12 sinais de alerta para suicídio em adolescentes

Postado em

Dr. Sivan Mauer

Aproveitando a luz que o seriado “13 Reasons Why”, disponível por streaming, e o perigoso “jogo da baleia”, que circula pela internet, lançaram sobre o tema do suicídio em adolescentes, é de extrema importância levar esta discussão para o meio médico, onde o preconceito e o desconhecimento sobre o assunto talvez não sejam menores que na população leiga. A ideia deste artigo é traçar alguns sinais de alerta para que profissionais tenham condições de oferecer ajuda ao paciente ou ao menos direcionar os pais sobre onde e quando procurar atendimento especializado.

Suicídio em adolescentes não é um mito, mas sim um problema real e muito grave, sendo a quarta principal causa de mortalidade desta população, segundo a OMS. Em um estudo recente feito na Dinamarca constatou-se que 46,5% dos adolescentes que tentam o suicídio realmente querem morrer, e que  apenas 2,5% querem “chamar a atenção“, desconstruindo o conceito de que os adolescentes usam a tentativa de suicídio apenas para atrair a atenção para si. [1] Este mesmo estudo também demonstrou que 50% dos adolescentes apresentam ideação suicida por mais de um mês e que muitos destes jovens não se sentiam ouvidos pelos seus pais e este seria o principal motivo para tirar suas vidas.

Falar sobre ideação suicida, tentativa ou mesmo sobre suicídio é uma questão bastante difícil para todos os familiares, mas geralmente isso se reflete de maneira muito mais grave nos pais do adolescente, que muitas vezes se sentem culpados e não sabem como lidar com a situação que o problema traz ao ambiente familiar. Neste momento de angústia e culpa é dever dos profissionais da saúde abrir espaço para o diálogo e tentar acolher os pais da forma mais empática, tratando o assunto da maneira mais cuidadosa e profissional possível, evitando julgamentos.

Um estudo de 2014 mostra que adolescentes tiram sua vida com métodos bastante agressivos, como enforcamento e o uso de arma de fogo. [2] Outro dado relevante sugere que os meninos cometem mais suicídio enquanto as meninas fazem mais tentativas[3].

Um fator de risco bem estabelecido é a relação do suicídio com doenças mentais. Estudos apontam que 75% dos adolescentes que se suicidaram tinham algum tipo de transtorno mental, principalmente os transtornos afetivos, como depressão e transtorno bipolar[2,4]. Dependência de múltiplas drogas incluindo álcool, maconha e tabaco estão associados a um aumento do risco de tentativas de suicídio em adolescentes[5,6].

Também é importante ressaltar que na população de adolescentes gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transgêneros o índice de suicídio tem aumentado nos últimos anos. Em muitos casos estes adolescentes convivem com algumas angústias particulares como a descoberta e o entendimento  de sua sexualidade ou identidade de gênero,  além de muitas vezes ter que conviver com o preconceito e a dificuldade da família em ajudá-los[7,8,9].

Outro indício de extrema importância que deve servir de alerta são os casos de automutilação em adolescentes. Alguns dados mostram que em média 70% dos adolescentes que se automutilam acabam tendo ao menos uma tentativa de suicídio. Pode-se considerar automutilação o ato de ser ferir sem o intuito de morrer, como cortes no corpo, beliscar-se, morder-se, queimar-se ou mesmo pular de lugares altos com o propósito de causar fraturas. Relatos de adolescentes revelam que a automutilação alivia seu sofrimento psíquico, além de ser uma maneira de lidar com pensamentos negativos ou até mesmo de expressá-los.  Deve-se levar em consideração que a grande maioria dos adolescentes escondem as marcas da automutilação, muitas vezes usando roupas de manga longa ou calças compridas, mesmo em dias quentes. Desta forma é importante salientar o quanto o exame físico é importante nestes pacientes.

Para facilitar a investigação sobre suicídio nesta população durante a anamnese ou história clínica, elaborei 12 questões que devem ser investigadas com o adolescente e com os pais:

  1. Tentativas prévias de suicídio
  2. Alterações no humor, ansiedade e agitação
  3. Maior irritabilidade sem justificativa aparente
  4. Começar a falar em suicídio/morte
  5. Mudar o padrão de higiene
  6. Abuso de álcool e outras drogas
  7. Automutilação
  8. Isolamento de familiares e amigos
  9. Ter atitudes mais violentas
  10. Comentários com conteúdos de desesperança
  11. Pesquisar sobre métodos de suicídio
  12. Conflitos com relação a identidade sexual

A adolescência é um período de transição difícil tanto para os adolescentes quanto para os pais e familiares, por isso devemos estar atentos a falsos julgamentos e achar que alterações de humor ou automutilação são situações comuns nesta fase da vida. É nosso dever como profissionais da saúde entender as mensagens e os indícios trazidos por adolescentes, maximizando assim o nosso poder de ajuda, e reduzindo o número de mortes entre os adolescentes.

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