As gestantes precisam desligar o celular?

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Ronnie Cohen

(Reuters Health) – Crianças cujas mães usaram o celular com frequência durante a gestação foram mais propensas à hiperatividade do que aquelas cujas mães não usaram o aparelho com frequência, descobriu um novo estudo.

No entanto, a primeira autora do estudo, Laura Birks, não aconselha as gestantes a desligarem o celular. A pesquisadora alertou que não tem como dizer se a radiação eletromagnética do celular ou quaisquer outros fatores, tais como a maneira de criar os filhos, pode explicar a relação entre o uso do celular durante a gestação e os futuros problemas comportamentais na infância.

“Eu diria para interpretarem esses resultados com prudência, e tudo com moderação”, disse ela em uma entrevista realizada por Skype.

Laura e colaboradores analisaram os dados de mais de 80.000 pares de mães e filhos em Dinamarca, Espanha, Noruega, Holanda e Coreia. Eles encontraram evidências plausíveis de aumento do risco de problemas comportamentais – particularmente hiperatividade – entre crianças dos cinco aos sete anos de idade cujas mães tenham falado ao celular durante a gestação.

Visto que não se conhece o mecanismo biológico que leva a radiação do celular emitida durante o período pré-natal a causar hiperatividade nas crianças, estes resultados foram surpreendentes, disse Laura, doutoranda em biomedicina no Instituto de Salud Global de Barcelona, na Universitat de Barcelona (Espanha).

Esta associação foi constatada nos cinco países participantes do estudo e ao longo do período de estudo.

Filhos de mães que informaram fazer ou receber pelo menos quatro ligações por dia no celular, ou da coorte das mães que falavam ao celular mais de uma hora por dia, tiveram 28% maior probabilidade de serem hiperativos do que os filhos de mães que informaram falar ao celular uma vez por dia ou menos, descobriram os pesquisadores após a contabilização de uma série de variáveis ​​de confusão, como idade materna, estado civil e escolaridade.

Os dados abrangeram vários períodos de tempo entre 1996 e 2011. Somente a primeira coorte, na Dinamarca, iniciada em 1996, houve um número suficiente de mulheres que nunca usaram celular durante a gestação, o que permitiu estudar mulheres que não usaram telefones celulares durante a gravidez.

Os filhos das mães que nunca usaram celular durante a gestação tiveram menor risco de apresentar problemas comportamentais e emocionais do que as crianças cujas mães usaram celular, de acordo com o trabalho publicado em 7 de abril no periódico Environment International.

A Dra. Robin Hansen, pediatra e professora na University of California, em Davis, Sacramento, achou que o relatório trouxe mais perguntas do que respostas.

“Trata-se de alguma coisa sobre o próprio aparelho celular?” indagou a Dra. Robin em uma entrevista por telefone. “É algo que tem repercussões sobre as suas decisões de como criar os seus filhos? Estas são questões que não podem ser respondidas por este estudo”.

Como pediatra que trabalha com crianças com problemas comportamentais, a Dra. Robin é menos inclinada a considerar a radiação do telefone celular e mais propensa a considerar os estilos de criação dos filhos, os hábitos e as personalidades como sendo a possível relação entre o uso do celular pela futura mãe e a hiperatividade na infância, disse ela, que não participou do estudo.

“Agora temos de nos aprofundar e descobrir o por quê”, disse a Dra. Robin. “São os sinais eletrônicos que passam pelo seu cérebro e pelo seu corpo, ou como eles modificam as suas interações com o seu filho após o nascimento”?

Os pediatras americanos orientam os pais a limitarem o tempo de exposição à tela do celular para os filhos. Mas os pais também precisam considerar como o tempo que gastam vidrados nos próprios celulares os afasta de seus filhos, disse Dra. Robin.

Quando os pais mergulham nos seus telefones e não respondem aos seus filhos, rapidamente seus filhos aprendem como obter a atenção que anseiam, disse a médica.

“É só quando você chora ou joga alguma coisa ou faz uma barulheira que seus pais passam a prestar mais atenção em você do que no celular”, disse a Dra. Robin. Assim, as crianças aprendem a fazer algazarra no esforço de desviar a atenção dos pais do celular para elas.

“Isso reforça o comportamento hiperativo, que chama a atenção”, disse a pediatra.

FONTE: http://bit.ly/2p9NWOr

Environ Int 2017.

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