Reabilitação Vestibular: o recondicionamento do equilíbrio

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homem em sofrimento com mão na cabeça

Reabilitação Vestibular: o recondicionamento do equilíbrio

Tontura é um sintoma comum na prática clínica entre os adultos, podendo chegar a 20 a 30% de prevalência, com dados na literatura de mais de 50% em adultos com mais de 85 anos de idade. Esta queixa está relacionada à queda da qualidade de vida, consequências ocupacionais e prejuízo nas atividades diárias.

Além disso, é fator de risco importante para queda da própria altura, o que pode ser especialmente prejudicial em idosos com risco de fraturas. Também é causa de um elevado encargo econômico uma vez que demandam cuidados multidisciplinares e diminuição da produtividade laborial.

A causa mais comum de tontura é a doença vestibular periférica (33-38%), que inclui Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB), Neuronite Vestibular e Doença Ménière. Outras causas são doenças cardiovasculares (7-18%), distúrbios neurológicos (10-15%) e distúrbios psiquiátricos (1-17%).

A Reabilitação Vestibular (RV) tem sido praticada há quase 70 anos, mas evidências relacionadas à sua eficácia têm crescido nos últimos 10 a 15 anos. Em 2013, uma revisão da Cochrane relatou moderada a forte evidência do uso de reabilitação vestibular para pessoas com distúrbios vestibulares.

A RV consiste na provisão de um programa de exercícios customizado direcionado às necessidades específicas de cada paciente. Educação do paciente e apoio psicológico também são elementos-chave para a recuperação ideal.

Exercícios em casa são geralmente incorporados como complemento para otimizar o programa definido. Estes são escolhidos para abordar os objetivos de cada pessoa e são incorporados, quando possível, em atividades funcionais, a fim de maximizar seu efeito.

A exata frequência, duração e número de visitas não são definidas pelos protocolos. As diretrizes da prática clínica sugerem que podem variar de acordo com comorbidades, função do canal do labirinto afetado e funcionamento psicológico individual.

A movimentação do paciente é essencial para a recuperação da função em pessoas com distúrbios vestibulares. Evidências sugerem que os programas de reabilitação devem começar logo após o acometimento vestibular, em virtude da neuroplasticidade; deve ser personalizado, principalmente em pessoas com acometimento de habilidade motora e déficit cognitivo; deve ser projetado para diminuir o estresse e a ansiedade; além de ser motivador.

Dentre os preditores de diminuição da recuperação estão as enxaquecas, déficit de propriocepção, comorbidades visuais, cognição, fatores psicológicos e acometimento do sistema nervoso central concomitante.

Nos últimos 10 anos, foram realizados estudos para destacar o valor da reabilitação vestibular usando diferentes técnicas em pessoas com vestibulopatias. A maioria apresentou relação positiva com a melhora da tontura, instabilidade postural, marcha, risco de queda e qualidade de vida em distúrbios centrais, periféricos ou mistos.

Programas de reabilitação vestibular muitas vezes são multidisciplinares com a participação de fisioterapeutas, fonoaudiólogos, um otoneurologistas, neurologista, psicólogo e psiquiatra.

Um dispositivo implantável está sendo desenvolvido e poderá ter efeitos positivos em pacientes vestibulopatias crônicas descompensadas.

Pelo menos cinco centros ao redor do mundo estão trabalhando para otimizar o design e funcionamento do implante vestibular. Protocolos de reabilitação terão que ser desenvolvidos de modo que as pessoas possam aprender como retreinar o cérebro para utilizar as entradas novas.

Aplicativos de telefones e computadores poderão fornecer relatórios de exercícios praticados pelos pacientes em casa.

Um estudo, publicado em 2017, tem como objetivo avaliar a eficácia da combinação de reabilitação vestibular online versus a terapia presencial com um especialista em pacientes com vestibulopatias maiores de 50 anos que tenham acesso à Internet. Em um projeto com três “braços”, investigará a eficácia e custo-benefício do tratamento via online, do tratamento presencial e as duas modalidades, com follow-up de 6 meses. Consideram desenvolver preditores de sucesso para cada tipo de tratamento. Com isso, durante a prática clínica, ficará mais evidente quem se beneficiaria de tratamentos via online ou da terapia presencial.

Publicado também este ano pela Laryngoscope, um novo programa de reabilitação vestibular adaptativo foi desenvolvido e fornecido um dispositivo a pacientes com hipofunção vestibular unilateral e sintomáticos por pelo menos, 3 meses. Eles foram instruídos a usar o programa de exercícios da cabeça diariamente, com cada sessão durando cerca de 10 minutos.

Neste estudo, o método adaptado e individual do paciente parece ter vantagens sobre a RV tradicional em termos de custo e individualização do tratamento e obteve melhora importante dos sintomas. Houve diminuição clínica e estatisticamente significativa dos sintomas após 4 semanas de terapia.

Há evidências crescentes de que o sistema nervoso central tem a capacidade de compensar a hipofunção do sistema vestibular. O encaminhamento precoce para RV melhora a qualidade de vida, diminui o relato de episódios, melhora o controle postural, além de diminuir a ansiedade quanto à tontura do paciente e o déficit de equilíbrio.

Autora:

 Otorrinolaringologia

Referências:

  • McDonnell MN, Hillier SL. Vestibular rehabilitation for unilateral peripheral vestibular dysfunction.Cochrane Database Syst Rev. 2015 Jan 13
  • Susan L et al. Recent Evidence About the Effectiveness of Vestibular Rehabilitation. Curr Treat Options Neurol (2016) 18: 13.
  • Van Vugt VA et al. Guided and unguided internet-based vestibular rehabilitation versus usual care for dizzy adults of 50years and older: a protocol for a three-armed randomised trial. BMJ Open 2017;7
  • Crane BT, Schubert MC. An adaptive vestibular rehabilitation technique. Laryngoscope 2017 May 23
  • McDonnell MN, Hillier SL. Vestibular rehabilitation for unilateral peripheral vestibular dysfunction.Cochrane Database Syst Rev. 2015 Jan 13

 

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