#Precisa se exercitar mais? Arrume um cachorro

Postado em

Norra MacReady

Faça chuva ou faça sol, o cachorro precisa passear – e isso pode ser bom para idosos que precisam de mais exercícios, dizem os autores de um novo estudo.

Em um estudo com mais de 3000 adultos idosos no Reino Unido, proprietários de cães que passeavam regularmente com seus animais tiveram níveis diários de atividade física que eram, em média, 20% mais elevados do que aqueles das pessoas que não tinham um cão, relatam o autor sênior Andy Jones e colaboradores no Journal of Epidemiology and Community Health. Aqueles que passeiam com cães passaram cerca de 30 minutos a menos por dia sendo sedentários, mesmo com mau tempo.

Os achados sugerem que passear regularmente com o cachorro pode ter um “potencial considerável” de ajudar pessoas mais idosas a manterem os níveis de atividade física, e pode mesmo ser incluído nos esquemas de prescrição de exercícios, acrescentam eles.

Citando pesquisas prévias que mostraram uma associação entre passear com o cachorro e atividade física entre idosos, Jones, professor de ciências ambientais, Norwich Medical SchoolUniversity of East Anglia, em Norwich (Reino Unido), e os coautores Yu-Tzu Wu e Robert Luben, ambos do Cambridge Institute of Public Health (Reino Unido), estudaram 3123 homens e mulheres participantes do estudo European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition Norfolk , que é parte de um grande estudo de 10 países sobre os maiores determinantes de doenças crônicas, incapacidade e morte na meia e na terceira idades.

Voluntários foram recrutados entre setembro de 2006 e dezembro de 2011. Eles foram inscritos em um de três grupos: donos de cães que passeavam com seus animais pelo menos uma vez ao dia; dono de cães que não passeavam com seus animais regularmente; e pessoas que não tinham cães. Para medir o tempo em atividade física e sedentário, cada pessoa utilizou um monitor de atividade durante as horas despertas por um período contínuo de sete dias. A análise final incluiu apenas pessoas que usaram os monitores por, no mínimo, 10 horas por dia. Usando informações meteorológicas locais, os pesquisadores compararam os níveis de atividade dos grupos com mudanças em precipitação, temperatura e número de horas de luz do sol.

Os participantes tinham uma média de idade de 69,5 anos (desvio padrão, DP, 7,6), e incluíam 1775 mulheres (56,8%). No total, foram 573 donos de cães (18,3%), dos quais 383 (66,8%) passeavam com seus animais regularmente. Os 190 restantes (33,2%) não passeavam com seus animais.

A atividade diária foi expressa em contagens por minuto (CPM), e minutos de tempo sedentário. O tempo sedentário médio da amostra como um todo foi de 667,1 minutos (DP, 133,9), ou aproximadamente 11 horas, e a atividade diária média foi de 249,8 CPM (DP, 153,4).

Depois de ajustes para idade, sexo, nível educacional e condição de saúde, aqueles que caminhavam regularmente registraram uma média de 300 contagens por minuto em dias não chuvosos. Esse valor caiu para uma média de 37 CPM (IC de 95%, -50,3 a -23,8) em dias úmidos, definidos como dia com uma precipitação mínima de 2,8 mm. Os não proprietários começaram com aproximadamente 250 CPM em dias agradáveis, e reduziram para 80,0 CPM (IC de 95%, -92,6 a -67,3) em dias chuvosos. Os proprietários de cães que não passeavam regularmente com seus animais mostraram um padrão semelhante ao de não proprietários.

Todos os grupos reduziram a atividade quando a temperatura caiu, e quando diminuiu o número de horas de luz do sol. Mas, mesmo nos dias mais frios (< 10,0°C), aqueles que passeavam regularmente com seus cães foram mais ativos (275,1 CPM) do que os proprietários que não passeavam com seus animais (249,6 CPM) ou do que aqueles que não tinham um cachorro (249,6 CPM) eram nos dias mais quentes (19,2°C). Novamente, esse padrão persistiu quando a atividade foi medida em relação às horas de luz do sol.

De forma semelhante, aqueles que passeavam regularmente com seus cães registraram um menor tempo de sedentarismo (648,6 minutos) nos dias mais úmidos, comparado com 660,6 minutos registrados por não proprietários nos dias secos.

Esses achados “mostram níveis de atividade até 22% maiores em donos de cães do que em não donos em condições ambientais piores”, escrevem os autores. “Isso indica que ser proprietário de um cachorro, em particular por passear com ele, tem o potencial de ser um componente efetivo da promoção de atividade física nessa população”.

No entanto, os pesquisadores concordam que restrições financeiras ou de habitação podem tornar impossível que mesmo pessoas que gostam de cães mantenham um animal permanentemente. Para eles, organizações como BorrowMyDoggy.com , que combina proprietários de cães com pessoas que gostariam de passear ou cuidar temporariamente de cachorros, podem oferecer uma solução para essa questão.

O estudo também dá pistas sobre o papel da motivação extrínseca em fazer com que as pessoas se exercitem, concluem eles. Como aponta Jones, “passear com o cachorro é dirigido pela necessidade do animal. Ser dirigido por algo além das nossas necessidades pode ser um motivador realmente potente, e precisamos encontrar formas de aproveitar isso ao desenhar intervenções de práticas de atividade física no futuro”.

“Se não podemos mudar o clima”, acrescentou ele, “precisamos mudar as atitudes das pessoas em relação a ele, para nos certificarmos de que elas saiam de casa e permaneçam ativas mesmo quando as condições climáticas são ruins”.

Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

J. Epidemiol Community Health. Publicado on-line em 24 de julho de 2017. Artigo

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