Exercício pode ser contagioso

Postado em

Megan Brooks

Uma observação profunda dos padrões registrados diariamente por mais de um milhão de corredores sugere que o exercício pode ser contagioso.

Saber o quão longe, rápido e por quanto tempo correm os amigos corredores, como compartilhado nas redes sociais, pode influenciar os hábitos de corrida, mais para homens do que para mulheres, descobriram os pesquisadores.

“Os resultados sugerem que estratégias de intervenção social, que levam a efeitos nos pares, podem disseminar mudanças de comportamento em redes de forma mais eficiente do que políticas que ignoram a capacidade de repercussão das redes sociais”, escrevem.

O estudo foi publicado on-line em 18 de abril na Nature Communications.

Queima de calorias como esporte competitivo?

Sinan Aral, professor da Cátedra David Austin de Administração, MIT Sloan School of Management, Massachusetts Institute of Technology, Boston, e o colaborador Christos Nicolaides, do programa de pós-doutorado do MIT Sloan, utilizaram um conjunto de dados que incluíram localização geográfica, ligações nas redes sociais, e hábitos diários de corrida de 1,1 milhão de pessoas que correram, combinadas, 359 milhões de km e que exibiram essas corridas digitalmente em uma rede social global de corredores durante um período de cinco anos. Os dados incluíam distância, duração, ritmo e calorias queimadas diariamente pelos corredores. Os dados foram registrados por rastreadores de exercícios digitais.

Houve uma “forte evidência na possibilidade de contágio social no comportamento de corredores”, relatam os pesquisadores.

Foi descoberto que, em média, um quilômetro adicional corrido por amigos no mesmo dia pode inspirar alguém a correr 0,3 km adicionais. Um tempo adicional de 10 minutos corrido por amigos pode motivar alguém a correr mais três minutos. Uma queima calórica adicional de 10 calorias de amigos pode influenciar um par a queimar 3,5 calorias adicionais.

Corredores menos ativos incentivam corredores mais ativos, mas não o contrário, observam os pesquisadores. O gênero também importa; o contágio foi mais pronunciando entre homens. Descobriu-se que os homens influenciam outros homens a correr mais longe e mais rápido.

“Isso pode ser devido a diferenças no sexo quanto a motivações para exercício e competição”, disse Aral ao Medscape. “Por exemplo, em estudos prévios, os homens relatam receber e ser mais influenciados pelo suporte social em suas decisões de adotar comportamentos relacionados a exercícios, enquanto as mulheres relatam ser mais motivadas pela autorregulação e pelo planejamento individual. Além disso, os homens podem ser mais competitivos e especificamente mais competitivos uns com os outros”, disse ele.

Os resultados apoiam a ideia de que as redes sociais podem influenciar o comportamento.

“Hoje estamos inundados com sinais sociais digitais de nossos pares em plataformas como Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat e outros”, disse Aral. “Essas tecnologias estão amplificando a interdependência de nossos comportamentos em saúde, nossos padrões de consumo, e padrões de voto, dentre outros”.

“Há 10 ou 15 anos, nenhuma dessas tecnologias sequer existia. Essas plataformas podem estar tendo um impacto muito significativo na evolução humana, e precisamos de mais pesquisas para avaliar como, pois estamos analisando apenas a superfície do assunto”, acrescentou.

Pesquisa no mundo real

Comentando os achados para o Medscape, Judy Van Raalte, professora de psicologia do Springfield College, em Massachusetts, observou que “tudo que podemos fazer para promover ou aumentar o exercício de uma forma saudável é um achado atraente, interessante e valioso para os americanos. Uma das coisas fascinantes sobre esse estudo é o uso de informações do mundo real sobre as pessoas se exercitando, e não informações de laboratório”.

Ela alertou que pode haver “um grande número de outras variáveis para explicar os achados, além do contágio, como a competitividade. E essas são pessoas que já estão se exercitando. Esses achados sugerem que tudo o que precisamos é inscrever as pessoas em um website de atividade física e dizer a elas o que seus amigos estão fazendo, e elas vão se exercitar mais? Talvez, mas talvez não. Se fosse assim tão fácil, estaríamos todos correndo”.

O estudo foi parcialmente financiado pela companhia que forneceu os dados sobre as corridas. Os autores informam que acordos de confidencialidade impedem que revelem o nome dessa companhia. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

Nat Comm. Publicado on-line em 18 de abril de 2017. Artigo

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