RCP feita por leigos aumenta a sobrevida tardia e a função cerebral na parada cardíaca

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Liam Davenport

AALBORG, DINAMARCA – Entre os adultos que sobreviveram por pelo menos 30 dias a uma parada cardíaca fora do hospital, os que receberam reanimação cardiopulmonar (RCP) feita por um leigo mostraram chances significativamente menores de morte por qualquer causa em um ano, quando comparados àqueles que não receberam a RCP, especialmente se a intervenção incluía desfibrilação, concluiu um estudo baseado em números do Danish Cardiac Arrest Registry [1].

A intervenção também foi associada a um risco significativamente menor de internação em instituições de longa permanência ou de lesão cerebral por anóxia para os 2.855 pacientes que sobreviveram por pelo menos 30 dias após uma parada cardiorrespiratória (PCR), uma fração dos mais de 40.000 casos registrados de PCRs que aconteceram fora do hospital entre 2001 e 2012, na análise publicada na edição de 4 de maio de 2017 do New England Journal of Medicine.

Quando houve RCP feita por um leito, os riscos ajustados diminuíram significativos 38% (P<0,001) para danos cerebrais ou internação em instituições de longa permanência, 30% (P=0,04) para morte por qualquer causa, e 33% (P<0,001) para a combinação de lesão cerebral, internação em instituições de longa permanência ou morte.

As reduções correspondentes com desfibrilação feita por um leigo foram mais evidentes: 55% (P=0,01), 78% (P=0,01), e 55% (P=0,005), respectivamente.

Cerca de 8% dos que sobreviveram por pelo menos 30 dias após a parada morreram durante o período de acompanhamento de um ano, e 71% destas mortes foram por causas cardiovasculares presumidas. Além disso, 10,5% da coorte teve lesão cerebral por anóxia ou foi internado em instituições de longa permanência.

O estudo identificou 2.084 paradas cardíacas não testemunhadas pelo serviço de emergência médica. A taxa de RCP executada por um leigo nestes pacientes foi de 66,7% para 80,6% (P<0,001) durante o período do estudo; já a taxa de desfibrilação aumentou de 2,1% para 16,8% (P<0,001).

Hazard ratios* de um ano para os desfechos de adultos que sobreviveram por pelo menos 30 dias após PCR ocorrida fora do hospital com intervenção de um leigo

Desfechos Somente RCP realizada por um leigo, HR (95% IC); P RCP + desfibrilação realizadas por um leigo, HR (95% IC); P
Lesão cerebral ou internação em instituição de longa permanência 0,62 (0,47–0,82); <0,001 0,45 (0,24–0,84); 0,01
Morte por qualquer causa 0,70 (0,50–0,99); 0,04 0,22 (0,07–0,73); 0,01
Lesão cerebral, internação em instituição de longa permanência ou morte. 0,67 (0,53–0,84); <0,01 0,45 (0,26–0,79); 0,00

 

 

 

*Ajustado por idade, sexo, índice de comorbidade de Charlson, ano da parada cardíaca, status da testemunha, intervalo de tempo, e causa presumida da parada cardíaca, para pacientes com versus sem intervenção de um leigo.

O autor principal Dr. Kristian Kragholm (Aalborg University Hospital, Dinamarca) explicou ao Medscape que durante o período do estudo uma série de iniciativas foram empreendidas pela Dinamarca a fim de aprimorar estes números, incluindo cursos obrigatórios de RCP em escolas primárias e para motoristas, quando solicitam a carteira de habilitação.

Existem também desfibriladores externos automáticos (DEA) registrados em todo o país, disse ele, e todos os investidores, tomadores de decisão, e empresas que adquirem um DEA são encorajados a registrar o dispositivo, a localização dele, e em quais horários do dia ele está acessível.

Essas informações estão disponíveis por meio de um aplicativo para smartphone, e o registro está vinculado a centros de despacho de emergência, para que profissionais de saúde que trabalham nestes centros possam guiar os leigos ao DEA mais próximo e ajudá-los a usar o dispositivo, explicou Kragholm.

“Nossos achados suportam estas iniciativas por parte de leigos, pois elas não só aumentam a sobrevida dos pacientes, mas reduzem o risco de internação em instituições de longa permanência e de danos cerebrais, que podem ser indicadores de lesões encefálicas após uma parada cardíaca”.

Os registros podem ser usados para determinar com qual frequência os leigos executam a RCP e a desfibrilação nos pacientes, disse ele, “e o que nós observamos na Dinamarca é um aumento evidente nas taxas de RCP e desfibrilação realizadas por leigos provocado por essas iniciativas”.

Como Kragholm e colegas observam na publicação, a proporção dos que sobreviveram por pelo menos 30 dias após a parada cardíaca, entre os adultos que sofreram PCR fora do hospital, aumentou de 3,9% para 12,4% ao longo dos anos.

O estudo foi feito pela Danish Foundation TrygFonden e pela Danish Heart Foundation. O Danish Cardiac Arrest Registry é financiado pela TrygFonden. Kragholm declara ter recebido verbas de consultoria para Novartis Healthcare. Os conflitos de interesse dos coautores estão listados no artigo.

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