Risco de #pré-diabetes não é reconhecido por muitos #médicos da atenção primária

Postado em

Laird Harrison

Poucos profissionais da atenção primária sabem quando triar os próprios pacientes para pré-diabetes, aponta uma nova pesquisa.

“Acreditamos que os resultados são um alerta para todos os profissionais da atenção primária para que reconheçam melhor os fatores de risco do pré-diabetes, que é um problema grave de saúde pública”, disse a Dra. Eva Tseng, professora-assistente na Johns Hopkins University School of Medicine, em Baltimore, Maryland, em uma coletiva de imprensa.

Apenas 6% de todos os profissionais da atenção primária pesquisados em uma conferência médica identificaram todos os 11 fatores de risco que deveriam indicar a triagem imediata de acordo com as diretrizes da American Diabetes Association (ADA).

A Dra. Eva e colaboradores publicaram seus achados on-line em 20 de julho no Journal of General Internal Medicine.

Oitenta e seis milhões de adultos têm pré-diabetes, e 70% deles vão desenvolver diabetes. Mudanças no estilo de vida podem prevenir essa progressão, mas a maioria das pessoas com a condição não está ciente do próprio diagnóstico, e apenas um quarto relata ter recebido recomendações relevantes sobre o estilo de vida, escrevem os pesquisadores.

Para descobrir se o problema poderia se originar da falta de conhecimento entre médicos da atenção primária, os pesquisadores solicitaram aos participantes de um evento para atenção primária em 2015, associados a algum tipo de prática no Johns Hopkins, que participassem de uma pesquisa. Os respondedores receberam um vale-presente de 10 dólares como incentivo.

A maioria dos participantes era de médicos treinados em medicina interna, medicina de família ou medicina interna-pediatria. Havia nove enfermeiras e um médico-assistente da atenção primária. Quase três quartos eram mulheres, 55% eram brancos, 23% asiáticos e 14% afro-americanos. Mais da metade (59%) estava atuando há pelo menos 10 anos.

Os participantes foram solicitados a identificar 11 fatores de risco para pré-diabetes:

  • Idade > 45 anos
  • Índice de massa corporal > 25kg/m²
  • Hipertensão
  • Dislipidemia
  • Doença cardiovascular
  • História familiar de diabetes em um parente de primeiro grau
  • Estilo de vida sedentário
  • Ser afro-americano
  • Ser asiático-americano
  • Ser latino, e
  • História de diabetes gestacional

    Os pesquisadores retiraram a lista das diretrizes da ADA. Em média, os participantes identificaram oito desses fatores. A maior probabilidade foi de esquecer a raça asiática e a etnia hispânica.

    Dezessete por cento identificaram corretamente os valores laboratoriais de glicemia de jejum (100 – 125 mg/dL) e HbA1c (5,7% – 6,4%) para diagnóstico do pré-diabetes.

    Dentre os profissionais da área de pediatria, 43% selecionaram os valores corretos de HbA1c, comparados com 20% dos médicos de família, e 12% dos especialistas em medicina interna, uma diferença estatisticamente significativa (P = 0,02).

    Um quarto dos participantes identificou corretamente uma perda de peso de 5% a 7% como o alvo recomendado para pessoas diagnosticadas com pré-diabetes, e 45% identificaram corretamente a recomendação mínima semanal de 150 minutos de atividade física.

    A pesquisa também questionou os participantes sobre a abordagem deles quanto ao pré-diabetes. Nove de 10 usavam a glicemia de jejum e a HbA1c como ferramentas de rastreio.

    Quase todos (99%) identificaram o aconselhamento sobre dieta e atividade física como a estratégia inicial de tratamento, com 12% encaminhando os pacientes para programas comportamentais de perda de peso.

    Um quarto nunca havia prescrito metformina para pré-diabetes, e 36% prescreveram para não mais do que 5% de seus pacientes. Os respondedores tinham maior probabilidade de prescrever metformina para pacientes com índice de massa corporal elevado ou para pacientes que não responderam a recomendações de estilo de vida.

    Nas diretrizes de 2017 a ADA recomenda que a metformina seja considerada em pacientes com pré-diabetes que falharam em reduzir o próprio risco de diabetes com mudanças no estilo de vida.

    Embora 42% dos respondedores tenham achado as diretrizes da ADA úteis, elas não eram familiares para 30% deles.

    Uma limitação do estudo é que os participantes eram todos associados ao Johns Hopkins e poderiam não ser representativos dos profissionais de todo o país, ressaltou a Dra. Eva na coletiva de imprensa. No entanto, afirmou ela, os resultados são valiosos porque ela não tem conhecimento de nenhuma outra pesquisa sobre a abordagem do pré-diabetes por médicos da atenção primária.

    “Profissionais da atenção primária têm um papel vital na triagem e na identificação de pacientes em risco de desenvolver diabetes”, disse aos jornalistas a coautora Dra. Nisa Maruthur, professora-assistente de medicina na Johns Hopkins University School of Medicine.

    “Esse estudo destaca a importância de aumentar o conhecimento do profissional e a disponibilidade de recursos para ajudar os pacientes a reduzirem próprio risco de diabetes”.

    O estudo recebeu financiamento dos National Institutes of Health. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

    J Gen Intern Med. Publicado on-line em 20 de julho de 2017. Resumo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s