Gengivite e perda dentária predizem aumento da mortalidade em mulheres mais velhas: estudo WHI

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Marcia Frellick

BUFFALO, NY — Um grande estudo com mulheres na pós-menopausa sugere que a periodontite e a perda dentária predizem um risco de morte significativamente aumentado, mas não necessariamente um aumento do risco da doença cardiovascular.[1]

O autor principal Dr. Michael J. LaMonte (University at Buffalo, NY) disse ao Medscape que estes resultados, se confirmados em estudos prospectivos, poderiam ter implicações substanciais para a saúde pública de forma que poderiam sustentar uma triagem oral intensiva na meia-idade, especialmente para mulheres.

O rastreio da saúde oral, particularmente, poderia potencialmente se tornar tão importante quanto o colesterol ou a pressão arterial elevada para o prolongamento da vida, disse ele.

Pesquisas prévias haviam sugerido uma conexão entre perda dentária, como marcador para doença periodontal, e um aumento no risco de mortalidade na população em geral. Mas estudar as mulheres em particular foi importante, disse o Dr. LaMonte, porque a menopausa afeta negativamente a saúde oral e porque até 2035, pessoas com 65 anos ou mais vão se tornar um grande grupo etário e “dentre esse grupo, as mulheres superam numericamente os homens em dois para um”.

A informação foi reunida a partir de 57.001 mulheres de 50 a 79 anos que fizeram parte do estudo observacional Women’s Health Initiative (WHI) em 40 centros nos Estados Unidos entre 1993 e 1998.

Metade delas tinha sobrepeso ou obesidade, a maioria era de brancas não hispânicas e tinha ensino superior.

Essa última análise da WHI foi publicada on-line em 29 de março de 2017 no Journal of the American Heart Association.

O tamanho da coorte e a duração do estudo – conduzido ao longo de 6,7 anos – ajudou a superar alguns dos problemas que ocorreram em estudos menores, disse o Dr. LaMonte. Durante o período de seguimento do estudo, ocorreram 3589 eventos incidentes de doença cardiovascular (DCV) e 3816 mortes no total.

“Esse é o maior grupo de mulheres que conhecemos na pós-menopausa e com 55 anos de idade ou mais”, disse ele, “das quais sabemos, com boa documentação, que não tinham doença cardíaca no começo do estudo”.

Nesse estudo comunitário de mulheres idosas, com média de idade de 68 anos, a perda de todos os dentes permanentes previu um aumento de 17% na mortalidade (hazard ratio, HR, de 1,17; IC de 95%, 1,02 – 1,33).

O Dr. LaMonte disse que sua equipe de pesquisa tem a hipótese de que a perda dentária provavelmente reflete mais do que apenas a higiene oral, e que poderia ser influenciada por fatores de saúde como dieta, tabagismo ou outras condições que se acumularam ao longo da vida.

“Nós a vemos como uma medida representativa de saúde global pior do que daquelas que mantiveram os dentes”, disse ele.

O grupo esperava mostrar que uma história de periodontite estava relacionada a apresentar infarto do miocárdio ou acidente vascular encefálico, assim como a um aumento da mortalidade, disse o Dr. LaMonte. No entanto, a doença periodontal não esteve ligada a eventos cardiovasculares, embora tenha sido associada a uma mortalidade total 12% maior (HR de 1,12; IC de 95%, 1,05 – 1,21).

Esse achado é consistente com outros estudos que mediram a doença periodontal ao realizar uma pergunta, disse o Dr. LaMonte. No estudo atual, perguntou-se às mulheres: “Algum profissional de odontologia já disse que você tem doença periodontal ou das gengivas”?

Embora a coorte da WHI seja grande, e tenha havido um longo seguimento, apontam os autores, ter as próprias mulheres relatando a própria história de doença periodontal e perda dentária foi admitidamente uma limitação do estudo.

Outros estudos que mediram a doença periodontal de forma objetiva, por exame, tiveram maior probabilidade de encontrar associações positivas entre doença periodontal e doença cardiovascular, disse o Dr. LaMonte. “Talvez essa medida de saúde oral seja realmente difícil de se avaliar com uma pergunta”.

As duas condições são prevalentes entre idosos – 64% dos adultos americanos com mais de 60 anos têm doença periodontal de moderada a grave e 33% têm perda dentária, de acordo com o relatório.

O Dr. LaMonte explicou que eles avaliaram quatro cenários: perda dentária com doença periodontal; doença periodontal sem perda dentária; perda dentária sem doença periodontal; e ausência de perda dentária e de doença periodontal.

“Quando avaliamos mulheres as duas condições, o risco de morrer era maior do que dos outros grupos”, disse ele. “Isso nos deu alguma noção de que estamos no caminho certo.”

A Women’s Health Initiative é financiada pelo National Heart, Lung, and Blood Institute. Os autores declararam não possuir conflitos de interesses relevantes.

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