#A guerra das #gorduras

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Dr. George D. Lundberg equipe Medscape

Olá e bem-vindo. Sou o Dr. George Lundberg e este é o At Large do Medscape. Estou prestes a preparar meu jantar e não sei o que comer. Você pode me ajudar?

Você provavelmente viu o “aconselhamento da presidência” da American Heart Association (AHA) sobre gorduras dietéticas e doenças cardiovasculares, feito por 12 notáveis autores.[1] O conteúdo foi publicado no próprio jornal da AHA, Circulation, em 15 de junho de 2017, causando um grande alvoroço. Os autores ignoraram a literatura mundial, escolheram a dedo quatro estudos que consideravam ser os melhores, e declararam que diminuir a ingestão de gorduras saturadas, juntamente com uma maior ingestão de gordura poliinsaturada e monoinsaturada, reduziria as doenças cardiovasculares em cerca de 30%.

Não importa que em 18 de março de 2014, uma revisão sistemática e meta-análise[2] de vários estudos observacionais e ensaios clínicos feita por seis autores de Cambridge (Inglaterra), publicado no Annals of Internal Medicine, não tenha encontrado evidências de que o baixo consumo de gorduras saturadas totais e o alto consumo de gorduras poliinsaturadas afetaram os riscos relativos para doença arterial coronariana. Não importa que em 12 de agosto de 2015, 11 autores de Hamilton e Toronto (Canadá), relataram em uma revisão sistemática e meta-análise de vários estudos de coorte prospectivos,[3]que a ingestão de gorduras saturadas não estava associada à mortalidade por todas as causas, doenças cardiovasculares, doenças coronárias, acidente vascular cerebral isquêmico ou diabetes tipo 2, embora as gorduras trans, especialmente as de origem industrial, estivessem.

Era uma vez, em 1982, um artigo do Multiple Risk Factor Intervention Trial Research Group,do National Heart, Lung, and Blood Institute,publicado pelo JAMA.[4] Naquela época, eu era tão ingênuo que acreditava que o colesterol sérico elevado causava aterosclerose.

David Cundiff está estudando 19 diferentes fatores de risco relativos para doenças cardiovasculares em 168 países. Eles incluem consumo de produtos de origem animal; carboidratos refinados; álcool; tabaco; ingestão de vitamina K2 nível de exercício; índice de massa corporal; glicemia de jejum / hemoglobina A1C; pressão sanguínea; medicação para hipertensão; relação colesterol / HDL; renda pessoal; nível de escolaridade; gênero; idade; etnia; nível de vitamina D; poluição do ar; e estresse fetal, neonatal e infantil. Isso parece muito complicado. Os resultados estão publicados em Cureus.[5]

Por fim, temos o excelente relato de caso anedótico de Fred Kummerow, que morreu em 31 de maio de 2017.[6] Professor de Illinois, Kummerow nasceu na Alemanha, mudou-se para Wisconsin entre as guerras e tornou-se PhD em bioquímica. Ele nunca acreditou muito que o colesterol, gorduras saturadas, ovos, carne e manteiga tinham relação com doença cardíaca. Mas a partir de 1957, sua pesquisa demonstrou extensos danos vasculares derivados de gorduras trans, margarina e frituras.[7,8] Depois de 400 trabalhos de pesquisa de Kummerow, a FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos finalmente se posicionou contra a prática de adicionar gorduras trans manufaturadas em alimentos processados.

Eu mencionei que ele tinha 102 anos quando morreu este ano? Ele praticava o que pregava.

Enquanto isso, de volta aos 19 fatores de risco. Estou em boa forma em 13 deles e não há nada que eu possa fazer em relação a quatro deles. Então acho que vou preparar alguns feijões e cenouras, uma maçã e um ovo cozido.

Esta é minha opinião. Sou o Dr George Lundberg, para o At Large do Medscape.

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