Exame imuno-histoquímico fecal é preciso na detecção de câncer em pacientes de alto risco

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Dr. Will Boggs

NOVA YORK (Reuters Health) – O exame imuno-histoquímico fecal (EIF) tem alta precisão diagnóstica para o câncer colorretal (CCR) em pacientes de risco aumentado, de acordo com uma meta-análise.

No entanto, é menos preciso para diagnosticar neoplasia avançada nesses pacientes.

“Organizações internacionais recomendam colonoscopia como o método de rastreamento mais efetivo para indivíduos com maior risco de câncer colorretal”, informou por e-mail à Reuters Health a Dra. Anastasia Katsoula, da Aristotle University of Thessaloniki (Grécia).

“Nossa pesquisa fornece evidência para o uso de exames imunoquímicos fecais como uma estratégia alternativa não-intervencionista de rastreio para indivíduos com risco pessoal ou familiar aumentado que se recusam a usar colonoscopia”.

“Além disso”, disse ela, “oferecer múltiplas opções de rastreio significa que esta investigação pode ser adaptada às preferências e valores individuais, permitindo assim uma abordagem centrada no paciente”.

A alta precisão e adesão associadas ao EIF recomenda o uso deste exame para o rastreio populacional, mas o papel dele na triagem de indivíduos com maior risco para CCR era desconhecido.

Em uma revisão sistemática e meta-análise de 11 estudos transversais e um ensaio clínico randomizado, Dra. Anastasia e colaboradores avaliaram a precisão diagnóstica do EIF para o câncer colorretal ou neoplasia avançada em indivíduos assintomáticos com história familiar ou pessoal da doença.

A sensibilidade e a especificidade do EIF para o diagnóstico de câncer colorretal variou de 25% a 100% (mediana, 81%) e de 87% a 95% (mediana, 91%), respectivamente. Para o diagnóstico de neoplasia avançada, a sensibilidade e a especificidade variaram de 29% a 83% (mediana, 50%) e de 85% a 98% (mediana, 92%), respectivamente.

Para o câncer colorretal, as estimativas de sensibilidade e especificidade agrupadas foram de 93% e 91%, respectivamente, com valor preditivo positivo de 7,7% e 99,9% de valor preditivo negativo, de acordo com a publicação, veiculada on-line no JAMA Internal Medicine de 19 de junho.

Para neoplasia avançada, as estimativas de sensibilidade e especificidade agrupadas foram de 48% e 93%, respectivamente, com 43,8% de valor preditivo positivo e 94,0% de valor preditivo negativo.

No geral, a precisão diagnóstica (usando ROC AUC) foi de 93% para câncer colorretal e 86% para doença avançada.

“Uma série de análises de subgrupos, sensibilidade e meta-regressão verificaram a robustez de nossas conclusões, apesar de um alto grau de heterogeneidade e dos amplos intervalos de confiança das estimativas agrupadas”, disse a Dra. Anastasia.

“O uso de valores de corte entre 15 a 25 mcg de Hb/g de fezes oferece a melhor combinação de sensibilidade e especificidade para o diagnóstico de câncer colorretal ou doença avançada”, disse ela.

“Com base nos nossos resultados, os médicos agora têm uma opção de rastreio alternativa para indivíduos com risco familiar ou pessoal aumentado”, afirmou. “Eles podem sugerir EIF como uma estratégia alternativa de triagem para pacientes que se recusam a se submeter a colonoscopia. Pacientes com resultados positivos serão encaminhados para colonoscopia. Por outro lado, indivíduos com resultados negativos no EIF devem ser plenamente informados de que um teste negativo não elimina a possibilidade de câncer colorretal, e também sobre a importância dos exame de fezes repetidos”.

“Pesquisas adicionais precisam esclarecer o impacto do EIF na qualidade de vida, morbidade, mortalidade e a relação custo-eficácia global dele”, acrescentou o Dr. Katsoula. “Além disso, novos estudos são necessários para estabelecer limiares ótimos e número de amostras EIF e para avaliar o intervalo de tempo em que pacientes com risco aumentado devem repetir os testes imunoquímicos fecais”.

O Dr. Grigorios I. Leontiadis da McMaster University, em Hamilton (Canadá), que escreveu um editorial relacionado a esta publicação, disse à Reuters Health por e-mail: “Se aceitarmos os resultados de precisão diagnóstica do EIF em pacientes de alto risco como demonstrado, então o EIF deve ter um papel muito limitado nesses pacientes, dada a sensibilidade inaceitavelmente baixa dele para diagnosticar neoplasia avançada. Esses pacientes devem realizar o exame padrão-ouro, que é a colonoscopia”.

“No entanto, a confiabilidade das evidências é tão baixa, que os estudos futuros, melhor desenhados e conduzidos podem provar que estávamos completamente errados em nossa avaliação da precisão diagnóstica do EIF: pode ser que seja muito melhor ou muito pior do que essa revisão sistemática encontrou”, disse ele. “Portanto, o assunto não deve ser encerrado; melhores pesquisas futuras são necessárias”.

“Até que tenhamos dados melhores, o EIF pode ser usado (no lugar da avaliação direta com colonoscopia) em pacientes de alto risco em situações especiais: por exemplo, em indivíduos que não estão dispostos a realizar uma colonoscopia, a não ser que o EIF esteja positivo; pessoas com comorbidades que tornam a colonoscopia mais difícil ou arriscada do que o habitual; indivíduos que só estão interessados na prevenção secundária do câncer colorretal (diagnóstico e tratamento do câncer precoce e assintomático) e não na prevenção primária (diagnóstico e ressecção de adenomas cólicos)”, afirmou ele.

“Quero deixar claro que os autores desta revisão sistemática e meta-análise fizeram um trabalho excelente”, acrescentou o Dr. Leontiadis. “O artigo não conseguiu chegar a uma conclusão definitiva, não porque os autores fizessem algo errado, mas por causa das limitações e características dos dados disponíveis”.

FONTE: http://bit.ly/2rAuRFW

 

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