Menos placas ateroscleróticas com adesão à dieta mediterrânea na vida real

Postado em

Patrice Wendling

PRAGA, REPÚBLICA TCHECA — A aderência a uma dieta estilo mediterrâneo mostrou, em um novo estudo, uma associação protetora dose dependente com presença, número e espessura das placas ateroscleróticas, independentemente de outros fatores de risco[1].

A associação foi mais forte para as artérias femorais e entre os tabagistas, sugerindo que o padrão dietético pode proteger da doença cardiovascular ao prevenir a oxidação de lipoproteínas aterogênicas, disse o autor principal, a Dra. Rocio Mateo-Gallego (Hospital Universitário Miguel Servet, Zaragoza (Espanha) no Congresso Anual de 2017 da European Atherosclerosis Society .

Ela observou que a presença de placas foi estudada principalmente nas artérias carótidas usando ultrassonografia, embora recentemente tenha sido demonstrado que placas iliofemorais identificadas por ultrassonografia são mais frequentes, se correlacionam melhor com o risco de doença cardiovascular (DCV) e estão altamente associadas com cálcio nas artérias coronárias.

O que não havia sido estudado antes é a associação de placas iliofemorais e a adesão à dieta mediterrânea no mundo real, observam os pesquisadores. Elas não foram bem estudadas no PREDIMED, um raro estudo randomizado, controlado de um tipo de dieta mediterrânea que mostrou regressão de placas carotídeas ao longo de vários anos, entre outros achados.

Para este estudo, os pesquisadores utilizaram a ultrassonografia para avaliar a extensão das placas ateroscleróticas nos territórios carotídeo, femoral e aórtico em 2523 operários de meia-idade (média de idade de 51 anos, 95% homens) sem história de doença cardiovascular no Aragon Workers Health Study. Destes, placas estavam presentes em algum território em 1983 participantes.

Um questionário com 134 itens de frequência alimentar foi usado para calcular o índice Alternativo Mediterrâneo (aMED), que considera o consumo de frutas, verduras, nozes, leguminosas, grãos integrais, peixe, carnes vermelhas, álcool e a razão gordura monoinsaturada/gordura saturada. A pontuação total pode variar de 0 a 9, com pontuações mais altas refletindo maior aderência à dieta mediterrânea.

A pontuação média aMED foi de 4,19, o que representa uma aderência moderada à dieta mediterrânea, sem qualquer diferença entre os sexos.

Em comparação com participantes no menor quartil do aMED (0-2 pontos), aqueles no maior quartil (6-9 pontos) eram mais velhos (51,7 anos em relação a 50,9 anos) e tinham menor probabilidade de serem fumantes (25,3% em relação a 44%).

Quando os participantes dos quartis mais altos foram comparados com os quartis mais baixos de aMED, houve uma redução significativa na presença de placas nas artérias femorais (odds ratio, OR, de 0,74; IC de 95%, 0,54-1,02; P = 0,045), independentemente de todos os fatores de risco e mediadores.

No maior quartil aMED, a presença de placa foi significativamente reduzida na aorta após ajuste para idade e sexo (OR de 0,72, IC de 95%, 0,55-0,94; P = 0,006), mas esta diferença não manteve significado estatístico após o ajuste completo (P = 0,303). Não foram observadas diferenças significativas nas placas carotídeas entre os dois quartis de aMED em nenhum dos modelos.

Entre os tabagistas no maior quartil de aMED, no entanto, a presença de placas foi reduzida em 61% nas artérias femorais (OR de 0,39, IC de 95%, 0,22-0,69, P = 0,001) e 67% em qualquer território (OR de 0,33, IC de 95%, 0,14-0,79, P = 0,008).

O escore aMED também foi inversamente associado ao número de placas em todos os territórios, exceto nas carótidas, disse a Dra. Rocio.

O moderador da sessão em que foi apresentado o estudo, Dr. Chris Packard (University of Glasgow, Escócia) disse ao Medscape que os achados carotídeos são consistentes com estudos prévios, e que a força da associação observada nos outros leitos foi substancial. A pontuação aMED também fornece uma maneira prática de avaliar o questionário de frequência alimentar da dieta mediterrânea.

“De todas as dietas que estudamos, todos dizem que a dieta mediterrânea é a que devemos seguir, então se a pontuação aMED é uma ferramenta que pode ser usada e que está relacionada a resultados, você poderia começar a usá-la como algo para encorajar seus pacientes”, disse ele.

Dra. Rocio relata apoio da European Atherosclerosis Society que forneceu um jovem pesquisador para contribuir no estudo. Dr. Packard relata ter recebido apoio de pesquisa de Roche e MSD e honorários de MSD, Sanofi/Regeneron, Amgen e Pfizer.

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