Pouco tempo de sono ligado a morte entre pacientes com doença cardíaca e/ou acidente vascular encefálico

Postado em

Megan Brooks

BOSTON – O risco de morte relacionado com a doença cardiovascular e a doença cerebrovascular é significativamente maior entre os adultos que dormem menos de seis horas por noite, indica um novo estudo com dados objetivos sobre o sono.

Dormir pouco “multiplica o risco de mau prognóstico para as pessoas com doença cardiovascular e/ou história de acidente vascular encefálico, disse ao Medscape Julio Fernandez-Mendoza, PhD, psicólogo do Sleep Research & Treatment Center, Penn State University College of Medicine em Hershey, Pensilvânia.

“Precisamos olhar para além da apneia do sono quando se trata da morbidade e da mortalidade relacionadas com a doença cardiovascular”, disse Fernandez-Mendoza. A maioria desses pacientes sem apneia do sono, mas com doença cardiovascular ou história de acidente vascular encefálico, pode se queixar de sono ruim ou insônia crônica, e agora sabemos que, quando existe este padrão de sono objetivamente curto, o prognóstico delas no longo prazo é muito mais reservado.

Fernandez-Mendoza apresentou sua pesquisa no SLEEP 2017: 31st Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies.

O dobro do risco

Dormir pouco foi associado a doença cardiovascular, acidente vascular encefálico e mortalidade, mas a maioria dos estudos baseou-se em padrões de sono descritos pelos próprios pacientes. Portanto, o papel do sono na previsão da mortalidade ainda não foi esclarecido.

Fernandez-Mendoza e colaboradores avaliaram dados polissonográficos objetivos de 1.741 homens e mulheres da Penn State Adult Cohort, uma coorte populacional geral que vem sendo acompanhada há mais de 16 anos. Doença cardiovascular foi definida por história de doença cardíaca, inclusive hipertensão ou diabetes, e a doença cerebrovascular por história de acidente vascular encefálico.

O tempo total do sono confirmado por polissonografia foi classificado como normal (seis horas ou mais) ou curto (menos de seis horas). Os pesquisadores usaram modelos de risco proporcional de Cox, que controlam múltiplos potenciais fatores de confiabilidade, no intuito de testar a interação entre a duração objetiva do sono, a doença cardiovascular, a doença cerebrovascular e a mortalidade.

“Descobrimos que o risco de mortalidade relacionado com a doença cardiovascular e a doença cerebrovascular foi maior entre aqueles que dormiram menos de seis horas no laboratório; especificamente, o risco de mortalidade foi 1,8 vezes e 2,4 vezes maior, respectivamente. Por outro lado, entre os participantes que dormiram mais de seis horas no laboratório, o risco de mortalidade relacionado com a doença cardiovascular e/ou a história de acidente vascular encefálico não aumentou significativamente, disse Fernandez-Mendoza ao Medscape.

Tabela. Risco de morte por tempo de duração do sono

Desfecho Sono curto: hazard ratio (IC de 95%) Sono normal: hazard ratio (IC de 95%)
Doença cardiovascular 1,83 (1,32 a 2,54) 0,87 (0,59 a 1,29)
Doença cerebrovascular 2,39 (1,28 a 4,44) 1,26 (0,52 a 3,07)

Em um estudo separado, também realizado com participantes da coorte Penn State Adult Cohort e publicado on-line em 17 de maio no periódico Journal of the American Heart Association, os pesquisadores descobriram que o risco de morte relacionado com a síndrome metabólica é maior entre os pacientes que dormem pouco.

Os pesquisadores dizem que os adultos com doença cardiovascular ou história de acidente vascular encefálico que dormem pouco provavelmente apresentam maior disfunção autonômica e metabólica central. É preciso realizar ensaios clínicos para testar se o prolongamento do sono melhora o prognóstico em longo prazo para os adultos com doença cardiovascular, história de acidente vascular encefálico ou síndrome metabólica, acrescentam.

Comentando o estudo para o Medscape, o Dr. Steven Feinsilver, diretor da medicina do sono no Lenox Hill Hospital, em Nova York, observou que “é realmente difícil obter informações precisas sobre o quantohas pessoas realmente dormem, porque você não pode confiar no que elas lhe dizem”.

“As pessoas que dormem pouco geralmente avaliam muito mal o próprio sono”, observou o Dr. Feinsilver. “Todos nos lembramos de quando estamos acordados. Não nos lembramos de quando estamos dormindo. Então, uma coorte como essa, na qual você tem uma medida objetiva de quanto as pessoas realmente dormem, é bastante interessante, e se você quiser provar que dormir mal é ruim para seu coração é bom ter alguns dados objetivos”.

“Seria ótimo se pudéssemos dizer às pessoas que dormissem mais, e assim elas estariam menos propensas a morrer de doença cardíaca ou acidente vascular encefálico – é bem possível que isto seja verdade, mas você não pode afirmar isso a partir deste estudo”, advertiu o Dr. Feinsilver.

Este estudo não teve financiamento de natureza comercial. O pesquisador Fernandez-Mendoza e o Dr. Feinsilver informaram não ter conflitos de interesse relacionados com o tema do estudo.

SLEEP 2017: 31st Annual Meeting of the Associated Professional Sleep Societies. Pôster 1015. Apresentado em 5 de junho de 2017.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s