosquito vive dentro da casa do ser humano. Então, ao viajar, o homem leva junto o mosquito. Isso significa que mesmo que haja erradicação, sempre haverá reintrodução. Falamos, portanto, em supressão e não em erradicação”, explicou.

A Oxitec tem aprovação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), órgão que regula o uso de organismos transgênicos no Brasil, mas ainda aguarda a  autorização de comercialização do serviço pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). Por enquanto, o projeto tem sido desenvolvido nos municípios a partir de parcerias. “No caso de Piracicaba, por exemplo, o município arcou com 50% do valor e a Oxitec com os outros 50%”, disse Cecília.

Projeto Avoiding First Bite

Outra investigação, ainda nos estágios iniciais, que envolve modificação genética que está sendo conduzida no país busca alterar o comportamento alimentar do A. aegypti. Mario Alberto Silva Neto, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador da Rede Zika 1 da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj), está conduzindo uma análise de RNAs e proteínas que se acumulam durante os primeiros dias de vida adulta do mosquito. A investigação faz partedo projeto Avoiding First Bite.

O material foi isolado da cabeça e do abdômen de machos e fêmeas. “A ideia é flagrar diferenças moleculares que esclareçam o porquê de ambos serem fitófagos( alimentarem de seiva de plantas) até o segundo/terceiro dia de vida e somente as fêmeas desenvolverem, a partir daí, os mecanismos de busca para a alimentação com sangue”, afirmou em entrevista ao Medscape.

A ideia é que, com a identificação e localização dos genes responsáveis por esses RNAs e proteínas, os pesquisadores possam modificá-los, usando a tecnologia CRISPR-Cas9 e bloquear o comportamento de busca de sangue na fêmea. “Elas irão permanecer se alimentando de seiva e não irão potencialmente se infectar com sangue contendo arbovírus. Mais ainda, no caso do Aedes aegypti, somente as fêmeas que se alimentam de sangue conseguem formar ovos. Assim, a outra consequência seria a gradual diminuição da população até sua extinção local”, esclareceu.

Para garantir que a inibição seja restrita ao comportamento alimentar e não afete outros aspectos do desenvolvimento, serão feitos testes de silenciamento parcial e total dos genes, seguidos de análise ampla de fenótipos e comportamentos variados, investigando, por exemplo, quando o inseto consegue ainda perceber a fonte de sangue, se ele se alimenta, quanto de sangue ingere, quantos ovos forma, se ele se torna ainda infectável pelos vírus zika, dengue e chikungunya, entre outros.

Outro conjunto de tecnologias, segundo Silva Neto, permitirá que essas alterações genéticas sejam fixadas na população, ou seja, se o inseto se reproduzir, ele poderá passar para a próxima geração as modificações inseridas em seu DNA, garantindo a permanência do comportamento fitófago estrito.

Até o momento, o grupo concluiu a análise do material coletado de uma geração da população de Aedes aegypti que vive no entorno da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, escolhida por abrigar 80% da população do estado. “Esses insetos foram cruzados extensivamente em laboratório para gerar uma população mais homogênea geneticamente. Em seguida, nós construímos 36 transcriptomas (coleção de RNAs) e 12 proteomas (coleção de proteínas) representativos de machos e fêmeas. Os resultados estão em análise nesse momento por uma equipe de cerca de 45 pesquisadores de diversas instituições do Rio de Janeiro e especialistas em diversas áreas, incluindo bioquímica, biologia molecular, bioinformática, fisiologia da olfação, metabolismo lipídico, sinalização celular, biotransformação, entre outros”, descreveu.

O próximo passo, segundo o pesquisador, seria iniciar os protocolos de silenciamento e os testes fenotípicos e comportamentais. No entanto, essa etapa depende de novos recursos da Faperj. “Essa fase está gravemente ameaçada, pois apesar da aprovação do projeto Avoiding First Bite pela FAPERJ a crise financeira do Estado do Rio de Janeiro não permitiu o pagamento da última fase do projeto. Ou seja, nos faltam cerca de US$ 100.000 dólares para concluir esse projeto e testar essa nova ferramenta. Temos os alvos moleculares, mas não temos como verificar se são eficientes. É um momento muito crítico e desapontador. Se não fizermos, outras nações farão e será bem mais caro comprar essa tecnologia”, alertou.

