Alto consumo de # café associado a menor risco de mortalidade

Postado em

Marcia Frellick

O alto consumo de café está associado a um risco significativamente menor de morte, confirmam dois grandes estudos. O benefício foi encontrado em diversas populações europeias, assim como entre diferentes grupos étnicos/raciais, relatam os pesquisadores em artigos publicados on-line no Annals of Internal Medicine.

Como o café é uma das bebidas mais populares nos Estados Unidos e em todo o mundo, o efeito em saúde pública do consumo desta bebida pode ser substancial, mesmo que o efeito individual seja pequeno.

Apesar de evidências crescentes do benefício do consumo de café para a saúde e a mortalidade, a relação entre ingestão de café e mortalidade em diferentes populações europeias, nas quais os métodos de preparo variam, não era clara. De forma semelhante, faltavam dados sobre o consumo de café em populações não brancas.

Os dois novos estudos preenchem essas lacunas.

No EPIC (European Prospective Investigation into Cancer and Nutrition), um grande estudo de coorte prospectivo, Marc J. Gunter, da International Agency for Research on Cancer, em Lyon (França), e colaboradores, examinaram a associação do consumo de café com a mortalidade por todas as causas e por causa específica entre 451.743 participantes (130.662 homens e 321.081 mulheres) em 10 países europeus.

“Nossos resultados sugerem que maiores níveis de consumo de café estão associados com menor risco de morte por várias causas, especificamente doenças digestivas e circulatórias”, escrevem os autores.

Durante um seguimento médio de 16,4 anos, ocorreram 41.693 óbitos.

Em um modelo multivariável, homens que beberam três ou mais xícaras de café por dia tiveram uma mortalidade por todas as causas 12% menor do que aqueles que não bebiam café (hazard ratio, HR, 0,88; intervalo de confiança, IC, de 95%, 0,82 – 0,95; P para a tendência < 0,001); as mulheres tiveram uma mortalidade 7% menor (HR, 0,93; IC, 0,87 – 0,98; P para a tendência, 0,009).

Em termos de mortalidade por causa específica, homens que bebiam três ou mais xícaras de café por dia tiveram um risco 59% menor de mortalidade por doença digestiva do que homens que não consumiam café, ou bebiam menos de uma xícara ao dia (HR, 0,41; IC, 0,32 – 0,54; P para tendência < 0,001). Mulheres que bebiam três ou mais xícaras tiveram uma redução de 40% no risco (HR, 0,60; IC, 0,46 – 0,78; P para tendência < 0,001).

Os pesquisadores também encontraram uma forte associação inversa entre consumo de café e mortalidade por doença circulatória entre mulheres (HR, 0,78; IC, 0,68 – 0,90; P para tendência < 0,001). O benefício foi particularmente maior para risco de morte por doença cerebrovascular em mulheres (HR, 0,70; IC, 0,55 – 0,90; P para tendência = 0,02). Dentre homens, houve uma tendência para um pequeno benefício, mas as comparações individuais não foram significativas.

No entanto, os autores também encontraram um aumento significativo no risco de mortalidade por câncer de ovário (HR, 1,31; IC de 95%, 1,07 – 1,61; P para tendência = 0,015).

O benefício na mortalidade foi o mesmo para café tradicional ou descafeinado, acrescentam os autores. Eles enfatizam a necessidade de interpretar esses achados com cautela porque nem todos os centros do EPIC coletaram dados sobre o consumo de café descafeinado.

No MEC (Multiethnic Cohort), um estudo de coorte prospectivo de base populacional que recrutou 185.855 afro-americanos, havaianos nativos, nipo-americanos, latinos e brancos, Song-Yi Park, da University of Hawaii, Honolulu, e colaboradores, pesquisaram as associações do consumo de café com mortalidade total e causa-específica dentre diversas etnias.

“O elevado consumo de café foi associado a menor risco de morte em afro-americanos, nipo-americanos, latinos e brancos”, escrevem os autores.

Durante um seguimento médio de 16,2 anos, ocorreram 58.397 óbitos.

Eles descobriram que o maior consumo de café foi associado a um menor risco de morte por todas as causas e de morte por doença cardíaca, câncer, doença respiratória, acidente vascular cerebral (AVC), diabetes e doença renal.

Nas análises ajustadas para potenciais confusores, Song-Yi e colaboradores mostraram que o consumo de café foi associado a menor mortalidade total (uma xícara por dia: HR, 0,88; IC de 95%, 0,85 – 0,91; duas a três xícaras por dia: HR, 0,82; IC, 0,79 – 0,86; ≥ 4 xícaras por dia: HR, 0,82; IC, 0,78 – 0,87; P para a tendência < 0,001).

Essa relação inversa se manteve quando grupos raciais/étnicos foram analisados individualmente, exceto para havaianos nativos.

Considerando as principais causas de óbito, o maior consumo de café foi associado a menores riscos de morte devido a doença cardíaca (P para tendência < 0,001), câncer (P para tendência = 0,23), doença respiratória crônica (P para tendência = 0,015), AVC (P para tendência < 0,001), diabetes (P para tendência = 0,009) e doença renal (P para tendência < 0,001).

Nesse estudo, as tendências relativas ao café tradicional ou descafeinado foram semelhantes às encontradas no estudo EPIC.

Em um editorial de acompanhamento, o Dr. Eliseo Guallar, da Johns Hopkins University, Baltimore, Maryland, e colaboradores, destacaram a necessidade de se entender os efeitos do café na saúde por conta do consumo disseminado desta bebida.

Eles enfatizam que o achado consistente desses dois estudos de uma relação inversa entre o consumo de café e risco de morte entre populações de diferentes países, assim como entre o espectro racial/étnico, contribui para a generalização do benefício do café para a mortalidade.

Ainda assim, os editorialistas observam que o consumo de café é um fenômeno complexo, e que o café contém várias substâncias, incluindo componentes bioativos. Como consequência, os benefícios do café para a saúde e a mortalidade podem depender de componentes outros que a cafeína, disseram.

Seria assim prematuro recomendar o consumo de café para reduzir a mortalidade ou para prevenir doenças crônicas, acrescentam os editorialistas. “No entanto, as evidências são crescentes de que a ingestão moderada de café, de até três a cinco xícaras ao dia, ou o consumo de 400mg/dia de cafeína, não está associada a efeitos adversos para a saúde e pode ser incorporada a uma dieta saudável”, concluem.

O estudo EPIC foi financiado por fundos da European Commission Directorate-General for Health and Consumers e da International Agency for Research on Cancer. O Dr. Beulens recebeu fundos de Unilever R&D e FrieslandCampina externamente ao trabalho submetido, e o Dr. Butterworth recebeu fundos de Biogen, Merck e Pfizer externamente ao trabalho submetido. O estudo MEC foi financiado por um fundo do National Cancer Institute. Os demais autores de ambos estudos, e os editorialistas, declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Ann Intern Med. Publicado on-line em 10 de julho de 2017.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s