IAM tipo 2: prevalência e prognóstico

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IAM tipo 2: prevalência e prognóstico

Mesmo com a alta prevalência de infarto agudo do miocárdio (IAM) tipo 2, pouco é conhecido sobre suas características e significado clínico. Por causa da falta de estratégia de tratamento, pacientes com IAM tipo 2 são frequentemente tratados com menor urgência.

Pesquisadores realizaram um estudo prospectivo para entender melhor os preditores do IAM tipo 2 e avaliar o prognóstico pós-incidente. O coorte foi de 1.251 pacientes submetidos a angiografia periférica ou coronária, para definir os fatores de risco e os desfechos associados.

Após um seguimento médio de 3,4 anos, 12,2% da população sofreu um IAM tipo 2. Vários fatores de risco foram associados, incluindo idade avançada, diabetes, pressão arterial sistólica mais baixa, diagnóstico de doença arterial coronariana e insuficiência cardíaca. Após um IAM tipo 2, pacientes apresentaram maior risco de eventos cardíacos adversos maiores (aHR, 1,90; P < 0,001) e mortalidade por todas as causas (aHR, 2,96; P < 0,001).

Pelos resultados, os pesquisadores concluíram que IAM tipo 2 é comum e associado com mau prognóstico. Mais estudos que avaliem as estratégias de tratamento e gestão são necessários.

Dr. Ronaldo Gismondi, doutor em Medicina e professor de Clínica Médica na Universidade Federal Fluminense, explica melhor as divisões do IAM:

“Em 2012, as principais sociedades de cardiologia se reuniram para atualizar as definições sobre infarto agudo do miocárdio. O grande desafio era, à época, separar as causas não coronarianas de aumento da troponina do IAM propriamente dito. O consenso final estabeleceu que o IAM pode ser diagnosticado por:

  1. Aumento da troponina, associado a um dos seguintes critérios: sintomas de isquemia, onda Q patológica no ECG, alterações novas no ST-T, novo BRE, identificação de trombo coronariano na coronariografia ou necrópsia, e/ou presença de déficit segmentar em exame de motilidade ou perfusão.
  2. Morte no contexto de alterações do ECG sugestivas de IAM, como supraST ou novo BRE, mesmo que a troponina não tenha sido dosada.
  3. Após uma intervenção coronária percutânea, se aplicam os critérios do item 1, porém a elevação da troponina deve ser acima de 5 vezes o percentil 99 em 48 horas após o procedimento em pacientes com valores basais normais OU aumento em 20% de troponina se os valores basais estavam elevados, porém estáveis ou em queda.
  4. Após trombose de stent, é considerado IAM se houver contexto de isquemia miocárdica e com aumento ou queda de biomarcadores cardíacos com pelo menos 1 valor acima do percentil 99.
  5. Após cirurgia de revascularização coronariana: elevação de biomarcadores cardíacos acima de 10 vezes o percentil 99 em pacientes com valores basais normais. Além disso, é necessário: nova onda Q patológica ou BRE novo ou oclusão de coronária nativa ou ponte na coronariografia OU presença de déficit segmentar em exame de motilidade ou perfusão.

A partir dessas definições, foram então determinados os tipos de IAM:

Tipo 1: ocorre pela trombose da placa de aterosclerose.
Tipo 2: há um desequilíbrio entre consumo e oferta de oxigênio. É o tipo de IAM avaliado nesse estudo, sendo mais comum após cirurgias não cardíacas, anemia profunda, crise tireotóxica ou secundário a baixo débito.
Tipo 3: era o “IAM fulminante”, no qual o paciente evolui para óbito antes dos procedimentos terapêuticos.
Tipo 4: relacionado com coronariografia, podendo ser após angioplastia (4a) ou por trombose do stent (4b).
Tipo 5: associado à cirurgia de revascularização do miocárdio.”

 

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Um comentário em “IAM tipo 2: prevalência e prognóstico

    Anônimo disse:
    05/16/2017 às 20:15

    Considero muito importante este tema é muito atual

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