Probabilidade de # gestação é um terço menor entre as mulheres que sobreviveram ao # câncer

Postado em

Kristin Jenkins

O tratamento da maioria dos tipos de câncer entre meninas e mulheres com menos de 39 anos reduz significativamente a probabilidade de gestação subsequente, revela agora um grande estudo populacional.

As pacientes que sobreviveram ao câncer foram 38% menos propensas a engravidar em comparação às mulheres na população geral; um impacto do tratamento do câncer observado em quase todos os grupos de diagnóstico e em todas as idades, segundo um grupo de pesquisa liderado pelo Dr. Richard Anderson, PhD, do MRC Center for Reproductive Health, Queen’s Medical Research Institute da University of Edinburgh (Reino Unido).

O estudo mostrou que 20,6% das pacientes que sobreviveram a um câncer tiveram a primeira gestação após o diagnóstico (2.114 primeiras gestações entre 10.271 mulheres), em comparação a 38,7% entre as mulheres do grupo de controle.

   As mulheres com câncer tiveram cerca de metade da probabilidade de engravidar pela primeira vez após o diagnóstico em comparação às mulheres do grupo de controle. Dr. Richard Anderson

Por isso, as mulheres com câncer tiveram cerca de metade da probabilidade de engravidar pela primeira vez após o diagnóstico em comparação às mulheres do grupo de controle, disse o Dr. Anderson. O pesquisador apresentou o estudo em 3 de julho na reunião anual da European Society of Human Reproduction and Embryology, em Genebra (Suíça).

“Esta análise fornece evidências robustas, populacionais, sobre a extensão do efeito do câncer e do tratamento dele na gestação subsequente em toda a idade reprodutiva”, dizem os autores do estudo. “O maior impacto na gestação subsequente de alguns tipos de câncer comuns destaca a necessidade do aprimoramento de estratégias para preservar a fertilidade de meninas e mulheres jovens”.

Dr. Anderson e colaboradores observam que os achados do estudo são limitados pelo fato de não ter sido possível avaliar o impacto do tratamento na fertilidade porque os detalhes sobre o tratamento das participantes não estavam disponíveis. Além disso, o acompanhamento foi limitado para as mulheres diagnosticadas mais recentemente.

O impacto do tratamento do câncer na gestação subsequente continua a ser um problema importante, disse o Dr. Anderson ao Medscape. Com o aumento do número de jovens mulheres que sobrevivem ao câncer, e com o aprimoramento das técnicas de restabelecimento da fertilidade, como a criopreservação de óvulos e de tecido ovariano, “existe uma necessidade importante de melhorar o acesso à preservação da fertilidade e identificar as mulheres e meninas em risco”, disse o pesquisador.

Convidado a comentar o estudo, o Dr. Daniel M. Green, médico do Departamento de Epidemiologia e Controle do Câncer do St. Jude Children’s Research Hospital, em Memphis, Tennessee, disse ao Medscape que o estudo “é a confirmação de vários outros estudos populacionais, principalmente dos países nórdicos, e de um estudo publicado recentemente na Carolina do Norte”. No entanto, ele observou que “a ausência de informações sobre a exposição é um importante ponto fraco. Este resumo não acrescenta novas informações ao nosso conhecimento acerca da fertilidade após o tratamento entre as pacientes que sobrevivem ao câncer na infância, na adolescência ou no início da idade adulta”.

Dr. Green é coautor do Childhood Cancer Survivor Study , uma iniciativa de pesquisa multicêntrica que investigou os resultados clínicos em longo prazo de 14.000 pacientes que sobreviveram cinco anos ao câncer na infância e na adolescência, diagnosticados entre 1970 e 1986.

Detalhes do estudo

No seu estudo de coorte, Dr. Anderson e colaboradores identificaram 23.201 pacientes do sexo feminino do Scottish Cancer Registry que foram diagnosticadas pela primeira vez entre 1981 e 2012, e que engravidaram depois do diagnóstico. Todas tinham 39 anos de idade ou menos no momento do diagnóstico. As gestações foram incluídas até o final de 2014.

Os documentos do registro de câncer foram cruzados com os dos registros de alta hospitalar para calcular os índices de incidência padronizados (SIRs, do inglês Standardized Incidence Ratios ) de gestação. Os cálculos foram padronizados para a idade e para o ano do diagnóstico. Um subgrupo de mulheres que sobreviveram ao câncer e não tiveram gestações anteriores ao diagnóstico de câncer foi criado para comparação com o grupo de controle pareado de mulheres da população geral. Foram realizadas análises adicionais para as pacientes com diagnóstico de câncer de mama, linfoma de Hodgkin e leucemia.

As mulheres que sobreviveram ao câncer engravidaram menos – 6.627 gestações observadas em comparação às 10.736 gestações esperadas. Uma redução dos índices de incidência padronizados foi observada entre as mulheres para quase todos os tipos de câncer. O índice de incidência padronizado variou de 0,34 nos casos de câncer cervical a 0,87 entre as mulheres diagnosticadas com câncer de pele. Foi menor entre as mulheres no quintil mais desfavorecido.

