Colonoscopia com uso de água aumenta a detecção de pólipos

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Damian McNamara

CHICAGO — Uma técnica que usa água permite aos médicos detectarem significativamente mais pólipos durante a colonoscopia do que a tradicional insuflação de ar, de acordo com pesquisadores. Entretanto, nem todos concordam que a nova abordagem é justificada.

“Gastroenterologistas que realizam um grande número de colonoscopias de rastreio, em particular, devem considerar o uso de técnicas com água para melhorar a detecção de pólipos”, disse o pesquisador do estudo Dr. Anish Patel, do UC Irvine Medical Center, na Califórnia.

A técnica pode ser usada rotineiramente, mas é indicada para pacientes com maior risco devido a história familiar de câncer de cólon ou a um histórico de doenças que podem predispor ao câncer, como a doença inflamatória intestinal, disse ele na conferência Digestive Disease Week 2017.

O uso de água para “inundar” a mucosa magnifica as lesões, tornando mais fácil a detecção, disse ele ao Medscape.

Estudos mostraram que a colonoscopia com uso de água melhora o conforto do paciente porque a água distende e retifica o cólon sigmoide, ele explicou. Foi relatado que a remoção do colonoscópio desta primeira parte do cólon pode “causar muita dor”, acrescentou.

“Mesmo em pacientes que não estão sob maior risco, a técnica pode deixá-los mais confortáveis e incentivá-los para seguir realizando o rastreio adequado”, salientou.

No entanto, “há algum debate sobre o valor da água e da emulsão com água”, disse o Dr. Subhas Banerjee, do Stanford University Medical Center, na Califórnia.

Alguns médicos relatam que é mais demorada e outros questionam o valor de fazer com que o procedimento seja mais confortável para os pacientes, se de qualquer maneira eles ficarão sob sedação, explicou.

“Devido a esta controvérsia, a técnica ainda não foi amplamente adotada”, disse o Dr. Banerjee.

“Os endoscopistas começaram a identificar pólipos que de outra forma poderiam não ter percebido”

“Isto permanece controverso, e você pode encontrar artigos sobre os dois lados da questão”, disse a Dra. Grace Elta, médica da University of Michigan, em Ann Arbor, durante uma coletiva de imprensa no encontro. “Muitos endoscopistas têm usado insuflação com CO₂”, que é menos desconfortável do que o ar.

“Uma das razões pelas quais fomos inspirados a avaliar essa técnica em particular – não a inventamos, ela já existia – é que dois de nossos endoscopistas mais proeminentes são fãs dela”, disse a pesquisadora do estudo Dra. Jasleen Grewal, que também é da UC Irvine.

“Eles começaram a identificar pólipos que de outra forma poderiam não ter percebido”, disse ela ao Medscape. “Eles sentiram que suas taxas de detecção estavam aumentando e foi isso que nos inspirou a avaliar se realmente há uma diferença”.

Para seu estudo, os Drs. Patel, Jasleen e colaboradores avaliaram as colonoscopias realizadas na UC Irvine por qualquer motivo de setembro de 2014 a novembro de 2016. Eles identificaram 1987 colonoscopias com uso de água e 1959 colonoscopias com insuflação de ar. Nenhum equipamento novo foi necessário para a técnica com água, e as mesmas salas de exames foram usadas para os dois tipos de procedimento.

A taxa de detecção para pólipos no cólon direito foi significativamente melhor com a colonoscopia com uso de água em comparação com insuflação de ar (53,1% em relação a 47,3%; P < 0,0005), assim como a taxa de adenomas sésseis serrilhados no cólon direito (9,6% em relação a 6,6%; P < 0,0005).

Tabela. Taxas de detecção com as duas técnicas

Tipo de lesão Colonoscopia com uso de água (%) Insuflação de ar (%) Valor de P
Pólipo 69,6 64,3 <0,0005
Adenoma 44,4 41,4 0,05
Adenoma séssil serrilhado 11,1 7,9 0,0005

Por vezes a água pode fazer boiarem lesões que são muito planas, tornando-as mais fáceis de serem visualizadas e removidas, explicou o Dr. Patel.

“Na maior parte das vezes essas lesões levam ao câncer de cólon, mesmo em pacientes que estão sendo rastreados adequadamente, apenas porque não são vistas e, assim, não removidas”, disse ele.

“Identificar essas lesões poderia reduzir as taxas do que chamamos de câncer de intervalo, que ocorre entre os exames de rastreio com colonoscopia”, acrescentou.

“A popularidade da colonoscopia com uso de água aumentou nos últimos anos. Eu a usei por muitos, muitos anos”, disse o Dr. Banerjee.

“A técnica tem algumas vantagens. Como se injeta água, ela ajuda a lavar qualquer quantidade de fezes residuais no cólon, para que posteriormente se obtenha uma visão melhor, mais clara. A água também atua como um ampliador, alguns pólipos que você poderia perder usando ar são aumentados pela água”.

“De fato ela é mais demorada quando feita por alguns profissionais, mas os pacientes tendem a preferi-la”, acrescentou ele.

Embora estudos anteriores tenham relatado tempos de procedimento mais longos, a diferença entre os procedimentos com água e ar nesses estudos não foi significativa (30,3 minutos vs 31,7 minutos; P = 0,18).

Os Drs. Patel, Banerjee e Grace declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Digestive Disease Week (DDW) 2017: Resumo 953. Apresentado em 9 de maio de 2017.

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