REVEAL-AF: fibrilação atrial silenciosa é comum em pacientes em risco para FA e AVE

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CHICAGO, IL — Há uma alta incidência de fibrilação atrial (FA) silenciosa, previamente não reconhecida, em pacientes com alto risco de FA e acidente vascular encefálico (AVE), aponta um novo estudo[1].

No estudo REVEAL AF, a FA silenciosa identificada por monitor implantado e com duração de seis minutos ou mais foi observada em cerca de 30% dos pacientes de alto risco por um período de 18 meses e 40% dos pacientes aos 30 meses.

Dr. James A. Reiffel

“A fibrilação atrial é um importante fator de risco para acidente vascular encefálico, mas um número significativo de AVEs se dá em pacientes sem fibrilação atrial reconhecida previamente. Para melhorar a prevenção de AVE, precisamos de melhores maneiras de identificar e profilaticamente tratar os pacientes com FA em risco”, disse o autor principal Dr. James A. Reiffel (Columbia University, Nova York, NY).

Há muitas evidências de FA assintomática, previamente não reconhecida, de pacientes com marcapassos implantados ou desfibriladores, observou ele. “Os pacientes não sabem que têm, os médicos não sabem que eles têm, e por isso os pacientes não estão sendo tratados adequadamente com anticoagulantes”, disse o Dr. Reiffel.

“Mas essas foram análises retrospectivas de pacientes que têm distúrbios elétricos subjacentes e que necessitam de um dispositivo. A pergunta que deve ser feita é, com que frequência os pacientes que têm as comorbidades preocupantes realmente têm fibrilação atrial da qual não temos conhecimento e, se nós a detectamos, isso levaria a tratamentos que previnem AVE e insuficiência cardíaca que de outra forma não teriam sido evitados?”, indagou ele.

O ensaio REVEAL AF, apresentado nas Sessões Científicas de 2017 da Heart Rhythm Society (HRS), procurou responder à primeira parte da pergunta.

O estudo prospectivo de um único braço, multicêntrico, realizado em 57 centros nos EUA e na Europa, inscreveu 385 pacientes (média de idade de 71,5 anos, 52,2% do sexo masculino) com uma pontuação CHADS2 ≥ 3 ou CHADS2 = 2 e pelo menos um dos seguintes fatores de risco: doença arterial coronariana, insuficiência renal (TFG 30-60 mL/min), apneia do sono ou doença pulmonar obstrutiva crônica.

Os pacientes receberam implante de um dispositivo de monitoramento de ritmo (Reveal LINQ, Medtronic) para registrar o ritmo cardíaco deles.

“O gravador LINQ é aproximadamente do tamanho de dois palitos de dentes juntos. Ele é muito pequeno. Não requer cirurgia para implantar, pode ser inserido através da pele com um êmbolo e os pacientes o toleram muito bem. A inserção é um procedimento ambulatorial e mantém registros por até três anos”, disse o Dr. Reiffel ao Medscape.

As consultas de acompanhamento foram realizadas a cada seis meses por um mínimo de 18 e um máximo de 30 meses. O seguimento médio foi de 22,5 meses.

A taxa de detecção de FA foi de 6,2% aos 30 dias e aumentou ao longo do período de monitoramento.

Taxas de detecção crescentes de FA

Mês Taxa (%)
1 6,2
6 20,4
12 27,1
18 29,3
24 33,6

A incidência de FA foi semelhante entre os pacientes com pontuações CHADS2 2 (24,7%), 3 (32,7%) e >4 (31,7%, P = 0,23).

O tempo mediano da inserção do dispositivo até a detecção do primeiro episódio de FA foi 123 dias (intervalo interquartil, IQR, 41-330).

A alta taxa de detecção foi possível devido ao monitoramento contínuo, observou Dr. Reiffel. “A FA poderia ter passado despercebida em mais de três quartos dos pacientes se o monitoramento ficasse limitado a 30 dias”.

Embora o protocolo do REVEAL AF não exigisse qualquer intervenção específica por parte dos médicos participantes, 56,3% dos pacientes que atingiram o desfecho primário de ≥ 6 minutos de FA receberam prescrição de anticoagulação oral e 14,8% receberam medicação de controle do ritmo em algum momento do seguimento.

A detecção de FA silenciosa tem importantes implicações para a saúde pública, disse Dr. Reiffel. “O mecanismo de formação de coágulos no átrio não requer que o paciente tenha sintomas. O átrio não se importa se você tem palpitações, tontura ou nenhum sintoma. É um produto do átrio doente sobreposto ao efeito da fibrilação atrial. Acreditamos que, em termos de terapia preventiva, a fibrilação atrial silenciosa é, talvez, tão importante quanto a fibrilação previamente reconhecida “.

Os resultados do REVEAL AF são semelhantes aos relatados no PREDATE AF e ASSERT 2. Outro ensaio atualmente em curso na Dinamarca (o estudo LOOP ) está a avaliar a FA silenciosa em cerca de 1500 pacientes. “Estamos considerando reunir os conjuntos de dados para que tenhamos uma população de pacientes muito grande para examinar”, disse Dr. Reiffel.

“Estudos que administram anticoagulantes de forma profilática em pacientes com FA detectada por dispositivo também estão em curso. Em dois ou três anos a partir de agora saberemos muito mais sobre o papel do tratamento, mas a minha previsão é que se um paciente tem FA e tem as condições clínicas associadas, não deve importar se ele sente ou não a FA. A questão é que devemos ser capazes de prevenir o acidente vascular encefálico ao usar anticoagulação adequada nos pacientes, e devemos procurar de forma ativa a fibrilação atrial silenciosa em pacientes em risco”.

O estudo recebeu apoio de Medtronic. Dr. Reiffel informa ter atuado como consultor, pesquisador e/ou porta-voz para Janssen, Boehringer Ingelheim, Portola e InCardia durante os últimos 12 meses. As declarações para os coautores estão listadas no resumo.

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