Empresas de tecnologia declaram guerra aos # mosquitos vetores de doenças

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Julie Steenhuysen

CHICAGO (Reuters) – As empresas de tecnologia norte-americanas estão trazendo a automação e a robótica para a tarefa ancestral de combater mosquitos, na tentativa de frear a disseminação do vírus Zika e de outras doenças transmitidas por mosquitos em todo o mundo.

Estas empresas, incluindo a Microsoft Corp e a empresa californiana de ciências biológicas Verily, estão formando parcerias com autoridades de saúde pública em vários estados norte-americanos para testar novas ferramentas de alta tecnologia.

No Texas, a Microsoft está testando uma armadilha inteligente para isolar e capturar os mosquitos Aedes aegypti, conhecidos vetores do vírus Zika, para que os entomologistas possam estudá-los e dar um passo à frente na previsão de epidemias.

A Verily, a divisão de ciências biológicas da Alphabet, com sede em Mountain View, na Califórnia, está acelerando o processo de criação de mosquitos machos estéreis para acasalar com fêmeas na natureza, viabilizando assim uma forma de controle de natalidade para esta espécie.

Embora possa levar anos até que esses avanços estejam amplamente disponíveis, especialistas em saúde pública dizem que os novos parceiros trazem um novo olhar ao controle de vetores, que atualmente ainda depende muito das defesas tradicionais, como os larvicidas e os inseticidas.

“É emocionante quando as empresas de tecnologia embarcam no projeto”, disse Anandasankar Ray, professor-associado de entomologia na University of California, em Riverside.

“A abordagem deles para um desafio biológico é a de criar uma solução por meio da engenharia”.

Armadilhas inteligentes

A epidemia de Zika que assolou o Brasil em 2015 e deixou milhares de bebês com anomalias congênitas acrescentou o elemento urgência a esta iniciativa. Embora os casos tenham diminuído acentuadamente, os mosquitos que transmitem o vírus – Aedes aegypti e Aedes albopictus – estão se espalhando nas Américas, inclusive em grandes faixas do sul dos Estados Unidos.

A grande maioria dos 5.365 casos zika notificados nos Estados Unidos até agora é de viajantes que contraíram o vírus no Exterior. Ainda assim, dois estados – o Texas e a Flórida – registraram casos da doença transmitida por mosquitos locais, tornando estas regiões os principais campos de testes das novas tecnologias.

No Texas, 10 armadilhas de mosquito feitas pela Microsoft estão operantes em Harris County, que inclui a cidade de Houston.

Quase do tamanho de grandes casas de pássaros, os dispositivos utilizam robótica, sensores infravermelhos, aprendizado por máquinas e computação em nuvem para ajudar as autoridades de saúde a controlar os potenciais vetores de doenças.

O Texas registrou seis casos de transmissão do vírus Zika por mosquitos locais em novembro e dezembro do ano passado. Os especialistas acreditam que o número real provavelmente seja maior porque a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas.

As gestantes são de alto risco porque o vírus pode passar para os fetos, resultando em uma ampla gama de anomalias congênitas. Dentre estas, a microcefalia, condição na qual os bebês nascem com a caixa craniana e o cérebro de tamanho menor. A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a doença provocada pelo vírus Zika uma emergência de saúde pública mundial em fevereiro de 2016.

A maioria das armadilhas convencionais para os mosquitos captura tudo – mariposas, moscas, outras variedades de mosquitos – deixando uma pilha de espécies para os entomologistas classificarem. As máquinas da Microsoft diferenciam os insetos medindo uma característica exclusiva de cada espécie: a sombra projetada pelo batimento das asas. Quando a armadilha detecta um Aedes aegypti em uma das suas 64 câmaras, a porta se fecha.

A máquina “decide se captura ou não o inseto”, disse Ethan Jackson, engenheiro da Microsoft que está trabalhando no dispositivo.

Os testes realizados em Houston, iniciados no verão passado, mostraram que as armadilhas conseguiram identificar com 85% de acurácia o Aedes aegypti, bem como outros mosquitos de importância clínica, disse Jackson.

As máquinas também registram as sombras projetadas por outros insetos, assim como as condições ambientais, como temperatura e umidade. Estes dados podem ser usados ​​para construir modelos para prever onde e quando os mosquitos estarão ativos.

