#Zumbido: ‘Doutor, tem um barulho no meu ouvido, e agora?’

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Zumbido: ‘Doutor, tem um barulho no meu ouvido, e agora?’

 

zumbido é uma sensação sonora sem origem de nenhuma fonte externa; o som pode ser percebido na cabeça ou ser predominante em um ou nos dois ouvidos. Os tipos de zumbidos são diversos, podendo ser descritos como apito, cachoeira, barulho de cigarra, chiado, bater de asas de borboleta, pulsátil… Dentre todos esses, podem ser divididos em objetivo, quando o som é gerado pelo fluxo sanguíneo, contração muscular ou emissões cocleares espontâneas; e subjetivo, quando não pode ser medido por um observador externo.

Zumbido

Pesquisas mostram que a prevalência na população maior que 18 anos varia de 10 a 25%. A principal causa do zumbido subjetivo é a perda auditiva, por isso, deve ser a nossa primeira suspeita. A prevalência é maior em pessoas mais velhas (acima de 70 anos) com a redução da acuidade auditiva pela presbiacusia. Entretanto, a incidência em jovens tem aumentado, devido a recorrente exposição sonora intensa, como por fones de ouvido. Um estudo transversal grande na população indiana, publicado em 2016, mostrou a relação da perda auditiva constatada por audiometria em 97% dos casos de pacientes com queixa de zumbido.

A perda auditiva súbita é associada ao início abrupto do zumbido, mas quando a perda é gradual, ele tende a se desenvolver ao longo de meses ou anos. O zumbido pode ser leve e intermitente ou atrapalhar intensamente as atividades de vida diária, sendo prejudicial ao sono e concentração, provocando sintomas depressivos e ansiedade.

Devemos nos atentar para os zumbidos unilaterais, pulsáteis (paraganglioma timpânico?), associados com alterações neurológicas ou com perda auditiva assimétrica na audiometria (neurinoma do acústico?); nesses casos, se faz necessária investigação com exames de imagem, sendo a ressonância magnética com ênfase no ângulo ponto-cerebelar o padrão-ouro.

Como tratar o zumbido

Algumas vezes, a resolução do zumbido pode ser rápida com a melhora da hipoacusia, como a remoção de rolha de cerume ou tratamento de uma otite serosa (efusão na orelha média). Por outro lado, os zumbidos subjetivos persistentes e severos devem incluir em seu tratamento a terapia cognitiva-comportamental, estimulação acústica e aconselhamento para o paciente reduzir a sua percepção. Nenhuma medicação apresenta comprovação científica na redução do zumbido, apenas agem para controlar as suas consequências, como antidepressivos e benzodiazepínicos.

Então, fica o recado de que a queixa de zumbido pelo paciente não deve ser menosprezada, principalmente quando ocorre início súbito do quadro, devendo ser orientado a procura mais rápida de um especialista para investigação de surdez súbita. O paciente com zumbido intenso, que atrapalha as atividades diárias, deve ser orientado corretamente, até porque alguns zumbidos podem não ter cura, mas existem tratamentos para melhorar a qualidade de vida.

 

PebMed

Referências:

  • Bauer C. Clinical Practice. N ENGL J MED. 2018;378(13):1224–31
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