Diretrizes da AAP: nada de suco de frutas para os bebês

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Pam Harrison

A American Academy of Pediatrics (AAP) emitiu novas recomendações sobre o consumo adequado de suco de frutas para lactantes, crianças pequenas, crianças maiores e adolescentes, começando com o conselho de evitar completamente suco de frutas no primeiro ano de vida.

“Os pediatras desempenham um papel central na saúde e na nutrição das crianças, orientando as crianças e os pais delas”, escrevem o Dr. Melvin Heyman, médico da University of California, em San Francisco, e colaboradores. “A avaliação abrangente e as recomendações quanto aos hábitos alimentares adequados, incluindo o consumo de frutas inteiras em vez de suco de frutas, podem ajudar a incentivar o apoio dos pais ao ganho de peso saudável”, acrescentam os pesquisadores.

A diretriz foi publicada on-line em 22 de maio no periódico Pediatrics.

Dr. Heyman e colaboradores enfatizam que os bebês devem ser alimentados apenas com leite materno – ou fórmula infantil, quando o aleitamento materno não for possível –, até aproximadamente os seis meses de idade. “Não há indicação nutricional para dar suco de frutas a bebês com menos de seis meses de idade”, escrevem os autores. Para os bebês com mais de seis meses, os pais devem ser orientados a dar o suco em um copo, não na mamadeira, caso o suco de frutas seja necessário por indicação médica.

“Os bebês podem ser incentivados a consumir frutas inteiras amassadas ou em purê”, continuam os autores. “Após um ano de idade, o suco de frutas pode fazer parte de uma refeição ou de um lanche”. Quando esta bebida é usada como parte de uma alimentação saudável para crianças acima de um ano de idade, os pais devem comprar somente suco de frutas 100% frescas ou suco de frutas reconstituído. Os autores esclarecem que os refrescos de fruta não equivalem ao suco de fruta em termos nutricionais.

A quantidade de suco consumido não deve exceder 120 mL (4 oz) por dia para as crianças de um aos três anos de idade, e 120 a 180 mL (4 a 6 oz) por dia para as crianças entre os quatro e os seis anos de idade. Para as crianças mais velhas e os adolescentes, o consumo de 240 mL (8 oz) de suco por dia é mais do que suficiente.

Além disso, deve-se evitar dar sucos para as crianças na hora de dormir, enfatizam os autores, e as crianças não devem tomar suco ao longo do dia copos cobertos ou na mamadeira.

Os bebês com mais de um ano e crianças pequenas também devem ser incentivados a comer frutas inteiras, e os pediatras, por sua vez, devem fazer a parte deles, apoiando as políticas que reduzam o consumo do suco de frutas entre bebês acima de um ano de idade e crianças pequenas.

“A ingestão de uma grande quantidade de sucos pode contribuir para a ocorrência de diarreia, nutrição excessiva ou deficiente, e para a ocorrência de cáries dentárias”, escrevem os autores. “A diluição do suco com água não necessariamente diminui os riscos para a saúde dos dentes”.

Ao avaliar crianças com sinais clínicos de deficiências nutricionais, os autores relembram aos pediatras que eles devem perguntar aos pais a quantidade de suco de frutas que seus filhos estão ingerindo, já que esta pode ser uma fonte de desregulação nutricional nas crianças. O mesmo deve ser feito para as crianças com queixa de diarreia crônica, flatulência excessiva ou dor ou distensão abdominal, e os médicos precisam assegurar que os pais compreendam o quanto os sucos de frutas podem ser nocivos para a saúde dentária.

Os pais também precisam ser advertidos contra o uso de suco de frutas para tratar a diarreia ou a desidratação. “O consumo de sucos não pasteurizados deve ser fortemente desencorajado para lactentes, crianças e adolescentes”, escrevem Dr. Heyman e colaboradores. “O suco de toranja (grapefruit) deve ser evitado para qualquer criança que tome algum medicamento metabolizado pela enzima CYP3A4″, advertem os autores.

As crianças mais velhas e os adolescentes também devem ser incentivados a comer as frutas inteiras em vez do suco de frutas, de modo a aumentar a ingestão de fibras. Os pais também precisam perceber que a água e o leite com baixo teor de gordura ou desnatado são mais do que adequados para satisfazer as necessidades hídricas das crianças mais velhas.

“Os pediatras também podem defender mudanças nas políticas públicas, especialmente nas escolas, onde a maior ingestão de frutas e vegetais tem sido associada a políticas que promovem escolhas nutricionais mais saudáveis”, observam os autores.

Os autores informaram não possuir conflitos de interesses.

Pediatrics. Publicado on-line em 22 de maio de 2017. Texto completo

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