A diminuição do índice de incidência padronizado entre as mulheres que sobreviveram ao câncer foi observada em todas as faixas etárias, e caiu progressivamente com a idade no momento do diagnóstico.

O período no qual o diagnóstico ocorreu também teve uma forte repercussão no índice de incidência padronizado. As mulheres que tiveram o diagnóstico de câncer no período entre 1981 e 1998 tiveram índice de incidência padronizado de 0,47 em comparação às mulheres diagnosticadas entre 2005 e 2012, que tinham índice de incidência padronizado de 0,64 e maiores taxas de gestação. Isso sugere que o impacto de alguns tratamentos contra o câncer na fertilidade não seja tão grave quanto anteriormente, dizem os autores do estudo.

As reduções mais significativas da incidência de gestação foram observadas entre as mulheres que sobreviveram ao câncer de mama (índice de incidência padronizado = 0,44), à leucemia (índice de incidência padronizado = 0,30) e ao linfoma de Hodgkin (índice de incidência padronizado = 0,65). A incidência de gestação foi favoravelmente modificada pelo tratamento mais recente das mulheres com linfoma de Hodgkin, mas não das mulheres com leucemia ou câncer de mama.

A proporção de primeiras gestações interrompidas foi menor entre as mulheres com história de câncer do que entre as mulheres do grupo controle (11,2% vs. 14,7% das gestações), mas não foram observadas diferenças no risco de abortamento espontâneo ou no número de natimortos.

“Este estudo fornece evidências adicionais de que o câncer e o tratamento do câncer estão associados à diminuição da incidência de gestação”, disse Jessica R. Gorman, PhD, socióloga da School of Social and Behavioral Health Sciences do Oregon State University College of Public Health and Human Sciences, em Corvallis. “É interessante notar que isto aconteceu em todas as faixas etárias e na maioria dos tipos de câncer”. No entanto, acrescentou Jessica por e-mail, “é necessário fazer mais pesquisas para explorar os motivos deste resultado”.

A socióloga é coautora de um estudo feito em 2016 com jovens mulheres que sobreviveram ao câncer e o uso delas de atendimento para fertilidade após o término do tratamento contra o câncer. Os resultados mostraram que muitas achavam que não haviam recebido informações suficientes sobre as possibilidades de tratamentos para preservar a fertilidade, apesar do fato de quererem ter filhos.

Para melhorar os desfechos de fertilidade entre as mulheres que sobreviveram ao câncer é importante oferecer uma consulta de fertilidade no momento do diagnóstico de câncer e após o término do tratamento, quando as sobreviventes podem estar mais preparadas para discutir as opções de construção da família”, disse Jessica ao Medscape. Além das informações sobre as opções de fertilidade e a maternidade, as mulheres tratadas com antineoplásicos precisam de orientação e apoio de profissionais de saúde para lidar com “as questões emocionais e práticas que surgem ao considerar suas opções de construção familiar”, disse Jessica.

Essas conversas podem ser difíceis, reconheceu a Dra. Nancy Baxter, PhD, médica e chefe do Departamento de Cirurgia Geral no St. Michael’s Hospital, e professora de cirurgia na University of Toronto (Canadá). Ela é a primeira autora de um estudo populacional canadense mostrando que as mulheres que sobreviveram ao câncer sem recorrência de neoplasias malignas não-ginecológicas entre os 20 e os 34 anos de idade foram menos propensas do que as mulheres do grupo controle a ter filhos após o diagnóstico. Embora o efeito geral tenha sido pequeno, foi influenciado pela história de parto anterior ao diagnóstico e pelo tipo de câncer.

Essas conversas podem ocorrer quando as pacientes já se sentem sobrecarregadas pelo próprio diagnóstico e tratamento iminente, disse a Dra. Nancy ao Medscape. “Embora a preservação da fertilidade não seja uma garantia, as opções podem aumentar as chances de fertilidade futura, e não precisam resultar em atrasos importantes do tratamento, por isso são possíveis para a maioria das mulheres em risco”.

Para facilitar as coisas, disse Dra. Nancy, um auxílio à decisão batizado de BEFORE está sendo desenvolvido para ajudar as mulheres a compreender os próprios riscos e opções. O instrumento irá indicar recursos e ajudar a orientar as conversas entre os médicos e as pacientes. Uma versão para mulheres com câncer de mama já está quase pronta para uso.

Os médicos também precisam descobrir se a paciente quer preservar a própria fertilidade, disse a Dra. Nancy, acrescentando: “nem todas as mulheres querem ter filhos”.

“Como médicos, precisamos olhar adiante e concentrar-nos não apenas na cura de nossos pacientes, mas também em como podemos ajudar para que as vidas deles depois do câncer sejam o mais normais possível”, disse a Dra. Nancy ao Medscape. “Demos grandes passos, mas definitivamente há mais trabalho a fazer”.

Nenhum financiamento foi informado. Os autores do estudo, o Dr. Daniel Green e Jessica Gorman informaram não possuir conflitos de interesses relevantes. A Dra. Nancy Baxter tem relações financeiras com a Servier Canada Inc.

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