Novas diretrizes sobre suspensão de inibidores de bomba de prótons

Postado em

Nicola M. Parry

Uma nova diretriz prática tem como objetivo ajudar médicos a tomarem decisões sobre quando e como suspender com segurança os inibidores de bomba de prótons (IBPs).

As recomendações baseadas em evidências incorporam dados de estudos clínicos chave e focam em resultados que são importantes para os pacientes, incluindo benefícios e danos da redução da dose de IBPs.

Barbara Farrell, da University of Ottawa (Canadá), e colaboradores publicaram as diretrizes baseadas em evidências na edição de maio da Canadian Family Physician.

“Uma diretriz para suspensão de IBP funciona em conjunção com as diretrizes de tratamento atuais, pois oferece recomendações e considerações clínicas aos médicos para ajudá-los a suspender os IBPs em pacientes após uma duração apropriada de tratamento, ou quando a terapia em longo prazo está sendo reavaliada”, escrevem os autores.

Preocupações quanto ao excesso de uso de IBPs têm crescido na medida em que se acumulam dados sobre efeitos adversos potenciais, incluindo risco aumentado de doença renal, infecção por Clostridium difficile, e fraturas de quadril. O uso crônico de IBPs também é comum, com alguns estudos mostrando falta de indicação atual para tratamento com IBP para 40% a 65% dos pacientes hospitalizados que recebem o medicamento.

“Quando os IBPs são prescritos de forma inapropriada ou usados por muito tempo, eles podem contribuir para a polifarmácia, com seus riscos inerentes de não adesão, cascatas de prescrição, reações adversas, erros médicos, interações medicamentosas, visitas pronto-socorro e hospitalizações”, continuam os autores.

As diretrizes atuais para o tratamento de doença do refluxo gastroesofágico e de doença ulcerosa péptica recomendam um curso curto de IBPs, e sugerem aos médicos que tentem descontinuar esses medicamentos ou tratar os pacientes usando a menor dose efetiva.

No entanto, as diretrizes atuais não fornecem recomendações sobre como os médicos podem suspender os IBPs. Na verdade, não haviam recomendações abrangentes baseadas em evidências disponíveis para ajudar os médicos a reduzir ou interromper os IBPs, ou guiá-los quanto a estratégias de tratamento de uso intermitente, reduzido ou sob demanda.

De acordo com Barbara e colaboradores, as novas diretrizes estão acompanhadas de um algoritmo de apoio a decisões que aborda as principais perguntas dos médicos sobre a suspensão dos IBPs. Ele “fornece recomendações práticas para a tomada de decisões sobre quando e como reduzir a dose ou interromper os IBPs”, observam.

Durante o processo de desenvolvimento das diretrizes, a revisão das evidências falhou em identificar danos graves da suspensão de IBPs em adultos, dizem os autores.

As novas recomendações focam em adultos com mais de 18 anos, com sintomas do trato gastrointestinal alto, que receberam IBPs por no mínimo quatro semanas e apresentaram resolução dos sintomas. Para esses pacientes, as diretrizes recomendam que os médicos devem ou reduzir a dose diária de IBP ou interromper o medicamento, e colocar o paciente em uso de IBP sob demanda. Os autores classificam a recomendação de reduzir a dose de IBP ou mudar para uso sob demanda como “forte”.

Como uma alternativa ao uso de IBPs, as diretrizes sugerem que os médicos podem considerar trocá-los por uma terapia com antagonistas de receptor de histamina tipo 2. No entanto, por conta do maior risco de retorno dos sintomas com essa terapia, essa recomendação é considerada “fraca”.

Embora a base de evidências predominantemente usada para desenvolver as diretrizes se relacione sobretudo com doença do refluxo gastroesofágico ou esofagite, os autores observam que os dados podem ser extrapolados para se aplicar a pacientes com outros transtornos gastrointestinais altos, como doença ulcerosa péptica, para a qual os IBPs têm eficácia mais modesta, ou que tipicamente necessitam usar IBPs por um curto prazo. A suspensão tem probabilidade de ser mais efetiva nesses casos, disseram.

De forma geral, os autores acreditam que o uso dessas novas diretrizes vai encorajar os médicos a avaliarem cuidadosamente o uso continuado de IBPs pelos pacientes, e potencialmente reduzir a polifarmácia.

No entanto, Barbara e colaboradores enfatizam também que permanecem lacunas críticas de conhecimento quanto à suspensão dos IBPs.

Pesquisas futuras “devem avaliar a suspensão para outras indicações de IBP e na frágil população idosa, regimes ideais de ajuste de dose ou tratamentos alternativos para minimizar a recorrência de sintomas, abordagens consistentes para medir resultados, medidas de eventos positivos e adversos com a retirada do medicamento, benefícios e riscos em longo prazo, e custos”, concluem.

Barbara revelou receber fundos de pesquisa para desenvolver essa diretriz. Ela relata financiamento do Institute for Healthcare Improvement e do Commonwealth Fund para diretrizes sumárias de suspensão, e da Ontario Long Term Care Physicians Association, da Ontario Pharmacists Association, e da Canadian Society of Hospital Pharmacists para palestras. Um coautor ocupa uma posição parcialmente financiada pela AstraZeneca e revelou receber pagamentos da AstraZeneca para palestras. Os demais autores relataram não possuir conflitos de interesses relevantes.

Can Fam Physician. 2017;63:354-364. Texto completo

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