Crise da # zika no #Brasil foi exacerbada por falta de saneamento e de acesso a água

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Chris Arsenault

TORONTO (Fundação Thomson Reuters) – O Brasil não resolveu as raízes do surto de zika, como a falta de saneamento básico e de acesso a água limpa para os moradores das favelas, apesar de ter declarado emergência de saúde pública em maio, disseram ativistas de direitos humanos e autoridades da Organização das Nações Unidas (ONU).

O vírus Zika, transmitido por mosquitos, foi relacionado com mais de 2.500 anomalias congênitas, e causou um estado de emergência de saúde pública internacional durante 18 meses no maior país da América do Sul.

Mas ativistas afirmam que a falta de investimento do governo nos serviços de saneamento básico para os pobres, a ausência de acesso a água tratada e outras condições que agravaram a crise ainda estão vigentes no Brasil, aumentando o potencial de futuras epidemias.

“Outros países atingidos pelo vírus Zika devem reconhecer que os problemas de direitos humanos podem contribuir para a rapidez da escalada e da repercussão da epidemia de zika”, disse Amanda Klasing, advogada e pesquisadora da Human Rights Watch, em um comunicado à imprensa.

“Países que esperam evitar a crise que o Brasil enfrenta devem resolver as questões de direitos humanos no início de seu planejamento de resposta”.

Mais de um terço das 206 milhões de pessoas do Brasil não têm acesso ao abastecimento contínuo de água, deixando os residentes com poucas opções além de recorrer a recipientes de armazenamento de água para uso doméstico.

Se deixados descobertos, esses reservatórios de água podem se tornar focos de reprodução de mosquitos transmissores de doenças.

No Nordeste, região pobre do Brasil – onde o impacto da zika foi maior –, menos de 25% da população tinha acesso a água encanada em 2015, segundo a Human Rights Watch, ecoando as declarações de funcionários da ONU sobre quem foi mais atingido pelo vírus.

“A zika acontece em um contexto histórico… atinge principalmente a periferia, atinge principalmente as mulheres morenas, negras e jovens”, disse Jamie Nadal, representante do Fundo de População da ONU durante uma conferência no início deste ano.

Esses grupos historicamente desfavorecidos são mais propensos a viver em regiões pobres ou assentamentos informais que não têm boa infraestrutura de saúde e saneamento em comparação com outras partes do Brasil, de acordo com os ativistas.

A má gestão das águas residuais leva à formação de poças de água estagnada e suja nas comunidades, que são locais ideais de reprodução de mosquitos.

Em todo o país, mais de 35 milhões de brasileiros não dispõem de infraestrutura adequada para despejar com segurança os resíduos humanos.

As autoridades brasileiras dizem que estão trabalhando para melhorar o saneamento, especialmente para os pobres das regiões urbanas do país, que vivem em favelas (ou comunidades), mas uma recessão grave com turbulência política comprometeu a capacidade de investimento do governo.

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