Não é fácil diagnosticar o # melanoma

Postado em

Nick Mulcahy

O nível ​de imprecisão e desacordo entre  os patologistas norte-americanos no diagnóstico do melanoma em casos de  suspeita da doença é impressionante, de acordo com os resultados de um novo  estudo.

Vale ressaltar que para o melanoma in situ e o melanoma invasivo em estágio  inicial, que em conjunto são mais comuns do que todos os outros tipos de  melanoma combinados, os diagnósticos dos médicos que participaram no estudo não  foram “nem reprodutíveis, nem tiveram acurácia”, informam os autores, liderados  pela Dra. Joann Elmore, médica internista e epidemiologista da University of Washington School of Medicine em Seattle.

Os patologistas, no entanto, não são os  responsáveis por isso, especialmente para essas duas categorias de melanoma que  se encontram entre os tipos intermediários de lesões, disse a Dra. Joann ao Medscape.

“Nossas observações refletem a dificuldade  encontrada na zona cinzenta das lesões intermediárias, e destacam que nossos  processos diagnósticos atuais são limitados pela nossa tecnologia”, escreveu a  pesquisadora em um e-mail.

Além disso, atualmente, não há critérios  suficientes para diferenciar estas lesões intermediárias, disse a Dra. Joann.

O novo estudo  foi publicado on-line em 28 de junho no  periódico British Medical Journal.

Em geral, estes resultados confirmam os  resultados de estudos anteriores realizados com um pequeno número de amostras e  de patologistas. O novo estudo é a primeira avaliação em nível populacional do  trabalho dos patologistas nesta área.

Os pesquisadores recrutaram 187  patologistas de 10 estados dos EUA, que costumam interpretar lesões  melanocíticas como parte do trabalho. Quase 75% dos patologistas trabalhavam na  comunidade, a maioria não tinha especialização ou treinamento em  dermatopatologia, e quase metade via menos de 10% de amostras de lesões do tipo  melanoma por mês. Estes médicos foram convidados a interpretar o mesmo conjunto  de amostras de biópsia de pele (N =  36 e 48) em duas ocasiões diferentes (fases 1 e 2, respectivamente).

Os autores do estudo reconheceram que  houve mais “casos difíceis de interpretar” de lesões intermediárias do que as  encontradas na rotina da prática clínica.

Todos os casos já haviam sido revistos  ​​por um grupo de três dermatopatologistas especializados, que firmaram um  diagnóstico de referência de consenso para cada amostra de biópsia.

As interpretações dos participantes do  estudo foram atribuídas a uma das cinco classes: I = atipia leve; II = atipia  moderada; III = atipia grave ou melanoma in  situ; IV = melanoma invasivo precoce; e V, melanoma invasivo. As classes II  a IV são consideradas intermediárias.

Os pesquisadores avaliaram a acurácia  comparando o diagnóstico dos patologistas ao diagnóstico do grupo de  especialistas.

Os patologistas tiveram mais acurácia ao  avaliar as lesões leves de classe I (92%) e o melanoma invasivo de alto grau, de  classe V (72%).

Mas a acurácia sofreu nas classes  intermediárias, com concordância com os especialistas menor que 50%.

Os patologistas só tiveram acurácia em 25%  das lesões moderadamente atípicas da classe II; 40% das lesões gravemente  atípicas da classe III e do melanoma in  situ; e 43% do melanoma invasivo em fase inicial da classe IV.

O Dr. Hong Wu, médico e diretor da  dermatopatologia do Fox Chase Cancer  Center, na Filadélfia, Pensilvânia, indicou que, no que diz respeito aos  equívocos na classificação, “é muito importante evitar o diagnóstico errado de  um melanoma invasivo (especialmente como T1b ou superior) como benigno; e no  sentido oposto, de um nevo benigno como melanoma invasivo (especialmente como  lesão de classe V)”.

“Isto é o mais importante porque a  interpretação equivocada das lesões das classes I/II e da classe V irá se  desdobrar em um tratamento e um acompanhamento muito diferentes do paciente”,  explicou o Dr. Hong.

   A interpretação equivocada das lesões das classes I/II  e da classe V irá levar a um tratamento e um acompanhamento muito diferentes.   Dr. Hong Wu

O Dr. Hong, que não participou do estudo,  mergulhou nos dados do trabalho e encontrou alguns resultados que levou “mais a  sério”.

O médico destacou que entre os pacientes  classificados com melanoma invasivo (classe IV ou V) pelos patologistas do  estudo, estima-se que 16% teriam sido reclassificados para graus menores, como  tendo lesões benignas (classe I ou II) pelo grupo de consenso de especialistas.

Além disso, entre os pacientes  classificados com lesões benignas (I ou II) por patologistas do estudo,  estima-se que 0,5% teriam sido classificados como tendo melanoma invasivo (IV  ou V) pelo grupo de consenso de especialistas, disse o Dr. Hong.

O estudo  também levantou outra questão problemática acerca dos patologistas quando descreveram amostras de biópsia  como classe II a IV (ou seja, de grau intermediário). Em duas ocasiões diferentes, não foi  possível reproduzir as interpretações dos patologistas de um mesmo caso, o que fazia  parte do desenho do estudo. A  concordância entre o primeiro e o segundo diagnóstico dos patologistas variou  de 35,2% a 63,2% para estes casos intermediários.

No âmbito da população, os autores do  estudo estimam que 82,8% dos diagnósticos dos patologistas serão comprovados se  forem analisados ​​por um grupo de referência de consenso formado por  patologistas especializados, com 8% dos casos superestimados pelo patologista  inicial e 9% subestimados.

Para fazer  essa estimativa em nível  populacional a equipe fez um cálculo  que alterou a prevalência das  classificações de biópsia de  pele, no intuito de refletir a distribuição  encontrada na prática clínica. Os autores do estudo reconheceram que suas amostras de lesões no estudo continham mais casos intermediários e,  portanto, “mais difíceis  de determinar”.

Olhando para o futuro, os autores do  estudo esperam que sejam criadas técnicas confiáveis ​​e objetivas para embasar  as avaliações visuais dos patologistas das lesões melanocíticas.

O estudo foi financiado pelo National  Cancer Institute. A Dra.  Joann Elmore e o Dr. Hong Wu informaram não possuir conflitos de interesse  relacionados com o tema.

British Medical Journal. 2017;357:j2813

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