Associação robusta entre migrânea e apneia do sono

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Pauline Anderson

AMSTERDÃ — Pacientes com migrânea, especialmente migrânea crônica, estão em risco aumentado para transtornos do sono, incluindo apneia do sono (AS), sugere um novo estudo.

Cerca de 37% dos pacientes com migrânea que responderam a uma pesquisa foram considerados como de alto risco para apneia do sono , o que é muito mais elevado que as estimativas da população em geral.

E como mais de 75% dos respondedores com migrânea e apneia do sono foram diagnosticados por um médico, “pode valer a pena começar a perguntar a nossos pacientes sobre isso”, disse Dawn C. Buse, psicóloga clínica licenciada e professora-associada do Departamento de Neurologia do Albert Einstein College of Medicine da Yeshiva University, em Nova York.

“Nós não testamos isso ainda, mas a expectativa é de que se a apneia do sono está associada a cefaleias mais frequentes, tratar a apneia do sono pode beneficiar a cefaleia”.

Dawn, que também é diretora de medicina comportamental no Montefiore Headache Center,em Nova York, apresentou os novos resultados do estudo Chronic Migraine Epidemiology and Outcomes (CaMEO) no Congresso de 2017 da European Academy of Neurology (EAN).

Tanto a depressão quanto a ansiedade têm uma relação bidirecional com a migrânea, disse Dawn aos participantes. Essa relação também existe em transtornos do sono; transtornos do sono podem agravar a migrânea e a migrânea pode piorar transtornos do sono.

Pesquisadores recrutaram participantes de um painel on-line usando amostragem por quotas. Os convites para a pesquisa foram enviados a 16.763 respondedores do estudo CaMEO, dos quais 12.810 forneceram dados válidos.

Os pesquisadores dividiram os participantes naqueles com migrânea episódica (ME) e naqueles com migrânea crônica (MC) com base na frequência de cefaleia; cefaleia por 15 ou mais dias no mês foi considerada MC. A análise incluiu 11.669 participantes com ME e 1111 com MC.

Crônica versus episódica

Os participantes eram de uma população típica de pesquisas on-line, disse Dawn. Por exemplo, a média de idade era de cerca de 42 anos.

Mas houve algumas diferenças entre os grupos ME e MC. Por exemplo, o grupo com migrânea crônica continha mais mulheres, e, de forma não surpreendente, disse Dawn, aqueles com migânea esporádica tinham uma chance significativamente maior de estarem empregados.

“Também não foi surpresa que os participantes com migrânea crônica tinham maior probabilidade de ter um índice de massa corporal (IMC) elevado”, disse ela.

Os participantes completaram pesquisas no início do estudo e de acompanhamento a cada 3 meses, atualmente chegando a 1,5 anos.

O risco para AS foi avaliado como elevado ou baixo com o uso da Berlin Scale for Sleep Apnea. Na avaliação inicial dessa escala, 37,0% dos respondedores tinham risco elevado para apneia do sono (ME, 35,6%; MC, 51,8%; P < 0,001).

O risco para AS “é bem alto se comparado a estimativas populacionais”, que podem ser baixas, de cerca de 9%, comentou Dawn.

O risco muda entre as categorias de IMC, ela observou. Em homens, por exemplo, “é possível observar que para pessoas com migrânea esporádica essas taxas se elevam de 11% para os que estão abaixo do peso, para 18% para os de peso normal, 35% para sobrepeso e 79% para obesos”.

As taxas para mulheres seguiram o mesmo padrão, embora os riscos delas sejam consistentemente menores que os dos homens.

O risco de apneia do sono para pacientes com migrânea crônica também aumentou com um maior IMC. O risco foi ainda maior na categoria de obesos, nos quais quase 92% dos homens e 84% das mulheres tinham alto risco de apneia do sono.

Os pacientes autorrelataram se um médico havia realizado o diagnóstico de apneia do sono. Dentre aqueles com AS,75,7% relataram um diagnóstico por médico (ME, 74,7%; MC, 82,8%).

Quando indagados se estavam em uso atual de pressão positiva contínua na via aérea (CPAP) ou outro dispositivo ventilatório, 35% daqueles com ME e 32% dos com MC disseram que sim.

Dawn destacou que ela e seus colaboradores não entrevistaram os participantes nem obtiveram prontuários médicos.

Os pesquisadores avaliaram vários índices de sono – incluindo ronco, sonolência diurna e adequação do sono – usando as respostas à Medical Outcomes Study Sleep Scale.

“Nossos pacientes com migrânea crônica tiveram pior pontuação em todos os índices”, comentou Dawn. Ela acrescentou que 50% dos participantes com MC preenchiam os critérios para distúrbio do sono, comparados com 38% daqueles com ME, e que quase 40% daqueles com ME classificavam o próprio sono como adequado, comparados com 34% dos participantes com MC.

Em média, pacientes com ME tinham 6,8 horas de sono por noite, e aqueles com MC tinham 6,4 horas. Cerca de 55% daqueles com ME, e 41% daqueles com MC, diziam dormir o suficiente.

Ela lembrou à plateia da importância da higiene do sono, de manter os mesmos períodos adormecido e desperto, de limitar atividades na cama, e de considerar exercícios e relaxamento.

Questionada por um participante sobre um estudo recente indicando que seis horas de sono diárias podem ser suficientes, Dawn disse que não conhece essa pesquisa, mas destacou que a qualidade do sono – assim como a quantidade – é importante, especialmente para pessoas com apneia do sono.

“Elas podem ter o mesmo tempo de sono, mas têm uma qualidade de sono pior, ou podem haver outros fatores que afetem a migrânea delas”.

O presidente da sessão Dr. Stefan Evers, professor de neurologia, Departamento de Neurologia, University of Münster (Alemanha), perguntou que tipo de apneia do sono – obstrutiva ou central – os pacientes com migrânea tinham. Ele observou que um de seus estudos com uso de polissonografia mostrou que a apneia do sono central era, nesses pacientes, “mais proeminente” que a apneia obstrutiva.

“Acredito que mecanismos centrais sejam mais importantes do que a obesidade ou mecanismos obstrutivos”, disse ele.

A Berlin Scale for Sleep Apnea não diferencia o tipo de apneia do sono, disse Dawn. “Mas de um ponto de vista de mecanismos, isso pode ser muito importante, pois frequentemente é dito ‘perca peso e isso vai resolver seu problema'”.

O estudo foi financiado pela Allergan.

Congresso de 2017 da European Academy of Neurology (EAN). Resumo O1109. Apresentado em 24 de junho de 2017.

 

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