Mustapha Debboun, diretor da divisão de controle de mosquitos e vetores de Harris County, disse que as armadilhas economizam tempo e fornecem aos pesquisadores mais informações sobre o comportamento dos mosquitos. Para a ciência e a pesquisa, este é um sonho que se tornou realidade, disse ele.

As armadilhas atuais são protótipos. Mas Jackson, da Microsoft, disse que a empresa espera poder vendê-los por algumas centenas de dólares cada quando aprovadas, quase o preço das armadilhas convencionais. O objetivo é estimular a ampla adoção dos aparelhos, particularmente nos países em desenvolvimento, para detectar as potenciais epidemias antes mesmo delas começarem.

“O que esperamos é que as armadilhas nos permitam trazer mais acurácia para a saúde pública”, disse Jackson.

Diferenciando mosquitos com robôs

Enquanto isso, outras empresas estão criando tecnologia para reduzir a população de mosquitos esterilizando os Aedes aegypti machos. Quando esses machos estéreis acasalam com as fêmeas na natureza, os ovos da fêmea não eclodem.

A estratégia oferece uma alternativa aos pesticidas químicos, porém requer a liberação de milhões de mosquitos criados em laboratório ao ar livre. Os machos não picam, o que facilitou a venda deles para os lugares onde os testes estão sendo realizados atualmente.

A Oxitec, divisão baseada em Oxford (Inglaterra) da Germantown, da Intrexon Corp, de Maryland, está criando mosquitos machos geneticamente modificados para serem estéreis. A emopresa já liberou estes mosquitos no Brasil, e está buscando aprovação regulatória para realizar testes na Flórida e no Texas.

A MosquitoMate Inc., uma empresa criada por pesquisadores da University of Kentucky, está usando uma bactéria natural chamada Wolbachia para esterilizar os mosquitos machos. Um dos maiores desafios é diferenciar os sexos.

Nos laboratórios da MosquitoMate, em Lexington, os mosquitos imaturos são forçados a passar através de um mecanismo semelhante a uma peneira que separa as fêmeas dos machos, que são menores. Estes mosquitos são então diferenciados à mão para eliminar qualquer fêmea perdida que tenha se introduzido na amostra.

“Isso é feito basicamente usando os globos oculares”, disse Stephen Dobson, diretor executivo da MosquitoMate.

Digite Verily. A empresa está automatizando a diferenciação dos mosquitos com robôs para torná-la mais rápida e acessível. Os funcionários da empresa não quiseram dar entrevistas. Mas em seu site, a Verily diz que está combinando sensores, algoritmos e “inovações da engenharia” para acelerar o processo.

A Verily e a MosquitoMate se uniram para testar suas tecnologias em Fresno, Califórnia, onde o Aedes aegypti chegou em 2013.

As autoridades temem que os residentes que contraírem o vírus Zika em outro lugar possam espalhá-lo em Fresno se forem picados por mosquitos locais que poderiam transmitir o vírus para outros.

“Isso é muito preocupante porque é o vetor primário de doenças como a dengue, a chikungunya e, evidentemente, a zika”, disse Steve Mulligan, gerente do Consolidated Mosquito Abatement District, em Fresno County.

O estudo, que ainda precisa de aprovação estadual e federal, está previsto para o final deste verão.

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2 comentários em “Empresas de tecnologia declaram guerra aos # mosquitos vetores de doenças

    carlanunesmatos disse:
    08/17/2017 às 06:08

    Oi!

    Durante minha pesquisa na elaboração sobre uminfográfico sobre o mosquito acabei chegando a sua página. Ajudou bastante!

    Se quiser, dê uma olhada no nosso site e no infográfico que criámos para celebrar o Dia Mundial do Mosquito!

    Abraço!

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      cjldo2013 respondido:
      08/17/2017 às 10:07

      Bom dia: achei interessante o seu site, e o seu infográfico,ainda que vocês não fazem nenhuma menção ao nosso blogue.
      Gostaríamos que nas próximas ocasiões não se esqueçam e que nos ajudem a difundir as noticias do mundo médico no mundo todo.
      Muito obrigado.
      Abraços

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