#Rastreamento da disfunção erétil deve ser feito de rotina no diabetes

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Kristin Jenkins
27 de julho de 2017

A disfunção erétil atinge mais de 50% dos homens com diabetes em todo o mundo, e mais de 65% dos homens com a doença de tipo 2, revelam novos dados de uma grande meta-análise.
Os médicos devem, portanto, rastrear nos homens com diabetes a disfunção erétil como parte de uma avaliação de rotina da saúde cardiovascular, diz o Dr. Youssef Kouidrat, médico do Hôpital Maritime de Berck (França), e colaboradores, em um artigo publicado on-line em 18 de julho de 2017 no periódico Diabetic Medicine.
“A disfunção erétil é comum no diabetes, atingindo mais da metade dos homens com esta doença, e com uma probabilidade de prevalência de aproximadamente 3,5 vezes maior do que entre os controles”, dizem os autores.
“Nossos achados sugerem que se deve fazer o rastreamento e a intervenção adequada para os homens com disfunção erétil”.
A disfunção erétil provavelmente é um marcador precoce do diabetes não diagnosticado

Vários estudos mostraram que a idade avançada, a duração do diabetes, o mau controle glicêmico, a hipertensão, a hiperlipidemia, o estilo de vida sedentário, o tabagismo, e a presença de outras complicações do diabetes estão associados à disfunção erétil relacionada com o diabetes.
Nesta recente meta-análise, em comparação com controles saudáveis, a prevalência mundial de disfunção erétil entre homens com diabetes foi de 52,5%. A prevalência foi de 66,3% para o diabetes tipo 2, 37,5% para o diabetes tipo 1 e 57,7% para os dois tipos de diabetes (todos com P < 0,0001).
No entanto, a análise também revelou diferenças significativas na prevalência informada de disfunção erétil no diabetes, variando de 35% a 80%, segundo os autores do estudo.

Observando que diferentes questionários validados, como o do índice internacional de função erétil 5 (IIEF-5, do inglês I nternational Index of Erectile Function 5 ) e o inventário de saúde sexual para os homens (SHIM, do inglês S exual Health Inventory for Men) são úteis para o diagnóstico da disfunção erétil, disse ao Medscape o segundo autor da pesquisa, Dr. Damiano Pizzol, médico do Doctors With Africa Cuamm, em Beira (Moçambique), para quem um consenso internacional sobre um questionário único padronizado para o diagnóstico seria o ideal.
Para a meta-análise, os pesquisadores fizeram uma pesquisa bibliográfica em grandes bancos de dados até novembro de 2016, produzindo 145 estudos relevantes, representando 88.577 homens com média de idade de 56 anos.
A prevalência de disfunção erétil foi maior (82,2%) nos 17 estudos que utilizaram o questionário SHIM, embora os autores observem que estudos com maior percentual de pessoas com hipertensão tenham moderado os resultados.

A análise também mostra que o risco de disfunção erétil aumenta entre os homens com diabetes após os 60 anos de idade. Isso vai ao encontro do estudo Massachusetts Male Aging Study, que mostrou um risco de disfunção erétil ajustado pela idade entre os homens com diabetes que era o dobro do risco dos homens sem diabetes.
E a constatação de que a prevalência de disfunção erétil foi maior entre os homens com diabetes tipo 2 do entre aqueles com diabetes tipo 1 sugere que muitos homens com diabetes tipo 2 podem já ter disfunção erétil no momento do diagnóstico, dizem os pesquisadores, apontando para os estudos que mostram que a disfunção erétil é um marcador precoce do diabetes não diagnosticado.
Conforme informado anteriormente pelo Medscape, o rastreamento do diabetes pode ser particularmente importante entre os homens de meia-idade com disfunção erétil. Essa pesquisa sugeriu que a identificação de fatores de risco cardiometabólicos não diagnosticados pode melhorar o diagnóstico precoce e o tratamento subsequente.
Dr. Kouidrat e colaboradores também indicam as crescentes evidências de uma ligação direta entre a disfunção erétil e as doenças cardiovasculares, sendo a primeira um sinal de alerta de aterosclerose precoce, segundo eles, observando que os pacientes com diabetes apresentam aumento do risco de morbidade e mortalidade cardiovascular.

“A relação da disfunção erétil com certos fatores de risco, como a idade ou os fatores de risco cardiovascular (hipertensão arterial), é bem conhecida, e nosso estudo corrobora essas associações”, escrevem os pesquisadores.
Não negligencie os homens jovens com diabetes tipo 1

Olhando adiante, Dr. Kouidrat e colaboradores sugerem que são necessários estudos prospectivos e longitudinais de populações com diabetes tipo 1 e tipo 2 para caracterizar outros fatores de risco envolvidos na gênese da disfunção erétil, como a duração da doença e o tabagismo.
A disfunção erétil também contribui para a piora da qualidade de vida e, em alguns casos, para a depressão. Novamente, a detecção precoce é fundamental, e a melhora do bem-estar psicológico exige uma abordagem multidisciplinar, que inclua orientação psicossexual e conselhos de um urologista especializado em disfunção erétil, dizem os autores.
Um estudo anterior realizado com homens jovens de 18 a 35 anos de idade com diabetes tipo 1 mostra que mais de um terço tinha disfunção erétil.
Os pesquisadores urgem os médicos a tomarem consciência disso, observando que o rastreamento não deve ser negligenciado nem para os pacientes jovens com diabetes tipo 1. Eles também enfatizam que a disfunção erétil ocorre pelo menos uma década antes nos pacientes com diabetes, sendo mais grave e menos sensível à medicação oral do que para os pacientes sem diabetes.
“O verdadeiro desafio é sensibilizar os homens jovens para a saúde, especialmente a saúde sexual e reprodutiva”, observou o Dr. Pizzol.

Os autores do estudo informaram não possuir conflitos de interesses relativos ao tema.
Diabet Med. Publicado on-line 18 de julho de 2017.

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