Corrida em maratonas associada a lesão renal aguda temporária

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Marcia Frellick

Um estudo realizado com 22 corredores na 2015 Hartford (Connecticut) Marathon descobriu que a maior parte dos participantes teve lesão renal aguda (LRA) temporária logo após a corrida.

Os níveis séricos de creatinina e os níveis urinários de albumina aumentaram após a maratona, classificando 82% dos corredores, pelo menos, no estágio 1 de lesão renal aguda, quadro no qual os rins não conseguem filtrar as excretas do sangue. A avaliação por microscopia mostrou que 73% tinham sedimentos na urina indicando lesão tubular aguda.

Embora os corredores estudados tenham se recuperado integralmente da lesão renal dois dias após o evento, os autores dizem que o estudo levanta questões sobre os efeitos em longo prazo para as pessoas que correm maratonas regularmente, especialmente em climas mais quentes.

A Dr. Sherry G. Mansour, médica osteopata do Programa de Pesquisa Translacional Aplicada, Departamento de Medicina, Seção de Nefrologia, na Yale University School of Medicine, em New Haven, Connecticut, e colaboradores, publicaram as descobertas on-line em 28 de março no periódico American Journal of Kidney Disease.

O rim responde ao esforço físico da maratona como se estivesse comprometido, de uma maneira semelhante à que acontece nos pacientes hospitalizados quando o rim é atingido por complicações clínicas e cirúrgicas, disse o autor sênior, o Dr. Chirag R. Parikh, médico, também da Yale Nephrology e o do Veterans Affairs Connecticut Healthcare System, em um comunicado à imprensa.

Os participantes do estudo eram corredores experientes (44% homens) com idades variando de 22 a 63 anos (média de idade de 44 anos). Os requisitos para a participação no estudo foram ter índice de massa corporal entre 18,5 e 24,9 kg/m2, e uma média de treino mínima de 24 km por semana nos três últimos anos.

Entre os critérios de exclusão constavam quaisquer ferimentos graves decorrentes de corridas nos últimos quatro meses, participação em outra maratona nas quatro semanas anteriores à corrida Hartford e uso de anti-inflamatórios não esteroides nos dois dias anteriores ou no dia seguinte à maratona.

Os pesquisadores coletaram amostras de sangue e de urina 24 horas antes da maratona, imediatamente após a corrida, e 24 horas depois. Além da dosagem sérica de creatinina e creatinoquinase, e urinária de albumina, os pesquisadores analisaram vários marcadores urinários de lesão (p. ex., a interleucina 6 e a interleucina 18) e de reparação (p. ex., o YKL-40). Os autores também utilizaram um novo marcador biológico urinário denominado lipocalina, associado à gelatinase de neutrófilos (NGAL, do inglês N eutrophil Gelatinase-Associated Lipocalin), que foi identificado como sinal de lesão renal aguda.

Como a amostra do estudo foi pequena, dizem os pesquisadores, eles só podem conjecturar que os maratonistas se adaptam bem a lesões, como evidenciado no caso da lesão renal aguda temporária.

“Isto ocorre apesar de 23% dos corredores em nossa coorte terem níveis de NGAL de 0,90 ng/mL, o que se aproxima dos níveis observados tradicionalmente em pacientes criticamente doentes, como aqueles com síndrome hepatorrenal, ou no pós-operatório imediato de cirurgia cardíaca”, escrevem os pesquisadores.

Os autores também presumem que o aumento da temperatura interna do corpo, a inflamação sistêmica, a desidratação e a diminuição do fluxo sanguíneo para os rins possam estar por trás da lesão renal aguda nos maratonistas.

As relações entre correr uma maratona e a função renal não foram bem estudadas, informam os autores, mas a importância dela tem crescido com o aumento da popularidade das maratonas, que contaram com 550.600 participantes nos Estados Unidos em 2014.

“Os resultados do nosso estudo precisam ser validados em coortes maiores, com maior tempo de acompanhamento da função renal”, concluem os pesquisadores.

Dr. Parikh acrescentou que “a pesquisa também demonstrou que existem alterações na função cardíaca associadas a correr maratonas. Nosso estudo contribui para a História – até o rim responde ao esforço relacionado com a maratona”.

Este estudo foi subsidiado por uma bolsa da Quinnipiac University Faculty Scholarship, pelos National Institutes of Diabetes and Digestive and Kidney Diseases e pelos National Institutes of Health. Os autores informaram não possuir nenhum conflito de interesses relacionado com o tema.

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