Diretriz do ACOG: individualizar o rastreio do câncer de mama

Postado em

Marcia Frellick

A nova diretriz sobre o rastreamento do câncer de mama do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) destaca a importância da tomada de decisão compartilhada entre a paciente e seu médico.

As recomendações, publicadas na edição de julho do periódico Obstetrics & Gynecology, concentra-se em mulheres que têm risco intermediário para desenvolvimento do câncer de mama. Os autores reconhecem que existe uma certa confusão por conta da discordância entre as principais diretrizes sobre quando iniciar a mamografia de rastreio e com que frequência ela deve ser feita.

“Nossa nova diretriz considera cada paciente individualmente e os valores dela”, disse o Dr. Christopher M. Zahn, vice-presidente de atividades de prática do ACOG, em uma coletiva de imprensa. “Devido à gama de recomendações atuais, optamos por encorajar os ginecologistas e obstetras a ajudar suas pacientes a fazerem escolhas pessoais de rastreio a partir de uma variedade de opções razoáveis”.

As decisões sobre quando começar e terminar o rastreamento ou a frequência dele devem seguir as discussões sobre o histórico de saúde da mulher e as preocupações e preferências dela em torno dos potenciais riscos e benefícios do rastreio.

O boletim de prática, desenvolvido pelo Committee on Practice Bulletins–Gynecology em colaboração com os Drs. Mark Pearlman, Myrlene Jeudy e David Chelmow, também diz que, para mulheres com risco intermediário de desenvolver câncer de mama deve ser oferecida a opção de fazer mamografias de rastreio a partir dos 40 anos de idade, mas que elas devem começar a fazê-las no máximo até os 50.

Isso difere de algumas outras diretrizes principais. A US Preventive Services Task Force, por exemplo, recomenda que as mamografias comecem aos 50 anos de idade. Dos 40 aos 49 anos, a decisão deve ser feita individualmente. A American Cancer Society (ACS) diz que o rastreio deve ser oferecido aos 40 anos de idade, mas recomenda que ele comece aos 45.

Em relação à frequência, mulheres que têm risco intermediário devem fazer mamografias de rastreio a cada um a dois anos, e devem continuar até os 75 anos, diz o ACOG. Depois disso, a escolha de continuar a triagem deve basear-se na tomada de decisão compartilhada, que leva em consideração o estado de saúde da mulher e a expectativa de vida útil dela.

Entre as recomendações de nível B, baseadas em evidências científicas limitadas ou inconsistentes, as diretrizes atualizadas dizem que os médicos devem avaliar o risco de câncer de mama periodicamente, revisando a história da paciente.

“A avaliação inicial deve elucidar informações sobre fatores de risco reprodutivo, resultados de biópsias anteriores, exposição à radiação ionizante e história familiar de câncer”, escrevem eles.

Além disso, o autoexame da mama não é recomendado em mulheres com risco intermediário devido ao risco de danos por resultados falso-positivos e à falta de evidência que beneficie pacientes.

Em vez disso, as mulheres com risco intermediário devem ser aconselhadas sobre o autoconhecimento das mamas, ou a aparência e o toque normais dos próprios seios. Então, em vez de examinar rotineiramente as próprias mamas, as mulheres devem ser ensinadas a identificar dor, massa, nova descarga mamilar ou vermelhidão, e depois informar seus médicos se esses sinais ocorrerem.

O boletim não abordou recomendações para mulheres com alto risco de câncer de mama ou o uso de novas tecnologias, como a tomossíntese. Também não fez menção a mulheres com mamas densas, que têm um risco moderadamente aumentado para câncer de mama.

Os autores declararam não possuir nenhum conflito de interesse relevante.

Obstet Gynecol. 2017;130:e1-e16. Resumo.

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