#Diagnóstico de intolerância à lactose sem lágrimas? É possível!

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leite sendo derramado em um chão preto

Diagnóstico de intolerância à lactose sem lágrimas? É possível!

Todos os dias estamos recebendo cada vez mais pacientes com queixas relacionadas à “vilã” do momento: a lactose. Ser intolerante à lactose é uma condição normal do adulto. Nosso corpo tem a lactase, enzima que quebra a lactose em galactose e glicose, em altas taxas durante a infância, e com o tempo a expressão dessa enzima começa a cair.

Isso é determinado geneticamente, com diferenças entre raças: em geral, os negros têm uma expressão de lactase menor que os brancos, os indivíduos de regiões mais frias têm uma lactase mais ativa… Ou seja, todos nós temos algum grau de intolerância à lactose. E isso ocorre somente nos adultos? Não! Na verdade, como é determinada geneticamente, pode ter casos de crianças que não expressam a lactase. Quando isso ocorre de forma congênita, pode ser incompatível com a vida, se não for diagnosticada rapidamente!

Então, se todos nós temos alguma intolerância, por que alguns sofrem de sintomas e outros não? Porque essa variação, determinada geneticamente, pode sofrer outras influências. É comum os pacientes abrirem o quadro de intolerância à lactose após um quadro de gastroenterite, por exemplo.

Os sintomas mais comuns são diarreia, borborigmos e aumento do volume abdominal. Esses sintomas começam cerca de 30 minutos após a ingestão, quando o substrato atinge o duodeno.

Diagnóstico

O diagnóstico é feito de duas formas, sendo o teste sanguíneo a mais comum. É feita uma coleta de sangue no início do exame, com avaliação da glicose nessa amostra. Depois o substrato é fornecido, havendo uma nova coleta e nova avaliação de glicemia após cerca de 30 minutos. Caso o paciente tenha intolerância, essa glicose não tem uma variação importante.

Há outra forma de diagnosticar a intolerância? Sim. Com os testes respiratórios com hidrogênio. São considerados padrão ouro para diagnóstico. Eles são práticos, feitos em consultório, sem necessidade de coleta de sangue, e funcionam da seguinte maneira: quando fornecemos o substrato para o paciente, caso ele não seja intolerante, irá absorver a galactose e a glicose. Quando é intolerante, sobra substrato para as bactérias intestinais, que utilizam isso para seu metabolismo. Assim, há uma liberação de hidrogênio maior que a basal, que é detectada por um aparelho desenvolvido para isso.

Para ser submetido ao exame, o paciente realiza uma dieta não fermentativa na véspera. No dia do exame, em jejum de pelo menos 12h, há uma avaliação do hidrogênio basal. Essa avaliação é feita soprando em um aparelho que analisa os gases da expiração (da mesma forma que se realiza um teste do bafômetro), quantificando o hidrogênio liberado em partes por milhão (ppm). Após isso, fornecemos o substrato para o paciente (lactose) e, a cada 30 minutos, avaliamos a quantidade de hidrogênio liberado na expiração através do mesmo aparelho. Caso o teste seja positivo, há um aumento de 12 ppm em relação ao basal.

Esse teste pode ser realizado em crianças? Sim. O que varia em relação ao adulto é a quantidade de lactose fornecida, que muda de acordo com o peso da criança. Como o teste envolve soprar no aparelho, algumas crianças não são capazes de manter de forma eficaz esse sopro; então utilizamos uma bolsa coletora de ar expirado e depois a inserimos no aparelho. Um pouco mais complicado, mas igualmente eficaz.

O que fazer se o teste for positivo? Não devemos descartar completamente os laticínios da dieta porque necessitamos ingerir cálcio, mas podemos recomendar a ingestão de alimentos com teor reduzido da lactose ou mesmo usar a lactase exógena. Essa última deve ser usada sempre sobre a comida, ou seja, faz a ingestão do alimento e logo após usa a lactase.

E se o teste for negativo, mas o paciente está sintomático? Ele pode ter outros tipos de intolerância, como à frutose; ou pode ser colonizado por bactérias que liberam pouco hidrogênio e mais metano.

Assim, tanto o teste sanguíneo como o respiratório fazem o diagnóstico de intolerância à lactose. Entretanto, teste sanguíneo tem o inconveniente de duas coletas de sangue, o que pode ser bem difícil para crianças. Dessa forma, o teste respiratório traz a grande vantagem de ser mais bem tolerado pelos pacientes dessa faixa etária.

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