Brasil desenvolve teste que detecta simultaneamente zika, dengue e chikungunya

Postado em

Teresa Santos e Dra. Ilana Polistchuck

 

Já estão em produção no laboratório Bio-Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz os kits de testes que detectam simultaneamente infecções por zika, dengue e chikungunya. Desenvolvido em conjunto com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP), sob coordenação do Ministério da Saúde. O registro do kit molecular ZDC na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) foi publicado em 19 de dezembro de 2016 no Diário Oficial da União.

O kit identifica no sangue do paciente o RNA dos três vírus e permite determinar qual das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti está presente na amostra. O teste, que usa a técnica PCR (reação em cadeia da polimerase) em tempo real, pode ser usado tanto para o diagnóstico total dos três vírus quanto para diagnósticos parciais de um ou dois deles, de forma separada, e possibilita o diagnóstico na fase inicial da infecção.

À amostra de sangue do paciente com sintomas de uma das três infecções é adicionada uma partícula calibradora, que consiste em um vírus com características semelhantes, produzido e patenteado pela Fiocruz, mas sem potencial infeccioso. O resultado é obtido em cinco horas.

De acordo com Antônio Gomes Pinto, gerente do Programa de Reativos para Diagnóstico, a tecnologia de PCR em tempo real usada no kit envolve uma reação em triplex (com alvos de zika, chikungunya e controle interno) e uma reação duplex (alvo dengue e controle interno). Esses controles internos são as partículas calibradoras da Fiocruz.

Antonio Gomes Pinto, pesquisador da Fiocruz
Imagem: Divulgação

“As partículas calibradoras são adicionadas à amostra no momento da extração do ácido nucleico e permitem verificar e confirmar se as etapas de extração, amplificação e detecção ocorreram como esperado. Temos como validar o processamento, o que implica significativa garantia e segurança para este tipo de diagnóstico”, explicou Pinto em entrevista ao Medscape.

Os alvos de zika, dengue e chikungunya presentes nas reações triplex e duplex são obtidos a partir de amplificação com primers específicos para o material genético desses vírus. No caso da dengue, o teste consegue detectar se há infecção mas não consegue discriminar os sorotipos DENV-1, DENV-2, DENV-3, DENV-4,.

“Em nosso laboratório temos o protótipo de outro produto para detecção e discriminação dos quatro sorotipos de vírus da dengue. Se houvesse interesse do Ministério da Saúde, poderíamos registrar e distribuir este novo kit rapidamente”, diz o pesquisador, acrescentando que seu grupo também trabalha em uma nova versão aperfeiçoada do kit, onde será possível realizar uma única reação quadriplex (zika, dengue, chikungunya e calibrador).

“Este modelo ampliaria ainda mais a capacidade operacional, mas estimamos que a nova versão só seja alcançada em um ano”, afirma.

O laboratório Bio-Manguinhos já está produzindo os primeiros lotes (com a versão triplex e duplex) para uso no Sistema Único de Saúde (SUS) e a produção pode chegar a um milhão de reações por ano. O laboratório apenas fornecerá os kits; as unidades de saúde realizarão os exames in loco. Segundo Pinto, a instituição ainda aguarda a formalização do Ministério da Saúde quanto à demanda necessária. Mas, como a produção já começou, uma vez que a encomenda seja feita, será possível iniciar a distribuição e o uso do kit dentro de 30 a 45 dias.

O kit não atenderá a rede privada, já que a prioridade é o atendimento das demandas de saúde pública. A Fiocruz afirmou em comunicado que a produção dos kits poderá representar uma economia de mais de 50% aos cofres públicos, pois atualmente os insumos são obtidos de fornecedores internacionais. A estimativa de custo para realização do diagnóstico é de 20 dólares por teste simultâneo para os três vírus.

Mayaro: mais um vírus transmitido pelo Aedes aegypti que pode se espalhar

Postado em

  Mosquito Aedes aegypti, transmissor de zika, dengue, chikungunya e febre amarela, é analisado em laboratório de Cali, na Colômbia

 

Os microrganismos também lutam pela sobrevivência de suas respectivas espécies. Procuram se adaptar das maneiras mais incríveis possíveis para não desaparecer. É o que está acontecendo atualmente com um vírus chamado Mayaro. Não é um vírus novo. Foi identificado pela primeira vez em 1954 e existe em regiões silvestres aos redores da  região Amazônica.

Nas últimas semanas, pesquisadores da Flórida o identificaram no Haiti, em um menino de 8 anos, com febre e dores abdominais. Concluiu-se, portanto, que este vírus pode estar se espalhando pelo continente.

O grande problema é que este vírus  possivelmente tenha se adaptado. Antes era transmitido apenas por mosquitos vetores silvestres e agora aparentemente pode ser transmitido por mosquitos vetores urbanos que já estão espalhados pelo mundo: Aedes aegypti principalmente, e o Aedes albopictus. Se isso se confirmar, há muitas razões para nos preocuparmos, uma vez que o Aedes está fortemente presente em todo o território nacional. Este vírus provoca  uma doença semelhante à chikungunya. Chama-se Febre do Mayaro.

Quais os sintomas da Febre do Mayaro?
Os sintomas  são muito parecidos com os da dengue e/ou chiKungunya. Começa com uma febre inespecífica e cansaço, sem outros sinais aparentes. Logo após podem surgir manchas vermelhas pelo corpo, acompanhadas de dor de cabeça e dores  nas articulações. Os olhos podem também ficar doendo e em alguns casos reporta-se intolerância à luz. São sintomas muito parecidos e por isso a febre do Mayaro pode ser facilmente confundida com dengue ou com chikungunya. No entanto, no Mayaro as dores e o inchaço das articulações podem ser mais limitantes e durar meses para passar.

Como saber se é dengue, zika, Mayaro ou chikungunya?
Pelo quadro clínico pode ser difícil diferenciar. Só os exames laboratoriais específicos é que podem apontar o diagnóstico correto. No menino de 8 anos do Haiti suspeitou-se inicialmente de dengue ou chikungunya. Mas os testes vieram negativos e o de Mayaro confirmou ser positivo.

Há vacina ou tratamento específico para a febre do Mayaro?
Não. Até o momento não há nem vacina nem tratamento específico. O tratamento é dirigido ao alívio dos sintomas. A evolução em geral é bastante favorável.

Já foram confirmados casos de febre do Mayaro no Brasil?
Sim. Entre dezembro de 2014 e junho de 2015 foram confirmados 197 casos  de febre do Mayaro nas regiões Norte e Centro-Oeste, com destaque para os estados de Goiás, Pará e Tocantins. Todas estas pessoas moravam ou estiveram em área rural, silvestre ou de mata por atividades de trabalho ou lazer. O Estado de Goiás registrou 66 casos até fevereiro de 2016 e o Datasus não possui mais dados atualizados deste ano. Importante salientar que no Brasil a transmissão desta doença limitou-se a regiões de mata. Não há relatos, até o momento, de transmissão urbana.

Qual é a melhor forma de se proteger da febre do Mayaro?
Claro que as medidas que todos conhecemos para evitar a proliferação dos mosquitos são fundamentais e importantíssimas. Mas em um país continental e tropical, com chuvas e calor, essa tarefa é praticamente impossível. Por isso evitar as picadas são uma forma eficiente para garantir proteção. Isso pode ser feito com telas nas janelas, mosquiteiros nas camas,  principalmente nos berços do bebês pequenos e repelentes de mosquitos transmissores. Vale reforçar  que os repelentes indicados pela Organização Mundial de Saúde são a Icaridina, o DEET e o IR 3535.

Para lembrar: o Aedes vive só 45 dias, voa no máximo em um raio de 300 metros de onde nasceu e, para transmitir uma doença,  tem que picar primeiro uma pessoa contaminada para depois picar uma susceptível. Parece impossível “pegar” uma destas doenças, em se tratando de um mosquito de 0,5cm de comprimento e aparentemente “frágil”. Mas a realidade está aí para provar o contrário.  Podemos mata-lo com a palma de nossas mãos. Mas ele certamente também nos pode matar com uma picada imperceptível. Por isso, protejam-se!

Crédito da foto: Reuters/Jaime Saldarriaga

%d blogueiros gostam disto: